A vida é uma bela contradição.

Doce, salgado. Frio, calor. Forte, fraco. Ligado, desligado. Vida e morte...

A beleza da vida é isso. A falta de sentido, a falta de harmonia, a falta de certeza. Isso é o que nos faz caminhar, a esperança de conseguir respostas para as nossas perguntas.

Bem, nem aprecio todosm esse lado dela. Se pararmos para pensar muito, isso pode nos trazer angústias, medos... E quem a vê com esse olhar, não a compreende. E está tudo bem, nós somos humanos, somos todos diferentes.

O que a vida é, o motivo de estarmos aqui, não é o que deve ser questionado. As perguntas que devemos começar a nos fazer são: Qual o legado pelo qual quero ser lembrado? Minha vida foi vivida por mim ou pelas opiniões alheias?

Harry sempre pensou em tudo isso. Hoje ele ainda pensa em cada uma das perguntas sobre a vida. São esse conjunto de coisas que o fez entender que a vida é simples. Somos nós quem somos complicados. Somos nós que queremos ter tudo ao mesmo tempo que esquecemos daquilo que é mais importante para cada um de nós.

Depois da vida de merda que você teve e de todas as provas pelo que passou, ele finalmente conseguiu que a melhor forma de aproveitar a vida era com sua família. Ele tinha três lindos filhos, três lindos companheiros, era padrinho de um menino que roubou seu fôlego na primeira vez que o vira e tinha uma família enorme logo atrás dele, com seus amigos e companheiros de estudo os seguindo.

Na verdade, hoje ele se considera um homem sortudo. E vendo tudo o que havia conquistado, ele decidiu ser grato pela vida e aproveitar e festejar com os vivos. Os mortos, que passaram por sua vida e foram importantes em sua caminhada, sempre estariam em seu coração.

Então hoje, Samhain, nos jardins do castelo, com sua família e amigos, ele parou, quieto, pensando naqueles que já não estavam no mesmo plano que ele. Ele nunca conseguiu participar desse ritual, mas comemorou todos os outros. O Samhain era um dado que ele sentiu que só desviou comemorado quando finalmente seguiu em frente, quando deixou de lamentar pelos que já foram.

Ele lembrou que dor e angústia, mas também com uma felicidade agridoce e pela primeira vez em muitos anos, uma calmaria de compreensão em seu coração. Harry nunca se esqueceria deles, alguns dias seriam mais difíceis, ele não negaria, mas finalmente ele deixou ir, deixou que a vida continuasse.

Quando terminou seus agradecimentos, ainda segurando a vela que dedicou aqueles que ainda eram amados por ele, abriu os olhos para observar todos aqueles que de alguma forma, pretende um lugar em sua vida e em seu coração. Um sorriso aguado se obteve em seus lábios e calmamente, ele saudável o máximo de ar que conseguiu, tentando rir as rápidas batidas de seu coração. O aroma das ervas queimadas, anúncios de velas aromatizadas e das ofertas que cada um trouxe foi sentida, cada uma.

Antes que ele pudesse abrir os olhos, ele sentiu uma mão forte e calejada em seus ombros. O susto que levou foi mascarado pelo frio que vez ou outra lhe trazia arrepios. Ao olhar por cima de seu ombro pôde ver Remus. Ele tinha um sorriso no rosto que parecia com o dele, seus olhos ainda aguados.

Todos os seres podiam sentir a força que os rodeava, mas aqueles que ainda sofriam com a perda de alguém muito próximo, sentia esse poder mais forte, mais cru. Era como se a magia estivesse tentando acalmar seus corações ainda com dor.

- Ainda sinto falta deles. - Harry murmurou quando Remus o abraçou fortemente e deixou que lágrimas molhassem o suéter que vestia. O cheiro de Remus sempre foi algo que o acalmou, era como estar em casa e dessa vez não foi diferente. Era como se ele próprio agisse como um lobo quando apenas Remus era.

- Assim como eu. - Remus devolveu. Eles nunca falaram muito nesse tópico e nenhum deles estava incomodado com isso. Era algo que não precisava ser falado, apenas sentido. - Eu te amo, filhote. - O homem mais velho disse deixando um beijo nos cabelos escuros do outro.

- E eu te amo, pai. - Ele nunca disse aquilo em voz alta, por mais que isso sempre estivesse na ponta da língua, lutando para sair.

O calor do corpo do lobisomem se afastou e então eles se desvencilharam, cada um seguindo um caminho, Harry para seus companheiros e Remus para sua esposa.

A comemoração durou até o raiar do dia seguinte, todos muito cansados apenas com energia o suficiente para chegar até seus quartos e cairem na cama.

Harry dormiu antes de chegar ao quarto, Marcus o carregou por todo o caminho.

Jane e Alec ficaram com seus companheiros enquanto Aro e Caius cuidavam de Celine que já estava prestes a acordar.

Assim que virou no corredor que guardava seus quartos, ele avistou Luna Lovegood em frente a porta de seu quarto. O que ele achou estranho, pois seu quarto era do outro lado do castelo.

- Senhorita Lovegood? - Marcus perguntou quando já estava mais perto.

- Olá, majestade. - O que tornou a situação ainda mais estranha foi ela não sorrir. - A hora está chegando.

A bruxa já o deixava confuso numa situação considerada normal, mas agora ele não estava compreendendo uma coisa sequer. Nem suas ações e muito menos suas palavras.

- Perdão...?

A mulher ficou ereta e seus olhos ficaram cinzas assim que ela avistou Harry em seus braços. Sua voz ficou séria enquanto repetia sete vezes a mesma coisa.

- O guerreiro irá acordar. Contra o escuro deve lutar. Uma vida ceifada, três unidas. Três laços ceifados e um incompleto permanecerá. A vitória é a derrota. Uma derrota infinita.

Assim que o silêncio tomou conta do corredor, a mulher caiu desmaiada. Marcus ainda perdido pelas palavras, não notou seus companheiros se aproximando.

- Marcus? O que você está fazendo aqui fora? O que aconteceu com a senhorita Lovegood? - Aro questionou assim que chegou ao seu lado, Caius logo atrás.

Como se estivesse saindo de um transe, Marcus fechou os olhos e balançou a cabeça, tentando se concentrar no aqui e agora.

- Eu não sei. Em um segundo ela estava normal e no outro ela estava dizendo frases desconexas e... - Marcus respirou fundo, como se a ação fosse necessária para que seu corpo se acalmasse, um reflexo que ele ainda tinha de sua vida humana.

Caius passou por eles e pegou a mulher nos braços, seu corpo mole e sua respiração rasa o fez se preocupar, mas se manteve sério, a fim de manter sua mente na linha.

- Aro, abra a porta, por favor. - Assim que Aro a abriu, sem tirar os olhos dos dois bruxos desacordados. - Procure por lorde e lady Diggory, eles falaram bem no medimago que atenderam Harry anos atrás.

Aro correu pelos vastos corredores. Ainda que ele soubesse que Harry estava desacordado apenas pelo cansaço da noite, ele ainda estava tenso pelo que Marcus dissera. Apenas o vampiro mais alto ouvira as palavras, mas ele se lembra de Harry ter dito vagamente sobre um poder que sua amiga Lovegood parecia ter.

Depois de ter perguntado aos dois guardas que encontrou no caminho, ele conseguiu chegar aos avós de sua filha mais nova. O casal estava em uma das salas de estar, em frente a lareira. Mesmo parecendo um momento íntimo, de reconexão, apenas sentados um lado do outro, ele teve que se forçar a interromper.

- Lorde Diggory. - Aro disse da porta, esperando que isso fosse o suficiente para chamar sua atenção.

- Aro, já pedi que me chamasse de Amos. - O homem se levantou do sofá que estava e se virou para o vampiro na porta, sua esposa seguindo suas ações. Ao verem o olhar no rosto do vampiro, eles já pensaram em Harry. - Aconteceu alguma coisa?

- Harry está bem. - Ele buscou tranquilizar o casal, sabendo que esse seria o primeiro pensamento. - Tanto ele quanto Celine.

- Então o que houve? - Yara perguntou quando Aro simplesmente ficou em silêncio.

- Marcus disse que a senhorita Loveggod estava na frente da porta de nosso quarto e quando viu Harry, disse algumas palavras que na hora não compreendeu. - Aro tentou explicar, ainda que não entendesse. - Caius a colocou em nossos aposentos, mas ela não tem sinais de que vai acordar.

- Nesse caso, devemos entrar em contato com seu pai, Xenophilius. - Amos informou enquanto se preocupava ainda mais. - Ele deve saber o que fazer ou quem chamar em relação a ela.

- Um medimago não ajudaria? - Aro questionou. Ele pensou que esses profissionais estivessem prontos para lidar com uma situação dessa.

- É aí onde mora o problema. Luna Lovegood vem de uma família de videntes. Ela pode ter tido uma visão que se tornou uma profecia. Se foi tão sério a esse ponto, só seu pai tem a solução. - Yara tentou explicar.

- Querida, vá fazer alguns testes rápidos nela para saber se há mais alguma coisa enquanto eu chamo por Xenophilius. - Assim que sua esposa saiu da sala com o vampiro, ele saiu da sala e caminhou até o ponto de aparatação mais perto para chegar até a casa Lovegood.

A fazenda em que a família Lovegood vivia não era estranha aos seus olhos, Yara e Pandora eram amigas antes do fatídico dia acontecer. Foi um momento sombrio para as duas famílias quando Pandora Lovegood morreu, depois daquele dia, suas famílias se afastaram, cada um lidando com sua dor.

Amos caminhou o restante do caminho de pedras até chegar à porta da casa e bateu lentamente, sabendo que não era necessário, Xenophilius sentiu sua presença assim que passou pelas proteções da casa. Passos lentos foram ouvidos antes que a porta se abrisse e o resto de seu velho amigo aparecesse.

- Amos? - Ele daria isso ao homem, anos sem se ver.

- Nós precisamos de você no castelo Volturi. - Sem enrolações para um momento assim.

- Aconteceu alguma coisa com Luna? - A porta se abriu ainda mais, seja como um convite para Amos entrar ou se ele pegaria sua bolsa e sairia logo de casa.

- Nós acreditamos que ela possa ter feito uma profecia. - Xenophilius parou por um momento o que estava fazendo e se virou para amos, seus olhos arregalados.

- Eu preciso entrar em contato com Layde. - Xenophilius começou a resmungar algumas coisas enquanto caminhava em direção à Lareira. - Você consegue aparatar nós dois? - Ao aceno de confirmação, Xenophilius jogou o pó de flú na lareira e chamou pelo endereço de Layde.

- Xeno? - A mulher perguntou assustada, fazia tempo que ele não chamava por ela. - Aconteceu alguma coisa?

- Desculpe o horário, mas Luna pode ter tido uma visão, você tem um tempo?

- Claro, me dê apenas um momento para pegar minha bolsa, deixe a lareira aberta.

A mulher sumiu por poucos minutos, o suficiente para Xenophilius explicar a Amos quem era Layde.

- Assim que descobrimos que Luna nasceu também com o dom da visão, nós procuramos por Layde, ela vem de uma longa linhagem de medibruxos especializados em pessoas com esse dom. Você já deve ter ouvido falar nos Yumaita.

- Eu conheço a história. - Amos concordou.

A família Yumaita existe há mais de 5 séculos. Lembra-se que um antigo casal, que ninguém sabe quem era, teve um casal de gêmeos. A mulher tinha o dom da morte e o homem tinha o dom da vida. Os dois irmãos se casaram e juntos tiveram sete filhos. Cada um de seus filhos recebeu os dons dos pais, mas sua magia sempre se inclinava para um lado.

Assim, quando a criança nascia, já eram feitos testes para saber em qual grupo da família ela seria criada. Muitos bruxos eram contra como a família vivia, mas uma coisa era certa, só eles podiam ajudar as pessoas que tivessem dons ligados a morte ou vida.

Irmãos e primos se casavam entre si. Tios e sobrinhos. Pais e filhos. Não importa o que as pessoas pensem, foi dessa forma que a família sobreviveu e manteve seu dom ainda mais forte.

- Layde foi criada por sua tia, que também têm o dom de lidar com visões e profecias. - Xenophilius pegou a bolsa que havia deixado na mesa da cozinha e voltou rapidamente para a sala. - Luna se consulta com ela a anos, foi assim que ela aprendeu a ter controle sobre o seu poder, mas as vezes é inevitável.

Assim que ele terminou, Layde surgiu da lareira e caminhou até eles.

- Senhorita Yumaita, eu sou Amos Diggory. - Amos se apresentou à mulher assim que seus olhos se encontraram.

- Lorde Diggory, Xeno. - A mulher os saudou.

- Luna está em Volterra, mas Amos nos levará até lá. - Xeno explicou quando a mulher olhou em direção às escadas, esperando subir e encontrar Luna em seu quarto.

- Vamos até o ponto de aparatação para que eu possa levá-los. - Amos se afastou dos dois e seguiu para fora de casa.

Assim que todos estavam reunidos, Amos os aparatou no mesmo lugar pelo qual havia vindo e os guiou pelos vastos corredores iluminados pelos raios da manhã até a porta que guardava os aposentos reais.

- Esse quarto pertence aos reis Volturi e seu consorte, Luna está lá dentro. - Amos explicou e esperou que um dos Volturi abrisse a porta, tendo os ouvido antes mesmo de virarem no corredor.

- Senhores, senhora. - Aro os cumprimentou e deu abertura para que os três entrassem. Por mais que ele fosse territorialista e não estivesse gostando de tantas pessoas fora da família entrando eu seu lar seguro, ele se segurou, esperando que Caius e Marcus seguissem sua liderança e se afastassem da cama. Harry agora já estava acordado, sentado ao lado de Luna, segurando suas mãos.

- Esse é o consorte Volturi. - Amos explicou antes que Amos e Layde se dirigissem de forma errada à Harry. - Aqueles no canto são Aro, Caius e Marcus Volturi, sua majestade real.

- Majestades. - Layde se curvou levemente aos quatro e voltou sua atenção para sua paciente. - Me contem todos os detalhes.

Marcus, quem estava presente e consciente quando tudo aconteceu, tomou a palavra. Layde fez alguns testes enquanto Amos saía da sala para procurar por sua esposa.

- Isso soa como uma profecia, era isso que eu temia. - Layde suspirou. - Quando um vidente faz uma profecia, isso exige muita energia mágica, já que ela entra em contato direto com nossas divindades.

- Mas ela está bem? - Harry perguntou preocupado.

- Em relação a ela, nada que se preocupar, ela vai ficar desacordada pelo tempo que o núcleo mágico dela julgue necessário. - Ela se virou para o homem mais jovem. - Mas devemos nos preocupar com o que ela disse.

- Eu me lembro das palavras. - Marcus tomou a frente novamente e reproduziu cada palavra ela havia dito, assim como a quantidade de vezes quando após um monólogo interno, julgou necessário.

Layde ficou em silêncio por um momento, todos os olhos abertos nela, esperando uma explicação.

- Vocês devem saber que o número 7 é mágico e perfeito. O poder que o envolve é desconhecido, mas em muitas religiões do mundo ele aparece. - Layde deu uma breve introdução.

- O sétimo dia abençoado pelo deus cristão. Sete unidade de tempo para a alma ficar livre do corpo para os chineses. O símbolo da vida para os egípcios. Sete chacras para os hindus. Sete sentidos esotéricos falados no alcorão. - Aro citou algumas das coisas que se lembrava no momento.

- Li uma vez, muito tempo atrás sobre ele ser a junção dos números três e quatro, o número do espírito e da matéria, respectivamente. - Caius adicionou.

- Assim como Platão ensinou, em seu timeu, que do número sete foi gerada a alma do mundo: anima mundana. - Marcus lembra muito vagamente.

- Sim, esse número sempre esteve presente e até hoje é considerado sagrado. - Layde confirmou cada um. Ela se virou para Harry, que estava quieto, como se estivesse perdido em pensamentos. - Consorte Volturi?

- Voldemort teve sete horcrux. Eu nasci no sétimo mês. Celine nasceu no dia sete. Há sete vampiros na guarda Volturi. - Harry olhou assustado para os seus companheiros.

- Luna tinha sete anos quando viu sua mãe morrer. - Xenophilius disse baixinho, ainda ao lado de sua filha acariciando seus fios loiros.

- Ele está presente em muitas coisas na nossa vida, mas agora parece ainda mais importante. - Os Yumaita não se envolvia muito nos negócios bruxos por conta do preconceito escancarado contra a família, mas ela suspeitava a muito tempo que não havia como fugir, eles iam entrar nessa bagunça, querendo ou não. - Eu preciso entrar em contato com algumas pessoas.

- Os Yumaita? - Xeno perguntou.

- Sim. Eles vão saber o que fazer. - Layde se virou para os Volturi. - Eu venho de uma família onde cada grupo domina uma das sete áreas da magia, precisamos deles aqui para nos ajudar com essa profecia.

- Entre em contato com eles, alguém para preparar os últimos aposentos livres. - Aro permitiu e esperou que Renata, a guarda que estava do lado de fora ouvisse e fizesse o pedido. - Querido, que tal deixarmos a senhorita Lovegood descansar e chamarmos o resto do pessoal para uma reunião? - Aro se dirigiu a Harry.

- Vou procurar Tom e Severus. - Harry saiu do quarto, seus companheiros logo atrás.

- Harry, por favor. - Caius disse atrás dele, esperando que o mais novo parasse sua caminhada. Assim que conseguiu alcançá-lo na velocidade humana, ele o puxou para um abraço apertado.

- Isso nunca vai acabar? - Sua voz estava embargada, abafada pelo manto que Caius sempre usava quando não estava dentro de seus aposentos com seus filhos e companheiros.

- Eu não sei. - A sinceridade era a única verdade aqui. Ele não poderia prometer nada ao companheiro enquanto sabia da situação de merda que todos eles se meteram. - Mas ficaremos unidos, não importa o que aconteça. - Sua voz abalada pelos sentimentos vindos de Harry.

Os quatro ficaram parados no corredor por um momento, tentando acalmar seus medos para que pudessem começar as buscas. Aro e Marcus ficaram um pouco distante, sabendo que esse momento era de Harry e Caius.

- Vamos, não podemos perder mais tempo. - Caius passou os dedos pelas lágrimas que manchavam o rosto de seu companheiro e deu um beijo em sua testa, sua forma de demonstrar carinho.

Assim que eles se recuperaram o melhor possível naquele momento, eles voltaram sua caminhada.

- Você quer que um de nós chame Lucius ou você vai sozinho? - Aro perguntou antes que chegassem as escadas.

Harry pensou por um momento e decidiu ele mesmo ir. Depois da primeira conversa onde ambos se entenderam, seu relacionamento floresceu. Quando ele não estava com sua família, ele podia ser encontrado com Lucius, seja estudando ou apenas conversando. Harry conheceu muito mais de seu pai e ele podia sentir como se estivesse vivendo todas aquelas lembranças ao ouvir a voz de Lucius.

Perdido em pensamentos, Harry chegou à porta de mogno que guardava o quarto de Tom e Severus. Outras duas pessoas que mudaram sua vida e agora, já tinham um lugar especial em seu coração. Depois de se acertarem, Harry aprendeu muito de sua mãe com Severus e então ele pôde entender como Lily e James foram tão amados pelas pessoas ao seu redor. Tom contou as poucas coisas que sabia e juntos, pela dor de não terem passado tanto tempo com Lily e pelo laço de sangue que os unia, Harry pôde deixar de lado tudo o que viveu, agora sabendo que Tom não teve culpa de nada, que era apenas mais de um no meio de tantas outras vítimas.

Ele não notou que bateu na porta, mas viu ela sendo aberta e mostrando a figura de Tom. Seus olhos estavam cansados, como se estivesse acabado de acordar. E provavelmente era verdade, fazia pouco mais de uma hora desde que as comemorações foram encerradas. Sua voz nublada pelo sono o fez voltar a realidade.

- Harry?

Harry olhou para cima e encontros seus olhos o estudando tão preocupados. Logo atrás de Tom a figura de Severus apareceu, se aproximando da porta. Os dois estavam com um roupão que combinava e Harry não pôde deixar de pensar em como os dois eram tão parecidos.

- Todo mundo precisa se reunir no salão de festa. - Harry tentou explicar, mas não teve muito sucesso quando viu a confusão estampada em seus rostos.

- Festa? - Severus perguntou quando tom permaneceu em silêncio.

- É uma das poucas salas que cabe todos os hóspedes do castelo. - Harry explicou à Severus antes de voltar ao início. - Luna fez uma profecia, e talvez isso nos ajude.

- Oh, querido menino. - Tom o puxou para dentro do quarto e o sentou em sua cama, segurando suas mãos. - Nós vamos fazer o possível para acabarmos logo com essa bagunça.

Harry sentiu a cama afundar ao seu lado e olhou para Severus que se aproximou da dupla. Seus olhos negros trazendo conforto ao seu coração.

- Nós vamos nos trocar e então seguiremos com você, tudo bem? - Severus tocou seu ombro, ainda sem saber como lidar.

O homem mais jovem apenas concordou com a cabeça e permaneceu onde estava. Severus e Tom revezaram, enquanto um estava sentado ao lado dele, o outro se trocava. Quando os dois homens terminaram, os três caminharam para fora do quarto, Harry os guiando até a altura que se separariam. Ele explicou que chamaria por Lucius e Narcisa. Mesmo não querendo se separar dele, o casal concordou e seguiu para a sala que Harry indicou.

Enquanto todos no castelo se mobilizavam para se encontrarem no salão de festas, Layde ainda estava com Xenophilius ao lado de Luna. Eles não sabiam quando ela acordaria, mas tentavam manter a esperança de que não demorasse muito.

Layde havia mandado seu patrono para os sete grupos de sua família, com as informações necessárias para que se encontrassem rapidamente.

- O que você acha? - Xeno perguntou à mulher.

- Eu preciso confirmar com minha família antes de qualquer coisa. - Layde já tinha suas suspeitas sobre algumas palavras, mas nada concreto.

As palavras pareciam um tanto assustadoras quando se entendia o significado por trás, ainda mais no momento em que eles estavam vivendo.

- Por favor, seja sincera comigo. - Xeno pediu para Layde enquanto seus olhos se encaravam, querendo que ela soubesse o quão assustado e temoroso ele estava. - Luna vai ficar bem?

Layde não respondeu de imediato. Ela pensou nas palavras cuidadosamente.

- Ela vai acordar. - Xeno fechou os olhos, sentindo seu coração apertado. - Eu não tenho certeza de como a magia dela vai reagir depois de uma profecia. Como você já está ciente, isso necessita um grande poder mágico.

- Mas ela vai acordar. - Era a única coisa a qual ele estava se agarrando. - Preciso falar com Rolf.

- Xeno, espere. - Layde levantou o tom de voz para que a atenção voltasse a ela. - Ela vai acordar, mas só depois que a profecia se cumprir, isso é uma garantia de que ela não vai interferir nos resultados. Provavelmente porque ela é muito próxima de Harry Potter.

Xenophilius parou por um momento analisando o que ela disse e acenou com a cabeça. Ainda que ele se preocupasse com sua filha, ele sabia como Harry fora importante desde que se conheceram. Eles se tratavam quase como irmãos, o homem mais velho dando um fim ao bullying que ela sofria e trazendo-a para seu circulo de amizades, nunca mais a deixando sozinha.

Harry Potter era uma outra criança da guerra, uma outra criança órfã, ele é alguém que perdeu tudo, mas que finalmente encontrou um porto seguro. E agora, com tudo caindo ao seu redor, ele não conseguia imaginar como o homem mais jovem estava. Mas ele sabia que faria o que estivesse ao seu alcance para dar um fim nisso, assim como sua filha faria se estivesse acordada.

- Eu ainda vou chamar Rolf, ele precisa saber do estado dela. - Xeno saiu da sala, uma luta interna em querer estar com sua filha e ao mesmo tempo sabendo que lá ele era inútil.

Layde observou seu velho amigo se afastar. Essas situações, de pais e filhos não vivendo juntos, era algo que sua família já estava acostumada. No mesmo dia do nascimento de uma criança, eles faziam testes para saber para onde sua magia estava inclinada. Então era comum os filhos não serem criados pelos pais biológicos. Assim como também era comum a mistura de poder entre eles para que as crianças nasçam com mais habilidades.

Seu filho, Aleks, não foi criado por ela, mas sim pelo pai dele, Harvey. Já seu segundo filho, Matteo, vivia com ela. Era assim que as coisas funcionavam em sua família, nunca houve problema. Ainda que houvesse muito preconceito da parte dos bruxos, seus dons eram muito requisitados por outras criaturas.

A mulher pensou na sua família que estava prestes a chegar. Ela sabia que nem todos viriam, até porque eram mais de cinquenta pessoas. Provavelmente eram os mais velhos que viriam, aqueles que obtinham mais conhecimento, então não havia chance de ver seu filho mais velho hoje. Mesmo que ele pudesse vir, ele escolheria ficar ao lado do pai de seu filho ainda não nascido.

Um puxão em sua magia a alertou de que eles estavam chegando. Ela ainda estava receosa de ficar naquele quarto, sabendo como os vampiros ficam com seu ninho sendo invadido, mas como ninguém a mudou de sala, ela tentou relaxar.

A porta se abriu e ela viu seus bisavós, esses sendo os primeiros, logo sendo seguidos pelos demais. Manfred e Joëlle tiveram apenas três filhos, Gerhard, Gunther e Raoul, seu avô. Iona, irmã de sua avó, se casou com Paollo, um primo, juntos tiveram, Leslie e Yves. Paollo teve um filho com sua irmã Eva, Maciej. Alfred, irmão de seu avô, se relacionou com sua filha e juntos tiveram seis filhos, Nicola, Mandy, Frank, Matt, Madison e Emma. Eva tinha outro irmão, Geoffrey, esse que havia se casado com a sobrinha, Duane, os dois juntos tiveram Nigel, Glenn e Shawn.

Sua família era maior e as relações eram confusas, não era fácil de se colocar no papel, mas mesmo não tendo muito contato, ela conhecia cada um deles e os amava.

- Layde, qual o motivo da chamada? - Seu avô perguntou preocupado quando percebeu o corpo inconsciente ao seu lado.

- Vovô. - Layde deu um aceno a ele. Mesmo querendo abraçá-lo nesse instante, agora era hora de negócios. - Essa é Luna Lovegood, uma de minhas pacientes. Ela teve uma visão e temo que a guerra finalmente aconteça.

Seus familiares logo ficaram tensos, sabendo o que isso implicava, a presença e ajuda deles. Todos eles sabiam que uma hora ou outra isso ia acontecer.

- O que podemos fazer por agora é estudar essas palavras e unirmos forças. - Nicola disse.

- Os reis Volturi disseram que se encontrariam em um dos salões de festas. Aro Volturi deixou um guarda ao final do corredor para nos guiar. - Layde se levantou e esperou que cada pessoa atravessasse a porta.

Andando na frente, ele se encontrou com Félix, aquele que os levaria. A família ficou em silêncio enquanto seguiam o vampiro. Em algum momento, Xenophilius e Rolf passaram por eles, houve um breve cumprimento como reconhecimento de sua presença, mas nada mais.

Assim que chegaram à sala que já abrigava os outros hóspedes e a família real, eles caminharam até o púlpito da sala, todas as pessoas abrindo caminho para que eles atravessassem sem esforços.

Os reis e seu consorte deixaram que eles ficassem no meio, para que toda a atenção fosse voltada a eles.

- Uma profecia não é adivinhação, algo que vocês aprendem na escola. - Layde quem ficou responsável para falar diretamente com as pessoas. - Uma adivinhação é uma informação que você vai atrás, mas não é certeza de que aquilo vai acontecer, é uma entre as diversas possibilidades que existem. - Quando todos continuaram calados, Layde continuou sua explicação. Ela nunca ficou muito confortável na frente de tantas pessoas, mas respirou fundo para que o nervosismo não transparecesse muito. - Uma profecia vem dos seres que mantém o nosso mundo. Você não pode fugir de uma profecia, ela vai acontecer. Se houver interferências, um destino muito pior pode vir.

Harry ouviu as palavras, não conseguindo identificar todos os sentimentos que o dominavam com as informações. Seus filhos estavam presentes. Por mais que não participassem do confronto, eles precisavam estar cientes do que estava acontecendo. Jane e Alec estavam com Severus, enquanto Celine estava com Lucius e Narcisa.

Ele estava na frente de seus três companheiros, cada um deles o tocando em alguma parte do corpo, querendo passar qualquer sentimento positivo, mesmo eles tendo dificuldade de ser otimista. Harry trouxe sua mente de volta para o presente quando ouviu as palavras proféticas saindo da boca de Layde.

As pessoas se viraram para Harry, esperando que ele dissesse algo. Olhando para os seus companheiros, ele aceitou ir à frente.

- Todos aqui estão cientes do que aconteceu com James e Lily, assim como nós suspeitamos que eles possam ser esqueletos, esse o motivo de seu estado de vivo-morto, acredito que "lutar contra o escuro" possa significar alguma criatura. - Harry sabia que Luna o queria dizer algo com aquele livro, mas ele não havia entendido até aquele ponto.

- Numa guerra, há baixas em todos os lados, então sobre as vidas ceifadas na primeira parte parece óbvio, o que ainda precisamos descobrir é o que significa laços ceifados e a permanência de um falecido. - Gunther elevou sua voz assim que os murmúrios começaram.

- Estudem sobre o número sete, todas as vezes que ele já foi mencionado na história. Pesquisem sobre esqueletos e qualquer criatura que já foi mencionada como "escuro". Peguem todas essas informações e vão buscar um entendimento. Todos nós estaremos aqui para que vocês possam tirar suas dúvidas. - Iona deu um fim naquele assunto, esperando ter um lugar para conversar com sua família em particular.

- E vocês são...? - Uma voz masculina disse. A qual Harry concorda com Marcus Flint.

- Nós somos os Yumaita. Somos a única família que domina as sete áreas da magia. - Iona respondeu o homem mais novo. - Guardem suas perguntas para o futuro. Quanto menos tempo perderemos com perguntas inúteis no momento, melhor para a gente.

Assim, Harry comentou com as pessoas que saíram da sala aos poucos. Ele pegou de longe Aro pedindo para que um dos guardas levasse os Yumaita para uma sala particular, mas sua mente não estava nisso. Agora, ele queria segurar Celine em seus braços antes que a situação piorasse.

Passou pela sua mente a ausência das entidades que já apareceram tanto em sua vida, mas ele não se preocuparia com isso.