Os dias passaram e Harry podia afirmar calmamente que foram os melhores desde muito tempo. Mesmo sendo cansativo. Mas quando ele se deitava na cama com todos os seus músculos doloridos, ele ainda agradecia a vida maravilhosa que ele tinha.

A tutoria de Marcus estava indo muito bem. Ele não era tão rápido quanto um vampiro, mas era mais rápido que um bruxo normal. Ele aprendeu a balancear sua alimentação bruxa e vampírica já que mesmo não sendo tão dependente do sangue, ele poderia se sentir fraco se não tivesse por um longo tempo.

Com a alimentação adequada, a sua herança vampírica começou a consertar alguns erros em seu corpo. Tais como a desnutrição por conta dos Dursley, e aumento de poder em alguns presentes.

Marcus logo voltaria para a Itália e Harry permaneceria na Inglaterra.

Um sentimento estranho se alojou em seu peito e ele não sabia defini-lo muito bem.

Era apreensão? Mas agora? Por quê?

Harry passou os últimos dois dias vivendo no automático. Jane e Alec cuidando da irmã e passando um tempo conhecendo sua nova família, não perceberam. Remus tão preocupado com sua esposa podendo entrar em trabalho de parto a qualquer momento, não percebeu. A família Weasley não vinha sempre em sua casa, então não puderam ver.

Mas Marcus, bem... Harry era seu companheiro e ele percebeu o estado de Harry, mesmo não tendo o vínculo para lhe contar. A única dúvida que surgiu era, por que o garoto estava assim?

Harry nunca respondia às suas perguntas e normalmente fugia assim que seu treinamento acabasse. Marcus não estava levando isso muito bem. Ele não queria forçar Harry a dizer algo, mas o menino parecia estar definhando por conta de alguma coisa e era Marcus que se definhava por isso.

Era no final do treinamento. O sol já estava se pondo no horizonte. Harry se preparava para fugir da sala que usavam quando Marcus com sua velocidade correu em direção à porta e a trancou.

— Não. Nós ainda não terminamos.

— Mas você acabou de dizer que por hoje estava bom.

— O treinamento sim. Mas não estou falando disso. Sente-se. Precisamos ter uma conversa séria. Quero explicações.

Contra a sua vontade, Harry se sentou no sofá que tinha em um canto da sala. Sua mente corria procurando o que Marcus queria com ele.

— Harry, acalme-se. Você está hiperventilando. — Marcus colocou uma mão no ombro do menino e começou a ajudá-lo a controlar a respiração.

Harry não conseguia controlar seus sentimentos em fúria e entrou em um ataque de pânico. Seus amigos sabiam lidar com ele. Marcus não. E o jeito que ele falou o assustou. Ele sentiu que estava em problemas sérios. Suas lembranças dos Dursley voltaram com tudo e ele estava assustado.

Ele já era de maior, mas eles o mandariam de volta para os Dursley? Mas de acordo com os goblins, ele era um lorde e tinha algumas propriedades.

Harry se soltou das mãos de Marcus e correu em direção a porta.

— Por favor, deixe-me ir. Eu não fiz por mal.

Marcus se assustou com as lágrimas e o desespero estampado no rosto do mago. O que estava acontecendo? O vampiro não sabia muito bem lidar com isso.

— Harry. Sou eu. Por favor, relaxe. Não vou te fazer mal. — Ele tentou chegar perto de Harry com calma como se estivesse tentando se aproximar de um animal ferido e raivoso.

— Mentira. Tudo mentira. NÃO! — Seus olhos eram o início de uma cachoeira. Seu rosto estava banhado em lágrimas.

Parecia que o mago havia se trancado em sua mente. Alguma lembrança de seu passado veio à tona. Ele tinha medo por ter sido a causa disso. Marcus se repreendeu mentalmente por ter falado com ele tão sério e frio.

— Harry, pequenino. É Marcus. Não estou aqui para lhe fazer mal. Confie em minhas palavras. — O vampiro estava pronto para implorar se isso trouxesse o menino de volta.

— Não. Não. Eu juro que não farei de novo, tio. Por favor. — Harry olhava para os lados assustado. Era como se Marcus não estivesse a sua frente. Isso era preocupante, pois significava que ele estava preso firmemente em sua memória.

Marcus queria trazer Harry e queria resposta. A única forma de trazer um companheiro de volta era pela mordida, mas isso faria com que o menino respondesse a todas as suas perguntas e fizesse o que ele quisesse, sem filtro algum.

O vampiro não queria isso. Mas tudo pelo bem de seu pequeno companheiro.

O mais velho usando suas habilidades prendeu Harry em seus braços e colocou a cabeça de lado expondo sua garganta. Antes que o menino pudesse falar algo, ele mordeu, o acalmando e enviando sentimentos de segurança.

O jovem ficou mole em seus braços enquanto sua respiração se acalmava. Ele foi inundado por bons sentimentos e seus olhos focaram novamente na sala. Ele não estava nos Dursley. Vernom não iria batê-lo. Dudley não o colocou em problemas. Petúnia não atiçou a raiva de Vernom a direcionando para ele. Ele estava no quarto de treinamento, em sua casa. Marcus o estava segurando e ele encontrou a paz naquele abraço.

— Desculpe. — A névoa em sua mente se dissipou e ele inconsciente de suas ações, se aprofundou no abraço e respirou fundo, puxando o perfume do vampiro.

— Não há o que desculpar. Eu fui o errado, não deveria ter falado naquele tom. — Ele respirou fundo. — Eu me preocupo com você e queria apenas conversar. O que sei sobre você é o que qualquer jornal sabe. — O vampiro apertou o menino mais firme e tentou relaxar sua mente. — Nós somos companheiros e eu quero dar uma chance a isso.

— Essas semanas foram ótimas, Marcus. E fico feliz por estar dando certo até agora, mas há tanta dor na minha bagagem... Eu confio e você e quero me abrir, mas nem sei por onde começar...

— Vamos fazer assim, hoje você vai relaxar e tirar um tempo apenas para você e eu fico com as crianças. Amanhã, se vice estiver se sentindo bem, podemos conversar.

— Você não quer saber agora? — Harry perguntou olhando nos olhos de seu companheiro. Ele sabia muito bem o que a mordida significava.

— Não, meu pequenino. Eu quero que você me conte por que você quer. — Assegurou ao mais jovem.

— Obrigado. — Bem mais tranquilo, ele ignorou tudo ao seu redor e relaxou seu corpo junto ao de seu companheiro.

Marcus poderia ter o forçado a responder suas perguntas, ele o teria em suas mãos e a todos os seus segredos, mas ele respeitou. O coração de Harry se aqueceu com as palavras e a atitude de Marcus.

Talvez isso realmente possa dar certo...

Harry passou o dia relaxando. Ele não sabia que precisava disso até Marcus tomar as rédeas e colocá-lo para se acalmar durante o dia.

Tudo estava ótimo. Sua mente estava mais tranquila e seu coração estava em paz. Ele sentia que nada poderia tirá-lo dessa bolha calmante.

É claro que ele sentiu a falta de seus filhotes, mas ele confia em Marcus com as crianças e isso era o suficiente para seu coração saber que logo ele os veria.

Quando o sol começou a se pôr, o bruxo decidiu descer finalmente e preparar o jantar. Então, com um sorriso no rosto, ele desceu as escadas cantarolando uma melodia que ouvira nos Weasley. Se ele se lembrava bem, era de Celestina Warbeck.

Chegando no primeiro andar, Harry percebeu o silêncio na casa. Não dando muita importância, sabendo que Marcus estava com seus bebês, ele seguiu para a cozinha.

Ele abriu todos os armários e sua mão sempre pegava algum pacote ou alguma lata. Indo para a ilha da cozinha, onde ficava a pia e o fogão, ele puxou as panelas e todos os utensílios que ele precisaria.

Com seu humor tão bom, a vontade de cozinhar chegou e ele decidiu fazer um banquete.

Harry não gostava de fazer as tarefas nos Dursley, ele se sentia como um escravo. Mas a arte da culinária e da jardinagem o encantava e ele se sentia até mais relaxado enquanto fazia em sua própria casa.

O bruxo sorriu assim que colocou a última travessa de comida na mesa. Antes que ele pudesse se questionar onde Marcus havia levado as crianças, ele foi surpreendido pelo som de suas vozes seguindo o cheiro da comida.

— Parece que papai já fez o jantar. — Jane comentou.

— O que será que ele fez hoje? — Foi Alec quem questionou.

— Que tal vocês lavarem as mãos e se sentarem em seus respectivos lugares?

Jane e Alec correram para a pia brigando para saber quem seria o primeiro.

Marcus entrou sorrindo segurando Celine em seus braços. Essa imagem encheu seu coração de afeto e um sorriso lindo brincou em seus lábios. Harry sempre sonhara em ter uma família. Quando descobriu sobre Celine, isso lhe deu um pouco de esperanças. Claro, Cedric não estava mais aqui e ele sentia falta, mas o sonho não foi embora.

— Como foi o dia?

— Relaxante. Obrigado por isso. Eu realmente estava precisando de um tempo só para mim, mas quando estou com as crianças, elas vêm em primeiro lugar.

Marcus assentiu e entregou a mais nova para Harry para que ele pudesse limpar as mãos da criança.

Assim que todos se sentaram, Harry serviu cada um e esperou que eles dessem suas mordidas, tão ansioso para saber se seus pratos foram aprovados.

— Pai, você me impressiona, sempre.

— Fico feliz por isso. — Harry sorri para seu filho.

O jantar passou com histórias e risadas. O ar está tão leve que Harry não percebeu que já era o horário de colocar Celine para dormir. Assim que ele ia se levantar da cadeira, Jane colocou uma mão em seu braço.

— Deixe que eu a coloque para dormir. Alec e eu vamos passar um tempo na biblioteca.

— Claro... pode apenas trocá-la. Vou dar um banho nela amanhã cedo.

Jane concordou e seguiu para as escadas com seus irmãos.

Harry e Marcus silenciosamente, como em um acordo mútuo, guardaram a comida restante e lavaram tudo o que estava sujo.

Harry fez chá para ambos e derramou uma poção no chá de Marcus para que ele pudesse beber sem problemas.

Os dois se aconchegaram na sala. Harry em sua poltrona e Marcus em uma namoradeira.

O vampiro não queria pressionar o companheiro a dizer qualquer coisa, então esperou pacientemente que o outro tomasse a iniciativa.

Harry sabia o que precisava contar, sabia por onde começar e sabia que se demorasse mais, sua coragem se esvairia.

— Sabe, minha vida era "normal" até meus 11 anos de idade. Bem, parando para pensar em tudo o que já passei, acho que minha vida nunca fora normal, se compararmos com a definição dessa palavra conhecida por muitos outros.

Harry parou e tomou um gole de chá. Marcus sabia que era melhor não interromper, então permaneceu quieto no sofá.

— Aos 2 anos, eu já sabia que não era amado, para ser sincero, nunca descobri o significado dessa palavra. Eu era apenas um bebê e já conhecia o lado ruim da vida. Aos 4 anos, eu fui obrigado a fazer as tarefas de casa como um escravo. Se eu conseguisse um copo de água e um pedaço de pão mofado, era muito. Eu recebia o privilégio de um banho apenas uma vez por semana. Escovar dente? Bom, eles não queriam gastar comigo. Se eu precisasse ir ao banheiro, devia ir para a floresta que circundava uma parte do bairro.

O bruxo foi contando tudo o que ele passou e como foi a vida dele vivendo com os trouxas e logo depois ao chegar no mundo mágico. Os olhos de Marcus aumentavam em tamanho a cada palavra. Ele sentia a dor escorrer por cada palavra e isso só fazia com que sua vontade de proteger seu companheiro aumentasse ainda mais. Seu vampiro queria se soltar e acabar com aquelas vidas imundas, mas ele não conseguia sair do lugar sabendo que tinha muito mais para ser ouvido.

Horas se passaram, os horrores nas mãos dos parentes, as provações no mundo mágico... Como ninguém se preocupou em confirmar essas histórias? Os repórteres podiam afirmar que sabiam de tudo, mas vendo por outro lado, eles só sabiam aquilo que eles queriam. Herói do mundo mágico abusado? Pura invenção, ele com certeza fora mimado.

Marcus sentia sua fúria subindo. Sua mente estava dividida em se vingar pelo seu companheiros e simplesmente confortar aquele coração tão machucado.

Graças aos deuses o abuso não chegou a ser sexual. Mas infelizmente ele conheceu o abuso físico e psicológico.

Quando Harry terminou, ele se sentiu exausto. Sua garganta doía pelas horas de falas e sua cabeça doía ao se lembrar de tudo o que passou. Mas seu coração estava bem e leve.

No momento em que olhou para cima, ele esperava a pena naqueles olhos carmesins, mas a única coisa que viu foi amor, e isso já bastava para ele. O bruxo apenas queria ser confortado naquele abraço como havia sido no dia anterior. Parecendo que Marcus havia lido seus pensamentos, ele sentiu aquele corpo contra o dele e isso o levou rapidamente aos braços de Morfeu.

O vampiro percebeu que o seu companheiro havia dormido, mas não queria sair daquela posição, e ele não queria entrar no quarto de Harry sem uma permissão expressa do próprio, então ele os arrumou em um sofá até que ficassem confortáveis.

Ele esperaria seu companheiro acordar, mas sem pressa. Ele tinha tempo para planejar a vingança contra os trouxas.

Harry não era perdoador. Por mais que muitos dissessem que o conhecia, eles estavam completamente enganados. Harry era humano. Ele sentia dor, raiva, tristeza, havia momentos em que era otimista, mas havia outros em que pensava em desistir de tudo quando parecia ser demais para suportar.

Ele nunca gostara dos Dursley. Houve um momento em sua vida que ele achava que o erro era dele e apenas dele. Afinal, eles foram obrigados a criá-lo quando seus pais foram assassinados. Houve até outras vezes em que ele achava que se não tivesse nascido, muitos estariam vivos, não teriam morrido nas mãos de comensais da morte. Mas agora que era mais crescido, viu o mundo pelo que ele era e depois de muito conversar com Cedric, ele entendeu finalmente. Nada fora culpa dele. Os seres humanos são ruins por natureza. Eles são egoístas por natureza.

Por mais que quisesse que os Dursley pagassem por tudo o que havia sido feito a ele, Harry não conseguia sentir esse gosto por vingança. Isso era dele. Tudo o que ele deseja agora, era de seguir em frente e deixar que os Dursley seguissem com suas vidas. Antes das revelações em Gringotts, ele já sabia que se houvesse uma forma mais pacífica de acabar com a guerra que estava sobre suas cabeças, ele faria. Violência não era de seu feitio. Quando seu professor de defesa no primeiro ano queimou até a morte, ele teve pesadelos de que fazia isso com outras pessoas. Quando ele tentou lançar um crucio em Bellatrix, seus pesadelos mostravam que ele conseguia, seu conforto era saber que ele não sentia a sede de violência para que o feitiço funcionasse.

É claro que ele sabia que havia muitos feitiços da luz que se usados com criatividade, poderiam matar alguém da pior forma possível. Esse foi o ponto principal que o fez entender que tudo se trata de vontades. Ele poderia usar um Leviosa para flutuar uma pena, mas se fosse para levitar alguém com a intenção de jogar essa pessoa para a morte ou para que a pessoa subisse tanto a ponto de ficar sem oxigênio, ele sabia que não conseguiria.

Ao longo do caminho, houve suas dúvidas, mas quando Hermione fora atacada na floresta por animais mágicos e corria o risco de ela perder o movimento da perna direita, ele foi capaz de lançar um crucio silenciosamente na perna para que seus músculos pudessem voltar a funcionar. Hermione nunca descobrira qual fora o feitiço, mas não era porque ela não perguntou, foi porque Harry se recusou firmemente a dizer algo.

Pensando agora, ele poderia chamá-la para conversar sobre isso. Para uma ávida leitora, ela ficaria curiosa e faria sua pesquisa para tirar suas próprias conclusões sobre a descoberta.

Eram tantas coisas para Harry lidar que ele não sabia por onde começar. Enquanto ele pensava em tudo isso quando acordou tão cedo para não sentir a fome para tomar seu café da manhã, ele se sentou na sacada do seu quarto e estudando tudo, ele percebeu que a forma que tratou Aro e Caius não fora uma das melhores. É claro que ele sabia que devia se desculpar com os outros dois vampiros, suas emoções podiam estar à flor da pele, mas ele sabia que mesmo assim, ele errou e devia assumir a responsabilidade por seu ato. O bruxo também esperava um pedido de desculpas de volta, Aro e Caius não saíram certos na história. O que ele tinha que fazer antes disso, era conversar com Marcus. Pouco ele sabia sobre o passado do vampiro, mas se todos eram companheiros, eles deveriam aprender a confiar uns nos outros. Nenhum relacionamento saudável sobrevive com mentiras e segredos ocultos.

Hoje ele tiraria o dia para conversar com seus filhos e conhecê-los mais profundamente. Harry não era tolo, ele sabia que Charlie era provavelmente o companheiro de Jane. Como qualquer pai, ele se preocupava com a filha, mas ele conhecia os dois e sabia que podia confiar que eles se cuidariam. Jane colocaria algum senso na cabeça do treinador de dragões e Charlie traria mais aventuras para Jane. Havia tanta coisa no mundo que sua criança merecia conhecer e Charlie saberia como tirar Jane de sua concha e aproveitar o que de bom tem no mundo.

Sua preocupação principal era Alec. Ele sempre teve a atenção da sua irmã, ela encontrando seu companheiro, seria reconhecidamente claro que os dois quisessem um tempo juntos e à sós. Seu filhote ainda teria a atenção de todos, mas com a maioria achando seus companheiros, era obvio que ele se sentiria excluído. Doía saber disso, mas cada coisa tinha seu tempo.

Harry ansiava para receber notícias de seus antigos companheiros de Hogwarts, alguns estavam presentes no aniversário de sua filha Celine, mas foi tudo tão corrido que ele simplesmente não tivera a chance de parar para conversar sobre o que foi perdido por ele. O que ele sabia era o que estava ligado aos Weasley, já que frequentemente trocavam cartas.

George havia terminado com Angelina, descobriu-se que eles eram mais como amigos. Ginny queria primeiro se formar e se estabelecer em um trabalho antes de encontrar alguém para sossegar. Fred era o mesmo de sempre, nenhum relacionamento na conta, mas ele queria filhos para correr pela casa. Percy havia se casado recentemente com Audrey, quem conheceu no ministério e ela já esperava seu primeiro filho. Bill e Fleur estavam com a pequena Victoire em seus braços. A irmã de Fleur estava prestes a entrar em sua herança veela, então estava animada para logo depois conhecer a nação veela e passar um tempo com eles até encontrar seu companheiro, afinal, foi sorte de Fleur conhecer seu companheiro poucas semanas depois de receber sua herança.

Já em relação à guerra, ele não sabia muito bem o que fazer. Ele nunca quis lutar, mas Voldemort precisava ser parado. Decidindo esperar o outro lado enviar notícias, ele se levantou para começar seu dia. Alguma coisa ele tinha que fazer para impedir seu cérebro de vagar tanto. Já estava ficando com uma tremenda dor de cabeça.

Tomando uma decisão no calor do momento, ele enviou uma carta aos Diggory avisando que logo estaria de volta junto com Marcus e as crianças. O vampiro querendo ou não, iria voltar com ele e ter uma conversa de adultos com os outros dois companheiro.

Mais uma vez sua mente vagou e ele se perguntou como seria dormir com 3 outras pessoas. Ao sentir suas bochechas queimarem com a visão que o pensamento lhe trouxe, ele balançou sua cabeça na esperança de sua mente clarear e se dirigiu ao quarto de Celine.

Os dias foram passando e depois de muito conversar com Marcus, lê-se obrigá-lo, eles chegaram à Itália. Jane admitira querer conhecer melhor Charlie e Harry pediu que antes de tomar qualquer decisão, ela precisava avisar à Caius e Aro para que estivessem cientes da nova presença no castelo e até mesmo das escapadelas. Marcus ainda não os via como filhos, mas com o tempo passado juntos, ele se tornou protetor das três crianças.

Harry não sabia como encontraria seus companheiros, mas ele pediu à Chelsea para avisá-los de sua chegada e que ele compareceria no castelo para uma reunião.

Como sempre fazia, ele falou com alguns guardas enquanto caminhava até a sala. Nenhum outro vampiro estaria presente além dos quatro, mas por precaução, ele lançaria um feitiço de privacidade.

Aro e Caius estavam bem-vestidos e sua expressão foi mantida em branco, mas se procurasse bem, como Harry, acharia a apreensão descrita facilmente em seus lindos olhos vermelhos.

— Aro, Caius. — Harry cumprimentou.

Os outros apenas acenaram com a cabeça e todos se sentaram. Um silencio pesado passou por eles antes que Harry tomasse as rédeas.

— Três vampiros adultos com séculos de vivência, mas é um cara que acabou de chegar na vida adulta que precisa colocar ordem nisso. — Ele bufou. — Antes de tudo, quero me desculpar pela forma como agi antes de sair daqui. Foi errado e infantil, assumo. Mas já que todos somos adultos, nós precisamos resolver isso com clareza e não agir como crianças, pois não nos levará a lugar algum.

Todos se olharam antes de Aro falar.

— Peço desculpas por meus atos. Não era certo eu esconder tantas coisas sabendo que elas precisavam vir à tona. Com meus erros magoei vocês e afastei as crianças.

Harry sabia que não era fácil para o vampiro orgulhoso, então ele estava secretamente feliz por Aro entender que precisava ser sincero e reconhecer seu erro. Errar e se desculpar depois de entender e aceitar o erro, não era sinal de fraqueza, mas sim de maturidade. Parece que Caius entendeu o ponto e ele e Marcus se desculparam por suas maneiras antes de Harry iniciar o que seria discutido.

— Antes de qualquer coisa, precisamos de regras, e claro, de um contrato. — Quando os outros apenas concordaram, ele continuou. — Não vamos colocar nada de muito extremo, mas precisamos definir limites antes de iniciar qualquer coisa entre a gente. Acho melhor cada um dizer algo e explicar o porquê daquilo, se todos concordarem, isso entrará no contrato que pedirei para os goblins selarem adequadamente.

— Isso é aceitável. — Caius concordou e os outros dois o seguiram.

— Primeiro, acho melhor iniciar a fase do cortejo. Usaremos esse tempo para nos conhecer e no final, podemos decidir que tipo de ligação teremos. Não quero apressar as coisas, precisamos criar uma base de confiança para que dê certo.

Quando todos concordaram, Harry escreveu no pergaminho.

O rascunho de Harry dizia que até eles selarem o vínculo, o mais novo deles ditaria o ritmo. Ninguém seria forçado a falar sobre o passado ou contar seus segredos, mas em algum momento, os outros deveriam estar cientes. Ninguém agiria pelas costas se soubessem que de alguma forma a ação pudesse machucar alguém. Muitos outros tópicos foram levantados ao decorrer.

O dia foi passado conversando sobre o que cada um achava que precisava ser incluído no contrato. O que vinha como prioridade era a firmação do vínculo entre eles com seus filhos. Então Harry teria um apartamento do outro lado do castelo para sua própria privacidade e para que facilitasse o desenvolvimento do vínculo.

Com essa decisão, os dias de passaram e tudo estava tranquilo no castelo. Os Diggory iam para visitá-los, mas seu tempo foi gasto viajando pelo mundo quando Amos não precisava estar no ministério.

Semanas depois de voltar para a Itália, a primeira carta do outro lado chegou. Era, mais precisamente, de Severus. Ele dizia que o lorde das trevas queria conversar em um território neutro, então reservou uma sala em Gringotts, nada precisava ser decidido naquele momento, mas todos manteriam o controle.

Os três vampiros queriam ir, mas Harry os disse que tudo seria em território neutro, quando não funcionou, ele os mostrou que poderia se proteger facilmente sozinho, então eles ficariam com os filhos em Volterra e Amos o seguiria, apenas por precaução ou caso ele precisasse de um conselho.

Quando chegou na sala, Harry finalmente sentiu a ansiedade subir. Ao abrir a porta e entrar, ele viu que foi bom trazer Amos, já que ao lado de Voldemort estava Severus.

— Fico feliz por ter concordado com a reunião. — disse o mais velho dos quatro. Ele não parecia mais como o meio cobra que surgiu no quarto ano, sua aparência atual era impressionante. Cabelos negros caídos nos ombros, olhos vermelhos e brilhantes, um corpo alto e esguio, mas com alguns músculos e sua voz era como veludo. Se ele não fosse um lorde das trevas e se ele não tivesse companheiros, ele com certeza flertaria com o homem.

— Isso precisa ser resolvido. — Quando todos se sentaram, Harry fez a principal pergunta, para impedir divagações antes de chegar ao cerne. — O que você espera fazer agora? Uma guerra está fora de cogitação, eu presumo.

— Eu nunca quis uma guerra. Claro que eu tenho meus ideais e luto por eles, mas inicialmente foi tudo conseguido politicamente. Houve diversas leis que consegui aprovar por esse método. Nada funciona direito por medo.

— Se as leis que você quer aprovar respeita a todos, então não ficarei em seu caminho. Mas quero que saiba de uma coisa, se a situação sair do controle e alguém for prejudicado injustamente por suas leis, eu entrarei em campo, meu nome tem mais poder que o seu, então facilmente usarei isso contra.

Harry não queria que isso saísse como uma ameaça, então por causa de seu tom, todos entenderam. Amos sabia como Harry lidava com as coisas. Severus, por mais que não quisesse admitir, sabia que o jovem protegia aqueles que mereciam e precisavam.

— Eu vou mandar uma cópia de meus planos, e se você estiver de acordo, podemos trabalhar numa aliança. Meu principal objetivo é derrubar leis que separam nossa população em grupos deixando brechas para uma retaliação ou até mesmo uma guerra eclodir.

— Antes de colocar meu sobrenome em qualquer lugar, eu preciso conversar com meus companheiros, mas pensarei nisso e analisarei o que você me enviar.

- Concordo, mas não entendo ter que avisar seus companheiros. — A expressão de confusão surgiu, mas rapidamente sumiu.

— Isso não foi lançado ao público, mas meus companheiros são as majestades dos vampiros. Preciso falar com os Reis Volturi antes de qualquer coisa, já que futuramente compartilharemos os mesmos sobrenomes. — Ele não queria se gabar, mas sua criatura ronronava de prazer quando ele mostrava o poder de seus futuros conjugues.

— Entendo. Como isso está esclarecido, quero falar sobre outra coisa. Os goblins não conseguem rastrear quem fez exatamente o que comigo, então decidimos que para eu voltar ao público, precisarei de um outro nome e uma história de fundo antes de pegarmos quem fez isso.

— Sei que isso será o melhor plano de ação. Você já tem um nome?

— Não. Mas por enquanto, você pode me chamar de Marvolo. Eu sei que não foi nenhum de meus seguidores, já que a marca me alertaria, então não precisa se preocupar com eles.

— Falando neles, o que você pretende fazer, já que uma guerra não ocorrerá?

— Aqueles que ficaram loucos, ficarão em Saint Mungo para tratamento. Os que tem algum cargo no ministério, ajudarão na minha história e trabalharão legalmente nas leis. Os prisioneiros de Azkaban terão um novo julgamento sob verintasserum para que os que estão lá injustamente sejam livres.

Severus e Amos apenas ficaram quietos ouvindo o que Harry e Marvolo conversavam. Tudo parecia ser aceitável, então sem preocupações. Se dissessem a eles um ano atrás que isso aconteceria, eles mandariam esse alguém para a ala de Janus Thickey em Saint Mungo.

- Para encerrar, eu quero deixar claro, que não sou alguém sentimental com quem você possa conversar sobre a família. Posso dar conselhos e ser ouvinte, mas não espere alguém mole. Eu só permito que essa persona apareça para o meu marido.

Harry concordou. Mesmo não sabendo quem era, ele tinha fortes suspeitas sobre ser Severus Snape, apenas pela forma como os dois trocavam olhares, mesmo tentando se manter indiferente ao outro na mesma sala.

Depois de muita conversa, Charlie começou a frequentar o castelo para passar um tempo com Jane. Alec ficou retraído em seu quarto por um tempo, sem querer conversa ou companhia, bem, até um dia Harry entrar em seu quarto depois de deixar Celine com Caius e achar seu filhote em sua cama enrolando nos edredons como se quisesse se proteger de algo. Fechando a porta e protegendo seu quarto de fofoqueiros, ele se aproximou da cama e se sentou antes de passar a mão pelos tufos de cabelo que fugiam do esconderijo. Ele sabia que Alec procurava pelo cheiro de seu pai submisso para que pudesse se acalmar, e o melhor lugar era sua cama.

— Alec, meu filhote... — Ele estava perdido. A primeira vez que ele confortou seus filhos, foi por puro instinto, mas agora era diferente.

— Pai, dói, dói demais. — A voz quebrada apertou o coração do bruxo. Se tinha algo que o perturbava, era ver um de seus filhos assim. Como qualquer pai, ele queria tomar toda a dor para si.

— Você quer conversar? — Ele puxou a coberta devagar para poder ver o rosto de seu filho. Alec se sentou e depois de alguns segundos, ele abraçou Harry e enfiou a cabeça em seu pescoço, tentando tirar conforto do pai.

Harry já tendo ideia do que fazer para ajudar seu filho a falar, lançou um feitiço sem varinha para que Alec ficasse mais leve e se encostou na cabeceira da cama antes de manobrar o vampiro para que ficasse confortável em seus braços.

— Minha criança, fale comigo. Me deixa angustiado ver você assim. — Sua mão acariciou o cabelo e as costas do filho na esperança de acalmar seu choro e mostrar que podia confiar à ele qualquer coisa.

— Por que eu sou o único sem um companheiro? A atenção dos pais é dividida e Jane passa muito tempo com seu companheiro.

— Alec, meu filho, todos companheiros que se encontram, precisam de um tempo para se conhecer e estabelecer seu vínculo. Com seus pais e comigo foi diferente, afinal, somos ambos cabeça-dura, mas Jane é completamente diferente de nós. — Ele deu uma pausa e pensou em como esclarecer para Alec antes de continuar. — Você já era irmão de Jane quando ainda eram humanos, então você a conhece bem. Me diga como você à vê. Não quero uma visão sendo sua irmã, mas sim como pessoa.

Houve um momento de silêncio antes de Alec fungar e falar.

— Ela é uma pessoa maravilhosa. Parece ser indiferente, mas quem a conhece, sabe que ela tem um forte senso de justiça e não tem escrúpulos ao tentar mostrar sua opinião. É esperta e sorrateira. Mesmo tendo essa faixada que mostra a todos como alguém forte que pode ser feliz sozinha, ela sempre almejou por um companheiro para compartilhar sua vida. Jane é alguém excepcional que merece o melhor, sempre. — Ele finalizou antes de olhar para o seu pai.

— Agora, como você à vê quando está na companhia de Charlie?

— Ela sorri mais. — Foi o primeiro pensamento. — Tudo o que ela faz é com mais alegria e ouso dizer que ela encontrou não só sua ancora, mas também aquele alguém que lhe deixa mais forte.

Harry sorriu com as palavras do filho, ele finalmente estava entendendo.

— Alec, você gostaria que Jane passasse menos tempo com seu companheiro e passasse mais tempo com você para que você não se sentisse mais tão triste? — E foi isso, Alec respondeu apressadamente enquanto se sentava de frente para o seu pai para cruzar as pernas.

— Jamais. Charlie a faz feliz, não quero a ver tão cabisbaixa quanto antes.

— E quanto a você? — Alec demorou para responder. O bruxo sabia que o filho era esperto, e esse era o ponto de virada.

— Eu preciso entender que sua atenção será dividida. Dói ser um dos que não tem um companheiro, mas como você diz, cada coisa tem seu tempo.

Harry abraçou seu filho e deu um beijo em sua cabeça. O chapéu estava correto em querer colocá-lo na sonserina.

— Por que você não vai passar mais tempo com suas tias Sulpicia e Athenodora? Elas ainda não encontraram seus companheiros também.

- Obrigado, pai. – Alec deu um último abraço no pai antes de sair em busca de suas tias. Mesmo sem seus companheiros, elas ainda eram felizes e se divertiam.

Pensando em como poder ajudar seu filho, ele mandou uma carta para Fleur, com uma irmã sem companheiro, ela saberia como lidar com a situação.

Dois dias depois, uma carta chegou, era Fleur.

Caro Harry,

Fiquei feliz por ter notícias suas. Victoire está bem, logo ela começará a dar seus primeiros passos. Bill tem parado de viajar tanto a trabalho para que pudesse ser mais presente enquanto nossa menina cresce. Ele reclama da papelada que precisa fazer agora, mas sei que está feliz, pois assim não perderá os momentos mais importantes da pequena.

Agora, sobre seu filho, não sei exatamente o que posso fazer para ajudar. Você diz que ele sente falta de ter alguém para passar um tempo, então pensei que como não nos vemos faz tempo, podemos marcar de passar uma temporada na Itália, sempre desejei conhecer o lugar e seria bom que nossas meninas tenham contato desde cedo. Bill não precisa estar em gringotts para trabalhar e Hermione e Ron ainda não começaram a trabalhar. Sei que os gêmeos podem deixar Jordan e McMillan no controle da loja. Posso ver com Viktor se ele consegue um tempo longe dos negócios da família.

Até seus companheiros de Hogwarts podem querer uma viagem. Eles conseguem um tempo longe das coisas da Inglaterra e seu filho consegue mais companhia, todos saem ganhando. (Bill diz que eu seria uma sonserina caso fosse para Hogwarts, mas ele apenas não quer admitir que sou esperta e faço as coisas de uma forma que todos ganham).

No momento, posso confirmar que além de Bill e Victoire, Gabrielle comparecerá comigo. Ela está passando um tempo conosco e diz que sente sua falta. Se prepare para que ela puxe suas orelhas por não manter contato com ela e agora que ela pode usar a varinha sem problemas fora da escola, ela usaria todo o conhecimento em feitiços em você. (Caso queira fugir disso, prepare algo muito grande e bom para ela, isso pode mudar a atenção dela).

Me deixe saber onde podemos ficar e confirme com quem você conhece para que tudo fique mais organizado.

Espero ver-te em breve,

Fleur Apolline Delacour-Weasley.

Harry sorriu feliz com a carta de sua amiga. Ele pediria ajuda aos gêmeos para entrar em contato com todos os outros. Ele esperava ver Gabrielle logo. Ela era um doce menina que acabara de completar a maioridade bruxa para receber sua herança veela. Ele e a menina eram quase da mesma idade durante o torneio, então se ele já estava assustado com a segunda da tarefa, dava para imaginar o quão desesperada a mais jovem por um ano estava quando passou pela provação de estar num lago quase congelando.

O bruxo passara o dia escrevendo cartas e mais cartas para enviar aos seus amigos e colegas. O castelo ficaria cheio e isso o animava. Por mais que ele fosse próximo aos vampiros que ali residiam, ele sentia falta de outros bruxos.

Cantarolando de alegria, ele deixou sua mente vaguear nos planos para o filho.

Com isso, ele caminhou até seus companheiros para pedir uma ala separada deles e quartos já preparados para que ele pudesse receber seus futuros convidados.