Capítulo 1:

O Misterioso Pai de Danny

A casa em que Danny morava com sua família era grande e luxuosa, tinha dois andares; A porta de entrada abria-se para um enorme hall de entrada, era preciso tirar os sapatos antes de entrar definitivamente, a esquerda depois do hall dava-se para a sala de visitas, um ambiente claro e bem organizado, com dois longos sofás acizentados que eram separados por uma mesa de centro de vidro. Haviam alguns quadros nas paredes, vasos decorativos e um cheiro de lavanda, Helen era obrigada a limpar essa sala todos os dias. Mais adiante estava a sala de jantar, com uma longa mesa de madeira de mogno cercada por suas doze cadeiras, mesmo que fossemos apenas três, havia uma cortina cor de creme e uma cristaleira encostada na parede direita, na parede esquerda abria-se uma porta para a sala de visitas, e na parede direita abria-se para a lustrosa e luxuosa cozinha, habitat natural de Helen. Á direita do hall de entrada encontrava-se o escritório do seu padrasto, e através de seu escritório abria-se uma porta que dava para a biblioteca e à sala de estudos, feita exclusivamente para Danny, uma forma de Jonathan vigiar a sua rotina de estudos. E mais adiante do escritório um pequeno banheiro social, que continha apenas uma pía e um vaso sanitário, e depois do banheiro uma sala de estar familiar, com um grande sofá marrom, e uma televisão de cinquenta polegadas. Depois do escritório havia uma escada que ia para o segundo andar, a esquerda um quarto de hospedes, onde havia apenas uma cama king size e um pequeno armário banco. Á direita do corredor ficavam os quarto de Danny, e de sua mãe e padrasto, Danny era proibida de frequentar o quarto deles, por isso passava a maior parte do tempo que estava em casa entre a sala de estudos e seu quarto. Seu quarto era o do meio do corredor no segundo andar, era grande, tinha uma cama king size no meio, um armário grande na parede direita, uma janela grande e larga na parede da esquerda, e um desktop ao la da janela. Não podia ter televisão em seu quarto, nem computador.

Danny acordava todos os dias rigorosamente às 06:00 da manhã, tomava banho e escovava os dentes, se arrumava para ir á escola, depois tomava café da manhã com sua mãe e seu padrasto. Ás quinze para as sete da manhã ela saia de casa e caminhava até a escola. Suas aulas iniciavam ás 07:10 e terminavam ás 15:45, com 9 aulas diárias de quarenta e cinco minutos cada, dois intervalos de quinze minutos e um intervalo de uma hora para o almoço. Em seu colégio de alta classe, Danny estudava vários idiomas e já havia adquirido fluência em Alemão, Inglês, Francês e Espanhol, além do próprio português, é claro. Ela também tinha uma habilidades especiais em matemática e ciências. Portanto, quando chegava em casa por volta das quatro da tarde, tinha que tomar um novo banho, se arrumar e ir tomar um lanche preparado por Helen, a empregada da casa. Após o lanche, Danny ia até o quarto de estudos, e passava duas horas estudando. Costumava rever o conteúdo, fazer as tarefas do dia, e se houvesse algum trabalho diferente era preciso ser feito no mesmo dia, sem procrastinar. Depois de estudar, Danny lia um livro. Sua habilidade em leitura era incrível, e ela podia ler 300 paginas em 1 hora, e era isso que ela fazia todos os dias. Cada dia da semana ela lia em um idioma diferente, às segundas em Alemão, terças em Inglês, quartas em Francês, às quintas em Espanhol, e finalmente às sextas podia ler em português. Porém todos esses livros eram selecionados criteriosamente por seu padrasto.

Aos finais de semana ela não tinha escola, então ia com sua mãe e padrasto para a fazenda da família, e não era para ser divertido. Ela costumava auxiliar seu padrasto em serviços manuais, cuidar da horta, dos animais, concertar equipamentos, faxinar a casa, entre outros. Não era divertido, Danny não gostava, mas seu padrasto acreditava que essa rotina a ensinaria a ser disciplinada e responsável. Danny gostava de estudar, mas gostaria de ter mais tempo para se divertir. Ela não ousava quebrar sua rotina e as regras do seu padrasto, pois sabia que sofreria as consequências.

Era maio de 2002, Danny havia acabado de retornar de sua excursão à aldeia indígena do Pará, e estava bastante ansiosa. Tinha certo medo em seu peito, e não conseguia pensar em como enfrentá-lo. Ao chegar em casa descobriu que nem seu padrasto e nem sua mãe estavam lá. Marcelo, o motorista, foi buscá-la na rodoviária, e Helen, a empregada a recepcionou em casa.

Danny subiu para o seu quarto, e foi para um banho quente de chuveiro, o primeiro depois de cinco dias na aldeia. Depois ela desceu e foi para a sala de estudos, precisava fazer um diário de excursão para ser apresentado na semana seguinte no colégio, então pretendia terminá-lo o quanto antes. Dedicou cerca de três horas em seu trabalho, e quando terminou Helen a chamou para informar que o jantar estava pronto e ja seria servido.

- E onde estão minha mãe e Jonathan? - Perguntou a garota.

- O senhor Jonathan terá um jantar de negócios, e a senhora Laura precisou estender sua agenda de consultório.

- Então será apenas eu?

- Sim, senhorita. Posso servi-la?

Danny suspirou. A solidão, como sempre, seria sua companhia.

No dia seguinte, Danny voltou do colégio determinada a encontrar alguma informação sobre o seu pai biológico. Inaiê havia dito que ele poderia salvá-la. Mas ela nem sequer sabia quem ele era, onde morava, e que aparencia tinha. Pensou em perguntar à sua mãe, mas teve medo, então decidiu investigar sozinha. Depois de tomar o seu lanche, ao invés de ir ate a sala de estudos como deveria, subiu as escadas e pela primeira vez desde que se lembrava, adentrou o quarto da sua mãe. Ela foi cautelosa, procurou por pistas no closet, armários, e todas as gavetas, não sabia exatamente o que procurar, pensava em alguma carta, uma fotografia, qualquer coisa. Danny podia rastreá-lo, mas precisava de alguma informação. Mesmo procurando em cada canto do quarto, não encontrou nada. Quando desceu as escada deparou-se com seu padrasto saíndo do escritório.

- Pai? - Questionou a menina. Era obrigada a chamá-lo assim, mesmo não gostando.

- Por quê não está estudando? - Perguntou ríspido.

- Estou indo agora. - Respondeu a garota indo em direção ao local.

Naquela noite, a sua avó foi jantar com eles. Sempre alegre, falava de suas ultimas viagens para a Europa. Danny aproveitou para contar-lhe sobre sua excursão no Pará. Ao contrário de sua mãe e padrasto, sua avó pareceu encantada em ouvir sua história.

Quando sua avó começou a fazer o seu caminho até a saída, Danny a acompanhou até seu carro. Quando elas chegaram lá, ela olhou ao redor e pôde ver que estavam sozinhas. Era hora de falar.

- Vovó - Começou a menina - Me fala sobre o meu pai.

Sua avó lançou-lhe um olhar de espanto, incrédula.

- Por favor, vovó. - Implorou Danny - Eles nunca me falaram nada. Só você.

- Minha querida, não há o que ser dito. - falou a mulher.

- Qualquer coisa. - Implorou - Eu ja sei que se chamava Jefferson, e que minha mãe o encontrou em Riverside. Mas preciso saber mais.

- Infelizmente só a sua mãe pode saber. - Respondeu ela - Pois isso é tudo o que sei.

- Deve saber mais. - Insistia a jovem - Um sobrenome. A aparência dele. Qualquer coisa.

- Eu sinto muito meu bem. É tudo que sei. Se chamava Jefferson, era de outro estado, e estava em Riverside para uma viagem breve. - Respondeu a senhora - Sua mãe sabia disso, ele foi embora no dia seguinte e nunca mais se viram. Foi uma breve aventura, apenas.

Danny suspirou decepcionada.

- Danny, meu bem. Por que isso agora? - Perguntou a senhora curiosa.

- Por que se ele é meu pai, não sabe que eu existo, e ele tem o direito de saber disso. - Falou com certa acidez na voz.

- Não tem direito nenhum. - Falou a senhora com rigidez na voz - O seu pai é o Jonathan. Ele te ama e cuida de você a vida toda. Não merece isso.

Danny suspirou. Sua única esperança era a ajuda de sua avó, sua mãe jamais falaria a respeito.

Danny se despediu da avó e voltou para dentro de casa. Naquela noite, ela teve um sonho estranho.

Ela estava em uma floresta, chovia fraco, e o chão estava molhado e escorregadio. Ela estava sozinha e caminhava por um pequeno caminho. Ela respirou profundamente, podia sentir o ar frio, ouviu passos leves atras dela, olhou ao redor e visualizou um vulto breve passar pelo lugar. Não sentiu medo, apenas curiosidade. Tentou ir até onde o vulto estava, mas ele havia desaparecido. Ela olhou brevemente para a floresta ao redor, não eram como as árvores no Brasil. Eram muito altas, muito úmidas, e sempre encobertas por uma espécie de gosma verde. Ela queria olhar mais ao redor, mas ao dar mais um passo, o lugar começou a desaparecer, como se fosse fumaça. E ela acordou.

Não era o Brasil. Era os Estados Unidos, ela tinha certeza. Mas não sabia onde era.

No dia seguinte enquanto se arrumava para ir para a escola, ela começou a pensar em como faria para descobrir mais sobre o seu pai biológico. Quando chegou no topo da escada, ficou paralosada, sentiu o calafrio na espinha e os pêlos da nuca se eriçaram. Sentia como se tivem muitas agulhas sendo enfiadas em seus pés, e doía respirar. Ela olhou lentamente para baixo, e lá estava ela. Parada no pé da escada, imóvel, o olhar frio e sombrio a encarando. Danny teve dificuldade para dar o primeiro passo e começar a descer a escada. Cada degrau descido muito lentamente. O tempo esta acabando. Danny já havia descido quase toda a escada quando Sabrina enfim virou-se e foi embora. Ela então fechou os olhos e respirou profundamente, o coracão ainda acelerado. Não teria outra opção, precisava descobrir onde estava seu pai, e se a única pessoa que poderia responder a sua pergunta era a sua mãe, ela iria responder.

Danny tomou o seu café da manhã silenciosamente. Quando terminou pediu licensa e se levantou retirando seu prato como de costume. Porém seu padrasto ordenou que ela se sentasse novamente. Sem entender nada, ela obedeceu.

- Quer perguntar algo? - Falou o homem com severidade na voz.

- Não. E o Senhor? - Falou Danny confusa.

- Tem certeza? - Falou sua mãe.

Danny suspirou. Ela estava confusa e não gostava desse tipo de joguinhos.

- O que esta acontecendo? - Quis saber.

- Somos nós que fazemos as perguntas aqui. - Falou Jonathan elevando a voz.

- Por que esta fazendo perguntas sobre o seu genitor? - Falou a sua mãe por fim. A sua voz soou ríspida e alta.

Danny soltou as mãos e bateu as palmas na mesa com raiva.

- A minha avó não tinha nada que sair falando isso pra vocês. - Soltou com raiva.

- Ela me ligou, e ficou fazendo perguntas sobre ele. - Falou sua mãe - Então é claro que eu sabia, que a responsável era você.

- Se ele é meu pai eu tenho o direito de saber! - Rebateu a menina furiosa.

- Não tem direito nenhum! - Gritou Jonathan.

- E ele também tem esse direito! - Continuou a menina.

- Eu sou o seu pai! - Gritou Jonathan

- Não é, não! - Gritou Danny de volta.

Tão rápido que a menina nem pôde ver de onde veio, Jonathan deu-lhe um tapa forte no rosto. Não era a primeira vez. Danny levantou-se imediatamente da mesa, o rosto queimando de dor.

- Vocês nem podem imaginar. - Gritou a menina - Mesmo que vocês não me falem, eu vou descobrir.

- Não tem o que ser falado. - Falou sua mãe também se levantando - Ele se chamava Jefferson. Era de outro estado, e eu não sei qual. Tão rápido quanto ele me levou pra cama, ele sumiu no dia seguinte. E fim de história.

Jonathan se levantou também e deu um grito.

- Já chega! Assunto encerrado.

Mas Danny o ignorou. Dessa vez ela não ia o obedecer por medo de apanhar.

- Você sabia que ele iria embora. - Rebateu a garota - Sabia que estava fazendo uma viagem breve e sairia no dia seguinte.

- Eu disse ja chega! - Gritou Jonathan novamente.

- E isso é tudo o que sei. - Respondeu sua mãe.

- Isso não é verdade. Você passou um dia inteiro com ele. Sabe muito mais do que isso. Esta omitindo tudo o que sabe sobre ele só para você. E eu tenho o direito de saber. E ele tem o direito de saber que eu existo.

- Não tem direito nenhum! - Interviu Jonathan novamente - Eu sou o seu pai! Eu cuidei de você, a sua vida toda.

- VOCÊ NÃO É MEU PAI! - Falou Danny entre dentes. Uma furia enorme em seu peito, e ela começava a espumar pela boca.

Um segundo tapa acertou o outro lado de seu rosto. E no mesmo momento uma jarra de suco que estava sobre a mesa explodiu em milhares de pedaços de vidro.

Sua mãe soltou um grito de susto. E todos se entreolharam em silêncio por um minuto. Danny foi a primeira a se retirar, puxou sua mochila do chão e a jogou sobre o ombro. E caminhou rapidamente para fora de casa.

Ela caminhava com passos rápidos, quase correndo. A respiração acelerada, o coração doído e seus pés ardiam como se estivessem andando sobre lâminas.

O tempo esta se esgotando.

Danny sentia sua morte cada vez mais próxima. Sua cabeça parecia que ia explodir com tantas informações. Tão perdida em seus pensamentos e fúria que estava, ela nem percebeu que já havia chegado no portão de entrada da escola até ouvir o sinal de entrada. Ela balançou a cabeça abruptamente, como que tentando esvaziá-la e correu para o patio onde várias filas ja se formavam.

As aulas demoraram a passar naquele dia. O almoço não estava tão bom. E Danny tinha certeza que ao sair da escola e voltar para casa, sua família a esperava com a mesma fúria de mais cedo.

Porém ela errou. Ao chegar em casa encontrou apenas Helen trabalhando na cozinha. Subiu para o seu quarto e foi tomar banho. Depois de se vestir, desceu para tomar seu lanche, e se surpreendeu ao encontrar sua avó a esperando na cozinha.

- Vovó! - Falou surpresa - Por que veio? - Perguntou correndo para abraça-la.

- Espero não tê-la colocado em perigo. - Falou sem jeito - Tentei colher informações da sua mãe por telefone e ela acabou percebendo sua curiosidade.

Danny olhou de relance para Helen. A senhora desviou o olhar. É claro que ela sabia o que tinha acontecido. Mas Danny optou por não se revoltar com a avó.

- Não foi nada. - Falou indo se sentar ao seu lado e enchendo um copo de suco.

- Que bom. - Falou a senhora sorrindo - E sua mãe disse mais alguma coisa?

- Nadica! - Respondeu decepcionada.

- Então eu trago uma boa notícia! - Anunciou animada.

Danny engoliu o suco que bebia com urgência.

- O que? - Quis saber se animanda - Descobriu alguma coisa?

- Encontrei isso. - Falou puxando a sua bolsa.

Ela abriu a grande bolsa e começou a procurar. Danny esperava ansiosa. Os olhos brilhando com a esperança. Então de repente sua avó puxou um pequeno pedaço de papel de dentro da bolsa e sorriu.

- Aqui esta. - Era uma foto. - Sabe aquelas cabines fotográficas que a gente vê em filmes americanos?

- Sim! - Respondeu Danny pegando a pequena foto em suas mãos.

- Pois bem. - Continuou a senhora - Antigamente as fotos eram assim: Preto e Branco, e mediam 5x4. E era apenas uma pose.

Danny olhava para a foto com admiração. Era sua mãe, porém 15 anos mais jovem, e ao lado dela um jovem homem, cabelos pretos e lisos que lhe cobriam a testa, o rosto pálido e fino, um bigode fino e raso se curvava levemente acompanhando os seus lábios em um meio sorriso: Era o seu pai. Ela tinha certeza disso.

- Tenho certeza que esse é o seu pai. - Falou a avó com orgulho - Se parece muito com você. Os olhos, os cabelos, o nariz, e até o jeitinho de sorrir.

Danny alargou ainda mais o seu sorriso.

- Eu tenho certeza que é ele, vovó! - Falou animada.

- Bom, eu já vou indo. - Anunciou a avó - Guarde isto, e não deixe a sua mãe saber.

- Pode deixar.

- E termine logo esse lanche, e depois vá estudar. - Continuou a avó - Não quero que se meta em mais problemas com Jonathan por minha causa.

- Não vou. - Danny se levantou e deu um abraço na avó - Muito obrigada. Eu te amo, vovó!

A senhora abriu um largo sorriso.

- Eu também te amo, meu bem.

A avó foi embora. Danny ficou um bom tempo admirando a fotografia minúscula em sua mão. Helen se aproximou e sentou-se ao seu lado.

- Posso ver? - Perguntou curiosa.

- Claro! - Respondeu a menina virando a fotografia para que ela também pudesse ver.

- A sua avó tem razão, você se parece muito com ele. - Ela sorriu.

- Meu pai! Dá pra acreditar?

- Você vai encontrá-lo, não vai? - Perguntou a jovem senhora. Um sorriso sonhador no rosto.

- Pode apostar que sim! - Respondeu Danny - Você vai ver.

Ás vezes Danny tinha a sensação de que Helen sabia dos seus segredos. Mas a senhora nunca a pressionou para saber a verdade. E simplesmente confiava piamente na garota.

- Agora vai estudar. - Falou levantando-se e puxando a menina da cadeira - E guarde isso. Seus pais não podem nem sonhar que você tem essa foto.

Danny enfiou a foto no bolso obediente, e saiu da cozinha em direção a sua sala de estudos. Não conseguiu estudar direito aquela tarde, e fez apenas suas tarefas. Não tinha livro na mesa naquele dia. Com sua fúria pela manhã, Jonathan deve ter se esquecido de deixar a sua leitura diária separada. Nesse caso, Danny decidiu dar-se uma folga de leitura e subiu correndo para o seu quarto.

Danny trancou a porta e começou a se ajeitar na cama, mas antes que pudesse tentar rastrear, alguém bateu com força na porta.

Danny deu um pulo e correu para abri-la.

- Por que trancou a porta? - Perguntou sua mãe ja entrando no seu quarto.

- Queria um pouco de privacidade. - Respondeu com certo remorso.

- Se arrume. Vamos sair. - Falou e começou a ir em direção a porta.

- E aonde vamos? - Quis saber a menina.

- Jantar fora. - Respondeu já distante - É o seu aniversário.

- O meu aniversário é daqui a três dias. - Retrucou Danny elevando a voz para que a mãe pudesse ouvi-la.

Sua mãe não falou mais nada. Danny suspirou com raiva e foi se arrumar para sair. Jonthan chegou e também foi se preparar para o jantar.

Os três sairam juntos e foram em um restaurante que costumavam frequentar.

- Por que esse jantar hoje? - Quis saber Danny. - Já disse que meu aniversário é em três dias.

- Resolvemos adiantar. - Respondeu Jonathan.

- Por que? - Insistiu Danny.

- Por que vamos viajar no dia do seu aniversário. - Falou sua mãe de uma vez.

Danny não se importava muito com o seu aniversário. Pois sempre faziam coisas que sua mãe queria, e não o que ela queria. Naquele momento ela ficou feliz com a notícia, enfim poderia ter um dia inteiro só pra ela, e ainda era no seu aniversário. Ela fez um esforço enorme para não demonstrar felicidade com a notícia.

- E para onde vocês vão? - Perguntou sem interesse de realmente saber a verdade.

- Vamos para a suíça. - Informou Jonathan.

- Recebemos uma carta de aprovação para você. - Continuou sua mãe.

Danny não conseguiu se conter e fez uma careta.

- Do que é que vocês estão falando? - Perguntou. A menina começava a questionar a sanidade mental do casal - Que carta de aprovação é essa?

- Do Intituto Le Rosey. - Respondeu sua mãe abrindo um enorme sorriso.

- É o que? - Falou incrédula.

Danny virou o rosto para encarar o padrasto. O seu olhar mostrava triunfo.

- Eu não pretendo ir para a Suíça, mesmo. Pode cancelar essa matricula aí. - Comunicou Danny.

- Não começa, Daniella. - Falou sua mãe - Tem idéia de como é difícil conseguir essa vaga? E é um ótimo internato. Vai ser ótimo para você.

Danny ainda estava incrédula. Começou a sentir seu estômago cheio demais e pensou que fosse vomitar.

- E desde quando eu estou concorrendo a essa vaga? - Questionou.

- Desde o seus nove anos. - Respondeu Jonathan.

- Filha, você vai amar o Instituto. Sem contar que estudar fora é uma experiência incrível. - Falava sua mãe animada.

- Bom, vamos esperar que eu não volte para casa com um bebê nos braços. - Falou com ironia.

os dois entenderam a referência, e Danny agradeceu a si mesma por ter feito isso em um local público, pois certamente poderia ter apanhado.

- Tem mais algum comentário desnecessário, ou podemos enfim terminar o jantar? - Quis saber sua mãe. O sorriso de seu rosto desaparecera.

Danny se arrependeu de ter falado aquilo, mas estava magoada de mais para se desculpar.

- Se quer saber. - Respondeu a garota - Podem ir nesse tal Instituto, divirtam-se nessa viagem. Porque eu não vou para Internato nenhun.

- Tudo bem. Assunto encerrado. - Interviu Jonathan

- Só porque você quer. - Rebateu Danny com aspereza.

- Daniella! - Repreendeu sua mãe.

Danny ergueu levemente as mãos e as soltou na mesa com raiva.

- É sempre assim. - Falou em tom baixo, porém revoltado - Ele não aceita o que ouve e ao invés de falar sobre o assunto prefere me mandar calar a boca. Eu não vou aceitar isso não.

- DANIELLA! - Falou sua mãe rispidamente. - Eu disse para parar.

- Mas eu não vou parar. - Rebateu a garota - Vocês não podem me botar num avião e me mandar para fora do país sem que eu queira.

- Você fala isso agora. - Interviu Jonathan - Mas quando estiver la, vai gostar. É uma oportunidade única. Você vai se arrepender uma vida inteira se não for.

- Pode apostar. Eu não vou me arrepender de nada disso. - Falou por fim - Quer saber? Eu acho que vocês só querem me despachar de vez. Eu sou só um capricho social para vocês dois, e agora que eu decidi encontar uma certa pessoa, vocês simplesmente decidiram me mandar pra longe. E ainda vão poder anunciar o status de que eu frequento esse tal instituto aí.

Sua mãe colocou as mão no rosto tentando controlar a raiva. É claro que ela não iria surtar em público.

- Talvez seja melhor assim. - Continuou Danny - No fundo vocês estão cobertos de razão, e quanto mais longe de vocês eu estiver, melhor e mais seguro será pra mim.

- Chega, Daniella! - Falou sua mãe entredentes.

- Esse assunto esta encerrado para você. - Falou Jonathan.

- Ótimo. - Falou simplesmente Danny.

De maneira nenhuma ela queria continuar morando com a mãe e o padrasto, mas de jeito nenhum que ela iria para a Suíça.

Depois do catastrófico jantar de aniversário antecipado, eles voltaram para casa. Sem muita paciência para formalidades, Danny correu para o seu quarto.

Ela trancou a porta quando entrou, e sentou-se no meio da cama. A postura ereta, as pernas cruzadas. Puxou a fotografia do bolso e a olhou atentamente. Tentou olhar cada detalhe do rosto de seu pai. Seu nome era Jefferson. Então enfiou a foto no bolso novamente e respirou profunda e lentamente. Procurava manter a mente o mais vazia possível, apenas com a imagem do seu pai. A imagem de uma fina camada de fumaça começou a se formar em sua mente. E gradativamente foi dando lugar a uma imagem completa.

Danny olhava atentamente ao redor, era final de tarde, havia uma casa, não muito grande e era toda branca, chuviscava um pouco. Danny teve a sensação de ja ter estado naquele lugar antes, mas não sabia quando. Caminhou alguns passos e então viu um carro virando a esquina lentamente. O carro parou exatamente em frente da casa, era uma viatura policial. Danny olhou atentamente e viu a porta da viatura se abrindo e um homem sair de dentro dela. Os cabelos castanhos e lisos, a pele clara, alguma rugas em seu rosto, e o seu icônico bigode, agora bem mais grosso e esbelto. Danny sorriu para o homem, ele fechou a porta da viatura e caminhou até a porta de entrada, pegou uma chave no batente e entrou. A imagem se dissipou e Danny abriu os olhos. Era claramente o seu pai.

Danny não sabia exatamente como poderia saber, mas naquele momento soube, seu nome não era Jefferson, era Charles Jefferson Swan, ele tinha quarenta anos, era policial, isso ficou bem claro, e não sabia que ela existia. Ele vivia sozinho. Danny tentou se lembrar de mais informações, mas foi apenas isso que conseguiu.

- Danny, sua imbecil. Era pra você ter se concentrado na localização. - Falou para si mesma.

Danny refletiu sobre o local. Lembrou-se de seu sonho da noite anterior. O lugar se assemelhava com aquele onde acabara de ver o seu pai. Muito provevelmente acabou o rastreando sem querer.

Ela puxou a foto do bolso e a olhou novamente com a atenção necessária. Depois arrumou sua postura e fechou os olhos, levou menos tempo dessa vez para encontrá-lo. Estava sem seu casaco, em pé na cozinha, fazia alguma coisa no microondas. Ele foi até o armário ao lado e o abriu, puxou um prato e o colocou sobre a bancada. O alarme do microondas apitou, ele o abriu e puxou um vazilha de comida congelada. Uma leve fumacinha se levantou, e ele usou uma colher para passar toda a lasanha para o prato. Depois colocou seu prato na mesa e se sentou para jantar. Danny deu um leve sorriso. Realmente eles se assemelhavam muito.

- Ok. Foco Danny. - Falou para si mesma - Descubra onde você esta.

Danny olhou ao redor procurando alguma informação. Uma bandeira, a camisa de um time, um jornal, qualquer coisa. Olhou para a bancada. Uma conta. Danny correu para ela e a olhou atentamente.

- A conta de luz desse mês veio bem baixa, não é mesmo? - Falou Danny sorridente - Espero que nunca veja o valor da nossa conta no Brasil. Estou falando porque 87 dólares é basicamente nada. Mas me pergunto com o que gastaria tanta energia, não é mesmo?

Danny leu o endereço duas vezes tentando decorá-lo. Olhou uma última vez de relance para a imagem de seu pai jantando e sorriu.

- Até logo, papai. - Falou calmamente.

A visão se dissipou em uma fumaça fina. Danny abriu os olhos e correu para a sua caderneta. Pegou uma caneta e escreveu o mais rápido que pôde.

1775 K st, Forks, WA.

Danny olhou para o endereço e sorriu. Ainda com a caneta em mãos escreveu:

Charles Jefferson Swan.


Nota da Autora:

Olá pessoal,

espero que estejam gostando da história. Muito em breve os personagens ja conhecido de crepúsculo estarão presentes.

Ps: Ficarei grata com o retorno de vocês pelos comentários, uma vez que o site não tem me atualizado informações sobre a fic.

Att,

Thazz Ransom.