Capítulo 2:
A Viagem Secreta de Danny
Danny não teria muito tempo para agir, então precisava se planejar e agir o quanto antes. Sua mãe e padrasto partiriam para a Suíça no dia 29 de maio pela manhã, e retornariam no dia 02 de junho à noite. Ela tinha algum dinheiro guardado em seu cofre, pois raramente gastava sua mesada.
Ela procurou todos os seus documentos e os guardou separadamente em uma pasta dentro de uma gaveta de sua escrivaninha, separou algumas poucas peças de roupas na última gaveta de seu armário. Não poderia levantar suspeitas quanto a uma possível fuga. No dia em que sua mãe e Jonathan viajaram, Danny foi para o colégio normalmente, e depois da saída tomou um ônibus até o aeroporto de Congonhas. Os preços das passagens eram mais caros do que ela imaginava.
- Onde estão seus pais? - Perguntou a atendente enquanto ela olhava o formulário de valores.
Danny olhou para a porta e acenou com a cabeça. A atendente olhou na direção em que ela apontara no mesmo momento em que uma mulher acenava para alguém. Isso foi o suficiente para ela.
Danny ja havia feito algumas pesquisas na internet pela biblioteca do colégio, e sabia que não conseguiria um vôo direto de São Paulo para Seattle, e que teria de mudar o seu transporte a partir de Seattle. Forks era uma cidade muito pequena, sem aeroportos, e nem metrô.
- Preciso ir para Seattle, nos Estados Unidos. - Falou Danny por fim.
- Ok. Vamos ver o que temos aqui. - Respondeu a atendente puxando um livro para ver datas e horários dos vôos. - Quando pretende ir?
- Preciso estar lá até o dia 02 de Junho. - Respondeu ansiosa.
A moça a olhou com certa desconfiança. Mas logo voltou para o seu livro.
- Não temos vôos diretos. - Respondeu ela. - Para Seattle temos um vôo saindo Atlanta, no dia 01 de junho.
- Pode ser esse. - Respondeu Danny ansiosa.
- Calma. - Falou a atendente cautelosa. - O vôo sai de Atlanta às 23 horas, no horário de São Paulo, e às 21 horas no horário de Atlanta. Preciso saber se teremos vôos de São Paulo para Atlanta nesse dia.
- Tudo bem. Pode ver. - Falou Danny tentando manter a voz calma.
A mulher virou algumas páginas do livro e correu o dedo a procura das informações.
- Temos um vôo de São Paulo para Atlanta no dia 01. Sai de São Paulo às 10 da manhã, deve chegar em atlanta às 20 horas horario daqui, umas 18 horas no horário de lá. - Respondeu por fim. - Vai te dar 3 horas de intervalo entre os vôos. O que acha?
- Perfeito. - Respondeu Danny. - Eu vou querer.
- Ok. - A mulher se virou para o computador a sua frente e começou a digitar. - Documentos, por favor.
Danny abriu a mochila e puxou sua pasta com sua identidade e seu passaporte. A moça pegou e começou a digitar seus dados no computador.
- Uma passagem de São Paulo até Atlanta, no dia 01 de junho, 10:00. - Falou a mulher. - E outra passagem de Atlanta até Seattle, no dia 01 de junho, 23:00 horário de brasília, e 21:00 horário de Atlanta. Para Daniella Rosie Colombo. Certo?
Danny sentia o seu corpo ser invadido por uma estranha sensação. Seria medo? Não conseguia falar nada, então apenas assentiu com a cabeça.
A mulher lhe devolveu seus documentos, e uma lista impressa em papel A4.
- Essa é a lista de documentos que você precisa levar. - Ela apontou para um item especifico da lista. - Precisa de uma autorização por escrito dos seus pais para viajar sozinha. - Ela puxou outro papel da impressora e a entregou. - Aqui. Sem isso você não pode embarcar. - Mostrando agora o termo de autorização.
Danny apenas balançou a cabeça.
Então ela finalmente lhe entregou duas passagens. Danny as pegou com firmeza e imediatamente as colocou dentro de sua mochila.
- Boa viagem, mocinha. - Desejou ela com um sorriso sincero.
- Obrigada. - Foi tudo o que conseguiu dizer.
Danny tomou outro ônibus de volta para casa. Ao descer do ônibus, caminhou até um telefone público próximo e puxou um pedaço de papel amassado que estava em seu bolso. Tinha anotado o telefone após algumas pesquisas na internet. Pois teria de passar a noite em Seattle antes de ir definitivamente para Forks. Ela puxou o fone do gancho, colocou o seu cartão telefônico no lugar e discou os números que lia. Alguns toques depois e alguém atendeu, em um inglês americano. Danny respirou profundamente e falou no seu melhor inglês.
- Preciso de uma reserva para o dia 02 de junho, a partir das 01:00 da madrugada. - Disse com voz calma. - Para minha filha.
Após alguns minutos, Danny passou todos os dados necessários dela e de sua mãe, por quem estava se passando. E conseguiu concluir a sua reserva. Só precisaria de algumas horas para descansar, pois sabia que ficaria exausta. Desligou o fone no gancho e puxou o seu cartão. Depois terminou o seu caminho ate a sua casa.
Ao chegar em casa por volta das 19:30, se deparou com sua avó e Helen. As duas senhoras pareciam prestes a entrar em pânico. Danny engoliu em seco e pensou rapidamente em uma justificativa para sua demora.
- Será que a senhorita pode responder o porquê de só estar chegando agora? - Falou sua avó severa.
- Me desculpe. Eu devia ter avisado. - Falou com a voz suave. - Fui ao cinema com uns amigos.
- Como assim no cinema? - Questionou sua avó.
- Fomos ver Homem-Aranha. - Falou Danny pensando no primeiro filme que se lembrava estar em cartaz, já saindo do hall de entrada e indo em direção às escadas.
- Você não pode sair sem permissão. - Rebateu sua avó. - E ainda esta de castigo. Era para ter voltado pra casa imediatamente após a aula.
Danny parou e olhou seria para a avó.
- Ninguém precisa saber de nada. - Falou com frieza. - E ao que depender da minha mãe e de Jonathan, eu nunca vou pra lugar nenhum, nem ter nenhum amigo, vou ficar para sempre presa dentro de casa, sendo forçada a estudar e trabalhar, e estar condenada para sempre em um castigo injustificável.
Danny voltou a subir as escadas, sua avó não disse mais nada. Ela entrou em seu quarto e trancou a porta atrás de si. Tirou seus documentos e passagens da mochila e os guardou em sua pasta de documentos. Achou que sua pasta, que agora continham duas passagens, não estariam seguras em sua escrivaninha, e decidiu guardá-la em sua última gaveta do armário, escondida sob as poucas roupas que havia separado para a viagem. Ela deixou apenas o termo de autorização de viagem que deveria ser assinado por sua mãe em sua mochila. Precisava pensar em como faria, pois obviamente sua mãe não o assinaria.
No dia seguinte, Danny acordou no horário de costume, mas pôde se arrumar com calma, sem a rigidez de sua família. Helen a esperava na cozinha e ja havia preparado o seu café da manhã.
- A sua avó ligou. - Falou Helen calmamente. - Acho melhor você retornar a ligação. Sabe, ela ficou bem preocupada com você ontem.
Danny suspirou. Não queria preocupar ninguém, muito menos magoar sua avó. Ela terminou o seu café e foi até o telefone, discou os conhecidos numeros da sua avó. Ela atendeu no terceiro toque.
- Oi, vovó. Sou eu, Danny. - Falou calmamente.
- Oi, meu bem. - Respondeu com carinho.
- Me desculpe por ontem. Não sabia que viria aqui em casa, então não me preocupei em avisar.
- Ah, tudo bem. Não tinha como você saber. - Ela suspirou do outro lado, e então voltou a falar. - Bem, amanhã é seu aniversário, quero te levar pra um passeio. Você vem?
Danny pensou a respeito. Ela pretendia terminar tudo o que precisava para a viagem ainda naquele dia, mas não tinha como saber se daria certo. Porém, tinha apenas mais esse dia com a avó, antes de se mudar definitivamente.
- Ok, vovó. - Respondeu por fim. - A gente se vê amanhã depois da escola.
- Ah, ótimo. Eu passo ai pra te buscar. Um beijo, meu bem.
Danny respirou profundamente e colocou o fone no gancho. Depois pegou sua mochila e tomou o seu caminho solitário até a escola. Chegou alguns minutos antes do sinal, como esperava, e foi até uma de suas colegas de sala.
- Preciso da sua ajuda. - Falou baixinho somente para ela ouvir. - Ou melhor, preciso da ajuda do seu irmão.
Valéria estudava com Danny desde a pré escola. Elas nunca foram melhores amigas, mas Danny confiava nela, e podia contar com a sua ajudar para guardar esse segredo.
Valéria segurou sua mão e a conduziu até o banheiro, olhou para trás para ver se não estavam sendo seguidas, e ao entrarem no banheiro, ela trancou a porta. Olhou todas as cabines para ter certeza de que estavam sozinhas, sorriu e finalmente falou:
- Do que precisa, Danny?
O irmão de Valéria era um artista, e já estava na faculdade, tinha muito talento com as letras.
- Bem... - Disse Valéria depois de ouvir o seu pedido. - Sei que meu irmão pode fazer isso. Mas não tenho certeza de que ele vai querer fazer isso. - Falou reflexiva. - Sabe como ele é, todo certinho...
- Precisa me ahudar a convencer ele. - Insistiu Danny.
- Por que precisa viajar? - Quis saber ela.
Danny não queria contar. Mas sabia que poderia confiar em Valéria.
- Eu encontrei meu pai. E quero conhecê-lo. - Falou por fim. - E ele precisa saber que eu existo.
Valéria suspirou e pensou por um momento.
- Tudo bem. Mas não posso ter certeza que meu irmão vai querer ajudar. Vou tentar convencê-lo, mas não posso garantir nada.
Danny abriu um largo sorriso. Nesse momento o sinal de entrada tocou e as duas se encaminharam para fora do banheiro.
Após as aulas, as duas saíram juntas do colégio e caminharam até a casa de Valéria. Seu irmão já se encontrava lá quando elas chegaram.
A sós, no quarto da amiga, ambas as garotas se esforçaram a convencer Julian, o irmão de valéria, a imitar a letra e assinatura da mãe de Danny.
- Por favor, Julian. - Insistia Danny. - Você conhece minha família, sabe como eles são. Eles jamais me permitiriam isso.
- Meninas... - Falou o rapaz. - Eu consigo ver milhares de possibilidade disso tudo dar errado. Vocês podem imaginar, se algo acontecer...
- Confia em mim, por favor. - insistiu Danny. - Eu tomarei todo o cuidado necessário. E eu ligo pra você. Assim que eu chegar lá. Eu prometo.
Julian pensou a respeito. Ele era um garoto bondoso, muito sensível e artístico. Gostava de boas histórias. Crescera sob o preconceito das pessoas ao seu redor, e até mesmo da sua família. Pensava que qualquer sonho de amor era válido. Danny merecia conhecer um pai gentil e amoroso, diferente do rude e autoritário padrasto, que ele sabia que Jonathan era. Ele suspirou.
- Me dê o papel. Eu vou ajudá-la. - Respondeu rendido.
Valéria pulou de alegria. Danny foi rápida e correu para abrir sua mochila e pegar o papel. Tinha medo que ele mudasse de idéia.
- A condição é que me prometa que irá falar com sua mãe assim que encontrar o seu pai.
- Eu prometo. Pode confiar.
Julian tomou a cópia dos documentos da mãe de Danny, e leu calmamente alguns rascunhos seu. Ele preencheu o papel vagarosamente, se atentando em cada letra, e no final, repetiu a sua assinatura com muita cautela. A única informação diferente, foi o número de telefone. A companhia aérea iria disparar um SMS a cada embarque e desembarque de Danny, então Julian colocou o próprio número de celular.
Por volta das seis da tarde, Danny chegou em casa. Helen a esperava com o jantar já preparado.
- A sua mãe ligou. - Falou ela com nervosismo na voz. - Acabei falando que estava na terapia - Falou ela com um sorriso de nervosismo. - Mas a secretária da terapeuta ligou e disse que você não foi à terapia hoje.
Aparentemente, Helen não acreditara em sua mentira do dia anterior. E nem acreditaria em uma nova mentira hoje. Então Danny se limitou a sorrir e agradecer.
No dia seguinte, Danny foi para o colégio como de costume, e agiu naturalmente. No horário de almoço, procurou a secretaria da escola, e solicitou o seu histórico escolar.
- Somente os responsáveis podem solicitar. - Respondeu a secretária.
- Eu sei... - Respondeu fingindo desânimo - Acredito que minha mãe já havia feito essa solicitação antes... - Bingo! A secretária acenou a cabeça de leve concordando - Mas acontece que teve extravio de bagagem, e tem essa reunião com com o Instituto Le Rosey hoje. Ela pediu para tentar outra cópia do histórico.
A secretária excitou por um momento.
- E como pretende encaminhar os documentos para ela? - Desafiou ela.
- É óbvio, por fax. - Respondeu Danny, se surpreendendo com sua própria agilidade para improvisar. - O número do hotel esta anotado no escritório do meu padrasto. Preciso enviar o quanto antes.
A secretária suspirou, mas se virou para o computador e procurou pelos arquivos. Alguns minutos depois entregou um envelope A4 de papel pardo para Danny. A menina saiu da secretaria, e ja do lado fora abriu o envelope para conferir. Lá estava seu histórico escolar completo em duas vias (uma em português e outra em inglês), e de brinde ainda estava sua declaração de transferência escolar, também em duas vias. Ela colocou tudo dentro da sua mochila.
- Último triunfo. - Falou baixinho para si mesma.
Após sair do colégio caminhou apressadamente para casa. Sua avó deveria já estar indo buscá-la para o passeio de aniversário. Então ela precisava ser rápida.
Ao chegar em casa, ela correu para o seu quarto. Puxou o envelope que tinha e o colocou dentro de sua pasta de documentos. Decidiu que era hora deixar tudo pronto, então esvazio sua mochila da escola e guardou suas poucas peças de roupas que estavam separadas e sua pasta de documentos dentro da mochila. Deixou seu passaporte, as passagens e a autorização de viagem assinada por sua mãe separados no bolso da frente da mochila, e guardou o restante do dinheiro que ainda tinha em outro bolso menor. Enfiou sua mochila dentro do armário e correu para se arrumar.
Quando desceu para a cozinha para lanchar sua avó ja estava lá. Ela lhe deu um abraço apertado e lhe desejou feliz aniversário. Danny agradeceu a avó com um nó na garganta. Sentiria muita saudade da senhora que sempre lhe apoiou em tudo que precisava.
As duas saíram para um passeio de aniversário. Não exatamente o que Danny gostaria para o seu aniversário. Elas foram assistir um concerto musical que estava em cartaz. Danny tinha alguma habilidade musical, mas nada excepcional, frustrando os sonhos de sua avó de ter uma neta musicista. Danny praticava piano com certa regularidade, e também violino e oboé. Mas como dito, nada excepcional.
Após o concerto, a sua avó a levou para jantar em um restaurante que sua avó gostava, e conversaram sobre coisas aleatórias. Depois sua avó lhe levou de volta para casa.
- Vovó? - Chamou Danny antes de sair do carro.
- Sim, meu bem?
- Eu te amo muito. - Falou simplesmente. Ela queria que a avó se lembrasse disso.
- Oh, meu amor. Eu também te amo. - Respondeu a avó com carinho.
Danny desceu do carro e já ia em direção á entrada de casa quando decidiu voltar até o carro da avó. Ela parou diante da sua janela e a senhora a abriu para que pudesse ouví-la.
- Só para que não fique preocupada - Falou com certa ansiedade - Eu vou passar o final de semana na casa de uma amiga. Vou amanhã de manhã e volto no domingo. - A avó já ia contestar, mas ela continuou - Prometo estar em casa antes dos meus pais chegarem. - Concluiu com os dedos cruzados em suas costas.
- Tudo bem. Mas só porque é seu aniversário. - Concordou ela.
Danny sorriu e se virou, voltando para sua casa.
Ao adentrar a casa, encontrou-se com Helen. A senhora estava dormindo no local para cuidar de Danny. Ela lhe contou a mesma desculpa que disse a sua avó. Porém Helen era muito mais esperta do que parecia.
- Sabe que precisa deixar o nome e o telefone da sua amiga. Caso precise entrar em contato. - Respondeu com firmeza.
- Claro. - Respondeu a menina engolindo em seco. - Vou deixar um papel ao lado do telefone.
A senhora acenou em concordância. Danny caminhou para a escada, e quando ja estava nela ouviu a voz de Helen ao longe dizer um "Boa sorte, menina!", fazendo-a se perguntar novamente, se Helen poderia saber de seus segredos.
Já em seu quarto, Danny trancou novamente a porta. Conferiu sua mochila, os documentos, contou o seu dinheiro, e separou a roupa que usaria em sua viagem: Uma calça jeans azul lisa, uma camiseta verde oliva com mangas compridas, seu tênis air jordan branco e preto, e seu casaco de moletom under armour preto. Estava frio em São Paulo, mas pensou mais no frio dentro do avião.
Ela não conseguiu dormir direito naquela noite. Acordou diversas vezes e alterou entre a ansiedade e os cochilos curtos. Quando já eram quase cinco da manhã, decidiu acordar definitivamente. Foi para seu banheiro tomar banho e escovar os dentes, depois se vestiu e penteou seus longos cabelos castanhos escuros. Danny pegou um pedaço de papel e escreveu um numero aleatório, depois inventou um nome qualquer: "Eloísa", seria o contato da tal amiga. Quando já eram seis e meia. Danny pegou sua mochila e desceu para o andar de baixo. Helen ainda não estava na cozinha, Danny deixou o papel ao lado do telefone e foi para a saída.
Já fora de casa, ela caminhou até a avenida mais próxima e fez sinal para um táxi, demorou uns cinco minutos para conseguir um carro livre, e então partiu para o aeroporto de Guarulhos.
Foram cerca de uma hora e meia de viagem, e ela chegou ao aeroporto, saiu com sua única bagagem, sua fiel mochila e caminhou até o balcão de atendimento, apresentou seus documentos e sua passagem para Atlanta. Como não tinha bagagens, Danny não teve nenhum problema para isso, e depois de alguns minutos a atendente lhe devolveu seus documentos junto com seu cartão de embarque. Danny guardou tudo novamente na mochila e foi procurar um lugar para comer, eram oito da manhã, e ela ainda estava de estômago vazio.
Na área de restaurantes, ela foi até o Starbucks e pediu um café cremoso com panquecas. Depois de alguns minutos e devidamente alimentada, ela se encaminhou até a entrada da sala de embarque. Colocou sua mochila numa cesta para passar no raio-x e passou pelo detector de metais sem problemas. Apesar de não ter motivos para ter medo, ela sentia um pouco. Já na sala de embarque, Danny procurou pelo seu portão de embarque, e ao encontrá-lo, sentou-se em uma poltrona bem á sua frente, não queria correr o mínimo risco de perder seu vôo.
Por volta das 09:30, o portão de embarque se abriu, e Danny finalmente adentrou o avião. Danny apresentou seu passaporte, passagem e a autorização, e pôde embarcar sem problemas. Procurou por seu lugar e se sentou, com sua mochila entre suas pernas. Meia hora depois a aeronave decolou, e Danny respirou profundamente aliviada. O vôo de São Paulo até Atlanta durou cerca de dez horas. Foi torturante, ficar esse tempo todo parada e sentada. Danny arrependeu-se de não ter levado um livro ou algo do tipo para se distrair. O avião pousou exatamente quando o seu relógio de pulso marcava 20:00. Ela foi uma das últimas pessoas a deixar o avião, e por ser Americana (mesmo nunca tendo estado no país) foi encaminhada para a área de cidadãos americanos. Danny olhou para o relógio no painel do local e viu que marcava 18:09, era o horário local. Decidiu ajustar o seu relógio de pulso para não se perder no fuso horário e voltou duas horas.
O aeroporto de Atlanta era bem maior que o de Guarulhos, e muito mais movimentado também. Ela foi a procura de uma área de restaurantes e teve de pedir informação a um segurança do lugar, que acabou por a encarar com certa desconfiança, porém lhe indicou a direção certa. Danny encontrou o McDonald's e decidiu que o seu jantar seria hamburguer e coca-cola. Ela estava faminta, apesar dos snacks que recebera no avião. Depois de se alimentar bem, ela se encaminhou de volta até a sala de embarque, e precisou novamente passar pelo detector de metais e raio-x. Levou cerca de meia hora para encontrar o portão de embarque certo, e decidiu ficar nele até a hora de embarcar, mas precisou sair rapidamente para ir até o banheiro uma vez.
Por volta das 20:30 no horário de Atlanta, Danny fez o seu embarque sob um olhar desconfiado do funcionário da companhia aérea. Danny sentiu-se um pouco mais observada nos Estados Unidos, do que no seu embarque no Brasil. Procurou manter a calma, encontrou seu lugar no avião e novamente sentou-se e enfiou a mochila por entre suas pernas. A viagem de Atlanta até Seattle também foi longa e cansativa, durou quase seis horas. O rélógio de pulso de Danny marcavam 02:45 quando o avião finalmente pousou (no horário de Atlanta). Dessa vez Danny se apressou, puxou sua mochila e se encaminhou até a saída do avião, sendo uma das primeiras a deixar a aéronave.
O aeroporto de Seattle-Tacoma era bem menor que o de Atlanta, mas não muito diferente do de Guarulhos. No painel da área de desembarque, o relógio marcava 23:50, e ela novamente ajustou o horário em seu relógio de pulso, voltando três horas, agora com o fuso horário do estado de Washington, fez uma conta rápida e concluiu que em São Paulo deveria ser quase cinco da manhã. Ainda no aeroporto, a menina procurou outro lugar para comer, pois apesar do horário, estava faminta. Decidiu comer em um restaurante chamado Hachi-Ko, que vendia comida japonesa. Depois de bem estar mais disposta e com as energias recarregadas, decidiu ir para o motel que havia reservado, chamado Motel 6 Seattle. Danny levou cerca de quinze minuos para estar definitivamente fora do aeroporto. Decidiu ir caminhando até o local e levou cerca de meia hora de caminhada. Fez o check-in e pegou as chaves diante de uma curiosa atendente, Danny decidiu pagar pela estadia com antecedencia, com saída programada para as 07:00 da manhã. Ela foi até o seu quarto, número 43, trancou a porta ao entrar, tirou os tênis e largou a mochila na cama ao seu lado. Exausta demais para qualquer outra coisa, se jogou na cama e apagou, em uma noite de sono sem sonhos.
Já eram seis da manhã quando Danny acordou. Seu relógio de pulso apitando baixinho. Ela se espreguiçou e sentou-se na cama levemente, olhando tudo ao seu redor com calma. Decidiu tomar um banho, pois fazia calor em Seattle, e ela suou durante a noite. Depois do banho e de escovar os dentes, Danny vestiu novamente sua calça jeans azul, e uma camiseta regata amarela, calçou seus tênis e recolocou seu relógio de pulso. Amarrou o moletom na cintura, não pretendia usá-lo por agora, mas era grande demais para sua mochila. Quando já faltavam dez minutos para as 07:00, a menina deixou o quarto de número 43 e se encaminhou para a recepção. Entregou as chaves para uma nova atendente, virou-se e foi embora, ainda com a moça lhe fazendo diversas perguntas.
Na primeira parada de ônibus que encontrou, Danny abriu o mapa de transportes de Seattle que havia pego no aeroporto no dia anterior. Ela procurou pela Estação de King Street, leu os roteiros com atenção e viu quais ônibus precisaria tomar e quais pontos deveria descer. Depois fechou o mapa e o enfiou novamente na mochila. Ás 07:03, o ônibus 161 chegou, Danny entrou, pagou pelo seu bilhete e sentou-se. Menos de vinte minutos depois, Danny deixou o ônibus na estação de Burien Transit Center, onde esperou por dez minutos pelo próximo ônibus, número 132. Quarenta minutos depois, Danny chegou na esquina da 4ª avenida com a rua Jackson, exatamente em frente à Estação King Street. Já eram 08:15, e ela estava novamente com fome, nunca passara tanto tempo com uma rotina irregular quanto nos últimos dias. Decidiu ir á estação primeiro.
Ela foi até um balcão e comprou uma passagem de ônibus até Port Angeles. Por um momento pensou que seria barrada pela atendente por ser menor de idade, mas ela não pareceu se importar com nada disso.
- São 47 dólares. - Falou sem nem sequer olhar para a menina.
Danny enfiou a mão na mochila e puxou uma nota de cinquenta. Danny havia trocado o seu dinheiro antes de sair do brasil, o que parecia muito quando eram reais, mas quase nada agora que eram dólares.
- O ônibus sai ás 12:35. - Falou entregando seu troco e sua passagem. - Não se atrase, e nem perca o seu bilhete.
- Espera. 12:35? - Questionou Danny. - Não tem algo mais cedo?
- Não. Esse é o único do dia. - Falou a jovem mulher. Agora olhando Danny com mais atenção. - Não se atrase e não perca o seu bilhete.
- Ok. - Falou sismplesmente. - Muito obrigada.
A mulher olhou com atenção a menina que se virava e saía. Era alta para a idade e magricela, com uma leve voz infantil e rouca. O seu inglês era perfeito e com leve sotaque que se assemelhava ao inglês britânico, mas muito pouco natural. Ela perguntava-se porque aquela criança estava sozinha, e indo para um lugar tão impopular ao seu ponto de vista.
Danny caminhou por uns quinze minutos até um Subway, pediu um lanche e um suco de limão. Quando já eram cerca de nove da manhã ela decidiu dar uma volta pela região, já chegando na Estação King Street, descobriu algumas lojas de roupas e decidiu entrar. Danny estava levando poucas peças de roupas, pois não queria levantar suspeitas ao sair de casa, mas agora pensou que seria bom ter um pouco mais de pertences. Ela recontou o seu dinheiro, e separou uma quantidade para comida, e para passagem de Port Angeles até Forks. Depois enfiou o restante do dinheiro no bolso e foi as compras.
Danny estava acostumada a fazer compras de roupas e sapatos com sua mãe e avó, e elas definitivamente tinham gostos muito diferentes dos dela. Danny se dedicou a entrar nas mais diversas lojas e compar somente o ela queria. Comprou algumas peças de jeans, camisetas, e outras peças que faziam mais o seu estilo. Ela não era muito vaidosa, bastava algumas peças básicas, e dois novos pares de tênis. Comprou alguns pares de brincos novos, pois havia apenas um consigo, que ela estava usando, e comprou um batom rosa claro, pois era branca demais, e no mínimo frio os seus lábios ficavam arroxeados, dando-lhe uma aparência mórbida. Para não ficar com tantas sacolas comprou uma mala de mão pequena. Quando voltou para a estação, foi até o banheiro, e retirou suas roupas das sacolas, e uma por uma foi tirando as etiquetas e as colocando dentro da mala. Depois descartou seus lixos, e foi para fora. Ja eram onze horas quando decidiu almoçar na lanchonete da estação. Pediu uma fatia de pizza de pepperoni e uma coca-cola.
Depois do almoço Danny se encaminhou até um telefone público, pegou as três fichas que havia acabado de comprar, tirou o fone do gancho, enfiou as fichas no telefone, e discou os já conhecidos números de sua antiga casa. Eram quase meio dia em Seatle, e quase cinco da tarde em São Paulo. Ou seja, sua mãe e seu padrasto deviam ter chegado em casa a menos de uma hora, ja deviam ter descoberto que o telefone e a tal amiga não existiam, ligado para a avó, que também não saberia de nada, e descoberto sobre sua fuga. Danny só estava ligando para avisar que estava bem, e que havia encontrado o pai, e que decidira viver com ele. Sua mãe não sabia sua localização, e se rastreassem o número pelo identificador de chamadas, poderiam ir até Seattle, mas nunca além disso. O telefone foi atendido no primeiro toque.
- ALÔ? - Era a sua mãe. O pânico na voz.
- Oi, mãe. - Respondeu Danny sentindo-se um pouco culpada.
- DANIELLA! - Gritou ela - PELO AMOR DE DEUS, ONDE VOCÊ ESTA?
- Me desculpe ter partido assim sem avisar. Mas eu precisava fazer isso.
- VOCÊ O QUÊ? - Sua voz ainda estava em pânico.
- Eu só liguei para avisar que estou bem. - Continuou a menina calmamente. - Eu encontrei o meu pai. E vou viver com ele.
Antes que sua mãe pudesse dizer algo, Danny desligou o telefone. Virou-se e se encaminhou para o ponto de embarque do seu ônibus e ficou esperando.
O ônibus chegou ás 12:15, Danny foi a primeira a entrar, e partiram de Seattle exatamente às 12:35. A atendente estava falando sério quando disse para não se atrasar.
A viagem até Port Angeles durou quatro horas. A paisagem migrou da metrópole cheia de prédios enormes para estradas longas e vazias, e cada vez menos o sol se destacava, dando espaço a um lugar fresco e úmido, e com muitas árvores ao redor. Assim que o ônibus chegou na Estação de Gateway Transit Center, Danny foi a primeira a descer, carregando sua mochila e sua mala de mão. Ela foi até o balcão da recepção. Uma senhora velha demais a atendendeu com voz gentil.
- No que posso ajudá-la?
- Preciso de uma passagem para Forks. - Falou apressada.
- Só um minuto. - Falou a senhora se virando para o seu computador.
Danny tinha pressa, pois não sabia a distância exata até Forks, quanto tempo levaria, e nem se ainda conseguiria viajar nesse dia. Mas sua família já podia ter acionado a polícia, e eles já poderiam estar procurando por ela.
- Aqui esta. - Falou a senhorinha. - O ônibus 14 sai ás 05:10 dessa tarde.
- Quanto é o bilhete? - Perguntou feliz.
- São 1 dólar e 50 centavos. - Respondeu com um sorriso enrugado.
Danny enfiou a mão no bolso da mochila e puxou os 3 dólares que haviam sobrado da passagem de Seattle até Port Angeles.
A senhorinha pegou o dinheiro e lhe deu o troco e seu bilhete.
- Ele pára bem ali. - Disse com gentileza apontando para uma parada específica.
Danny foi para o local indicado e esperou. Exatamente as 05:10 da tarde o ônibus saiu. Pela primeira vez desde que havia decidido fugir, Danny se perguntou se seu pai ira querer ela morando em sua casa. E essa dúvida fez seu estômago se revirar. E se ele não acreditasse nela? E se ele a rejeitasse e a expulsasse de sua casa? E se ele a entregasse devolta á sua mãe? Ela respirou fundo e fechou os olhos. Ele vai gostar de você, Danny. Mantenha a calma.
Uma hora depois, o ônibus parou na esquina da Forks Avenue com a Rua A. Danny desceu do ônibus e deu alguns passos. Eram 06:30 da tarde, Havia uma garoa fina e um vento leve e gélido. Ela fechou os olhos e lembrou-se do mapa de Forks que vira na biblioteca do colégio. Ela caminhou por cerca de meia hora pelas ruas de Forks, até que finalmente chegou ao endereço que procurava. 1775 K st, Forks. Danny olhou para a casa, exatamente como quando ela rastreou o pai. Branca, um carro de polícia na entrada da garagem. A luz de dentro estava acesa, ele obviamente já havia chegado. Danny caminhou lentamente até a porta de entrada. Sentia os cabelos grudarem em seu rosto molhado devido a garoa leve, e seu corpo tremendo levemente. Mas não sentia frio. Ela parou diante da porta de entrada e apertou a campainha. Seu coração batia em disparada. E pela primeira vez em anos, não sentia medo de nada.
A porta se abriu.
N/A:
Olá pessoal,
espero que estejam gostando da fic.
att,
Thazz Ransom.
