Floresta de Dean
— Harry, você precisa que eu deixe verificar sua saúde. Há algo de errado e você sabe que não pode continuar assim. — Hermione disse com uma voz determinada não deixando espaço para discussão. Era a única maneira quando se tratava de seu amigo cabeça-dura.
Desde que o trio de ouro começou a caça às horcruxes, eles estão escondidos do mundo bruxo. Tudo estava ao verdadeiro caos. O ministério foi assumido por Voldemort e agora quem entregou Harry Potter às autoridades, recebendo um bom pagamento em galeões pela captura do fugitivo mais famoso. Eles até evitaram entrar em contato com os outros da família Weasley com medo de que alguém pudesse descobrir e usar isso como chantagem para se entregarem.
Tirando a fome que passavam, a saúde estava relativamente bem. Exceto Harry. É claro que tinha que ser ele, o problema. Nada de tão novo nisso.
Desde seu aniversário de dezassete anos, sua magia tem vacilado. Ele pode dormir por horas e ainda assim acordado exausto. Nada fica em seu estômago por muito tempo. Sua magia se negava a fazer o que o dono mandava. Seu corpo definitivamente não estava em sincronia.
Lógico que Harry sabia que primeiro descobriria o que estava acontecendo. Ele devia matar Voldemort, de acordo com a profecia. Mas como se faz isso quando sua magia se recusa a ser usada? Para ser sincero, ele nem sabia como derrotá-lo. Por mais que, de acordo com o falecido Diretor Dumbledore, após a destruição de todas as horcrux Voldemort pudesse finalmente ser morto para sempre, Harry ainda tinha sua apreensão. Como ele lutaria contra Voldemort, o senhor das trevas mais poderoso de todos os tempos? Harry era poderoso, modesto à parte. Mas Voldemort tinha anos de experiência em seu currículo e seus comensais morreriam para salvar a vida de seu mestre. Então, a questão ainda permanece. Como isso seria tudo possível?
Sabendo que eles não poderiam aparecer ao público indo até Saint Mungus para tentar descobrir o que havia de errado com ele, Harry, ainda relutante, aceitou que Hermione fez um diagnóstico completo e direto. Por mais que ela passasse muito tempo estudando, a cura não era a sua área. Ela aprendeu o básico para caso eles precisassem de uma ajuda ao longo dos anos. Eles agradecem por ela ter aprendido ao menos alguns feitiços. Se não fosse por eles, talvez não tenham sobrevivido por cada prova durante os anos de estudo em Hogwarts.
— Tudo bem. Mas seja rápido. — A voz de Harry saiu com uma resignação como quando se espera por algo ruim.
– Ah, Harry. Francamente. Deixa de ser um bebê chorão ou eu vou te feitiçar a ponto de nem sua magia conseguir te ajudar a sair dessa cama. Pelo menos até que eu esteja satisfeito. Estamos entendendo? — Hermione perguntou bruscamente e Harry cortejou o contato com os olhos da menina. Confirmando apenas com um aceno de cabeça. Sua amiga poderia ser assustadora quando queria.
— Bem, companheiro. Eu te disse para ficar quieto e deixar que ela fizesse logo o que pretendia para ficar tranquilo. Mas quando você me ouviu? Essa é dura e teimosa. — Seu amigo ruivo, Ronald, falou de seu lugar num pequeno tronco próximo à barraca.
— Você também não começa, Ronald. Ou eu vou enfeitiçá-lo também e você ficará um longo tempo sem sua voz até aprender a escolher bem suas palavras.
— Calma, Mione. Não está mais aqui quem falou. — Ron falou ambas as mãos em sinal de rendição e mandou-se no final do colchão de Harry. Hermione lançou o feitiço padrão de diagnóstico que aprendeu num dos livros da sessão restrita da biblioteca de Hogwarts.
Enquanto a pena escrevia um pergaminho conjurado todo o diagnóstico tanto do corpo quanto do núcleo mágico de Harry, Hermione lançou os feitiços para curar algumas contusões, passou uma pomada específica para fechar as cicatrizes menores e rasas e empurrou algumas poções para Harry tomar. Hermione começou a fazer uma anotação mental dos ingredientes que eu preciso conseguir para algumas poções futuras quando o feitiço de diagnóstico terminou e o pergaminho caiu em suas mãos fazendo-a se assustar.
A menina começou a ler as informações e arriscou que ela já havia curado. Nada de tão mal aconteceu no corpo de seu amigo. Bem, tinha alguns ossos quebrados, mas nada com o que se preocupasse. Ela já tinha as devidas poções para isso. Os anos em que viveu com Harry, a ensinou a sempre ter na bolsa certas poções.
Olhando para o que havia com a magia dele, ela arregalou os olhos e soltou um som baixo, mas que foi ouvido tanto por Ron quanto por Harry.
— O que foi, Mione? — Harry perguntou curioso, tentando ler o papel na mão da amiga.
— Harry, acredito que vamos para Gringotes. — Ela falou indo diretamente ao problema.
— Você está maluca, Hermione? Nós somos procurados. Nós queremos em Azkaban, isso se tivermos sorte. Harry provavelmente seria morto por Voldemort na frente do público para mostrar que tem domínio sobre o mundo bruxo. Você está bem da cabeça?
— Tenho que concordar com Ron. Seria o nosso fim e o fim do mundo bruxo se aparecêssemos. Esqueceu o motivo real de estarmos escondidos?
— Eu não sou a bruxa mais inteligente do nosso tempo por nada. — A bruxa falou exasperada. — Tenho poção polissuco pronta para uso e tenho alguns cabelos de trouxas. Eu me preparei antes de sairmos em busca das horcruxes.
— Tudo bem. Uma parte está feita. Mas é outra?
— Como assim a outra? Temos tudo pronto. — O tom de Hermione foi aumentando ao longo de sua fala.
-Hermione. Acho que sei do que Harry está falando. — Ron tentou apaziguar uma amiga. — Companheiro, Gringotes é um neutro local. Por isso eles não estão em nenhum dos lados da guerra. Os goblins estão preocupados apenas com o ouro. — Hermione ao perceber, contínuo.
— Há muito tempo um tratado foi assinado entre o ministério bruxo e Gringotts. Assim como os goblins não tomariam partido quando guerras acontecessem no mundo bruxo, os bruxos não interfeririam na política goblin. É por isso que quando entramos em Gringotts, estamos suscetíveis apenas às leis dos goblins.
— Eu não sabia disso... — Harry disse com a voz baixa.
— Está tudo bem, companheiro. Às vezes esquecemos que você não foi criado no mundo bruxo como eu e nem é uma traça da biblioteca como Hermione.
— Ron, acredito que nem se ele fosse como um de nós, ele saberia se não contássemos a ele. Tem um lorde das trevas querendo matá-lo e até hoje ele não recebeu um descanso.
— Pessoal, ainda estou aqui. Ok? — Harry se fez presente na conversa novamente.
— Desculpe companheiro.
— Então, Harry. Levante-se desse colchão e vista algo adequado. Vocês dois, na verdade. Vou pegar as poções e logo depois desmontamos o acampamento.
— Mione. Antes de irmos. Eu preciso saber por que exatamente precisamos ir até Gringotts. Não seria mais lógico irmos à St. Mungus?
— Harry, acredite em mim. Apenas Gringotts resolverá parcialmente seu problema. E creio que é melhor irmos logo. — Hermione deu um tempo no que estava fazendo e se virou para seu amigo falando suavemente com ele. — Se troquem enquanto observo as poções.
Seguindo as instruções de Hermione, ambos os garotos se vestiram o mais apresentáveis possíveis com o guarda-roupa limitado. Por cima das roupas trouxas, eles colocaram uma capa e limparam o rosto. Ron passou os dedos pelos cabelos a fim de deixar um aspecto de menos bagunçado. Harry nem tentou domar o seu ninho de passarinho, mais conhecido por ele como cabelo. Maldito DNA Potter. Ele não podia ter ficado com os cabelos da mãe?
Assim que Hermione voltou com as poções, os meninos desmontaram o acampamento. Ainda esperaram a poção ficar da cor certa antes de tomarem. Harry fez a pergunta que estava presa em sua cabeça.
— Mione, você não me disse qual é o meu problema.
— Harry, precisamos fazer um teste. E esse teste é mais seguro se fizermos com os goblins. A magia deles impede de que algo falso apareça no pergaminho e todas as informações possíveis sobre alguém, aparecerá. Tudo lá é completo e confiável. — Hermione respondeu desviando da pergunta original.
Desfazendo as alas que colocaram na área, Harry tomou coragem para falar com seus amigos. Ele sempre tentava dizer, mas a coragem da grifinória não aparecia. Assim que todos se prepararam para tomar a poção e segurar a chave de portal que os levaria direto à um caixa de Gringotts, Harry os pediu para aguardarem mais um pouco. Quando seus amigos o encararam esperando, ele conseguiu falar.
— Ron, Mione... Vocês são meus melhores amigos. Eu realmente amo vocês. Vou ser sincero, estou com medo de algo acontecer conosco. Eu preciso que vocês saibam de algo antes de sairmos daqui. — Harry olhava para um ponto fixo. A coragem já quase se esvaindo, mas ele a agarrou fortemente. — Há algo, que aconteceu e eu escondi de vocês. Mas vocês precisam entender que não era só a minha segurança que estava em risco. Estou realmente apavorado de tudo isso dar errado e preciso da ajuda de vocês caso isso se concretize.
Privet Drive
Com as férias antes do quarto ano, Harry se "programou" e tentou entender tudo o que estava acontecendo. É claro que ele suspeitava de algumas coisas e ele só pedia que esse ano fosse tranquilo para ele meditar tudo o que havia acontecido com ele e que rumo tomaria futuramente.
Harry conhecera Cedric, o herdeiro dos Diggory após a partida de quadribol da grifinória contra a lufa-lufa. O garoto do quinto ano era gentil e calmo. Todas as boas qualidades lufanas se adequava completamente a ele. Mesmo ganhando a partida de quadribol, ele ainda dizia que não fora por mérito. Afinal, ele ganhara porque Harry ficou incapacitado por cair da vassoura após ficar próximo à um dementador. O menino verdadeiramente se preocupou com Harry e a partir daquele dia, eles criaram um tipo de amizade secreta. Ninguém sabia, nem mesmo seus melhores amigos. Cedric tinha medo de que relacionassem sua amizade apenas pela fama de Harry. O jovem da grifinória gostava de ter um segredo, porque pela primeira vez, era algo dele, que ele escolheu. Viver com os Dursley te deixa assim.
Durante as férias, antes dele ir para a toca, ambos trocaram cartas. Lógico que apenas quando os Dursley não estavam em casa. Cedric sabia sobre o que Harry passava durante as férias. O mais jovem, pela primeira vez, se sentiu bem a ponto de se abrir sobre sua vida doméstica. E foi bom. O lufano não o julgou e nem o tratou com pena. Sempre que podia, Cedric mandava seu elfo entregar comida para Harry e o menino mais novo era grato por isso. Sua "amada" família trouxa sempre trancava com correntes e cadeados a geladeira e a dispensa para não correr o risco do bruxo os roubar.
Quando Harry foi finalmente para a toca, ele e Cedric ficaram animados por saber que conseguiriam se encontrar antes do final das férias. No dia em que eles pegariam a chave do portal para a copa, Harry trabalhou suas expressões para que assim que se encontrasse com o menino mais velho, não suspeitassem sobre ambos já se conhecerem.
Todos se cumprimentaram e Harry ficou mais tranquilo por ter passado por isso sem levantar suspeitas. Antes da chave ser ativada, o pai de Cedric, Amos Diggory, se gabava pelo filho ter vencido o grande Harry Potter. Cedric tentou de todas as formas possíveis fazer com que o pai parasse. Afinal, Harry caindo da vassoura após o ataque do dementador fazendo-o ver a morte da mãe, não significa que ele fosse ruim no esporte e seu filho fosse maravilhoso. Mas o mais velho dos Diggory apenas o ignorou. Antes que a situação pudesse piorar, Arthur avisou que logo a chave seria ativada.
Assim que eles chegaram no local, os Weasley se separaram dos Diggory. Harry arrumou suas coisas na barraca e decidiu sair para ver tudo ao redor sem a presença dos seus amigos. Ele precisava de um tempo sozinho para pensar em tudo o que aconteceu com ele desde o seu terceiro ano. Entre descobrir que um fugitivo de Azkaban era, na verdade, seu padrinho e o pequeno segredo sobre sua amizade com o herdeiro Diggory, o mago não teve tempo de fazer uma pausa e organizar sua mente.
Andando sem rumo, ele passou calmamente por cada lembrança que o fez se sentir... diferente, por assim dizer. Tropeçando numa raiz, ele percebeu que havia se aprofundado na floresta por ter se perdido em seus pensamentos. Ao ouvir passos próximo a ele, Harry já segurou sua varinha nas mãos. Preparado para qualquer coisa que aparecesse.
— Ei, calma. Sou eu. — Uma voz calma surgiu. Ao olhar para cima, Harry percebera que era Cedric, o dono da voz.
— Oh, me desculpe. Eu me perdi em meus pensamentos. Como sempre... — A voz de Harry foi morrendo aos poucos. Já se perdendo novamente.
— O que anda lhe preocupando? — Cedric os guiou para um tronco próximo a eles e sentaram-se lado a lado.
Poucos dias antes do ano letivo terminar, Harry, por impulso, tocou seus lábios brevemente aos de Cedric. Quando se separou, eles se encararam e antes que Harry pudesse fazer qualquer coisa, Cedric o puxou para mais perto e deu um verdadeiro beijo em Harry.
O beijo fora suave, quase tímido. Seus lábios se conectaram como se pertencessem um ao outro. Persuadindo Harry a dar passagem para Cedric aprofundar o beijo, suas línguas se tocaram e um choque prazeroso passou por ambos os corpos. Naquele momento, não havia nada para eles. Existia apenas a boca um do outro. Cedric puxou Harry pela cintura para fechar qualquer mínimo espaço que ainda houvesse entre eles. Harry passou seus braços envolta do pescoço de Cedric e enterrou seus dedos no cabelo no mais velho, a fim de conseguir se segurar quando suas pernas ameaçaram ficarem bambas. Foi o primeiro beijo de Harry, e para ele fora perfeito. Ambos os meninos tentaram manter o beijo sem malícia. Nenhum dos dois estavam prontos para algo a mais.
Quando se separaram, o rosto de Harry ameaçou ficar num tom vívido de vermelho. Cedric apenas sorria com carinho para ele. Naquele momento, perceberam que não havia mais volta. Aquele beijo apaixonado foi o que selou seu agora, namoro.
— Oh, hum... me desculpe... eu... — Cedric cortou Harry fazendo-o parar de balbuciar sem sentido.
— Harry... faz tempo que desejo fazer isso. Não peça desculpas.
— Você queria? Mas... como? Eu não entendo... — Harry ainda não encontrou o olhar de Cedric.
— Eu te observava de longe. Desde que começamos essa amizade. Pensei que nunca poderia chegar a isso...
— Eu...
— Por favor, não estrague o momento. Eu ainda me sinto nas nuvens. Sua boca é incrível. Tão doce, tão sedutora...
— É... Cedric... foi o meu primeiro beijo, para ser sincero com você. — Harry disse depois de pensar por um curto momento se diria a verdade ou não.
— Fico feliz por ter sido seu primeiro. Pretendo ser o único se você me der a chance de tentarmos algo mais que amizade.
— Acho que está tudo bem. Mas você tem mais experiência que eu. Então...
— Vou adorar te ensinar o que sei. Espero que possamos aprender juntos ao longo do caminho também. — Cedric disse com um sorriso brincando no rosto
— Ok...
E depois daquela única palavra, uma incrível sessão de beijos se seguiu. Aquele havia sido o melhor dia para Harry. Ele não se arrependera em nenhum momento de ter se entregado à essa chance com Cedric Diggory, capitão e buscador da lufa-lufa, herdeiro puro sangue dos Diggory, futuro medimago e um ser maravilhoso, aos olhos de Harry.
— Ei, olá... tudo bem por aí ou alguém se perdeu novamente em pensamentos? — Cedric perguntou acenando com a mão na frente do rosto de Harry.
— Eu estava pensando em como tudo começou. E...
— Harry, amor. O que tanto lhe aflige? E não ouse dizer que "não é nada". — Cedric disse firme, mas com um leve tom de carinho.
— Eu não sei se estou pronto para isso. O que as pessoas dirão? Os Weasley são como uma família para mim, não quero perdê-los. Meus tios sempre disseram que relações homoafetivas eram erradas. Não sei o que fazer... Não quero que isso acabe. Pela primeira vez, me sinto vivo e vejo um futuro feliz. — As lágrimas presas nos olhos de Harry começaram a cair e ele não fez nada para impedi-las de rolar livremente pelo seu rosto.
— Oh, meu amor... — Cedric puxou Harry para os seus braços e tentou acalmar o menino que soluçava e se entregava àquele sentimento.
— Não sei o que fazer, Cedric. Eu gosto do que temos. Não quero perdê-lo... — O menino de olhos verdes conseguiu dizer quando conseguiu se acalmar consideravelmente para dizer as palavras sem ser interrompido.
— Você nunca irá me perder. Estarei contigo para sempre. Não deixarei de sair do seu lado, a menos que você me peça.
— Jura? — A voz de Harry saiu quebrada. E naquele momento, o menino que dormia no armário debaixo da escada e era sempre maltratado pelos parentes trouxas, tentou se agarrar à sua tábua de salvação.
Cedric queria matar os malditos trouxas que quebraram seu namorado. O menino não merecia isso. Ele sempre usou uma armadura na frente de todos, mas quando eram apenas os dois, ele a largava e se mostrava como verdadeiramente era. Apenas um adolescente, que tem seus medos e impulsos. Que chora e ri. Que luta e tem seus momentos de fraqueza.
— Eu juro, de todo o meu coração, eu faço essa promessa. Sempre estarei ao seu lado. Sempre lhe amarei. Sempre lhe cuidarei. Sempre lhe protegerei. Nunca deixarei de estar ao seu lado, com você, em seu coração. Não importa o que aconteça. Você sempre terá uma parte minha em você. Eu te amo, Harry James Potter. E nada mudará esse sentimento que tenho por ti. — Cedric segurou carinhosamente o rosto de menino mais baixo e selou seus lábios, derramando todo o amor e todas as suas promessas naquele beijo.
— Eu também te amo, Cedric Amos Diggory. E sempre te amarei. — Harry disse ao terminar do beijo.
— Nosso amor não é errado. Não importa o que as pessoas digam. Se alguém lhe julgar por sua orientação, então essas pessoas não o merecem. Você é o ser mais puro e gentil que eu já conheci e sou grato demais por isso. Nunca deixe que as pessoas lhe atinjam. Eu me deixo claro?
— Cristal, meu amor. — Harry conseguiu sorrir para o seu namorado.
— Agora, vamos. Está na hora de você voltar para sua família. Eles devem estar te procurando. — O lufano se levantou e estendeu sua mão para puxar Harry.
— Tudo bem. Eu vou indo. Fique bem.
E com um último beijo, ambos se separaram. Harry encontrou sua família e seguiu para seus lugares a fim de assistir à partida. Foi sua primeira experiência e ele amou cada momento.
Cedric sempre sabia como tranquilizar seu coração, e ele era extremamente grato por ter o lufano em sua vida.
Tão perdido em pensamentos, o grifinório assustou-se quando foi trazido para a realidade de repente.
— Harry?
— Vocês se lembram de quando eu passei por um momento difícil e quase entrei em depressão no final do nosso quarto ano? — Harry decidiu seguir um caminho diferente das suas memórias.
— A gente lembra, companheiro. Entendemos que foi complicado para você, por ter tido um encontro com Voldemort e ter presenciado sua ressurreição. — Ron respondeu por ele e por Hermione.
— Não foi apenas por isso... Eu... droga, não sei se consigo. — A última frase saiu como um murmúrio, mas ainda foi ouvido por seus amigos.
Ron e Hermione trocaram um olhar preocupado. Havia algo incomodando Harry e enquanto eles não soubessem o que era, não poderiam tentar ajudá-lo. Ele sempre esteve lá por eles, e, naquele momento, se sentiram mal por não perceberem que aquele acontecimento ainda o afetava tanto. Eles definitivamente não se sentiram como bons amigos. Sentiram que precisavam ajudar no que pudesse, tentariam realizar até o impossível pelo bem do seu melhor amigo. Nenhuma dor que ele passou foi merecida.
Harry lembrou daquele dia especial, fora um dos dias mais felizes para ele. Os pesadelos eram baseados no que passou no cemitério e sempre terminava com Cedric dizendo que Harry havia falhado com ele. Aquela dor ainda era tão vívida... mesmo depois de tanto tempo. Ele sabia que nunca se recuperaria, mas agora, era suportável.
Hoje era o dia dos meninos se encontrarem no banheiro do monitor. Decidiram se encontrarem apenas 3 dias aleatórios por semana para não levantarem suspeitas. Cedric havia dito para ele se arrumar porque seria uma noite especial. Sem discutir, Harry fez o que foi pedido.
Quando chegou até o banheiro dos monitores, ele viu que Cedric não estava lá. Sabendo que o namorado podia estar o esperando numa sala que era conectada secretamente ao banheiro, ele seguiu o caminho. Não sabendo o que o esperaria, ele abriu a porta com as mãos tremendo de ansiedade.
Foi sorte encontrar a sala. Na verdade, Harry era bastante curioso e sempre explorava o grande banheiro quando havia chance. Assim que encontrou a sala, ele contou a Cedric e ali, eles faziam suas refeições juntos, já que não podiam sair para Hogsmeade por medo de suspeitarem de algo.
— Cedric?
— Amor, você está lindo... — Cedric disse ao ver como Harry estava vestido.
Ambos os garotos não estavam com roupas formais. Mas estavam com sua melhor roupa de saída. Eles definitivamente se apreciaram por um bom tempo até se sentirem satisfeitos. Harry olhou ao redor da sala e parou o olhar na mesa. Ela estava decorada casualmente e no meio situava-se lindas gardênias e lírios. Neste momento Harry percebeu que algo estava acontecendo e ele não estava acompanhando. Antes dele fazer qualquer pergunta, Cedric falou.
— Venha, meu amor. Relaxe. Hoje à noite é para você.
Cedendo às falas do namorado, ele se aproximou do lufano e o beijou apaixonadamente. Eles não precisavam lutar pelo domínio, era tudo tão perfeito que Harry se entregava completamente ao mais velho e nunca se arrependia de deixar o controle em suas mãos.
Sentando-se em seus lugares, eles desfrutaram de um maravilhoso jantar, cortesia dos elfos, e falaram sobre tudo e nada ao mesmo tempo. Para eles, o assunto nunca acabava. Sempre surgia algo para preencher um possível momento de silêncio. Ao terminarem, eles se sentaram num sofá em frente à lareira acesa e se abraçaram por um momento, até Cedric se levantar do sofá e se ajoelhar na frente de Harry segurando suas mãos.
— Amor... Eu nem sei por onde começar. Amanhã é a última tarefa. E logo depois, as férias. Eu sinto que preciso fazer isso agora. Queria esperar por um tempo, mas quero você de todas as formas.
Por um momento de silêncio, Harry apenas olhou apreensivamente para Cedric e percebeu que o namorado tremia. Para não interromper o mais velho, o grifinório apenas encontrou o olhar do namorado e acenou com a cabeça positivamente, a fim de fazê-lo continuar.
— Harry. Eu te amo. Amo como nunca amei outra pessoa. Eu sei que somos jovens, mas acredito que seja o certo fazer isso agora. Eu não suporto esconder meus sentimentos por medo do que outras pessoas dirão. Você é meu tudo e me tornou uma pessoa melhor. — Pegando uma caixa em suas vestes com a mão desocupada, Cedric a abriu e colocou nas mãos de Harry.
— Ced...
— Quando o torneio acabar, eu quero apresentá-lo à minha família. Não como Harry Potter, o garoto que sobreviveu e o garoto que namora o capitão da lufa-lufa. Quero apresentá-lo como meu amor por toda a vida, quem me faz feliz. O meu futuro marido.
Harry já chorava com as palavras de Cedric. O anel era perfeito. Banhado em ouro com o brasão da família Diggory e enfeitado com algumas esmeraldas. Ainda soluçando e as mãos tremendo ao segurar a caixa, o mais novo sentiu Cedric tocar seu rosto carinhosamente com as costas das mãos.
— Harry, me faria a honra de me tornar seu marido? Para te amar e lhe cuidar por toda a minha vida? Para protegê-lo, mas também lutar ao seu lado sempre que for preciso? Para lhe segurar em meus braços quando a tristeza vier e rir junto a ti quando a alegria chegar? Para ser o pai dos seus futuros filhos? Você me aceita em sua vida e se tornará o futuro consorte Potter-Diggory?
Harry se jogou nos braços de Cedric e chorou tudo o que estava em seu coração. Ele se agarrou como se sua vida dependesse disso. Jorrando beijos por todo o rosto de seu amor, Harry clamou sua resposta.
— Sim. Sim. Mil vezes sim! Eu te amo. — Harry disse a última parte encarando o seu amor nos olhos. Aqueles belos olhos com uma imensidão de sentimentos, todos direcionados a si. Ele se sentia despido de qualquer coisa. Era como se aqueles olhos pudessem ver todos os seus segredos.
— Venha, meu amor... — Cedric colocou o anel nos dedos de seu, agora, noivo. Ele iniciou um beijo casto, mas o beijo foi ganhando intensidade e seus corpos tentavam entrar em contato através de todas àquelas roupas. Claro que eles nunca passaram de beijos.
— Cedric, leve-me. Faça-me teu. Pegue o meu corpo porque meu coração já lhe pertence. — Harry sussurrou no ouvido de Cedric. — Mas me guie. Será minha primeira vez.
— Amor, vamos aprender tudo juntos. Por mais que eu não seja virgem, nunca estive com outro homem. — Cedric beijou os nós dos dedos de Harry e o levantou.
Transfigurando o sofá num colchão confortável, os meninos se deitaram e ali, ficaria marcado a primeira vez dos dois. Naquela mesma sala, a magia de Hogwarts se uniu aos meninos fortificando ainda mais o amor compartilhado. Anos poderiam se passar, mas sempre que alguém entrasse naquele cômodo, poderia sentir o sentimento puro e verdadeiro que foi derramado de diversas maneiras. Mesmo não conhecendo os donos da magia, as pessoas ainda seriam tocadas.
Hogwarts sabendo que seus amados meninos iriam passar por uma grande provação no dia seguinte, entregou-lhes seu próprio presente. Um presente que sempre uniria seus corações.
Quando a magia de Hogwarts explodiu em vários flashes ao redor do casal, Harry se desfez entre seus estômagos e Cedric finalmente chegou ao ápice dentro de seu amante.
Entre a concentração em seu prazer e a névoa pós orgasmo, os recém noivos não perceberam a magia ainda rodando pela sala e fazendo o seu trabalho.
Após alguns momentos de plenitude, Cedric limpou os dois com um feitiço e puxou Harry para que a cabeça do mais novo pudesse ficar sob seu peito nu.
— Harry?
— Hm... — O menino resmungou por ter sido tirado de seu cochilo. Ele se sentia bem, completo, mas também cansado após sua atividade.
— O anel que eu te dei estava no cofre principal da minha família. Toda vez que alguém entrar em um noivado, o chefe da família precisa ser contatado.
— E...? — Harry perguntou quando seu namorado parou de repente. Ao estudar melhor o que seu companheiro queria dizer, Harry enrijeceu. — Cedric... Você quer dizer que Amos sabe sobre nós? — O grifinório queria ter certeza.
— Sim. Meus pais sabem, na verdade. Calma. Eles apoiam e querem te conhecer melhor. Minha mãe está radiante ao pensar nos planos para o nosso futuro casamento. Tive que ter uma conversa séria com meu pai, e quando expliquei algumas coisas, ele prometeu que deixaria seus preconceitos de lado para poder conhecer o Harry que eu conheço. — Cedric esclareceu para seu pequeno noivo.
— Eu prometo que farei o meu melhor para não explodir com Lorde Amos. Mas tenho certeza de que me darei super bem com Lady Yara.
— É tudo o que peço. — O mais velho beijou seu namorado castamente.
— Não estou preparado para contar para minha família. Apenas recentemente contei pra Sirius. Ele quer te conhecer, afinal.
— Podemos marcar um encontro durante as férias. Como isso soa para você?
— Maravilhoso. — Harry virou a cabeça para o seu namorado e deixou um beijo em sua bochecha.
Ambos os jovens se aconchegaram e fecharam os olhos para que pudessem descansar antes de voltar cada um para sua sala comunal.
— Harry, você não precisa nos dizer nada... — Hermione tentou passar segurança ao amigo.
— Não. Eu preciso. — Harry disse. Tirando os feitiços que escondiam o anel de noivado. Ao olhar para sua mão, as lágrimas ameaçaram rolar. Era uma lembrança agridoce. Harry levantou as mãos e mostrou aos amigos. Havia choque no rosto de ambos quando perceberam que tipo de anel era.
— Companheiro... isso é...
— Sim, Ron. Um anel de noivado. Mas não é só isso que preciso contar a vocês...
— Você não é obrigado a nos dizer algo. É sua vida e seu particular, Harry. Nós somos seus amigos e sempre estaremos com você, não importa o quê.
— Eu sei disso. Apenas me dê um tempo. Não sei por onde começar...
Depois de um tempo, Harry já com tudo organizado na cabeça, contou aos amigos sobre sua amizade com Cedric, como tudo chegou ao namoro e como eles ficaram noivos. Contou todos os planos que fizeram, as promessas ditas... Quando ele terminou de contar a primeira parte, o trio estava sentado no chão da floresta. Um feitiço havia sido levantado para protegê-los.
Ron e Hermione ficaram calados durante todo o tempo, permitindo que o amigo terminasse a história. Lágrimas rolavam e nenhum dos três tentou secá-las, sabendo que não adiantaria.
Quando tudo se acalmou, Harry suspirou. Ainda havia tanto para ser dito...
Essa parte seria a mais difícil. Ele tinha medo da reação dos amigos, mas ainda contaria. Era necessário e ele não podia esconder isso para sempre.
Após o torneio, Harry chorou. Ele entrou em estado de calamidade. Perdera seu primeiro amor. Perdera o homem que o fazia feliz. Perdera seu noivo e não pôde fazer nada. Ele olhou inutilmente para o corpo já sem vida de Cedric. Ele estava preso pelas amarras que rabicho havia conjurado assim que ele e Cedric chegaram ao cemitério através da chave de portal.
Ver a vida deixando os olhos de seu amor, fora doloroso. Havia doído mais ainda quando aqueles olhos que antes era de um cinza tão vívido, agora mortos, apenas com uma escuridão profunda estava direcionado a si. Era como se todas as promessas que fizeram fossem apenas poeiras ao vento. Algumas nunca poderiam serem cumpridas.
Durante todo o ritual, Harry havia ficado atordoado. Ele não percebeu tudo o que acontecia ao seu redor. Ele lutou para que seus olhos e mente focassem na situação atual, mas só havia Cedric.
Quando Harry e Voldemort levantaram as varinhas e conjuram feitiços, as varinhas se ligaram e uma névoa saiu da varinha de Voldemort, tomando forma. Ambos os magos estavam presos pela magia, Voldemort preocupado demais tentando focar o feitiço em Harry, não percebeu a névoa tomando forma de James e Lily Potter e Cedric Diggory.
— Harry, meu amor. Nós sempre te amaremos. Confie em nós e use nossa última magia para se proteger e pegar a taça novamente.
— Ei, campeão. Sinto muito por não estarmos com você. Mas saiba que nunca deixamos de vigiá-lo e protegê-lo da forma que pudemos durante todos esses anos. Sua mãe e eu te amamos. — Seu pai disse com uma voz suave e um sorriso brincando em seu rosto. — Antes de irmos, há alguém que pretende falar com você uma última vez.
— Amor da mamãe, nunca esqueça que estaremos em seu coração. E por favor, quando descobrir toda a verdade, conte-nos, nós precisamos saber uma última coisa antes de caminharmos em paz por toda a eternidade do lado de cá. — A mãe dele falou mais uma vez e sua figura se esvaiu com a de seu pai.
— Ei...
Harry olhou para outro lado e viu a névoa em forma de Cedric. Naquele momento, seu coração acelerou e seus olhos encheram com ainda mais lágrimas. Tudo o que seus pais haviam dito, havia ido para o fundo de sua mente. A curiosidade que eles despertaram em seu ser, havia sumido e tudo voltou a se resumir apenas em Cedric Diggory, seu falecido noivo.
— Ced... por quê? — Harry não lutou contra as lágrimas desta vez.
— Amor, minha paixão... Meu coração sempre vai lhe pertencer. Por mais que eu não esteja fisicamente com você, sempre estarei presente em seu coração. Em pouco tempo você descobrirá que não estará sozinho e saberá que independente do que aconteça, uma parte de mim estará com você fisicamente. Eu sinto muito por não estar com você e por não poder seguir todos os nossos planos...
— Ced, você não tem culpa de nada...
— Você também não tem culpa, meu amor. Tire da sua cabeça que minha morte está em suas mãos. Você não merece toda a dor que lhe foi causada, muito menos carregar uma culpa que não é sua.
— Volta para mim...
— Eu não posso, meu amor, infelizmente. Mas eu desejo uma vida repleta de amor e boas amizades por toda a sua vida. — Cedric disse com um sorriso aguado e cheio de sentimentos em seu rosto.
— Você sabe que eu não posso, eu não consigo. Preciso de você. Aqui. Comigo. — Harry implorou.
— Harry, siga minhas instruções. Tudo bem, meu amor? Assim que eu disser, você corre até a taça que ela o levará de volta à Hogwarts.
— Mas...
— Amor, faça o que eu digo, por favor. Quero o melhor para você. Faz isso, por mim.
— Eu te amo, meu amor.
— Eu também te amo, Harry. Sempre e sempre. — Cedric disse uma última vez.
Focando toda a magia ao seu redor, Harry a dirigiu para sua varinha e aumentou a intensidade do feitiço. Assim que ele conseguiu a distração, ele fez o que seu amor pediu, ele tocou a taça enquanto segurava o corpo sem vida do noivo.
Depois disso, tudo foi um borrão. Ele foi clamado como vencedor do torneio. Moody era na verdade Bart Crouch Jr. Voldemort voltou com um corpo meio cobra. Dumbledore conversando com os Diggory sobre o funeral de Cedric. O tumulto na escola. A seção de perguntas sobre tudo o que aconteceu no cemitério.
Harry fez tudo no automático. Ele não parou para pensar e refletir. Apenas seguiu o que os outros pediram. Quando deitou a cabeça no travesseiro, o sono o reivindicou rapidamente. Mesmo o corpo e a mente ainda sobrecarregados, ele não conseguiu paz durante o sono.
Havia Cedric e ele, abraços em frente à uma lareira, na nova casa deles. Ambos descansando depois de um longo dia e trocando um beijo calmo e sensual. Quando o beijo ficou amargo, Harry se afastou logo soltando um grito de terror.
Seu amado Cedric, não era ele mesmo. Seus olhos estavam sem foco. De seu nariz saía um líquido da cor preta. Quando a boca se abriu, saiu sempre a mesma frase. Uma repetição de "você me matou". Ele tentou parar com isso. Ele se sentia ainda mais culpado. Era inevitável.
Aquele sonho sempre se repetia. Uma e outra vez. Toda vez ao acordar, ele tentava se lembrar das últimas palavras de Cedric antes dele pegar a taça e voltar pra Hogwarts.
Durante as férias, Harry se sentiu cansado, enjoado. Se fosse outras vezes, ele ignoraria. Mas seu corpo começou a mudar. Ele ganhou mais massa corporal. Às vezes surgia uma estranha vontade de comer coisas sem sentido. Suas emoções estação à flor da pele, mais que o normal. O grifinório sabia que algo estava acontecendo, mas por não saber o quê, tudo o estava assustando.
Esperando que nada estivesse de errado com o seu corpo, a ponto de prejudicá-lo seriamente, ele esperou seus tios saírem de casa e juntou alguns trocados perdidos pela casa. Ele seguiu para o quintal de trás do número quatro da rua dos Alfeneiros, foi até o ponto de ônibus mais próximo e desceu no caldeirão furado. Pedindo passagem para o beco diagonal, ele foi até Gringotts e pediu por uma sala com lareira particular.
— Mansão Diggory, estudo de Lady Yara. — Harry disse após se ajoelhar em frente à lareira e jogar o pó de flú.
— Harry? — Yara chamou após ver a aflição no rosto do menino que estava noivo de seu único filho. Após o torneio, eles conversaram e um ajudou o outro durante o luto pela morte de Cedric. Não foi fácil, isso os atingiu fortemente. Yara se apegou tão rápido ao jovem, que eles chegaram a trocar algumas escassas cartas durante esse tempo.
— Yara, você pode passar pelo flú? Estou em Gringotts. Pedi por uma sala particular. — Harry estava à ponto de suplicar. Ele se sentia tão mal, tão enjoado...
— Claro, meu filho. Vou apenas chamar Amos e logo estaremos aí. Aguente bem. — E com isso, Yara saiu da sala e foi procurar pelo marido.
Anos estava em seu estudo. Sentado em sua cadeira, ele segurava um retrato de quando seu filho havia recebido a carta de Hogwarts. Era uma tradição dos Diggory frequentar a Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts, mas com eles saindo de uma recente guerra, ele tinha tanto medo de que desejou que seu único filho e herdeiro estudasse em casa com tutores aprovados pelo ministério britânico bruxo.
Pode-se dizer que Yara não gostou disso. Ela queria continuar a tradição e queria que seu filho fizesse amizades e qualquer outra coisa que garotos de sua idade faziam. Depois de longas discussões, Amos viu que não ganharia e aceitou com um gosto amargo na boca.
Cedric cresceu um menino saudável, brincalhão, inteligente... Ele era como qualquer outro garoto em sua juventude, mas o que o destacou, foi seu caráter. Ele não via o mal nas pessoas. Ele podia conversar com qualquer pessoa de qualquer idade. Falava de política, quadribol, matérias de Hogwarts etc. Era versado em qualquer assunto.
Quando Cedric de repente pediu o anel de noivado antes de voltar para Hogwarts novamente, ele se assustou. Quem poderia ter capturado a atenção de seu menino? Amos, como qualquer pai, conversou com ele e disse suas preocupações por estar noivando tão rapidamente.
Vendo o olhar tão apaixonado de seu filho, Amos viu que não tinha escolha a não ser aceitar. Durante toda a conversa, Cedric não mencionou o nome da pessoa amada. O Lorde Diggory já pensava em escrever o contrato de casamento. Seu filho falou tão bem que ele já havia aprovado sem nem antes o conhecer.
— Filho, quem é essa pessoa que faz seus olhos transbordarem de carinho e afeição?
— Meu pretendido é Harry Potter, pai.
O silêncio reinou logo após essa declaração.
— O garoto Potter? O que deu na sua cabeça, meu filho?
— Pai, não vou desistir daquele que amo. Eu pretendo me casar com ele! Aceite ou não, mas se não me caso com ele, não haverá outro alguém para compartilhar a linhagem Diggory comigo.
A voz era determinada e ele não queria correr o risco.
— Que assim seja. Mas você sabe que não gosto do garoto. Apenas prometo TENTAR me segurar.
— Isso é tudo o que peço. Agradeço, pai. Esperarei pelo anel em meus aposentos. Se precisar, mande Ninx.
— Amos? — O Lorde foi retirado de seus pensamentos pela voz de sua amada esposa.
— Sim, querida?
— Precisamos ir à Gringotts. Harry precisa de nós.
Amos assume que não gostava do menino no início, mas ao ver o menino quebrado após a morte de seu herdeiro, e ainda assim tentando ajudar sua esposa, ele criou um imenso respeito pelo mais jovem. Eles não trocavam cartas, mas ele fazia comentários e sua esposa os adicionava nas cartas. Ouvir o desespero na voz de Yara, o preocupou.
— O que aconteceu? — Amos perguntou já se levantando se sua cadeira e pegando sua capa.
— Eu não sei. Ele disse que estava em Gringotts em uma sala particular.
Voltando à lareira, eles entraram e procuraram pelo jovem na sala. O achando agachado em um canto da sala espaçosa.
— Harry! — Yara gritou o nome do menino e correu, logo se ajoelhando perto do mais jovem, esquecendo todo o seu decoro de uma Lady.
— Yara... — O jovem soluçou e se agarrou a sua esposa.
— O que aconteceu, meu jovem? — Amos tentou manter a calma. Se preocupar sem sentido sem nem antes saber o que estava acontecendo, apenas pioraria a situação.
— E-eu não sei... — Harry tentou falar em meio aos soluços.
— Respire. Me acompanhe. Puxe o ar pelo nariz e solte devagar pela boca. — Amos se aproximou do jovem e ergueu a cabeça com suas mãos grandes. — Isso. Muito bem. Não pare. Bom garoto. — Vendo que o menino começou a se acalmar depois de alguns poucos minutos, ele perguntou novamente. — O que aconteceu, meu jovem?
— Eu não sei. Eu me sinto estranho, meu corpo está estranho. Estou com medo... — As lágrimas voltaram a rolar pelo rosto do menino.
— Querido, nos diga o que está estranho, talvez possamos ajudá-lo. — Yara pediu gentilmente com sua voz materna.
— Eu tenho me sentindo enjoado e nada para no meu estômago. Parece que estou engordando, minhas roupas começaram a me apertar. Quase todas as comidas me enjoam. Tenho vontade de comer coisas estranhas ou coisas que nunca gostei antes... Eu me sinto estranho... — O menino tentou explicar o que tinha visto nas últimas semanas.
— E desde quando isso tem acontecido? — Amos perguntou tentando achar a causa disso.
— Desde o início das férias, senhor.
— Amos, vá buscar um medimago, por favor.
Relutante, o senhor saiu da sala atrás de um medimago, sem saber o que passava na cabeça da esposa.
Exatamente 10 minutos depois, Amos entrou novamente na sala com um bruxo vestido com uma capa branca.
— Olá. Sou o medimago e curandeiro Diaspont. Em que posso ajudá-los, lorde e Lady Diggory, Senhor Potter?
— Olá, Senhor Diaspont, você foi chamado para o Senhor Potter. Nós queremos um exame completo, por favor. Tenho minhas suspeitas do que possa estar acontecendo, mas prefiro ter certeza.
— Muito bem. — Leno Diaspont abriu sua maleta e puxou uma pequena maca lançando um feitiço para voltar ao seu tamanho original. — Senhor Potter, se você puder, por favor, deitar-se.
Harry se levantou e dirigiu-se para a maca. Assim que se deitou, Diaspont começou a lançar feitiços enquanto um pergaminho surgia com todas as informações sobre o corpo de Harry.
O pergaminho aumentava a cada segundo, o que deixou os três adultos em desespero. Pegando o pergaminho, Leno o leu e seus olhos aumentaram.
— Senhor Potter, levante por favor suas vestes e deixe seu estômago exposto para que eu possa lançar outro feitiço.
Relutante, Harry o fez, deixando com que o feitiço o atingisses. O menino não percebeu os olhos de Amos se arregalarem quando ele entendeu o que isso implicava, seu rosto já pálido.
— Senhor Potter, você sabe que é um portador? — Leno perguntou calmamente.
— Um portador? Como assim? — Harry perguntou confuso.
— O que se ensina em Hogwarts hoje em dia? — Yara bufou ao resmungar.
Por incrível que pareça, foi Amos quem explicou. Calmamente, para não assustar o jovem.
— Harry, alguns poucos bruxos masculinos abençoados por Lady Magic podem gerar um filho. Seu corpo continua como o que você nasceu, mas sua magia tem a capacidade de formar um útero mágico, onde vai ser carregado a prole. Esse é um presente muito cobiçado, pois poção e feitiço nenhum pode fazer isso.
— Exatamente, Senhor Potter. O último bruxo com essa benção na grã Bretanha, foi registro a mais de 30 anos.
Harry agora, sem uma gota de sangue no rosto, estava a ponto de entrar em um ataque de pânico. Portador... Lady Magic... Criança... Cedric...
— Harry, acalme-se, por favor. Nós estamos aqui. Respire fundo.
Mesmo com a mente em desespero, eu grifinório tentou seguir as palavras de Yara. Enquanto isso, Amos conversava com Leno sobre os resultados.
— O corpo dele está doente demais para carregar uma criança. Ele já está com um pouco mais de três meses, o aborto não pode ser feito sem colocar a vida do Senhor Potter em risco. Se soubéssemos disso antes, poderíamos decorrer a essa alternativa.
— O que podemos fazer a essa altura?
— O indicado seria colocá-lo de repouso definitivo.
— Ele não vai nos ouvir. Harry quer terminar Hogwarts e tenho certeza de que ele não deixará seus amigos agora. Podemos forçá-lo? Um contrato, não sei...
— Sinto muito, Senhor Diggory, mas os portadores são protegidos por várias leis. Quem comanda o que acontece ou não com o corpo dele, é ele e apenas ele. Vocês podem tentar convencê-lo. O único que pode forçar alguma coisa, é o guardião mágico dele. Se vocês conseguirem tomar a guarda dele, podem dar a ordem de tirá-lo se Hogwarts e colocá-lo em repouso em sua mansão.
— Ele não tem guardião. Com a participação do Torneio Tribruxo, ele foi considerado adulto aos olhos da lei. A única coisa em que ele está suscetível à menor de idade é não usar a varinha fora de Hogwarts, já que ele não terminou sua educação.
— Então nós não temos outras opções. Converse com ele. Talvez se ele seguir o cronograma de alimentação e poções que darei, mais as consultas que marcarei, ele pode ir para Hogwarts, seu núcleo mágico não tem fim, o que não vemos desde Merlim. Mas quadribol está fora de cogitação.
— Tudo bem. Eu entendo. Nós conversaremos com ele essa noite. Amanhã de manhã, liguei-me via flú que eu darei passagem para a consulta.
— Isso é bom, senhor Diggory. Espero que tenham um bom dia.
— Um momento. Preciso lhe avisar que isso permanece quieto?
— Não, senhor Diggory. Nós, curandeiros e medimagos fazendo um juramento de que todos os pacientes terão suas informações bem guardadas.
— Bom.
O medimago se retirou da sala, deixando os outros bruxos sozinhos. Quando Amos se virou para sua esposa, ele a viu segurando a mão do menino adormecido.
— Amos, o que faremos? — Yara perguntou sem tirar os olhos do portador.
— Vamos deixar para conversar em casa.
— Tudo bem...
Lorde Diggory pegou o menino em seus braços e seguiu para a lareira.
Em seu sonho, Harry segurava sua filha nos braços enquanto Cedric estava com o peito colado em suas costas com a mão repousada em seu quadril.
— Ela é tão pequena...
— Nossa princesa é muito novinha, amor. — Cedric riu.
— Eu sei. Mas meu estômago era tão grande...
— Eu te entendo. — Após um breve silêncio, ele continuou. — Nós a fizemos. Estou tão orgulhoso de você...
— Gostaria de ter você aqui durante todo esse tempo. Sinto sua falta.
— Sempre estarei contigo. Você e nossa princesinha estarão seguros.
— Eu te amo.
— E eu te amo, meu amor. — Cedric sussurrou em seu ouvido enquanto se esvaia.
Harry balançou a cabeça e voltou ao presente. Aquela fora sua última conversa com Cedric, seu noivo.
O menino continuou suas aulas em Hogwarts, enquanto nos fins de semana de Hogsmeade, ele se encontrava com os Diggory. Chegou um momento em que o aluno do quinto ano pensou que não suportaria segurar ainda mais os feitiços de ocultação. Por mais que ele amasse seus dois melhores amigos, ele sabia que não poderia se abrir com eles. Paredes tem ouvidos e ele não queria correr o risco.
Amos e Yara cuidaram dele como se fosse um filho. O Lorde parecia até mais amigável. Harry pensava ser por conta de sua situação, mas quando Celine, sua linda princesinha nasceu, Amos não mudou com ele. O menino sentiu como se eles fossem seus pais, as vezes ele escorregava e os chamava assim.
Quando ele soube que deveria vir a essa caça, foi de coração partido que ele deixou sua filha. Ele sabia que estaria em ótimas mãos, mas a saudade apertava. Harry sabia que essa era sua única opção. Ele teria que deixar o mundo seguro para o futuro de sua filha, mesmo que para isso ele precisasse se sacrificar.
Leno Diaspont foi crucial em cada passo. Hoje, ele agradece. Sua filha nasceu saudável e seu corpo foi quase completamente restaurado como deveria ter sido desde o início.
Tirando sua corrente de ouro com um pingente, Harry entregou aos seus amigos.
— Essa é a pequenina?
– Sim, Mione. Minha linda princesinha. Celine Lilian Potter-Diggory. Herdeira das famílias Potter e Diggory.
— Ela parece uma boneca tão pequena.
— Celine é um bebê, Ron. Essa é a única foto que tenho dela neste momento. Nessa foto, ela está com 2 semanas de vida.
— E por que tudo isso logo agora, Harry? — Hermione voltou aos trilhos.
— Nós estamos prestes a ir para Gringotes. Neutros ou não, não quero arriscar. Vocês são meus melhores amigos e eu queria que vocês soubessem dos meus segredos caso algo aconteça comigo. Quem cuida dela são os avós. Eu não confiaria em outros.
— Eu não te culpo, companheiro. Acho que teria feito o mesmo no seu lugar. Não que eu fique com outro caro e tenha tido um filho. Não me leve a mal, mas prefiro mulheres. O que eu quero dizer...
— Calma, Ron. Eu entendi o que você quer dizer. — Harry riu do amigo.
— Meninos... — Hermione revirou os olhos afetuosamente para os amigos. — Harry, quero que você saiba que não deixarei com que nada aconteça. Nós terminaremos essa guerra e você voltará seguro para a pequenina.
— Essas também são as minhas palavras, companheiro. Quando tudo isso acabar, mamãe ficará feliz ao saber que finalmente ganhou um neto. Bill agradecerá, assim ele e Fleu ganharão mais tempo.
— Posso apostar que sim. Molly é um amor. Com certeza ela passará dias tricotando para Celine.
—Bom, meninos. A conversa é boa, mas precisamos do seu logotipo. Harry, os testes dos goblins podem parecer um pouco invasivos, mas é a maneira deles. Então fique calmo. Ron, você... Bem, você sabe o que fazer. Precisamos tomar logo a poção e irmos, se quisermos descobrir o que está acontecendo com Harry.
— Tudo bem. Vamos passar logo por isso. —Harry falou amargo. Como se já não bastasse passar por vários exames e programações com Leno, ele ainda deve suportar os goblins.
— Sem reclamações. Você precisa estar bem para a sua princesinha. Então aguente.
- Golpe baixo, Ron.
