Assim que terminou de ler o livro, Harry decidiu passar pelos jardins antes de ir para casa.
Os jardins do castelo eram sua área favorita. Ele gostava da tranquilidade e da paz que o local trazia. Os suaves cheiros das flores o consumiam. As proteções criadas pelas árvores traziam a sensação de proteção.
Harry andava calmamente, sem pressa alguma, pelo caminho de cascalhos. Ele podia ver a bela fonte à sua esquerda. Decidindo pegar o caminho da direita, onde ele poderia se aprofundar mais na beleza encantadora, ele cantarolou uma velha melodia enquanto organizava os eventos do dia.
Conversar com Marcus fora esclarecedor e ao mesmo tempo trouxe muitas perguntas. Ele não conseguia imaginar deixar esse local se o companheiro dele não fosse daqui. O jovem bruxo ainda se agarrava à explicação de que seu companheiro ainda não entrou em contato com ele porque queria que ele terminasse todo o seu treinamento. Era uma chance pequena disso acontecer, ele sabia, mas ele queria preservar a esperança de que continuaria nesse pequeno paraíso.
Quando o pequeno lorde se aprofundou nos jardins, ele ouviu um som baixo. No início, ele não conseguiu identificar. Seguindo o som, ele caminhou fazendo pequenos barulhos para que sua presença reconhecida para que a pessoa não se assustasse.
Qual fora a sua surpresa quando ele viu quem estava chorando.
A doce vampira Jane estava sentada uma pedra, tentando claramente, conter o choro.
Harry odiava ver alguém chorando, e por isso ele quis imediatamente chorar. Mas quando Jane falhou em segurar suas lágrimas, algo dentro dele se remexeu, pedindo para ser libertado.
O bruxo estava assustado. Ele não sabia o que fazer. Quando sua luta interna parecia demorar, algo dentro dele se quebrou ferozmente, como correntes de aço. Agindo por puro instinto, Harry rapidamente chegou até Jane e a pegou em seus braços.
Jane queria lutar com os braços ao seu redor. Ela era uma das vampiras mais fortes desse clã. Ela fora treinada pelos reis. Ninguém era páreo para ela. Mas quando a vampira interior cheirou o perfume tão conhecido e sentiu a proteção daquele abraço, ela desabou.
Jane chorou tudo o que tinha para chorar. Ela gritou. Sua mente estava uma bagunça. Seu coração estava o puro caos.
— Sh... Não chore minha pequena vampirinha. Eu estou aqui. Cuidarei de você. — Harry balançou seu corpo na esperança de acalmar a vampira. Sempre funcionava com Celine, seu vampiro seguindo o automático, decidiu fazer o mesmo.
Quando Jane parecia estar mais calma, mas ainda chorando, sua magia agiu fazendo com que Jane caísse num sono reparador. A magia e o amor de Harry curando qualquer ferida presente.
Enquanto ele aplicava sua magia na mente de Jane para protegê-la de novos episódios como esse, ele ouviu um som vindo atrás de si. Ele se virou ficando protetoramente na frente de Jane para protegê-la. Quando ele viu que era Alec, ele se acalmou e deu permissão para que o vampiro se aproximasse.
Ainda relutante, o vampiro deu alguns passos mais perto, quando viu que realmente não corria perigo, ele chegou mais perto e se juntou aos dois.
— Eu estava caminhando e ouvi um barulho. Encontrei essa beleza chorando.
— Não é a primeira vez que acontece. Jane... ela é especial.
— Direcionei minha magia para curar qualquer dano nela, eu não sei o que fazer. Na verdade, eu nem sei o que fiz.
Alec viu que Harry estava perto de hiperventilar, então tentou acalmá-lo da forma que conseguia.
— Calma, está tudo bem. Nada com o que se preocupar. Jane está bem e acordará pronta para um novo dia. Agradeço por não ter ignorado isso.
— Eu não poderia... — Harry olhou nos olhos de Alec e tentou transmitir seus sentimentos para o vampiro, ainda agindo por puro instinto.
Alec entendo o que o vampiro interior de Harry queria transmitir já que o mago não conseguia entender, ele se aproximou e entrou no abraço caloroso. Ele não sabia que precisava tanto daquilo até sentir. Seu corpo se tornou leve e a sensação de proteção se espalhou por todo o seu ser. O vampiro e a magia reconhecendo o outro corpo, embalou o vampiro num sono leve para que o vínculo pudesse se iniciar.
Harry se sentia mais completo do que antes, agora. Mais ainda sentia uma falta que não podia ser explicada. Ele sabia que uma parte queria Celine aqui. Apertando os dois vampiros em seu abraço ainda mais firme, ele viu duas silhuetas vindo em sua direção. Ele se acalmou quando os reconheceu.
— Você pode nos explicar o que está acontecendo? — Caius perguntou calmamente, apontando para os dois vampiros adormecidos.
— Se eu disser que nem eu sei o que está acontecendo, vocês acreditariam? — Ele sorriu timidamente, mas ainda preocupado.
— Bem, jovem, nos diga o que aconteceu e talvez possamos descobrir.
— Uh... Eu decidi caminhar pelos jardins antes de ir embora... — Harry contou tudo o que aconteceu, tentando se lembrar dos detalhes. Falou sobre Jane, como sentiu algo dentro dele se quebrar com a visão, Alec os encontrando,
como sua magia reagiu e até o momento antes dos dois chegarem. — Eu não sei o que há com minha magia e com o meu corpo. Eu simplesmente fiz.
Agora Aro e Caius entendiam o que estava acontecendo. Vendo um de seus filhotes, mesmo não reconhecendo no momento, sofrer, seu vampiro interior surgiu e quebrou as proteções para proteger sua família.
Apenas um companheiro dizendo as palavras ou os filhotes em perigo poderiam quebrar essas amarras sobre a besta. Tudo teria sido mais fácil se os companheiros tivessem feito isso, mas Alec e Caius não poderiam culpar Jane.
Eles sabiam que mesmo sendo uma vampira formidável, a criança que ainda habitava dentro dela pedia por conforto. Os dois não sabiam que sua filha havia chegado a esse ponto.
— Você se sente bem indo para casa? — Perguntou Aro calmamente.
— Eu não posso, minha magia está em ação e não consigo simplesmente deixá-los. Parece não ser certo. Preciso de Celine aqui. Meus instintos dizem que ela é a parte que falta. Só não sei o que isso quer dizer. — Harry tentou explicar enquanto acariciava os cabelos de Jane e Alec. Ele nem direcionou seu olhar a um dos reis.
Isso era um problema. Nada estava saindo como o normal. O vínculo de protetor e filhote já estava em andamento. Não demoraria muito para o vampiro interior dele se rebelar por ainda não ter um companheiro.
Todo o plano foi por água abaixo.
Marcus estava em seus aposentos para tentar limpar sua mente e procurar por amarras em seu vampiro interior. O vampiro precisava fazer isso antes que Caius e Aro pudessem explicar qualquer coisa.
Eles precisariam conversar com o jovem assim que o vínculo fosse completo.
Tudo era a pura bagunça completa.
— Que tal você usar sua magia para chegar até a biblioteca? Tem um quarto privativo nos fundos e você precisará de paz e um local que ninguém possa interromper, nem mesmo a luz do sol. Enviaremos Dimitri com uma mensagem para sua casa, logo Celine chegará.
Harry observou os dois vampiros a sua frente. Ele estava os avaliando. O bruxo sabia que eles estavam ocultando algo. Mas ele estava tão exausto que apenas concordou.
—Ah, e Harry? — Disse Aro fazendo o jovem olhar para ele. — Quando acordar, você precisará chamar cada um por "filhote". Você entenderá quando fizer isso. — Harry concordou e foi embora.
Depois de um tempo, Harry achou o local e se aconchegou na grande cama. Havia vários edredons formando quase um ninho aconchegante. Ele esperou pacientemente por sua filha.
Quando sua menininha chegou, ele a abraçou e finalmente pôde se entregar aos braços de Morfeu.
Assim que ele dormiu, o vínculo entre os quatro ocupantes da sala começou a crescer. O vampiro de Harry se ligando a Jane e Alec e sua própria magia fazendo a ponte entre os outros três.
Às 4:00 da manhã, um sorriso apareceu no rosto de cada um. O vínculo entre pai/protetor e filhos finalmente foi completo. Cada um podia sentir as emoções um do outro. O vampiro de Harry rosnou em felicidade e finalmente descansou.
Os companheiros podem ficar para mais tarde. Tudo o que importava no momento era se familiarizar com as novas informações e os novos laços.
Harry acordou não muito tempo depois do vínculo aquietar. Ele olhou para Celine dormindo de barriga para baixo em seu peito e Jane e Alec, cada um do seu lado e com a cabeça em seus ombros.
Era um momento pacífico. O bruxo passou toda a noite anterior e as informações recebidas em sua mente. Ele não se sentia assustado. A calmaria do vínculo fez com que ele balançasse a palavra "filhotes" de um lado para o outro, a experimentando.
Já era óbvio que Harry havia se apegado a Alec e Jane. Todos viram isso e ele nunca negou. Agora, os vendo como seus próprios filhos, ele se sentia completo.
Harry fechou os olhos e respirou profundamente. Quando ele limpou a mente, ele procurou pelo seu núcleo. Aquele poder mágico acariciando sua pele era bom. Após um breve tempo, ele conseguiu encontrar o fio de magia que se conectou com os dois vampiros e os puxou de volta. Assim que o núcleo dele estava em ordem, ele abriu os olhos e precisou esperar poucos segundos para que Jane e Alec abrissem os olhos simultaneamente.
— Bom dia, filhotes. — Harry sorriu para os dois e beijou a cabeça de cada, vendo os sorrisos de Jane e Alec.
— Bom dia, papai. — Jane se aconchegou ainda mais no calor bem-vindo.
— Bom dia, pai. — Alec o olhou e Harry viu que ele tinha perguntas. — O que aconteceu?
— Parece-me, crianças do meu coração, que meu vampiro interior despertou e quebrou as correntes que o prendiam. Ele viu Jane num momento de vulnerabilidade e isso o fez controlar meu corpo. Mas não pensem nem por um momento que eu não estou feliz. — Harry se apressou na última parte quando sentiu a dor e a preocupação vindo pelo vínculo. — Posso dizer ser o homem mais feliz do mundo. Agora tenho dois lindos filhos.
— E o que você vai fazer agora? — Alec perguntou preocupado.
— Eu ainda não sei. Nós já passamos muito tempo juntos conversando, então ficará mais fácil. Agora preciso ter uma boa conversa com os reis sobre ficarem quietos por todo esse tempo.
— Como...? — O vampiro se interrompeu ao ver o olhar do bruxo.
— Você me subestima, querido. Eu vi como os dois olham para vocês. E se eu estou certo, Marcus deveria fazer parte disso, mas isso é assunto de adulto. — Ele finalizou.
— Eu sou mais velho que você! Nem pense que ficarei de fora disso. — Ah, a coragem de Alec.
— E eu sou seu pai. Nada me impede de te colocar de joelhos neste momento e dar uma surra bem dada por levantar a voz para mim. Entendeu, mocinho? — Harry fez pressão com sua magia para Alec ver que não era apenas um blefe.
— Sim, papai, eu entendo. — Alec abaixou a cabeça com vergonha. Em sua vida como vampiro, ele nunca recebeu tal ameaça. O vampiro se sentia um garotinho, não um vampiro forte como realmente era reconhecido por muitos.
— Bem, eu não esperava um show tão bom a essa hora. — Jane riu quando levantou o rosto do pescoço do jovem bruxo.
— Não faço ameaças ao vento, espero que vocês guardem isso. — Harry se ergueu e pegou Celine, quando viu sua filha acordando. — Bom dia, minha filhotinha. Você dormiu bastante, meu amor. A magia deve ter exigido muito de você.
Harry arrulhou para a sua filha e a deitou em seus braços. Jane e Alec deram espaço para a manobra e depois voltaram a se aconchegar no calor do pai. O bruxo começou a amamentar sua filha mais nova e se virou para os outros dois filhos.
— Vocês estão bem para sair?
— Eu sinto o vínculo completo, mas ainda preciso de um tempo de aconchego. — Jane enrugou a testa. Ela sabia que queria isso, mas ela também sempre atribui isso à fraqueza.
— Estou bem. Apenas com fome. Que horas são?
Harry pegou sua varinha e lançou um Tempus. Normalmente, ele faria magia sem varinha, mas o vínculo se formando exigiu muito dele, então apenas para não correr riscos, ele a puxou de seu coldre.
— São 05:43.
— Normalmente nossos pais passam um tempo com a gente neste horário.
— Nós podemos ir vê-los. Vocês precisariam me guiar enquanto alimento Celine.
Alec concordou e se levantou da cama junto com Jane. Os dois instantaneamente sentiram falta do calor e conforto e pararam com isso. Harry percebendo o motivo, enviou ondas de amor e carinho pelo vínculo. Assim que Alec e Jane conseguiram se recompor, os quatro saíram da sala e caminharam por diversos corredores até chegar a uma porta onde pararam e o encararam.
— Você quer que antes de entrarmos um de nós peça a um guarda para comprar seu café da manhã? — Jane perguntou preocupada.
— Não será preciso, posso chamar um dos elfos de casa.
Quando Alec e Jane viram que estava tudo bem, eles entram sem nem mesmo bater. Não era necessário. Seus pais já haviam sentido sua presença.
— Bom dia, Alec, Jane. Harry, é um prazer vê-lo com a jovem Celine. — Aro os cumprimentou.
— Sem conversinhas, Aro. Nós temos muito o que conversar. Mas no momento estou com fome. Então, calado. — Harry se sentou no sofá não oferecido e arrotou Celine quando ela terminou a refeição. — Pook. — Ele chamou seu elfo Diggory.
— O que Pook pode fazer pelo jovem mestre?
— Pook, você pode trazer um café da manhã inglês completo para mim, dois cafés da manhã completos para vampiros e dois cafés da manhã completos para jovens vampiros?
— Sim, jovem mestre. Pook trará rapidamente seu pedido. — O elfo sumiu num estralo assim como apareceu.
Jane e Alec estavam num dilema. Eles não sabiam se ficam com Harry ou com Aro e Caius. Jane tomando a decisão de sua vampira interior, seguiu até o sofá que Harry estava e se aconchegou ao lado dele. Alec decidindo pelo mesmo, seguiu a irmã. Aro e Caius levantaram a sobrancelha com o ato, mas nada falaram.
Pook logo apareceu com o pedido de Harry e os deixou em cima da mesa. O bruxo agradeceu ao elfo e se levantou, chamando por seus dois filhos mais velhos. Os quatro seguiram para a mesa redonda e se sentaram.
— Vocês dois vai ficar aí parados ou vão se levantar e se juntar a nós?
Aro e Caius se apressaram assim que Harry falou. Parecia que o jovem não estava com os dois e eles sabiam bem o motivo.
Assim que todos se acomodaram, Harry sentou sua filha mais nova em sua perna e começou a colocar a comida feita para vampiros nos pratos de Alec e Jane. Ao aceno do bruxo, eles começaram sua refeição. Essa foi a única coisa que eles sentiram falta quando se tornaram vampiros. Harry aparecendo e trazendo muito do mundo mágico consigo, os animou. Ele não tinha a obrigação de fazer tudo isso, mas ele quis, e isso foi um bom ponto positivo no caderno deles.
Harry pegou um morango da travessa de fritas e deu na mão de Celine. Ele pegou um guardanapo e colocou na gola do macacão da filha para que ela não sujasse sua roupa.
Todos comeram em silêncio. Jane e Alec felizes pelos desenvolvimentos, Aro e Caius preocupados em como seria a conversa futura, Celine feliz com sua fruta favorita e Harry apreciando a situação.
Assim que terminaram, Harry chamou por ele elfo.
— Pook, você poderia levar isso embora? Traga, por favor, uma muda de roupa para mim e uma sacola com o essencial para Celine, nós voltaremos ainda hoje para casa. Peço também por algumas guloseimas de vampiros. Não precisa se preocupar em voltar, deixarei minha roupa atual na bolsa de Celine.
— Pook fará, jovem mestre. Aviso ao Lorde e Lady Diggory?
— Sim, Pook. Avise-os também que voltarei não muito tarde.
Com um aceno, o elfo sumiu. Quando voltou, Harry perguntou pelo banheiro e entrou com Celine. Ele a trocou e se trocou logo depois. O jovem cuidou das necessidades de ambos e saiu do banheiro.
— Jane, você e Alec podem distrair Celine por um tempo?
Jane apenas confirmou e pegou sua irmã mais nova nos braços. Alec, lembrando da ameaça de mais cedo, apenas correu junto da irmã.
Assim que os três de afastaram, ele ergueu uma barreira envolvendo seus filhos. Assim, as crianças não ouviriam a conversa, mas ele poderia ouvir caso Jane e Alec precisassem de ajuda.
Alec não gostou muito disso, mas não reclamou. Harry apenas sorriu, sabendo o que exatamente se passava na cabeça de Alec. Ele não queria ser repreendido na frente de todos como um garotinho pirracento.
— Harry-
— Não. — Harry interrompeu Caiu. — Eu vou falar e vocês vão ouvir, calados. Quando eu terminar, vocês podem se explicar.
A magia de Harry reagiu ao seu estresse e fez com que Caius e Aro se sentassem no sofá e se sentissem presos, sem conseguir mover um músculo.
— Vocês têm muita sorte de nossos filhos estarem presentes, do contrário, eu poderia muito bem usar algumas boas azarações que aprendi com os gêmeos.
Os dois vampiros engoliram em seco, se lembrando do aniversário de Celine. Eles estavam preocupados, mas quando perceberam que Harry usou o termo "nossos" ao se dirigir às crianças, eles relaxaram.
Ainda havia chance de consertar as coisas.
Enquanto andava furiosamente na frente dos vampiros, Harry tentava organizar suas palavras.
— Há quanto tempo exatamente eu estou aqui?
Mesmo não entendendo aonde o jovem queria chegar, ambos responderam.
— 4 meses.
— O que eu tenho feito durante esse tempo?
— Leu o que pedimos, treinou algumas vezes... — Caius respondeu.
— O que vocês acham sobre o meu aprendizado?
— Você está indo muito bem. Você aprendeu nossa cultura e já conseguiu derrubar alguns de nossos guardas nas lutas, por mais que você não goste muito.
— Sim...
Harry soltou uma risada amarga e não olhou no rosto dos vampiros. Aro e Caius sentiu um pequeno frio na espinha e eles recuaram um pouco. Não importa para onde essa conversa — mais um interrogatório — estejam indo, eles sentiam que não gostariam do resultado.
— Harry...? — Aro falou um pouco temeroso.
— Calado! Eu não dei permissão para você falar. — A magia de Harry explodiu ao redor dele, deixando apenas a proteção ao redor de seus filhos intacta. — Eu não queria, lutei contra isso. Mas no final, eu confiei em vocês. Eu segui seus conselhos. Eu permaneci, mesmo que eu não quisesse. — Agora seu rosto estava banhado por lágrimas raivosas. — E é isso que eu recebo por confiar? Eu realmente já devia esperar. Devia ter me acostumado com tudo isso.
Harry se sentia traído. Ele confiou em Amos. Confiou em Yara. E confiou nesse clã. No final, percebeu que fora enganado. Parecia que ele fora usado como sempre. O bruxo odiava esse sentimento.
— Pook. — Harry deu as costas para os dois vampiros e chamou pelo elfo.
— Sim, jovem mestre?
— Vá até gringotts e em meu nome, peça uma chave de portal para os Lupin. Peça também que entrem em contato com eles para me esperarem, estarei com visita.
— Pook, fará, senhor. Mais alguma coisa?
— Faça a minha mala e a de Celine. Encontrarei você nos Diggory.
O elfo partiu para realizar as tarefas e Harry virou novamente para os vampiros.
— Meu vampiro não vê vocês como companheiros porque vocês escolheram deliberadamente não me treinar nesse assunto tão rápido quanto nos outros. Eu me recuso a ouvir tais palavras nesse momento.
Aro e Caius ficaram com medo. Nada feito no calor do momento dava certo. Só piorava a situação. Conhecendo bem o bruxo, ele faria algo que atrasaria todos os seus planos.
— Sabe, eu me apaixonei nos meus 13 anos e aos meus 14 concebi Celine com a mesma pessoa. Eu o amava. Eu o amo. Ele me ensinou muita coisa e me ajudou quando precisei. Ele nunca ocultou nada de mim. Sempre foi claro com qualquer tipo de coisa. A morte dele me quebrou e eu senti que não tinha mais um objetivo pelo qual lutar na guerra que estava se alastrando por toda a Inglaterra. Quando descobri minha gravidez, eu lutei com afinco porque queria que ela visse um mundo melhor do que aquele que eu nasci.
As lágrimas já não importavam mais. O peito de Harry estava apertado e ele sentia que a qualquer momento seus soluços o iriam sufocar.
— Amos me trouxe pra Itália para treinar a minha herança e depois que vocês me trataram muito bem, eu aceite seguir em frente. A promessa de mais filhos e mais amor me encantou. Quão tolo eu fui.
Jane e Alec ainda brincando com Celine, olhava de vez em quando para os pais. Eles não podiam ouvir, mas sabiam que a conversa não estava indo bem, se o rosto de Harry e os outros dois vampiros ainda presos era alguma indicação.
— Eu me senti verdadeiramente em casa. Me apeguei a Jane e Alec e passei a cuidar deles. Fiz amizade com alguns guardas e aprendi muito com eles. Eu sabia que quando chegasse a hora de partir, eu sofreria, porque eu sabia que não suportaria me distanciar do lugar que passei a considerar minha casa.
Aro e Caius viram seu companheiro se quebrar e não podiam fazer nada enquanto estavam presos. Vampiros fortes ou não, eles não podiam lutar contra a magia de Harry enquanto ela agia por instinto.
— Eu fiquei extasiado quando descobri que ganhei mais dois filhos. — Harry deu uma pausa. — Sabe, eu sempre quis uma família grande. As pessoas com quem morei odiavam magia, e por extensão, me odiavam. Então coloquei em mente que quando tivesse meus filhos, eu daria tudo aquilo que não recebi quando criança.
Aro se sentia culpado por tudo o que aconteceu. Ele queria todos os seus companheiros juntos. O vampiro pensou que o melhor seria dar um tempo para o jovem se acostumar à ideia. Grande erro.
— Meu vampiro interior pode não os reconhecer como companheiros, mas meu lado bruxo e humano veem tudo isso como traição. A magia age por instinto. Sabe o que vai acontecer agora? — Harry viu as duas cabeças negando, então continuou. — Minha magia vai ver que o melhor para mim será trancar meu vampiro novamente. E sabe? Estou feliz por isso. Agora que aprendi que confiar só me machuca, pensarei várias vezes antes de fazer qualquer coisa.
Harry secou as lágrimas e tentou se recompor.
— O erro de vocês foi ter me tratado como algo frágil. E isso eu não sou. Vocês não confiaram em mim e nem na minha capacidade. Se fosse qualquer outro aprendiz, vocês teriam feito o treinamento corretamente e ele já estaria neste momento mundo a fora a procura de seu companheiro. Mas eu fui diferente. Não fui?! — Harry aumentou o tom de voz na última frase. — Vocês viram o meu medo como benefício para vocês. Por isso nunca insistiram em me treinar mais na prática.
Harry soltou a magia e deixou com que os vampiros falassem, mas eles ainda estavam presos no sofá.
— Eu sinto muito. Você parecia que quebraria a qualquer momento. Sua paixão pelo seu ex ainda estava viva. Nós não queríamos isso. — Caius foi o primeiro a falar.
— EU JÁ DISSE QUE NÃO SOU FRÁGIL! — Harry berrou. — Vocês decidiram não me contar algo que me envolve! Como vocês esperavam que eu agisse? Eu merecia saber que tinha companheiros aqui. Vocês não podem ocultar algo de mim. — Harry estava trêmulo. — Eu conversei com Marcus e eu sinceramente pensei que seria melhor que meu companheiro estivesse aqui esperando que eu terminasse de treinar para me dizer a verdade do que ter que sair desse castelo. Hoje já não penso mais o mesmo. Nesse momento, eu preferiria que meu companheiro estivesse longe, porque assim seria melhor.
— Você não estava pronto para ter companheiros. A gente poderia ter dito, mas você não iria deixar sua casa e viria morar com a gente num momento tão cedo. — Aro tentou apaziguar.
— Oh, e vocês me queriam apenas na cama de vocês? Era isso? Pensei que fossem mais respeitosos. Pensam quem eu não li? Eu descobri que mesmo quando os companheiros se encontram e estão cientes disso, eles não são obrigados a se juntar rapidamente. O vínculo exige que as partes estejam prontas. Então vocês poderiam ter dito a verdade e não ter escondido tudo como covardes. Vocês só queriam alguém para aquecer sua cama, porque se vocês se importassem com tudo isso, vocês teriam dito a verdade.
— Nós sentimos muito, Harry. Não era nossa intenção deixá-lo assim.
— Pode até não ter sido, mas aconteceu.
Harry quebrou as alas e pegou Celine nos braços.
— Estou indo embora. Não quero que me sigam. Se o fizerem, se arrependerão. Esqueçam essa história de companheiro, não posso mais confiar em vocês. — Harry pegou a bolsa de Celine do chão e deixou sua filha confortável. — Essa manhã eu esperava por uma desculpa plausível por não terem me contado sobre sermos companheiros, mas descobri apenas que vocês são covardes.
Harry cruzou a sala e abriu a porta. O bruxo olhou para trás uma última vez e falou novamente.
— Eu pensei que tudo daria certo, mas o meu erro é acreditar que mereço a felicidade.
Com essas últimas palavras, Harry foi embora. Jane e Alec tendo ouvido a última parte da conversa, olhou para ambos os pais vampiros que estavam com uma cara de dor ainda sentados no sofá.
— Eu não quero saber o motivo de vocês terem escondido isso de nós. Somos seus filhos e ele seu companheiro. Espero que vocês resolvam isso, porque se tivermos que escolher entre vocês, ficarei com Harry. — Alec avisou os dois vampiros. Ele viveu anos com esse clã, mas quando sentiu o vínculo completo com seu pai submisso, ele sabia que não importa o que acontecesse, sua primeira escolha seria ele.
— Vocês sabiam como eu precisava disso. Sabiam quer eu sentia falta. Parece que isso não importava muito para vocês, não é mesmo? Estou indo embora. — Jane falou com a voz quebrada e partiu junto ao irmão em busca de seu pai e sua irmã.
Aro e Caius viram tudo desmoronar. Eles sabiam que cometeram um grave erro e se arrependiam se suas escolhas. Agora parecia que tudo havia sido perdido. A faísca que antes estava em seus peitos, agora havia se apagado e restavam apenas as cinzas. Eles ficaram um longo tempo apenas olhando para o nada enquanto tentavam aceitar os acontecimentos da manhã.
Por outro lado, Harry caminhava furioso e com o coração partido até o ponto de aparição.
Tudo o que ele viveu nos Dursley, voltou novamente. As mentiras, a traição, a dor...
Harry estava uma bagunça e seu peito doía onde sua magia, com força, prendia o vampiro no quarto mais distante e jogava a chave fora. O bruxo não teria mais acesso ao seu vampiro interior e ele estava um pouco feliz por isso. Agora ele podia ser um bruxo normal, como sempre quis. Pelo menos no tempo que lhe restava, mãe magia veria que ele recusou seu presente e tomaria de volta.
Sem história de companheiro. Seu foco seria apenas para sua família.
Assim que chegou em casa, viu Jane e Alec. Ele apenas deu um sorriso aguado e os deixou entrar em casa.
Logo ele estaria nos Lupin e esqueceria que um dia veio para Volterra.
Chegar nos Lupin e sentir aquele ar acolhedor acalmou o coração e os pensamentos tumultuosos do jovem bruxo.
Quem os atendeu foi Remus. Abraçar o lobisomem foi renovador.
— O que aconteceu, filhote? Você estava tão bem no aniversário de Celine. — Remus perguntou preocupado.
— Podemos conversar depois, Remmy? — Com os olhos aguados e com o coração partido, Harry perguntou com a voz quebrada.
— Claro, filhote. — Remus beijou paternalmente os cabelos revoltos do menino e mudou de assunto. — Agora, sejam bem-vindos, Jane, Alec. Devo dizer estar surpreso por vê-los aqui.
— Esses são meus filhotes. Nós completamos o vínculo recentemente.
— Eu vejo... — O lobisomem olhou alternadamente entre os dois vampiros antes de acenar com a cabeça. — Seus filhotes são meus netos. Vamos entrar e acomodá-los.
Remus entrou com um braço nos ombros de Harry e guiou todos para a sala de estar.
— Dora está dormindo no nosso quarto. Teddy não deu um tempo de folga para ela essa noite.
— Eu entendo. Onde posso colocar Celine para dormir? Ela acordou muito cedo e a viagem a cansou.
— Subindo as escadas, primeiro quarto à direita.
— Vocês ficarão bem até eu voltar?
— Claro. — Os irmãos deram um sorriso nervoso para o pai.
— Eu já volto.
Harry subiu as escadas e encontrou o quarto. Ele colocou a filha na cama e pôs os travesseiros e almofadas ao redor para evitar que ela caísse. Para reforçar, ele lançou um feitiço que não permitiria ela cair, caso ela pudesse passar pelos travesseiros e lançou outro feitiço para avisá-lo caso ela acordasse.
Satisfeito, ele desceu as escadas e entrou numa sala silenciosa.
— Espero que ela acorde apenas na hora do almoço. Filhotes, vocês desejam descansar um pouco? Posso lançar minha magia.
— Depois do dia de hoje, nós gostaríamos. — Jane falou por ela e pelo irmão. Ela sabia que seu irmão queria saber o que tinha acontecido, mas não era o momento. O pai deles precisava conversar com outra pessoa antes. E um descanso seria bom depois dessa manhã tão agitada. A vampira era curiosa, mas sabia segurar a curiosidade.
— Venham, vocês ficarão com Celine. — Os irmãos seguiram Harry e tiraram as roupas pesadas. — Tudo bem para vocês usarem meus pijamas? — Ao aceno de ambos, Harry caçou pelos pijamas adequados dentro do malão. — Amanhã iremos às compras.
Assim que Harry colocou seus dois filhotes mais velhos para dormir, ele acionou sua magia para acalmar a mente dos dois. Assim que ele acomodou os três, desceu as escadas ao encontro de Remus.
— Todos estão dormindo... Desculpe, eu não queria estar tão fraco na frente das crianças.
— Eu entendo, filhote. Venha cá. — Harry se sentou do lado de Remus no sofá e se aconchegou nos braços tão seguros com aquele cheiro tão conhecido que o acalmava. — Conte o que aconteceu. É muito grave?
— Eu briguei com dois dos reis.
— O-o que? Harry? Me diz que é uma piada. Você brigou com os reis vampiros? Os mais fortes e mais poderosos? Eles não estão querendo te matar, estão?
— Acalme-se, Remus. Eles sabem que erraram.
E depois da minha ameaça, eles não me seguirão nem tão cedo, eu espero.
— Isso não me tranquiliza completamente. Mas qual foi o motivo disso tudo?
Harry contou tudo o que havia acontecido desde o início do dia anterior. Ele terminou a história aos soluços e Remus não sabia o que dizer para acalmar o jovem em seus braços.
— Harry, você sabe que não pode ignorar seus companheiros, certo? E pelo que você sabe até agora, Marcus não sabia disso, seja lá o que tenha acontecido com ele para o vampiro não entender que você é companheiro dele.
— Talvez eu mande uma carta pra Marcus. Mas Remmy, eu só quero descansar. Tudo aconteceu tão rápido. Eu me sinto quebrado e usado.
— Oh, filhote. — O lobisomem apertou o jovem mais ainda quando sentiu ele molhar sua camisa com suas lágrimas. Harry nunca chorara tão abertamente assim. Nem mesmo com a morte de Sirius. Isso era preocupante num nível que não podia ser explicado.
— Por que, Remus? O que eu fiz de errado? Eu não mereço ser feliz? — Harry soltou um grito doído. — Primeiro papai e mamãe, depois Cedric. Sirius seguido por Dumbledore. Agora isso.
Remus sentiu vontade de chorar junto com seu filhote. Harry era a alma mais pura e o ser que mais merecia amor. Não era porque ele e o lobo dele o considerava seu filhote, mas Harry havia passado por tanto em sua curta vida... Parecia que a felicidade nunca chegaria para ele, e Remus não gostava desse pensamento.
Quando Remus pensou em falar algo, ele viu o menino dormindo em seus braços. O lobisomem optou por apenas deixá-lo confortável e seguiu para a cozinha para preparar o almoço. Ele sempre ficava com as refeições, Dora era a negação na cozinha. Remus não reclamava, até gostava da tarefa.
Com um cardápio em mente para agradar a todos, ele separou os materiais e começou a preparação.
Enquanto nos Lupin tudo estava silencioso, exceto por Remus na cozinha, numa casa bem distante, um casal acordava aconchegados um no outro.
— Bom dia, meu amor. — Severus beijou os lábios do marido.
— Bom dia, amado. — Tom retornou o beijo.
— O que deseja fazer hoje? Ficar o resto do dia na cama não conta.
— Você não me ama? — O lorde das trevas usou a expressão que não importava o momento ou o motivo, sempre faria Severus ceder.
— Eu já falei que você não pode usar esse rosto. Isso não é um jogo limpo. — Severus soltou um bufo indigno.
— Mas Sev, querido, não faço ideia do que você esteja falando. — A máscara estava branca, intacta, mas os olhos carmesins o traiam, estavam banhando diversão.
— Tudo bem, podemos ficar até o almoço, mas depois voltamos apenas para dormir.
— Hm... E nada mais, querido? — Severus tinha sua bela ereção matinal e Tom nunca disse que jogava limpo quando se tratava da cama, não importa o quê. Tom passou os dedos vagarosamente sob o pênis do marido. — Eu gostaria tanto de umas atividades...
O lorde sabia como o provocar. Ele estava indo à loucura. Mas ele permaneceu resignado.
— Tom, nem sempre você vai ter o que deseja. Aceite isso. Não estou interessado nessas suas... atividades. — Severus foi firme.
— Você realmente tem tanta certeza? — Tom sussurrou no ouvido do marido. — Você até pode não estar interessado, mas há outras partes bem orgulhosas que estão... — Nesse momento, ele passou pela barreira da boxer de Severus e segurou firme a ereção, já com pré-gozo.
— Ou você me fode logo, ou vou te azarar até a próxima vida, Marvolo. — As mãos de Tom faziam maravilhas, e Severus admitia que cedia facilmente aos encantos do marido.
Com um aceno de mão, Tom sumiu com as roupas e preparou Severus. Não era a mesma coisa que a preparação manual, mas os dois não aguentariam por mais tempo.
Antes que Severus pudesse reclamar mais, Tom exigiu passagem no corpo de Severus, fazendo com que o mestre de poções sufocasse com o ar.
— Agora ficou sem palavras, amor? — Tom sorriu de lado.
— Bastardo arrogante. — Severus rosnou e puxou se marido para um longo beijo.
Tom aproveitou. Usou e abusou do corpo do marido. Ele era apaixonado por cada pedaço de pele. Até a voz do seu amante o levava aos céus, ou ao inferno, o que melhor convinha. Quando os dois gozaram, Severus seguido por Tom, eles se soltaram e relaxaram até descer da sensação pós-orgástica.
— Hora de levantar-se? — Tom perguntou.
— Cale a boca. — Severus resmungou e se deitou no peito do marido. — Agora limpe a gente. Sabe que odeio me sentir grudento.
Com um simples feitiço, o rastro das atividades foi limpo e tom puxou o corpo do marido para mais perto.
