Harry não era de se gabar. Bem, no momento ele estava, mas jamais admitiria. O sorriso feroz em seu rosto era porque a ideia de Fleur fora uma das melhores e seus antigos companheiros de Hogwarts juntos à sua família logo chegariam em Volterra.

A chegada estava programada para o início da noite. Tempo o suficiente para arrumarem suas coisas e relaxarem antes do jantar. Depois de muita persuasão com sua fachada inocente – Salazar Slytherin teria certo orgulho -, ele conseguiu convencer seus companheiros de receber seus colegas. Os elfos dos Diggory e aqueles que estavam sob a família Black e Potter arrumaram uma das alas do castelo e estariam responsáveis pelas refeições.

Harry estava uma bola de nervos e seus companheiros não estavam muito atrás, mas o motivo era completamente diferente. Enquanto Harry estava ansioso para que tudo o que havia planejado desse certo para o seu filho, seus companheiros estavam apreensivos, eram pessoas que conheciam seu companheiro não acasalado. Claro, eles confiam totalmente em Harry, eles não confiavam era nas pessoas desconhecidas.

Alec e Jane não sabiam de nada, assim como Charlie. O treinador de dragões se sentiria mal por guardar um segredo de sua companheira e Jane não conseguiria guardar um segredo de seu irmão. Para não dar Problemas, os quatro pais decidiram guardar por enquanto. Algumas pessoas que estavam vindo sabiam o motivo, outras pensaram apenas que Harry queria passar um tempo com seus colegas depois de perder um ano inteiro em Hogwarts, e agora que a guerra já não ia mais acontecer, todos estavam aliviados e queriam um tempo com aqueles que conviveram por anos na escola de magia e bruxaria.

A proteção que Harry colocara na sala fora ativada e ele em segundos estava na sala para receber os primeiros convidados.

- Fleur! – Harry gritou animado correndo para abraçar sua amiga.

- Sua animação ao ver minha esposa de deixa com ciúmes, galanteador Potter. – Bill sorriu para seu irmão emprestado.

- Querido Bill, se eu fosse um separador de famílias, seria mais provável que eu pegasse você, e não sua linda esposa. – Harry estava contente.

- Até porque, da fruta que você oferece, Harry chupa até o caroço, marido. – Fleur brincou com os dois homens.

- Eu adoraria que ele provasse isso. – Aro disse entrando na sala junto com os outros dois vampiros.

- Calado. – O companheiros deles murmurou sentindo o rosto esquentar de vergonha.

- Então Harry não mostrou o que sabe fazer? – A veela brincou junto.

- Acho que meu irmão não precisa provar mais nada. Celine está aí para isso. – Bill disse com uma carranca. Claro, ele sabia sobre Harry ser companheiro de três vampiros, ele sabia como funcionava, mas ouvir essas coisas envolvendo seu irmão mais novo não era legal.

- Ora, senhor Weasley, o que os olhos não veem, o coração não sente. – Caius, o mais sem vergonha soltou.

- Na verdade, não seria ver, mas sim sentir.

- Marcus! Até você? – Harry não sabia se repreendia seus companheiros ou se procurava um buraco para se esconder e não sair mais.

- Mama...

A salvação de Harry foi Victoire reclamando e pedindo com os bracinhos esticados para que a sua mãe pudesse pegá-la.

- Bem, Demetri está lá fora aguardando para levá-los ao quarto que vocês ficarão. Separei um pequeno quarto ao lado do seu para a pequena Victoire. Não se preocupem, há uma porta que liga os dois quartos. Espero que seja de seu agrado.

- Eu agradeço por isso, Aro. Espero que não se incomode por chamá-lo assim, já que logo faremos parte de uma só família. – Bill disse.

- Fique à vontade por nos chamar pelos nossos primeiros nomes, Bill.

- Bem, Gabrielle teve que passar na França para conversar com o concelho veela, ela deve chegar amanhã cedo. – Fleur avisou.

Quando Bill e sua família saiu da sala, as proteções tremeram e dessa vez era um grupo. Enquanto eles esperavam a tontura da viagem passar, Harry observou quem eram as pessoas. Era um grupo e tanto. Os irmãos Dennis e Colin Creevey, Seamus Finnegan, Dean Thomas, Katie Bell e Alicia Spinnet.

- Seamus, Dean, fico feliz em vê-los novamente. Espero que possamos jogar Snap Explosivo para ver ambos perderem para mim.

- Muito engraçado, menino de ouro. Eu ainda não sei como, mas vou descobrir os seus truques para trapacear. – Seamus era um péssimo perdedor.

- Shay, Harry é um viciado em jogos, claro que ele vai ganhar de lavada. Se você que ganhar em algum jogo, chame-o para jogar xadrez. – Por incrível que pareça, fora Dennis quem falou.

- Bem, se não são os Creevey, estou surpreso por vê-los com esses dois ogros. – Ele podia não gostar do fanatismo que eles tinham pelo garoto-que-sobreviveu, mas os dois eram ótimas pessoas e Harry gostava de jogar com eles na sala comunal da grifinória.

- Você realmente achou que eles deixariam seus namorados virem sozinhos? – Katie, a amiga de quadribol mais próxima perguntou.

- Olá meninas, quanto tempo. Vocês precisam me atualizar das novidades. – Harry anotou mentalmente o que falava e logo apresentou seus companheiros antes de liberar a sala. - Antes, vocês podem querer se acomodar. Félix mostrará o caminho.

Enquanto seus amigos saíam, Harry observou como Katie tinha um braço possessivo ao redor de Alicia, ele estava feliz por finalmente terem parado de dançar ao redor da outra. Seus antigos amigos de dormitório deram as mãos com seu respectivo namorado. Mesmo de longe, ele podia ouvir os cochichos de Dean no ouvido de Colin. Um sorriso dançou em seus lábios.

Depois de alguns minutos, outro grupo chegou. Susan Bonnes, Cassius Warrington, Terence Higgs, Graham Montague e Marcus Flint.

-Eu realmente não esperava por isso. – Harry comentou distraidamente.

- Que bom vê-lo novamente. Soube que você ganhou três companheiros. Quem são? – Susan perguntou abraçando Harry.

- Susan, senti saudades. Conheça Aro, Caius e Marcus Volturi, meus lindos companheiros.

Susan olhou para os três vampiros atrás de Harry observando tudo em silencio. Depois de um momento, ela olhou para Harry e não pôde evitar de soltar um comentário.

- Você realmente não faz nada pela metade.

- Você me conhece. – Harry estudou os sonserinos que chegaram, vendo três deles relaxarem com a as apresentações. – Querida, por que você não me apresenta os senhores que vieram acompanhando? – Perguntou cordialmente, ele já sabia quem eram.

- Me desculpe. – Soltou um riso tímido. – Esse é meu noivo, Cassius. Os outros três são seus amigos, Marcus, Terence e Graham. Os três estão na fase do cortejo.

- Sejam bem-vindos. Espero que aproveitem o tempo aqui. Heidi mostrará o caminho. – Ele sorriu e esperou que todos saíssem antes de se virar para seus companheiros. – Acho que perdi muita coisa desde que fugi. As proteções tremeram duas vezes e dois grupos chegaram na sala. Em um estava Cho Chang, Millicent Bulstrode, Luna Lovegood e Rolf Scamander. No segundo grupo estava Neville Longbottom, Hannah Abbott, Justin Finch-Fletchley e Tracey Davis. A mente de Harry corria milhas por hora tentando entender o que havia acontecido em Hogwarts enquanto ele estava ausente.

- Pessoal? – Ele perguntou meio inseguro. Luna, como sempre, foi a primeira.

- Harry, finalmente os narguiles te deram um tempo. Agora, não se preocupe tanto e deixe a magia guiar seu coração, esses zomzobulos gostam de pensamentos negativos.

- Obrigado pelo conselho, Luna querida. – Mais uma anotação mental. Assim que as surpresas acabarem, estudar as palavras de Luna. Ela gostava de falar em enigmas e isso lhe dava dores de cabeça ao tentar desvendar os conselhos apreciados.

- Quero que conheça Rolf, meu noivo. Sendo da mesma casa, Cho pediu para me acompanhar e trouxe a namorada dela, Millicent.

- Se alguém trouxer mais alguma novidade, peço que falem logo. Não sei se meu coração aguenta mais. – Harry brincou. Ele apertou as mãos do noivo de sua amiga e acenou para Cho e Millicent, antes de observar Justin e Tracey de mãos dadas.

- Harry, Hannah e eu estamos noivos. Ela trouxe seus amigos Justin e Tracey. Ambos estão noivos também.

- Neville, acho que quero voltar atrás em minhas palavras. Não desejo mais nenhuma novidade.

- Harry, você perdeu muita coisa. Todos nós estávamos tão desesperados com medo de uma guerra que nos aproximamos mais ainda uns dos outros.

- Fico feliz por vê-los com seus pares. – Disse honestamente.

Depois de outra onda de apresentações, Gianna, a mais nova dos vampiros, fez um tour pelo castelo antes de levá-los aos seus quartos.

- Acho que preciso de uma cadeira. Não sei até quando posso aguentar mais casais tão inesperados. – Harry resmungou enquanto seus companheiros o olhavam divertidos.

A última chave de portal estava para chegar. Ele sabia que ainda faltava dois de seus antigos companheiros do quadribol e o outro campeão do torneio. Sua outra parte da família ficaria com os Diggory, então só se veriam no dia seguinte, provavelmente depois da chegada de Gabrielle.

Finalmente, depois de quase uma hora, os últimos chegaram.

- Capitão. – Harry disse automaticamente para Oliver Wood.

- Harry, não sou seu capitão faz anos. – Ele riu, acompanhado de Angelina. Os dois estavam de mãos dadas.

- Vejo que vocês se encontraram. – Ele observou levemente.

- O jeito dominante de Oliver não é apenas no campo. – Ela sorriu timidamente.

- Tudo bem. Eu não precisava saber disso. – Ele brincou fazendo careta. Ele estava feliz por seus amigos. – Como estão as coisas entre vocês?

- Não queríamos perder tempo, então nos casamos. No momento, queremos aproveitar nossas carreiras no quadribol antes de pensar em filhos. – Oliver comentou.

- Desculpe, mas não vejo Angie em casa com crianças.

- E você está certo. – Angelina confirmou. – Oliver se aposentará e ele ficará em casa com os filhos. Eu vou apenas pedir uma licença temporária. Quadribol é minha paixão e Oliver, por mais que ame jogar, prefere cuidar das crianças.

- Eu vejo. – Veio depois de pensar nas palavras. – Viktor, fico feliz por vê-lo.

- Harry. – Cumprimentou. – Moro próximo à Oliver, então viemos juntos. Trouxe meu noivo, Adrian Pucey. Acredito que você o conhece de Hogwarts.

- Sim, lembro-me dele enquanto eu estava no quarto ano e ele em seu último ano. – Harry apertou a mão de Adrian. – Bem-vindo.

— Como está no ministério, querido? — A linda mulher usando vestes de cor azul perguntou.

Esposa e esposo estavam compartilhando um maravilhoso café da manhã preparado pelos elfos da casa. Seu filho estava em Hogwarts, mas voltaria logo, quando os governantes da escola dessem a última palavra sobre dar uma pausa para todos poderem enfim descansarem. Foram meses difíceis, esses últimos.

— Tive que passar um pente fino em todos os departamentos. Marvolo acredita que devemos averiguar também todas as prisões que ocorreram nos últimos 80 anos, pelo menos. — O patriarca descansou os talheres e deu toda a sua atenção para sua esposa. E mesmo depois de anos se passarem, o fogo e a paixão que sentia por ela ainda não mudara. — Sabe, querida, por mais que esteja sendo árduo, estou feliz por estarmos avançando, mesmo que seja aos poucos. Finalmente estamos no caminho certo. Esse é o futuro que sempre desejamos ao nosso filho. — Ele disse pegando a mão se sua esposa.

— É o futuro que desejamos aos nossos filhos. — Ela corrigiu o marido, soltando uma risada sonora.

— Sim. Nossos filhos. — Ele sorriu de volta com tranquilidade, até perceber o que sua esposa quis dizer. — Filhos? — Nenhum Malfoy é pego de surpresa. Bem, sempre há uma exceção. — Cissy, é verdade? — Seu coração estava disparado e por mais que tentasse negar, seus olhos seguravam lágrimas de felicidade.

O casal já havia perdido as esperanças de ter um segundo filho. Os dois compartilhavam o sonho de ter uma grande família, mas quando Narcisa contraiu o câncer, uma doença trouxa, mas que afetava 2% da população bruxa, os medimagos disseram que não seria possível engravidar novamente. Seu núcleo mágico fora desgastado pela doença, corria o risco dela ou do bebê não resistir.

Foram meses chorando e sentindo seus sonhos escorrerem por entre seus dedos. Eles podiam adotar crianças bruxas, mas era diferente. A mulher amava sentir a magia da criança desde o início. Sua barriga esticando para acomodar o seu filho, os chutes, os desejos loucos... toda a experiência de gerar uma criança não aconteceria mais.

Parece que Lady Magic abençoou o casal.

— Sim, meu amor. Estou entrando no segundo trimestre. Eu não o queria dar falsas esperanças. Nem eu mesma acreditei quando ouvi no medimago. Preferi concluir o primeiro trimestre apenas para ter a certeza. Nessa época, você sabe que é bem incerto e os riscos são altos de um aborto espontâneo.

— Eu sei querida. Estou feliz por esse milagre. — O homem se levantou e ajudou sua esposa para que pudessem compartilhar um beijo.

O casal relaxou o beijo e começaram a valsar enquanto cantarolavam levemente. Eles estavam em uma névoa de felicidade e não havia nada que os tirassem dali. Sua família estava crescendo.

Que se dane os costumes Malfoy. Ele se ajoelhou e estendeu as mãos sobre a barriga de sua esposa.

— Olá, meu amor. Aqui quem fala é o seu papai. Estou animado e ansioso para vê-lo. — O homem beijou a barriga e pôde sentir o leve toque da magia do bebê que estava sendo envolvido pela da sua mãe. Ele mesmo podia sentir sua magia conectando com a de seu bebê e formando seu vínculo. — Obrigado Cissy.

A mulher esperou o marido levantar e segurou o rosto entre suas delicadas mãos.

— Eu te amo. Sempre e sempre.

— E eu te amo muito mais, até os confins.

Novamente eles se perderam em seu pequeno mundinho, mas agora, azuis encaravam os cinzas.

Lucius deixou um segundo no comando naquele dia. Ele queria apenas aproveitar a novidade com sua esposa.

Após o café da manhã, o homem levou sua esposa para os jardins e lá eles passaram boa parte da manhã observando o lago cheio de diversas espécies de animais aquáticos.

Seguido do almoço, o tempo foi passado na biblioteca. Esse era o segundo melhor cômodo da casa, de acordo com eles. O primeiro era seu quarto compartilhado.

Depois de um jantar maravilhoso com os pratos preferidos de sua esposa, ele mesmo preparou um banho de banheira com poções relaxantes e a massageou.

Isso tudo só acontecia quando era uma data importante. E para eles, essa era uma das. Ele mimou a esposa e fez todos os seus caprichos. A devoção que ele sempre sentira por ela era incomparável.

Enquanto ele massageava seus pés, ele iniciou uma conversa.

— Recebi uma carta de nosso dragão. — Quando sua esposa fez um som confirmando que estava ouvindo, ele continuou. — Ele dizia que Harry Potter está na Itália.

— Interessante... E o que o jovem herdeiro está fazendo lá?

— Querida, eu soube que agora ele é um verdadeiro lorde. — Isso fez com sua esposa abrisse os olhos e finalmente colocasse toda a sua atenção nas falas do marido.

— O que mais eu perdi?

— Além dessa grande notícia, ele tem uma filha de dois anos.

— E de quem é a filha? Da última vez que Draco conversou comigo pessoalmente, ele estava falando sobre a filha mais nova de os Weasley estar apaixonada por ele.

— A filha é a herdeira Diggory. — Lucius deu uma pausa quando viu Narcisa ficar de queixo caído. — O jovem Lorde é companheiro de um vampiro, pelo que eu ouvi.

— Bem... — A mulher tentou se recompor e organizar as coisas em sua mente. — Sabemos que ele é poderoso, com certeza não é apenas de um vampiro. — Ela parou para pensar mais um pouco e continuou. — Tirando tudo isso, o que a carta de Draco tem a ver com todas essas informações?

— Pense, querida Cissy, se o jovem é companheiro de um vampiro, e possivelmente de mais um outro, ele precisa ser treinado. E quem melhor do que os Reis Volturi?

— Aquele menino realmente não faz nada pela metade, não é mesmo?

— As leis do universo não se aplicam a ele. — O lorde bufou. — Antes que nos percamos novamente, Bulstrode escreveu para Draco que ela e a namorada foram para a Itália. O jovem Lorde convidou alguns colegas de Hogwarts para passar um tempo longe de toda essa bagunça da Grã-Bretanha.

— E você está me dizendo que nosso Dragão foi convidado? — Ela arqueou uma sobrancelha elegantemente.

— Bem, não diretamente. Primeiro foram chamados os amigos mais próximos e eles levaram seu casal, então ele enviou uma mensagem dizendo que aqueles que precisavam de um tempo, tinham um convite esperando por eles.

— Eu realmente estou surpresa. Sei que tudo isso abalou os jovens, mas jamais imaginei que daria o que deu.

— O desespero muda tudo. Infelizmente nossos jovens passaram por isso. Draco pediu permissão para viajar, e acredito que os herdeiros das famílias que não eram neutras ou da luz estão cogitando a ideia de sair por um tempo.

— Eles aceitam dois velhos? — A mulher brincou.

— Não custa tentar. Estaremos próximos de nosso filho, podemos visitar toda a Itália, conheceremos as majestades e ainda podemos melhorar a relação entre os jovens herdeiros.

— Eu gosto da forma que você pensa. — A lady Malfoy foi até o marido e o beijou calorosamente.

Lucius cuidava bem do corpo, e Narcisa aproveitava. Suas mãos vagaram dos ombros até o peitoral com pelos ralos. O sangue dos dois ferveu e a paixão ardente não poderia ser negligenciada.

Lembrando da frágil gravidez da esposa, ele tomou todo o cuidado do mundo com ela e a levou até a cama.

Um simples feitiço de secagem facilitou a chegada até o destino.

Essa era uma noite especial, então sem feitiços do tipo. Ele procurou pelo lubrificante e se deitou entrou as pernas de sua esposa.

Narcisa já se sentia no ponto de explodir apenas com a visão. Quando Lucius a acariciou com dedos inteligentes sobre suas curvas e sua língua entrou em ação, ela já não estava consciente de seus gemidos desesperados.

Não só um Malfoy era uma perdição como a língua de um Malfoy era o próprio pecado.

Quando a mulher atingiu seu orgasmo, Lucius foi até o banheiro, pegou uma toalha úmida e limpou toda a bagunça.

Assim que Narcisa desceu do seu ápice, ela tentou ajudar o marido a se aliviar até que ele a interrompesse.

— Não, querida. Hoje é o seu dia. Eu posso sobreviver com uma ereção não cuidada. Apenas descanse.

Com um aceno de varinha o quarto caiu no escuro e mulher se aconchegou no peito de seu marido. Um sorriso de realização surgindo em seu rosto quando sentiu a mão de Lucius descansar em sua barriga.

Os quatro companheiros estavam na sala privada do castelo. Cada um lia algo diferente. Harry estava no divã próximo à janela enquanto lia um livro de feitiços, Marcus lia um romance qualquer, Caius lia mais sobre companheiros bruxos, e Aro, bem, ele deveria estar lendo alguns papéis importantes e assinando, mas sua mente navegava para seus companheiros.

Marcus e Harry não eram mais frios com eles, mas tinha um buraco na relação e isso devia ser consertado.

Antigos amigos e colegas de escola de seu jovem companheiro vieram para o castelo, e de acordo com as recentes cartas recebidas, mais estavam por vir. Não era frequente o castelo se encher de humanos, mas qualquer coisa para o seu companheiro. E por falar nisso, ele nem sabia o que seu companheiro tinha em mente ao convidar tantas pessoas. Talvez ele estivesse se sentindo sozinho, ou talvez ele tenha sentido falta já que não conseguiu completar seu ano em Hogwarts. Seja lá qual tenha sido a intenção de seu companheiro, ele estava bem com isso, já que Harry parecia sorrir mais. Bem, ainda havia uma pulga atrás de sua orelha, mas ele podia conviver com isso.

- Diga, Aro. Seus pensamentos atrapalham minha leitura e pretendo terminar esse livro ainda hoje. – Harry quebrou o silêncio sem nem mesmo desviar seus olhos da leitura atual.

Os outros dois vampiros desviaram sua atenção alternando o olhar entre Aro e Harry.

- Aconteceu algo, Aro? – Veio de Caius quando percebeu a inquietação do companheiro.

- Desculpe, nada de tão importante, podem continuar. – Ele voltou para os papéis tentando se concentrar novamente.

- Diga logo ou vou precisar sair dessa sala. Seus pensamentos estão tão rápidos e desordenados que mexe com meu vínculo. – Harry suspirou e deixou o livro de lado.

- Eu estava me perguntando qual foi o motivo de você convidar tantas pessoas. Não me leve a mal, não estou incomodado, apenas curioso. Nos primeiros meses que você estivera aqui na Itália nunca convidou tantos, exceto para o aniversário de Celine.

Harry pensou se era uma boa ideia dividir seus planos com seus companheiros de vínculo. Aro e Caius eram próximos de Alec e talvez eles até pudessem ajudar. Mas isso era algo que ele queria fazer sozinho. Alec já sofrera tanto e ele tomava como sua responsabilidade aliviar Alec da pressão que ele colocava sob si.

- Bem, Jane achou seu companheiro, Charlie Weasley, eu vi que Alec ficou mexido com isso. E mesmo sendo cedo demais, Jane sempre sonhou em conhecer o mundo e Charlie está disposto a pegar suas férias acumuladas e mostrar para ela tudo o que ela ainda não conheceu. – Ele deu uma pausa e respirou fundo. – Todos nós sabemos como eles sofreram e se culparam pela morte da própria irmã quando jovens.

- Mas eu ainda não entendo. O que essas pessoas têm a ver com nosso filho? Todos eles estão em um relacionamento, isso não pioraria para Alec?

Por um breve momento o coração de Harry aqueceu mais quando Aro disse "nosso filho". Podia parecer pouco, mas isso indicava que podia dar certo futuramente, e secretamente, ele desejava isso.

- Eu nem imaginava que eles já teriam alguém, e não estou tentando empurrar alguém para o nosso filho, um vínculo de companheiro é alo sagrado, sei muito bem disso. Mas pensei que se ele conhecesse diferentes pessoas, diferentes passados, diferentes conhecimentos e diferentes relacionamentos, cada um trazendo sua tradição, ele poderia tirar a mente do lugar sombrio em que está desde o aparecimento de Charlie.

- Deixe-me ver se entendi direito. – Marcus finalmente se fez presente na conversa. – Com tantas novidades, Alec se distrairia e possivelmente entenderia que pode ser feliz sem um companheiro?

- Não era muito bem isso que eu tinha em mente, mas pode servir por enquanto. – Ele se levantou do divã e observou a pequena cidade da janela. Harry amava essa vista. – Sei que não podemos procurar desenfreadamente por seu companheiro, mas podemos aliviar sua dor. Vocês se tinham por um longo tempo, então não sofreram. E antes de receber minha herança, eu já tinha alguém e Celine para cuidar. – Memórias de Cedric vieram à sua mente, por mais que sua mente já tivesse entendido, seu coração ainda falhava algumas batidas. Cedric fora seu primeiro amor e por mais que ele tivesse seus companheiros de alma, Harry sabia que seu coração nunca deixaria de amar seu Cedric, o pai de sua filha. Seus pensamentos voaram pelos momentos de trocas de beijos e carinho em algumas alcovas de Hogwarts ou no banheiro dos monitores.

- Harry? – A preocupação no tom de Caius era clara.

- Nada de nota. – Ele colocou seus pensamentos no trilho novamente.

- Você está angustiado. – Marcus observou e logo foi para o lado de Harry. O vampiro o fez se sentar no divã e pegou em suas mãos, acariciando com seus longos polegares. – Diga, meu companheiro, o que fez suas emoções mudarem tão rapidamente?

- Falar de Celine me lembrou seu pai, me desculpe.

- Você não tem com o que se preocupar. Seria justificável sentirmos raiva por nosso companheiro pensar em outro. Mas falando por mim, eu não sinto raiva, Eu me sinto agradecido por ele ter cuidado de você. – Caius tentou acalmá-lo.

- Harry, olhe para mim. – Aro apareceu em seu campo de visão. – Cedric cuidou de você, te ajudou, te protegeu, te deu amor e carinho, ele lhe deixou com um presente maravilhoso que me faz sorrir todos os dias. Não temos que ficar com raiva, temos de ser feliz por você ter tido alguém tão bom em sua vida.

- Você o amou e sabemos que ainda o ama. Você não o esquecerá, também estamos cientes disso. Eu vejo que você está o deixando no seu passado, é bom seguir em frente. Mas entenda que seu passado não pode ser mudado. Ele foi seu primeiro em tudo e isso ficará na memória, ainda mais com o último pedaço dele, nossa pequena Celine. – Marcus se esticou para frente e deixou um selar na testa do companheiro.

- Vocês nunca vão exigir que eu esqueça dele ou ficar com raiva quando de repente memórias dele surgir? – Perguntou com parte receoso e parte aliviado.

- Nunca. – Os três vampiros afirmaram juntos.

- Obrigado. – Harry ainda estremeceu um pouco, mas se aconchegou nos braços de Marcus. Sua mente um pouco mais aliviada. Realmente, as pessoas não mentiram quando disseram que desabafar alivia.

As horas se passaram e nenhum deles queria sair daquela bolha reconfortante. Tirar o dia para eles foi bom. Eles amavam suas crianças, mas um momento à sós sempre era apreciado. Esse tempo serviu ainda mais para fortalecer o vínculo.

Harry estava voando vagarosamente em sua Nimbus 2000. Ele sentira falta de voar apenas por voar. Até do Quadribol ele sentira falta. Essa tarde ele passou conversando e jogando com Angie, Oliver, Alicia, Katie, Adrian Pucey, Terence Higgs, Marcus Flint, Cho e Viktor.

Angelina, Oliver, Alicia, Katie e Cho estavam o atualizando tanto do quadribol em Hogwarts quanto de suas carreiras, até algumas memórias surgiam e eles riam à vontade.

Adrian, Terence e Marcus não tinham muito o que falar e até estavam receosos em trocar muitas palavras com Harry, afinal, eles não esqueceram tudo o que vieram em Hogwarts estando em casas opostas e inimigas. Todos sabiam que deviam deixar no passado de lado e recomeçar, e foi o que fizeram de início, mas não era tão fácil conversar sem citar um momento passado.

Viktor estava contando como era jogar profissionalmente, como era lidar com fãs, cartas amorosas e garotas e garotos que ainda pensavam ter uma chance com ele, cartas e lordes tentando convencê-lo de um contrato de casamento... Harry sinceramente sentia pesar por Viktor. Parece que o público era cego pelo amor que ele sentia por Adrian e Harry disse exatamente isso.

- Eles querem apenas dinheiro e fama, então é claro que são cegos quando lhes convém. – O búlgaro bufou desdenhosamente, mas logo enrubesceu com as próximas palavras. – E eu pensei que meu querido Adrian fosse o mesmo.

- Tive que tirar sua cabeça da bunda. Não sei como pude me apaixonar por um ogro. – Adrian surgiu na conversa, mas Harry podia ver o sorriso que queria brotar em seus lábios ao falar doa amado.

- E você está reclamando, Pucey. Eu até hoje me pergunto por que me apaixonei por um Troll. Ao menos Krum parece ser menos bruto e te leva para jantares românticos. – Terence revirou os olhos, mas piscou para o namorado.

- Posso parecer um Troll, mas você nunca reclamou disso na cama. – Flint deu um pequeno rosnado para o namorado junto a um sorriso malicioso.

- Chega, não preciso ouvir nada disso. – Harry fez uma careta de desgosto ao perceber as imagens se formando em sua mente. – Aliás, cadê Montague? Ele parece ser o único capaz de colocar vocês dois na linha.

- Ele disse que estaria Cassius, que provavelmente poderá ser encontrado com Abbott.

- Obrigado, Pucey.

- Me chame de Adrian, Potter, afinal, você nos deixou passar um tempo na Itália sem ter que gastar muitos galeões.

- Então me chame de Harry. E não tem por que dizer isso, vocês já estão me dando algo em troca.

Harry não deixou os meninos perguntarem o que era, ele voou disparadamente à procura de qualquer outra pessoa que não fossem sem vergonha como sua atual companhia.

Guardando sua vassoura, Harry procurou por Neville, eles mal tinham conversado desde a chegada de seu antigo companheiro de dormitório.

Passando pela biblioteca, ele encontrou Neville, junto à Hannah, Susan, Warrington, Finch-Fletchley, Davis, Bulstrode e finalmente, Montague. Parecia que hoje os grupinhos tinham sido já formados.

- Sobre o que conversam?

- Olá Harry. Pensei que estive voando, estamos conversando sobre o que esperamos fazer do futuro.

- Eu estava, até que aqueles ogros saíssem de controle. – Harry enrugou o nariz e a testa quando a imagem reapareceu em sua mente. – Que nojo. – Ele estremeceu. – Bem, vocês têm o quê em mente?

- Eu não posso deixá-los dez minutos sozinhos que já aterrorizam quem está por perto. Sinto muito por eles, Potter.

- Harry, por favor. Eu já deveria estar acostumado, dividi um dormitório com três, Neville era o a minha tábua de salvação. – Neville sorriu com as falas do amigo, realmente, Seamus, Dean e Ron já não tinham mais salvação. Os Creevey e Hermione deviam receber uma medalha por isso. E pelo visto, até Graham merecia.

- Isso é verdade. – Neville zumbiu baixo. – Eu estava falando que desejo ser aprendiz da professora Sprout. E Hannah aqui pretende montar seu próprio negócio, um boticário.

- Vocês realmente se completam. – Harry sorriu para os amigos. – E você, Bulstrode? Cho disse que ela mesma quer seguir uma carreira no quadribol.

- Todos aqui já me chamam de Milli, pode ser o mesmo para você. Eu quero entrar me tornar uma auror. Eu gosto de viver no limite e de algo perigoso. Mesmo em carreiras diferentes, Cho e eu gostamos das mesmas coisas.

- Já cogitei em me tornar um auror, mas agora que tenho meus filhos para cuidar, já não parece ser o certo. Acho que sou o pai de família que fica em casa com os filhos, sabe? Quero ser aquele que educa os filhos e está cem por cento presente. – Harry sorriu envergonhado.

- Não tem por que sentir vergonha, Harry. É legal ter um pensamento assim. Você não é o único a desejar isso, Oliver pensa da mesma forma. Até eu e Susan procuramos por um emprego que nos permita sempre estar livre para as crianças que desejamos. – Cassius foi sincero.

- Fico feliz por não me sentir sozinho nesse barco. Já ouvi muitos dizendo que esse é um papel exclusivo para mulheres e portadores. Acho esse pensamento ridículo, mas infelizmente nem todos tem a mente aberta.

- Eu te entendo, é um saco ouvir essas baboseiras. Mas podemos ignorar e seguir com nossas escolhas.

- E você, Justin, sabe o que quer fazer?

- Quero ser um escritor. Os eventos de Hogwarts já foram o suficiente para a minha cota de perigo.

- Eu devo concordar com você. – Harry riu e continuou a conversa.

Harry pensou que seria estranho conviver num castelo com tantas pessoas que ele não tivera tanto contato em Hogwarts, mas foi totalmente o contrário. Parecia que ele estava novamente na escola, onde ele considerou numa primeira casa.

Finalmente a luta entre as casas tiveram fim e ele poderia esperar que a próxima geração só tivesse paz e cooperação.

Muito ainda tinha de ser resolvido, mas logo eles chegariam lá.

Conversar comigo tio-avô estava em sua mente, eles nunca teriam um relacionamento familiar próximo, mas ele podia esperar uma boa convivência e enfim um fechamento para aquela era que causara tata dor.

- Harry, eu estava pensando por que você usou o plural se tem apenas Celine. – Justin ramificou para uma conversa apenas dele e de Harry.

- Eu estava incluindo Jane e Alec, eles são filhos dos meus companheiros, e como você já deve saber, o vínculo nos conecta.

- Ah, sim. Fiquei me perguntando quando você teve tempo para ter mais filho. – Justin riu. – Espera... Isso quer dizer que você é companheiro dos Reis Volturi? É sabido publicamente que os dois são os filhotes "reais".

- Isso mesmo. Sãos os famosos filhotes reais por serem parte da realeza. Celine agora incluída.

- Você realmente não faz nada pela metade. – disse surpreso.

- Lógico que não. Qual seria a graça? – Harry deixou a surpresa do antigo lufano passar, antes de retomar. – E por falar nos meus filhotes mais velhos, onde eles estão? Você os viu hoje?

- Eu os vi conversando com os Creevey. – Respondeu

- Preciso trocar umas palavras com eles. – Comentou. - Até mais tarde, pessoal. Já estou indo. – Se despediu dos demais e saiu à procura de Jane. Ele queria conversar a sós com a vampira.

— Jane, querida? — Harry saiu perguntando de porta em porta na esperança de sua filha ao ouvir.

— Estou aqui, pai. — Veio uma voz suave no final do corredor. Harry agradecia por sua filha ter uma ótima audição, assim não precisaria percorrer o Castelo inteiro.

— Olá, pessoal.

— Oi, Harry. Cansou de voar?

— Claro que não, vim apenas roubar minha filha por um tempinho. Estou atrapalhando algo? — Perguntou calmamente.

— Claro que não, pai. — Jane se levantou e espanou seu manto para tirar as rugas.

— Que bom. Passei os últimos quinze minutos te procurando. — Harry passou a mão pela testa para secar um suor imaginário durante a dramatização.

Seu filho, Alec, riu abertamente das palhaçadas do pai mais novo. Harry gostava de ver aquele sorriso, pois significava que seu filho estava se tornando mais aberto as suas emoções. Enquanto isso, Jane revirava os olhos com um sorriso afetuoso em seus lábios rosados, ela provavelmente acabara de se alimentar, já que não usava batom.

— E porque, pai, você perdeu todo esse tempo e voz enquanto poderia ter um feitiço localizador na ponta de sua varinha? — Jane perguntou com uma sobrancelha arqueada delicadamente.

— Hm... bem... É... Então... — Ele se atrapalhou com as palavras completamente envergonhado. Droga! Ele era um bruxo! Usava magia desde os onze anos! Por que não se passou pela sua cabeça o óbvio? Oh, até uma vampira teria pensado nisso primeiro, mesmo não tendo magia.

— Vamos, deixe se se envergonhar embolando as palavras. — A menina enlaçou seus braços aos de seu pai caminhando em direção à porta. Antes de sair da sala, ela se virou para os meninos. — Foi bom conversar com vocês, espero repetir esse momento.

Os dois, pai e filha, caminharam pelo castelo, cada um perdido em seus próprios pensamentos. Harry pensando em como iniciar a conversa e Jane esperando que estivesse errada ao pensar em qual assunto poderia ser. Ela não sabia se estava pronta para isso.

Caminhando lentamente pelo castelo, os dois chegaram à biblioteca particular de Harry. Lá, era o lar todos os livros mágicos e até alguns trouxas de seu interesse. Seus companheiros pediram para desmontar à pequena sala de estar para que uma biblioteca fosse construída para o mais jovem do relacionamento. A lareira permaneceu, mas um divã e uma poltrona reclinável foram colocados próximo à enorme janela que dava para a cidade. Uma mesa e uma poltrona, essa não reclinável, foram colocados de frente para a lareira, mas do lado oposto da sala. No meio da sala, um tapete felpudo descansava e um baú em um dos cantos da sala, com brinquedos de Celine tudo para a sua filha.

A sala foi um presente em conjunto e Harry mesmo não querendo, aceitou a sala. Ele se sentia mal pelos vampiros sempre estarem buscando alguma coisa para dar para ele enquanto o mesma tentava evitá-los. Aos poucos, sua mentalidade sobre seus companheiros ia mudando, mas a parte que não gostava do vínculo que existia ainda permanecia firme. Mesmo que a sala pertencesse ao castelo que eles governavam, os reis não entravam sem a permissão de Harry. O jovem mago não precisava colocar feitiços de privacidade, pois aprendera que os pais de seus filhos o respeitavam e ficavam longe da sala para evitar que a audição invadisse o lugar.

Se sentando no tapete, Harry esperou que sua filha se sentasse ao lado dele e os dois olharam para a lareira, sem pressa alguma. Na mesa de centro, um álbum descansava, Jane não sabia dizer o que tinha ali. Olhando para o pai, ela começou.

— Pai? O que estamos fazendo aqui? — Harry deu um sorriso para a sua filha e uma preocupação tomou conta de seu ser. Mas um sorriso aguado surgiu em seus lábios, pensando em como iniciar a conversa.

— Filha, pensei que nunca teríamos essa conversa. Bom, pelo menos não tão cedo. — Ela o olhou esperando-o soltar de uma vez, mas isso não aconteceu. Nem alguma pergunta constrangedora.

Mesmo tendo centenas de anos, ela ainda poderia ser tímida em alguns assuntos. Pensando que a conversa seria inteiramente sobre ela, Jane até se surpreendeu quando seu pai começou a falar dele. Agora ela realmente não sabia o que sentir, então apenas ficou calada ouvindo atentamente.

— Se você parou para calcular, então já sabe que engravidei da sua irmã quando ainda tinha 14 anos. — Na cabeça dele, esse foi um bom começo, então ele continuou a partir daí. — Cedric Diggory é o pai de Celine. Ele foi meu primeiro amor, meu companheiro e meu amigo, agora, ele é o pai da minha pedra mais preciosa. — Seus olhos nublaram quando uma enxurrada de memórias passou por ele. — Ele morreu tentando me salvar. Nós nem sabíamos que eu estava carregando sua herdeira, já que apenas na noite anterior nós a concebemos. — Uma pausa ocorreu enquanto o bruxo tentava se recompor. Ele ainda não permitira que as lágrimas caíssem.

Um tempo se passou enquanto Jane tentava entender aonde seu pai queria chegar. Para ela era tão óbvio o que ele queria conversar com ela que o atual assunto a pegou totalmente de surpresa. Claro, isso não estava claro em sua expressão, mas seu pai a conhecia para entender bem o que se passava em seus pensamentos se a dica em seu sorriso era o suficiente.

— Minha filha, eu sei aonde quero chegar, mas não sei como chegar lá. — Um bufo saiu de seus lábios. — Você já viveu mais do que eu, você já viu mais do que eu, você já sorriu e chorou mais do que eu. Mas tem uma coisa que eu já fiz e você não. E não estou falando de filho. — Ele adicionou quando seu rosto franziu.

— Então o que seria isso? — Ela perguntou suavemente.

— Jane, o que você precisa entender é que mesmo que eu e seus pais sejamos companheiros, a minha magia escolheu como companheiro Cedric. Claro que houve circunstâncias que fizeram com que eu e Cedric nos conhecêssemos e nos apaixonássemos e se não fosse por conta dessas circunstâncias, do horário e do local certo, talvez nunca tenhamos ficado juntos.

— Ainda não sei se entendo aonde você quer chegar com isso, pai...

— Vou tentar uma outra abordagem. Você e Charlie. É aonde eu quero chegar.

— Oh... então minha linha de pensamento estava certa inicialmente... — Murmurou enquanto desviava do olhar de seu pai. Se ela ainda fosse humana, com certeza seu coração estaria descompassado e seu rosto estaria vermelho.

— Bem, sim, pelo visto. O que eu realmente quero que você entenda é que nesse mundo há várias formas de amor e relacionamento. Tudo bem que seu lado vampiro escolheu Charlie, mas isso não te obriga a ficar com ele e apenas com ele. Claro, vocês devem aceitar esse vínculo e consumar. Mas depois disso, vocês podem seguir a vida de vocês com outras pessoas ou até mesmo sozinhos, caso queiram.

— Pai! Que vergonha... — Jane gritou quando seu pai falou sobre consumar.

— É verdade, meu amor. — Um riso alegre saiu de sua garganta. Jane poderia ser muita mais velha que ele, mas ainda tinha como a envergonhar.

— Tudo bem. Prossiga. Só... não vamos ter A Conversa. Isso seria demais.

— Claro, deixo isso nas mãos de suas tias Picia e Athy. Nós estamos no mesmo assunto, mas não na mesma linha. — Ele ficou mais sério para a próxima parte. — Eu sei como você está feliz e ao mesmo tempo com medo. É normal quando achamos nosso companheiro. Você fica feliz pela chance de felicidade, mas fica com medo de dar errado, da ansiedade que surge, quando os pensamentos de que tudo dará errado surge. Podemos não ser cem por cento humanos, mas ainda sentimos.

Harry deixou que Jane analisasse o que acabara de ouvir antes de ir para o final.

— Filha, quando você o vê, o que sente?

— Insegurança, questionamento. Mas também uma onda relaxante surge.

— Quando ele te toca, quando ele te beija, como você se sente?

— Seus toques são bons. E eu gosto de beijá-lo. Mesmo firmes, ainda passam uma segurança. Mas não parece inteiramente certo. Entende?

— Claro. Isso nada disso é errado. — Ele a tranquilizou. — Posso dizer o que acredito que seja? — Com o aceno de cabeça, ele continuou. — Charlie desde novo foi solto. Ele namorou muito e tem muita experiência. Ele é extrovertido e aventureiro. Em seu coração não há o medo de experimentar coisas novas. E você, meu amor, é completamente o oposto de tudo aquilo que ele é.

— Então nunca daríamos certo? — Sua pergunta soou preocupada e seus lábios inferiores ficaram presos entre os dentes.

— Calma, não é isso. O que eu acredito que vocês possam fazer agora, é conhecer um ao outro como amigos e explorar a relação "amigos com benefícios". Não tenha medo de perguntar, ele te guiará por todo o caminho. — Vendo que ela ainda estava nervosa, ele adicionou. — E Charlie pode ter enfiado o penis em qualquer ser que tivesse um buraco, mas ele é uma boa pessoa e respeita tudo e a todos. — Sua filha deu um sorriso, mas ainda permaneceu tensa.

— Pai... eu nem sei como fazer qualquer tipo de relação funcionar. E se não der certo.

— Tudo dará certo. Não pense na lógica, haja com o coração. Ele sim saberá o que fazer. E se não der certo, vocês podem permanecer solteiros ou abrir a relação. Tudo funciona, basta termos coragem e dar nossos pulinhos para que aconteça. Eu não deveria falar isso, mas você também precisa se explorar e explorar junto com ele a parte sexual. Não estou dizendo que isso é a base de toda a relação, mas explorando, vocês podem se achar. Não tenha medo de dizer o que quer tentar e o que você sente, eu sei que ele será um ótimo companheiro para você e lidará com paciência por todo o caminho. Qualquer mentalidade que você tenha sobre relacionamentos deve ser esquecida para que possa obter mais conhecimento. Sempre mantenha a mente aberta para tudo.

— Obrigada... Não sabia que precisava ouvir de você.

— Todo pai sabe das coisas. — Ele deu uma piscadela.

Um silêncio surgiu entre eles antes dela fazer a pergunta que a incomodava.

— Pai, por que você citou seu antigo relacionamento?

Pensando cuidadosamente em suas palavras, ele desistiu e abriu o jogo com ela. Jane é esperta, então não funcionaria pisar em ovos.

— Primeiramente, saiba que eu não desgosto de seus pais. Depois de tudo o que eu passei, eles são a minha esperança de uma felicidade, mesma que eu ainda não esteja pronto. — Uma contração de seus lábios foram a dica para Jane entender tudo. E Harry viu isso. — Tendo três companheiros vampiros, eu tenho a eternidade pela frente, mas eu já passei por muito. Guerra, lutas, mortes, dor... Eu não tive uma boa infância e nem uma boa adolescência. Já no começo da minha vida adulta soube de coisas tão surpreendentes que isso me quebrou ao ponto de eu achar não ter mais conserto.

— Pai. Você ama seus atuais companheiros? — A pergunta foi tão direta que até Jane se assustou.

— Não. — Decidiu ser sincero. — Eu não os amo. Coisas do destino que nos colocaram juntos.

— Você acha que isso pode mudar?

— Filha, sinceramente? Eu não sei. — Seu olhar vagou pelo céu mostrado na janela entreaberta da sala.

— Então por que você me diz algo totalmente diferente do que está fazendo? — Sinceramente, Jane não entendia seu pai. Ele facilitava para ela, mas ele mesmo se complicava.

— Menina bonita, meu precioso anjo. — Ele a olhou nos olhos com lágrimas transbordando enquanto uma de suas mãos segurava a mão da filha e a outra acariciava a bochecha pálida de seu querubim. — Todo pai quer o melhor para os filhos. Eu desejo a felicidade eterna para você seja essa qual for. Sempre conte com meu apoio. Mas eu me sinto quebrado, minha filha. — Um soluço escapou enquanto ele se abria por completo com sua filha.

Mesmo amando Hermione, Jane era quem poderia o entender por completo, então era mais fácil se abrir e expor suas feridas, pois ela se tornara sua melhor amiga e confidente.

— No meu mundo, há um conto. O conto dos três irmãos. — A partir daí, Harry contou o conto de Beedle, o Bardo. — E eu, inicialmente, me identifiquei com o segundo irmão. Aquele que desejou ter seus entes queridos de volta e que no final morreu por amor. Hoje, já não penso que sou como Cadmus Peverell.

— Mudou quando conheceu meus pais e descobriu que eles eram seus companheiros?

— Não. Eu ainda me via como Cadmus. Foi quando meu vínculo com você e Alec se formou. Quando eu ganhei mais dois filhos para amar e cuidar, eu me vi como Ignoto. O terceiro irmão. Aquele que no final acolheu a morte como uma velha amiga.

— Acho que pensar assim é bem sombrio, você não acha?

— Meu anjo, eu passei por uma escuridão e vocês, meus filhos, foram minha luz. Mesmo sendo jovem, eu poderia acolhê-la agora, mas decidi por não. Eu ainda quero ver você se arrumar com Charlie. Quero ver Alec encontrando sua companheira. Por fim, quero ver Celine crescer e enfim trilhar seu próprio caminho. E se o preço para isso é aceitar o vínculo com Aro, Caius e Marcus, então assim será.

— Eu quero tanto que dê certo com vocês. Não quero perder nenhum dos meus pais. Você, principalmente.

— Algumas coisas não são para ser. Não sei o que o futuro reserva, mas eu sei o que sinto no momento. E afirmo com todas as minhas forças que meu coração e amor ainda pertencem a Cedric Diggory. Mesmo não tendo casado no papel, por eu ter carregado a herdeira Diggory, Lady Magic me considerou como casado com ele. Sua perda não dói tanto quanto antes, mas eu ainda o amo e não me sinto pronto para permitir que outros entrem. É como se eu estivesse traindo sua memória, nosso amor e mais ainda, a mim mesmo.

— Se o amor é assim, eu não sei se quero amar. — Como uma criança pequena, Jane formou um beiço e se aconchegou em seu pai. Os braços da menina em volta da cintura do pai e sua cabeça escondida em seu pescoço. A pele quente e o sangue correndo pelas veias apenas agindo como um calmante.

— O amor é diferente para cada um. Ele pode ser sua felicidade ou sua ruína. E eu sei que será a felicidade para você, Jane. — O bruxo beijou os cabelos loiros e macios da filha. — Eu sou alguém complicado, com uma mentalidade complicada e um eu completamente desarrumado. Eu preciso me resolver. Há tanta coisa que tenho ignorado ultimamente. Sei que é errado, mas essa bolha que criei aqui se tornou meu Porto Seguro, e não quero acordar para a realidade. Ao menos não agora.

Aquela foi a última coisa que ele falou e Jane decidiu por não acrescentar.

Harry se sentia um pouco mais leve por se abrir com alguém e Jane ganhou mais perguntas, mas também conseguiu as respostas certas que atormentavam sua mente e coração.