Um novo dia nasceu. Os raios de sol infiltraram as leves cortinas do quarto. A melodia do vento soou calmamente, anunciando um novo começo.

Tudo estava tranquilo, isso era bom. De longe, podia ser ouvido o movimentar do castelo. Era Celine.

Parecia certo. E era certo. É isso que ele sempre desejou. Uma família. Alguém que pudesse o amar, filhos, amigos ao seu redor... Tanto tempo e agora, que finalmente conseguiu, parecia ainda apenas um sonho. Sua ficha ainda não caíra de que realmente estava acontecendo.

Tanta dor, sofrimento, angústia... Agora era só paz, amor, tranquilidade.

Ao tomar coragem, abriu os olhos, logo, se viu preso ao olhar do vampiro loiro. Como ele o amava...

- Está tudo bem, Aro? - perguntou o dito vampiro. Ele fora sua pedra de salvação. Nos braços um do outro, eles se confortaram e dividiram aquele amor crescente. Haviam passado por tanto...

- Estou bem, meu amor. Apenas pensando em tudo. - Ele mostrou um sorriso suave para confortar o outro. - Parece que se eu me soltar e cair ainda mais nisso, eu vou sentir uma grande perda no futuro.

- Não se preocupe, eu te entendo. - Ele pegou na mão do outro tentando passar conforto e todo o amor que sentia. Passou do tempo de estarem sozinhos, eles mereciam o que tinham agora. - Acho que a gente vai se acostumar com o tempo. Finalmente estamos completos, vamos lutar para manter o que temos. - Um baixo rosnado vampírico escapou dele.

Antes de vampiro mais baixo responder, eles sentiram uma ondulação entre eles. A atenção foi focada no pequeno ser acordando. Era hora do resultado, todos estavam ansiosos esperando pelo despertar.

Logo, eles ouviram a porta abrir e o terceiro vampiro entrar no quarto. A bandeja em suas mãos foi depositada em uma mesa próxima para que ele pudesse se juntar aos outros na cama.

Os três olharam em antecipação enquanto o corpo se espreguiçava. Uma mão fina coçou o olho direito enquanto a outra bagunçava ainda mais os cabelos pretos.

Era uma visão e tanto, suas bocas ficaram secas, observando cada detalhe. Beberam ávidos tudo o que estava a mostra, logo pensando na próxima vez.

Quando os olhos finalmente se abriram, eles notaram a pequena diferença. Antes, olhos verdes tão vívidos como uma grama recém cuidada, agora, um vermelho opaco. Se olhasse bem de perto, veria um leve brilho esverdeado por detrás.

Seu jovem companheiro era magnífico, seu corpo esguio com curvas da gravidez de Celine, seus cabelos caindo em ondas desordenadas por seus ombros e uma pele negra que podia ser definida como a cor do café recém torrado.

Agora, seu corpo parecia mais frágil, uma pele ainda mais lisa, mantendo sua cor de nascimento, olhos vermelhos, pequenas presas podiam ser vistas, seus cabelos mais brilhosos, seu rosto ganhou uma mandíbula mais definida, mas ainda podia ser encontrada um pouco da gordura que tinha antes. Sua beleza não podia ser comparada à um deus qualquer, pois não seria digna. Seja quem decidiu criar aquele corpo, ele acertou.

Era uma beldade entre eles. Um sentimento de amor e contentamento surgiu em seus corações e eles agora viram como se apaixonaram sem nem perceberem.

- Vocês vão ficar só me olhando? - a voz suave, quase tímida, os tirou de seus pensamentos libidinosos. Seu rosto estava mostrando todas as suas emoções, mas aquilo não mudara muito. Seu jovem companheiro sempre levou suas emoções na manga.

- Ora, querido, para que timidez agora? - Caius sorriu mostrando suas presas. - Você não parecia nada assim quando nos instigou para seu quarto e gemeu como uma verdadeira vadia tomando toda nossa semente.

- Caius! - O menino olhou horrorizado antes de sentir seu rosto queimar e puxar o edredom para se cobrir por completo. Nessa ação, foi que ele percebeu ainda estar nu, com fluídos do dia anterior. Seu coração trovejou em seu peito quando as lembranças voltaram como uma manada de hipogrifos. Ele gemeu baixo quando viu que as palavras de Caius estavam certas.

- Parece que ele se lembrou. - O sorriso na voz de Marcus era audível. Se ele, o vampiro mais reservado estava agindo daquela maneira, então ele realmente se soltou na cama.

- Não, querido, você não se soltou. Com três vampiros transando com você, sua coerência se foi e você só gemeu implorando para gozar.

Antes que ele pudesse ficar com mais vergonha ainda da fala de Aro, sua mente clicou em algo.

- Eu lembro de provocar vocês e de chegarmos até aqui, mas depois que meu corpo começou a esquentar, comecei a agir de uma maneira que não esperava. E por que vocês não me deixaram gozar no início? Eu estava prestes a explodir.

Quando os três vampiros se olharam, perceberam que uma longa conversa viria. E provavelmente com muitas perguntas da parte do jovem companheiro.

- Venha, amore mio, acho melhor você se alimentar de um pouco de sangue antes da nossa conversa.

Com o tom sério na voz de Aro, ele apenas obedeceu. Depois que ele sentiu as presas retrair, ele se encostou na cabeceira da cama e sem perceber, se encostou ao lado de Caius, aproveitando inconsciente o contato pele a pele.

- Sabemos que você não espera aquilo ao nos provocar, mas quando finalmente pegamos você e provamos do seu gosto, sua criatura interior tomou conta para completar o vínculo. Claro, você ainda estava presente, por isso lembra de algumas partes, mas quem estava no controle do seu corpo, era seu vampiro.

Quando Marcus deu uma breve introdução, ele apenas o encarou e tentou organizar seus pensamentos confusos. Ele não se arrependia de ter dormido com seus companheiros, na verdade, ele vinha pensando bastante nisso e depois de longas conversas com Magia e Morte, ele entendeu sua herança.

O simples pensamento de não estar no controle de seu corpo foi o que realmente o assustou. Ele começou a pensar que seria assim nas próximas vezes e não queria isso.

Agora, podia admitir que estava aos poucos se apaixonando pelos três reis Volturi, mas ele não queria que fosse daquela forma. Ele queria participar ativamente. Lembrar do toques. Das palavras. Ser ele. Uma angústia deu início e logo foi acalmada pelos toques de seus companheiros e pela voz sedosa de Marcus.

- Nada para se preocupar. Sua criatura decidiu tomar controle pelo tempo que levou a você finalmente aceitar tudo. Com tempo, meditação e finalmente a arte que os bruxos chamam de oclumência, você vai conseguir controlar sua criatura e tudo ficará bem.

Uma parte de suas preocupações foram lavadas, mas ainda havia muito o que ser conversado.

- Como somos seus companheiros dominates, precisávamos marcar você primeiro para que o vínculo entendesse que o laço estava completo. Se você viesse antes, a conclusão falharia e teríamos que usar magia para reverter o efeito e recomeçar mais uma vez. - Caius explicou o outro lado da coisa.

- E como vocês sabem o que estou pensando e sentindo? Vou conseguir fazer o mesmo?

- Sim, você vai. Não se preocupe. Não estamos invadindo sua privacidade, mas sentimentos fortes e pensamentos rondando a borda de sua mente são transmitidos para nós para que possamos ajudá-lo. Você vai desenvolver isso com o tempo. - Marcus se aproximou de seu companheiro enquanto o tranquilizava nessa parte. Ser sua privacidade invadida não era de bom tom, e nenhum deles queria que o jovem se sentisse assim.

- Na verdade, o que você sentirá vai ser até mais profundo. Você pode pegar os pensamentos não rasos e sentimentos fracos. Isso, porque você é o submisso e com isso, vem uma grande responsabilidade emocional com sua família. - Aro finalizou.

Família. Era tudo o que ele queria. Ele tentou esconder suas emoções enquanto pensava no que ganhara por completo. Seu coração disparou de tanta emoção. Mesmo tentando esconder como aquilo o afetou, seus companheiros podiam ver seus olhos brilhando de felicidade. É real.

- Eu agradeço tanto à vocês. Por me darem filhos, uma nova família. Tiveram tanta paciência comigo, eu não merecia isso, depois de ter sido tão cabeça dura. - As lágrimas vieram e ele não se importou em esconder.

- Poco... - Os vampiros formaram uma bolha de proteção ao redor de seu companheiro, transmitido tudo aquilo que estavam sentindo. - Nós sabemos da sua história, tudo o que você passou, pelo o que lutou. Entendemos que mesmo que possa finalmente nos aceitar e desenvolver sentimentos por nós, o pai de Celine sempre estará em seu coração. Nós somos gratos à ele, pois foi a primeira referência de amor e família que você teve.

Era inacreditável toda aquela compreensão. O coquetel de emoções que estavam sendo transmitidas para ele.

Os quatro aproveitaram aquele momento e ficaram em silêncio. O vínculo estabelecido e zumbindo entre eles, a prova do que eles sentiam e de que tudo aquilo era real.

Quando percebeu sei estado de nudez naquela manhã, ele ficara envergonhado. Mas agora, mais tranquilo, ele não sentia mais aquilo. Parecia certo. Ele estava gostando do contato. Isso trouxe alguns flashes do dia anterior e ele sentiu seu corpo esquentar.

Seus companheiros perceberam seu estado e nada falaram. Não precisava falar sobre aquilo, era natural. Toques suaves começaram. Uma massagem em seus ombros. Uma carícia em sua cintura. Uma mão firme em suas coxas.

Seu corpo foi relaxando, mas sua magia começou a vibrar ao seu redor, ansiosa para o que viria. Ele estava disposto a se entregar aos cuidados de seus companheiros.

As mãos de Marcus se tornou mais firme em seus ombros, suas costas colaram no peito frio do vampiro. Um ronronar leve pôde ser ouvido enquanto a respiração do outro estava próxima ao seu ouvido.

Aro subia e descia sua mãos levemente na cintura de seu companheiro, sentindo cada centímetro daquele pedaço de pele. A veneração estava clara em seus olhos.

A boca de Caius se juntou às suas mãos na coxa firme. Com um simples olhar mirando nas íris de seu jovem companheiro, uma pergunta silenciosa foi feita. Recebendo o consentimento, ele seguiu caminho.

Mesmo não tendo um companheiro submisso entre eles, Aro e ele ainda conseguiram se divertir e liberar o estresse juntos. Não eram santos nem nada, eles já tiveram seu quinhão de amantes em suas camas, mas de um tempo para cá, algo havia mudado. Provavelmente fora o nascimento de seu companheiro.

Harry podia sentir indo ao paraíso e ao inferno ao menso tempo. A boca de Caius o engoliu por inteiro, sua língua envolveu seu pênis e provocou o prepúcio.

Seu corpo já estava totalmente entregue e disposto a receber o que seus companheiros quisessem dar.

Marcus esticou as pernas e puxou sei companheiro ainda mais para sei colo. Caius dobrou aquelas pernas finas e esbeltas para que ele estivesse na posição de apresentação.

Aro, sabendo o que estava por vir, envolveu sua boca no mamilo direito enquanto seus dedos brincavam com o outro. Naquele momento, sua mente já estava nublada de prazer.

Assim que ele viu o mais novo distraído, Marcus usou seus dedos para alongar seu companheiro, logo encontrando sua próstata e a tocando em todas as vezes. Assim que o vampiro loiro sentiu o pênis inchar, ele envolveu seus dedos na base e apertou.

Um longo gemido sofrido pôde ser ouvido, aquilo os instigou ainda mais.

— Por favor... — Lágrimas escorriam pelo seu rosto, o prazer era tanto que ele só queria gozar.

— 'Por favor' o que? — Caius exigiu. Sua voz dominante saindo mais como um rosnado. Ouvir aquelas palavras daquela boca totalmente pecaminosa era demais.

— Me fode.

Era só daquilo que ele precisava. Marcus tirou seus 4 dedos por um momento e deixou Caius entrar com toda a sua força. Aro tirou sua boca daquele mamilo e engoliu o gemido estrangulado que saiu de seu companheiro.

Caius se sentiu no paraíso novamente. Mas dessa vez, era melhor. Era seu companheiro, não a criatura. Ele tinha tempo para apreciar tudo o que aquele corpo era capaz de dar. O prazer que sentiu envolto daquele calor era inenarrável.

Marcus prendeu Caius com seu olhar e adicionou um dedo ao lado do pênis do vampiro loiro que gemeu pelo movimento deixando tudo ainda mais apertado. Harry gemeu por se sentir ainda mais cheio. O prazer que ele sentiu na boca de Caius não chegava perto de todas as sensações que ele estava sentindo agora.

Quando Marcus já tinha 3 dedos, ele incitou Caius a agarrar seu companheiro mais jovem e se deitar na cama, com Harry o montando.

Antes que ele pudesse perguntar, ele sentiu Marcus colar nele e, aos poucos, seu pênis o invadindo. Uma dor começou no fim de suas espinhas, mas assim que os movimentos começaram, tudo foi esquecido.

Os olhos de Harry cerraram e sua boca, mesmo aberta, não soltava mais gemidos. Um fio de baba escorreu pelo canto, logo ele viu o pênis de Aro na sua frente, uma mão branca guiando sua cabeça.

Agora, ele sabia o verdadeiro significado de estar completamente preenchido. Ele sentiu seu corpo ser usado para o prazer de seus companheiros.

Aqueles pensamentos o fez gozar, se apertando ao redor de Caius e Marcus.

Os movimentos se tornaram ainda mais rápidos, sempre acertando sua próstata, o fazendo gozar novamente. Seu corpo já exausto, vindo duas vezes enquanto seus companheiros nem pareciam estar perto.

Ele podia ouvir as vozes de seus companheiros, mas seu cérebro já não captava muita coisa.

Quando Marcus e Caius finalmente gozaram dentro dele, ele gozou uma terceira vez, seu gemido trazendo Aro para a borda. Sua boca foi preenchida pelo gozo, assim que ele conseguiu engolir todo aquele esperma, seu corpo finalmente desabou.

Um movimentar o fez acordar. Seu corpo não tinha energia para abrir os olhos.

— Relaxe, amor. Estamos levando você para um banho. — A voz era de Marcus, então era ele quem o carregava. O leve barítono o fez relaxar e ele se aninhou naquele peito firme.

Marcus primeiro os levou para a ducha e depois os 4 entraram na gigante banheira que tinha no centro do banheiro. Os sais os relaxando.

Nada foi dito naquele momento, mas não precisava. Agora Harry se sentia inteiro e sabia que o vínculo já havia sido estabelecido.

— Como você se sente? — Caius perguntou preocupado.

— Maravilhosamente bem, não se preocupe. — Ele sorriu abrindo os olhos. — Venham, quero sentir vocês também. — Seu corpo se arrumando ao de Marcus e suas mãos chamando por Aro e Caius.

Os quatro se acomodaram e apreciaram aquele momento de paz e tranquilidade.

O dia havia sido apenas deles. Seus companheiros mais velhos explicaram mais sobre sua natureza submissa e ele logo aprendeu como usar aquilo ao seu favor.

Carícias foram trocadas, gestos de amor, beijos doces e apaixonantes e até um momento de conversa séria e reflexão haviam sido feitas. Todas as partes eram importantes e os aproximaram ainda mais.

Harry conheceu mais sobre Didyme e o passado dos Reis Volturi. Toda a trajetória até o poder desde que se conheceram traziam ainda mais perguntas. Ele ouvia atentamente cada palavra, e aquilo os encantou.

Os reis também aprenderam melhor sobre Cedric, a infância de seu companheiro, sua família bruxa e sobre seu complicado relacionamento, diga-se de passagem – inexistente – com seu tio avô.

Não foram apenas rosas e flores, ouve choro e muitos rosnados prometendo vingança de ambas as partes.

Mas assim como tudo, aquilo teve seu fim. Eles precisavam enfrentar o mundo real, agora que a criatura havia se acomodado e Harry sabia como lidar com tudo aquilo.

Na marca de nove dias, eles se vestiram adequadamente e saíram de seus quartos. Durante aqueles dias, eles não usaram roupas, eram apenas eles e o contato pele a pele era bem melhor.

O dia que eles saíram coincidiu com a chegada de Lucius e Narcisa no Castelo. Por mais que ele tivesse algumas complicações com os Malfoy, era mais com o Lorde e o Herdeiro. Conversando com todas as pessoas que estavam no Castelo que vieram de Hogwarts, ele percebeu que as coisas mudaram, então nada mais justo que dar uma chance para as pessoas que um dia estiveram do outro lado do campo.

Ele estava na sala que receberia a chave de portal com Celine em seu colo. Marcus, uma figura imponente atrás de suas costas. Caius e Aro estavam ao seu lado direito e esquerdo respectivamente.

Na hora marcada, um estalo foi ouvido e ele se levantou para cumprimentar seus convidados. Enquanto seus companheiros recebiam Lorde Malfoy, Harry foi até Narcisa.

— Lady Malfoy. É um prazer recebê-la. — Ele fez uma leve reverência e voltou à sua postura anterior. — Espero que se encontre bem.

— Lorde Potter, agradeço por nos receber. Estou um pouco enjoada, mas nada com o que se preocupar. — Ela fez uma reverência e sorriu para o jovem à sua frente. O que diziam dele não fazia jus à sua beleza. Como ele não tinha pedidos de noivados ainda em Hogwarts estavam longe de sua compreensão.

— Foi a longa viagem? Precisa de uma poção? — A preocupação era audível em sua voz. Ele sabia como era se sentir daquela maneira, por isso odiava todos os meios de transporte bruxos. — Aro, querido, peça para Felix trazer uma poção para enjôo, por favor.

Lucius riu e acalmou Aro. Narcisa escondeu seu sorriso com suas mãos enluvadas.

— Lorde Potter, nada com que se preocupar. Tenho certeza de que você sabe como esses enjôos funcionam na gravidez. — Narcisa deixou que Harry pegasse o resto sozinho. A confusão passou pelo seu rosto antes que a compreensão surgisse.

— Acredito que os parabéns estão em dia. E me chame de Harry, me sinto velho assim. — Ele sorriu, sem saber como agir.

Narcisa vendo a indecisão, apenas o puxou para um abraço e sorriu. Os protocolos que se danem.

— Me chame de Narcisa.

— Já sabem o sexo? — Questionou Caius.

— Não, vamos manter surpresa até o nascimento. Tradição dos Malfoy. — Respondeu Narcisa com um leve bufar.

— Bem, os Black na primeira oportunidade já pediam para os curandeiros dizerem o sexo da criança. Vocês não podem entrar num consenso? — Perguntou Harry, enquanto passava Celine para Aro.

— Diz o meu querido marido que se eu soubesse, na primeira oportunidade já compraria todas as lojas de bebês na Inglaterra Bruxa e mudaria o quarto da criança tantas vezes até que os elfos ficassem loucos.

Enquanto seu rosto de fechava, Lucius acenou desanimado. Quando ele permitiu que Narcisa soubesse que estava a espera de um menino, ninguém aguentou o tanto de compra e as ordem sobre a mudança no quarto do herdeiro. Como estava grávida, sua magia não a obedecia completamente, então a ajuda para esse tipo de coisa era muito necessária.

Os vampiros sorriram, mas logo ficaram tensos. Harry percebeu a mudança e lhes lançou um olhar questionador. Quando não obteve respostas. Ele se virou e percebeu Lucius se aproximando dele.

— Vossa alteza. Acredito que lhe devo perdão pela forma como lhe tratei no passado. Eu não deveria. Como um adulto, deveria agir como tal. — Ele se ajoelhou e abaixou a cabeça, enquanto sua mãe direita descansava sobre o peito esquerdo.

Harry olhou para aquilo com olhos arregalados. Eles tiveram suas desavenças e suas batalhas, mas tudo estava no passado, e ele estava disposto a deixar daquela forma.

— Levante, Lorde Malfoy. Eu aceito suas desculpas. Não devemos viver pensando no passado. Já foi. Estávamos em lados opostos da guerra, então eu compreendo algumas coisas. — Harry relaxou quando o homem se levantou. — Devemos usar o passado apenas como aprendizado. Me chame de Harry.

— Você me honra, Harry. Me chame de Lucius, por favor.

Com aquilo fora do caminho, eles saíram da sala e encontrarem o primeiro vampiro que os cruzou no corredor. Caius logo deu uma ordem.

— Santiago, leve Lorde e Lady Malfoy para o quarto designado à eles. Faça um tour e deixe alguém próximo, caso precisem de mais alguma coisa. — Se virando para o casal, ele continuou. — Espero que se acomodem bem. Pode parecer um Castelo velho mas ele está bem atualizado. Logo um elfo se apresentará para vocês, o jantar é as 19:00.

— Agradecemos por tudo. — Ambos se curvaram e seguiram o vampiro que logo começou o Tour. Assim que Harry percebeu que estavam longe que nem Santiago pudesse ouvi-los, ele se virou para um outro corredor.

— Acredito que precisamos de uma conversa. — Sem lhes dar escolha, ele seguiu aquele corredor e encontrou Chesea. — Querida, você pode levar Celine até Luna, por favor?

— Claro. Venha princesinha. Vamos nos divertir.

Harry achou o escritório que tivera a conversa com mãe magia e entrou, deixando a porta aberta para seus companheiros. Quando se acomodaram, ele estudou os três à sua frente.

— Qual é o problema de vocês? O que aconteceu?

Os três vampiros mais velhos se encararam, todos sabendo o que era mas ninguém querendo ser o primeiro a colocar aquilo em palavras.

— Ouçam-me. Vocês já me esconderam algo e perceberam como não foi bom. Ou vocês me contam, ou uso esse laço para descobrir.

— Durante esses dias, que nós transamos, — Aro parou e coçou a garganta. — Não usamos nenhum tipo de proteção e, bem, você sabe...

Harry os olhou, achando incrível. Os três dormiram seu corpo e ficavam excitados com simples palavras na cama e agora estavam envergonhados. Ele parou para pensar no que dizer. Ele não falou aquele pequeno detalhe e agora se preocupou como seus companheiros reagiriam.

— Não se preocupem, se estão com medo de outra criança, não há o que temer. — Seu sorriso ficou nervoso. — Depois de Celine, sabia que não queria correr o risco de outra criança. Então fui até Gringotts e fizemos um ritual que congelaria meu útero.

Um silêncio percorreu a sala. Certo, isso era algo que eles deviam ter conversado bem antes, sabiam disso.

Caius foi o primeiro. Ele relaxou e sorriu de leve.

— Estou aliviado. Não que eu não goste de crianças, pelo contrário. Me divirto com Celine e Teddy, mas não acho que estejamos prontos para outra vida completamente dependente de nós.

Harry, em seu estado pensativo, rolou as palavras de seu companheiro por sua mente antes de sorrir nervosamente.

— Não se preocupe, nós pensamos como Caius. Só ficamos tensos quando mencionaram gravidez.

— Como Aro e Caius disseram, estou bem com esse arranjo. Celine é nossa filha e, por mais que sejamos bons em cuidar dela, não acreditamos estar prontos ou até mesmo querer outra criança.

Quando seus companheiros finalmente o tranquilizaram, Harry conseguiu respirar corretamente.

Agora, na realidade, ele via como eram diferentes dos livros que lera. Como ele aprendeu no quinto ano em Hogwarts, enquanto Dolores Umbridge era professora de DCAT, os livros não contam a realidade, eles mostram a porcentagem maior.

Vinha muita coisa em ser submisso, na verdade, todas as decisões estavam em suas mãos. Os vampiros tem aquele 'quê' de família, procriação, mas os seus eram diferentes.

Mãe magia estava certa, como sempre. Todos os companheiros se completam. Ela jamais colocaria alguém como seu companheiro de vida que tivesse uma visão diferente da dele.

Quatro corações que batiam num só ritmo. Os mesmos desejos. A compreensão, o carinho e o amor dominaram seu ser e ele retribuiu em dobro tudo o que sentiu. Seu vínculo zumbindo feliz.

Harry havia se reunido com Lucius alguns dias depois. No jantar da chegada dos Malfoy, o assunto sobre títulos e deveres no mundo bruxo surgiu. Harry, tolamente, pensou que poderia fugir de tudo aquilo. Lucius veio com duras verdades e agora estavam conversando, transpassando o básico.

— Então, mesmo que eu seja companheiro dos Reis Volturi, que são vampiros trouxas, eu ainda serei chamado de Consorte Volturi no mundo bruxo? — Lucius acenou afirmativamente, até aí, tudo estava bem. — Mas em reuniões do Wizengamot deverei ser chamado de Lorde Potter? — Outro aceno. — E se eu estiver resolvendo os negócios da família serei chamado pelo nome dono daquele assunto? — Mais um aceno. — Então eu sou Lorde, mas se em algum momento for apresentado após meu tio avô serei dirigido por Herdeiro?

— Correto. Parece que você pegou o básico.

— O básico? Você está louco? Estamos aqui faz quase duas horas, eu ainda estou confuso em relação aos títulos e você me diz indiretamente que tem mais? — Não, não foi um berro indigno como um banshee, mas ele estava verdadeiramente horrorizado com o que poderia vir.

— Isso é o de menos, Harry. Você ainda nem começou as aulas de etiquetas. — Lucius negaria veemente se alguém dissesse que ele estava se divertindo do pavor crescente no rosto do jovem. Ele já havia passado por aquilo, sabia como funcionava.

— Etiqueta? Me diz que não é Narcisa. Gosto muito dela, mas ela me assusta. — Já não era pavor, era um medo real.

— Eu poderia guiar a atenção dela para isso, mas não, as mãos delas já estão cheias, por mais que eu adorasse ver o seu desespero. — Era deveras divertido ver as emoções do jovem. — Mas por agora, você não participará desse tipo de reunião, então não há pressa. Se você se sentir mais à vontade, Lady Diggory. Ou Madames Sulpicia e Athenodora podem te ajudar, quando chegarem de viagem, por serem parte da corte, saberão melhor como consuzi-lo.

Aquilo o acalmou um pouco. Mas não completamente. Ainda havia muita coisa.

— Eu estava pensando... — O jovem mordeu os lábios e olhou para baixo. Não sabia como abordar aquilo. — Você estudou no mesmo tempo que meus pais. E eu também sei que você e minha mãe fizeram parte do mesmo grupo de estudos... — Era difícil tocar naquele assunto. Remus falou pouco sobre seus pais, ainda doía no lobisomem por ter perdido toda a sua matilha de infância. Ele também não sabia muito sobre Lily.

— Você quer ouvir histórias e se sentir mais perto das memórias deles... Eu entendo. — Lucius suavisou sua expressão. Ele já estiveram daquele lado. — Perdi meu pai muito cedo, então passei muito tempo conversando com Orion e Tom, ambos estudaram com ele. — Ele fechou os olhos e suspirou. — Sabe, há algo que eu nunca contei para ninguém, nem mesmo Narcisa, mas você é uma parte muito importante.

— Em que sentido? — Aquilo ele realmente não entendia e tinha até medo.

— Meu pai suspeitou que Tom e Lily pudessem ser familiares próximos, ele só não esperava que fossem tão próximos.

— Ele falou sobre isso com mais alguém? — Harry indagou.

— Não. Ele confidenciou à mim. Apenas. Harry, você tem que entender uma coisa, isso vem bem antes de até mesmo seus pais. Houve uma grande batalha, eram dois lados. O lado considerado da luz, liderado por Albus Dumbledore; E o lado considerado das trevas, liderado por Gellert Grindelwald.

— Nós estudamos isso em Hogwarts. Dumbledore venceu o duelo e então Gellert foi preso em Nurmengard.

— Assim que a história conta. Meu avô estava presente na época, estava ao lado de Gellert. O duelo não foi o que você imaginou dos livros, Dumbledore venceu, sim, mas porque foi covarde. Os dois se conheciam desde jovens e por serem tão próximos, fizeram um voto inquebrável. Eles não lutaram contra si. Ninguém sabe o que houve, Dumbledore ergueu uma barreira para que não pudessem ouvir o que era falado. Depois de algum tempo, Gellert se rendeu e Dumbledore o desarmou.

— Nenhum deles foi questionado sobre o que foi discutido? Haviam tantas opções de fazê-los falar.

— Não. Após aquele encontro, o mundo voltou a ter paz, então muitas coisas que deveriam, não foram questionadas.

— Seria bom um desfecho verdadeiro para toda essa história. Quem viveu, devia saber da verdade.

— Eu concordo, mas não aconteceu. Anos depois, perto da formatura do meu pai, ele descobriu algo, ele citou, mas disse que precisava terminar uma última pesquisa antes de me dizer, mas não deu. A varíola de dragão o matou antes mesmo de me dizer qualquer mínima palavra sobre sua pesquisa. Seus diários se perderam e nunca mais soube de uma palavra.

— Deve ter sido um golpe e tanto para você.

— E foi, mas isso não é muito útil agora.

— Mas... O que eu tenho a ver com toda essa história? — A dúvida ainda permanecia.

— Quando os herdeiros chegam em Hogwarts, eles já vão preparados para procurarem por alguém. Os pais já explicam sobre os contratos de casamento e ao decorrer do primeiro ano, corujas são trocadas conversando sobre futuros pretendentes. Alguns pais já criam contratos antes mesmo na criança nascer. — Harry olhou horrorizado para as palavras do bruxo.

— Mas... Como? Tudo no seu tempo. A criança precisa ser criança! E se eles não se gostarem, o que vão fazer?

— É por isso que alguns desses contratos podem ser quebrados facilmente. Mas apenas se o herdeiro já tiver alguém.

— E você foi qual caso?

— Eu já tinha um contrato antes mesmo de estar na barriga de minha mãe. Havia um contrato entre as famílias Potter e Malfoy, onde suas famílias seriam prometidas.

— Ainda está ativo? — Aquele pensamento o assustou, ele não queria aquela vida para sua filha.

— Acalme-se. Ele foi quebrado. James e eu fomos praticamente criados juntos, já sabendo de nosso destino. — Um sorriso surgiu em seus lábios, eram boas memórias.

— Você gostava dele? Do meu pai? — Harry mordeu os lábios vendo as expressões nuas no rosto do sênior.

— Eu o amava. De todo o meu coração. Ele retribuiu, pelo menos no começo. Até que começamos Hogwarts. Tudo estava bem. Até ele conhecer Lily, tudo foi por água abaixo. James mudou completamente e em um momento, havia declarado que eu era seu inimigo.

Um silêncio pesado soou entre eles. Aquilo doía.

— Eu corri atrás, fiz tudo o que podia. Cogitei que a culpada era Lily, que ela tinha enfeitiçado James. No nosso último ano, fizemos parte do mesmo grupo de estudo para os NIEM'S.

— E você viu algo? — Ele tinha medo de que sua mãe tivesse feito algo, ele não sabia se poderia perdoa-la.

— Vi que ela estava completamente apaixonada por ele, e ele até retribuiu o afeto. Eu queria saber o motivo dele ter mudado comigo, mas não queria correr o risco de machucá-los, então tentei seguir em frente. Conheci Narcisa e nos casamos. Inicialmente por contrato, mas depois vimos que eram muito parecidos e nos apaixonamos.

— Você foi feliz?

— Eu sou feliz, Harry. Eu não me vejo ao lado de outra pessoa, por mais que eu ainda ame James. Quando eu te conheci, eu só conseguia ver o que havia perdido com o homem que havia desperto sentimentos mais amorosos em mim. Fiquei com raiva, agi de uma forma grotesca e quase te machuquei.

Harry se aproximou do homem mais velho e o abraçou. Ele não sabia como consolar alguém, principalmente alguém tão ligado à sua história. Por Mãe Magia, ele poderia ter sido filho de Lucius. Aquele pensamento o fez franzir o cenho.

— Não acho que gostaria de Draco como irmão, ele é muito mimado.

Sem esperar, aquilo trouxe um sorriso no rosto de Lucius e um leve bufar imaginando como os dois se dariam.

— Realmente, a mansão seria destruída com seus duelos.

— Não tenho culpa do furão ter se autodeclarado meu rival.

— Oh, sobre isso. Preciso dessa história. Draco não me disse muito.

O dia transcorreu com Harry ao lado de Lucius falando sobre suas lutas mesquinhas com o herdeiro Malfoy. Lucius se divertiu em cada uma delas.

Ao cair da noite, Harry sentiu o vínculo e chamando, ao lançar um rápido feitiço, viu que já estava na hora do jantar. Os dois homens se levantaram e seguiram pelos longos corredores até a sala de jantar.

— Então, Harry... — Lucius continuou caminhando, como um verdadeiro Lorde, era como se aquele corredor o pertencesse. — Você me perguntou sobre Lily, mas sempre desviou quando mencionei Tom. — Ali, ele percebeu que Harry vacilou em seus passos. — Permaneça firme, costas retas, passos decididos, não deixe suas emoções à mostra. — O repreendeu.

Levou um tempo, mas Harry se recompôs. Enquanto organizava as palavras em sua mente, ficou quieto e seguiu o comando de Lucius. Quando se sentiu pronto, ele parou e esperou que Lucius o encarasse.

— Não me sinto pronto para falar com ele ou até mesmo sobre ele. Mesmo sabendo de que tudo sobre o passado dele foi, de alguma forma, influência para o que ele se tornou...

— Um ser incapaz de emoções, a não ser a raiva. Alguém que foi indiretamente responsável pela morte de Sirius Black, seus pais e vários outros inocentes. — Lucius concluiu. Ele entendia o ponto de jovem. Não iria o jugar, mas sabia que era preciso que ambos conversassem. — Harry, não quero te forçar a nada, longe disso, mas seria bom ambos terem uma conversa de adulto. Claro, isso não passa um apagador no passado, mas às vezes pode trazer paz pro seu coração.

Eles ficaram em silêncio, ainda parados no corredor. Lucius sabia que se as pessoas conversassem, muitas coisas seriam resolvidas com calma e sem rancor. Ele não queria que Harry cometesse o mesmo erro.

— Meus pais não estão mortos. Pelo menos, nas palavras dos goblins e baseadas em um teste com meu sangue. — Harry tocou pela primeira vez naquele assunto. Ele não sabia o que sentir com isso, seu coração estava desamparado.

Lucius parou de respirar com aquilo. Seu cérebro parou para processar. Sua magia se tornou selvagem por um momento. Ele não podia acreditar nas palavras do outro. James e Lily estavam mortos. Seus corpos foram encaminhados para o DMLE. Após a perícia, eles foram enterrados em Godric's Hollow.

— Impossível. Não pode ser real. — O choque era visível em seu rosto.

— Não sei se eu queria que isso fosse mentira. Já não sei o que sentir de acordo com isso. — Ele respirou fundo, já pronto para embarcar numa breve explicação. — Quando eu fui aos Goblins para saber o que havia comigo, eu tive que fazer um teste. Aquele dia passou por mim e nem pude perceber. Entre restaurar Tom, descobrir nosso laço familiar, meus pais vivos, estar grávido de Celine... Foi um choque.

— Harry, porque não contou a ninguém? Poderíamos mandar uma buscar, eu não sei. — Lucius ficou tenso.

— Eu já disse! Era muita coisa para lidar e... — Ali ele soluçou, seu peito apertado e as emoções um furacão. — Eu neguei, neguei e neguei. Até que por um momento eu acreditei naquilo. Acreditei que era um erro dos goblins. — Ele tentou mostrar um sorriso, mas não deu certo, saiu como uma careta. — Mas isso me pesa. Tive uma infância conturbada, uma adolescência mal vivida e o início da fase adulta já está dessa forma...

Lucius se aproximou do jovem e o abraçou. Assim como Harry havia feito com ele quando falou sobre James. Agora, ele viu. Foi certo vir pra cá. Ele precisava falar com alguém sobre James e isso abriu espaço para que o jovem confiasse nele sobre seus pais.

— Shh... Respire fundo. Acompanhe minha respiração. — Com esforço, aquilo foi seguido. E logo os peitos colados um ao outro seguiram o mesmo ritmo.

— Me desculpe. — Harry deu um passo para trás e enxugou as lágrimas derramadas. — Acho que precisamos ir.

— Harry, por favor... — Lucius tentou impedir.

— Lucius, não vamos falar sobre isso, pelo menos não agora. Eu só quero me acalmar e jantar com minha família.

— Tudo bem. — Disse a contra gosto. — Mas me diz que vai pensar sobre falar com Tom.

— Eu vou. Vamos? — Ele deu um sorriso aguado, esperando que o homem seguisse suas palavras.

Com um aceno, Lucius estendeu o braço para o mais jovem, que logo enroscou seu braço. Eles caminharam lentamente, cada um com seus pensamentos. Mas seus corações sabendo na confiança que surgiu ali.

Sua mente voltou ao tempo que passou com Lucius. Seus companheiros estavam resolvendo assuntos importantes com outros clãs, então agora ele tinha um momento sozinho. Celine ainda estava com Alec e Gabrielle. A veela estava apaixonada pela criança.

Decidido, decidiu mandar uma carta para Tom Riddle. Não sabia se estava pronto, mas sabia que era preciso.

— Amor? — O homem bocejou. — Que barulho é esse? — Ele sentou na cama e esfregou os olhos.

— É uma coruja. — O outro homem abriu a janela e deixou a coruja pousar em seu braço. Pegou a carta estendida pela coruja e deu um mimo para ela.

— Quem mandou?

— Vou descobrir agora. Volte a dormir. Não deve ser importante.

— Tolice, Tom. Se chegou a esse horário, então é sim importante. — Severus se levantou e se aproximou do marido.

Tom não percebeu o movimento. Enquanto lia a carta, um misto de sentimentos foi invocado. Não sabia o que sentir. Era uma escrita rápida e direta. Mas verdadeira.

— Tom?

Ele não respondeu, apenas o entregou o pedaço de pergaminho e se sentiu na beirada da cama.

Um silêncio percorreu todo o quarto. Tom não sabendo o que fazer e Severus tentando entender o conteúdo da carta.

— O que eu faço? — Tom murmurou, perdido em pensamentos.

— O que você vai fazer?! — Severus exclamou. — Acredito que precisamos de uma chave de portal para Volterra.

— Severus... — Disse cansado. Uma carta o fez se sentir exausto. — Não sei se quero ir.

— Eu não estou perguntando se você quer ir. Você vai. Nós vamos. — Severus guardou a carta e pegou pergaminho e tinta, com um pedido já pronto em mente para uma chave de portal. — Você não vai fugir disso. A chance de tentar arrumar toda essa coisa do passado finalmente surgiu.

Quando a carta foi enviada, Severus voltou para a cama com o marido.

— Sev, amor... Ele quem não quis ter contato. Por que justo agora? — Não ia negar aquilo o atingiu. A dor que sentia sobre o passado era imensa. Toda a crueldade feita por suas mãos, o dilacera agora.

Quando soube que Lilian Potter era sua sobrinha, e que foi morta pelas suas mãos, ele pensou que se perderia na loucura novamente.

Era o legado de Slytherin, família em primeiro lugar. E ele quebrou aquilo. Matou o próprio sangue e torturou outro. A dor que havia causado ao menino nunca poderia ser perdoada.

Quantas vezes ele pensou em ir atrás e conversar, pedir perdão e ajudar de todas as formas possíveis. Quando o menino decidiu que não queria ter nada a ver, ele deixou. Estava no direito dele. Tentou viver com aquilo. Agora, que recebeu uma chance, não sabia o que fazer. Se sentia perdido.

— Vai ser estranho...

— Claro que vai, Tom. Mas quando você fugiu de uma batalha? — Severus beijou seu marido. Aconchegados nos braços um do outro, procuraram relaxar.