Harry gostava das pessoas no castelo, seus companheiros de Hogwarts, sua nova família e amava incondicionalmente sua filha. Mas agora, conversando com seus amigos depois de um tempo, relembrando suas aventuras em Hogwarts e os bons bocados que já haviam passado juntos, era sem igual. Ter uma filha numa idade tão jovem consumia ainda mais de seu tempo. Ele não tinha família de sangue que pudesse apoiá-lo, mas os Diggory foram maravilhosos para ele. Ele teve que crescer rápido demais devido à sua história de vida, mas isso não era sinônimo de maturidade e responsabilidade. Tudo o que ele queria era ter tido uma infância tranquila, com pais amorosos, uma escola sem tantos perigos e ter sua primeira paixão como qualquer outra criança normal.

Ele não estava orgulhoso de como quebrou diversas regras e leis. Como teve que pensar mais no bem da população bruxa no que nele mesmo. Ele não devia ter que passar por isso, mas foi o que a vida jogou em cima dele.

Hoje ele entendia que as coisas aconteciam porque tinham que acontecer. A maldade humana estava sempre à espreita. Entender é uma coisa, gostar é outra. Então mesmo com uma carga tão pesada em seus ombros, ele sentia no direito de desfrutar desses raros momentos com seus amigos mais próximos. Aro estava resolvendo seus assuntos que não poderiam mais ser adiados e Caius estava com Celine e os Malfoy fazendo-se sei lá o que esses pomposos fazem. No momento era apenas Hermione, Ron, Marcus e ele conversando. Harry já havia contado um pouco de sua história para seus companheiros, mas sempre ficava um detalhe de fora.

- Aquele soco foi lindo, Mione. – Harry riu da expressão de vergonha que passou pelo rosto da amiga.

- Foi só uma vez, meninos. – Mesmo com vergonha, havia um toque de presunção em sua voz.

- Uma vez foi o suficiente para ele não mexer com você. – Ron riu da namorada e se juntou ao amigo dando motivos mais do que o suficiente de que ela poderia ter feito pior.

- Tudo bem. Eu admito, foi um soco bem dado, e o bastardo merecia. – Ela admitiu e se virou para Marcus contando sobre toda a confusão com os Malfoy no final daquele ano. Lucius não conseguindo que Bicuço fosse morto e consequentemente ele indo até Dumbledore o acusando de sumir com a ave e querendo que os "animais" que haviam machucado seu herdeiro fossem expulsos da escola.

- Conhecendo Lucius agora, não parece que ele já foi assim. – Marcus riu um pouco. Ao longo dos anos ele aprendeu que as pessoas podiam mudar drasticamente, mesmo em um curto período do tempo. Mas pelas histórias e conhecendo cada um pessoalmente, ele percebeu como toda a situação os fez crescer e mudar suas atitudes.

- Oh, muitos mudaram. Os Malfoy principalmente. – Harry concordou pensando na surpresa que teve com a chegada das pessoas no castelo. – A vida nos ensina muitas coisas. Toda essa situação que o mundo bruxo passou nos últimos anos fez com que pensássemos e valorizássemos cada pessoa ao nosso redor, cada tempo que temos.

- Exatamente. Houve muitas vezes em que não imaginei sair viva de alguma situação, então sou grata por chegar até aqui. – Hermione completou Harry e juntou suas mãos, como em conforto.

- Sabe, Marcus, vocês são vampiros, tem seus dons, são poderosos e podem se curar com uma facilidade impressionante. Mas nós, bruxos, ainda somos humanos, então quando passamos por uma situação que parece ser impossível de sair bem, passamos a valorizar mais a vida. – Ron estendeu sua mão para segurar a da namorada e focou toda a sua atenção em Marcus e no que ele queria passar. – Nós, humanos com um limite de tempo aqui na terra, aprendemos a viver intensamente nossa vida. Não agindo como se fosse o último dia de nossas vidas, mas sempre pensando que cada ação, cada palavra nossa pode ser nossa última.

Hermione sorriu para o namorado e os três amigos ficaram aproveitando a companhia e compartilhando o calor entre si. Harry já sabia que não era tão humano quanto seus amigos, e ele não queria pensar no futuro agora. O que Ron disse se encaixou como uma luva. Ele não ia se preocupar e lamentar o futuro agora. Ele precisava viver o hoje e viver bem com as pessoas ao seu redor. Ninguém sabe o dia de amanhã, ninguém sabe o que acontecerá nos próximos segundos. Foi isso que eles aprenderam nesses anos. E é esse conhecimento que ele vai carregar para a vida.

Marcus observou os amigos com uma certa melancolia. Ele era feliz como vampiro, o vasto conhecimento que conseguiu por todos esses anos era algo que ele não trocaria. Ele estava satisfeito com a situação. Mas desde que esses bruxos chegaram em sua vida, invadindo o castelo e o tirando de uma bolha que não saía a anos, ele percebeu o ponto de vista humano sob a vida. Entendeu o motivo de fazerem tudo tão intensamente. De se apaixonarem e já idealizarem uma vida inteira com a pessoa. Agora ele entendia.

- Então o terceiro ano foi basicamente salvando duas vidas usando um vira-tempo dado por uma professora? – Marcus perguntou suavemente, não querendo estourar aquela bolha rudemente.

- Professora McGonagall me deu quando viu que eu não conseguia escolher apenas três aulas extras. Eu queria fazer todas, então ela me ajudou com isso. E foi só por esse pequeno detalhe que tivemos a sorte de salvar Sirius e bicuço. – Hermione contou. – Mas hoje já não existem mais vira-tempo. Pelo menos não conhecidos publicamente. O ministério deu fim a todos os eles.

-Seria interessante usar um agora, se pudéssemos ter a chance de mudar toda essa bagunça que aconteceu nos últimos anos. – Ron comentou de leve. – Vocês usariam novamente?

- Eu não usaria. Acho que cada coisa que aconteceu teve um motivo. Não estou romantizando toda a dor que a gente passou, mas o que a gente passa é consequência, tanto do que a gente faz quanto do que outras pessoas fazem. Assim é a vida. – Harry respondeu ao amigo e se virou para se aconchegar em Marcus, sentindo uma certa angústia com toda essa conversa.

- Sabe, depois de todo esse acontecimento eu me perguntei diversas vezes sobre uma coisa. – Hermione ignorou a conversa sentimental para contar o que a vinha fazendo se questionar diversas vezes. - O que a gente fez, vendo nossos outros eu, foi quase como ver nossa linha do tempo, mas nós já tínhamos uma e era diferente do que a gente passou. – A bruxa soltou todas as palavras numa pressa que fez seus amigos entenderem como aquilo a estava perturbando. Nós não podemos salvar algo da morte, mesmo voltando no tempo, é como se fossemos duplicatas. Se nós salvamos um bicuço, por que nós ainda temos a lembrando do bicuço sendo morto?

- É por isso que mexer com o tempo é tão perigoso. – Marcus disse. Ele sabia aonde a menina queria chegar mais ainda não conseguia. – Quando você volta no tempo e suas ações mudam a história, essas ações criam uma outra linha do tempo. Você salva o bicuço, mas não salva. Você passa a viver na linha do tempo em que o bicuço foi salvo, mas o seu antigo bicuço, o que morreu, permanece morto, então se cria uma linha do tempo alternativa.

- Acho que ainda não compreendi. – Ron estava completamente confuso quando a essa explicação.

- Podemos dizer que originalmente há duas linhas do tempo que convergem entre si, então em outra linha há vocês, do jeito que são aqui, que tem o mesmo pensamento. Mas por mais igual que seja, vai sempre haver um detalhe, bem pequeno, que se mexido, pode mudar completamente essa roda do destino. O que vocês fizeram foi criar uma outra linha do tempo. As linhas originais salvaram o bicuço um do outro. Mas como o bicuço já havia sido morto, o que vocês fizeram foi criar uma linha do tempo em que o bicuço permanecesse morto e consequentemente, como foram as duas linhas que mexeram, então outras duas foram criadas.

- Então o que você está dizendo é que nós não salvamos o nosso. Salvamos de outra pessoa. Mas outras se originaram para que ele permanecesse morto? – Harry questionou.

- Basicamente, sim. O universo e o destino trabalham dessa forma. É necessário manter um equilíbrio entre a vida. Então se um é salvo, outro morre. E dependendo do impacto que isso causar em seu outro eu, ele pode mudar e ficar completamente diferente do que você é agora. São ações que nos moldam. Sendo elas nossas ou não.

- Espere. – Hermione exclamou enquanto olhava para um ponto fixo na parede da biblioteca. Seus amigos sabiam que isso significava que sua mente estava correndo milhas por hora. – Se usando esse vira-tempo nós viajamos para uma outra linha do tempo, o que aconteceria se o mesmo vira-tempo tivesse se quebrado?

- Vocês ficariam presos naquele mundo. – Marcus foi direto. – Dois não podem existir fisicamente no mesmo espaço, então vocês teriam se fundido. Bem, o corpo intruso iria se desfazer, mas as mentes se tornariam uma só.

- Então de acordo com o que você está dizendo, pode haver viagens entre as linhas do tempo e nós nunca saberíamos? – Hermione perguntou. – Digo, vamos supor que eu vou para outra linha do tempo, mas permaneço lá. Se eu nunca encontrar o meu eu, eu posso permanecer lá?

- Tecnicamente, sim. – Marcus respondeu a garota. Como existiam diversos relógios e o mundo mágico falava tanto desse mecanismo de viagem, ele pensou que eles saberiam da teoria por completo. – Você nunca poderia se encontrar com seu antigo eu se quisesse permanecer em outro mundo. Mas você só poderia viver no tempo em que seu DNA existisse, ou seja, se você ainda não tivesse nascido, mas quisesse permanecer, você teria que abrir mão de seu corpo e fundir sua mente e poderes com outro bruxo. Se você fosse uma sereia, só poderia fazer isso tomando o corpo de outra sereia. – Hermione tinha uma expressão estranha em seu rosto, ao qual ele não conseguia nomear.

- Bem, isso parece loucura, mas de certo modo, faz sentido. – Ron respirou fundo. – Viagem no tempo, outros universos... Tudo ainda é muito complexo para entender, mas a teoria faz sentido.

Hermione trocou um olhar com Harry. Esse, por sua vez, a encarou sabendo exatamente ao ponto em que ela havia chegado. Harry olhou para seu amigo e levantou uma sobrancelha. Ron o encarou impassível antes de balançar com a cabeça negativamente.

- Essa pode ser nossa única explicação. – Hermione tentou explicar.

- Não, mione. Isso é loucura! – Ron continuou balançando a cabeça e se virou para seu amigo. – Coloque razão na cabeça dela, por favor.

- Ron, até que faz sentido. – Harry disse suavemente. – Nós não podemos descartar nenhuma alternativa nesse momento. Estamos meio que desesperados. – Harry balançou os braços para enfatizar.

- Do que vocês estão falando? – Marcus achou fascinante como esses três amigos podiam conversar entre si silenciosamente, e como chegavam à mesma conclusão quando não estava claro para ninguém de fora.

- Marcus, O que aconteceria com um bruxo se ele se fundisse a outro de uma outra linha do tempo? – Harry perguntou ao seu companheiro ao invés de responder à pergunta do mesmo.

- Como eu disse, o corpo do estrangeiro iria se desfazer e ele teria que compartilhar sua magia e mesclar sua consciência para que pudesse viver. Ele teria seus dons mágicos e também teria do bruxo original. Mesmo que fossem como duas pessoas e ainda pudesse usar ambas as magias, a magia do bruxo estrangeiro seria indetectável. DNA pode ser duplicado, mas não a magia, principalmente se as histórias do mundo de cada um forem diferentes uma da outra.

- Por favor, não... – Ron choramingou e deixou sua cabeça cair para trás, querendo ignorar tudo ao seu redor.

Hermione e Harry compartilharam outra conversa silenciosa. Marcus os encarou novamente e voltou em suas palavras. Quando chegou ao ponto crucial, ele entendeu onde toda essa teoria estava os levando.

- Vocês não querem dizer que... – Marcus não conseguiu concluir. Se o caminho estivesse certo, então não seria tão fácil lidar com toda essa bagunça. O maior problema disso tudo é que eles não conseguiriam descobrir qual bruxo está metido nisso. Eles não tinham a vantagem aqui. Sabe-se lá desde quando esse bruxo está infiltrado. Ninguém sabe seus objetivos e nem se está trabalhando com alguém.

- Marcus, vamos precisar de ajuda. E quando digo isso, estou incluindo seres mágicos antigos e de vasto conhecimento, assim como livros antigos. E se a sua fonte de informação sobre linhas do tempo ainda por aí, vamos precisar. – Hermione se levantou e andou de um lado para outro, com mais perguntas do que respostas.

Harry compartilhou um olhar com seu companheiro, mas foi rápido demais para que Ron e Hermione percebesse. Era disso que ele tinha medo, mas no fundo sabia que não tinha escapatória. De alguma forma, tudo estava ligado a ele. Era um sentimento que pesava no estomago e o deixava enjoado só de pensar. A única perguntava que rondava sua mente era: por que ele?

- Vou entrar em contato com alguns velhos amigos. – Marcus aceitou o plano da mulher e se virou novamente para seu jovem companheiro. – Harry, por que você não pede para Aro e Caius me encontrarem e vocês – Ele se virou para Hermione e Ron – encontre Tom, Severus e os Malfoy? Assim a gente consegue se organizar melhor.

- Boa ideia. – Ron concordou. – Eles saberão melhor como dividir certas tarefas e saberá espalhar essa novidade para os outros grupos. Acho que é necessário já enviarmos algum aviso à Kingsley, mesmo não tendo muito no momento. Ele é o atual ministro, então tem acesso a muitas áreas no ministério, principalmente aos indizíveis, que obtêm conhecimento antigo como esse.

Com um acordo entre eles, todos se separaram. Hermione para encontrar os Malfoy e Ron para buscar por Severus ou Tom. Marcus e Harry foram deixados sozinhos na sala – agradeça aos pequenos momentos.

- Como você está? – Marcus perguntou enquanto se aproximava de seu companheiro e juntava suas testas.

Harry não respondeu à princípio. Ele já havia estado desse lado da moeda. Quando curou Tom, pensou que aquele havia sido o fim e agora ele só colheria coisas boas. Destino desgraçado. A primeira vez que ele sentiu essa impotência foi angustiante. Uma vontade imensa de ficar com seus filhos surgiu e ele sentia vontade de chorar quando Jane e Alec saiam para ficar com seus respectivos companheiros. Celine era a mais nova, mas não deixava de sentir uma dor lacerante em seu peito. O medo de deixá-la sozinha era enorme.

Voltando meses atrás enquanto estudava sobre ser um companheiro de vampiro, ele se lembrou de uma breve passagem informando que se um companheiro partir, o outro vai logo atrás. O vínculo seria destruído com a morte e nenhum ser conseguiria suportar a dor. Uma vez que suas almas se entrelaçassem e eles consumassem o vínculo, eles eram como um, incapaz de serem separadas novamente. O que restava era todos seguirem um só caminho.

- Eu estou aqui. Todos nós estamos aqui por você, meu amor. – Marcus sentiu a angústia de seu companheiro pelo vínculo e correu para tranquilizá-lo. – Você tem uma família enorme disposta a lutar por você. Você criou laços incríveis e amigos para toda a vida, todos prontos para lutar com unhas e dentes para mantê-lo vivo.

- E é isso que eu temo. Não quero perder vocês. Não quero que vocês se sacrifiquem para isso. – Ele sentia vontade de chorar, mas sabia que não conseguiria parar se começasse. – Eu odeio tanto isso, ter que carregar esse fardo e sofrer tanto quando nenhuma outra alma merece isso. Eu odeio estar no centro disso porque não posso simplesmente ignorar. Eu odeio ter apenas pequenos momentos de felicidade para depois tudo ser arrancado a força de mim.

- Shh... Tudo ficará bem. Vamos ficar juntos e passar por tudo o que a vida jogar em cima da gente. Porque é isso o que significa sermos companheiros, somos um só, lutaremos juntos, viveremos juntos e nada irá separar o que somos. – Marcus segurou o rosto de Harry com as duas mãos e inclinou para que seus olhos se encontrassem, querendo passar todo o sentimento que ele colocou naquelas palavras.

- Ele está certo, amore mio. – Aro entrou na sala indo de encontro à dupla no meio da sala, Caius logo atrás. – Não importa qual seja nosso destino, o importante é estarmos juntos. – Ele passou os braços ao redor dos dois companheiros e cheirou o perfume de seu mais novo companheiro. Um cheiro só dele. Casa, família, companheiro, um toque parecido e ao mesmo tempo diferente de Marcus e Caius.

- Dane-se o que surja no nosso caminho, passaremos por isso. E se acontecer alguma coisa, eu vou ser obrigado a dar um pedaço da minha mente a esse tal de destino. – Caius disse sério e se aproximou de seus companheiros. Ele sorriu quando ouviu a risada aguada de Harry. Valeu a pena.

- Se for assim, então estaremos bem. – Ele não tinha certeza, mas só de sentir essa paz ao seu redor, essa sensação de família, qualquer coisa valeria a pena. Ele passou por maus bocados até chegar aqui. Ele passou pela dor crua e voltou, mas o resultado foi satisfatório.

Nada disso dizia que para receber algo bom da vida você deveria passar pela tempestade. Estava já escrito para algumas pessoas. Por mais que doesse e tantos tentassem, o destino jamais seria reescrito. Tudo era equilibrado para manter o universo estável. E quando algo saía da linha, como era provável que estava acontecendo agora, alguém precisaria consertar, era onde ele entrava nessa bagunça.

De alguma forma, as entidades sentiram que iriam interferir dessa vez. Talvez fosse a primeira vez, talvez não. Talvez fosse a última vez, talvez não. Você não conseguia adivinhar essas coisas. Algumas coisas deviam ter uma intervenção divina e outras não. Era como era. Você é apenas um grãozinho de areia num vasto deserto.

Algumas pessoas seriam importantes para seu tempo e outras não. Alguns marcariam a história de uma forma que nenhuma outra faria. Algumas pessoas teriam sim grandes feitos em sua curta passagem pela terra, e outras estavam ali só para preencher um vazio que nem faria tanta diferença assim se não viesse para a terra.

Depois de tudo o que passou, sua visão sobre as coisas mudou. E ainda doía. Era um machucado cicatrizado. Sempre estaria ali, mas ainda incomodava. Não ser criado numa família morosa, os perigos mortais que passou em Hogwarts, assassinos atrás de seu sangue, inimigos mortais e então toda a provação desde seus treze anos mexeram com seu psicológico. Ele não ficou totalmente quebrado, tudo fez abrir os olhos como nunca antes. E ele podia agradecer a isso em certa parte.

Por mais curto que fosse seu tempo, ele havia salvado vidas, desmascarado vilões, encontrado família nos lugares mais improváveis, feito laços com pessoas que queriam o bem-estar e como brinde, filhos que ele amava de todo o seu ser, mesmo dois não vindo dele. Então sim, ele sentia que mesmo que o mundo acabasse naquele instante, ele era grato aos pequenos presentes que a vida lhe deu.

- Eu amo vocês. – Harry escondeu o rosto no peito de Marcus e sentiu o perfume nas roupas, um perfume que na sua mente era ligado apenas a Marcus. Um perfume que ele descobriu já não conseguir dormir sem. – Acho que não digo muito isso, mas vocês são a minha vida e eu sou feliz por termos chegado até aqui.

- Mesmo precisando de uma intervenção divina e alguns puxões de orelha para você aceitar? – Caius brincou com seu companheiro mais novo.

- Sim. Mesmo assim. Eu não sou tão fácil assim. – Harry inclinou seu rosto e deixou que seus olhos se encontrassem com os de Caius. O vínculo com cada um era diferente e ele podia sentir aquilo naquele momento. No momento o fio ligado a Caius vibrava de felicidade e travessura, uma leve nota de melancolia, mas uma paixão avassaladora deixando todos os outros sentimentos pálidos em comparação.

- Ah, como eu sei. Você gosta de se fazer de difícil. E isso torna as coisas melhores. – Caius brincou de volta.

- Meninos, se comportem. – Marcus interveio, mas todos podiam sentir a diversão clara em seu tom.

- Como se você não gostasse quando um fica no pé do outro ou quando flertam sem sentido. – Aro entrou na brincadeira, sabendo que eles precisavam daquele momento antes de entrarem de cabeça na situação que os estava perturbando a algum tempo. – Acho que um dos momentos que mais gosto é quando eles criam uma tensão sexual durante o dia inteiro para ser resolvido apenas com abraços e beijos enquanto assistem a um filme romântico.

- Não precisa exagerar tanto, Aro. – Harry se escondeu novamente. Ele amava flertar com Caius. Amava ouvir Marcus falar sobre um assunto que era apaixonado. E com isso, também amava o tempo de qualidade com Aro, seja tendo conversas profundas, seja caminhando pelos lindos jardins escondidos dentro da fortaleza do castelo, seja brincando com seus filhos, seja criando planos para passar com a família. Qualquer coisa que fazia com Aro se tornava única, porque seu laço era único. E enquanto ele se identificava em parte com cada companheiro, foi Aro que realmente era seu igual, quem passou por muita coisa parecida, e era onde seus temperamentos se espelhavam.

- Como se eu precisasse disso. – Aro puxou seu companheiro para um beijo leve e apaixonado antes de se afastar, sorrindo com a visão que todos faziam juntos, um nos braços do outro, compartilhando aquele calor e seus sentimentos que perceberam estarem esperando por tanto tempo. Cada um beijou Harry antes que todos estivessem devidamente afastados, com a mente já focada na situação desesperadora.

- Nós não vamos nos preocupar pensando no futuro e o que virá com ele. Nós vamos nos concentrar no agora, buscar por seja lá quem esteja bagunçando nossas vidas e ficaremos bem, não importa o que venha no fim, vocês me entendem? – Marcus perguntou aos outros três companheiros esperando que acenassem em aceitação antes de continuar. – Harry, vou ir para o escritório com Aro e Caius. Eu quero que você pegue nossos filhos e converse com eles, entre em contato com a jovem Lovegood também. Acho que hoje você irá trabalhar melhor com Severus.

- Tudo bem. Vou procurar por eles. Vocês fiquem bem e nos encontramos em nossos aposentos ao jantar, quero jantar apenas com vocês hoje. Precisamos desse tempo em família. – Harry estava aprendendo a usar as palavras para expressar o que ele queria ou sentia. Era difícil. Alguns dias vinha com facilidade. Hoje foi o dia em que era necessário usar as palavras ao máximo para reforçar tudo o que sentia. Era como se eles sentissem o pavio de uma vela se acabando.

- O que você quiser. – Caius beijou a têmpora de Harry e se afastou novamente, já seguindo atrás de Aro e Marcus. – Nos vemos mais tarde.

Harry os viu sair pela porta e sentiu um novo desconforto. Mesmo estando feliz com o que tinha no momento e sentindo que poderia morrer hoje e ainda se sentir feliz por tudo o que conquistou, ele não queria chegar ao fim disso. Ele só queria sentir o que muitos simples humanos tinham. Era como um sonho distante. Uma cabana afastada do tumulto que era a civilização, um jardim para cuidar, uma lareira para os dias frios, um lago próximo para os dias de verão, o calor de sua família ao seu redor enquanto via o pôr do sol nas montanhas e o cheiro de natureza. A terra molhada, o vasto campo verde, peixes pulando, animes como corças, veados e coelhos no mesmo ambiente, uma clareira para fazer um piquenique, acordar ao som dos cantos dos pássaros, uma tarde na cozinha fazendo massa para o jantar ou de manhã fazendo pão para o café da manhã.

Era uma vida assim que ele desejava a um tempo. E não havia mudado. Agora parecia ser algo impossível de se alcançar. O que ele odiava, porque vamos lá, ele precisava dessa pausa em sua vida. Agora, sozinho na sala, ele sentiu seu estomago cair ainda mais. Mas tentou não dar muita atenção para isso. Tudo o que ele queria neste momento era arrancar o curativo de uma vez. Secando uma lágrima rebelde que rolou pelo seu olho, ele respirou fundo e saiu da sala, parando no primeiro guarda que encontrou no corredor e perguntando sobre seus filhos.

Alec e Jane estavam já com Celine em um cantinho do jardim que ele já considerava seu. Se não fosse seus filhos ou seus companheiros ali, ele sentia ciúmes. Era um lugar só deles. Onde muita coisa aconteceu. Onde ele sentiu seu vínculo com seus filhos e onde uma noite disse o primeiro eu te amo para seus parceiros. Era onde também eles se encontravam sempre quando tudo se tornava demais e eles precisavam fugir um pouco da realidade.

Os três estavam brincando enquanto Celine contava alguma história na língua dos bebês. Ela falava algumas poucas palavras, mas quando se empolgava, eram principalmente murmúrios. Agora que ela começou a falar, Harry falava principalmente inglês enquanto os outros pais falavam em italiano. Esperando que assim ela aprendesse as duas línguas de uma vez. Quando passava um tempo com os Delacour, eles só falavam em francês. Foi algo que eles pediam às pessoas. Para que cada um conversassem em sua língua materna. Assim seu vocabulário cresceria e ela não sentiria tanta dificuldade enquanto crescia.

- Qual é a peça de hoje? – Harry perguntou enquanto se aproximava. Ele sabia que Jane e Alec haviam sentido sua presença muito antes, mas Celine não. Ela ainda era uma criança humana.

- Papai! – Celine chamou por ele e esticou seus bracinhos gorduchos esperando ser pega no colo.

- Olá, bebê do papai. – Harry beijou suas bochechas e deixou que sua filha prendesse a atenção enquanto brincava com sua corrente no pescoço que segurava cada anel que cada companheiro o deu. Eles não precisavam disso, mas era uma prova física do amor que compartilhavam. Harry se recusou a usá-los em seu dedo antes de terem uma cerimônia bruxa, completando assim o que ele julgava necessário para serem considerados companheiros em todos os sentidos da palavra.

- Aconteceu alguma coisa? – Jane foi quem perguntou. Dos dois ela era a mais sensitiva em certo ponto. Ela podia sentir quando algo não ia bem. Ela também era a mais emotiva, então foi algo que ele teve que aprender a lidar sozinho quando surgia o caso. Os Volturi mais velhos tinham os anos de aprendizado, ele não.

- Nós precisamos conversar. – Ele não ia adiar muito, ele ainda precisava encontrar Luna em algum momento daquele dia e depois discutir algumas coisas com Severus. Então contou brevemente o que Hermione conseguiu encontrar através de uma conversa que tiveram e qual era teoria que todos chegaram ao fim da conversa, ou mais um questionário do trio dourado com Marcus respondendo cada pergunta eficientemente.

Alec ouviu atento enquanto encarava um ponto no céu. Harry podia sentir os sentimentos conflitantes de seu filho. Jane apenas se aconchegou ao seu lado e ficou calada. Pela primeira vez, ela escondeu os sentimentos dele. Celine estava pegando no sono depois de um dia tão agitado.

- O que vamos fazer? – Alec perguntou depois de um tempo. Ele podia sentir um sentimento de angústia vindo do pai, mas não queria se aprofundar naquilo. Tudo estava se tornando demais.

Os irmãos tiveram uma vida difícil quando ainda humanos. O aparecimento dos Volturi e sendo acolhidos por eles mudaram a vida de uma forma que eles não pensavam ser possível. Ambos foram cuidados, educados, receberam amor e carinho e além de tudo, compreensão. Por terem sido transformados numa idade tão jovem, eles ainda tinham certa dependência, mas aprenderam alguns truques ao longo dos anos. Eles nunca teriam a mente de um adulto formado, mas podiam lidar com certas situações da vida. Essa não era uma dessas situações.

- Eu quero que vocês façam algo diferente. Enquanto nós iremos estudar essa teoria, eu quero que vocês sejam nossa base, a base da nossa família. – Harry correu para explicar quando percebeu que seus filhos entenderam errado o que ele queria passar. – Nós somos seus pais, não queremos que vocês se juntem nessa confusão, mas sabemos que não podemos impedi-los. Tudo o que peço é que cuidem de nossa família. Ainda somos os responsáveis, mas precisamos da ajuda de vocês. Sua irmã mais nova ainda não entende o que está acontecendo, haverá dias em que estaremos cansados demais para lidar com certas coisas, então por favor, só...

- Tudo bem. Nós faremos. – Jane encaixou a cabeça em seu pescoço e respirou fundo para se acalmar. – Nós entendemos.

- Eu agradeço por ter vocês em minha vida. – Harry sentiu seu coração apertar com tudo o que estava acontecendo, mas deixaria para se desfazer quando estivesse em seus aposentos com seus companheiros.

- Dê-me Celine, vou levá-la para Sulpicia e Athenodora. Você vai fazer o que precisa fazer. – Alec pegou a irmã dos braços do pai e se despediu dele enquanto sua irmã seguia.

Harry viu seus três tesouros se distanciando e se levantou também para buscar Severus. Sua vida era cheia de emoções, agora não seria diferente. Sua relação mudou muito com Tom, foi para melhor. Ele não sabia se algum dia seria como deveria ter sido, mas estava feliz com o que tinham. Era quase se tivesse um pai nele. E por mais inusitado que fosse, ele encontrou certa paz nos abraços de Severus.

Severus foi muito amigo de Lily quando ainda frequentavam Hogwarts, e o amor de irmãos que nutriam um pelo outro não havia mudado, então Severus passou esse amor para Harry e agora veio para cuidar dele como se fosse seu próprio filho. Os dois ainda estavam aprendendo a lidar com esse novo desenvolvimento, foi difícil no começo, muitas mágoas do passado estavam atrapalhando. Um acordo tácito entre eles surgiu, deixe o passado para trás. Sem trazer bagagens, apenas como aprendizado. Então depois disso tudo melhorou. Severus descobriu que Harry cuidava da família e odiava a atenção que recebia, mas também era carente por toque. Enquanto Harry aprendeu que Tom tinha medo de machucar as pessoas ao seu redor depois de seu tempo no orfanato Wool e sempre se preocupava se estava fazendo algo de errado ou se havia magoado a pessoa com palavras. Severus amava suas poções, mas ele adorava ler para sua família e gostava de dar abraços quando ambos precisavam.

As pessoas tinham uma imagem que não condizia com o seu interior e agora ele percebeu isso em tantas pessoas. Viktor amava jogar quadribol, mas odiava a fama que veio com isso. Flint era bruto, mas defendia com unhas e dentes os seus. Luna guardava conhecimento como uma antiga biblioteca. Muitos a subestimaram. Cada um tinha algo escondido. Ele tinha, usava máscaras o tempo todo quando vivia no mundo bruxo. Essa paz que tiveram aqui em Volterra os fez ver que podiam se abrir, podiam mostrar seu verdadeiro eu. Sem julgamentos.

Harry pensou em cada um que chegou ao castelo em busca de mudar o ar e como todos estavam mais leves desde então. Narcisa estava cada vez mais linda e sua gravidez ia progredindo. Até mesmo Lucius mostrou um lado suava que ele pensou jamais existir. Ele podia ver o amor que o casal nutria um pelo outro. Não foi amor à primeira vista, não foi um encontro de almas gêmeas. Eles desenvolveram esse companheirismo que mais tarde se transformou em amor. E por mais que Lucius dissesse que amava Narcisa, a mãe de seu primogênito e a próxima criança Malfoy, ele não podia imaginar como seria se ele tivesse realmente ficado com James, seu pai. Ainda era surreal pensar em como as coisas poderiam ter sido tão diferentes.

Andando pelos vastos corredores do castelo, ele encontrou Lilá no caminho, a primeira namorada de Ron.

- Ei, Lilá, você por acaso sabe onde posso encontrar Severus? – Harry perguntou quando se aproximou da bruxa.

- Da última vez que ouvi alguma coisa sobre ele, ele estava indo para o laboratório de poções que os Volturi prepararam para ele, acho que ouvi alguma coisa sobre ele e Draco Malfoy estarem trabalhando numa poção para ver se conseguia captar o último resquício de magia nos locais de aparatação que os aurores não conseguiram. – Ela sorriu para ele. Ela aprontou tanto em Hogwarts que ficava envergonhada quando encontrava o trio de ouro. Ela tinha calafrios só de lembrar.

- Muito obrigada. – Ele agradeceu e seguiu seu caminho, não querendo demorar ali.

O castelo estava tão cheio que vez ou outra esbarrava em alguém. Ele viu os guardas da corte, viu seus antigos companheiros de Hogwarts e em algum momento ele podia jurar ter visto um relance de Percy Weasley.

Ele se lembrava do quarto que seus companheiros haviam preparado para Severus. Como Harry o considerando de sua família e toda essa busca que estavam fazendo, eles acharam de bom tom presenteá-lo. Harry parou em frente a porta e respirou fundo, esperando não atrapalhar seja o que padrinho e afilhado estivessem fazendo. Quando ele levantou o braço com a mão em punho para bater na porta, ele ouviu uma voz de fundo.

- Entre Harry, não estamos mexendo com poção. – Com a permissão, ele entrou no quarto e observou as altas prateleiras com diversos vidros de poções e ingredientes sendo iluminados pelo sol que atravessa a gigante janela no lado oposto da sala.

- Ei, Severus, Draco. – Harry acenou para cada um antes de se voltar para seu alvo. – Vocês estão muito ocupados?

- Na verdade, não. Draco já estava de partida. Decidimos estudar a teoria de um teste de poção antes de prepará-la. Por que a pergunta? – Severus se levantou de onde estava e se aproximou de Harry, aquele que ele considerava quase como um filho adotivo.

- Eu acabei de vir de uma reunião com os Volturi e Ron e Hermione, tenho algumas coisas para discutir com você. – Harry se virou para Draco quando percebeu que ele estava se levantando e se preparando para ir embora. – Você pode ficar, Draco. É de seu interesse. Nesse momento seus pais devem estar sendo informados da discussão.

Severus percebeu como Harry mordia os lábios. Aquela era uma mania irritante que ele havia desenvolvido quando estava ansioso ou tenso sobre algo. Não era bom, não pelos sinais que seu corpo dava inconscientemente.

- Qual é a bomba da vez? – Severus foi direto ao assunto enquanto puxava Harry para se sentar no único sofá que tinha no lugar.

- Nós estávamos conversando sobre o vira-tempo que usamos em nosso terceiro ano. – Severus apenas levantou uma sobrancelha com aquilo. Ele foi totalmente contra essa ideia de Minerva e sabia muito bem do que Dumbledore os convenceu a fazer naquele dia.

- Vocês o que? – Perguntou Draco alarmado. Seus olhos cresceram ainda mais quando não viu uma reação parecida vindo de seu padrinho. – Você sabia disso, tio Severus?

- Claro, eu sei de tudo o que acontece naquela escola. Todos nós funcionários sabemos. – Severus deu um breve olhar a Draco e depois se virou para Harry. – Aproveitando essa pequena abertura. Eu espero de todo o meu coração que você ensine Celine a não transar na sala precisa, principalmente quando as emoções estão a flor da pele. Não quero outro adolescente engravidando. Poppy e eu já trabalhamos demais tentando intervir nesses casos. Seja dando uma poção de infertilidade temporária quanto anticoncepcionais. Em alguns casos tivemos que intervir com um aborto.

- Você sabia? – Harry arregalou os olhos e suas bochechas queimaram de vergonha.

- Garotos. Hogwarts é senciente, e quer o melhor para seus alunos. Vocês acham que podem esconder alguma de nós. – Quando Severus percebeu que os meninos esperavam realmente isso, ele zombou. – Tolos.

- Você transou na sala precisa, que devo lembrá-lo, ela obedece ao desejo de seu visitante aos pés da letra, e engravidou aos quatorze anos, quebrou diversas leis do ministério e de Hogwarts e anda pleno, como se nada tivesse acontecido? – Draco achou tudo inacreditável. – Quer saber, não vou pensar nisso. Espero que meus filhos não sigam seus passos.

- Eu também desejo que nenhum outro aluno faça isso. – Harry concordou e se virou para Severus novamente. – Pare de espalhar minha vida sexual por aí.

- Essa foi a única façanha que eu soube. E devo reforçar que desejo não saber de mais. Você está vinculado, ok. Mas nenhum pai quer ouvir sobre a vida sexual do filho. Estendo a mim e a Tom. Assim como suspeito que você não goste de ouvir sobre Alec e Jane. – Severus levantou uma sobrancelha brincalhona.

- Que horror, Severus. Eles ainda são meus bebês. – Harry enrugou o rosto tentando tirar a imagem nojenta que surgiu. – Eu não precisava disso.

- Igualmente. – Severus concordou. Ele ficou sério enquanto tentava trazer a conversa de volta para os trilhos. – O que você veio nos contar.

- Entramos nesse assunto sobre nosso terceiro ano e acabamos no assunto sobre as mudanças que fizemos. Marcus parece uma biblioteca ambulante, então ele nos explicou algumas coisas e tirou outras dúvidas que tínhamos. – Harry viu que os dois ainda estavam focados nele e continuou, mas dessa vez com uma pergunta. – Vocês sabiam que há outras linhas do tempo e que podemos pular de linha em linha?

Severus e Draco se entreolharam chegando quase na mesma conclusão. Os dois se viraram simultaneamente para Harry exigindo que continuasse com a informação.