A conversa com Jane foi transformadora. Ele se sentia mais em paz e sua filha já tinha começado a trilhar seu próprio caminho.

Neste momento, sua filha estava em uma viagem com Charlie. Harry decidiu pagar uma viagem para os dois. Charlie fora um eterno cavalheiro e Jane saiu do castelo com os olhos tristes por ficar longe da família, mas também com um sorriso nos lábios, demonstrando que aquilo era o que ela queria. Ele realmente desejava que quando voltassem, eles tivessem se resolvido. A felicidade dela era o que mais importava para ele.

Seus colegas de Hogwarts estavam se preparando para o jantar que Harry decidiu preparar, lê se Harry arrumou os cardápios e os elfos fizeram a comida.

A sala estremeceu com as enfermarias e Gabrielle Delacour apareceu a sua frente. Agora ela estava mais alta e seus cabelos mais curtos, estilo Chanel. Seu olhar firme ainda estava no lugar, um rosto totalmente aristocrático, mas dessa vez, um sorriso suave se encaixava em seus lábios pintados de vermelho.

— Harry! Quanto tempo! — Ela correu e deu um abraço apertado no bruxo. Sua força quase o desestabilizando.

— Gabrielle, não sei se você percebeu, mas você é mais alta e mais forte que eu. — Harry riu.

— Bem, herança veela e tudo o mais. — A menina se endireitou e fez um movimento para que Harry a conduzisse enquanto ela ligava seus braços. — Mas me conta. Como está sendo morar aqui? Como são seus companheiros? Eu preciso me atualizar. Fleur disse que não me contaria nada. — Era até engraçado de ver o beicinho que Gabrielle estava fazendo.

— Bem, é tudo diferente, mas eu consegui me adaptar. Não que seja ruim, mas não é aquilo que desejo, entende?

— Claro. Um lar, que você mesmo forma no lugar que o seu coração escolhe é sempre melhor. Mas e em relação aos seus companheiros? Você não me respondeu. Não adianta fugir desse assunto.

— Bem, os reis Volturi tem uma boa reputação, do que vou reclamar? — Ainda assim tentou se esquivar do assunto.

— Não quero saber de boa reputação. Quero saber o que você acha deles. Quero saber como anda seu vínculo... — Gabrielle pausou sua fala espelhando seus passos quando o que Harry disse finalmente afundou em sua mente. — O quê? Reis Volturi?

— Sim...? — Sua resposta saiu mais como uma pergunta.

— Como você não está falando daquelas beldades quando as tem na sua cama? Harry?! — Seu tom aumentou, quase esganiçado.

— Todos que encontram seus companheiros devem agir assim? — Ele perguntou realmente confuso.

Ele sempre levou na brincadeira, mas agora ele estava realmente curioso. Por que todos agiam dessa forma quando ele dizia que seus companheiros eram os Volturi? Para ele não era nada demais. Eram só mais três vampiros como tantos outros.

— O que vocês veem neles que eu não consigo ver? — Na sua pergunta genuína, Gabrielle parou no meio do corredor novamente e se virou para Harry. Seus olhos o analisaram bem, tentando entender se ele estava brincando. Depois de uma longa busca, seus olhos se arregalaram quando percebeu que seu quase irmão não brincava.

— Eles são a realeza! Eles comandam tudo! Eles são os mais velhos e mais poderosos. Além disso, eles realmente são muito bonitos.

— Eu ainda não entendo. O que tem de mais nisso? Há milhares de outros vampiros. A única diferença é que eles detêm o poder de todos os outros clãs. Mas isso conta como alguma coisa?

— Harry, como há pessoas que gostariam de estar no seu lugar... Fazer parte da realeza, qualquer que seja a realeza, é o desejo de muitos. Muitos matariam para fazer parte disso.

— Gabrielle, o que deveria contar não é o amor?

— Irmão, por acaso você quer dizer alguma coisa que eu ainda não peguei?

— Não... seguindo em frente. — Ele voltou à caminhada e em nenhum momento permitiu que Gabrielle voltasse ao assunto. Quando ele a deixou no quarto designado a ela durante sua estadia, ele voltou a falar. — O jantar logo ficará pronto. Mandarei um guarda lhe buscar. Fique tranquila, seu lugar será marcado perto de sua irmã. — Com isso, Harry saiu e seguiu para o seu próprio quarto em busca de Celine. Ele a deixara dormindo aos cuidados de Alec enquanto buscava a mais jovem Delacour.

Harry caminhou entre os corredores. Seus passos já conhecendo o caminho e o levando automaticamente para seu destino enquanto ele pensava, o que tinha feito muito ultimamente.

— Pai? Terra chamando pai.

— Oh, olá novamente. — Ele não percebera que já havia entrado no quarto e estava até sentado na beirada da cama.

— Aconteceu alguma coisa? Já faz cinco minutos que você chegou e se sentou aí olhando para o nada.

— Claro. Apenas pensando em algumas coisas. — Ele não queria admitir, mas ele estava preocupado desde que enviara aquela carta pela manhã. Uma ansiedade tomava conta de seu corpo toda vez que lembrava daquele conteúdo e para quem estava dirigido.

— Se você diz... — Alec sabia que seu pai estava escondendo alguma coisa, mas se era do interesse dele, seu pai falaria sozinho, mais cedo ou mais tarde. Ter paciência era essencial. — Já arrumei Celine.

— Vou trocar de roupa. Só um segundo.

Quando saiu do closet, Alec segurando sua irmã e ele caminharam para a grande sala de jantar. Quando chegaram, perceberam que foram os últimos. Na ponta da mesa, estava Aro. Do lado esquerdo estava Caius e do lado direito estava Marcus. Alec se sentou ao lado de Marcus e Harry se sentou ao lado de Caius, sua filha firme em suas pernas. Quando eles se sentaram, a comida começou a ser servida. Primeiro os Reis, depois a família real seguido pelos guardas mais próximos da família e por fim, seus convidados.

Conversas soltas aconteciam. Harry ignorava firmemente os olhares de Aro, Caius e Marcus. Desde antes mesmo de Jane viajar, eles começaram a lançar aqueles olhares que ele não entendia e tinha medo de descobrir o significado. Provavelmente não era sobre Jane sair com Charlie, já que eles tiveram aquela maldita conversa quando ele fez uma pequena chantagem sobre ele não amar a filha e não querer que ela fosse feliz com o companheiro. Tudo bem, ele pegou pesado, fora um golpe desgraçado, mas ei, ele teve que usar aquilo que tinha, e bem, não era muita coisa. Mas funcionou jogar sujo.

Alec não entendia o que acontecia com seus pais. Uma hora eles brigavam, outra eles se entendiam, até escreveram um contrato, agora estão estranhos novamente. Ele realmente gostaria de ter Jane aqui, mas se ela estava feliz onde estava, então ele poderia lidar com toda essa confusão acontecendo.

O jantar foi calmo e tranquilo, quando eles estavam saindo, cada um de seus lugares, o olhar de Alec pegou o de Gabrielle e os dois travaram no lugar. Harry percebeu aquilo e seus olhos de arregalaram em conhecimento.

— Pela Deusa Brigit!

— O que— Aro teve que se interromper quando sua expressão copiou a de Harry.

Os poucos que restaram, ao perceberem o que estava acontecendo, se retiraram puxando aqueles que ainda não haviam entendido. Aquilo era um assunto de família. Fleur se retirou sabendo que sua irmã lidaria bem com aquilo sozinha.

Harry se levantou com sua filha e saiu puxando seus companheiros para a sala da família. Esse era o momento de seu filho. Se ele precisasse dos pais, mais tarde ele procuraria. Todos os três vampiros mais velhos ainda em choque seguiram o pequeno companheiro automaticamente enquanto a pequena Celine brincava com a corrente que segurava uma aliança no pescoço do pai bruxo.

Assim que a porta se fechou, ele se sentou na poltrona mais próxima à lareira e começou a ninar Celine na esperança de que ela se acalmasse.

Depois de alguns momentos, os três se sentaram e observaram Harry. Cada um com seus pensamentos. Claro, os dos três Reis eram semelhantes, mas o de Harry era completamente diferente.

Assim que Celine se acalmou, Harry fez um forte de almofadas em um dos sofás livres e lançou feitiços para ficar mais macio e uma bolha de silêncio para nenhum barulho incomodá-la, mas para que caso ela acorde, ele ouvir.

Sentado novamente e tentando evitar qualquer tipo de conversa, mesmo sabendo que deveria haver uma, ele suspirou observando as labaredas de fogo dançando dentro da lareira. A única luz vinha dela, então nas paredes podia se ver as silhuetas deles.

— Harry, sabemos que você tem tentado evitar muitas coisas, principalmente falar com a gente. Mas você não acha que já está na hora disso mudar, de você parar de fugir de certos assuntos como uma criança? — Aro perguntou com coragem.

— Aro, nós já assinamos o contrato e eu disse que aceitaria o vínculo, já não é o suficiente para você? — Seus olhos verdes como a grama recém cortada ardiam em fogo. — O que mais vocês querem de mim? — Sua angústia não pôde ser contida de sua voz.

— Harry, se acalme... — Aro tentou se aproximar do bruxo, mas parece que esse movimento não foi bem aceito assim como tentar iniciar uma conversa.

— Não se aproxime de mim! — Sua magia seguiu o sentimento e Aro foi lançando em seu lugar de antes e os três Volturi perceberam que não podiam se levantar. — Não me force a fazer algo que todos nós nos arrependeríamos no futuro.

— Nós só queremos conversar. Entender o que está acontecendo. Nós não merecemos saber o que tanto aflige nosso companheiro? Você não nos deixa te tocar. Só passa um tempo com a gente se nossos filhos também estiverem presentes. Por que você faz isso? Você disse que tentaria fazer dar certo, você nos deu uma maldita chance, mas foge de qualquer oportunidade que temos de ficar sozinhos. — Caius estava com raiva, dor, suas emoções eram conflituosas e ele era o mais cabeça quente, então a paciência era praticamente nula em qualquer momento.

— Aceitando o vínculo e eventualmente o consumindo, nós poderíamos viver bem. Eu já moro aqui no Castelo, moro próximo como essa droga de vínculo existe. Já não está bom para vocês? Eu já tive que sacrificar minha humanidade para virar uma criatura só porque decidi ver meus filhos crescerem e seguindo seus próprios caminhos.

— Harry, por que você diz isso de um vínculo sagrado? O que fizemos para você nos machucar tanto?

— Infelizmente, nosso vínculo não permite que tenhamos outras pessoas. Como eu gostaria de que fosse o mesmo que Jane e Charlie tem. Eu estou cansado. Tá legal?!

— Do que você está cansado? De nós? — Marcus perguntou com a voz grave. — Você parecia diferente na Grã-Bretanha.

— Eu estou cansado dessa situação. Eu não tive um minuto de paz desde que entrei no mundo mágico. Eu pensei que finalmente quando a guerra acabasse eu poderia ter uma vida normal com a minha filha. Mas não, a vadia do destino decidiu foder com a minha vida! — A última parte foi gritada e ele mentalmente agradeceu por ter se antecipado com os feitiços.

— O que podemos fazer para mudar isso? O que você quer que façamos? Qualquer coisa. Diga aquilo que você realmente quer.

— Eu quero que esse vínculo suma. Tá legal? Vocês podem fazer isso para que eu seja feliz?

Aquela fala acabou com os três vampiros. Uma dor aguda atingiu seus corações. O vínculo entre os quatro quase fora quebrado uma vez, eles não sabiam se ele poderia resistir dessa vez.

Ainda presos pela magia do bruxo, eles observaram apavorados quando uma névoa escura cercou seu companheiro e um ser de quase 3 metros apareceu em mantos escuros e um símbolo estranho desenhado na altura do que deveria ser o peito. Parecida uma reta atravessando um círculo verticalmente enquanto os dois estavam dentro de um triângulo.

A escuridão tomava conta de seu companheiro e eles estremeceram com aquilo enquanto a angústia crescia por não conseguir ajudar o mais jovem.

— Quem é você? — A pergunta sussurrada veio do bruxo.

— Eu? Eu, meu querido herdeiro, sou a morte.

Um silêncio atordoado seguido àquela resposta do tal ser seria esperado. Mas ao contrário do comum, Harry se jogou na entidade e chorou.

Tudo o que podia ser ouvido na sala era os soluços incontroláveis do bruxo. Morte, sabendo tudo o que se passava no coração de seu pequeno e jovem herdeiro, envolveu seu manto e sua magia ao redor. Para Harry parecia algo reconfortante, assim como para a pequena Celine, mas para os vampiros, era algo sufocante, angustiante.

Ignorando os três vampiros, Morte levantou o rosto de seu herdeiro e o fez olhar diretamente em seus olhos.

Morte tem uma definição no dicionário. Morte também tem várias outras definições diferentes sejam por como as pessoas a entendem individualmente, seja por como cada religião à retrata.

Quando você morre, Morte toma a aparência que seu cérebro já pré-definiu antes da morte. Para quem não teme, Morte toma a aparência que você se sente mais confortável.

Para seu herdeiro e único herdeiro, Morte não tomou uma aparência para fazê-lo confortável. O laço que os ligava trazia paz ao coração do jovem e assim, Morte não temia deixá-lo louco.

Harry olhou nos olhos de morte e seus olhos banhavam em lágrimas. Era algo tão lindo, tão profundo, tão indefinido e ainda assim, o medo que todos nós humanos carregamos do desconhecido não se fez presente em seu ser.

O bruxo sorriu aguado e se sentindo em casa, fez a pergunta que rondava sua mente.

— O que faz aqui?

— O laço que nos une me alertou. Você precisa de algo e eu estou aqui.

— Eu não sei exatamente o que preciso. — A vergonha em sua voz era audível.

— Você sabe, mas não aceita. Você quer e luta contra isso. Por que você faz isso consigo mesmo? — Morte se ajoelhou no chão e trouxe seu herdeiro para mais perto. Uma bolha de privacidade os envolveu e naquele momento, ele soube que era hora de se abrir.

— Sinto como se estivesse traindo as memórias de meu companheiro. Eu não consigo fazer isso. Eu sei que quero a felicidade, mas não consigo amá-los.

— O que te impede de amá-los? Seu primeiro companheiro deseja que você siga em frente e você sabe disso.

— O que mais me incomoda é o laço que nos une.

— Sei que não é apenas isso, meu herdeiro. Me diga.

— Eu já fui tão controlado. Os mais velhos sempre faziam as escolhas por mim. O único momento em que senti que tinha controle sobre alguma coisa foi com Cedric. Ele me deu aquilo que eu precisava. — Seu coração ardia e ele só queria pôr um fim nisso.

— Seus atuais companheiros já lhe disseram que não comandariam sua vida. Por que ainda se sente assim?

— Porque por mais que eles digam isso, esse vínculo ainda manda em todos nós. Eu não quero isso. Não quero ter que escolher entre ver meus filhos trilharem seu caminho, mas ser amarrado a eles ou morrer e abandonar três crianças. Não consigo...

— Eu quero que você conheça alguém. Talvez ele possa ajudá-lo. Concorda em ao menos ouvi-lo? — Com um aceno afirmativo, Morte se curvou e sua magia se espalhou ainda mais pelo cômodo. Em poucos segundo, um fantasma apareceu.

— E esse é o famoso herdeiro de Morte? O que posso fazer por vocês?

— Meu herdeiro, conheça Vlad III, ou de conhecimento comum, Drácula.

Naquele momento, Harry já sabia quais seriam os planos de Morte. Ele se levantou e se afastou do ser, a traição era clara em seus olhos. O bruxo não podia acreditar que a entidade o forçaria a tal coisa. Era demais para ele.

— Eu já disse. Não vou me vincular a eles. Não há nada que possa mudar isso. Eu te odeio. Você me enganou desde o início!

— Você precisa se acalmar, eu nunca te enganei e não é agora que começarei com isso.

— Então para o que mais ele está aqui senão me convencer a aceitar esse lixo de vínculo? Você me quer infeliz?

— Calma, meu jovem. — Vlad III se intrometeu. — O que está acontecendo aqui, afinal?

— Drácula, meu herdeiro é companheiro dos Volturi. E ele não aceita o vínculo que os une.

— Entendo... — O fantasma estudou o bruxo e assentiu com a cabeça. — Queira se sentar, meu jovem, será melhor. Eu não forçarei nada a você.

Ainda relutante, ele se sentou próximo à sua filha, mas distante dos três vampiros que ainda não entendiam o que estava acontecendo por conta das proteções de Morte.

— A primeira pergunta que quero lhe fazer é, você leu sobre os companheiros? — Recebendo um aceno, ele avisou. — Quero resposta verbais, jovem.

— Sim. — Veio a resposta relutante. Seus olhos queimavam de raiva.

— Você sabe que tais laços são sagrados, independente da criatura?

— Sim.

— Você sabe o que pode acontecer futuramente se você tentar mudar o tipo de laço que os une?

— Sim.

— Pois bem. O que é mais importante para você?

— Celine. — Era a reposta óbvia.

— Você quer se separar cedo de sua filha?

— Não. Mas sei que se algo acontecesse comigo, os avós dela cuidariam bem dela.

— Não sente remorso ao pensar dessa forma?

— Por que sentiria? — Ele se eriçou.

— Você prefere morrer a passar um tempo com sua filha.

— Eu já engoli muito sapo na minha vida. Não vou aguentar mais só porque uma droga de entidade nos uniu.

— Não fale assim de mãe magia! — O fantasma gritou. Mãe magia cuidou dele e ensinou tudo o que sabia. Ele sempre seria grato a ela e sempre a protegeria. — Ela lhe deu magia, ela permitiu que um humano tivesse sua habilidade para conhecer o mundo bruxo. Graças a ela você pôde conceber sua filha. Ela é justa com todos e sabe o que faz!

— E eu vou falar como? Ela está me forçando a uma vida miserável. Você sabe bem o que é isso. Ser enlaçado a alguém onde não há amor mútuo.

— Nós estamos falando sobre seu vínculo e não sobre o meu. Se aquilo aconteceu comigo, mãe magia tinha seus motivos. Ela não quer que seus filhos sofram.

— Bem, ela não sabe o que é melhor para todos. Uma hora ou hora ela erraria. E olha só, justo na minha vez!

Morte apenas observava tudo aquilo. A entidade sabia que Harry não poderia finalmente conhecer seu reino. Havia uma última tarefa para ele cumprir. Quando todas as principais entidades se reuniram quase trinta anos atrás, cada um sabia que o mundo veria seu fim se não interviessem. E Morte veio com a solução. Um guerreiro nascido na guerra que teria o poder adequado para parar com tudo.

As entidades só podiam juntar seus poderes e criar a alma do guerreiro. Morte teria a honra de tornar aquela alma como seu herdeiro. E depois que a criança com a alma do guerreiro nascesse, eles não poderiam fazer muita coisa para intervir.

Naquele momento, as entidades queriam se bater por ter dado o tal do livre-arbítrio para os seres que na terra viviam. Por conta disso, pessoas atrapalharam a vida da criança. A alma tinha o poder adequado, mas não tinha o treinamento certo para o futuro tão próximo. Uma criança, Celine, não estava nos planos das entidades. Cedric Diggory finalmente se declarar para o guerreiro também não estava seus planos.

Morte não queria enganar e nem mentir para o seu herdeiro, mas não sabia o que fazer diante da situação. Foi quando a última opção teve que ser trazida à tona. Isso poderia mudar drasticamente tudo o que fora planejado inicialmente, mas tanto já aconteceu quando não era para acontecer que Morte sabia que deveriam remodelar todo o plano.

Nada aconteceu com Harry de acordo com a regra ou de acordo com o planejado. Talvez se não houvesse tanto planejamento e tantas tentativas de seguir uma linha, tudo desse certo no final. Quem sabe o que o bruxo poderia atrair para o seu caminho...

Morte sabia que Mãe Magia era a única outra entidade além da Morte que deveria estar aqui para o não tão esperado momento, afinal, fora Mãe Magia que colocou tais empecilhos no caminho. Desde o início Morte queria facilitar o caminho do herdeiro.

— Muito bem. — Morte interrompeu a conversa do fantasma com seu herdeiro. — Vlad, eu agradeço por ter vindo, mas acredito que dessa vez, você não possa ajudar.

— Como queira. — O rosto comprimido por não ter conseguido mudar a mente do bruxo. Ele pensava onde o mundo ia parar se houvesse mais com o mesmo tipo de situação que o bruxo.

— Diga à Mãe Magia que eu preciso dela. — Recebendo um aceno do fantasma, Morte se virou para seu herdeiro.

Num piscar de olhos, o fantasma se foi e Harry se virou para a entidade.

— O que você quer agora? — Ele ainda não estava feliz com a entidade.

Morte se aproximou do herdeiro e cobriu-o com sua magia. Um leve ronronar pôde ser ouvido assim que as duas magias se reconectaram. A entidade soltou um som parecido com um bufo ao ouvir os sons que provinham do mais jovem.

— Não pense que eu mudei minha opinião sobre você. — Ele abriu um olho e tentou, mas filhando miseravelmente, intimidar Morte. Logo depois ele tentou se acomodar na magia que o cercava quando outra voz, desconhecida, se fez presente.

— Ora se não é o herdeiro de Morte. — Uma voz feminina surgiu na névoa que cercava a cabeça de Harry.

Harry observou Mãe Magia. Ela era como um fantasma, mas era mais sólida que Vlad e suas cores podiam ser vistas. Cabelos avermelhados caiam por seus ombros e flores adornavam seu cabelo. Ele sabia que se tentasse colocar flores no próprio cabelo parecia que ele tinha caído no meio do jardim e que levantou sem olhar no espelho, culpa do famoso ninho de pássaros dos Potter. Um vestido branco com detalhes em flores chegava aos pés e os escondia, mas quando ela andava dava para perceber que não usava tipo de caçado algum. Se pareceu uma eternidade enquanto ele observava a entidade e sua magia pedia desesperadamente para se ligar à sua mãe, enquanto ele tentava a segurar com todas as forças.

— Você é o motivo de muitas entidades estarem brigando, garoto. — Ela o analisou bem e depois se virou para Morte. — Esse é "ele"?

— Devo admitir que nem tudo saiu como o planejado. Na verdade, nada saiu como esperávamos.

— Bem, seja o que for, precisamos intervir, pelo visto. — O fantasma flutuou ainda mais e numa voz melodramática continuou. — Isso me cansa, Morte. Um dia sumirei de tanto desgaste e vocês sentirão minha falta. — Para enfatizar, colocou as costas das mãos na testa fingindo desmaio.

— Ora, pare de besteiras. Tudo pode ser resolvido rapidamente.

— Que seja. — A entidade observou melhor o local em que estava e sua atenção parou nos três vampiros. — E vocês, o que fizeram para estarem presos?

— Eles, nada. Mas você... — Morte soltou um assobio e fingiu estar analisando o teto.

— Ei! Faz tempo que não venho para o mundo humano, não me culpe.

— Eu não sei se vocês perceberam, mas eu ainda estou aqui. E se vocês quiserem conversar, sugiro irem para sei lá de onde vocês vieram. — A voz do bruxo se tornou presente e enfim as duas entidades focaram nele.

As duas entidades se entreolharam e depois de quase uma eternidade, na mente de Harry, Morte bufou como uma verdadeira criança e se aproximou da bebê ainda dormindo.

— Quando terminarem, me chamem.

— Ah, e Morte, leve esses outros três com você.

— Incrível como tudo sobra para mim.

Quando a sala foi esvaziada, Magia encarou o humano e pensou numa forma de tranquilizá-lo para a conversa. Humanos não eram a sua praia, ela sabia lidar melhor com as almas. Jogando a calmaria e o tato para o alto, ela decidiu ser curta indo direto ao ponto.

— Vlad chegou lhe chamando por muitos termos pejorativos. Eu gostaria de saber o motivo exato? — Um leve arquear de sobrancelha junto à sua fala foi o necessário para fazer Harry se envergonhar.

— Bem, eu só me irritei um pouco com ele. E vamos lá, ele não é alguém muito paciente.

— E pelo que percebi, nem você. — Depois de um momento, ela perguntou se ele estava um pouco mais calmo. À confirmação dele, ela voltou a conversa para os trilhos. — Você sabe o que significa o luto?

A pergunta pegou Harry se surpresa, ao olhar duvidoso dele, Magia explicou.

— Os seres humanos são um tanto complexos. Eu não passo muito tempo com vocês, a complexidade que precisamos entender para lidar com cada um chega a ser exaustivo. — A entidade andou pela sala e seguiu em direção à uma das janelas. — Não me leve a mal, eu gosto de vocês.

— Tudo bem, eu não levei para o coração. — Parecendo satisfeita após dar uma olhada nele, Magia se voltou para a janela e demorou um pouco para continuar a conversa.

— Uma vez eu conheci uma alma, sábia, até me interessei pelas conversas que tínhamos. Numa dessas conversas eu aprendi o conceito do luto para vocês, humanos.

Magia sorriu, lembrando das palavras calmas daquela alma.

— Quando vocês perdem uma conexão afetiva muito forte com algo ou alguém, vocês têm essa resposta emocional de sofrimento. Vocês são pequenos seres, mas que carregam tanto afeto, tanto amor, tanto carinho que quando se perde o laço, vocês se sentem desamparados.

Harry apenas permaneceu quieta observando a entidade tentando discernir onde aquilo o levaria.

— Vocês são tão complexos que cada um lida de uma maneira diferente, mas aprendi que comumente o processo do luto é dividido em partes, como: negação e isolamento, raiva, barganha, depressão e, por fim, aceitação.

A entidade encarou o menino e pensando se iria pelo caminho inicial ou não, decidiu que qualquer outra estratégia não daria certo.

— Você sabe em qual fase está? — Quando ele se recusou a responder, Magia continuou. — Quando você descobriu que esperava uma filha e se viu sozinho, passou pela negação. Você sabia que não o tinha, mas se recusava a aceitar a ideia de que ele nunca mais estaria ao seu lado fisicamente. Isso quase lhe custou sua gravidez.

O menino olhou para a alma novamente e tentou segurar um soluço. Ele passou tanto tempo só no mundinho dele que ele nem sabia mais se poderia sobreviver ao mundo real. Havia tantas coisas que ele ignorava, mesmo sabendo não ser o correto.

— A raiva surgiu no seu quinto ano em Hogwarts, quando ele não estava presente para te ajudar a sobreviver com Dolores Umbridge vagando pelos corredores e distribuindo detenções injustas por conta de seus decretos falsos. Você o culpou e sentiu raiva por isso.

Harry só queria se enrolar na sua cama e fechar os olhos para nunca mais acordar. Lembrar dos momentos mais sombrios custava muito e ele nunca foi bom em administrar seus sentimentos e emoções, Cedric sempre estava ao seu lado para isso.

— A barganha veio quando Yara e Amos te convenceram a vir para a Itália. Essa demorou um pouco mais, mas com a ajuda certa, você chegou lá. Não foi fácil, mas estou orgulhosa por você ter chegado até aqui.

— E agora? — Sua voz soou quebrada e no momento isso não importava.

— Agora, Harry, você está na penúltima fase. A saída está próxima, mas você ainda tem receio de sair. A cada passo que você dá, você mesmo coloca dificuldade no próprio caminho. Você mente para si mesmo na esperança de que isso vire sua verdade. Todas as vezes que você falou que estava feliz pela nova chance de felicidade era o seu coração, mas toda vez que você coloca uma pedra no caminho, é o seu cérebro. Ele lembra de toda a dor que você passou.

Um silêncio caiu sobre a sala. Cada um com seus pensamentos. Magia esperava não precisar seguir um outro caminho, mas vendo a compreensão surgindo aos poucos no rosto do bruxo, ela se acalmou um pouco e deixou que o próximo a falar fosse ele.

— Sinto como se eu estivesse traindo sua memória, mas eu entendo o que você está dizendo.

Não foi preciso citar o nome. Ambos sabiam. Vendo que o caminho ficou livre para trabalhar, Magia finalmente diz o que tem guardado por um tempo.

— Você é fiel aos momentos que passaram juntos, muitos são assim, mas você não pode se prender à um fantasma. Ele sempre olhará para você e sua filha, mas ele não está mais aqui. — Vendo Harry ficar amuado, ela se sentiu mal. — Entenda, Harry, Cedric veio de uma família puro sangue, eles seguem os velhos costumes e cresceram ouvindo de seus pais sobre a forma que eles entendem e respeitam as leis e costumes que eu impus desde o primeiro ser mágico. O pai de sua filha entende que por mais que vocês dois tenham se amado profundamente, há outras pessoas que esperam por você há anos.

— Como você sabe disso? — Uma sombra de esperança e felicidade passou pelos olhos tão verdes como uma grama recém cuidada.

— Meu jovem, todas as almas mágicas passam por mim e eu as levo para a próxima grande aventura.

Com aquelas palavras recém ditas, o jovem pegou rapidamente o que ela quis passar e sorriu, sabendo que um peso estava saindo de seus ombros.

— Obrigado. — Dessa vez, eram lágrimas de felicidade e alívio que escaparam de seus olhos. Magia sorriu triunfante e abraçou o bruxo. Perguntas não eram precisas, não era mais hora para indecisões. Ela ficou feliz, no final, ele só precisava de alguém neutro para entender toda a situação.

— Seu filho precisa de você, vá. — Magia sorriu e com uma força invisível o guiou para a porta.

— Como você-

— Criança, sou Magia, sou uma entidade. Você realmente precisa fazer essa pergunta? — Um sorriso zombeteiro apareceu.

— Esqueça. Onde ele está?

— Onde ele se sentiria mais perto de você mesmo em sua ausência?

— Obrigado novamente.

Com aquelas duas últimas palavras ele se retirou da sala.

Magia sorriu e esperou com paciência pela volta de Morte.

— Como foi?

— Tudo nos trilhos.

— Ele melhorou?

— Está chegando lá.

— Precisou trazer o Diggory?

— Usei apenas o conhecimento de um velho. — Ninguém precisava saber que era um bruxo nem inteiramente do bem e bem inteiramente do mal.

— Que seja... Não adianta mesmo te fazer perguntas esperando respostas diretas.

Morte seguiu seu caminho enquanto Magia ficou por mais alguns momentos.

Seguindo pelos vales até chegar à alma, ela pensou muito sobre o que queria dizer.

— Voltou mais rápido do que eu esperava...

— No final, eu ainda serei uma entidade esperta. Agradeço por seus planos não terem continuado. Uma catástrofe teria sido feita.

— Tentei fazer tudo pelo bem maior, minha querida.

— E veja onde isso quase os levou. Uma guerra que teria dizimado noventa e sete por cento da população mágica e as que sobreviveriam não poderiam gerar uma vida.

— Tom Riddle tinha uma alma enegrecida. Ele veio de uma poção do amor, o jovem estava fadado àquele caminho. Não havia nada que eu pudesse fazer.

— Mentira! Você tinha vários títulos altos no mundo bruxo. Você poderia ter movido alguns de seus "soldados" e tornado melhor a vida dele. Mas seu ódio o cegou.

— E ainda assim eu era considerado o salvador.

— Sim, mas apenas porque soube esconder seus próprios rastros. Você não era inteiramente do bem, seu amante ainda vivo é a prova.

— Querida, você está esquecendo de que ele quem quis iniciar uma guerra antes. Eu apenas o segui.

— Ele queria separar os dois mundos. Isso teria sido bom para os mágicos. Seus planos trariam outra desgraça.

— Você precisa entender-

— Não. Eu não preciso. Agradeça por eu ter conseguido usar as palavras certas para o herdeiro de morte, mesmo que você já as tivesse dito. Se tudo tivesse ido por ralo abaixo, saiba que lidar com seu inferno pessoal teria sido o menor de seus problemas.

Com um bufo quase que indigno, a entidade fez um gesto para que um de seus trabalhadores viesse buscar essa maldita alma que tanto a irritava. Quando estava quase entrando na carruagem para seu próprio destino, o diretor se virou.

— Sei que você usou uma de minhas frases. Você o manipulou. Isso não lhe torna melhor do que eu.

— E tentar se redimir se tornando diretor não torna seus pecados perdoado ou melhor que seu antigo amante. Lembre-se de que eu ainda sou uma entidade e posso fazer com sua alma o que bem entender.

Com um sorriso sádico, ela planejou o que fazer com aquela alma enquanto a citada seguia em frente. Ela odiava aqueles mágicos que se perdiam tanto no personagem duplo e "sábio" que no final trazia apenas dor e sofrimento. Quando ela soube que ele não a ouviria pela distância, ela sussurrou:

— Oh, Grindelwald, que amante você foi arrumar. Sinto muito pelo menino...

Com aquilo, ela seguiu seu caminho para continuar com seus deveres. Com esperança, o caminho seria seguido e tudo daria certo.

Com o passar dos dias, os reis Volturi viram uma grande melhora em Harry. O menino sorria mais, brincava com todos, conversou com qualquer um que estivesse disposto a passar um tempo com ele e o melhor de tudo, ele não mais fugia quando eles se aproximavam.

Ninguém sabia o que havia causado tudo aquilo. De repente o bruxo saiu de seu casulo e um novo brilho surgiu em seus lindos olhos verdes.

Ainda essa semana, mais convidados chegariam, e, de acordo com o que Bill Weasley disse, eram os Malfoy. Harry não quis falar muito sobre eles, mas seu considerado irmão mais velho deu um breve resumo sobre como tinha sido a relação de seu companheiro com o lorde e o herdeiro Malfoy. Não muito podia ser dito da lady, apenas que ela estava carregando o segundo filho.

Nenhum sinal do tio-avô de Harry. Claro que eles entendiam que eles não tiveram uma boa relação, e com razão. Mas eles se preocupavam com o mais jovem. Ele era muito apegado à família e querendo ou não, ele ainda sentia por não estar em contato com ele, mesmo após todos os eventos em sua vida.

Havia muita coisa pendente que deviam ser conversadas e resolvidas, mas eles optaram por deixar que o tempo dissesse o que fazer. Agora, o necessário era tentar dar um passo mais próximo ao seu companheiro.

Alec e Gabrielle se prontificaram a ficar com Celine, provavelmente foram ao jardim, já que a menina amava aquele local tanto quanto o pai. Jane dissera que voltaria no próximo mês. Ela enviou cartas contando sobre suas aventuras e como era a Romênia, onde seu companheiro trabalhava.

Eles até podiam gostar de Charlie Weasley, mas na visão deles como pais, ninguém seria bom o suficiente para a filha. Mas com uma mão firme de Harry, eles evitaram tentar fazer com que Charlie corresse de medo e apenas deu a conversa "se ela chorar, eu te mato".

Todos no Castelo sabiam que o vínculo entre os dois era diferente, mas a cada carta, eles viam que sua menina estava se apaixonando e isso os deixou preocupados. Claro, Harry dissera que Charlie era um bom homem e jamais iludiria Jane, mas eles ainda eram pais protetores e não conheciam totalmente Charlie, então era mais um obstáculo.

Entrando na sala de estar privada, os três vampiros encontraram Harry em pé de frente para a janela aberta. Chegando mais perto, Marcus viu que ele estava de olhos fechados com um sorriso no rosto enquanto cantarolava suavemente uma música que ele próprio já ouvira de sua mãe quando ainda era humano.

O som conhecido por todos os outros três fez com que eles relaxassem e se sentassem cada um em uma poltrona.

Depois do que se pareceram horas relaxantes enquanto apenas alguns minutos se passara, Harry parou a canção, mas o sorriso no rosto permanecia.

Aro não sabia o que fazer e muito menos o que dizer, ele se sentiu no limite.

Caius era o que menos tinha paciência, então ele já estava pronto para falar.

Marcus, sendo o mais controlador e que se mantinha firme, deu um olhar para Caius que o fez ficar quieto à contragosto. O vampiro com a aparência mais velha sorriu e fechou os olhos. Eles sempre buscavam pelo companheiro bruxo, mas já estava na hora de Harry seguir no seu próprio ritmo. Com o tempo, eles se encontrariam.

O tempo foi passando e a paz continuava a mesma na sala. Harry não queria voltar atrás em sua decisão, mas pensamentos conflitantes sempre o seguiram.

— Sabe... Meu tio-avô Charlus era um grande aventureiro...

Os Volturi não sabiam se ele chegaria a algum lugar, mas se seu companheiro se sentia bem para falar sobre sua família, então eles ouviriam atentos e aceitariam tudo o que ele estava disposto a dá-los.

— Depois de anos de aventura, ele voltou para a Inglaterra, sua casa. Ele usou o flú do ministério já que tinha um passe livre por ser de uma antiga e nobre família puro sangue.

Um sorriso ainda maior cruzou seus lábios enquanto se lembrava daquela passagem no diário de Charlus Potter. Depois de uma conversa com Lady Magic, ele conversou um pouco mais com Morte e entrou em contato com Gringotts e Remus.

Tudo era tão novo para ele que a necessidade de ler sobre vínculos, casamentos, uniões de qualquer espécie e acordo não poderia ser negada. Uma memória de Remus o contando como todos os Potter se apaixonaram o fez querer ainda mais descobrir sobre cada um deles. No momento, ele lera apenas os mais recentes. Seu chefe de conta de gringotts ainda procurava, com a ajuda de Remus, os outros diários. Todo Potter conta sobre sua vida amorosa desde o momento em que percebe que o sentimento mais puro e genuíno, o amor, se revelou e seu coração já não pertence mais a si mesmo e sim ao seu companheiro.

Bruxos normais não tinham almas gêmeas, mas os Potter sempre tiveram o dom de encontrar a pessoa mais próxima que evoca tal sentimento.

— Quando ele saiu da lareira, ele perdeu o equilíbrio e caiu no chão derrubando Dorea Black. Ela tinha fama de ser fria e cortante. Sua máscara nunca saindo do lugar.

Realmente, todos os Black's eram iguais. Até Sirius que não gostava de ainda pertencer à família Black herdou alguns dons e costumes de sua família, e ele admitia isso amargamente.

— Charlus se apaixonou na hora sem nem perceber, mas fez de tudo para conquistá-la. Demorou um tempo, na verdade, mais alguns anos. O que ele não sabia era que Dorea já estava completamente apaixonada por ele. Ela demorou a aceitá-lo por ter nascido infértil enquanto o desejo de Charlus era ter uma grande família com ela.

Mesmo sendo os vampiros que se orgulhavam sempre de sua rapidez em pegar palavras soltas, eles ainda não entendiam o ponto disso.

— Claro, quando Charlus descobriu ele a confortou e disse que eles poderiam adotar uma criança ou até mesmo um animal. Mas que quando ele disse que queria uma grande família, ele não estava pensando apenas em crianças. No fim, os dois tiveram um casamento tranquilo e seus considerados filhos eram dragões que eles resgatavam. Todos eles, depois da morte de Charlus e Dorea, foram enviados para a Romênia.

Harry agradeceu por seus companheiros terem ficado em silêncio até o momento. Havia tanto que ele queria falar...

— Já com vovô foi um pouco diferente. Como herdeiro, ele precisava garantir a continuação da linhagem. Portanto, desde cedo ele já estava ciente de qual era o seu dever. Em Hogwarts, ele conheceu vovó Euphemia. Ela era uma aluna transferida. Fleamont podia até estar na casa dos ousados, a grifinória, mas ele não era um leão... Vovó fora quem chamou ele para um encontro e até mesmo antes de firmarem um contrato de casamento, todos já sabiam que ela quem comandava. Fleamont caía de amores por ela, tanto que ele nem percebeu quando foi o início desse sentimento.

E era verdade, Fleamont poderia ser parte da casa vermelha e ouro, mas ele era tímido e nenhum pouco extrovertido.

— A gravidez de Euphemia foi complicada, ela tinha sofrido dois abortos espontâneos antes de finalmente engravidar e ter James, meu pai. Ela não pôde engravidar novamente, mas amor era o que não faltava naquela mansão.

Um sorriso triste percorreu seus lábios ao lembrar de como a vida de sua avó havia sido tão conturbada e como ela precisou de acompanhamento de psicomagos.

— Papai, no primeiro dia para Hogwarts, conheceu mamãe e se apaixonou por ela. Lily Evans não abaixava a cabeça e tinha um fogo que chamou a atenção de James Potter. Mamãe o odiava e sempre esculachava quando podia. Bem, até o último ano deles. Após uns acontecimentos não muito legais, ela se apaixonou por ele e então veio o namoro e não muitos meses depois, o noivado.

Harry terminou o deixou o silêncio seguir. As engrenagens dos Volturi estavam trabalhando dobrado. Eles sabiam que tinha algo por trás dessas histórias, apenas não descobriram, ainda.

— Charlus se apaixonou na primeira queda. Fleamont se apaixonou sem nem ter percebido. James se apaixonou na primeira troca de olhar. — Após um momento, ele percebeu que eles encontraram a chave.

Os três não sabiam o que dizer, mas agora que seu pequeno companheiro percebeu o choque deles, ficaram em silêncio.

— Nenhum deles percebeu quando o amor surgiu, apenas tinham uma especulação. Fleamont até tentou ignorar tudo, mas não foi possível.

— Você está querendo dizer... — Caius não sabia como formular, seu coração há muito morto parecia querer voltar à vida.

Harry se aproximou do vampiro loiro que ainda estava sentado numa poltrona e esticou o braço direito para descansar a palma da mão na bochecha fria do vampiro. Um sorriso genuinamente feliz cruzou seus lábios enquanto seu corpo tremia de antecipação à sua declaração.

— Eu não sei quando, mas percebi que tentei tanto me esconder que comecei a me perder em mim. Agora, que entendo e aceito, posso dizer que me apaixonei por vocês. Não amo, ainda é cedo, mas eu quero explorar o que temos.

— Você está falando sério? — Aro não conseguiu se segurar.

Harry sorriu com o tom de incredulidade. Ele não os jugava por duvidar e querer ter certeza do que ele estava dizendo. Demorou tanto para ele se achar novamente.

— Por que vocês relaxaram imediatamente quando me ouviram cantarolar?

Caius e Aro vasculhavam sua mente em busca da resposta. Marcus entendeu rapidamente e só pôde sorrir de alegria enquanto seu vínculo se expandia.

— Meninos... — Harry riu suavemente chamando a atenção de seus companheiros. — Eu aceitei o vínculo, nós estamos conectados. Como companheiro submisso, tenho o dom de acalmá-los.

— Então isso quer dizer...

— Sim, Caius, minha magia finalmente está mudando para aceitar a criatura companheira de três reis vampiros.

Marcus se levantou e rapidamente puxou seu companheiro para um abraço. Seu olfato se perdendo no cheiro de seu companheiro.

Logo, Aro apareceu atrás das costas do bruxo e deixou seu nariz na curvatura do pescoço liso.

Caius, querendo apenas contato corporal, guiou seus companheiros para o tapete felpudo da sala e se acomodou entre as pernas de seu companheiro com a cabeça apoiada no peito jovem.

Nada precisava ser dito naquele momento. Seu companheiro achou o caminho até eles sozinho e, de quebra, permitiu que o vínculo começasse a se formar entre ambos.

Quando o sol já havia se posto, Aro trouxe a questão.

— Você ainda precisa da nossa mordida para completar o vínculo... — O receio era visível em seu tom de voz.

— Está tudo bem... — O bruxo tentou tranquilizá-lo. — Apenas, podemos esperar mais um pouco? — Ao ver a apreensão em seus olhos e nos dos outros dois, ele se apressou para explicar. — Quero falar com Remus e conversar com Alec antes de tudo. Se pudermos esperar pela chegada dos Malfoy, agradeço. Há muito o que quero discutir com eles.

Agora que entendiam o pedido de espera, eles se acalmaram e voltaram a se acomodar perto de seu companheiro. Nada poderia tirar o sorriso satisfeito de seus lábios.

Assim que selou a carta com sua magia, Harry a entregou para a coruja e a observou alçar voo. Um pequeno sorriso surgiu em seus lábios. Tanta coisa havia acontecido nos últimos dias que ele finalmente sentiu alguns pesos saírem de seus ombros.

Jane voltara de sua viagem com Charlie. O segundo Weasley mais velho não estava presente, o que preocupou os quatro pais. Mas a vampira havia afirmado que ela precisava de um tempo sozinha para assemelhar os sentimentos que tem florescido desde que encontrou seu companheiro. Não muito convencidos, Aro, Caius e Marcus tiveram que deixar de lado após Harry prometer conversar com ela assim que ela se sentisse melhor.

Alec e Gabrielle se apaixonaram tão rapidamente que pegou a todos de surpresa. O jovem casal estava para sair em viagem com destino à França para que se comuniquem e avisem ao concelho veela. Aro fez todas as perguntas possíveis à Gabrielle para ter certeza de que ela não machucaria seu filho, enquanto Harry ria da superproteção, Gabrielle respondia calmamente bem divertida e Alec com uma expressão mortificada tentando fazer o pai parar o interrogatório.

Todos os seus filhos estavam bem, Celine até começara a chamar os quatro companheiros de papai, restava todos eles descobrirem quem ela estava chamando em um momento específico. Chegava ser engraçado como eles se atrapalhavam para fazer suas vontades. Harry viu que sua filha tinha os três reis enrolados em seu dedo mindinho, o que o divertia sem fim.

Depois de mandar suas cartas necessárias, ele mirou seu olhar no sofá e viu os três companheiros à vontade e fingindo não prestar atenção a ele. Pela primeira vez, ele se sentiu sortudo por tê-los. Seu coração se encheu numa calmaria que transbordou em seus olhos. Após piscar para espantar todas as lágrimas, ele se levantou e caminhou em direção à porta.

- Aonde você vai? - Veio a voz de Caius. Por mais que sua voz fosse brusca, Harry sempre sentia um arrepio delicioso em sua espinha. Talvez ele tivesse uma torção pelas vozes de seus companheiros, mas nenhum deles precisava saber disso.

- Estou indo para o meu quarto... - Ele respondeu sem se virar. Parou seus passos por um momento enquanto uma ideia surgia em sua mente. Um sorriso predatório veio com sua pergunta. - Pensei que vocês fossem cavalheiros o suficiente para me levar até a porta. Estava errado?

- Antes mesmo dele conseguir abrir a porta, Aro correu em sua direção e agarrou sua cintura, seus outros companheiros o seguindo com sorrisos maliciosos.

- Ora, se não é nosso pequeno companheiro atiçando o fogo que sabe que não pode ser apagado tão facilmente... - O ronronar do vampiro mais baixo chegou até seus ouvidos e um outro arrepio cruzou seu corpo.

- Eu não me importaria em ser queimado por ele. - Atirou de volta com a uma voz trêmula. Pelo seus dentes à mostra, eles provavelmente descobriram o que efeito que tinham sobre ele.

Desde que aceitara os três e sua magia começou a trabalhar em conjunto com o vampirismo, ele sabia e sentia que não havia volta. Toda noite seu corpo clamava por eles. Sua mente nadava em nevoas imaginando como seria ter aqueles corpos juntos à sua cama. Muitas vezes se perguntou se ele conseguiria gozar apenas ouvindo aquelas vozes. Quantas vezes ele já chegou ao limite com sua imaginação. Harry sabia que não conseguiria aguentar por muito mais tempo. Ele precisava da mordida para concluir a transformação. Vampiros são seres sexuais, então ele precisava afirmar o vínculo com a troca de esperma.

Só de imaginar, ele sentiu sua calça manchar com o sêmen que saia de seu pênis. Uma mão caminhou pela sua frente, dos lábios até seu zíper, a frieza não fez nada para acalmar sua ereção, apenas adicionou mais combustível.

O mestiço nem tentou segurar o gemido, ele já estava completamente entregue ao que seus companheiros pudessem fazer com o corpo dele. A única coisa que ele exigia desesperadamente era finalmente gozar.

- Por favor... - A vergonha em implorar não achei até ele. Era uma necessidade que precisava ser cumprida. Assim que sentiu sua calça ser aberta ele exigiu ir para o quarto, nem pensar que sua primeira vez com seus companheiros seria naquela sala.

Quando chegaram ao seu quarto, ele viu Caius segurar seu pênis enquanto Marcus dilatava seu ânus. Tão perdido no prazer que ele nem percebeu Marcus pegar o lubrificante. Quando o primeiro dedo se instalou, seu gemido de desconforto foi engolido pela língua de Aro. Com certeza ele viciaria em seus beijos.

Os três vampiros eram tão dominadores e preocupados em fazê-lo se sentir bem que ele queria se bater mentalmente por ter demorado tanto.

A língua persuasiva de Aro convidava a sua própria para uma dança erótica que o fez chegar ainda mais perto da borda. Ele se sentia como se fosse um adolescente na puberdade por ter gozado antes mesmo de Marcus adicionar um segundo dedo.

Caius, vendo que seu companheiro ainda estava ereto mesmo após gozar, se ajoelhou na cama e brincou com a língua na abertura do pênis do mais novo. Aquilo lhe rendeu um gemido alto e arrastado. Sendo movido pelo prazer do companheiro, ele começou o boquete querendo experimentar o jato de sêmen que ele sabia vir logo.

Aro soltou sua boca e agarrou seu pescoço arranhando levemente sua veia, ele não resistiu e o mordeu, aquela outra onda de prazer o dominou e ele gozou com força na boca do vampiro loiro.

Era muito prazer para o seu corpo pequeno, mas ele sabia que seu tesão não iria diminuir enquanto a troca de sêmen com seus três companheiros não acontecesse. Era um alívio momentâneo antes de outra onda avassaladora. Seus olhos lacrimejavam por isso. Ele queria finalmente se sentir satisfeitos. Com sua última força, ele tentou avisar seus companheiros.

- Estou queimando, por favor...

Assim que viram melhor o rosto de seus companheiros, o plano de levá-lo ainda mais ao limite se desfez, o vampiro dentro de cada um queria acalmar seu companheiro submisso.

- Está pronto? - Marcus perguntou, não querendo machucá-lo, mesmo já tendo três dedos o tesourando com um pouco do próprio esperma do mestiço.

Ao verem o aceno de seu companheiro, Marcus foi o primeiro que conseguiu se despir e logo lubrificou seu pênis para entrar e sentir o calor tão convidativo do corpo submisso pronto para recebê-lo. Um grunhido animalesco saiu de seus lábios e seu vampiro veio totalmente para dominar o corpo de Harry completamente. Caius segurou a base do pênis de Harry para que ele não gozasse antes do último vampiro que invadiria seu corpo. Assim que Marcus sentiu seu esperma vindo, seus dentes cravaram o pescoço de seu companheiro e deixou um pouco de seu veneno se misturar com o sangue mestiço.

Aro foi o próximo enquanto Caius ainda impedia que Harry gozasse. O em breve vampiro implorava para ter seu alívio enquanto Caius negava veementemente. Harry chorava, todos os seus nervos pegavam fogo com o veneno de Marcus. Uma onda de dor se fez presente assim que Aro também gozou dentro dele fazendo com que seu esperma se misturasse com o de Marcus e o mordeu novamente, dessa vez soltando um pouco de seus veneno.

Caius se apressou assim que Aro tirou seu pênis do ânus de Harry. Ele manobrou seu corpo para se afundar naquele calor enquanto ainda segurava a base do pênis de seu companheiro, Harry só poderia enfim gozar quando ele o mordesse.

O vampiro loiro tentou alcançar seu prazer mais rápido para que aliviasse seu companheiro. Com algumas rápidas investidas, ele gozou e mordeu seu companheiro. Caius soltou a base do pênis, mas permaneceu dentro de seu companheiro para que os sêmens não saíssem enquanto a transformação não fosse concluída.

Todos os três sabiam que Harry queria primeiro conversar com seu Remus Lupin antes de se transformar, mas ele demorou tanto a aceitar o vínculo por completo que tudo aconteceu mais rápido ainda. Não havia poções ou feitiços que acalmasse o que seu corpo sentia. Seu vampiro interior, uma criatura completamente sexual só queria uma transformação completa para que seus hormônios se acalmassem e pudessem administrar o desejo sexual.

Quando o corpo se seu companheiro acalmou os espasmos e sua respiração ficou fraca, eles sabiam que já estava acontecendo, então Caiu pôde sair lentamente e se juntar aos outros vampiros que estavam ao pé da cama, todos nus. Eles não se importavam com isso, apenas ficaram confortáveis observando seu mais jovem companheiro até que o corpo pequeno os avisasse quando chegaria a hora de cada um tocar a pele do mestiço para que o vínculo pudesse ser aberto e estabilizado.