Rua da fiação
Severus Tobias Snape.
Mestiço.
Mestre de poções.
Mestre na oclumência e legilimência.
Mestre em defesa contra as artes das trevas.
Chefe da casa sonserina.
Diretor de Hogwarts.
Comensal da morte.
Traz um gosto amargo na boca. Essa não era a vida que ele sonhou.
Desde jovem, sua vida fora difícil. Nascido de uma mãe puro sangue e um pai trouxa. Apanhava e via o pai abusando da mãe. Ele culpava o pai. Mas também culpava a mãe. Ela poderia ter fugido, ela tinha magia! Ela poderia ter pedido abrigo aos pais, eles teriam ajudado, certo?
Severus fugia de casa para não ter que suportar os gritos. Numa das saídas conhecera Lilian Evans. Uma doce menina. Seus cabelos ruivos ao vento. Ela se tornou sua primeira amiga.
Lilian era uma nascida trouxa. Irmã mais nova de Petúnia Evans. Os pais de Lilian ficaram extasiados ao saber de sua filha ser uma bruxa. Petúnia queria ir junto para a escola, mas quando descobriu que não tinha permissão, pois era apenas uma trouxa, seu ciúme veio à tona e as duas irmãs brigavam toda vez que se viam. Lily, para evitar muitas brigas, assim que se formou, decidiu ficar de vez no mundo bruxo.
Snape via tudo de longe. Por conta de um erro na adolescência, sua amizade com Lily se desfez.
Promessas de grandeza. Fama. Tudo chamou sua atenção. Quando ele conheceu Lorde Voldemort, seu coração cantou.
Severus Snape tornou-se consorte e braço direito de Lorde Voldemort, onde na intimidade, Severus o chamava por seu nome, Tom Marvolo Riddle.
Em algum momento da história, seu amado marido se desfez em loucura. Aquele não era o homem pelo qual ele se apaixonou. Alguns comensais da morte ficaram apreensivos vendo a mudança em seu mestre. Pelo menos metade dos comensais abandonaram seu dever assim que foi proclamado que Harry Potter o derrotou na noite de 31 de outubro de 1981.
Mas não Severus. O homem poderia ter mudado. Mas ele ainda era seu marido. Ainda havia esperanças de que ele voltasse a ser quem era. Com toda essa mudança, Voldemort nem mesmo se lembrava de que era casado com seu mestre de poções.
O mais jovem não seguia Dumbledore. Bem, ele também não seguia totalmente as novas ideias de Marvolo. Ele prometeu proteger o garoto Potter, filho de sua melhor amiga.
Snape não odiava Harry. Muito pelo contrário, ele sentia o desejo de cuidar do menino e dar tudo o que ele não teve quando criança.
Dumbledore nunca permitira que Snape chegasse perto do menino. Ele dizia que o disfarce de espião dele não podia ser desfeito. Snape ainda se perguntava quando ele concordou ser seu espião, mas para não piorar a própria situação ele relatava falsos encontros. Claro que ele fazia o mesmo com Voldemort.
Agora, o menino estava sumido. Voldemort estava sumido. Dumbledore estava morto. O mundo estava na expectativa do próximo movimento de qualquer um dos lados da atual guerra.
Uma águia o puxou de seus pensamentos. Pegando a carta e lendo-a atentamente, ele prendeu o ar.
Como?
Mas...
Era impossível...
Saindo da casa em que ele viveu por toda a vida, ele aparatou num beco próximo à Gringotts.
— Que o sangue de seu inimigo jorre aos seus pés. Mestre Goblin, vim para uma reunião com o mestre Thrunli.
— Que seu ouro flua abundantemente. Siga-me, senhor Snape.
Seguindo o goblin pelos muitos corredores do prédio, eles chegaram ao seu destino. Depois de uma rápida troca com o guerreiro ao lado da porta e o Goblin que o esperava, ele obteve permissão de entrada. Após trocar cumprimentos, Snape se sentou na cadeira oferecida.
— Senhor Snape, o que temos para falar hoje é algo sério. Não deve sair das paredes de Gringotts.
— Como queria, mestre goblin. Que assunto é esse tão urgente?
— Senhor Snape, a história é longa. Permita-me contar sem interrupções, por favor.
Ao aceno de Severus, o goblin começou. Falou sobre Harry Potter, sua linhagem familiar, seu caso de amor que gerou uma vida, sua herança de criatura, a caça às horcruxes, o descobrimento de muitas coisas que foram escondidas de todos e até mesmo passou pelo ritual. Após horas, o goblin chegou ao assunto principal, Tom Riddle. Depois de contar que parecia que o mago fora controlado por todo esse tempo e como agora ele estava em recuperação, Severus ficou quieto, calado, parado, olhos vidrados.
Quando Severus recebeu a carta de Gringotts relatando que Marvolo estava com eles e chamou por ele, fora um choque e tanto.
— Senhor Snape, precisa que eu chame um curandeiro?
— Não será necessário. Eu posso ver meu marido? Como ele está?
— No momento, ele está dormindo. Ele acordou do coma faz dois dias, mas por conta da bateria de exames, preferimos esperar até que acabasse para contatá-lo.
— Eu entendo. Ele está... bem, são?
— Sim, ele está. Mas digo-lhe, sua memória está bagunçada. Ele esqueceu muita coisa, mas parece se lembrar de que são casados. — O Goblin informou e deu uma longa pausa. — Senhor Snape, nós não sabemos quem fez isso com ele. Só poderemos culpar alguém quando ele recuperar suas lembranças, mas também não termos certeza de que ele recuperará tudo. Ninguém pode prendê-lo ou qualquer outra coisa, já que isso na lei diz que não fora ele quem cometeu os crimes.
— Então a pessoa... não! O monstro, que fez isso com ele, sairá impune?
— Peço que se acalme, senhor. Nós estamos fazendo tudo ao nosso alcance, mas também precisamos da cooperação dele.
— Peço perdão. — Snape respirou fundo e soltou o ar lentamente na esperança de se acalmar. — Qual é o plano?
— Peço que vá com calma com ele. Não tente forçar ele a se lembrar, pode piorar. É melhor que vocês fiquem longe do atual estresse circulando nosso mundo. Se vocês têm alguma propriedade que possam relaxar, será o ideal.
— E o mundo bruxo? Como fica? Quem arrumará essa bagunça?
— Não se preocupe. Lucius Malfoy conseguiu passar pelos testes e logo ocupará o cargo de ministro. Acredito que o Lorde Malfoy seja competente para o cargo. Já conversei com o senhor Riddle e ele concordou em passar uma mensagem para os comensais antes de partir.
— Parece bom. Há algo mais?
— Não senhor. Caso esteja faltando algo, o senhor Riddle o informará. Atualmente ele está com um curandeiro. Venha.
Snape se levantou de onde estava e seguiu a criatura até a porta onde ele falou com um guerreiro na linguagem goblin.
— O guerreiro Virgoe o levará até o senhor Riddle.
— Obrigado, mestre Goblin.
Depois de trocarem algumas palavras, Snape seguiu o Goblin por outra rodada de corredores.
Quando chegaram ao destino, o guerreiro apenas foi para um dos lados da porta e acenou para que ele entrasse.
Tomando cuidado para não acordar Tom, ele entrou e fechou a porte atrás de si silenciosamente.
O curandeiro provavelmente já havia terminado seu trabalho, a sala estava vazia, exceto com ele e Tom.
Se aproximando calmamente da cama, Severus se sentou na borda e levantou sua mão direita na direção ao rosto de Tom.
Quanto tempo faz que ele não o toca assim...
Quanto tempo faz que ele não vê as feições desse belo rosto...
Quanto tempo faz que ele não beija os lábios do próprio marido...
Quanto tempo faz que ele não sente o calor irradiando desse corpo na cama...
Tão perdido em pensamentos, Severus se assustou quando ouviu uma voz sonolenta.
— Sev...?
— Sh, meu amor. Eu estou aqui. Vai ficar tudo bem, não se preocupe. — Severus não pôde conter as lágrimas. Esse era o seu marido.
— Senti sua falta... Tanto tempo se passou. — Tom olhava para seu marido como se fosse a primeira vez.
— Eu sei. — Severus beijou a testa de seu marido. — Também senti sua falta.
— Não sei como você está bem perto de mim. Fiz tantas coisas ruins... — Sua voz soou quebrada, mostrando a fraqueza apenas na frente de seu marido.
— Não é sua culpa. Não tome tudo para si. Nós acharemos o culpado e o faremos pagar por toda essa dor.
— Eu não te mereço, Sev...
— Ei... Eu te amo. Sempre estarei com você, não importa o quê. Permaneci até hoje ao seu lado porque foi minha escolha e nada mudará isso.
Tom se sentou na cama e puxou o marido para os seus braços. Seu pequeno morceguinho... Agora ele sente a dor no peito por toda a dor causada ao seu amor.
— Eu te amo e sempre amarei. Sei que estarás comigo. — Marvolo beijou a têmpora de seu amado.
— Eu te amo, Tom. Conte sempre comigo.
— Sim, eu já faço.
Os dois amantes ficaram aconchegados junto até o curandeiro voltar para liberar Tom para outra reunião.
Assim que o assunto dos comensais fosse resolvido, eles passariam um tempo juntos na cabana em Cairngorms, escondida dos trouxas.
Itália
Harry estava sentado no divã em seu quarto da nova casa, Celine dormindo em seus braços.
Harry estava pensando em tudo o que acontecera nas últimas semanas.
Amos estava certo em tudo o que ele disse?
Tudo começou quando Amos o chamou para o seu estudo. Harry não fazia ideia do que o Lorde Diggory queria conversar.
Ele deixou Celine nas cuidadosas mãos de Yara e pegou o caminho para seu destino.
Ele entrou na sala assim que obteve permissão. Amos apontou para um dos sofás que havia perto da lareira e disse que logo se juntaria a ele.
Harry tentou ficar o mais confortável possível enquanto Amos guardava os pergaminhos espalhados pela mesa.
— Harry, que bom que se juntou a mim. — Amos disse ao se levantar se sua cadeira e se dirigir à poltrona que ficava de frente para o sofá de dois lugares que Harry estava.
— Bem, você me chamou. Qual é o problema? — Harry perguntou calmamente.
— Não há problema algum. Quero apenas uma conversa. Simples.
— Sinto muito, mas eu duvido disso. Qual é o ponto da reunião?
Amos observou o menino por alguns instantes. Estudando seu comportamento e como ele abordaria a situação. O garoto precisava sim de ajuda, principalmente de um clã, que poderia entendê-lo. Por mais que Amos agora o considerasse um filho, ele sabia que Harry precisava de palavras duras para filtrar sua mente. O jovem só veria o quão errado ele está agora quando ele fosse jogado na situação e tivesse que enfrentar seus medos. Tomando uma decisão, Amos falou.
— Falando assim até parece ser esperto, mas só tomou decisões estúpidas até o momento... Interessante como você pode mudar tão rapidamente. — Ele tomou um gole de FireWhisky que seu elfo pessoal havia lhe servido, deixando um copo de suco de abóbora para Harry, já que ele ainda estava amamentando sua neta.
— Perdão? Como assim "decisões estúpidas"? — O garoto perguntou com a testa franzida.
— Vou direto ao assunto. Não vamos enrolar. Certo? — Ao aceno, Amos continuou. — Eu sei que você realmente amava meu filho, e temo que ainda o ame e seja devoto desse amor. Mas esse seu amor está nublando todos os seus sentidos e eu não desejo forçá-lo a algo, mas se for preciso, farei.
— Bem, que tal você me dizer o que está acontecendo? — O humor do mago mais jovem já estava mudando e a magia borbulhando em sua pele, ansiosa para sair.
A reação esperada. Amos continuaria firme e levaria o plano até o fim.
— Você está ignorando sua herança. Acha isso correto? Você precisa aprender tudo sobre sua herança e ser companheiro de um vampiro, você só conseguirá essas coisa se você se juntar à um clã.
— Você sabe que ninguém mais ocupará o lugar de Cedric. Eu já tomei minha decisão. Continuarei aqui na Inglaterra, arrumarei minhas propriedades e ficarei com Celine na mansão Potter. O que mais você quer? Pensei que estivesse bem com o que sinto por Cedric, o seu filho. — Harry rugiu e se levantou do sofá. Era impossível ficar lá.
— Não me leve a mal, garoto. Fico feliz por você ter sido aquele que meu filho entregou o coração e que disso veio a minha amada neta. Mas não vou apenas ignorar o que você está fazendo. Cedric pode nunca deixar seu coração, mas você precisa seguir em frente para a sua felicidade e para o bem de Celine.
— Celine está bem. Ela está ótima de saúde. Eu estou bem aqui.
— Ela pode estar bem agora. Mas como você acha que ela estará daqui a alguns anos quando souber que o pai dela está morto? — O ponto certo foi tocado e ele sabia que não tinha para onde Harry ir. Agora ele tinha sua atenção.
— Morto? O que você quer dizer, Amos? — Um Harry pálido e trêmulo perguntou, já temendo a resposta.
— O que eu quero dizer é, se continuar a ignorar sua herança, mãe magia a tomará. Se ela decidir por isso, você morrerá. Acha que sua filha continuará bem? Ela saberá que você decidiu morrer. Você prefere isso? Não quer o bem para a sua filha? — Ele se levantou e se aproximou do menino.
Amos assumia ter pegado pesado com o menino. Mas conhecendo Harry, ele só tomaria a decisão certa se fosse com punhos de ferro. Ele queria pegar o menino nos braços e acalmá-lo, mas ele precisava digerir toda a informação. Isso era para o bem de todos.
— Amos, você não entende. Eu não posso. Eu não escolhi essa vida. Eu não quero outro companheiro. — Sua voz soou quebrada e Amos quase cede ao garoto.
— Harry. Eu te amo como filho. Você me deu o presente mais precioso, Celine. Eu quero o seu bem, apenas isso. Eu comprei uma pequena propriedade na Itália, perto do clã dos reis. Não o forçarei a ir e deixá-lo lá. Nós iremos ajudá-lo e permaneceremos com você a cada passo. Você conhecerá o clã durante o dia e a noite você voltará para nós. Mas minha decisão está tomada.
— Eu quero continuar na Inglaterra. Aqui é minha casa. Hogwarts está aqui. Meus amigos estão aqui. Tudo está aqui.
— Você verá que é para o seu bem que faço isso. — Amos se aproximou de Harry e beijou sua testa. — Os elfos arrumarão nossas coisas e partiremos em alguns dias. — Ele olhou o garoto por curtos segundo e se dirigiu à porta. — Tudo ficará bem, filho.
E com isso, Amos saiu da sala e deixou que Harry absorvesse toda a conversa. Seu peito doía, mas ele não podia perder outro filho.
Celine se mexeu em seu sono o despertando para a realidade. Ele não tem saído de seu quarto, a não ser para as refeições, onde sua presença era obrigatória. Yara tentava puxar uma conversa, e ele apreciava a ação, mas ele não conseguia.
Harry se sentia tão vazio. Solitário. Perdido...
Eles viajaram por uma chave de portal de Gringotts, quando terminaram de resolver seus assuntos. Harry soube sobre Snape e Voldemort e não soube o que pensar ou sentir. Apenas arquivando a informação para estudá-la mais tarde, ele deu sua atenção aos papéis burocráticos sobre suas contas antes de poder partir.
A nova casa ficava situado numa área onde podia-se ver toda a cidade. A caminhada era longa, mas tinha um ponto de aparatarão vem próximo à entrada da cidade. Harry observou o pequeno local, perdido em pensamentos. Ele fazia muito isso ultimamente. Yara o aconselhou a começar a estudar oclumência para conseguir organizar a mente, mas ele não tinha forças para nada no momento.
— Harry, querido. Está acordado?
— Entre, Yara. Mas cuidado, Celine dormiu não faz muito tempo. — Ele observou a mulher entrar silenciosamente no quarto com uma carta nas mãos. O jovem ergueu uma sobrancelha para o papel esperando que Yara explicasse.
— É a carta dos Weasley, Amos pediu para você respondê-los para que ele possa te levar para o castelo. — Ela disse cuidadosamente.
— Mas já? Tão rápido? — Ele não pôde esconder o leve pânico em sua voz.
— Meu marido acredita que você já teve tempo o suficiente e que está na hora de você enfrentar sua nova vida.
Yara sabia que amos estava certo, mas ela também via esse menino como seu próprio filho. A mulher mais velha queria apenas pegar Harry e sua neta e escondê-los do mundo.
— Entendo. Deixe a carta na escrivaninha, por favor. Assim que terminar, me encontrarei com ele.
— Tudo bem, querido.
Ele observou a mulher sair da sala e soltou um longo suspiro.
O jovem bruxo sabia que se quisesse, poderia apenas seguir para uma das mansões e ficar lá com sua filha, ele já era maior de idade segundo as leis bruxas. O que o impedia de se rebelar era o que Amos falou sobre sua herança e mãe magia. Ele sabia que Amos nunca mentiria para ele, então escolher entre sua própria morte e seguir os vampiros, ele preferia aquele caminho que teria sua filha feliz no futuro.
Deixando a menina no meio da cama e lançando feitiços de proteções e um específico para um alarme caso ela acordasse, ele se dirigiu à escrivaninha e abriu a carta para iniciar a leitura.
Seus amigos concordaram com Amos, mas não foram com eles. Muitos deles tinham suas vidas e não tinham como abandonar tudo. Harry entendia, ele não queria que eles fizessem isso por ele. Mas não ter seus amigos por perto quando ele mais precisava, era como receber um cruciatus.
Resolvendo apenas responder a dita carta antes que ele demorasse demais, pegou tinta, pergaminho e pena e começou. Ele mandaria um elfo dos Diggory para entregar a carta, pois já não tinha mais sua querida familiar, Edwiges.
— Ah, vejo que terminou. Venha. Por mais que você tenha conseguido sua licença, você não está familiarizado com o lugar já que não saiu de casa. Vou nos aparatar e andaremos até o castelo. — Amos perguntou assim que viu Harry descendo as escadas.
— Preciso saber alguma coisa antes de partirmos? — Ele perguntou num tom monótono.
Amos suprimiu um suspiro e apenas respondeu à pergunta.
— Há dois tipos de alimentação, o sangue humano e o sangue animal. Os reis tomam sangue humano. Não, eles não matam qualquer um, eles têm um acordo com a polícia local e os presidiários são mandados para eles. Os vampiros recebem algumas habilidades, você saberá quem tem qual apenas se eles quiserem. — Amos olhou para ele para ver se havia entendido e acenou positivamente.
— Vamos logo para não nos atrasarmos. Os reis são ocupados, tempos valiosos.
Harry apenas o seguiu sem vontade alguma de ir conhecer esses vampiros. Amos continuou resignado com sua decisão. Quando Harry passasse um tempo com os vampiros, ele veria que não precisava temer tanto.
Lorde Diggory se lembra de quando ele se encontrou com os Volturi para passar as informações precisas. Todos estavam avisados de como era Harry e tudo o que ele havia passado. É claro que certos detalhes cabiam apenas a Harry contar, mas ele os deixou prontos para tudo.
Esperando que tudo desse certo e que Harry fosse feliz novamente, ele segurou as mãos do jovem bruxo e os aparatou.
— Mestres, eles chegaram. — Uma mulher se curvou diante os três reis Volturi, cada um em um trono.
— Traga-os, por favor, Chelsea. — Aro não podia negar estar animado para conhecer o novo aprendiz. Tanto tempo se passou desde o último.
Esperando a vampira voltar, Aro e Caius observaram Jane e Alec que estavam no canto mais escuro da sala do trono. Os dois vampiros mais velhos sabiam que estariam de mãos cheias por um tempo. Seus dois filhos tinham ciúmes de um novo aprendiz, e por isso, era quase uma luta toda vez que chegava alguém de fora.
Caius tentou suprimir um suspiro já percebendo que eles voltariam a pisar em ovos. Por serem os mais novos na guarda, eles eram cuidados, mas ele e seu companheiro sabiam o estrago que poderiam fazer se quisessem e caso não tivesse alguém para controlá-los.
As portas se abriram e entraram dois homens. Um era alto e agia todo poderoso, esse era o Lorde Diggory. O outro era baixo e olhava para todos os cantos, seus olhos mostravam medo e angústia, esse devia ser Harry Potter.
— Sejam bem-vindos. — Aro começou. — Eu sou Aro e esses são os outros dois reis, Caius e Marcus. — Ele os apresentou e encarou o menino inquieto. — Você pode se apresentar, meu jovem?
Um silêncio surgiu e o garoto nem uma vez olhou para um vampiro diretamente. Amos vendo que ele não faria e nem falaria nada, decidiu tomar a apresentação.
— Peço perdão, ele ainda não está bem com toda essa mudança. Este será seu novo aprendiz, Harry James, Senhor Potter e Lorde Black. Ele não é um vampiro completo, sua mudança veio da magia por ser companheiro de um vampiro.
— Eu entendo, Lorde Amos. Ele nunca conheceu outro vampiro?
— Apenas um, mas nunca chegaram a conversar por muito tempo, então ele é um livro novo no momento. — Amos respondeu lembrando de Sanguini.
— Ótimo! Temos muito o que aprender. Você passará os dias conosco aprendendo e quando for a hora, poderá ir em busca de seu companheiro.
Após as falas de Aro, Harry soltou um som alto do fundo da garganta e se concentrou no vampiro a sua frente fazendo com que seus olhos se encontrassem, não percebendo o suspiro do outro, ele abriu a boca.
— Dane-se esse tal de companheiro, eu nunca pedi por essa merda.
E com isso, Harry saiu da sala e tentou achar o caminho para fora do castelo. Jane e Alec já o achando interessante após sentir a força da magia bruta tocar suas peles.
Caius se virou para seu amante e perguntou cuidadosamente.
— Aro, o que aconteceu? Está tudo bem?
— Caius, precisamos de uma conversa em particular. — Olhando para o homem bruxo que ainda estava de pé, ele falou. — Lorde Amos, creio que o garoto ainda não esteja pronto. Lhe darei um livro e espero que você entregue ao senhor Potter. Lá conterá o básico sobre nós e espero que isso o instigue a voltar.
Sem esperar mais nada, ele murmurou algo para Chelsea e depois para Dimitri e seguiu para fora da sala, sabendo que Dimitri entregaria o livro e Chelsea o escoltaria para fora.
Chegando em seus aposentos, ele esperou a chegada de Caius antes de soltar a bomba.
— Harry é nosso companheiro!
— O quê?
— Quando nossos olhos se encontraram por um breve momento, eu senti a mudança. Nosso querido Drácula não esqueceu de nós, finalmente achamos nosso submisso. — Agora, Aro estava feliz e ansioso para que seu companheiro voltasse ao castelo, mas ao se lembrar da reunião particular que teve com Lorde Amos, a felicidade se esvaiu. — Oh, não...
— Aro, o que foi? Você não está mais feliz?
— Lembra que eu disse que tive uma conversa com Lorde Amos e depois eu te disse algumas coisas sobre Harry?
— Sim, eu me lembro. O que tem isso?
— Caius, pensa. Ele perdeu o pai da filha num torneio mortal. Ele já passou por tanto, e nem sabemos sobre tudo. Por ignorar a herança, ele não saberá sobre nós.
— Droga! — Ao ver o rosto caído de seu amante, ele se aproximou e ergueu a cabeça com as duas mãos, seus polegares esfregando as maçãs da bochecha. — Querido, nós pensaremos em algo, não vamos desistir tão facilmente de nosso belo companheiro. Bem, não vamos desistir de nenhum. Talvez se conseguirmos nosso mais jovem, podemos conseguir mais ajuda com Marcus.
— Você está certo. Precisamos fazer algo. — Ele beijou seu companheiro e sorriu feliz.
Enquanto os dois amantes pensavam numa forma de trazer seu pequeno companheiro, Harry já estava em seu quarto alimentando Celine e Amos estava na sala conversado com Yara.
— Eu já não sei o que fazer. Yara, você não entende. Ele simplesmente explodiu e depois saiu da sala. Aro Volturi saiu da sala e Caius o seguiu.
— Amor, você sabe que não é porque nós nos mudamos que ele vai aceitar mais fácil sobre essa nova parte dele. Dê tempo, talvez esse livro o ajude. Conversarei com ele após o jantar, ele provavelmente não se juntará a nós. Vamos.
— Que Circe nos ajude. — Ele murmurou seguindo a esposa para a sala de jantar.
Logo após o jantar e uma rodada de vinho e conversas, Yara beijou seu esposo e seguiu para o quarto daquele que considerava seu filho.
— Meu anjo, você está acordado? — Ela colocou a cabeça para dentro do quarto após dar leves batidas na porta, caso Celine estivesse dormindo.
— Entre Yara. Celine está dormindo.
A mulher entrou e viu a neta deitada no berço com a chupeta na boca. Segurando firmemente o livro que estava em suas mãos, ela se sentou na beirada da cama do bruxo.
— O que deseja, Yara? Pensei que passaria o resto da noite conversando com Amos ou visitando a cidade.
— Eu queria conversar com você. — Ela colocou o livro na mesa de cabeceira da cama e segurou as mãos do jovem. — Querido, que tal fazermos um acordo?
— Que tipo acordo? — Ele perguntou apreensivamente.
— Vamos fazer o seguinte, você irá ler esse livro que eu trouxe e eu ficarei com Celine amanhã o dia inteiro. Quando terminar o livro, se ainda quiser, voltaremos para a Inglaterra e você não precisará mais entrar em contato com nenhum vampiro, caso queira. Soa bem?
Harry olhou para o mulher, procurando qualquer indício de desonestidade. Quando não achou, ele concordou.
— Tudo bem, vou lê-lo amanhã, quando você passar para buscar Celine.
— Eu agradeço, Harry. — Ela beijou sua testa e saiu do quarto.
Sabendo que teria que fazer, ele se deitou na cama e permitiu que o sono o reivindicasse.
Na manhã seguinte, Yara pegou a neta e saiu do quarto o lembrando do acordo.
Harry pegou o livro e começou a ler. Todo o dia dele foi passado dentro do quarto. Os elfos traziam suas refeições e depois buscavam os pratos vazios. O jovem bruxo se perdeu na leitura. Quando ele terminou o livro, percebeu que já era noite. Sabendo que podia confiar que Yara traria Celine para o seu berço mais tarde, ele dormiu e teve um sono agitado. Pedaços de textos flutuavam em seu sono e isso o incomodava.
"Um bruxo submisso companheiro de um vampiro (ou mais) não pode negar sua herança. Mãe magia tira o presente daqueles que não merecem e isso os leva à morte."
"Nenhum dominante forçará um laço com um submisso. Ele cuidará quando preciso e se afastará quando necessário. Mas jamais ele levantará a mão para aquele que lhe foi ligado."
"Se um submisso estiver passando por dores emocionais, com a ajuda de seu dominante, ele poderá se curar mais rápido."
"Um submisso sempre será mais forte que o dominante se sua família for atacada de qualquer maneira possível."
"Não há forma de um dominante marcar permanentemente um submisso, mas há como o submisso marcar seu dominante. Por conta de sua possessividade, o submisso consegue triplicar a potência do veneno o suficiente para deixar a marca em seu companheiro. Já os dominantes, poderão apenas transferir seu cheiro para o submisso, mas com o tempo, sumirá."
"Um vampiro submisso reconhecerá o filho do dominante, mesmo não sendo seu. E vice-versa."
"Um bruxo com uma herança de vampiro precisará de sangue em determinados momentos, mas ele ainda será como antes da magia o mudar."
"Um vampiro por herança viverá tanto quanto seu companheiro. Mas quando o vampiro morrer, magia o levará também para evitar a dor da perda."
Eram tantas coisas aprendidas através daquele livro, que Harry acordou no meio da noite e entrou num profundo estado de meditação.
Sua cabeça estava um caos.
Ele amava Cedric, mas ele realmente seria tão feliz com seu companheiro predestinado?
Será que seu companheiro tinha filhos assim como ele?
Como ficaria sua filha? Ela se tornaria uma vampira?
Ele poderia se entregar à sua nova vida?
A promessa de felicidade, carinho, amor, compreensão, família... tudo girando em seu coração.
Ele queria ser amado. Queria uma família apenas dele. Queria ser cuidado. Harry James Potter Black queria as promessas do livro.
Harry desceu as escadas com sua filha sentada em seu quadril. Ele havia pensado bastante essa noite, e ao amanhecer, sua decisão já havia sido tomada.
— Bom dia, Amos, Yara. Como dormiram essa noite?
— Bom dia, garoto. Consegui relaxar meus músculos e foi reparador.
— Bom dia, querido. Minha noite foi ótima, e a sua? — Yara perguntou com um sorriso leve.
— A minha foi um tanto pensativa, mas acordei bem. — Harry sorriu e se sentou na cadeira com Celine em seu colo.
Os quatro passaram o café da manhã tranquilamente, trocando algumas palavras e preparando a mente para enfrentar um novo dia.
— Amos, quando vamos para o castelo? Ainda não conheço o suficiente para ir sozinho. — Harry perguntou sorrindo.
— Uh... Bem... — Amos gaguejou um pouco e Yara o acotovelou para formar uma frase corretamente. — Bem, se você já estiver pronto, podemos ir agora.
— Ótimo. Deixe-me apenas buscar o livro em meu quarto e te encontro na porta. — Harry entregou Celine à Yara e correu escada acima.
— Parece esse livro é capaz de milagres. — Murmurou Yara enquanto se sentava no sofá da sala de estar com sua neta em seus braços.
— Eu espero que continue assim. — Amos deu um beijo de despedida na esposa e passou a mão pela cabeça de Celine antes de ir na direção da porta esperar por Harry.
Harry se encontrou com Amos assim que se despediu das duas mulheres queridas em sua vida e os dois passaram pelas alas para aparatarem.
Eles andaram calmamente observando a população ao redor e foram em direção ao castelo. Amos deixou Harry nas mãos de Chelsea e logo foi embora.
Sem nenhum comentário a fazer, ele cumprimentou a vampira e a seguiu até onde os reis estavam.
— Vejo que resolveu aparecer, meu jovem. — Aro comentou ao ver Harry.
— Sim. Eu decidi pelo que fará minha família feliz.
— E apenas isso que o fez mudar?
— Sim. — Harry achava que os reis não deveriam se intrometer em suas decisões. Não havia mal em contar uma mentira branca. Bem, na verdade, ocultar parte da verdade.
— Se você prefere acreditar nisso... — Aro sabia bem o que havia feito aquele jovem mudar sua escolha. Depois de tudo o que ele ouviu e viu como o mago agia, ele percebeu que aquele livro fora a escolha certa.
— Jane, avise a Chelsea para cancelar todas as reuniões de hoje. Precisamos montar um cronograma para equilibrarmo-nos. — Caius se virou para a sua filha e a viu acenar.
— Acredito que seja melhor começarmos pela biblioteca. Nada de prática sem a teoria. Você se juntará a nós, Marcus?
— Não, Aro. Estarei em meus aposentos. — Marcus olhou para o garoto sem encontrar seus olhos e partiu da sala.
— Vamos, há muito o que aprender.
Aro e Caius saíram da sala e foram à biblioteca, Harry os seguindo silenciosamente.
Ao chegarem, Harry viu o tamanho e se espantou. Podiam caber facilmente 5 bibliotecas de Hogwarts aqui dentro. Caius apontou para uma mesa com poltronas a sua volta e Harry seguiu o comando.
— Bem, você deseja começar pelas perguntas ou pela leitura? — Caius perguntou assim que todos se acomodaram.
— Eu acredito que seja melhor eu ler um livro e no final do dia, fazer as perguntas. Se algo que eu não entender muito atrapalhar a leitura, eu pergunto para poder continuar.
Os outros dois acharam bom e assim passou o primeiro dia. No final, Aro pediu para que Dimitri o levasse em segurança para casa. Harry queria protestar, agora que ele sabia o caminho, seria tranquilo, mas Aro e Caius não cederiam.
Com um grande bufo, Harry seguiu o vampiro para casa. Aro sabendo que os filhos estavam à espreita esperando que o jovem fosse embora, apenas tentou se sentir confortável na poltrona, seguido de Caius.
— Pensei que ele não iria embora. — Alec foi aquele que iniciou a reclamação.
— Crianças, vamos nos acalmar. Ele decidiu seguir seus estudos e nós já aceitamos ajudá-lo. Ele é curioso, algo que aprecio. — O vampiro loiro tentou.
— Nós temos que gostar dele?
— Jane, querida, eu não disse isso. Mas pegue leve com o jovem, nós já conversamos sobre isso. Ele concordou em trazer sua filha amanhã depois de jurarmos que nada de mal ocorreria a ela. — Aro contou tudo para os filhos. Ou pelo menos quase tudo, ele deixou de fora o fato de o jovem ser outro companheiro.
Jane viu o olhar que o pai tinha nos olhos e sentiu um leve medo.
— Não, pai. Isso é demais.
— Já foi decidido. Não vou voltar atrás. Talvez assim vocês possam se dar bem.
Alec entendendo o que foi feito, riu descaradamente da irmã.
— Não pense que você fugiu, senhorzinho. Enquanto Jane fica com a criança, você o ensinará amanhã. Nós não podemos adiar as reuniões novamente.
— O que?
Agora foi a vez de Jane rir. Um bebê não fala, então seria tranquilo.
Os dois pais sorriram maliciosamente para seus filhos. Hora de colar o plano em ação.
Enquanto isso, Harry era deixado em casa por Dimitri. Ele entrou e viu que Yara e Amos o esperava para o jantar.
— Como foi o dia, querido?
— Foi tranquilo. — Harry deu um sorriso à Yara e perguntou por sua filha.
— Ela está lá em cima se preparando para o jantar.
— Como assim? Vocês a deixaram sozinha? — O jovem perguntou em pânico.
— Minha companhia não conta? — Perguntou uma voz descendo as escadas.
Harry se virou e viu Hermione com sua filha nos braços. Ele não pôde conter o sorriso brilhante que surgiu em seus lábios.
— Mione!
Os dois se abraçaram felizes por se verem novamente. Celine já esticando suas mãos para o pai carregá-la. Ele a pegou enquanto entrava numa conversa rápida e animada com sua melhor amiga.
Amos e Yara sorriram. Eles sabiam o quanto Harry apreciava seus amigos, mas apenas a menina pôde vir dessa vez. O casal estava programando um almoço para todos virem.
Quando todos estavam sentados e jantando, com Celine puxando o leite, Harry perguntou a Hermione por quanto tempo ela ficaria.
— Voltarei amanhã de manhã para a Inglaterra. Estou estudando para os NIEM's. Não pretendo voltar para Hogwarts para um último ano.
— Escolha sensata a se fazer. Depois de tudo o que passamos naquele lugar... Com guerra ou não, pretendo fazer as provas pelo ministério.
— É o melhor. — Hermione sorriu. — Os
Weasley e os Lupin mandam um abraço. Remus disse que lhe enviaria uma carta ainda essa semana.
— Bem, então vamos esperar.
E assim, se passou o jantar. Amos e Yara partiram para seus aposentos. Hermione ficou com um quarto de hóspedes e Harry só partiu para o seu depois de fazer Hermione prometer que iria ficar para o café da manhã com ele.
Celine ainda não estava com sono, então para acalmá-la, ele a colocou na cama e se deitou ao lado dela. Enquanto ele esfregava a barriga da filha, ele falou com ela.
— Parece, querida, que ficaremos por um tempo aqui.
Enquanto ela pegava os pés com as mãos para brincar, ela sorriu para ele.
— Isso mesmo, meu amor. Amanhã você irá com o papai conhecer o castelo.
A menina riu para o pai com sua boquinha contendo um pequeno dentinho.
— Você está feliz com isso, minha princesa? Oh, mas é claro que está.
Ele brincou com sua filha e depois a pegou em seus braços enquanto caminhava pelo quarto a ninando.
Depois de longos minutos, sua princesa cedeu à terra dos sonhos. Colocando-a no berço e ativando os feitiços que sabia de cor, ele foi em direção à sua cama.
Deitando-se e finalmente relaxando, ele deixou sua mente correr pelo eventos recentes.
Ele tomou a decisão certa.
