Três longos anos escoaram entre os dedos de Severus, fugindo velozmente como areias preciosas numa ampulheta. Narcissa, indubitavelmente, era sua melhor amiga e confidente, a única pessoa com quem podia passar horas a fio em conversas profundas, sem perceber o fluir do tempo. A adoração que nutria por ela era tão intensa, tão visceral, que escapava à lógica e às explicações racionais.

Era uma conexão natural, inevitável e pura. Como aquele momento mágico em que seus lábios se tocaram durante um passeio pelas ruas de Londres, quando ousaram esconder-se das atentas mães para explorar a cidade juntos. Não foi algo grandioso ou avassalador. Apenas um suave roçar de lábios entre dois jovens corações descobrindo o mundo e os próprios sentimentos. Uma aventura inesquecível que sempre lhes arrancava sorrisos ao relembrar.

Contudo, à medida que os dias passavam ao lado dela, Severus sentia-se cada vez mais perturbado pelo noivado de Narcissa com Lucius Malfoy. Algo muito prematuro que era o suficiente para inflamar sua irritação de maneira profunda. Não aceitava aquele relacionamento e o considerava ofensivo por diversos motivos. Principalmente quando percebia que tudo não passava de uma imposição dos Black para restaurar a aliança política e financeira com os Malfoy.

Seu coração se despedaçava ao ver aquela menina, que ele considerava tão adorável e cheia de vida, permanentemente envolta em tristeza, subjugada como uma mera moeda de troca. Era uma vítima prestes a ser entregue em sacrifício ao carrasco. Uma verdadeira tragédia. Estava convicto de que ela não aceitava aquele destino que lhe impunham.

Narcissa ansiava por liberdade, por se ver livre da obrigação de agradar um verdadeiro tolo, um idiota que jamais a mereceria. A pessoa que Severus suspeitava ser a única responsável por feri-la em todas as oportunidades possíveis. Essa constatação o fazia arder ainda mais de fúria e desejar sangue.

Refletindo sobre tudo aquilo, imerso numa crescente confusão interna quanto aos próprios sentimentos, Severus apanhou Lucas da prateleira e passou longos minutos fitando o teto do quarto. Sua realidade agora era outra. Embora seu fantasminha de pano ainda o acompanhasse, ele possuía uma cama macia, cobertores, lençóis, amor, amigos, brinquedos e livros. Eileen e ele não eram ricos, mas levavam uma vida confortável o suficiente para sentir um lampejo de felicidade.

Entretanto, Severus sentiu a necessidade de colocar suas ideias em ordem e aproveitaria o fato de sua mãe passar o dia inteiro trabalhando no Caldeirão Furado para sair e visitar o Farol de Castle Hill. Subir nas pedras, sentar-se e observar as ondas se chocando contra elas era uma atividade que o reconectava consigo mesmo e trazia lembranças das tardes passadas conversando com Snape.

- Como eu queria que o senhor estivesse aqui para me ajudar - murmurou Severus, pensativo e distante, sem notar a chegada do crepúsculo. Abraçando as próprias pernas e encostando o queixo nos joelhos, preferiu perder-se em suas próprias reflexões e dúvidas, mantendo o olhar perdido no horizonte que o aconchegava.

Seus pensamentos começaram a clarear. Andromeda era como uma irmã mais velha para ele. Eles implicavam um com o outro, discutiam por coisas banais, mas eram extremamente apegados e amigos. Se identificavam demais para se perderem no caminho que trilhavam. De maneira alguma permitiriam que isso acontecesse.

Todas as vezes em que a observava, sentia alegria ao ver como ela e Rodolphus haviam conseguido superar os obstáculos que dificultavam seu relacionamento. Ambos concordaram em não brigar por causa das ideias genocidas e dos planos absurdos de Voldemort. Não haveria desentendimentos ou cobranças por uma postura mais assertiva diante da guerra que já se anunciava no horizonte.

Como todos os membros da família Lestrange, Rodolphus queria apoiar a causa e tornar-se um general. Seu sonho era ir para a guerra e defender os ideais de pureza de sangue. Por outro lado, Andromeda preferia manter-se neutra e preservar-se, adotando uma postura menos transparente e incisiva em relação a tudo que acontecia ao seu redor. Enquanto fosse conveniente, ela não se comprometeria com esses absurdos, mesmo que soubesse que essa atitude não duraria para sempre.

Ao mesmo tempo, Bellatrix continuava brincando com os sentimentos de Sirius, revoltando-se sempre que ele deixava de lhe dar atenção ou conversava com outras meninas. Era uma relação estranha e nociva, beirando a morbidez absoluta. Havia algo possessivo e doentio devido ao ciúme excessivo que demonstravam um pelo outro. Os dois eram parecidos, divergiam em pequenos detalhes, mas se completavam em tantos outros. Principalmente quando se tratava da ideia de que havia pessoas merecedoras de perseguição simplesmente por existirem. E era por causa dessa peculiaridade em comum que Severus não duvidava do amor de Bellatrix pelo primo, mesmo que ela negasse obstinadamente tal fato.

Talvez aquela relação não fosse amor, mas uma vaidade acentuada, uma incapacidade de admitir a possibilidade de perder aquilo que era considerado como seu. Seria mais fácil gostar de alguém que se dispunha a ser seu brinquedo preferido, o boneco vivo com quem descobria coisas novas. Essa ligação tornava tudo mais complicado à medida que as consequências se intensificavam. O medo crescia, tanto o temor de confrontar as próprias dúvidas como o de finalmente admitir quais eram os verdadeiros sentimentos e o que eles traziam aos dois.

No entanto, a maneira como Bellatrix se comportava com Severus era diferente. Parecia algo mais simples de se definir. Ela se mostrava focada em ser o centro do universo. E ele conseguia perceber em seu comportamento o quanto ela estava convicta de ser merecedora de toda a atenção possível e imaginável.

Quem sabe Bellatrix quisesse que ele lhe desse o mesmo tratamento que destinava às suas irmãs? Ou talvez o considerasse obrigado a retribuir a atenção que ela lhe dedicava? Independentemente de quais fossem seus objetivos ou razões, esse desejo sempre seria negado.

A postura de Severus era clara e evidenciava o quanto ele se colocava indisponível sempre que estava diante de Bellatrix. Ele não a admirava e não sentia qualquer sentimento positivo em relação a ela. Na verdade, a qualificava como mimada, insuportavelmente chata e birrenta.

Em outras palavras, ele só conseguia enxergar seus defeitos e a considerava uma pessoa detestável. Ela maltratava todos aqueles que julgava inferiores, era arrogante e presunçosa com todos que a cercavam. No entanto, ainda estava longe de ser uma mulher odiosa e assustadoramente louca. Ainda estava longe de ser a pessoa que Snape havia lhe mostrado.

Com o tempo, Severus começou a cogitar dar uma chance e oferecer amizade a Bellatrix. Talvez ela pudesse provar ser alguém melhor do que demonstrava normalmente, alguém que não fosse mais o tema predominante de seus pesadelos durante as noites solitariamente escuras de seu quarto.

Com a chegada do dia 1º de setembro, tudo parecia se modificar repentinamente. Caminhando ao lado de Eileen, Severus contemplava analiticamente os rostos animados dos que transitavam pela King's Cross rumo à Plataforma 9. Estava empolgado e ansioso também. Era um dos momentos que mais aguardara em sua vida, especialmente depois do último mês daquele verão, em que ajudou a mãe no atendimento e na limpeza do Caldeirão Furado por algumas semanas. Foram dias cansativos, mas cada gota de suor havia valido a pena, e ele estava muito orgulhoso de si.

O dinheiro que juntara, seja pelo trabalho ou pelas gorjetas recebidas, possibilitou a compra de seu material escolar sem que dependesse da boa vontade alheia. Foram longas caminhadas e tardes dentro de livrarias em busca dos livros que necessitaria para o ano letivo. Embora Severus estivesse decidido a utilizar alguns que pertenciam a Eileen em sua época de estudante, considerava importante ter outras ferramentas de aprendizagem para se aprimorar. O conhecimento nunca era demais.

Mas o que mais o alegrava era ter sido presenteado pelo Lorde das Trevas com um kit de poções e um microscópio. Compreendia que não se tratava de um mero presente ou uma felicitação pelo seu ingresso em Hogwarts. Na verdade, era uma lembrança de que deveria permanecer comprometido com a causa, e tal presente também representava um investimento e um aviso de como os demais deveriam proceder no tratamento de seu futuro general.

O que mais Severus poderia querer? Estava extremamente orgulhoso de si mesmo, de um modo indescritível. Sentia-se satisfeito por ter a certeza de que Eileen não precisava mais perder noites de sono preocupando-se com tais gastos, e muito menos comprar vestes de segunda mão para que ele tivesse o uniforme completo. Pelo menos, era assim que Severus acreditava ter sido quando os trajes sob medida chegaram acompanhados dos sapatos e botas mais caras do Beco Diagonal.

Ao se olhar no espelho, admirado com o que via, Severus mal sabia que a mãe havia gastado todas as suas economias. Tudo para que o seu pequeno príncipe se apresentasse de modo irretocável aos demais membros do mundo bruxo.

Dias depois, a visita de Rosier a Caerleon chamou sua atenção. Sem qualquer motivo aparente, aquele homem lhe presenteara com uma coruja preta e mal-encarada. No fundo, Severus desconfiava que, algumas vezes, ele estivesse os auxiliando financeiramente.

Era uma atitude, no mínimo, estranha, e ele não entendia a razão para tamanha boa vontade. Mas, quando as férias iniciassem, faria questão de investigar cada detalhe e descobrir o que estava acontecendo.

Preso a esse pensamento que retornava, Severus não observou a aproximação de Bellatrix, que já os havia avistado de longe e caminhava apressadamente em sua direção. Correndo para abraçá-lo, ela logo saiu puxando-o para que a acompanhasse na viagem.

- Olá, Severus! Olá, senhora Prince! Como estão? - Bellatrix ia perguntando apressada, enquanto andava com passos largos, sem soltá-lo e segurando firme em seu braço. Estava decidida a não o deixar escapar depois daquele dia. Aquele menino seria seu amigo também.

Eileen apenas sorria, notando a expressão de contragosto no rosto do filho. Severus estava indignado com toda aquela situação constrangedora e não suportaria mais continuar preso a algo que o incomodava.

- Onde está a Cissy? - o questionamento soou bastante desconfiado, quase agressivo, enquanto ele conseguia se desvencilhar de Bellatrix e se afastar um pouco. Ela, ignorando aquela postura retraída e nem um pouco amistosa, sorriu de um modo tirano, como alguém que não se sentia derrotada por tão pouco.

- Ela já entrou no Expresso com a Andie e o Rods, e eu acredito que nós devíamos fazer o mesmo.

- É... nós devemos - Severus deu de ombros, chateado, torcendo o lábio desgostoso com a notícia que estava recebendo. Não era o que tinha imaginado, e não havia muito o que pudesse fazer para mudar sua pequena decepção momentânea.

- Então, agora vamos! Até breve, senhora Prince. Eu prometo mandar cartas contando o que ele está aprontando na escola - Bellatrix riu, despedindo-se e agarrando Severus novamente pelo braço.

Ao encará-la com um olhar extremamente venenoso e hostil, Severus sentia que deveria controlar seu gênio antes que explodisse e suas palavras soassem mais grosseiras do que deveriam. Não era o momento.

- Até logo, mãe. Nós nos falamos. - ele fez um breve aceno para Eileen, recebendo um abraço de despedida em troca. Aquela atitude o deixou desconsertado e sem saber como reagir. Sua mãe não era alguém que se mostrava disposta a demonstrar afeto publicamente e, muito menos, dada a despedidas mais calorosas. Realmente, algo estava muito estranho.

- Obrigada, senhorita Black. Espero que os dois se comportem como crianças maravilhosas e educadas que são. E, Severus, por favor, seja grato e mande notícias pelo Orestes - as palavras de Eileen soaram claras e precisas aos ouvidos do filho, enquanto ela os encarava com um claro semblante de aprovação, iluminando seu rosto. Talvez aquelas atitudes carinhosas e frases gentis fossem apenas o resultado do quanto ela estava feliz.

Com um nó na garganta, Severus se afastou lentamente, sentindo um misto de confusão e inquietação arder em seu peito. Algo não estava certo, e ele precisava descobrir o que era o mais rápido possível. Talvez isso significasse que se importava com a mãe e que o seu coração anunciava a saudade que sentiria ao longo dos meses de distância.

- Eu deixei o Lucas sobre a cama e peço que a senhora cuide dele. Espero vê-lo inteiro nas férias - disse Severus, sua voz carregada de preocupação e culpa.

- Claro, não precisa se preocupar com ele. O seu fantasminha estará muito bem cuidado e limpo quando você voltar. Ele se divertirá enquanto você estuda - respondeu Eileen, com um tom irônico e um sorriso divertido, ao ver a expressão angustiada do filho.

Respirando profundamente, Severus encheu os pulmões de ar para espantar a ansiedade que começava a crescer em seu peito. Era sua primeira viagem no Expresso Hogwarts, e seu coração batia forte e descompassado. Ao dar os primeiros passos para subir os degraus e ingressar no vagão, ele parou repentinamente.

- O inútil do Black subirá com o seu gato ou vai deixá-lo no cesto jogado perto do trem para que morra esmagado? - apontando para o chão com uma expressão de censura, Severus encarava Bellatrix, esperando uma resposta objetiva.

- Merda! Aquele idiota prometeu que ia cuidar do Mr. Scarecrow e o abandonou aqui - Bellatrix bufou alto, disfarçando seu olhar quase assassino, nervosa com a situação e preocupada com as terríveis coisas que poderiam acontecer ao seu tão adorado gato cinza chumbo. Sem prestar atenção no que Severus pretendia fazer, ou em como sua postura mudara, ela foi logo se abaixando para pegar a cesta e entrar no trem.

- Não, Bella, pode deixar que eu faço isso. Você sabe que eu não considero educado que uma menina carregue peso ou tenha que resolver algo que algum preguiçoso deixou de fazer - disse ele, bastante solícito, enquanto incentivava seus pensamentos vingativos em relação a Sirius. Esse gesto fez um sorriso surgir nos lábios de Bellatrix. Aquilo era um bom sinal. Não poderia significar nada além disso.

E assim, ingressaram no trem. Bellatrix ia à frente, olhando para as cabines na tentativa de encontrar uma vazia onde pudessem se acomodar, enquanto Severus vinha atrás, segurando firmemente a cesta de Mr. Scarecrow e a gaiola de Orestes. Depois de andarem e observarem tudo por dois vagões inteiros, com o suor brilhando em sua testa, Severus quase agradeceu aos céus quando finalmente encontraram o espaço tranquilo que tanto procuraram.

Arrumando a gaiola e o cesto sobre um dos assentos, ambos olharam pela janela para o lado de fora. Sabiam que havia uma necessidade silenciosa de se despedirem novamente de seus pais antes de partirem. No entanto, enquanto Bellatrix acenou rapidamente e se acomodou com os pés em cima do assento vago, Severus ficou observando sua mãe conversar com Cygnus e Druella.

Com o cenho franzido e um olhar bastante sério, Eileen não piscava os olhos de longe. Parecia hipnotizada, prestando atenção ao que estava escutando. Sem dúvida, havia algo de grave acontecendo, algo que Severus não conseguiria descobrir naquela distância. Curioso como já era, diante dessa série de eventos casuais que se somavam, ele sentia que aquele era apenas mais um mistério a ser deixado para depois.

Pelo menos, não pensaria nesses supostos problemas imediatamente. Havia coisas mais urgentes para se preocupar e resolver do que as coisas que estavam fora de seu controle.

Em minutos, o trem partiu pelos trilhos vagarosamente, transformando rostos chorosos ou risonhos, acenos, árvores e casas, em borrões que se desfaziam na paisagem. Sem que notassem, já se encontravam distantes da estação, e suas vidas davam os primeiros significativos passos no caminho da mudança.

Olhando pela janela, pensativo e sentindo-se um pouco solitário, Severus abriu um meio sorriso ao lembrar que logo estaria no tão sonhado castelo nas Terras Altas da Escócia. Seus olhos percorreram rapidamente a figura de Bellatrix, que estava concentrada com a mão no rosto, absorta em uma leitura. Não havia muito o que conversar naquele momento. Não existiam motivos para interrompê-la.

Pouco tempo ou muito tempo depois - pois Severus percebia ter perdido a noção das horas em que estivera olhando para o horizonte -, Evan os encontrou na cabine e entrou para se sentar ao lado dos dois. Ele os procurava, ansiando por uma conversa divertida para preencher a longa viagem que fariam juntos. Ao vê-los ali, um sentimento de alívio e felicidade invadiu seu ser.

O tempo parecia passar ainda mais rápido do que o próprio trem. Era como se fosse um artifício para confundi-los, mostrando o quão rápido poderia aprisioná-los e transformar os momentos bons em algo insignificante. No entanto, talvez não fosse possível diminuir a relevância daquilo que haviam sonhado durante tantos anos.

Os três conversavam animadamente sobre as expectativas em relação à chegada em Hogwarts e o desejo profundo de serem selecionados para a casa de Salazar Slytherin. Embora a casa de Rowena Ravenclaw também representasse uma honra para seus planos futuros, eles se consideravam verdadeiras serpentes e não poderiam ser despojados desse sentimento.

Seria difícil suportar a ideia de não pertencerem ao seu ninho. Era quase uma vergonha, principalmente considerando que foram criados dentro dele. Além disso, jamais se sentiriam acolhidos ou à vontade em outras casas. Não conseguiriam assimilar o verdadeiro e puro significado do lema que os guiava. Eles eram um grupo, uma equipe, irmãos unidos por uma questão de honra e objetivos. Juntos, tinham a força necessária para ambicionar e alcançar os ideais mais desejados.

No entanto, o mais importante para cada um deles era o sentimento de que não poderiam decepcionar suas famílias com a terrível notícia de terem sido selecionados para a casa de Godric Gryffindor ou de Helga Hufflepuff. Seria como se estivessem jogando a memória dos Prince, dos Black e dos Rosier na lama, e nada se compararia a tamanho infortúnio. Não existiria no mundo uma humilhação maior do que essa.

A tensão daquela expectativa pairava no ar enquanto o trem avançava veloz pelos trilhos.

Próximos da estação de Hogsmeade, os alunos começaram a se levantar para colocar suas vestes escolares e se preparar para o desembarque. Uma confusão de vozes se formava pelos vagões, e alguns já transitavam de volta para suas cabines de origem. Enquanto isso, Severus entregava a gaiola de Orestes nas mãos de Evan e pegava o cesto em que Mr. Scarecrow cochilava, sentindo-se animado com a proximidade da chegada.

Ignorando as reclamações de Bellatrix, que os xingava por conta de suas lamentações sobre a fome e por estarem rindo do tropeço de alguém, os dois seguiam alguns passos à frente. No entanto, não o suficiente para que não ouvissem o que ela dizia ou para que a menina se sentisse capaz de desconsiderar os comentários que eles faziam.

- Vocês poderiam, pelo menos, fingir que são civilizados.

- Olha quem fala! Você foi a que mais reclamou durante a viagem, depois que terminou aquele livro idiota...

Bellatrix semicerrou os olhos ao ouvir a crítica feita por Evan, dando um tapa no braço dele para impedi-lo de dizer mais qualquer coisa que contradissesse suas palavras. Era um absurdo. No mínimo, os dois estavam tramando algo contra ela, principalmente porque Severus riu baixinho do pequeno embate que se iniciara entre eles.

Brava com toda aquela situação constrangedora, que piorava à medida que as pessoas passavam pelo corredor e os olhavam discutindo, Bellatrix pegou o livro e bateu em ambos.

- Deixem de ser idiotas, e você pare de me bater! Se não parar, eu jogo essa bola de pelos na cara do primeiro que passar por aqui.

Severus, passando a mão na nuca, ameaçou apontando para o gato que bocejava no cesto que segurava com força. Aquilo foi o suficiente para que Bellatrix se sentisse intimamente ofendida e arrancasse Mr. Scarecrow dos seus braços, virando-lhe a cara por alguns segundos. Tempo suficiente para decidir o que faria. Tempo importante para encará-lo, olhando-o nos olhos e apontar a varinha para o pescoço dele.

- Olha aqui, Severus, fique avisado que eu mato você se meu gato aparecer com um arranhão. Você é um idiota!

- Tente, cabelo de espantalho!

- Ah, cala a boca, narigudo!

- Vocês dois parem de brigar agora! Nós três somos amigos, e vocês estão agindo como dois estúpidos ao ficarem se ofendendo dessa maneira.

Parando vagarosamente, o trem chegou à estação. Os alunos desceram apressados com seus animais de estimação, praticamente esbarrando uns nos outros, seguindo para seus respectivos destinos sem prestar atenção aos demais, devido ao tumulto e à agitação que tomaram conta de todos.

Os mais velhos encaminharam-se com passos firmes às carruagens, conversando com os monitores de suas respectivas casas. Já à espera, os testrálios comiam tranquilamente algumas ervas que encontravam no gramado em que se encontravam. Tudo parecia tranquilo e se desenrolava como se ignorasse os acontecimentos que já se iniciavam.

Enquanto isso, os primeiranistas foram recepcionados por Amadeus Ogg, o Guardião das Chaves e Terrenos de Hogwarts. Ele fazia questão, junto ao seu auxiliar Rubeus Hagrid, de receber aquelas crianças antes de sua aposentadoria. Em breve, o Guarda-Caças desempenharia essa tarefa.

Colocando os pequenos nos barcos com cuidado e de forma ordenada, Amadeus e Hagrid os guiaram em um passeio noturno até a fortificação que protegia a escola. Era uma visão noturna deslumbrante, com luzes e sombras projetadas na água. A breve excursão foi tranquila e encantadora.

Severus olhava para tudo aquilo impressionado. Mesmo sabendo como seria, estava maravilhado com tanta beleza, considerando que aquele espetáculo duraria muito menos tempo do que ele gostaria. Ele queria ficar ali por muito mais tempo, apenas contemplando a luminosidade que se assemelhava a um imenso farol naquela escuridão sem fim.

Deslizando pelo lago, ele observava o penhasco cada vez maior e imponente, o caminho que o conduzia à sua segunda casa. A expectativa e a incerteza se misturavam em sua mente, trazendo uma tensão eletrizante que o fazia ansiar pelo que estava por vir.

- Baixem as cabeças! - gritou Hagrid próximo a uma cortina de hera que ocultava uma passagem. Adentrando um túnel escuro que, certamente, levava a uma espécie de cais subterrâneo, os olhares se tornaram ainda mais atentos. Uma voz os alertou de que estavam debaixo da escola e que deveriam subir pelas pedras e seixos após desembarcarem.

Evan estendeu a mão para auxiliar Bellatrix, pegando em seguida a cesta para seguirem adiante. Enquanto isso, Severus estava imerso em uma conversa com um menino tímido com quem haviam compartilhado a viagem. Ele sabia exatamente de quem se tratava e não viu motivos para ser desagradável ou parecer assim. Lá no fundo, sempre soubera que Remus John Lupin era uma boa pessoa e frequentemente uma vítima das circunstâncias e do destino.

Passando pela abertura na rocha, mantinham-se próximos às lanternas de Hagrid e Ogg para não se perderem, até chegarem a uma área gramada, macia e úmida, à sombra de Hogwarts. Estavam tão perto que bastaram três batidas na porta para que ela se abrisse imediatamente.

- Alunos do primeiro ano, professora McGonagall. - anunciou Ogg, fazendo um gesto afirmativo com a cabeça antes de se retirar, acompanhado por Hagrid, que sorria para as crianças e acenava timidamente em despedida.

- Obrigada. Eu cuido deles daqui em diante. - disse a mulher, com um olhar altivo e rigoroso, permitindo que entrassem e conduzindo-os até uma sala vazia ao lado do saguão. Fazendo um gesto para que se agrupassem e parassem de olhar para os archotes nas paredes, parecia ignorar as centenas de vozes que vinham de uma imensa porta à sua direita, encarando-os com seriedade.

- Sejam bem-vindos a Hogwarts. O banquete de abertura do ano letivo será daqui a pouco, mas antes de se sentarem às mesas, todos passarão pelo processo de Seleção das Casas. Como muitos sabem, essa cerimônia é um rito de passagem importante. Sua casa se tornará uma espécie de família dentro da escola. Vocês assistirão às aulas com os demais alunos de sua casa, dormirão no dormitório da casa à qual foram escolhidos e, principalmente, passarão o tempo livre no Salão Comunal.

McGonagall explicou detalhadamente, para que nada ficasse sem compreensão necessária, passando os olhos em cada um dos jovens rostos cheios de expectativa diante dela.

- As quatro casas se chamam Grifinória, Lufa-Lufa, Corvinal e Sonserina. Por obviedade, os nomes se referem aos seus fundadores. Cada uma possui sua história honrosa e abrigou bruxos e bruxas extraordinários. Orgulhem-se dessas pessoas, pois, enquanto estiverem em Hogwarts, seus acertos renderão pontos para a casa. Já os erros cometidos a farão perder pontos. Ao final do ano, a casa com o maior número de pontos receberá a Taça das Casas. Isso, caso ainda não tenham percebido, é uma grande honra. Espero que cada um de vocês seja motivo de dignidade e honradez para a casa à qual vier a pertencer.

A professora enfatizou cada uma daquelas frases, olhando nos rostos de cada um, em busca de eventuais dúvidas ou teimosias que pudessem surgir com relação às suas palavras. Ao ver que permaneciam em silêncio, atentos a tudo o que lhes era dito, McGonagall achou necessário dar o último aviso e se retirar.

- A Cerimônia de Seleção será realizada dentro de alguns minutos, na presença de toda a escola. Sugiro que se arrumem da melhor forma possível enquanto esperam... aguardem em silêncio.

Realmente, como ela havia dito, alguns minutos se passaram, enquanto um grupo de fantasmas cruzava pelas paredes, envolto em conversas descontraídas. Alguns deles paravam na sala para interagir com os novos alunos, compartilhando em qual casa haviam pertencido quando ainda eram crianças e respondendo às perguntas que pairavam no ar.

Um clima amistoso e alegre os tranquilizava, mas a animação logo deu lugar ao nervosismo à medida que a professora se aproximava, exigindo que formassem uma fila ordenada.

- A Cerimônia de Seleção está prestes a começar. Vamos andando agora e sigam-me! - disse ela com energia, impondo sua autoridade.

Os alunos se alinharam, seus rostos revelando uma mistura de ansiedade e curiosidade quanto ao que veriam ao abrirem as portas. O coração de Evan batia acelerado, suas mãos levemente trêmulas. Bellatrix parecia segura, mas Evan podia perceber uma ponta de apreensão em seus olhos, enquanto respirava fundo. Severus, por sua vez, exibia um semblante sério e concentrado, sua postura rígida demonstrando sua decisão em enfrentar qualquer desafio que lhe fosse apresentado.

McGonagall liderou o grupo, com passos firmes e precisos, como se estivesse conduzindo uma tropa em batalha. O som de seus saltos ecoava pelo ambiente, criando uma atmosfera de expectativa e antecipação.

Enquanto caminhavam, os pensamentos das crianças se entrelaçavam em um turbilhão de incertezas. Seriam eles aceitos em uma casa que os acolhesse verdadeiramente? Onde encontrariam seu lugar dentro daqueles muros imponentes? A tensão era palpável, como se estivessem prestes a embarcar em uma jornada de descobertas e desafios que revelaria os segredos mais profundos e obscuros de seus jovens corações.

Ao chegarem à grande porta, que levava ao Salão Principal, a ansiedade atingiu seu ápice. As vozes ecoavam de dentro, misturadas com o som das colheres batendo nos pratos. Os alunos se entreolharam, compartilhando um último suspiro de coragem antes de adentrarem o salão.

A professora McGonagall abriu as portas, revelando um espetáculo de cores e movimento. As quatro mesas das casas estavam preenchidas com alunos de todas as idades, conversando e rindo animadamente. Os olhos dos novos estudantes percorreram o salão, tentando absorver cada detalhe, enquanto suas mentes fervilhavam com a expectativa do que estava por vir.

A voz de McGonagall ecoou pelo salão, interrompendo o burburinho e atraindo a atenção de todos.

- Alunos do primeiro ano, por favor, sigam-me até o centro do salão. É chegada a hora da Cerimônia de Seleção - disse ela, com um tom solene, capturando a atenção de todos os presentes.

Os estudantes seguiram a professora, atravessando o salão em meio a olhares curiosos e expectantes. A tensão aumentava a cada passo dado, enquanto seus olhos se encontravam com os das demais casas. Eram observados de perto, avaliados silenciosamente pelos estudantes mais velhos.

Evan sentiu uma mistura de medo e excitação correr por suas veias. Bellatrix, ao seu lado, cruzava os braços junto ao peito, tentando esconder qualquer sinal de insegurança. Severus mantinha a postura ereta, seu olhar focado no horizonte, como se estivesse se preparando para uma batalha sangrenta que mudaria os rumos da própria história.

Caminhando pelo corredor formado entre as mesas, ao contrário dos demais, ele mal notava os demais estudantes que já estavam sentados. Seus olhos estavam fixos no teto, encantado com as velas flutuantes, que vagavam sobre as mesas, iluminando o espaço como pequenas chamas e estrelas brilhantes. Era uma imensidão sem fim, que projetava o céu noturno. Era verdadeiramente deslumbrante.

Parado em meio aos colegas, Severus observava atentamente a seleção dos demais estudantes e a felicidade que cada um expressava ao ser escolhido para uma das quatro casas em questão de segundos. Representando os quatro elementos da natureza, essas casas significavam muito mais do que aparentavam ou do que McGonagall havia explicado.

Sonserina refletia a água, com membros caracterizados por ambição, orgulho, inteligência, astúcia e determinação. Grifinória representava o fogo, com lealdade, liderança, coragem e bravura, sendo considerada a casa dos mais corajosos. Corvinal simbolizava o ar, valorizando a sabedoria, sagacidade, intelecto e criatividade, enquanto Lufa-Lufa era a terra, simbolizando trabalho árduo, jogo limpo, dedicação e paciência, demonstrando a bondade daqueles que possuíam corações puros.

Claudius Avery foi selecionado para Sonserina, como era esperado. Os Black, Bellatrix e Sirius, dividiram-se entre Sonserina e Grifinória, respectivamente, causando comentários entre os alunos e horror entre os familiares ali presentes.

Sirius, o herdeiro perfeito de Orion e futuro patriarca dos Black, em poucos segundos se transformou na pior aberração entre todas as gerações d'A Mui Antiga e Nobre Casa de sua família. Uma verdadeira tragédia que fez Severus dar um sorriso debochado e olhar de canto para Evan, que, assim como ele, ria baixinho diante de toda aquela situação catastrófica.

Ainda atento ao que ocorria, Severus viu Lily Evans, Remus Lupin, Peter Pettigrew e James Potter serem encaminhados, igualmente, para Grifinória. Andrius Mulciber e Evan Rosier, por sua vez, seguiram para Sonserina. Essas seleções não geraram qualquer surpresa. De qualquer modo, aqueles que lhe interessavam, direta ou indiretamente, se dividiam entre as duas casas inevitavelmente.

Ao ser chamado, Severus caminhou lentamente até o banquinho, como se suas pernas tivessem se transformado em duas barras de chumbo. Mesmo com a ansiedade pulsando em seu peito, ele manteve um semblante tranquilo e prosseguiu, inspirando profundamente para encher seu peito de coragem. Não permitiria que notassem seu nervosismo momentâneo. Muito menos que rissem de suas dúvidas ao se aproximar do banquinho de três pernas.

Sentando-se, com a percepção aguçada pelos olhares dos demais alunos e pelos fantasmas que brilhavam como prata envoltos na névoa da manhã, Severus começou a sentir convicção e orgulho do que estava prestes a acontecer. Uma sensação que perdurou até que sua concentração fosse abruptamente interrompida. McGonagall colocou o Chapéu Seletor em sua cabeça, e a voz começou a ecoar em sua mente.

Pesquisando os recantos mais obscuros, o Chapéu parecia querer encontrar um detalhe que definisse o destino daquele menino cheio de segredos inconfessáveis. Nada escaparia de sua minuciosa análise.

- Hmmm... interessante... muito interessante. Sua alma e seu intelecto estão repletos de conhecimentos preciosos. É surpreendente! Não se preocupe, menino teimoso e inquieto, não posso revelar nada do que vejo aos outros. A escolha é sua quanto ao que irá fazer e qual será o destino a seguir. Reflita!

Cada palavra reverberava em sua cabeça, trovejando em suas veias, fazendo com que seu coração batesse mais forte. Com os olhos fechados, Severus estava convencido de que estava prestes a se tornar um Empata-Chapéu, tamanho era o tempo que levava para receber uma resposta sobre para qual casa iria.

Será que Snape se orgulharia se o visse naquela situação? Mesmo que considerasse óbvio que seu caminho era entre as serpentes, Severus começou a se perturbar. Nada poderia dar errado.

- Ora, não seja ansioso... estou analisando em que lugar seus verdadeiros amigos estarão para lhe acolher nos momentos em que mais precisar - disse o Chapéu Seletor em tom ponderado.

A voz pausou por alguns segundos, como se refletisse sobre o que poderia dizer a seguir ou como observar mais atentamente aqueles detalhes que a todo custo o jovem tentava esconder. Agindo de um modo que dava a entender ser possuidor de todo o tempo do mundo, o Chapéu Seletor prosseguia atento a ele, como se estivesse diante de uma fonte inesgotável de estudos.

- Vejo que é extremamente inteligente, ardiloso, sagaz, astuto e muito ambicioso. Gênio assustadoramente complicado o seu. Não tente se fechar, nem se esconder, pois o seu outro lado, eu já vi. Tem um coração inocente. Possui bondade, embora não queira admitir. É corajoso, bravo, forte, decente e tem uma ideia de amor muito antiquada para alguém de sua idade. Há muitos séculos que não encontro alguém assim. Um menino que queira tanto ser o cavaleiro que salvará a linda donzela indefesa. Você já sabe quem ela é. Deve ser difícil amar alguém que só vive em seus sonhos, e você se agarra com todas as suas forças à esperança de que a encontrará um dia. Também deve ser complicado renegar um sentimento sólido que evoluiu, e continua crescendo, pouco a pouco. Ela já se faz tão presente em seus pensamentos. Você é tão complexo e complicado de compreender!

Aquelas palavras penetrantes e análises tão atentas estavam deixando Severus confuso e ainda mais tenso. Precisava saber para qual casa iria e sentia que não poderia mais suportar tanto mistério. No entanto, não era o que o Chapéu Seletor pensava, e sua ansiedade não o impediria de continuar a fazer suas observações.

- Deixe-me olhar um pouco mais. Paciência. Tenha muita paciência. O amor e o ódio andam de mãos dadas em sua alma. Como posso decidir? Você seria um gênio famoso na Corvinal, por que não mudar seu caminho a partir de agora? Você não queria ser tão diferente dele? Quem sabe, saindo das sombras, seu verdadeiro poder será desvendado?

- Não! Eu não quero. Eu não quero mais ser diferente dele. Por favor, não faça isso comigo - sussurrou Severus, com os olhos fechados, totalmente decidido a conseguir o que tanto esperava. Queria se orgulhar de si mesmo. Queria dar orgulho ao único e verdadeiro pai que conheceu. Aquela certeza de que Snape se orgulharia de sua decisão o encorajava ainda mais a lutar por seus objetivos.

- Farei o que tanto deseja... - o Chapéu Seletor fez uma nova pausa, algo bastante estratégico para dar um pouco mais de emoção antes de anunciar em voz alta o que decidira e ter para si mais alguns momentos de atenção dos olhares ansiosos que o encaravam.

- Sonserina!

A palavra ecoou pelo Grande Salão, e Severus sentiu uma mistura de alívio e excitação se apossar dele. Foram exatos 10 minutos de conjecturações e suspense, que deixaram todos aflitos, a mesa das serpentes vibrava e seus membros aplaudiam com entusiasmo. A inclusão de mais um integrante enchia-os de orgulho e vaidade. Nada era mais gratificante para eles do que receber um recordista em "empatar" o Chapéu Seletor.

Agora, sua jornada começaria na casa que tanto almejava, onde seu verdadeiro potencial poderia ser desvendado em seus pequenos detalhes. Enquanto caminhava em direção à mesa da Sonserina, sentiu o olhar de seus colegas fixados nele, alguns cheios de admiração, outros cheios de inveja. No entanto, a felicidade das irmãs Black e de Evan era incomparável. Eles comemoravam efusivamente, sorrisos abertos e olhares confiantes, pois agora tinham a certeza de que não seriam separados. Não precisariam mais se afastar do amigo pelo qual nutriam tanto carinho. Naquele instante, alheio ao seu entorno, Severus apertava a mão de Lucius. Com um olhar decidido e arrogante, deixava claro que nunca o temeria, mesmo que ele fosse o monitor da casa. Para Severus, aquele ser não passava de um porco enfeitado, uma figura insignificante.

A verdade era que Severus estava determinado a provar a todos o seu valor, mesmo que isso significasse enfrentar os desafios que a casa das serpentes lhe reservava. Ele já cogitava abandonar a possibilidade de permitir que os outros o chamassem pelo nome. O brasão da Sonserina o levaria a se aproximar apenas daqueles que considerava seus amigos íntimos. Snape estava prestes a começar a lidar com os demais, e isso significava enfrentar os desafios e rivalidades que o aguardavam.