Resumo: Aquilo que começou como um dia de celebrações para a Aldeia da Folha tomou rumos inesperados para Naruto quando este se viu de cinco pessoas à procura de retaliação, resultando numa noite que entrará para a história da aldeia. No escuro, oito figuras decidem seu futuro.
Olá, caros leitores, como vocês estão?
Espero que tenham tido um excelente final de ano e estejam tendo um ótimo ano novo.
O capítulo de diante de vocês me deu mais trabalho para escrever do que estou disposto a admitir, mas o importante é que ele saiu! Tenho algumas ressalvas quanto ao tamanho dele, quanto ele desenvolveu a estória e o que isso pode significa para o futuro desta fic, mas sigamos.
Dará certo, só não me pergunte como.
Uma coisa tem que ser dita, no entanto, para fins de esclarecimento: eu havia dito que está fanfic seria o mais complacente com o Canon possível, não me ocorreu no entanto, que o autor não assiste Naruto há oito anos e o Canon que está na cabeça do autor é uma folha de papel deixada na chuva, muita coisa já se desmanchou. Corrigirei isto, mas as sementes desta fanfic já criaram suas raízes no solo ruim, então esqueçamos essa história de complacência ao original por enquanto, ¿Sí?
Teremos neste capítulo os primeiros personagens originais, eu tentarei não exagerar neles, dando preferência aos canônicos, mas tudo vai depender do bom senso, da falar dele e da minha memória(será uma jornada e tanto).
Teremos neste capítulo os primeiros personagens originais, eu tentarei não exagerar neles, dando preferência aos canônicos, mas tudo vai depender do bom senso, da falar dele e da minha memória(será uma jornada e tanto).
De acordo com o Notion, este capítulo tem: 11,4k palavras. Bem nutrido, eu diria.
/AVISO/
O capítulo a seguir contém cenas de bullying, violência contra crianças e descrição de cadáveres.
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Aproveitem!
As ruas estavam movimentadas, tão cheias que não tinha como alguém conseguir enxergar para onde estava indo sem parar de quando em quando e tentar subir em alguma coisa para espiar por cima das cabeças na multidão.
Pelo menos não alguém tão pequeno quanto ele. Afinal, Naruto era apenas um garoto de seis anos, cujo topo da cabeça costumava alcançar apenas a barriga da maioria dos adultos, com exceção dos muito baixos ou muito velhos. Assim, subiu em uma cadeira que estava vazia próximo de uma lojinha que vendia Takoyakis, com cuidado para não cair, se equilibrando no móvel cujos pés de tamanhos desiguais o faziam balançar para manter-se de pé, e ainda tentando ser o mais rápido possível para não ser pego.
Por cima das cabeças - das quais mais de duas lançaram-lhe olhares de desdém e ódio mal disfarçado -, Naruto pôde ver que o portão que ficava no topo de uma escadaria que dava acesso à um pequeno terraço estava aberto.
Sorriu com sua sorte e saltou da cadeira.
—Ei, moleque!- ouviu o dono da loja o repreendendo, correndo em sua direção, o fedor de polvo o acompanhando. Mas Naruto era mais rápido.
Correu para as escadas o mais rápido possível, não que isso dissesse muito, pois com a rua tão cheia, correr era mais uma questão de saber quando andar e quando esperar, cortando pela multidão e pisando em poças com a destreza e o desprendimento que só uma criança seis anos tinha.
Ou melhor, uma criança de quase sete. Há cinco dias de seu aniversário, Naruto tinha que ser cuidadoso e se esforçar para passar despercebido, o que ele detestava, mas não tinha o que ser feito. As pessoas na Aldeia da Folha ficavam mais hostis quando o aniversário dele estava perto, era melhor não chamar atenção.
Por isso havia escolhido esse lugar, um sorriso singelo surgindo-lhe ao rosto conforme subia as escadas. Mesmo que não desse para vê-lo por inteiro da cadeira onde ele havia subido, Naruto sabia que esse terraço estava completamente vazio*. Dito e feito, passado o portão, algumas curvas depois ele encontrou-se a sós num espaço pequeno mas amplo o bastante para um garoto da sua idade.
Pequenas explosão ressoaram pelo ar conforme os fogos anunciavam a paz*. De onde estava, Naruto conseguia ver o sol se pondo no horizonte, as nuvens cinzentas que haviam chuvido aquela manhã, parte da rua principal da aldeia, onde um mar de cabeças fazia a multidão que ele acabará de atravessar parecer pequena, podia ver a Torre Hokage, onde o vovô Hokage estava se encontrando com os ninjas de fora e podia ver também os rostos de pedra de todos os quatro Hokages.
Seu sorriso se ampliou enquanto ele sentava, mal conseguindo manter a empolgação.
Quando amanhecesse essa guerra iria finalmente acabar! Não que ele soubesse o que exatamente isso significava, já que ela já estava acontecendo desde que ele era novo demais para lembrar. Ele não saberia dizer como seria a paz, ou o que ela ia mudar na aldeia, mas parte dele tinha esperança de que as pessoas fosse parar de olhar para ele como se ele fosse o culpado dela. Talvez, quem sabe, eles parem de o odiar?
— Só mais um pouco…- prometeu para si mesmo, as pernas balançando preguiçosamente de um lado para o outro em inquietude, corpo inclinado para trás enquanto ele via o dia acabar.
De quando em quando seu olhar recaía sobre os rostos de pedra, deixando-o ainda mais inquieto. Mais cinco dias e ele teria sete anos, dos quais há um ele morava completamente sozinho, condição que ele havia prometido ao vovô Hokage que conseguiria cumprir como prova de responsabilidade para entrar na academia ninja e ele iria conseguir! Claro, ele teve algumas dificuldades aqui e ali, ficou alguns meses sem luz, não dava pra comprar comida o bastante - não que ele soubesse cozinhar -, e ele honestamente achava que recebia pouco, mas ainda assim ele conseguiu! Um ano inteiro morando sozinho e ele iria entrar pra academia! E então ele viraria Hokage!
Quer dizer, ele iria, não iria? Podia demorar um pouco, mas era só uma questão de tempo!
Riu para si mesmo, pulou sobre seus pés e começou a brincar sozinho, fingindo-se um ninja, imaginando seu futuro como Hokage, pensando em como o ninja da Nuvem deveria ser forte, mas mesmo assim o vovô Hokage conseguiria acabar com ele sem suar, fazendo poses de batalha, golpes de mentira e sinais de mãos desajeitados ou inexistentes. Na sua cabeça ele era o ninja mais poderoso do mundo, mas seu inimigo mortal, a sombra que o seguia para cima e para baixo, era o ninja mais perigoso do mundo, conhecia todos os jutsus que se havia para conhecer e conseguia o imitar com precisão, sempre capaz de esquivar de seus golpes e contra atacar rapidamente.
Brincou, riu, lutou. Foi criança naquele terraço onde ninguém o via, com exceção de quatro pessoas na sombras, mas Naruto sabia que aquelas pessoas estavam lá, sabia exatamente onde elas estavam e se sentia confortável com elas o observando. Elas sempre faziam isso, mesmo que nem sempre fossem as mesmas quatro pessoas. Elas nunca se aproximavam demais, mas nunca se afastavam, só quando Naruto corria na direção deles, mas elas nunca iam embora de verdade.
No começo, quando era menor, tinha ficado preocupado ao percebe-las seguindo o para todos os lados, mas acalmou-se ao perceber que elas também seguiam o vovô Hokage. Deviam protegê-lo e portanto deveriam estar de olho no futuro e melhor Hokage de todos os tempos.
Em algum momento uma quinta pessoa se juntou as outras quatro nas sombras, apesar de que esta última estava mais distante e parecia não interagir com os outros quatro. Estranhou a princípio, mas não se perturbou por isso.
Não que fizesse alguma diferença, no fim, todos o seguiram quando ele saiu do terraço, depois dele derrotar sua sombra. O que normalmente queria dizer que anoiteceu.
Era tudo questão de imaginação.
Andou sem rumo pelas ruas da aldeia, sorriso largo no rosto, traçando seu plano para se tornar o ninja mais forte do mundo. Ele iria se formar na academia bem rápido, aprenderia alguns jutsus legais, ia dominar todos os elementos antes de virar chunnin, talvez ele vire um mestre espadachim? Quem sabe. Em algum momento ele iria parar uma batalha ou salvar uma princesa, algo bem legal que todo mundo ia ficar sabendo pra ele virar Jounin e todo mundo se perguntar porque ele só não vira Hokage logo. É isso parecia certo. Faria isso em três anos para não apressar as coisas, depois ele iria curtir a fama por um tempo antes de finalmente aceitar ser Hokage. Parecia perfeito.
Era claro que ele seria o melhor Hokage de todos os tempos, mas não tinha porque humilhar os quatro que vieram antes! Então tudo bem levar uns cinco anos pra chegar lá, certo?
Deu uma risada, sem perceber que estava zanzando pelas ruas mais periféricas da aldeia, o chão de pedra dando lugar ao de terra batida, as paredes de cimento, com bom acabamento e constantemente limpas dando lugar às paredes de madeira com tábuas folgadas e algumas manchas que pareciam ser mais velhas que ele, os restaurantes e casas de chá dando lugar às casas com luzes apagadas de quem dormia cedo para trabalhar e bares sujos por onde alguém iria ocasionalmente cambalear para fora, cair e dormir ali mesmo.
Até mesmo a iluminação parecia pior aqui, mais de um poste piscava como se lutasse para se manter aceso.
Apesar disso, não se incomodou com a mudança de cenário, se limitando apenas á abaixar um pouco mais a cabeça e evitar contato visual. Passar despercebido era fácil para alguém tão pequeno quanto ele. Se realmente quisesse, ninguém o notava, exceto os quatro nas sombras.
Foi quando ele parou abruptamente, piscando surpreso. Eles não estavam mais lá. Quando eles tinham ido embora? Teriam perdido ele de vista? Isso sequer era possível? Tinha acontecido alguma coisa?
—Finalmente achei você, demônio!
Congelou momentaneamente, engasgando com sua própria respiração por um breve segundo, uma leve careta surgindo em suas feições diante das palavras tão comumente sussurradas pelas suas costas sendo agora tão abertamente dirigidas à ele.
Virou a cabeça em direção ao interlocutor, notando como ao seu redor, outros aldeões parecem ter percebido a cena e se interessado. Pelo menos três viraram o rosto em sua direção, os mesmo olhares de sempre nas expressões, com um toque de… satisfação? Mais de um parou para assistir o que estava para acontecer.
Encarando agora quem o havia chamado, deparou-se com um grupo de quatro garotos e uma garota, dos quais dois pareciam ter a mesma idade que Naruto, um parceria ser um ano ou dois mais novo, enquanto que os dois últimos, a garota inclusa, pareciam ser bem mais velhos.
A vestimenta do grupo era singular. O mais novo, de olhos castanhos e cabelos escuros, vestia uma bermuda azul escuro simples que descia até o meio de suas canelas e uma camiseta branca de mangas curtas. Vestia também uma vaga incerteza no olhar e uma inquietude no corpo. Os dois que eram da idade de Naruto trajavam roupas semelhantes ao mais novo, porém mais justas, como se tivessem escolhido um número menor do que deveriam para vestir.
Ou como se tivessem crescido demais debaixo daquela roupa, pensou uma voz intrusa em sua cabeça.
Reparou que estes dois traziam na roupa remendos aqui e ali, costuras aparentes aonde o tecido havia rasgado ou se desfeito. Ambos tinham cabelos castanhos, porém um era desgrenhado e o outro era redondo tipo tigela. Apenas um dos dois vestia a incerteza e inquietude no olhar, porém nele estes eram mais acentuados. O outro ostentava um olhar confiante e um sorriso que prometia problema.
Os últimos dois estavam vestidos do jeito mais estranho.
Ele vestia uma camisa vermelha com o símbolo da aldeia estampado no peito, esta devia ser alguns números maior do que ele vestia, haja vista o fato de que a mesma descia até o meio de sua coxa, tampando assim parte da calça preta cheia de bolsos, que por outro lado parecia ser curta demais, deixando quase metade de sua canela exposta. Ele ainda trazia três lenços, um amarelo ao redor do pescoço, outro também amarelo amarrado no braço e o último, vermelho e desfiando, amarrado em sua testa, impedindo o cabelo espetado de cair sobre seus olhos verdes.
Ela, vestia um vestido amarelo simples e surrado, dotado de alguns buracos aqui e ali, exibindo um pouco da pele da barriga, ombros e braços. O vestido claramente era grande demais para ela, forçando-a à amarrar partes do mesmo para que ela pudesse usá-lo sem pisar nele para poder andar. Usava também um óculos escuro grandes demais para seu rosto, indo do meio de sua testa até o meio de suas bochechas, cobriando completamente seus olhos, apesar de já estar de noite.
Estes dois tinham no rosto a mesma expressão séria.
—V-você tem certeza de que quer fazer, Chiba? A-a gente não deveri- começou o garoto incerto que era da idade de Naruto só para ser interrompido pelo mais velho.
—Cala a boca, Chiharu!- latiu, a camisa vermelha esvoaçando enquanto ele virava para o garoto que tinha protestado. A expressão dos três mais novos se contorceu diante do nome proferido. —Se você não tem coragem pra fazer o que é certo pra honrar os seus pais você pode ir embora! Não deveria sequer ter vindo, aqui não tem lugar pra covardes!
Concluiu sua afirmação voltando seu olhar de volta para Naruto, a raiva praticamente queimando por debaixo de sua retina, fazendo o loiro recuar um passo.
—Ma-Mamãe não iria querer que eu desonrasse a memória do papai…- comentou incerto o mais novo dos cinco, olhando para o chão enquanto mexia na barra de sua camiseta.
—Muito bem dito, Tetsu!- parabenizou o cabelo de tigela, o único que parecia estar realmente contente com toda a situação. —Dê ouvidos ao Tetsuyama, Takei!- ele abraçou o pescoço do que havia originalmente protestado, sorrindo um sorriso feio. —Além do mais, você sabe muito bem que não devemos questionar o grande Ikkyu, ele é o nosso líder, afinal de contas!
Havia uma alegria fora de lugar na voz do garoto que desconcertava Naruto e, junto da proximidade, fazia com que o nomeado Takei se remexesse debaixo daquele abraço.
—Miura!- comandou o mais velho, começando a andar lentamente na direção de Naruto.
—Sim, sim, grandioso Ikkyu!- respondeu o sorridente, caminhando também, cercando o lado direito de Naruto.
—Matsuyama.- mais uma vez comandou, ao que a garota silenciosamente respondeu começando a flanquear a esquerda do loiro, seu cabelo preto balançando junto do vestido ao redor dos ombros.
Ela ainda não havia dito uma palavra, percebeu a criança enquanto recuava mais alguns passos, tropeçando numa pedra e caindo sobre a própria bunda.
—Aonde pensa que vai, demônio?!- a voz era baixa, pouco mais que um sussurro, carregando veneno o bastante nas palavras para fazer um frio percorrer sua espinha e suas pernas tremerem. —Você ainda tem muito que pagar pelo que fez com nossas famílias!- rosnou por entre os dentes, estalando os dedos.
—M-Mas eu nem te conheço!- gaguejou um argumento, olhos fixos em Ikkyu, que estava há uns sete passos de distância a frente.
—Quem bate pode até não lembrar, mas que apanha nunca esquece.- disse pela primeira vez a garota num tom de voz tão baixo que por um momento Naruto se perguntou se não havia imaginado.
Percebeu então que ela já havia se aproximado tanto que poderia facilmente agarra-lo sem precisar esticar totalmente seus braços. O coração bateu ainda mais rápido do que já estava batendo, seu estômago embrulhou.
—Ma-mas o que foi que eu fi-
Fechou os olhos com força com a dor que sentiu quando Miura, com um sorriso que exibia todos os seus dentes, pisou com toda a força em cima de sua mão direita, seus dedos se girando dum jeito estranho conforme ele girava o calcanhar.
—Sh~~~~! Quietinho, demônio… !- um soluço morreu em sua garganta, seus olhos ardendo com lágrimas que estavam por cair, quando sentiu que com um agarrão fora erguido, seus pés não mais tocando o chão.
Encontrou-se encarando Ikkyu olho no olho enquanto ele o segurava pelo pescoço.
—Está na hora de pegar pelos seus crimes, não acha?- apertou seu pescoço, dedos afundando em sua traquéia e unhas arranhando sua garganta, impedindo que Naruto respirasse.
—Tá me sufocando!- tentou alertar mas nem palavras e nem ar passavam pelo aperto. Tentou agarrar o punho do mais velho, mas sua mão direita estava dolorida demais para conseguir segurar com força e a esquerda estava agora em posse da garota, cujo agarre de ferro não se movia por mais que ele fizesse de tudo para se soltar.
—Os adultos te deixaram solto pela aldeia, impune, por tempo demais! Mas isso acaba agora…
—Ele tá chorando!- deleitou-se Miura vendo como as lágrimas do loiro fluíam quentes por suas bochechas. — O que vamos fazer com ele?!- notou de canto de olho que os outros dois haviam se aproximado também, cercando-o por todos os lados. —E se nós o matarmos!?- Takei e Tetsu se remexeram desconfortáveis com a ideia, Matsuyama franziu o cenho, mas para desespero de Naruto, Ikkyu parecia considerar seriamente a possibilidade. —Tenho certeza de que ninguém vai se importar se nós livramos de uma vez por todas da raposinha, talvez eles até nos agradeçam!
—Chiharu!- advertiu Matsuyama, apertando seu pulso com ainda mais força, o que rendeu uma língua como resposta do garoto com cabelo de tigela.
Chiharu, Chiba, Matsuyama. Ele tinha certeza de que já havia escutado esses três nomes em algum lugar, da mesma forma, estava certo também de que já vira os mais velhos, mas ele não fazia ideia de aonde. Ele não fazia ideia do que tinha feito, não tinha ideia do que fazer, só sabia que estava a mercê do grupo, indefeso e prestes a morrer sem saber sequer o porquê.
Ao fundo, ele podia ouvir o vozerio dos cinco debatendo, mas não conseguia mais distinguir suas vozes ou suas palavras. Sua visão já estava escurecida, formas e cores embaralhadas, seus braços e pernas já estavam dormentes.
Socorro! suplicou nos confins de sua mente, Eu não consigo respirar!
Estava prestes a perder a consciência, o calor de suas lágrimas no rosto a única coisa que ele ainda conseguia sentir, imaginou ter ouvido ao longe uma risada maligna de escárnio que seria capaz de enviar calafrios à espinha se sua situação já não fosse tão desesperadora.
Talvez fosse o Deus da Morte zombando dele? Não sabia e não descobriu, pois sntes que pudesse, sentiu algo acerta-lhe a bochecha.
Sua cabeça automaticamente voou para trás, parando somente quando seu pescoço a manteve no lugar, estalando no processo, deixando para trás apenas uma sensação de latência e um certo formigamento. Fora atingindo novamente, desta vez no olho direito, a sensação anterior se agravando e sua visão momentaneamente indo da escuridão para um flash branco, antes de retornar para o escuro.
Estou sendo socado, notou.
O terceiro soco acertou seu nariz em cheio, fazendo um crack estranho ressoar por sua cabeça e o enviando de volta para o branco, enquanto algo molhado atingia a lateral de seu corpo.
Dessa vez, no entanto, ele não retornou imediatamente para o escuro, ao invés disso sua visão lentamente tomou a forma de pequenas pedras num chão de terra enlameado, seu corpo inteiro formigando, sua garganta ferida ardendo conforme ar fresco passava por ela mais uma vez.
O último soco, de tão forte, o havia enviado alguns metros para trás, livrando-o dos agarrões. Também deve ter quebrado seu nariz, um vez que uma grossa torrente de sangue jorrava deste, misturando-se com lama, banhando sua camiseta preta.
Não teve, porém, tempo para reclamar da lesão ou comemorar o fato de estar vivo, pois logo uma nova dor o afligiu quando um chute o acertou a lateral de seu peito, roubando de seus pulmões o pouco ar que havia respirado. Seguinte ao chute, veio outro, este nas coxas, outro um pouco acima da cintura, um terceiro mirava seu pescoço, sendo aparado por pouco pelo antebraço da criança enquanto a mesma fazia o que podia para se defender, no entanto a sucessão de pisões e pontapés seguiu incansável, de todos os lados, de todas as formas, de todos os cinco.
Alguém precisa me ajudar!, pensou, uma vez que sua garganta ainda doía demais para gritar, Alguém, qualquer um!
Seus olhos varreram o ambiente para além dos seus cinco algozes e ele percebeu então que estava sozinho. Precisamente falando, ele estava sozinho, pois ao redor do grupo, adultos iam e vinham, seguindo com suas vidas como se nada estivesse acontecendo. Algumas mães empurravam suas crianças menores, falando para elas não olharem, alguns homens não se dignavam a disfarçar, descaradamente virando seus rostos curiosos para a cena enquanto outros ao menos desviavam o olhar, envergonhados.
Num beco mais escuro, algumas ruas a frente, um bando de bêbados ria ruidosamente, abertamente apontando para eles numa animada conversa entre si, talvez até mesmo fazendo apostas.
'E se matarmos ele!? Tenho certeza de que ninguém vai se importar se nós livramos de uma vez por todas da , talvez eles até nos agradeçam!' o peso das palavras de Miura afundaram como uma pedra na mente de Naruto, sua cabeça infantil tentando encontrar uma saída para essa situação enquanto no fundo ele estava certo que seria morto.
A mesma risada maliciosa que ele tinha escutado antes retornou, ainda mais alta, quase um gargalhar ecoando por sua cabeça, o Deus da Morte o chamando mais e mais.
De repente ele fechou sua mão direita - a mesma que havia sido pisoteada - enquanto tentava aparar um chute direcionado a seu rosto, conseguindo assim agarrar a perna que o chutava. Não era muito, considerando que parecia se tratar do menor dos cinco, Tetsuyama, sua mente o lembrou, mas ainda assim, era algo.
Com uma força que ele não sabia possuir, Naruto empurrou Tetsuyama, derrubando-o e com uma cotovelada na lateral daquele que estava ao lado do pequeno - Takei, lembrou-se também - se levantou, abrindo caminho por entre o cerco e correndo tão rápido quanto suas pernas pequenas poderiam carregá-lo.
—Ei, Demônio!
—Aonde pensa que vai, raposinha?!
Reclamaram Ikkyu e Miura, respectivamente.
—Saí, moleque!
—Vai acabar sujando minha roupa nova!
Reclamaram também dois aldeões, apenas rostos na multidão.
Naruto passou por eles sem olhar aonde estava, nem para onde estava indo, lágrimas e sangue caindo igualmente de seu rosto, corpo dolorido, respiração ofegante através de uma garganta que ainda ardia.
Correu tanto quanto pôde, mas seus sentidos logo o informaram que seus perseguidores eram mais rápidos do que ele. Fez a curva na esquina seguinte, costurando por entre as poucas pessoas que ali estavam numa tentativa de atrasa-los, mas não adiantou muito, logo eles estavam se aproximando novamente. Ele precisava de ajuda e rápido, ele precisava chegar até alguém da polícia! Foi nesse pensamento que ele dobrou duas esquinas seguidas e entrou num beco que ele sabia que daria numa rua movimentada que era sempre patrulhada por um Uchiha ou dois.
Qual foi sua surpresa ao descobrir que dito beco, que ele mesmo havia usado tantas vezes, aparentemente era agora murado, prendendo-o num beco sem saída cuja entrada já estava guardada por quem o perseguia.
O que eu faço?!, pensou exaltado vendo que apenas Tetsuyama não havia chegado ao beco ainda. Ikkyu e Matsuyama sequer pareciam ter suado com a corrida.
—Finalmente…!- começou Miura, tomando ar entre as palavras. —Não tem… mais pra onde correr… capeta!
O sorriso lunático, sempre presente no rosto do castanho havia sido ofuscado pelas caretas que ela fazia tentando recuperar o fôlego. Naruto acharia engraçado se a situação não fosse tão trágica. Matsuyama foi a primeira a avançar, passos lentos adiante seguidos de perto pelos de Ikkyu.
A mente de Naruto estava correndo a todo vapor, seu coração sendo o único capaz de acompanhá-la enquanto seus olhos reviravam o cenário em busca de uma possível saída. Com a adrenalina da situação colocando a dor de lado, levando o corpo ferido ainda mais para além de seus limites, Naruto se jogou na primeira oportunidade que encontrou. Era pequena, escura e um tanto assustadora, mas era o melhor que ele tinha: tratava-se de uma pequena fresta aonde haviam se quebrado duas das tábuas de madeira de uma pequena cerca que selava o vão que havia entre as paredes de duas casas a sua direita.
—Merda!- xingou Ikkyu quando Naruto atravessou, sua bermuda rasgando e a madeira arranhando suas canelas de tão apertada que era a passagem.
Ainda assim Matsuyama quase o segurou pelo pé, seu calcanhar escorregando pelos dedos da garota.
Ele levantou com dificuldade, suas pernas doendo por onde a madeira arranhou, sentido-se quase esmagado entre uma parede e outra, a única fonte de luz sendo as luzes dos postes refletidas na parede aonde uma casa era mais alta que a outra. Avançou em meio a escuridão e sujeira, sentindo pingar gotas grossas de uma das calhas. Ouviu baixinho os guinchos de ratos por entre as pernas e escolheu não pensar nisso enquanto ele virava aonde a passagem acabava para frente mas seguia à esquerda.
Por sorte, ele encontrou um tijolo quando esta acabou em uma outra cerca um pouco menor que a maioria dos adultos. Sentindo que eles não estavam próximos, ele subiu no tijolo e pulou para alcançar a parte de cima das tábuas de madeira e se jogou para o outro lado, caindo sobre alguns sacos de lixo que fediam a comida podre.
Ergueu-se cambaleando e correu sem rumo pelas ruas que estavam à sua frente, dobrando esquina após esquina, correu até que suas pernas parecessem dormentes debaixo de seu corpo e só então se permitiu parar, colocando as mãos sobre os joelhos para recuperar o fôlego, a lateral de sua barriga doendo de tanto correr, isto é, para além de toda dor que ele sentia de ter apanhado.
Só então, dando uma olhada melhor em si mesmo que ele percebeu o quão miserável ele parecia. Sua bermuda estava rasgada em mais de um lugar, sua camisa surrada e empapada de sangue e lama, um rasgo descia pela lateral de suas pernas aonde a madeira o havia arranhado, sangue escorrendo por entre seus dedos e pingando no chão.
Isso sem contar as piores partes, como nariz que estava fazendo uma curva estranha e começava a inchar, seu olho direito que já estava inchado, forçando-o a enxergar apenas com o esquerdo, alguns de seus dentes da frente estavam claramente moles, sua garganta ainda ardia para respirar, assim como o seu lado esquerdo, aonde Matsuyama havia acertado um chute forte, doía muito cada vez que ele inalava.
Um arrepio correu sua coluna quando sentiu a presença dos cinco à distância, correndo em sua direção. Percebeu então que seu sangue havia deixado um rastro no chão.
Amaldiçoando a própria sorte, Naruto voltou a correr, a respiração pesada e corpo gritando em dor, como se apenas a pequena pausa que tivera o tornasse mais consciente do estado em que se encontrava e isso bastasse para intensificar a dor.
Fazendo uma careta a cada passo, abandonou as ruas da aldeia, entrando uma região de mata, meio esperando que não notassem que ele havia ido por ali, meio esperando que eles desistissem da perseguição se tivessem que entrar na mata escura atrás dele, meio esperando que na escuridão da mata ele pudesse despistá-los com mais facilidade, meio esperando que poderia alcançar a ajuda antes deles o alcançarem, já que ele sentia, bem ao longe, a presença quinta pessoa que o havia seguido nas sombras naquele dia, imóvel em meio a floresta.
Suas expectativas, no entanto, foram quebradas, uma a uma. Primeiro quando seus perseguidores não só perceberam seu rastro indo bosque adentro, como pouco pareceram de abalar com isso, partindo em sua direção quase de imediato.
E então, apesar de - com toda a coragem de um garoto de quase sete anos - Naruto correr sem parar, mesmo sem conseguir enxergar nada a frente, ele não estava conseguindo despistar os cinco. Pelo contrário, a distância entre eles estava se fechando.
Devia ter conseguido pôr talvez cinco minutos de vantagem sobre eles ao ter entrado naquele vão, agora, eles levavam cinquenta segundos para fazer o mesmo progresso que ele fazia num minuto inteiro, era apenas questão de tempo até que eles o pegassem.
E por fim, como se não bastasse que eles estivessem tão perto, o caminho entre ele e seu salvador foi interrompido pelas grades de uma cerca, alta e imponente, que pelo que ele podia ver, apesar da escuridão, parecia se estender eternamente tanto para a direita quanto para a esquerda. Seu Salvador estava na floresta que continuava do outros lado, disso ele estava certo
—Quê?! Só pode tá brincando comigo!, quem coloca uma cerca no meio da floresta do nada?!- reclamou, empurrando vigorosamente a grade para frente e para trás, como se isso fosse o bastante para fazê-la ceder.
A verdade era que ele não queria atravessar essa cerca mais do que ele queria ser encontrado pelos outros. Absolutamente tudo parecia errado com a floresta a frente, ele conseguia sentir a energia da própria morte emanando em sua direção, além de duas presenças, uma ameaçadora e outra puramente maligna que estavam estacionadas em algum lugar além da que ele buscava por ajuda. Cada fibra de seu pequeno ser dizia ser uma péssima ideia seguir em frente.
Porém, cada pensamento que ele tinha dizia que era uma ideia pior se deixar ser pego pelas outras crianças.
Assim, no momento que seus ouvidos captaram o som de galhos se partindo a menos de um minuto de distância, saltou, dedos doloridos e inchados de uma mão parcialmente inutilizada buscando equilíbrio por entre os vãos do arame enquanto sua mão boa alçava o mais alto possível por cima de sua pequena cabeça, suportando todo seu peso sobre a grade e ao passo que suas pernas exauridas o empurravam para cima tão depressa quando podiam.
Passou, em direção ao topo, por uma placa, que, por mais que ele não soubesse ler, conseguiu reconhecer vagamente o número quatro escrito duas vezes, causando-lhe um leve temor pelo presságio*. Ainda assim, não parou e pôde se orgulhar de seu condicionamento, pois alcançou o topo bem antes deles alcançarem a cerca.
—SEU MERDA!- o grito de Ikkyu ecoando além da linha de arbustos de onde ele viera sendo o único sinal de proximidade dos cinco enquanto Naruto pulava para o outro lado com um sorriso satisfeito no rosto.
Pousou em seus calcanhares.
Porém pouso em falso. Ou escorregou na lama. Não saberia dizer. O que ele sabia é que ambos os pés foram ejetados para frente, seu peso recaindo sobre sua bunda primeiro, e então sobre suas costas, e por fim sobre a parte de trás de sua cabeça.
Seu ouvido começou a zumbir e o mundo imediatamente apagou, o que por si só já era digno de nota, levando-se em conta o breu que já estava, mas logo a pouca luz do ambiente retornou, só que… estranha. Por um momento, Naruto se esqueceu aonde estava ou porque, mas no momento seguinte começou a se levantar, recordando de que estava fugindo, mesmo que ainda não lembrasse de quem ou porque.
Ouviu o som de uma grade sendo escalada por múltiplas pessoas a sua frente, ou ao seu lado, ou atrás de si, estava confuso de mais para saber.
É onde eles estão, pensou, recorrendo ao seu melhor sentido para sentir cinco presenças que estavam escalando em algum lugar perto, Estou fugindo deles, lembrou ao se apoiar no seu braço esquerdo, agora trêmulo pelo esforço da escalada.
Vomitou ao transferir o peso de seus joelhos para seus pés, mas sua mente mal registrou tal fato, focando-se em voltar a correr para a escuridão.
Ou andar bem desengonçadamente. Ou tropeçar para frente. Ou para trás. Ou para os lados. Seu senso de direção estava confuso de mais para saber. As presenças eram as únicas coisas realmente confiáveis.
Cinco estão pulando bem perto, ameaças, sua mente recontou, Uma está parada, longe, minha salvação, tropeçou num galho, caindo sobre um de seus joelhos, arfou, sentido-se exausto e com sono, mas levantou e retomou seus tropeçou adiante ao sentir as cinco primeiras presenças se aproximando, Duas estão muito longe, sinistras, melhor evitar, fechou os olhos ao perceber que tinha sido alcançado, mas seus perseguidores haviam decidido manter uma curta distância, andando no mesmo ritmo que ele, Estou cercado, notou então uma infinitude de presenças hostis ao seu redor, Animais, concluiu, rezando para que um destes intervisse ao passo que seus tropeços o levaram ao meio de uma clareira.
Suas orações não foram respondidas.
Tombou ao sentir uma dor forte e aguda em sua perna esquerda. Olhou para baixo para vendo um objeto longo e parecido com um losango saindo de sua panturrilha.
Uma kunai, reconheceu o projetil que estava enterrado a três dedos de profundidade na batata de sua perna, Eles são ninjas, lembrou, olhando para o grupo às margens da clareira, finalmente recordando de ter visto os dois mais velhos entrando e saindo da academia ninja mais de uma vez.
O rosto de Matsuyama não demonstrava emoção alguma, uma kunai em cada mão, enquanto um sorriso maldoso adornava o de Ikkyu, um conjunto de shurikens em uma das mãos enquanto a outra estava projetada para frente, em pose de arremesso.
—Na mosca!- comemorou ele.
—MINHA VEZ!- gritou Miura, correndo para frente, rapidamente fechando a distância entre eles.
Naruto simplesmente fechou os olhos, finalmente aceitando seu destino. Eu vou morrer, constatou.
Sentiu o impacto dos golpes banhando seu corpo juvenil tentando proteger nada além da cabeça, o que não durou por muito tempo, a dor, sempre presente naquela horrível noite, agora já não estava, seu corpo jazia completamente dormente a mercer de seus carrascos, a risada maligna do Deus da Morte ecoando ruidosamente em sua cabeça.
Não sabia por quanto tempo fora espancado, não importava, uma hora, no entanto, os golpes pararam.
Ouso então abrir os olhos.
De onde estava deitado, sua infantil forma batida contra o chão de terra enlameada, mãos trêmulas e uma pequena poça de sangue se formando ao seu redor, Naruto podia ver os cinco encarando-o satisfeitos.
Conversavam algo entre si, mas a maior parte das palavras não eram discerníveis para ele em seu estado atual.
—… deixar ele aí, os animais vão terminar o serviço.- decidiu o líder do bando, se ajoelhando ao seu lado e tomando o óculos que ele trazia na testa. —Estou pegando isso de volta.- disse num tom de voz neutro, com um olhar um tanto incerto, levantando-se.
—Ha! Além de assassino é um ladrãozinho de merda!- riu um outro ao fundo e Naruto pôde sentir a saliva deste pousar em sua bochecha e escorrer por cima de seu nariz.
Ele não havia roubado aqueles óculos. Havia os encontrado largados no chão de uma praça e esperado a noite fria de inverno cair até todos se recolherem para suas casas antes de pegá-los. Apesar de ter conseguido os óculos que queria naquela noite, ele preferia que o dono tivesse aparecido para que ele pudesse devolvê-los. Quem sabe ele pudesse fazer um amigo…
—Vamos.- chamou Ikkyu Chiba indo embora, os outros o seguindo de perto.
À excessão de Matsuyama, que permaneceu na clareira, encarando-o. Somente quando os outros já estavam longe ela suspirou, caminhando a passos firmes em sua direção e acertando um potente chute em seu rosto.
Neste momento Naruto caiu na escuridão do inconsciente, apenas o chamado da morte ecoando enquanto sua mente esvaia.
E então ele abriu os olhos, descrente de que ainda estava vivo. Seu corpo tão frio quanto a lama sobre a qual ele estava deitado, o sangue seco e a lua já muito alta na céu noturno sendo as únicas provas de que o tempo havia passado.
Fez esforço para se sentar, cada parte de si mergulhada em agonia. Olhou para suas mãos, a direita seguia inchada mas havia agora um tom de roxo em seus dedos, a esquerda por outro lado tinha alguns cortes pequenos que já tinham casca e seus dedos estavam dobrados na direção errada. Ambas tremiam.
Fechou ambas com força, fechando também os olhos com a dor que a ação causou. Abriu os, lentamente e com muito esforço se pôs de pé, percebendo então que seu calcanhar esquerdo também doía, ao ponto de que ele teve que apoiar seu peso todo no direito.
O que ele faria agora? Se ficasse ali não teria chance contra os animais que ele podia sentir na floresta, mas neste estado não conseguiria escalar a cerca de volta e não tinha como saber se ele conseguiria dar a volta nela, já que não saberia dizer até onde ela ia, se é que era possível dar a volta em primeiro lugar. Talvez tivesse uma porta ou portão em algum lugar, mas de certo estariam trancados a esta hora.
Meu salvador, lembrou-se.
Sua única esperança era ele. Já era antes, como ele pode ser esquecer disso ele não poderia dizer, uma vez que ele só tinha entrado nessa maldita floresta para pedir ajuda aquele que o seguiu nas somb-
Um arrepio percorreu sua espinha e seus olhos arregalaram tanto quanto o inchaço permitia.
Ele estava sozinho na floresta, só ele, os animais e as duas presenças sinistras que ele havia sentido mais cedo. A diferença é que antes elas estavam longe, floresta adentro, no entanto agora elas estavam perto, entre ele e a aldeia e estavam lentamente se aproximando.
Engoliu seco, sua garganta ferida reclamando de dor, ao que ele prontamente ignorou e começou a fugir, de novo, mancando em direção ao coração da mata, no que deveria ser a fuga mais lenta da história, que era acompanhada de perto pelo que deveria ser a perseguição mais lenta da história.
Eles estão me seguindo?, não pôde deixar de se perguntar, mesmo sem deixar de mancar.
Não teve dificuldade para evitar os animais, verdade seja dita ele tinha a impressão de os animais estavam tentando evitar os dois que o seguiam tanto quanto ele, não obstante teve dificuldade com o terreno. Mais de uma vez escorregou, tendo que confiar à sua perna ruim para manter-se de pé, chegou a tropeçar na raiz de uma árvore uma vez e teve que rastejar por baixo das raízes de outra árvore uma outra, vez esta na qual um galho ressequido de um arbusto causou um corte logo abaixo de seu olho esquerdo ao se levantar.
Apesar de tudo, estava se saindo bem. Não estava se distanciando, mas eles - que agora ele estava certo de que o seguiam - também não estavam se aproximando, mantendo assim a distância relativamente inalterada, o que só atestava o quanto seus perseguidores desta vez eram lentos.
Talvez eles desistam se eu conseguir mantê-los longe por muito tempo!, pensou usando-se de um otimismo que nem mesmo ele conseguia sustentar, tendo em vista que seu corpo aos poucos estava sendo as dores, Ou então eu posso aproveitar que os animais não se aproximam deles e procurar uma saída dessa floresta!, fechou os olhos conforme uma pontada de dor nas costas o afligia, Talvez eles só queriam ajudar… !
Tropeçou em algo, caindo de cara no chão. Soltou uma exclamação de dor, massageando seu dolorido nariz que a essa altura era uma pequena batata e abrindo os olhos.
Congelou. Estava novamente em uma clareira, porém seus olhos estavam fixos nos olhos sem vida de um cadáver que jazia logo a sua frente.
Recuou com um grito jogando-se para trás, assustado, se apoiando sobre suas mãos feridas. Sua mão esquerda pousou sobre algo rígido e frio. Virou sua cabeça e seu olhar recaiu sobre um outro corpo, este vestia uma máscara branca de cerâmica com detalhes em vermelho que deslizou para o lado sob o peso da mão de Naruto, revelando o olhar arregalado e a boca aberta do homem. A cabeça não se moveu um centímetro, apesar de um corte diagonal atravessar a garganta do homem, começando no ombro e terminando abaixo da orelha, sendo tão profundo que Naruto podia discernir na carne os dois buracos por onde deveriam descer o ar e a comida, o sangue acumulado ali escuro e grosso.
Bile subiu pela garganta Naruto e se ele já não tivesse vomitado tudo quando caiu mais cedo, teria vomitado agora.
Afastou-se da grotesca cena sem nunca tirar os olhos dos corpos, como se os mortos pudessem pegá-lo se desviasse o olhar, chocando-se com uma árvore nos limites da clareira, suas pernas, como que presas ao repetido movimento que fizeram para se afastar, seguiram chutando a terra para longe até ele eventualmente se erguer, suas costas arrastando contra tronco áspero. Não podia acreditar no que seus olhos estavam vendo.
Pelo menos doze corpos estavam espalhados pela clareira que estava também pontuada aqui e ali por crateras, lascas de madeira e um murro de terra. Do lado oposto da clareira algumas árvores estavam carbonizadas, duas ainda ardiam e grossos galhos estavam perdidos pelo campo de batalha, um corte limpo visível aonde antes eles se ligavam às árvores. O chão estava banhado de vermelho, os corpos, alguns mutilados - destes, alguns com os rostos desfigurados com profundos cortes e perfurações -, outros com braços e pernas dobrados em mais de um lugar, alguns vestidos com roupas simples, outros completamente nus, estavam todos dispostos em três grupos, um cadáver nunca a mais de dez passos de distância do outro.
Os que mais chamavam atenção eram as três figuras que trajavam uma armadura cinza e uma máscara branca com desenhos coloridos, estes estavam separados uns dos outros, porém rodeados pelo corpos de seus inimigos. O que Naruto esbarrou tinha uma espada quebrada na mão, a ponta quebrada enterrada no pescoço de um homem nu a sete passos de distância. Um outro, mais corpulento, teve sua máscara partida em três enquanto sua cabeça havia sido esmagada por um pedregulho que era maior que o dorso de Naruto, kunais e shurikens espelhadas por seu corpo, ao seu redor, três inimigos faziam brutalizados, com membros retorcidos ou dobrados nos lugares errados e kunais saindo de suas cabeças, um inclusive tinha o rosto virado pro céu apesar de estar deitado de barriga para baixo. O último ainda tinha sua máscara bem fixa ao rosto enquanto jazia recostado ao muro no meio da clareira, não estava sujo de sangue nem mutilado, a única coisa que denunciava sua morte sendo o buraco do tamanho de um punho em seu peito, pelo qual não sangrara pois o mesmo havia sido queimado até a carne ficar negra, espalhando um cheiro terrível por todo o local que apenas se somava ao cheiro de sangue.
Naruto teve de cobrir boca e narina com as mãos, dificultando sua respiração que já estava entrecortada pelo choque do que ele estava presenciando.
Foi então que ele ouviu o som de guizos, sua cabeça virando mecanicamente na direção de onde ele havia vindo apenas para testemunhar a chegada de duas figuras, uma alta e esguia, a outra baixa e larga, ambas trajadas com mantos negros pontuados com nuvens vermelhas e chapéus de palha que eram adornados com longas tiras de tecido branco que caiam abaixo da linha de seus ombros.
—Kufufufu… ! Ora ora, vejam só o que temos aqui, parece que outra criança entrou no nosso caminho essa noite! E não é uma criança qualquer. Quem diria que essa floresta seria tão movimentada assim tão tarde…- disse a figura mais alta erguendo a cabeça o bastante para revelar a pele tão clara quanto a lua, a voz grave carregada de veneno e graça, olhos amarelos afiados fixos na forma infantil de Naruto, os guizos de seu chapéu ressoando a cada passo.
—Hmpf! Seu cinismo me comove, mas há limites até mesmo para dissimulação.- reclamou o que estava a sua esuerda, com uma vez tão grave que fazia a do primeiro parecer aguda. —Não aja como se não tivesse planejado toda essa situação.- acusou fazendo apenas que um sorriso surgisse na face esbranquiçada de sua contraparte.
—Quanta desconfiança. Ao contrário do que você pode pensar, eu não tenho nenhum prazer ou satisfação e acabar com vidas tão jovens.- defendeu-se sem realmente parecer ofendido ou incômodo com a acusação.
Foi então que Naruto notou que um emaranhado de cobras descia pela manga de seu braço direito, seus corpos entrelaçados se debatendo uns sobre os outros no chão, engolindo o cadáver de Takei, seu rosto sem expressão, braços moles e peito estático sendo as únicas partes do corpo de seu agressor expostas pelo espesso véu de serpentes que se moviam como vermes sobre carne, o sangue que descia por sua testa e se espalhava por seu rosto o único indício de que ele sofrera alguma violência.
Os joelhos de Naruto tremiam como se fossem roupa pendurada em dia de ventania vendo como alguém que o tinha feito sentir-se impotente havia encontrado seu fim.
A mão branca do homem surgiu por entre as serpentes e, junto da outra, fez dois sinais que Naruto já havia visto outras crianças imitarem enquanto brincavam de ninja. Ele então agachou-se ao lado do pequeno cadáver e colocou dita mão em sua garganta, as cobras deslizando para fora do caminho, revelando as marcas de um pescoço quebrado. Dedos pálidos envolveram delicadamente o quebrado pescoço infantil e logo começaram a brilhar numa cor que jazia em algum lugar entre azul, verde e amarelo, como se o punho, e por extensão o pescoço, fossem envolvidos por um lençol que de tão fino transparecia e esvoaçava com a menor das brisas.
E por alguns instantes nada, até que repentinamente o peito da criança voltou a ser mover, subindo e descendo vagarosamente, fazendo surgir o chiado duma respiração pesada por entre os lábios entre abertos. Por um breve momento Naruto achou que ele estivesse salvando Takei, mas algo estava estranho. Os olhos seguiam encarando o vazio, mortos, nenhuma expressão surgiu em seu rosto, ainda mais sangue começou a escorrer pela ferida na testa e seus braços se moviam apenas no compasso das cobras. Foi quando com um aceno satisfeito de cabeça do homem as serpentes se remexeram, contorcendo-se e apertando-se contra o corpo, retorcendo-o, esmagando-o, fazendo o som de ossos quebrando ecoar e uma careta surgir na face de Naruto.
Depois de um longo minuto, as cobras se recolheram, subindo de volta pela manga do homem conforme o brilhou cessava, revelando a forma agora deformada da criança, cada centímetro de pele exposta avermelhada, até mesmo a esclera, antes branca, agora maculada com sangue. Fez então três outros sinais com as mãos e levantou-se, erguendo o corpo pela gola da camisa abarrotada com a mão que envolvera o pescoço.
—Não se esqueça de apagar o seu.- disse simplesmente, dobrando os dedos médio e anelar da mão esquerda, encostando os na testa da criança, ao tempo que pressionava o mindinho e o indicador da mesma mão nas temporas. Logo um som estridente foi ouvido, mas fora isso nem mesmo os cabelos desgrenhados da criança pareciam ter reagido.
—Eu não vou compactuar com isso mais do que já estou compactuando. Além disso, ele pode ter alguma utilidade ainda.- o maior lançou um sorriso irônico ao menor, mas este não percebeu ou ignorou prontamente. —Agora, o que você planeja fazer com ele?
Foi então que Naruto sentiu algo o envolver e viu-se cercado por uma espécie de cauda mecânica que saia por debaixo das roupas do que estava a sua direita, dando três voltas ao seu redor, sua ponta afiada parando a um fio de cabelo da bochecha. De canto de olho era possível ver o corpo empalado de Tetsuyama, o mais jovem de seus agressores tendo a cauda atravessada por suas costas e saindo pelo peito.
O toque frio e úmido da cauda em sua pele era a única coisa que mantinha Naruto de pé, a força de suas pernas o abandonando desde já, seu pulmão em descompasso, lágrimas que antes haviam secado voltando a umidecer suas bochechas
—Você faz soar como se eu tivesse planejado tudo…- reclamou com um muxoxo. —Só viemos aqui porque eu tinha de fazer contato com um dos meus informantes e tinha que resolver uma questão na aldeia, uma ponta solta, digamos. Por acaso tivemos que lidar com a ANBU.
—E por acaso você tinha uma coleção de corpos, que estava com você uma vez que você coincidentemente os colheu na tarde de ontem, e tempo livre o bastante para encenar uma batalha enquanto esperávamos pacientemente nesta maldita floresta até que seu contato retornasse.- deu bastante ênfase no esperar, sua cauda mecânica se apertando em resposta, ao que o outro simplesmente deu de ombros.
—Sim, por acaso.- respondeu com simpleza.
—E por acaso você resolveu apagar a mente deles…
—A Folha tem um departamento de TI especializado em olhar a mente dos mortos.- interveio.
—… com uma técnica do estilo raio.- seguiu acusando sem se incomodar com a intervenção.
—As outras técnicas são inconvenientes e deselegantes demais, fazem muita sujeira e não ajudam a compor a cena.- defendeu se, arremessando com facilidade o cadáver que carregava para trás, como que se livrando da prova de um crime.
O baque molhado que o corpo de Takei fez ao bater no chão, juntamente da maneira não natural como sua cabeça virava de um lado para o outro conforme o cadáver balançava fez o estômago de Naruto se revirar, fazendo subir mais bile por sua garganta, forçando-o a engolir seco o gosto amargo.
—E por acaso um bando de pirralhos invade a floresta, vão embora, somente para dois voltarem horas depois.
—Realmente, por acaso. Dois pequenos aborrecimentos que não valem o nosso tempo.- acenou em concordância, um olhar pensativo no rosto.
—E por acaso depois de tudo isso ele está diante de nós, um de nossos futuros alvos e o único filho daquele homem.
A princípio, uma careta de descontentamento surgiu no rosto albino, mas logo ela se tornou algo perverso, cheia raiva e rancor, seu olhar recaindo sobre Naruto como o de um predador.
—Sim!- confirmou, o veneno de sua voz fazendo cada sentido de Naruto gritar. —Por acaso.
O outro ser limitou a revirar os olhos e voltar a perguntar. —E o que você planeja fazer com ele agora?
E como se não estivesse pronto para cometer um assassinato no segundo anterior, a resposta foi um simples dar de ombros. —Não sei, eu não planejei isso.
Diante das palavras que suavam mentirosas até para os ouvidos de Naruto, seu companheiro simplesmente bufou e voltou a ser mover em direção à única criança ainda viva na cena.
—Eu posso simplesmente apagar as memórias dele e poderíamos deixar ele em algum lugar da aldeia.- sugeriu.
—Não duvido de suas capacidades de alterar a memória humana, mas a especialidade do clã Yamanaka é invadir a mente dos outros. Se formos descobertos, a nossa presença na Folha pode revelar a existência de nossa organização um pouco cedo demais, prefiro não arriscar à dar algo para Inoichi trabalhar.- argumentou voltando a andar também. —Seria mais prudente matarmos e apagarmos a mente dele, igual fizemos com os outros.- uma cobra silenciosamente começou a subir pela perna de Naruto, o frio de sua pele superando muito o frio do suor do loiro.
—Sem consultar o Grande Líder? Isso é insanidade demais até mesmo para os seus padrões.
—Hmpf!, o que você sugere?- apesar da aparente mudança de ideia, a cobra já havia subido seu peito e se alojado ao redor do pescoço de Naruto, se enrolando neste como um cachecol.
—Vamos seguir com meu plano. Vou apagar a memória dele, só que ao invés de o deixarmos aqui, deixamos ele em alguma vilarejo qualquer que encontrarmos no caminho. Ele não vai ser lembrar de nada, vai ter a chance de ter uma vida normal até chegar a hora de pegarmos ele.- parou enfim, a menos de cinco passos de Naruto que pela primeira vez viu as mãos do homem que começou a fazer uma série de sinais, preparando se para apagar sua memória quando foi interrompido pela mão esquerda do maior.
—Sem o consentimento do Grande Líder? Isso é insanidade demais até mesmo para os meus padrões.- retorquiu com ironia, um sorriso humorado no rosto enquanto parafraseava seu colega. —Além do que vai ser arriscado, não vamos conseguir ficar de olho por muito tempo sem nos expor, se não ficarmos de olho nele e ele acabar de volta na Folha tudo será em vão do mesmo jeito.
—Zetsu não teria dificuldade para ficar de olho nele.- grunhiu, afastando as mãos do toque contrário, sua cauda apertando Naruto mais e mais, ao passo de que a cobra fazia o mesmo com seu pescoço, impedindo-o respirar.
—Zetsu tem o cérebro de um brócolis e a capacidade de luta de um purê de batata, em três anos até mesmo essa criança deve ser capaz de derrota-lo. Zetsu não será o suficiente.
—Você fala como se a necessidade de combate fosse assegurada!- irritou-se o homem com a cauda ao passo que a visão de Naruto começava a escurecer e seus membros adormeciam pelo sufocamento.
—Você está sendo ingênuo ao imaginar que não haverá combate.- corrigiu o maior sem se intimidar pela irritação contrária. —Alguns dos clãs mais relevantes da Folha são especializados em rastreamento, mesmo que elimenos todos os rastros, se eles criarem uma força tarefa é impossível garantir que o garoto nunca será encontrado. Se tirarmos ele daqui, combate será algo necessário.
A última coisa que Naruto ouviu antes de apagar foi o menor da dupla bufar enquanto dizia.
—Certo, vamos leva-lo ao Grande Líder, ele decidirá.
E então escuridão. E sons de gota. E a risada maligna que o acompanhará aquele dia. Uma voz tão profunda que fazia todo o seu ser balançar ecoou.
Que dia, hein, pivete?
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Numa caverna escura mal iluminada apenas por um conjunto de tochas moribundas fixas nas paredes, nove figuras permaneciam em silêncio funesto enquanto o líder avaliava a situação, uma décima escondia-se nas sombras, observando o desenrolar da cena. Das nove figuras, seis possuiam um aspecto fantasmagórico a sua imagem, como se não estivessem realmente lá. Todas as dez, a excessão de Naruto, que se encontrava desacordado, amarrado e amordaçado, e daquele que se escondia nas sombras, trajavam os mesmos mantos negros com nuvens vermelhas.
Olhos dotados de anéis roxos fitavam a forma pequena da criança, alguns pequenos sinais da agressões que ele sofrera na semana anterior ainda perduravam em seu corpo.
—Orochimaru, Sasori, expliquem novamente como uma simples missão de assassinato evoluiu para vocês efetivamente capturando o hospedeiro do Nove Caudas. Uma explicação satisfatória desta vez.- a voz do Grande Líder ressoou empostada pela caverna, o grave de seu timbre ressaltando a gravidade da situação.
—Como já lhe disse, ó, Grande Líder,- repetiu Orochimaru, obviamente irritado por toda a repetição, mas sendo sábio o bastante para ocultar dita irritação. —pouco antes de eu ter ciência de nossa missão eu recebi o contato de um informante contendo informações de extrema relevância sobre eventos que estão para ocorrer na Folha, eventos estes que irão mexer com o balanço de forças nas nações elementais e abalar a estabilidade da Folha em si. Diante de tal informação eu tinha que averiguar se ela confere com a realidade, por isso, depois de termos concluído a missão, parti em direção à aldeia, Sasori me acompanhou por livre e espontânea vontade. Conseguimos realizar a invasão sem grandes intercorrências, apesar de termos enfrentado uma equipe da ANBU, confirmei a veracidade da informação e durante nossa fuga acabamos nos encontrando com três crianças, o Nove Caudas entre elas. Nos livramos dos outros dois, porém chegamos a um empasse quanto ao que fazer com o Nove Caudas, por isso decidimos trazê-lo até esse esconderijo para que o senhor decidisse.
—Você espera realmente que eu acredite nisso?- questionou o Líder com um tom de voz perigosamente calmo.
—Para ser justo, Grande Líder, ele de fato comentou a necessidade de ir à Folha antes da missão e nós de fato fizemos contato com um informante de dentro da aldeia. Qual é a informação que ele recebeu e qual é a natureza dela não são de meu conhecimento e a causalidade dos eventos que levaram o Nove Caudas à nossa posse é questionável.- assegurou Sasori, recebendo um leve aceno do líder.
—Precisamos nos assegurar de que ninguém tenha sido capaz de seguir seu rastro.- falou uma mulher de cabelos azuis e olhos âmbar.
—Zetsu.- chamou o Líder ao passo que Orochimaru se pronunciava.
—Não existe um rastro para ser seguido!- protestou a cobra.
—Ele fez um trabalho decente para encriminar a Nuvem pelo ocorrido.- corrigiu Sasori
—Hmpf! "decente"…- resmungou.
—Não podemos arriscar.- disse simplesmente a mulher.
—Ficarei de olho no que tem sido dito na Folha.- garantiu Zetsu, uma criatura humanóide meio planta, cujo corpo masculino se dividia entre metade totalmente branca e metade totalmente negra.
—Isso pode ser interessante para nós. Se o conflito entre a Nuvem e a Folha for retomado a tendência é de que tenhamos mais trabalho.- comentou um homem alto, de ombros largos, com uma máscara cobrindo metade de seu rosto, deixando apenas seus olhos verdes menta contra sua esclera vermelha a mostra.
Os olhos afiados de Sasori e Orochimaru captaram o leve franzir de cenho que ocorreu na face usualmente estóica da mulher de cabelos azuis quando este se pronunciou. O próprio homem pareceu não notar ou não ser incomodar, olhos rubro-esmeralda presos ao loiro que seguia desacordado.
O Líder não havia percebido, olhar franzido e concentrado na figura de um outro homem, tão alto quanto o anterior, porém mais magro, trazendo nas costas uma espada tão grande e larga quanto si próprio, ataduras cobrindo as laterais da cabeça, uma cicatriz feia na bochecha esquerda, marcas vermelhas semelhantes à grades sobre a boca. Olhos cerrados em raiva mal contida.
—O conflito entre Nuvem e Folha já dura seis anos*.- retomou o líder. —Eles tendo chegado à um acordo de paz após tantas tentativas, é inesperado vê-los retomando a luta tão rapidamente, mas se a Folha estiver realmente convencida de que a Nuvem está por trás do desaparecimento do Nove Caudas o conflito terá combustível para durar muitos anos mais.- avaliou ele.
—Eles estarão convencidos.- garantiu Orochimaru. —Meu trabalho é impecável.
—Decente.- corrigiu Sasori num tom de voz que apenas Orochimaru ouviu.
—Talvez…- começou o espadachim, agora mais calmo, impedindo que a discussão iniciasse. —Dependendo de como as coisas andarem nos próximos meses, talvez o conflito até mesmo evolua para uma guerra aberta entre as duas aldeias.- o Líder fechou os olhos por um breve momento com as palavras. —Mas isso dependeria do acaso. Basta a Folha perceber que o Nove Caudas não está com a Nuvem para a sua motivação e moral morrerem.
—Ele tem um ponto.- concordou o mascarado de olhos estranhos, para a irritação do espadachim. —O custo da guerra pode ser alto demais para manter se ela for sem sentido.
—A Folha e a Nuvem são duas das cinco grandes nações elementais, o que quer dizer que assim como as outras elas não passam máquinas de guerra estruturadas sob a fachada de uma organização social pacífica.- começou a voz quebradiça e cansada uma mulher idosa que já vivera para além dos seus setenta anos, cuja pequena figura por trás do manto negro, apenas de enrugada e de bengala, era capaz de evocar respeito de cada um de seus colegas na Akatsuki*. —Esse tipo de organização só se mantém com base numa ordem hierárquica e meritocrática majoritariamente masculina, o que significa que quem manda são velhos orgulhosos demais para deixar alguém entrar em suas casas e tomar algo deles ou acusar um dos seus sem lutar por isso, orgulhosos demais os admitirem ter errado e teimosos demais para ouvir o bom senso e a razão na hora certa.- ela deixou o silêncio perdurar enquanto suas palavras eram absorvidas, olhos afiados - apesar enbranquecidos pela catarata - cravados no loiro desacordado. —O conflito será retomado, ele irá evoluir para uma guerra aberta entre as duas aldeias. A Folha descobrir que o Nove Caudas não está com a Nuvem não mudará nada.
Um breve silêncio se seguiu enquanto os presentes contemplavam as palavras, durante o qual com um gemido Naruto acordou, vendo-se indefeso, cercado por seus captores e as seis figuras que brilhavam num translúcido tom pálido de azul.
—Hotaru está certa. É perda de tempo nos perguntarmos o que as cinco grandes farão. Sua arrogância delata o rumo que suas ações tomarão e os inocentes pagarão o preço.- findou o líder, chamando a atenção de volta para si. —O que nos leva a questão do que fazer com o Nove Caudas.
A tenção trouxe certa tensão para os ombros da mais jovem entre as mulheres, mas ninguém percebeu. Tal tensão era mais visível na face do espadachim e no próprio Naruto, objeto da discussão que estava para se dar.
—Não há o que se discutir.- constatou Hotaru. —Nós extrairemos e selaremos a besta e depois jogamos o corpo na primeira vala que encontrarmos.
Havia um certo gelo na voz da idosa que era capaz de fazer até mesmo Orochimaru estremecer. O espadachim estava prestes a argumentar com a mulher cuja cabeça não alcançava seu peito quando o outro falou.
—Seria o mais lógico a se fazer…- concordou o homem de olhos verdes, apesar de que seu tom dava a entender que havia algo não dito.
Orochimaru não poderia ser importar menos. Com tanto que extraiam a besta e se livrem de uma vez do garoto, sua vingança estaria completa. Fixou seu olhar no Grande Líder, cuja expressão estóica não revelava nada enquanto seus olhos arroxeados estavam presos ao garoto que tremia entre ele e Sasori.
E então Sasori se moveu para frente, chamado a atenção do líder.
—Se me permite, Grande Líder, gostaria de dizer que sou contra a extração do Nove Caudas.- opinou num tom plano como se falasse sobre o clima.
Imediatamente todos os olhos estavam nele, inclusive os de Orochimaru, quem se sentia traído por seu parceiro.
—Isso é inesperado. Por que motivo você se opõe a extração, sabendo que a extração de todas as bestas de cauda é o objetivo final desta organização?- a pergunta de seu líder escondia um perigo que Sasori via bem.
—Não sou contra extraírmos o Nove Caudas, sou contra fazermos isso agora.- os olhos do líder se cerraram.
—Elabore.
—Minha filosofia de vida me torna uma pessoa impaciente, porém eu não sou hipócrita, por isso detesto esperar, mas detesto do mesmo jeito deixar que me esperem. Como resultado, eu considero que tanto se atrasar quanto se adiantar são sacrilégios que desrespeitam o tempo, o meu e o dos outros. Nesse caso, se estivesse tudo bem em se adiantar ao planejamento e pularmos a fase inicial de expansão, nós estaríamos capturando as bestas de caudas e seus hospedeiros, ao invés disso, estamos colhendo informações, arrecadando fundos e expandindo nossa infraestrutura e influência. Selar o Nove Caudas agora seria abrir uma brecha, uma chance para cairmos na armadilha de pensar que podemos pular a primeira fase, que plano é cauteloso demais, que ele é ruim. Ele não é. Ele não é nem tão cauteloso nem tão descuidado, não é tão rápido nem tão lento, ele está na medida certa, no tempo certo, eu não estaria aqui se não fosse o caso . Se nos adiantarmos, poderemos dar um passo maior que a perna e chamar atenção demais para nós, nos colocando numa situação adversa sem os fundos ou infraestrutura necessárias. E mesmo que só selemos o Nove Caudas e voltemos para o plano original, a dúvida estará plantada para sempre, nos fazendo duvidar da necessidade de nossa expansão e o plano perderá seu sentido diante da falta de confiança que depositamos nele.
O monólogo foi seguido por um longo silêncio no qual o Líder considerava cuidadosamente cada palavra.
—Honestamente, Grande Líder, eu não tenho nenhum problema em realizar qualquer missão, não tenho problema em matar quem quer que seja, mas em toda minha vida como ninja eu nunca tive que matar uma criança que fosse civil. Tanto quanto eu farei o que me for ordenado, não me sinto confortável com essa situação.- confessou o espadachim, fazendo a mulher mais velha revirar os olhos enquanto a mais nova se sentia aliviada com as palavras. O outro homem, no entanto, bufou uma meia risada de escárnio, fazendo-o por a mão no punho de sua espada, por mais de que, como estavam, um não conseguiria ferir o outro.
—Kakuzu.
—Sim, Grande Líder, nossos fundos ainda são apenas 37% do que precisamos para cumprir com nosso cronograma original.- informou o homem de olhos estranhos numa voz calma e grave, sem pensar, como se o dado estivesse gravado em sua mente.
—Konan.
—Nossa infraestrutura ainda é curta, restrita principalmente ao país da chuva, nossa influência está um pouco melhor do que isso, uma vez que a Aldeia da Chuva tem renome mesmo entre as cinco grandes, mas ainda tem muito a ser feito enquanto Akatsuki. Nossos serviços ainda são pouco solicitados pelas cinco grandes, até mesmo entre as aldeias menores nossos números não são muito favoráveis, restringindo nossa zona de influência à esfera não militar.
O Líder acenou em reconhecimento às informações que a mulher de cabelos azuis dissera.
—Além disso.- retomou Sasori. —O garoto pode ser útil. As capacidades dos Uzumaki os precediam, dentre as quais está uma habilidade sensorial acima da média, coisa que essa criança já demonstrou pela maneira como sentiu nossa presença mesmo enquanto nos ocultavamos.- os olhos das seis figuras estavam agora em Naruto que olhava fixamente para um ponto escuro da caverna aonde um homem de um olho só o observava da escuridão.
Dita figura estreitou seu olhar solitário por debaixo de sua máscara e desapareceu em um vortex em pleno ar. Só então o garoto pareceu relaxar um pouco e voltar seu olhar para os outros presentes, fato que não passou despercebido por nenhum dos oito membros ali reunidos.
—Mais um motivo para matarmos a criança. Os Uzumaki foram caçados por um motivo e se alguma vez as nações elementais acertaram foi na queda do Redemoinho. O mundo está melhor sem eles. Se vocês, crianças, não aguentam ver um pouquinho de sangue deixem que eu mesma faço.- afirmou Hotaru, o ambiente esfriando diante da frieza em suas palavras, sua intenção assassina podendo ser sentida mesmo ela não estando de corpo presente, fazendo a criança estremecer, um choro abafado por sua mordaça.
—Não cabe a você decidir isso.- informou simplesmente Konan com uma voz neutra.
—Nós não matamos por desejo ou prazer, matamos por dinheiro ou necessidade.- adicionou o Líder. —A morte desse garoto só se dará por nossas mãos se for pelo solene objetivo de extrair o Nove Caudas, e até que isso esteja decidido, ninguém tocará em um fio de cabelo dele.
Duas mechas grisalhas balançaram ao redor da cabeça de Hotaru quando esta virou seu olhar frio para a cabeça alaranjada de seu líder.
—Grande Líder, não me importo se a criança vive ou morre, mas se esperarmos que ela cresça, considerando seu pai, conheço um a contato que pagaria uma boa quantia em dinheiro na Aldeia da Pedra pelo cadáver.- ofereceu Kakuzu.
Então a caverna se tornou silenciosa novamente, a exceção do âmbar de Konan, o olhar de todos estavam no homem de cabelos laranjas e olhos roxos, olhos estes que assim como os da azulada encaravam os olhos azuis da criança amedrontada.
—O que você me diz, Konan?- algumas sobrancelhas se arquearam enquanto os olhares expectantes recaiam agora sobre a forma feminina que manteve-se em silêncio enquanto considerava toda a informação e suas opções.
—Dentro de dois à quatro anos a primeira fase deve estar próxima de sua conclusão. A extração do Nove Caudas pode aguardar até lá. Isso nos dará tempo também para avaliar a sua possível utilidade para a organização e se for caso, a vida de Naruto Uzumaki poderá se prolongar até a conclusão de nossos planos. Até lá, não podemos arriscar que ele retorne para as mãos da Folha, portanto ele deve estar sempre acompanhado de um membro da Akatsuki ou em uma localização segura.
Ao final do pronunciamento de Konan a cabeça mecânica de Sasori acenou, atestando sua satisfação com este arranjo.
—Está decidido.- pronunciou se o Líder, fazendo Orochimaru crispar sua língua.
—Se o Uzumaki vivera não tem porque eu estar aqui.- comunicou Hotaru.
—Sensei!- tentou chamar o espadachim, porém foi em vão, uma vez que a forma da idosa desapareceu imediatamente após suas palavras.
—Juuzou.- este virou-se para o Líder. —Você e Hotaru devem se dirigir pra as fronteiras do País dos Raios e aguardar novas ordens.
—Sim, senhor.- respondeu desaparecendo.
—Kakuzu, faça uma lista de ninjas da Nuvem que tenham uma recompensa por sua cabeça. Vamos dar uma pequena vantagem para a Folha retomar o conflito.
—Sim, senhor.- desapareceu logo em seguida.
—Orochimaru.
—Sim?- questionou com uma certa impaciência que traía a sua insatisfação com o resultado final do encontro.
—Não pense nem por um momento que você pode causar tudo o que causou por uma informação sem ter que compartilha-la.- informou/ameaçou o Líder com um tom de voz afiado e os olhos roxos cerrados.
Um sorriso se abriu no rosto da cobra, seu humor melhorando de imediato ao recordar-se da informação.
—Ah, sim, como poderia me esquecer! Trata-se de um potencial novo membro para nossa organização.
—E quem seria esse?
—Trata-se de um Uchiha. Um prodígio no melhor sentido da palavra.
—Qual Uchiha?- quis confirmar, apesar de já ter um bom palpite.
O sorriso de Orochimaru se expandiu de forma que doentia. —Dentro de alguns meses ele será o único!- declarou como se isso bastasse.
Ainda assim, a declaração fez os olhos de Sasori se arregalaram ligeiramente e Zetsu assobiu. No entanto nem as expressões faciais de Konan nem as do Líder se alteraram, quase como se não tivessem ouvido.
—Zetsu.- chamou por fim o Líder.
—Vou ficar de olho.- garantiu o homem planta, desaparecendo.
O Líder então voltou seu olhar para Orochimaru e ficou em silêncio por um breve momento, julgando suas ações e os benefícios delas. —Bom trabalho.- disse por fim numa frase curta, desaparecendo junto de Konan logo depois.
Na caverna escura permaneceram Orochimaru, Sasori e Naruto Uzumaki.
Uma das grandes mudanças desta fanfic para o original, Naruto terá alguns traços mais marcantes dos Uzumaki, no caso, estou dando a ele uma grande capacidade sensorial, não necessariamente uma Karin da vida, mas por ali. E eu sei que tecnicamente os Uzumakis não são necessariamente bons sensores, isso é uma característica da Karin, mas o fato é que a Karin é uma Uzumaki que teve um tempo de tela decente e ela é uma excelente sensora, o que quer dizer que 50% dos Uzumakis trabalhados no anime são excelentes sensores(não, não estou contando om o Naruto), portanto, estou tomando a liberdade de adorar isso como um treco do clã, não reclamem comigo, reclamem com o Kishimoto!
A primeira mudança e uma das maiores mudanças dessa fanfic com relação ao Canon é que o conflito entre a Aldeia da Folha e a da Nuvem só chegaria ao ponto de assinar um tratado de paz 3/4 anos mais tarde. Isso muda muita coisa social e politicamente falando, mas isso nunca foi relevante no Canon, servindo só como base pro Caso Hyuga. Ainda assim eu teria evitado, se isso não tivesse tal enraizado no enredo, sorry.
Os primeiros cinco personagens originais da fanfic!
A Floresta da Morte é o campo de treinamento número 44, o que é um mal presságio, já que no Japão o número 4 é considerado um número que traz azar, um mal presságio, uma vez que tanto quatro quanto morte se escrevem do mesmo jeito(em japonês: shi(し)). Por isso também que não é incomum que usem a palavra Yon para escrever quatro, por isso que o Minato foi o Yondaime, ao invés de Shidaime. Que a maior tragédia que ocorreu na aldeia tenha ocorrido durante o governo dele só reforça o presságio.
Até aonde eu sabia, e eu pesquisei, nunca foi dito quando iniciou nem quanto tempo durou o conflito que levou ao Caso Hyuga, só foi dito que ele se encerrou quando a Hinata (e portanto, o Naruto e a gang) time 3 anos. Estou definindo, para propósitos desta fanfic, que o conflito no Canon durou dois anos. Os motivos serão explorados nos futuros capítulos.
Nosso sexto personagem original! Uma velhinha fofinha sanguinária e perigosa, porque aqui nós não somos etaristas!
É isso, amigos! Depois de escrever este capítulo eu me sinto exausto e… satisfeito? Não sei, tenho minhas questões com ele.
Tentei me afastar da noção mais comum do fandom de que a aldeia trata o Naruto de maneira horrível, incluindo agressões e preços superfaturados, no entanto, isso estava no cerne desde que eu postei o capítulo original, lá em 2016, e por mais que eu tentasse, não consegui pensar em algo pra tirar isso da fic, então resolvi adaptar. Ao invés de ser os aldeões como um todo fazendo isso, foram cinco bullies, e bullies podem pegar bem pesado às vezes(experiência própria). E se parecer que os aldeões são culpados por omissão, ou parecer que eles agiram estranho diante de um garoto de sete anos sendo espancado por outras cinco crianças, é porque eles agiram. Tem coisa aí, mas isso é assunto para outros capítulos.
O que me leva aos personagens originais: Ikkyu Chiba, ????? Matsuyama, Miura Chiharu, Takei Chiharu, Tetsuyama Chiharu e Hotaru ?????. O que acharam deles? Particularmente falando, gosto do que tenho planejado para eles, mas queria a opinião de terceiros, já que sou suspeito.
O que também me lembra, eu estou cortando completamente os honoríficos, o que quer dizer que exemplos como "Leader-sama", "Pain-sama", "Ikkyu-sama", "Hokage-sama" viram "Grande Líder", "Senhor Pain", "Grandioso Ikkyu" e "Senhor Hokage". -chan e -kun também vão virar apelidos ou diminutivo dos nomes dos referidos, como "Sakurazinha", ou talvez possessivos, como "meu Sasuke" e essas coisas.
Agora, antes de eu ir embora, o que acharam da cena final do capítulo? Eu me esforcei pra fazer a Akatsuki não matar o Naruto logo de cara algo crível, mas a cena e os argumentos foram convincentes? Sinto que faltou um pouco de Zetsu nessa mistura, Zetsu branco pra ser mais específico, mas paciência. Também acho que o Orochimaru ficou levemente fora do personagem, mas coisa pouca.
E é claro, é flagrante que o Orochimaru tem alguma questão mal resolvida com o Minato, mas isso é outra divergência do cânone que vai ter wue ficar para outros capítulos!
Enfim, comentem o que vocês acharam e nos lemos no próximo capítulo!
