O inverno havia envolvido a paisagem com sua frieza intensificada, criando um manto branco e cinzento que cobria tudo. Os dias desenrolavam-se em uma monotonia aparentemente eterna, imersos na calmaria que somente a estação gelada poderia trazer. Sob a proteção da árvore de Natal, dentro dos muros da Mansão Lestrange, a magia das festividades se fez presente. Risos animados, batalhas de bolas de neve e a troca de presentes deram vida à noite que, inicialmente, parecia envolta em sua melancolia sazonal.
Entretanto, enquanto os dias avançavam, uma nova situação se formava, lançando sombras sobre essa dinâmica aparentemente harmoniosa. Sob a aparente tranquilidade, uma tensão latente ganhava terreno, alimentada pela crescente proximidade de Severus com Nymphadora. Era um nó invisível, apertando-se a cada interação, deixando claro que o segredo que Rodolphus e Andromeda guardavam a sete chaves aguardava o momento oportuno para ser revelado.
Com a aproximação da virada do ano de 1977 para 1978, um momento crucial se delineava no horizonte. Acomodados lado a lado no sofá de couro no canto isolado da vasta biblioteca, as palavras fluíam entre Severus e Rodolphus, impregnadas de anseios, temores e resolução. Cada olhar e gesto espelhavam a intricada tapeçaria de suas emoções, como fios invisíveis que se entrelaçavam e desenrolavam.
- Snape, às vezes, sinto como se a verdade estivesse prestes a emergir, pairando como uma sombra constante. Principalmente agora que você se aproximou de Dora... - começou Rodolphus, buscando coragem para expressar seus pensamentos.
- Você compreende o quanto isso é angustiante? Assim que minha família descobrir o que aconteceu, serei deserdado e expulso. Provavelmente irão denunciar Andie ao Ministério da Magia por adulterar a genealogia dos Lestrange.
Severus escutou atentamente, absorvendo as palavras de Rodolphus antes de responder. Havia pontos ali que também o inquietavam e deixavam seu coração agitado. Ele não desejava mal a nenhum dos dois, especialmente depois de testemunhar como Rodolphus tinha abraçado o papel de pai para Nymphadora de maneira habilidosa, irradiando um carinho genuíno e uma dedicação profundamente comovente.
- Entendo perfeitamente a sua inquietação. Estamos lidando com famílias que não são ingênuas nem ignorantes. Não podemos esperar que essa proximidade passe despercebida por muito mais tempo. No entanto, é crucial lembrarmos que a proteção dela é a nossa principal responsabilidade, independentemente das circunstâncias que possam surgir - a seriedade em sua voz amplificou a importância de suas palavras.
- Não se esqueça de que ela é minha filha, independentemente do que o sangue e as convenções sociais possam dizer. Nymphadora carrega o meu sobrenome, o meu legado - Rodolphus não ocultou sua preocupação, suas feições refletindo a turbulência de seus pensamentos.
Severus assentiu lentamente, seu olhar fixo em algum ponto distante enquanto refletia sobre o que acabara de ouvir. Um sorriso irônico curvou seus lábios, e ele não pôde conter o comentário que estava preso em sua garganta há dias.
- Lestrange, confesso que não esperava encontrar essa faceta sentimental em você, nem que uma criança tivesse o poder de tocar seu coração de tal maneira. Contudo, recomendo que não deixe que essa emoção seja percebida pelo Lorde das Trevas. Sabemos que ele não hesitaria em explorar qualquer ponto fraco que descobrisse.
- Prometa, Snape, que nunca tomará uma ação que possa abalar o mundo dela - exigiu com a sua voz mais firme do que pretendia.
- Eu lhe dou minha palavra. Não farei nada que cause dano a ela ou que a coloque em perigo. Como mencionei anteriormente, nossa prioridade é protegê-la, inclusive de nós mesmos - a expressão de Severus permaneceu imperturbável, seus olhos encontrando os de Rodolphus com firmeza e confiança.
E assim, em silêncio, um acordo tácito se formou entre eles. Uma decisão foi tomada, um pacto silencioso firmado. Nenhum segredo seria revelado, nenhum detalhe comprometedor viria à tona. Diante dos outros, Severus assumiria o papel de um tio afetuoso para Nymphadora, alguém a quem ela curiosamente desenvolvera um laço nas últimas semanas. Quem ousaria questionar essa declaração? Nas famílias Black ou Lestrange, haveria alguém com capacidade de apresentar uma explicação lógica para os profundos sentimentos de uma criança? Seria possível encontrar alguém entre eles verdadeiramente apto a compreender e interpretar os sentimentos dos outros?
Com a resolução desse impasse, as incertezas gradualmente se dissiparam, e as festividades prosseguiram com mais vigor com a chegada de Narcissa. À medida que ela atravessava os corredores que levavam à sala de visitas da mansão, parecia trazer consigo um brilho celestial, como se sua própria presença irradiasse uma luz singular no ambiente. Era como ouvir o canto dos pássaros em sua forma mais sublime, uma melodia que prenunciava algo grandioso e inevitável.
A presença de Narcissa provocava turbilhões de emoções dentro de Severus. Um desejo incontrolável de agir emergia, como se ele quisesse estender a mão e escapar para um mundo apenas dos dois. Anos de sentimentos reprimidos e pensamentos não compartilhados se agitavam em seu peito, como um vulcão prestes a entrar em erupção, buscando uma saída. Seus olhos permaneciam fixos nela, capturando cada detalhe, cada sutileza de sua expressão.
Narcissa também estava imersa em uma montanha-russa de emoções. Ao vê-lo ali, um sorriso genuíno iluminava seu rosto, um vislumbre de alegria que ela achava difícil de ocultar. Desejava poder contar quantas vezes tinha sonhado com aquele momento, os cenários que havia imaginado nos quais finalmente revelaria seus sentimentos. No entanto, esses pensamentos eram acompanhados por uma pontada de tristeza. Por que ele parecia tão hesitante? Por que não conseguia enxergar o que ela sentia? Qual era a dificuldade em admiti-la como sua namorada diante de toda a comunidade bruxa?
- Olá, Sevie... faz tanto tempo! Andie não me disse que você viria passar o Réveillon aqui. Estou tão feliz de vê-lo – sorriu sinceramente, seus olhos azuis brilhando de expectativa enquanto o observava.
- Sua irmã também não me contou nada. Na verdade, o convite chegou na véspera de Natal, e eu obtive permissão do professor Slughorn para usar a lareira de seu escritório e vir até aqui – ele deu de ombros, tentando parecer tranquilo, embora suas mãos suadas indicassem o contrário. Sentir-se próximo dela após meses era avassalador.
Enquanto o silêncio preenchia o espaço entre os dois, seus olhares vagaram para pontos fixos aleatórios na sala. As palavras, expressões, amenidades, tudo parecia desvanecer-se, substituído por uma quietude que talvez resultasse de um momento de timidez, congelando-os. Poderia ser uma distração na melodia de fundo, uma explicação para a súbita pausa no diálogo. Isso jamais poderia ser afirmado com certeza.
O fato é que não perceberam a chegada de Rabastan, que se unira a eles para as comemorações da virada de ano. Mal notaram que ele conversava seriamente com o irmão e a cunhada em um canto. Severus e Narcissa estavam imersos em seus próprios sentimentos, comunicando-se através da linguagem do silêncio. Por minutos que pareciam eternidades, permaneceram imóveis, olhando-se profundamente, como se enxergassem a essência um do outro.
- Gostaria de dançar? – Severus perguntou, seu olhar sério parecendo explorá-la profundamente
- Seria um prazer... ainda mais porque sei que você não gosta de dançar – respondeu Narcissa, lançando um olhar enigmático, ainda surpresa com o convite.
Embora suas bochechas estivessem levemente coradas, denunciando suas intenções, ela sustentou um sorriso discreto, apesar da clara felicidade em seus olhos. Afinal, Narcissa não pretendia revelar seus sentimentos com tanta facilidade. Com um sorriso mútuo, ela aceitou a mão que Severus estendeu, permitindo-se ser conduzido por ele.
- Mesmo detestando, pode ser que eu esteja um tanto embriagado e queira fazer algo diferente nesta véspera de Ano Novo ao seu lado. Também existe a possibilidade de que eu esteja extremamente curioso para descobrir como suas bochechas sempre combinam com o batom que usa – ergueu uma sobrancelha, seu tom irônico a fez soltar um riso suave.
- Claro, porque qual outro motivo haveria, não é mesmo? – ela respondeu, revirando os olhos de brincadeira e puxando-o pela mão para mais perto.
Sutilmente ao fundo, a melodia de "(They Long To Be) Close To You", dos Carpenters, ecoava, criando uma atmosfera que parecia distorcer o próprio tempo. Cada nota musical pairava no ar, como se suspensa, causando uma desaceleração do mundo à volta. Dentro dessa harmonia sonora, as circunstâncias circundantes desvaneciam, e suas emoções se concentravam exclusivamente um no outro.
A cada movimento, suas expressões ganhavam profundidade, como se os gestos fossem janelas para suas almas. Cada passo os levava por uma jornada que transcendia o mundo físico. O contato oferecido pela dança, para os dois, ia além de meros movimentos coreografados e lentos; era uma declaração silenciosa, um diálogo íntimo que dispensava palavras. Enquanto suas mãos permaneciam entrelaçadas, seus olhares conectados contavam histórias que nenhum discurso poderia expressar por completo. Era um momento em que a sintonia entre ambos falava volumes, criando uma atmosfera carregada de emoções inconfessáveis, que se misturavam ao ritmo da música e aos batimentos de seus corações.
Era como se as cortinas que separavam suas almas fossem puxadas, permitindo que vislumbrassem as profundezas um do outro. A música, como um feitiço, os envolvia, criando um cenário mágico que amplificava a intensidade do momento. Cada passo, giro e toque servia como uma porta aberta para um universo compartilhado, onde sentimentos se expressavam de forma pura e crua, sem máscaras ou disfarces.
Apesar da envolvente conexão, essa dança era permeada por conflitos internos e inseguranças. Enquanto se entregavam à harmonia dos passos, seus pensamentos vagavam, questionando o que o futuro lhes reservava após aquela dança, após aquela noite. Seus corações ansiavam por mais, mas as amarras sociais, os medos e as incertezas os mantinham em suspenso, em um impasse entre o desejo que os unia e a realidade que os separava.
Narcissa sentia o calor reconfortante da mão de Severus entrelaçada na sua, enquanto o som suave de sua respiração ecoava em seu ouvido, criando uma sinfonia que parecia ser apenas deles. No entanto, essa sensação tão íntima queimava em seu peito como um segredo inconfessável, uma verdade profunda que hesitava em expressar em palavras. Ao fechar os olhos e soltar um suspiro suave, um turbilhão de pensamentos a invadia. Por mais que estivessem próximos fisicamente, era como se ele estivesse cada vez mais distante em suas reflexões. As emoções dentro de Narcissa oscilavam entre o desejo ardente de se entregar completamente ao momento compartilhado e a dúvida que a assombrava sobre o que Severus realmente sentia, e o que ela deveria fazer em relação a isso. Era como se dançassem em uma corda bamba emocional, equilibrando-se entre a intensidade do que viviam naquele instante e as incertezas que o futuro lhes reservava.
Se ao menos Severus compreendesse o que fervilhava em seu coração, se ele conseguisse reunir a coragem para derrubar as barreiras que os mantinham separados. No entanto, o medo e a incerteza erguiam uma muralha aparentemente intransponível entre eles. Dentro de si, ela ansiava por compartilhar, por abrir seu coração e revelar cada sentimento que havia guardado tão cuidadosamente. Mas essa ideia era tão assustadora quanto a própria perspectiva de continuar reprimindo tudo o que sentia.
Seus olhos negros, semicerrados, eram brasas ardentes, contendo um fogo que ardia há longos anos. Eles carregavam consigo as marcas de tormentas passadas, lutas interiores e demônios ocultos. Ali, sob o dossel estrelado que teimava em se revelar pelas janelas e ao som da música envolvente, Severus sentia-se à beira de uma revolução interna. E se ele finalmente encontrasse a coragem para libertar essas chamas que queimavam em seu íntimo? E se ele permitisse que esses sentimentos, reprimidos por tanto tempo, emergissem à superfície? A dúvida pairava no ar, mas a força dessas interrogações parecia empurrá-lo para além dos limites autoimpostos.
A ideia de revelar o que o impedia de confessar seus sentimentos a Narcissa o aterrorizava e, ao mesmo tempo, o excitava. Como ela reagiria diante da notícia de que estava preso em uma espécie de encantamento, sem saber como se livrar dele? Ele se questionava se poderia existir uma tempestade ou maldição mais poderosa do que aquela que a paixão por Narcissa representava para ele. Se conseguisse superar seus próprios medos e dissipar as sombras que o envolviam, aquela noite poderia se tornar o catalisador de uma transformação profunda.
Observando a cena de longe, Andromeda captava os detalhes sutis das emoções que se desenrolavam em seus rostos. Ela percebia a paixão intensa nos olhos de sua irmã e a incerteza que se refletia no olhar de Severus. Era como se duas órbitas gravitassem uma em direção à outra, sem que houvesse a possibilidade iminente de colisão, mas ainda assim, buscando decifrar os segredos que ambos guardavam.
- Quando ele finalmente encontrará coragem para confessar seus sentimentos a Cissy? - Andromeda se questionava, soltando um leve suspiro enquanto contemplava a cena diante dela.
- Seus pais, sem dúvida, a deserdariam caso descobrissem isso – a voz de Rodolphus interrompeu seus pensamentos, trazendo-a de volta à realidade. Ele se aproximou dela, sua expressão pensativa ao analisar o casal à frente.
- Não tenho dúvidas... Eles a entregaram aos Malfoy quando ela tinha apenas 5 anos, como parte de uma aliança entre as famílias. Diferentemente de mim, minha irmã foi tratada como uma moeda de troca, vendida como uma espécie de prostituta de luxo - assentiu, carregando consigo um misto de resignação e tristeza.
- Se Lucius enxerga Cissy como uma propriedade, talvez um acordo financeiro pudesse persuadi-lo a desistir - Rodolphus ofereceu uma solução que poderia resolver o problema.
- Nem mesmo uma fortuna seria capaz de alterar essa situação, meu amor. Eu compreendo o seu desejo de ajudar, e sei que você está considerando envolver meus tios Alphard e Jules para nos ajudar, mas ele é um homem profundamente inspirado pelo poder e pelas tradições, e as influências dos Sagrados Vinte e Oito só serviriam para aumentar sua resistência em relação a esse assunto - ela balançou a cabeça com pesar.
- Além disso, temos que lidar com o orgulho ferido.
- Por falar em orgulho ferido, não esqueça que o Rabastan anda cortejando a sua outra irmã, apenas para mostrar que pode superar o Sirius.
- Que os deuses tenham piedade do seu irmão, porque ele está se envolvendo em uma relação extremamente complicada.
- Mas, afinal, eles se amam ou não?
- Sinceramente? Eu não sei. O relacionamento entre a Bella e o Sirius sempre foi muito complexo. Creio que há atração, desejo e algum tipo de ligação oculta que os une, talvez por serem tão parecidos em vários aspectos.
- É interessante, de fato.
- Compreender os Black pode ser uma tarefa desafiadora, querido. É algo que poderia facilmente levar alguém à loucura.
- Saber que posso te entender já me traz muita satisfação. Sua presença é o suficiente para me deixar feliz.
- Também sinto um grande carinho por você, Rods. Suas palavras significam muito para mim.
Enquanto prosseguiam na conversa, a música e os olhares trocados foram abruptamente interrompidos pelo espetáculo de fogos de artifício. Os estampidos e os padrões luminosos nos céus marcavam a chegada do novo ano. A alegria contagiante dos presentes, os abraços e o estouro das garrafas de champanhe — todos celebravam a esperança e a renovação que aquele momento simbolizava. Era como se, naquele instante, a guerra e as batalhas iminentes fossem temporariamente esquecidas, cedendo espaço à efêmera e intensa alegria da confraternização.
Era um novo tempo, trazendo consigo a promessa de ares renovados e destinos a serem traçados. Sem medo ou hesitação em relação ao futuro, novas expectativas surgiam no horizonte. As batalhas e dificuldades da guerra seriam momentaneamente postas de lado, eclipsadas pelo casamento iminente de Evan e Elizabeth, que dominava as manchetes do Profeta Diário.
Para Severus, o ano de 1978 iniciava ao ritmo de seu coração, pulsando no compasso de suas esperanças e sonhos. Ele conseguia temporariamente deixar de lado as sombras que o envolviam, concentrando-se na sensação de liberdade e alívio que inundava sua alma. Sabia que seus últimos meses em Hogwarts estavam próximos, e ansiava pelo fim dos dias distantes de Narcissa. O estágio com Flamel representava uma oportunidade para se aproximar dela, para finalmente organizar suas ideias e sentimentos.
Enquanto o som dos fogos de artifício enchia o ar, Narcissa se aproximou dele, irradiando um sorriso radiante. Seus olhos brilhavam com uma alegria genuína enquanto ela o abraçava e depositava um suave beijo em seus lábios.
- Feliz Ano Novo, meu príncipe meio-sangue – cumprimentou, seu tom carregado de carinho.
- Feliz Ano Novo, flor de Narciso – replicou, apertando-a firmemente em seus braços, correspondendo ao gesto carinhoso. Cada contato entre eles carregava um significado profundo, uma comunicação silenciosa que ia além das palavras.
Sem precisar de diálogos explícitos, os olhares que trocaram expressavam uma conexão íntima. Ela levou a mão à dele, um convite silencioso para um momento mais privado. Ele aceitou com um sorriso, e juntos subiram as escadas em direção ao quarto.
O som da música e das celebrações envolvendo-os a cada passo. Entre os suspiros das explosões e o brilho cintilante das estrelas, os fogos de artifício continuavam a pintar o céu noturno com cores vibrantes e deslumbrantes, lançando uma magia efêmera sobre o mundo.
Caminhando lado a lado, seus olhares se cruzavam em intervalos regulares, uma linguagem não verbal que transcendia as palavras. A mente de Severus estava mergulhada em seus próprios pensamentos, abraçado pela saudade que o envolvia. A proximidade tranquila de Narcissa tinha o poder de dissipar seus temores, mantendo seus medos à distância. Era como se, ao mesmo tempo que ansiava por se sentar diante de uma fogueira para refletir sobre a vida, também sentisse uma necessidade vital de inspirar o aroma que emanava dos longos cabelos loiros dela.
Com passos lentos e mãos entrelaçadas, suas expressões transbordavam expectativa enquanto percorriam o corredor. Cada passo em direção ao último quarto do corredor parecia carregado de um peso que o tempo relutava em deixar passar, prolongando o instante como se fosse um tesouro.
Severus continuava experimentando a prazerosa sensação de ter seus dedos deslizando entre as longas mechas de Narcissa, um carinho que parecia querer eternizar. A proximidade entre eles era como uma corrente elétrica, uma energia que os envolvia e os conectava de maneira única.
- Em qual aposento Andromeda colocou suas malas para que eu possa buscá-las e levá-las para o meu quarto? - a pergunta de Severus era quase um sussurro, seus olhos fixos nela, como se buscassem decifrar algo oculto.
Narcissa respondeu com um sorriso persuasivo, sua confiança transbordando em cada palavra um toque de mistério.
- Nenhum...
- Nenhum? Como assim? - a pergunta de Severus veio com um tom de surpresa, sua expressão buscando compreender o que ela estava prestes a dizer.
- Não, querido. Eu não passarei o resto da noite aqui no corredor ou em qualquer outro quarto. Eu passarei o resto da noite com você - Narcissa prosseguiu sorrindo suavemente, agora com um brilho travesso em seus olhos.
- Vou explicar. Na verdade, elas já estão no seu quarto. Andie sabia que, de qualquer forma, eu acabaria indo para lá e eu não discuti sobre isso.
O meio sorriso de Severus surgiu como resposta, permitindo que um comentário brincalhão escapasse de seus lábios, enquanto seus olhos percorriam os traços do rosto dela.
- Compreendo... você nunca perde tempo, não é?
- Deveria?
- Jamais.
Severus a admirava em silêncio, capturando a beleza que se revelava a cada instante. A cada dia que passava, achava-a mais bela, mais cativante. Apesar das sombras que o cercavam e das máscaras que usava, ele não via alternativa senão aquela que começava a trilhar. Cada momento compartilhado com Narcissa era como um impulso, sua determinação crescendo, alimentada pelo desejo de superar os obstáculos em nome daquilo que sentiam. E ali, enquanto a observava, ele começava a enxergar um caminho que antes parecia intransponível.
- Nunca fico sem o que quero... você já deveria saber disso, querido - retrucou com um sorriso vitorioso, erguendo levemente as sobrancelhas.
- Que Merlin me proteja... agora percebo em que enrascada me meti! - afirmou, rindo, e Narcissa riu junto.
- Não fui informada de que estamos em um relacionamento - ela comentou, olhando para o lado, uma expressão envergonhada tomando conta de seu rosto.
- Somos amigos... creio que isso seja uma relação importante entre duas pessoas - Severus se corrigiu rapidamente, tentando desfazer qualquer mal-entendido.
- Ouvi dizer que aqueles ogros, incluindo o idiota do meu primo, te atacaram. Fiquei chocada com a despreocupação com que o tema foi tratado! – Narcissa repentinamente mudou de assunto, uma expressão de incômodo cruzando seu rosto.
Chegando à porta do quarto, Severus a abriu galantemente e permitiu que ela passasse. Acompanhando-a em silêncio, fez um gesto para que se sentasse e então se acomodou ao seu lado.
- A situação foi resolvida... não da maneira como eu gostaria, mas dei uma surra no cachorro. Acho que ele não vai morder sua irmã por um bom tempo - ele mencionou, minimizando o incidente.
- O que você fez?
- Apenas fiz o favor de quebrar os dentes dele. Nada demais...
- Severus... isso vai ficar muito pior do que já estava.
- Se o seu primo quiser brigar, eu estou disposto, mas depois ele que não reclame das consequências.
- Você falando assim, parece que tem menos juízo do que o Sirius.
- Narcissa, você se preocupa com muito pouco...
- Não acho que seja pouco. Você parece que não o conhece ou que não sabe do que ele é capaz quando está com raiva.
- Eu estou pouco me importando com o que ele pense em fazer, Cissy. O que nos interessa é que ficarei por um ou dois anos, morando perto de você, após me formar - compartilhou, animado por dar a notícia e observando o brilho nos olhos dela ao saber dessa importante mudança.
- O Lorde das Trevas permitiu que você fosse para a França? Você sabe que ele sempre teve planos para você, como o braço direito dele... fico me perguntando por quanto tempo isso ainda vai durar? E se tudo isso faz parte dos seus planos ambiciosos de sempre? - Narcissa o olhou com preocupação e incerteza.
- Lembra das nossas conversas em Roma? Ele concordou com minha ida para lá... é útil para a causa e minhas responsabilidades continuam as mesmas. O Lorde das Trevas apenas exigiu uma prova adicional da minha lealdade... nada que eu não possa suportar ou que me prejudique - explicou, tentando tranquilizá-la e transmitir confiança.
- Quanto ao seu trabalho, como vão as coisas? Nas cartas, você mencionou que estava trabalhando em um xampu ou essência de morango com baunilha... conseguiu concluir? Se precisar de ajuda, estou à sua disposição, como sempre.
- É curioso... você ficou estranho quando mencionou essa fragrância. Há algo especial nela que eu deveria saber? - ela o questionou com um tom desconfiado.
- Não, não há absolutamente nada de especial nesse aroma específico. Eu só estava pensando em como poderia ajudá-la a desenvolver seu projeto - Severus respondeu rapidamente, desviando o assunto.
- Entendo... imagino que não haja mesmo. Bem, posso lhe dizer que a fórmula está pronta e entrou em produção há poucos dias. Logo estará nas melhores perfumarias bruxas. Sou a primeira mulher na história da família Black a trabalhar - compartilhou com entusiasmo, vislumbrando as oportunidades à frente.
- Além disso, se quiser, está convidado para a festa... como meu acompanhante, é claro - ela continuou, dirigindo a ele um olhar de soslaio, um sorriso tímido nos lábios.
- Talvez eu aceite... embora imagine que passaremos horas perdidas entre aquelas pessoas fúteis, quando poderíamos estar envolvidos em atividades muito mais interessantes. Você terá que usar seus argumentos persuasivos para me convencer a comparecer - respondeu com um falso desinteresse.
- Bem, é uma parte do meu trabalho... embora seja repleta de indivíduos repugnantes, gostaria de contar com sua presença para alegrar o meu dia. Eu faria isso por você - ela sussurrou, inclinando-se na direção dele, seus corpos se aproximando ainda mais.
Narcissa se viu imersa no olhar intenso que Severus direcionava a ela, especialmente depois que ele decidiu diminuir a já mínima distância que os separava. Seus lábios se uniram, iniciando um beijo lento e apaixonado. Suas bocas e línguas dançaram em harmonia, como uma sinfonia de sentimentos profundos.
Em instantes, ambos cederam à saudade e ao desejo que os envolviam. Cada toque complementava o beijo, mergulhando-os em um turbilhão de emoções e anseios. Naquele momento, tudo girava em torno deles, e os sentimentos inconfessáveis que compartilhavam se tornavam mais intensos a cada segundo.
Ao afastar-se, Narcissa soltou um suspiro baixo contra os lábios dele, suas mãos delicadas pousando na nuca de Severus, dedos deslizando pelos fios negros com suavidade. Ela esperou por aquele reencontro por tanto tempo... queria ter certeza de que era real e não apenas outro sonho.
Quando Severus a puxou para o seu colo, suas mãos envolveram suavemente seu pescoço, enquanto pressionava levemente seu quadril contra o dela, permitindo que seus corpos se roçassem. Não havia dúvida, o que estavam vivenciando era amor... não havia outra explicação plausível. Ele estava guiado por seus instintos mais primitivos, controlando seu ser e sua imaginação.
Com as mãos parecendo incendiar, Severus apertava suas nádegas, distribuindo toques suaves, enquanto seus corpos se uniam. Ela entrelaçou as pernas em torno de sua cintura, intensificando o contato, gemendo suavemente ao sentir a rigidez contra sua virilha.
Tão próximos, os corações de ambos batiam descompassadamente, enquanto as unhas curtas e pintadas de vermelho sangue arranhavam suas costas por cima do terno. A sequência de beijos contínuos era acompanhada por movimentos ritmados, que aumentavam o atrito entre eles. Era como se estivessem enlouquecendo juntos, perdendo-se um no outro, como tantas vezes antes, tornando cada vez mais difícil conceber a ideia de separação ou ruptura. Eles eram partes um do outro.
Narcissa sentia um desejo avassalador de arrancar as roupas de Severus, marcar sua pele com mordidas, adorná-lo com novas marcas. Tudo isso para afirmar sua posse sobre ele. Como se ele pudesse decifrar cada pensamento libidinoso e obscuro que cruzava sua mente, retirou o casaco bruscamente, abriu a camisa e deixou os botões voarem em todas as direções.
- Você quer isso, Cissy? Se quiser parar, eu paro - ele perguntou, jogando as peças de roupa no chão.
Distribuindo beijos pelo rosto e lábios dela, sem esperar por uma resposta imediata, ele começou a traçar uma linha imaginária com a língua, percorrendo o maxilar até o pescoço. Mordiscando, chupando, mordendo, lambendo... Severus continuaria com os carinhos até que ela expressasse algum incômodo.
- Eu quero que continue... não pare... - ela respondeu, automaticamente, com um fio de voz.
- Vai continuar me arranhando? Você não faz ideia, Narcissa, do quanto isso me agrada... - ele disse, arrastando a voz, enquanto seu rosto se afundava no vale entre o colo e o queixo dela.
- Hoje... - puxou o ar, esforçando-se para continuar a frase antes de soltar um suspiro alto, tomada pelo prazer.
- Você está extremamente falador para o meu gosto. Embora eu deva admitir que tenho uma predileção por quando emite aqueles rosnados de aprovação baixos ao que estou fazendo.
- Ah, Narcissa... não me provoque.
Enquanto a beijava, suas mãos abriram o vestido, não se importando com quantos laços e fechos seriam destruídos no processo. Era apenas um amontoado de tecido que encontraria um canto distante do quarto. Com mais delicadeza, a fez levantar os braços para retirá-lo, juntamente com a combinação que estava por baixo, mantendo um sorriso licencioso, suas ideias mais indecentes ganhando forma.
Severus prosseguiu com suas carícias, acariciando e apalpando os seios, capturando os mamilos entre seus dedos e, ocasionalmente, retomando as mordidas e lambidas no pescoço de Narcissa, como se desejasse absorvê-la completamente. Talvez, seu maior objetivo fosse exatamente esse, ou talvez fosse o que secretamente ansiava. Possuir cada parte dela era um dos seus desejos mais intensos.
- Severus... – murmurou, a voz trêmula devido à excitação.
A observando com atenção, afastando-se um pouco para encará-la, buscando compreender o que ela desejava naquele momento. Seus olhos semicerrados a estudavam atentamente, como se suas mentes estivessem em sintonia, explorando cada reação silenciosa ou agitação no corpo um do outro.
Seus quadris continuavam a se mover em um ritmo preguiçoso, em uma dança sem pressa e sem temor, os gemidos cortavam o silêncio da madrugada, tornando-se os únicos sons que compartilhavam naquele instante íntimo.
- Diga exatamente o que deseja ou o que espera de mim – Severus segurou gentilmente seu queixo, direcionando seu olhar de volta para o dele.
- Eu quero beijá-lo... desejo explorar cada centímetro do seu corpo... – Narcissa confessou, seus olhos ainda entreabertos.
- Você terá tudo o que deseja – concordou, um tanto intrigado.
Enquanto tentava recuperar o fôlego e compreender o que ela tinha em mente, manteve seu olhar fixo nela, tentando captar cada nuance de suas expressões.
Narcissa, alheia aos pensamentos que percorriam a mente de Severus, deslizou as mãos pelo peito dele, empurrando-o suavemente para trás. Começou um trajeto de beijos ao longo de seu pescoço, seus lábios descendo até sua barriga antes de retornarem. Seus movimentos eram marcados por chupões, lambidas e arranhões, cada gesto transmitindo a ele sua própria perdição e desejo incontrolável.
Severus, em resposta, iniciou uma pressão intensa que a fez estremecer. Ela sentia-se mais quente, entregue, molhada... o calor entre suas pernas era intenso. Afastando-a para parar de beijá-lo, abocanhou o seio direito, chupando-o demoradamente. Enquanto lambia a auréola sem pressa, desceu as mãos até os quadris dela e rasgou a calcinha pelas laterais.
Movendo os lábios para o seio esquerdo, foi subindo uma das mãos pela coluna, até agarrar firmemente seus cabelos e beijá-la. A outra mão, posicionada estrategicamente na fenda úmida, começou a masturbá-la com dedos molhados de lubrificação.
- Deuses... onde você aprende essas coisas? – ela indagou com os olhos fechados, puxando os cabelos dele com uma certa brutalidade.
- É algo que pensei em fazer, refletindo sobre você – confessou rapidamente.
Posicionando-a suavemente no centro da cama, ele apreciou cada detalhe, observando os pelos e o movimento ascendente e descendente de seus seios, que acompanhavam sua respiração acelerada. Não conseguia explicar como via nela uma beleza que parecia se intensificar com o passar do tempo. De fato, Narcissa era belíssima, e as imagens que tinha dela na Penseira não capturavam todos os seus encantos.
Enquanto continuava a observar fixamente o corpo de Narcissa, Severus retirou suas calças e cueca, deixando-as caírem desordenadamente no chão. Não se importava com as explicações que teria que dar no dia seguinte; naquele momento, algo mais importante o movia, e ele sentia urgência em executar cada gesto com precisão.
Com cuidado, deslizou novamente uma mão entre as pernas dela, permitindo que seus dedos longos e grossos tocassem, agora de forma livre, a região mais sensível. Com movimentos suaves e circulares, deslizando para cima e para baixo, agitando a mão em meio a todo aquele calor, estava a levando ao precipício.
Narcissa se contorcia, imersa no prazer que lhe era oferecido, agarrando os lençóis com tanta força que seus dedos perdiam ainda mais a cor. Seus olhos se nublaram, assim como seus pensamentos, que se tornaram desconexos. Sua racionalidade foi afastada, e ela não desejava recuperá-la, à medida que os toques dele se tornavam mais ágeis e precisos, deixando claro que sua única intenção era proporcionar o máximo de satisfação possível.
O tempo parecia congelar enquanto ele a preenchia de maneiras diversas, explorando cada forma, modo e jeito possível. O prazer chegou de forma avassaladora, acompanhado por impulsos involuntários e gemidos altos, fazendo o corpo de Narcissa vibrar como se estivesse em convulsão. Severus ajustou sua posição e a segurou pelas coxas, penetrando-a com movimentos lentos, permitindo que seus corpos ditassem o ritmo da união. Gradualmente, intensificou a força das estocadas.
Aumentando o ritmo dos movimentos, ele lutava para não fechar os olhos. Admirava o espetáculo de como Narcissa se entregava às ondas intensas de prazer que percorriam seu corpo, uma dança íntima que parecia ecoar em sua própria alma. Contudo, considerava aquilo apenas uma pequena amostra diante das sensações avassaladoras que ela lhe proporcionava, sensações essas que eram um universo próprio, distinto de tudo o que ele conhecera.
Observar o amanhecer entre as pernas de Narcissa nunca pareceria errado, especialmente quando seus músculos se contraíam e seu íntimo pulsava com vida. Prosseguindo com os carinhos, Severus a beijou com voracidade e urgência, suas bocas se encontrando como se fosse a primeira e a última vez. Segurando ao máximo o próprio clímax, ele desejava prolongar o êxtase compartilhado, saboreando cada segundo com a intensidade de quem se perde em um sonho de prazer. Afinal, aquele instante único merecia ser eternizado; ele continuaria a explorar cada centímetro dela, conduzindo-a até o orgasmo mais uma vez.
Os gemidos aumentavam em intensidade, as unhas dela arranhavam sua pele com mais força, cada sensação e estímulo elevando-os a um ápice iminente. E então, o clímax os envolveu quase simultaneamente, como uma explosão de estrelas que iluminava a escuridão. Os corpos arquearam em harmonia, e no auge da paixão, sentiram a conexão profunda entre eles. Lutando contra o desejo de se deixar render completamente, Severus se apoiou nos cotovelos, seus olhos fechados enquanto absorvia a onda de prazer que o percorria.
Narcissa o puxou para um novo beijo, rápido e apaixonado, suas bocas agora compartilhando um misto de satisfação e carinho. Mantiveram as testas encostadas, olhando-se em um silêncio profundo, as palavras se tornando dispensáveis diante da intimidade que partilhavam. Finalmente, ele deitou-se ao seu lado, observando-a com uma ternura silenciosa. Enquanto suas respirações lentamente se acalmavam, eles sentiam que os corações palpitavam como um eco da paixão que compartilharam momentos antes.
- Cissy... eu... quero que você saiba que não sou um canalha. Eu juro! Sinto muito se, de alguma forma, deu a entender que meu interesse era apenas em sexo. Jamais a trataria dessa forma - declarou, rompendo o silêncio, mas mantendo oculto o que verdadeiramente queria expressar.
Um sentimento de culpa o consumia, fazendo-o enxergar a si mesmo como um ser abominável. Nada do que ela lhe afirmasse o faria sentir-se melhor, nem retiraria a sensação de que a havia pressionado a ceder às suas vontades.
- Discordo de você em muitos aspectos... aliás, como sempre, acredito que suas afirmações estão equivocadas - retrucou, segurando um sorriso ao notar a expressão duvidosa em seu rosto.
Apoiando o rosto em uma das mãos, ela se afastou um pouco, olhando-o com um sorriso travesso, carregado de significado. Sua expressão lembrava a de uma criança que acabara de cometer alguma travessura e aguardava ansiosa pela reação. Percebendo que Severus se tensionou e seu olhar revelou um choque por algo que passou por sua mente, Narcissa soltou uma risada alta.
- Meu pobre e querido Sevie... fui eu quem te seduziu. Além disso, devo acrescentar que aproveitei muitos benefícios desta noite. O principal, contudo, foi ter temporariamente esquecido do fato de que minha adorável família insiste em me forçar a casar com um verdadeiro imbecil - declarou, exibindo uma expressão que misturava diversão e desgosto.
- O que aquele idiota aprontou agora? - indagou, deixando sua insatisfação clara.
- Ele me seguiu até a França e teve a audácia de me agredir... disse que ninguém o impediria de me forçar a cumprir meus deveres de noiva - respondeu Narcissa, bufando levemente.
- Mas que filho da puta! Você sabe que, quando eu cruzar com ele, vou matar o Lucius e toda a sua família, certo? - exclamou Severus, se sentando na cama e lutando para conter a raiva que ardia dentro dele.
- Você não fará nada precipitado! Ou você acha que o Lucius não tem ideia, ou ao menos suspeita, de que há algo entre nós? - o segurou pelo braço, fazendo com que ele se deitasse novamente.
- Isso é inaceitável... - declarou, com um brilho intenso no olhar que deixou sua irritação ainda evidente.
- Eu entendo, entretanto, você não cometerá nenhuma imprudência - ela o encarou, demonstrando seriedade em suas palavras.
- Mas, Cissy…
- Agora, quieto. Não quero que estrague o nosso momento nem o primeiro dia do ano.
Absorta em seus próprios pensamentos e reflexões, ela observava os gestos de Severus, mantendo-se atenta ao que ele poderia fazer. Em questão de segundos, percebeu que suas palavras haviam surtido efeito... os ombros dele relaxaram visivelmente, suavizando a expressão anterior de desconforto. Narcissa percebeu que ele escolhera se entregar à intimidade do momento compartilhado. As preocupações ficariam para mais tarde, talvez quando o dia amanhecesse.
- Mulher impossível... você é uma bruxa incrivelmente astuta e ardilosa! Você sabe disso, não é? - exclamou, envolvendo-a com firmeza em seus braços e acomodando sua cabeça em seu peito.
Distribuindo beijos suaves pelo rosto dela, ele continuou acariciando seus cabelos até que adormecesse profundamente... entregando-se a um sonho tranquilo e ininterrupto. Enquanto os raios solares inundavam o ambiente e a serenidade persistia nas paredes da mansão, foi Narcissa quem acordou primeiro. Ao se levantar da cama, se espreguiçou com tranquilidade e caminhou até o banheiro, onde entrou na banheira para livrar-se do intenso odor de sexo que envolvia seu corpo.
- Bom dia, minha flor de Narciso... deveria ter me chamado – observou Severus, com os braços cruzados, encostado na porta.
- Bom dia para você também, príncipe. Vai se juntar a mim na banheira? – indagou, espirrando um pouco de água nele, como um convite.
- Gostaria muito, mas vou escolher o chuveiro... preciso manter distância de você, que parece estar determinada a abusar de minha inocência – respondeu, brincando com um falso pudor.
- Sério mesmo? Então, por que diabos está invadindo o meu reino aquático, menininho virgem? – questionou, apoiando o queixo na palma da mão, olhando-o intensamente.
- Talvez esteja sob algum feitiço – disse, fingindo uma ponderação teatral.
- Oh, que interessante... não me lembro de ter usado meus conhecimentos mágicos contra você. Acredito que você esteja agindo por sua própria vontade – continuou a olhá-lo, sem desviar os olhos.
- Será possível? – se sentou a puxando para perto.
- Quem sabe? – Narcissa falou, encostando as costas no peito dele, sentindo o pênis se acomodando em sua fenda por trás.
Posicionando-se suavemente e separando as pernas de Narcissa com cuidado, ele a envolveu em um abraço, acariciando seus seios enquanto a penetrava lentamente. Com um ritmo sereno e pausado, os únicos sons no banheiro eram o murmúrio da água agitada e os suspiros suaves que escapavam de seus lábios. Profundamente imerso nesse momento, Severus a mantinha próxima a ele, enquanto com uma das mãos a masturbava.
Inclinando a cabeça para trás, os lábios dos dois se encontraram em um beijo apaixonado, abafando os gemidos que compartilhavam, envolvidos por um misto de desejo e intensa paixão. Estavam totalmente entregues a seus instintos e desejos, vibrando em sintonia com os movimentos que gradualmente ganhavam força. À medida que os músculos de Narcissa se contraíam, prendendo-o, ele perdia o controle e sua visão escurecia. Sem poder resistir, ele alcançava o clímax, sentindo o cansaço da noite anterior aflorar em seus músculos.
- Estamos nos entregando a isso de forma intensa... creio que vamos acabar nos matando desse jeito - ele sussurrou em seu ouvido, antes de saírem da banheira e retornarem ao quarto.
Seus corpos, agora cansados, quase relutantes em obedecer, moviam-se quase como se estivessem se arrastando, até que finalmente alcançaram a cama, que parecia estar mais distante do que realmente estava. Ansiavam por se acomodar e encontrar descanso para acalmar as emoções ainda agitadas.
- Eu te amo, Severus - sussurrou, acariciando-o com ternura.
- Também te amo - respondeu, com a mesma suavidade na voz, beijando-lhe a testa para transmitir tranquilidade.
Narcissa adormeceu com os lábios entreabertos, repousando sobre o peito de Severus, com os braços dele envolvendo-a. Os dedos dele deslizavam suavemente sobre sua pele, até que, finalmente, ele também se entregou ao sono.
No dia 07 de janeiro, uma aura de antecipação envolveu o mundo bruxo com a proximidade do casamento iminente de Evan e Elizabeth. O evento que se aproximava, elevado à categoria de "o acontecimento do ano", alimentava as expectativas fervorosas de todos. Era uma ocasião singular, onde os herdeiros de duas das famílias mais influentes dos Sagrados Vinte e Oito se uniriam em sagrado matrimônio.
O céu na véspera da celebração estava tingido com matizes dourados e rosados enquanto o sol se despedia, emprestando um toque de magia ao ar. Uma brisa suave acariciava os jardins da mansão dos Rosier, fazendo as flores exuberantes balançarem como um coral de cores. As últimas notas de luz dançavam sobre a superfície dos lagos adjacentes, refletindo um espetáculo deslumbrante que competia com a ansiedade palpável que vibrava no ar.
Antes da cerimônia, naquele crepúsculo mágico, Severus havia deixado a casa de Andromeda, onde estivera desde o recesso de final de ano, para buscar sua mãe, Eileen, em Caerleon. Agora, na frente da imponente mansão dos Rosier, na pitoresca Bretanha, uma multidão de repórteres oriundos do Profeta Diário e A Hora da Bruxa se aglomerava, transbordando de ansiedade pela chegada dos convidados. Câmeras piscavam freneticamente, microfones captavam os murmúrios, tudo numa dança sincronizada para capturar cada detalhe da ocasião. Nem mesmo O Pasquim deixava passar em branco, prontificando-se a oferecer seu próprio olhar sobre o evento.
No coração desse turbilhão de atividades, Severus finalmente emergiu, acompanhado por Eileen. Ainda que as tensões do passado fossem tangíveis, eles se esforçavam para exibir uma serenidade superficial perante a audiência curiosa.
Um suspiro resignado escapou de Severus quando foi compelido a interromper seu passo para posar para as fotos. Seus braços se cruzaram num gesto de contrariedade, os olhos semicerrados revelando a desconfortável situação. A presença de flashes intensos parecia rivalizar com o próprio fulgor das estrelas.
A música tocava suavemente ao fundo, acompanhando os convidados enquanto eles se cumprimentavam e trocavam sorrisos. O ambiente fervilhava com uma mistura única de personalidades bruxas e suas vestimentas deslumbrantes. Líderes políticos, renomados acadêmicos, notáveis figuras do mundo das artes e até mesmo alguns notórios colecionadores de artefatos mágicos estavam presentes, todos convergindo para testemunhar a união que transcenderia linhagens.
Flores exuberantes enfeitavam o ambiente, espalhando um aroma adocicado pelo ar. Cada pétala parecia carregar um feitiço de encanto, exibindo suas cores com uma vivacidade que rivalizava com a festividade em si. Luzes encantadas dançavam ao redor, criando uma atmosfera mágica e envolvente, como se as estrelas tivessem descido à terra para testemunhar a união que acontecia naquela noite.
Com as mãos nos bolsos de seu terno, Severus contemplou as escolhas de Evan e Andromeda. Enquanto Evan seguia adiante com um casamento que parecia carregar resquícios de conveniência, a decisão de Andromeda no passado ressoava como um eco. Um eco que reverberava de maneira diferente, sussurrando com uma tristeza silenciosa que tinha suas raízes em amores passados e destinos entrelaçados.
Enquanto caminhava ao lado de sua mãe, a formalidade mascarava o incômodo palpável que sentia diante das aparências que era obrigado a manter. Seus cumprimentos aos convidados eram pronunciados com uma elegância ensaiada, os gestos cuidadosamente medidos para criar uma ilusão de tranquilidade. No entanto, por trás da cortina de polidez, uma tensão latente se manifestava, revelando o desconforto que Severus estava esforçando-se para esconder.
- Que lugar detestável... somente Evan seria capaz de me arrastar até aqui - murmurou, um misto de desagrado e ressentimento colorindo suas palavras.
O bufê estava repleto de iguarias requintadas, convidando os presentes a se deliciarem com sabores delicados e exóticos. Taças de cristal brilhavam sob a luz, e as conversas formavam uma sinfonia animada de risos e vozes.
Ao se aproximar de Rabastan e Evan, o olhar de Severus encontrou Narcissa à beira da entrada, o foco fixo em Lucius, que estava sendo provocativo em suas palavras. Uma onda de irritação emergiu nele, uma reação à ideia de alguém perturbando a paz dela.
- Noite, Snape... tentando aproveitar a festa? - Lucius provocou, um sorriso irônico dançando nos lábios.
Rabastan e Evan, próximos dali, mostraram-se indignados pelas palavras dele, trocando olhares revoltados. A tensão no ar se tornava cada vez mais palpável. Mas não poderiam protagonizar uma briga minutos antes da cerimônia se realizar.
- Estou aqui para um aviso, Malfoy... se você ousar tocar em Narcissa, você e sua família colherão as consequências - a ameaça deslizou de seus lábios, sua varinha firme como sua determinação.
- E quem disse que você pode controlar o que eu faço com minha noiva? - Lucius desafiou, uma faísca de desafio brilhando em seus olhos.
- Quer ver? Talvez eu precise apenas mostrar a você até onde posso chegar - Severus respondeu, sua voz carregada de convicção, seu olhar frio deixando claro que estava disposto a cumprir sua ameaça.
- Severus, não vale a pena. Não esqueça que você é o meu padrinho… resolva com esse babaca depois - Evan se colocou entre os dois, levando-o para onde estava montado o pequeno altar.
