Os minutos de completo silêncio entre os dois se estabeleceram soberanos e tranquilos. O embaraço existente fazia com que ardessem por dentro, contrastando com a plenitude do ambiente. No fundo, encontravam-se tão envergonhados com as palavras e os gestos que usaram um contra o outro, que mal assimilavam como voltariam a se encarar, mesmo que já estivessem entrando em um lento processo de perdão e cura pelas dores causadas. Mesmo que já tivesse admitido o quanto se amavam, aquele era um dos momentos em que todos os conhecimentos se mostravam vazios e nulos.

Ervas, poções, remédios, aromas e flores em nada serviriam para a cura de corações partidos. Duas almas despedaçadas sentindo a exposição de suas feridas de formas muito piores do que as lesões profundas que Severus ainda apresentava pelo corpo.

No exterior da casa, o vento cortante se rebelava e impunha a sua presença através do sopro sonoro, violento e constante. Estremecendo os vidros e as dobradiças das velhas janelas, que lutavam para não se partirem, seguia forte e vigoroso. Sua influência não era por acaso. Não havia nada mais a ser dito quando as respirações lentas e baixas pareciam procurar frases corretas, palavras capazes de acalmar os ânimos desesperados.

Eram inexatos, profundos e quebradiços, os finos laços que se desfaziam aos poucos. Narcissa era a sua fraqueza e a sua maior força. A única com quem fugiria no dia em que as estrelas caíssem e o céu queimasse. Muito embora Severus já soubesse que se achava cercado por um mar de fogo disposto a ardê-los sem piedade. De repente, o amor que sentiam e compartilhavam significava o castigo que mereciam por se julgarem desimpedidos e ousarem exercer uma espontaneidade natural.

Como se ouvisse os seus pensamentos, erguendo o rosto calmamente, Narcissa aproveitava aquela tranquilidade para novamente o encarar, com um olhar atento e expressivo. Suas mentes vagavam em órbitas semelhantes, sem tocar o chão, libertas de cordas antes pavorosas que as amordaçavam.

Por um tempo impreciso e precioso, esboçando um sorriso leve e misterioso, os seus olhos azuis tempestuosos expunham um brilho intenso, uma luminosidade que revelava a natureza de suas ideias, agora mais radiantes e seguras. Se o seu desejo de permanecer ao lado dele fosse um mero capricho, uma autoafirmação para evidenciar a saudade, todas as questões mais complexas estariam resolvidas.

O problema residia em um ponto mais além. O que desejava, naquele instante e em tantas outras oportunidades anteriores, era se casar e ter filhos com aquele homem a quem amava desde a infância. Uma fantasia real, tão estável e resistente, que a conduzia ao esquecimento de muitas das suas obrigações inadiáveis. Os compromissos inumeráveis que a aguardavam, logo que atravessasse a porta e voltasse para a realidade, eram quase totalmente abandonados ante a imposição do seu completo envolvimento afetivo e as vontades que a guiavam à teimosia da perseverança.

Narcissa sabia que precisava voltar a trabalhar. Mesmo que Virgínia e Remus fossem ótimos funcionários e se empenhassem em dar o seu melhor diariamente, não era atribuição ou obrigação de ambos cuidarem da reposição dos estoques ou resolverem os contratempos que pudessem surgir.

Suspirando baixo, ainda indecisa sobre o que deveria fazer, ela voltou a abraçar Severus, apertando-o entre os braços com um pouco mais de força. Um ato impensado e espontâneo, como se pedisse a ele para que não a deixasse partir, refletindo no quanto a vida se transformara em algo miserável nos últimos anos.

Teria sido um erro ter se entregado de tal forma àquele a quem chamava de Príncipe? A sua paixão arrebatadora por alguém que, para muitos, era considerado um inferior? Mordendo o lábio, com uma certa aflição, Narcissa se permitiu imergir, mais uma vez, nos dois faróis negros que a seduziam e a conduziam sempre à borda. Severus era e nunca deixaria de ser o seu maior e único desafio, o enigma que incessantemente buscara decifrar. No entanto, ainda lhe daria os estímulos e a disposição fundamentais para enfrentar o mundo inteiro?

Respirando o ar profundamente, os segundos aparentavam urgência e exibiam a iminência da ocasião em que teria de tomar uma decisão definitiva, depois de que todas as anteriores já haviam sido abandonadas. Querendo se agarrar às correntes frágeis de esperança, as quais tecera dia após dia, seu peito se apertou trazendo uma sensação estranha de desesperança.

Instintivamente, Severus a aconchegou um pouco mais, evitando que voltasse a chorar. O som e o calor de seu conforto a tranquilizariam. Talvez, isso fosse o resultado de uma misteriosa e profunda conexão existente entre os dois. Um elemento extracorpóreo que facilitava o entendimento mútuo, sem precisar de gestos mais evidentes ou palavras que indicassem as suas dores mais íntimas e imutáveis.

Quem sabe, sua legilimência, se transfigurasse e adquirisse mais vigor quando se mantinham próximos por tantas horas? Não ponderando quanto aos seus últimos atos e ações nos últimos meses, somente experimentava as sensações ofertadas naquele momento tão vívido e sentimentalmente feroz. Sentindo que Narcissa se reconfortava, ali tão próxima, Severus se tranquilizou. Esse era o fato mais importante e objetivo entre as múltiplas e infinitas suposições que fizera ao longo dos anos. Era feliz com ela e isso bastava.

Transparente, exata, autêntica e reta, a verdade sempre se mantivera nos cantos em que as águas fluem e o vento sopra leve. Sempre esteve presente nos traços mais sutis e delicados onde suas magias se conectam e se modificam, formando algo valioso demais para se perder em meio à frieza e à escuridão permanente. A luminosidade com a qual lhe presenteava era única. Como expressar ou esboçar a vontade de que ficassem unidos por toda a vida?

Secretamente, Severus reparava que ela não se importaria com o quão contestáveis e absurdas fossem as suas atitudes. Para Narcissa, o que interessava era apenas como seria tratada, amada e cortejada, enquanto o mundo inteiro poderia desabar ao seu redor. Gostava desse egoísmo tão semelhante ao que possuía. Era essa característica sórdida que a tornava ainda mais atraente aos seus olhos e às suas projeções a respeito de relacionamentos duradouros, sobretudo quando a adorava com tamanha veemência que o ar lhe fugia dos pulmões todas as vezes que se encontravam.

Sem redenção ou saída, a verdade era que o que afortunadamente lhes restava era a eterna e irrestrita entrega, como dois amantes perdidos e condenados. Eram como náufragos, embriagados pelo próprio querer e submetidos a uma eterna busca em meio a um oceano de incertezas, abraçados e prestes a se afogarem na pior das punições por seus desejos.

Em uma complexa união, profunda e potente, desenvolvida e amadurecida aos poucos, perderam-se por completo um do outro. Lentamente, voltaram a se descobrir, até a hora exata em que conseguiram se libertar dos próprios receios e das constantes dúvidas. Aquela relação inegavelmente sempre foi envolta por tantos cuidados, carinhos, diálogos, sorrisos e admiração mútua, que era difícil encontrar qualquer ponto de ruptura. Era algo forte que não poderia se desfazer por conta de uma maldição ou pela consequência de uma tragédia anunciada. Especialmente após terem se tornado dois pássaros abandonados e expulsos de seus respectivos ninhos, quando mais precisavam de abrigo e pediam apoio àqueles que deveriam amá-los.

As barreiras dos sentimentos, intensos e beirando a insanidade, dignos de uma paixão adolescente, foram aos poucos cedendo. Os medos, a timidez, as incertezas da infância; as inquietações e as novas descobertas da idade adulta desmoronavam ao provar tamanha liberdade de se exporem um ao outro como sempre foram, sem as personagens que representavam aos estranhos. Acariciando os fios contrastantes de Narcissa, Severus ansiava pela melhor chance de beijá-la e possuí-la por completo. O segundo oportuno em que confessaria a todos que era, irremediavelmente, apaixonado por ela.

- Você realmente acha que eu não sou uma tola, Sevie? – questionou, como se estivesse perguntando algo para si e tentando se convencer do contrário.

- Das pessoas com as quais eu convivo ou sou obrigado a suportar diariamente, eu posso te garantir que você está muito longe de ser uma estúpida ou cretina, Cissy. Você pode até, algumas vezes, ter se esforçado para se enquadrar no que seus pais esperavam, contudo, sua perspicácia e inteligência a impediram de agir como uma boba – assegurou, descendo um pouco um dos braços, para apertar a cintura fina e trazê-la para mais perto.

- A verdade é que eu sempre te achei brilhante e perfeita, flor de Narciso.

- Certo, então, eu preciso parar de pensar dessa forma. Porém, você sabe o quanto é difícil, principalmente, depois de tudo o que aconteceu na minha vida – Narcissa desabafou, escondendo o rosto na curvatura de seu pescoço.

- Eu infelizmente não posso evitar que você tenha tantas lembranças ruins ou fazer com que esqueça todo o mal que te fizeram. O que está ao meu alcance, nesse momento, é oferecer a minha verdade e a minha vida – Severus propôs um pouco inseguro.

- O quê?

- É exatamente o que você entendeu, Cissy. Eu quero começar uma vida ao seu lado. Recomeçar de onde paramos para que possamos seguir juntos.

- Você quer se casar comigo, Severus Snape? É isso mesmo? – ela arregalou os olhos, com uma expressão confusa e surpresa, enquanto o olhava com atenção.

- Sim, eu quero. E a senhorita Narcissa Black, aceita ser minha esposa? Por enquanto, o máximo que eu posso te proporcionar é essa casa e o meu trabalho duro na B Elixires. Entretanto, garanto que isso será por pouco tempo e, logo, você terá aquela casa imensa que tanto sonha – respondeu com sinceridade, respirando fundo para obter coragem, a olhando nos olhos.

- Eu aceito. Sim, sem dúvidas, eu quero me casar com você.

Os olhos cintilaram mais azuis do que Severus lembrava ser possível, ao mesmo tempo em que o sorriso de Narcissa iluminava seu rosto, o fazendo retribuir o gesto e sorriso como raramente havia feito. Realmente a amava. Mais do que admitia ou mais do que conseguia acreditar ser possível.

- Mas, quanto à casa, Sevie... – ela começou a delinear a ideia que brotava em sua mente, mas foi interrompida pelo gesto dele, que colocou delicadamente o dedo sobre seus lábios.

- Eu não vou deixar que gaste o seu dinheiro comprando um lugar para que possamos morar. Isso é minha responsabilidade e você pode dar a isso o nome que quiser, mas eu aprendi que esse é o meu dever e não o seu.

- Sevie, você está sendo ridículo ao pensar dessa forma.

- Ora, eu nunca permitiria que levantassem a hipótese de que eu só me aproximei de você por conta do seu dinheiro – Severus disse com um notório incomodo na voz, que se traduzia em seus traços fechados e soturnos, como se estivesse lembrando de algo que o feria.

- Isso é impossível! Não é segredo que eu fui deserdada – Narcissa deu de ombros, dando um sorriso tímido, ela o observava com uma certa incredulidade.

- É sério, Severus, só um louco para pensar uma coisa tão absurda e sair fazendo uma acusação tão infundada quanto essa.

- Narcissa, você não precisa negar. Eu sei que quando você foi morar em Paris, dias antes da viagem, transferiu todos os seus galeões e joias para uma nova conta no Gringotts e, que, tão logo os seus pais a expulsaram e protagonizaram todo aquele vexame para defender o Lucius, na antiga conta não existia nada além de vento e poeira – revelou, revoltado pela lembrança que via diante de seus olhos, virando o rosto para o lado antes de prosseguir.

- Inclusive, seu pai me acusou de ter roubado o seu dinheiro e fez com que aqueles duendes invadissem o meu cofre acompanhado de aurores, para confirmar todas as afirmações que ele fazia contra mim. Como todos deram com a cara nas pedras e o Lorde das Trevas quase os puniu, o assunto foi esquecido momentaneamente. Contudo, se você adquirir algo que me beneficie, as denúncias vão voltar à tona e, certamente, o "venerável Cygnus" dirá que eu a enfeiticei ou que eu a aliciei de alguma outra maneira para que me sustentasse.

- Você devia ter me contado isso. É inadmissível que o julguem desse jeito. Eles pensam que você é o quê? Um gigolô? Eu estou enojada ao saber que o qualificaram como um ladrão, um explorador de mulheres, da pior espécie – argumentou revoltada, colocando a mão no queixo de Severus, para que ele voltasse a encará-la.

- A única coisa que importa é que eu sempre vou confiar em você, independente do que eles digam, porque eu sei que nunca faria isso comigo.

Aproveitando ainda a união que compartilhavam dos corpos, Narcissa se questionava em que momento conquistara tamanha coragem para admitir quais as suas verdadeiras fraquezas e a grande capacidade que possuía de amar. Mesmo que ainda não aceitasse, lembrava com detalhes da angústia que sentira quando o Chapéu Seletor começou a considerar a possibilidade de não a colocar na Sonserina por, simplesmente, respeitar os seus desejos mais particulares. Quando informou aos seus pais que quase fora para a Corvinal, a reação de ambos foi nociva, não medindo as palavras ao julgá-la e a censurarem ao definirem suas qualidades intelectuais como defeitos de individualismo, egoísmo, falta de ambição, incompetência e pura tolice idealista. Uma verdadeira vergonha para os Black até que Sirius fez a gentileza de ingressar na Grifinória e passar a ser digno de todos os xingamentos.

- Algo te incomoda?

- Não. Nada que você deva se preocupar, Sevie.

Sacudindo a cabeça em negação, para dissipar as imagens ruins que insistiam em se mostrar a cada pensamento, Narcissa começou a traçar linhas imaginárias pelo rosto e por todo o corpo de Severus. Com os olhos firmemente fechados, estava ciente de que seus gestos não passavam despercebidos e eram analisados por ele com atenção.

- Venha comigo, Cissy – a voz dele soou roucamente baixa e, ao estender a mão, sem se distanciar por completo.

Observando as pequenas reações de Narcissa diante do convite, Severus se atentou aos detalhes que se completavam antecipando os sinais e as hesitações constantes. Se afastando um pouco mais, analisando o rosto dela com mais atenção e mais demoradamente, seguiu acariciando os longos fios com a ponta dos dedos. Cada toque suficientemente delicado, suave e breve, para que acreditasse que haviam sido projetados com o único propósito de acalmar aquele coração afoito.

Massageando com carinho, sem ocultar a própria malícia, deu continuidade ao gesto. Fantasiara tantas vezes o retorno de ter aquela mulher em seus braços que, sua presença agora parecia um sonho realizado.

Como uma fera estudando a presa, Severus a cheirava, roçando o nariz por todo o cabelo, pescoço, ombros... suas defesas e o abatimento que ainda restavam da briga passada se dissolviam com o aroma agradável de jasmim com rosas. Narcissa não se transformara somente em uma mulher deslumbrante e única. Ela era perigosa e irresistível a quem ousasse se aproximar demais.

Sabia dessa realidade desde que a vira pela primeira vez, já adulta, na Penseira, e tivera a certeza de que essa era a mais pura verdade no momento em que entrara em sua vida. Aquela menina chegou desorganizando todos os seus métodos e padrões, desequilibrando suas certezas e o desafiando com inteligência e sensatez. Ela o incitava com sorrisos e olhares, teimosias e satisfações. De que modo seria indiferente àqueles olhos que o afrontavam e invadiam a sua alma com tanto ardor? Dos aspectos mais íntimos até os mais banais, que o encorajavam a aperfeiçoar o próprio intelecto e o impulsionavam a querer ser muito mais do que previam ao seu respeito. Por que a existência de Narcissa incendiava e desestabilizava tanto a sua alma? Que poder ela exercia para que o fizesse sempre aceitar tudo aquilo que sonhasse?

Sem dar aviso ou acabar sendo responsável por alguma ação mais contundente, Severus fechou os próprios olhos e a segurou com uma certa firmeza e brutalidade, enlaçando os dedos nas mechas mais sensíveis da nuca. A força e a selvageria marcantes, que contrastavam com os beijos lentos, quentes e sensuais, expunham os seus desejos distribuídos pelos lábios e o pescoço expostos às suas vontades.

Com os pelos arrepiados, fosse pela respiração quente e o roçar constante das peles, cada vez mais incandescentes, Narcissa suspirava audivelmente. Gemidos baixos lhe escapavam pela garganta, à medida que, os primeiros sinais do fogo do desejo vibravam em seu ventre, fazendo com que a sensação de formigamento prazeroso se espalhasse entre as suas pernas. Roçando as coxas para aliviar a tensão, seus pensamentos começavam a ficar sujos, impuros, enquanto se via indefesa e com a cabeça pendendo para trás. A excitava a ideia de que Severus exercia sobre si um domínio fugaz.

Se fosse necessário, fingiria submissão aos desejos dele, não realizando nada além do que as próprias vontades e aos impulsos de se entregar por inteiro a cada emoção que a queimava. Com as bochechas rosadas e sem fôlego, as mãos vagavam urgentes, imprecisas, vorazes pelos corpos, apalpando sensualmente as peles que começavam a ser marcadas centímetro por centímetro, com a força que empregavam um ao outro.

Os beijos antes calmos se transformavam em uma conjunção carnal arrebatadora. Ávidos, os lábios se encontravam insaciáveis, consumando a pressa que os extasiava e os fazia arfar em busca do ar que lhes era roubado pela sede da saliva. Com as respirações ofegantes, Severus e Narcissa encostaram as testas, procurando retomar o fôlego e continuarem nessa celebração do reencontro e renovação dos próprios sentimentos.

- Como você pode ser tão linda?

A pressionando contra si, ouviu-a sussurrar em resposta ao elogio, sentindo o corpo se aquecer ainda mais a cada milímetro que levantava do blusão e da camisa que ela usava. Não abriria mão de nenhum contato. Jamais desistiria de ter mais contato com a pele macia que tanto adorava. Sentindo o seu cheiro impregnado no corpo que tanto venerava, sua vontade era a de devorá-la, a possuir por inteiro e por completo. A mordendo na clavícula e nos ombros, ainda de olhos fechados, Severus desceu os lábios lentamente até chegar aos seios.

- Bruto... - Narcissa riu suavemente em resposta ao gesto.

- Você quer que eu pare?

- Ah, Sevie... você não faz ideia do quanto eu senti a sua falta – as frases soaram como um sussurro urgente, enquanto o arranhava e abria cada botão do pijama, impaciente.

- Por que tanta pressa, senhorita Black?

Em um impulso, Severus a levantou no colo, a prensando um pouco mais contra a parede. Seus toques ficariam mais livres e contínuos, para que pudesse terminar de despi-la com a maior tranquilidade.

Desconsiderando os protestos de seus músculos feridos, que imploravam por um pouco mais de descanso, pensava que, em breves minutos, o que ainda era dor se fundiria em prazer, no momento em que estivesse totalmente mergulhado entre aquelas coxas que o prendiam. Estar com ela era se sentir inteiro e absoluto, como se nada no mundo pudesse dar errado. Sua mente se perdera em meio a uma nebulosa atrativa e carnal, trazida pelo calor dos braços finos e pálidos que circundavam o seu pescoço.

A verdade era que o desejo e a saudade o impediam de pesar quais seriam as consequências de seus atos. As pequenas palmas das mãos e os dedos sensíveis, tão docemente selvagens e ávidos, se transformavam em um poderoso entorpecente que acalmava o seu corpo e o impulsionava a querer mais. Sentir Narcissa puxando os seus cabelos negros, ao retribuir cada uma das suas carícias, era viciante. Algo tão ou mais sedutor do que as inúmeras cenas indecentes que se formavam na imaginação. Uma série de fetiches e sonhos inconfessáveis que cresciam em meio às fantasias de todas as coisas que pretendia realizar, com a única mulher que sempre o enfeitiçava. Era o fogo de seus olhos, as chamas de sua alma, os traços de seu rosto, que revelavam a sua essência primitiva e devassa, o comandando para que não parasse de jeito algum.

Sev... Severus...

Mal conseguindo pronunciar direito o nome dele, Narcissa expunha o quanto o erotismo e a luxúria lhe eram sufocantes, impedindo que articulasse as palavras com precisão. Sua mente estava desconexa pelas sensações propiciadas por aquelas mãos grandes e ásperas, de dedos longos, que acariciavam e apalpavam os seus seios e nádegas, de forma enlouquecedora. Os lábios, a língua quente e úmida, voltavam a passear por seu colo e provocavam rastros abrasadores que lhe cortavam o espírito. Severus incendiava os seus sentidos, dominava seus pensamentos, a fazendo questionar muitas vezes sobre quem de fato era. Onde se escondia a dama de gelo, impassível e inatingível, nessas horas de profundo amor e devoção que compartilhavam?

- Me diga o que realmente você quer, Cissy?

- Eu quero você.

- Acredita que para ganhar o céu eu não vou cobrar um alto preço? – Severus perguntou com um meio sorriso provocante, jogando para longe o blusão e a camisa que ainda mantinha preso a ela, os separando um pouco, com certa urgência e determinação.

- Convencido!

Sem dar tempo a descoberta de algum novo espaço ou qualquer motivo que a levasse a protestar, devido aos instantes em que a soltara para retirar as calças que usava, puxou-a para mais um beijo. Lento e agressivo, deixando que as línguas se tocassem e excitassem, percebia que os dedos frágeis lutavam para abrir os últimos botões que restavam para deixá-lo completamente nu.

Estavam ansiosos e cada vez mais impulsivos em suas atitudes, colidindo com os móveis e as paredes do corredor. Com a última pancada, quase caindo, Narcissa soltou um riso alto, dando um leve tapa no rosto de Severus, ao se divertir com a ideia de que talvez não conseguissem chegar inteiros para onde quer que fossem, na caminhada cega e tumultuada que realizavam. Especialmente quando as suas intenções e o jeito com que conduziam os próprios desejos remetiam ao de dois adultos apaixonados, entregando-se à paixão como se fosse a primeira vez que estariam juntos.

Com as roupas se perdendo pelo trajeto, atiradas pelos cantos como trapos descartáveis, os gemidos ficavam cada vez mais altos e as respirações mais aceleradas. As palavras desconexas seguiam o jogo sensual do roçar dos corpos, das chamas do desejo que queimava o juízo, a carne e o sangue, os fundindo em um.

Aos tropeços, entraram no banheiro, quase derrubando a porta. Com uma urgência desesperada, arrancavam as peças que ainda restavam solitárias cobrindo seus corpos, em meio aos beijos e carinhos febris, sem perceberem que suas mãos ligavam o chuveiro quase que maquinalmente.

- Você me trouxe aqui para me dar banho, Narcissa? – questionou, usando a voz com um tom que lembrava um rosnado baixo, perto de seu ouvido.

- Quem sabe?

- Eu vou me tornar muito mimado desse jeito.

- Como se você já não fosse, Severus.

Se divertindo, quase encantado com o quanto ela se excitava diante daqueles atos e gestos quase animalescos a que se propusera, acabava escondendo uma agitação sem nome que o agitava intimamente. Queria que fosse diferente, mas não haveria tempo para aguardar a banheira encher, e tudo o que pensava era em possui-la ali mesmo. Cego pela fome que os embriagava, as varinhas tinham sido esquecidas em algum ponto entre a briga e a reconciliação tão explosiva e fervorosa.

Fechando os olhos ao soltar um gemido de aprovação, a sensação da água quente caindo sobre os dois e relaxando seus músculos feridos, fez com que Severus prendesse Narcissa pelos braços, colocando-os cruzados sobre o topo da cabeça. A provocaria mais, controlando os movimentos, acompanhando o balanço lento do movimento que os seios faziam cada vez que ela respirava.

- Eu quero fazer amor, Severus... – o sussurro acompanhado de arranhões pelos ombros e as costas, demonstravam o quanto já se encontrava entregue.

Desfrutando dos carinhos que eram proporcionados, pela pressão dos mamilos contra o seu peito ou, talvez, por conta do hálito quente de hortelã saídos dos lábios avermelhados que mordiam o seu pescoço, sentia que estava perdido em meio ao calor que o corpo de Narcissa emanava. Severus sabia que estava cada vez mais apaixonado e irremediavelmente aceso, percebendo que todos os sinais de aprovação eram dados para os seus gestos e atos sexualmente sujos. Com as pupilas dilatadas e os olhos azuis envoltos em uma escuridão profunda, não existia qualquer detalhe que lhe passasse despercebidamente.

A beijando furiosamente, não deixaria mais que o seu destino escapasse, a agarrando como se estivesse perto de acordar de um sonho ou ser arrancado de um delírio, deixaria em Narcissa um rastro de marcas avermelhadas em sua pele de porcelana. Traçando o caminho dos desejos acumulados durante todo o tempo em que estiveram distantes, sua língua circulava os seios com todo o cuidado. Ao morder levemente cada um, Severus abriu um sorriso safado ao começar a chupá-los, sob o olhar atento destinado a cada um de seus gestos.

Descendo uma das mãos, seus dedos longos circulavam toda a extensão do sexo, proporcionando um prazer tão intenso que beirava o êxtase. Adorava tocá-la, observar suas reações ao ser levada ao precipício, enquanto a masturbação prosseguia lentamente. Não pararia. Continuaria provocando-a até que seus gemidos traduzissem um orgasmo e Narcissa caísse em seus braços, mais entregue do que antes.

- Você é minha... só minha e completamente minha, Cissy – afirmou com a respiração acelerada e o coração descompassado, beijando-a apaixonadamente antes de conseguir expressar o restante de seus pensamentos.

Ao afastar um pouco o rosto após o rompimento do beijo, observando a expressão de deleite e os olhos fechados de quem queria prosseguir com a experimentação das sensações, Severus abriu um sorriso sincero. Estava entregando o amor que ela buscava em uma das várias formas de expressá-lo.

- Eu sempre fui seu.

- Eu sei... acho... que eu sempre soube.

Mordendo o queixo, sem esperar por autorização, Severus a virou de costas. Atritando o pênis ereto em suas nádegas e costas, ele a prendeu com o corpo contra o vidro do box, ao mesmo tempo em que continuava a estimulá-la. Atrevidamente vagaroso em seus gestos, voltou aos poucos ao pescoço, à nuca e aos lábios. A cada novo chupão, Narcissa ficava mais quente, molhada e rendida a cada uma de suas intenções. Descendo pela coluna, trilhando com a língua cada pequena ondulação dos ossos da cervical à lombar, ajoelhou-se, fazendo-a retornar à posição anterior.

Encostando o rosto nos pelos castanhos claros, tocando a virilha, Severus pegou uma das pernas de Narcissa para colocar em cima de seu ombro, passando o nariz por sua intimidade. Cheirando o aroma de excitação que se desprendia preguiçosamente, começou a reiniciar os carinhos na vagina, cada vez mais úmida e quente. Sua flor aspirava sexo, a cada segundo em que a sua intimidade era lambida e chupada, perdendo o senso. Se esfregando contra o rosto dele, roçava as suas unhas no couro cabeludo, puxando os cabelos negros vez ou outra.

Gostando daquela sensação prazerosa, aos poucos circulava a língua com mais intensidade, explorando suavemente o clitóris e percorrendo toda a extensão da vulva. Ao mesmo tempo, introduzia os dedos delicadamente. Severus ansiava pelo retorno daquele xerez inesquecível que o cativara, um néctar que somente ela poderia verter novamente sobre seus lábios. Ouvindo-a pronunciar seu nome com crescente intensidade, como se implorasse por libertação, Narcissa continuava a roçar-se contra a boca daquele que considerava seu amante, melhor amigo e maior sonho, intensificando a conexão.

Gemendo, com os olhos cerrados, seu semblante expressava puro prazer e satisfação, como alguém que nunca deixara de acreditar que era a razão pela qual ele ansiava viver. Sua mente se entregava a pensamentos libidinosos, enquanto suas mãos agarravam com firmeza os fios negros de Severus, aliviando um pouco da tensão do clímax iminente. Narcissa reconhecia que estava irremediavelmente entregue, especialmente ao ter a certeza de que jamais escaparia dos braços daquele que sempre se mostrara dedicado a proporcionar-lhe felicidade e prazer. Ele, que, mesmo diante de suas tentativas de fuga, a amava com todo o coração.

Segurando-a com firmeza para que não se afastasse, aproveitava as vibrações trêmulas e as palavras ousadas que jamais imaginara ouvi-la pronunciar. Os olhos de Narcissa estavam flamejantes, envoltos por uma névoa densa de desejo, quando se entregou à perdição de ser beijada novamente e saborear um pouco do próprio gosto. Aquilo era o suficiente para deixá-la ainda mais desnorteada. Completamente perdida quando fora penetrada, a água quente ainda banhava os corpos, abafando os ruídos do atrito dos sexos sem piedade. Com um sorriso frouxo diante da ardência desconfortável ao ter as suas costas arranhadas, Severus intensificou a impetuosidade dos seus atos.

- Não... mais... mais forte...

- Goze um pouco mais para mim, Cissy. Você sabe o quanto pode ser doce nesses momentos.

As vozes entrecortadas e roucas. A mordida no lóbulo da orelha. O suspiro de aprovação. Aumentando ainda mais a intensidade e o ardor, ritmicamente, as estocadas de Severus ficaram mais rápidas, fortes e urgentes. Suas línguas se encontravam em um beijo desalinhado, arfante, abafando os gemidos. Os espasmos voltavam ainda mais violentos, estremecendo o corpo de Narcissa, levando-a a arquear as costas. Com as pernas presas em torno do corpo dele, a sensação era de que o seu estava prestes a explodir a qualquer instante. Eram como dois selvagens, deixando que os suores, as salivas e os líquidos se misturassem e se perdessem na água do chuveiro.

Severus, observando os lábios de Narcissa entreabertos, via seus olhos lutando para se fecharem enquanto era sugado para dentro dela. Cada investida a levava ao êxtase, tornando-o perdido diante da impossibilidade de controlar seu próprio corpo. O fogo dela o fazia arfar, e algo lhe assegurava que o desejo os levaria a um delírio ainda mais profundo, graças à paixão desmedida com que se entregavam. Ao intensificar o ímpeto da penetração, mesmo lutando para manter a razão, percebia o quanto estava arruinado pelos sussurros sensuais que o guiavam, exercendo uma irresistível força sobre suas pernas.

Vulcões explodiam por todos os músculos do seu corpo, pelos poros, por cada um dos ossos rapidamente. Tudo convertia o juízo em uma confusão de mãos, de braços, de beijos, de chupões e de novas marcas vermelhas. Experimentando a certeza de que seu membro se mantinha prisioneiro entre as paredes que o apertavam, os impulsos eram mais fortes e ardentes. A veemência da entrega e do ato em si os conduziu aos mais profundos limites.

Deslizando naquele universo úmido e macio, a rigidez de Severus fez com que soltasse um som rouco e alto, rompendo-lhe a garganta quando a libertação veio. As pulsações do seu gozo pareciam intermináveis, abafando os gemidos de Narcissa com seus beijos, e amando a sensação de saber que jorrava dentro dela. Mantendo o contato, esfregando os corpos um no outro, até os últimos sinais de seus orgasmos desaparecerem, estremeceram. Segundos os separaram de atingirem juntos o ápice.

O silêncio se estabeleceu entre beijos urgentes e olhares cúmplices, buscando tranquilizar as respirações. Poucos minutos se passaram enquanto secavam seus corpos e reavivavam as carícias, reacendendo o desejo. O ar voltava a ficar pesado.

Puxando Narcissa para si, Severus a virou de costas, fazendo-a apoiar as mãos na parede. Movendo-se como uma serpente, ele a penetrou novamente, segurando-a pela garganta e fazendo com que seus rostos se tocassem. Era o fim após novas ondas de prazer que reverberavam em seus nervos e ecoavam pelas paredes.

A apertando entre os braços, suas pernas não conseguiram mais resistir. Ela desabou, pesando como se estivesse desmaiada, talvez devido à dor que se intensificara após tanto esforço. Mantendo o corpo de Narcissa firme junto ao seu, Severus se sentou no chão do banheiro, acomodando-a em seu colo. Piscando os olhos para afastar a tontura e organizar os pensamentos extremamente incoerentes, precisava decidir o que fazer. Mesmo nu e impregnado com o cheiro de sexo e xampu de erva doce, a razão não o abandonaria. Não quando ela precisava de sua ajuda.

- Cissy? Narcissa? O que aconteceu? – Sacudiu-a pelos ombros cuidadosamente, preocupado com o torpor que apresentava, tentando escutar qualquer resposta às suas perguntas.

Perdido em suas próprias reflexões confusas sobre o que havia ocorrido, incapaz de compreender completamente o porquê de ela ter adormecido em seus braços após o ápice, Severus a sacudiu novamente. O corpo, antes inerte e agora repousando serenamente sobre o seu, moveu-se um pouco. Com um sorriso preguiçoso, sinalizando que tudo estava bem, Narcissa acomodou-se em seus braços. Ainda um tanto incerto, ele permaneceu por um longo tempo a observando.

Com os olhos fechados e os membros moles, não parecia a mesma pessoa que momentos antes estava tão envolvida. Na verdade, assemelhava-se a alguém sob o efeito de algum entorpecente muito forte. Uma espécie de substância alucinógena que a privava de ter qualquer controle sobre seus próprios atos.

- Sevie, eu não... eu não... Lucius - sussurrou pequenas frases sem sentido, recostando novamente a cabeça em seu peito, entregando-se a um sono profundo mais uma vez.

Minutos, talvez horas, fluíram até que Severus captasse o significado dessas reações. Eram sinais claros de quão saciados estavam após o encontro apaixonado. O entusiasmo de Narcissa sempre encantava, revelando-se surpreendente. Cada lição aprendida entre os lençóis se desdobrava em momentos compartilhados. Nos intervalos da descoberta mútua, enquanto o fogo do desejo ainda ardia infinitamente, a essência se traduzia em nuances delicadas e na capacidade de se entregarem fisicamente um ao outro.

Sensações indefinidas, poderosas e duradouras permeavam o espaço. Um desejo verdadeiro, sem fim, os guiava, levando-os a ultrapassar seus próprios limites. A vontade persistia em permanecer ali, prostrados, meditativos, enquanto Severus abraçava sua flor adormecida, imerso no doce aroma que emanava de seus braços.

Observando-a mais uma vez, recordou-se do empenho de Narcissa nos estudos e na busca por conhecimentos sobre a produção de cremes, poções e inovações para a fabricação de cosméticos e pomadas cicatrizantes. Ela era verdadeiramente brilhante, e agora, estava finalmente recebendo o merecido reconhecimento por seus esforços.

Respirando profundamente, Severus depositou um beijo no topo da cabeça dela e permaneceu por algum tempo acariciando suavemente suas costelas. Esses gestos carinhosos se somavam à constatação de que era hora de se levantarem do chão. Apesar do desejo de prolongar o momento, a frieza e a umidade do piso tornavam impraticável continuar ali. Ambos precisavam de um breve descanso.

Ligando novamente o chuveiro, permitiu que a água os envolvesse, removendo os vestígios do prazer compartilhado antes de seguirem para o quarto.

Piscando os olhos lentamente e se acostumando com a luminosidade noturna, Narcissa acordou e percebeu que era madrugada e seu corpo fazia novas exigências após as experiências vividas. Sem ter certeza de por quantas horas dormira, as marcas avermelhadas e roxas em seus braços, em suas pernas, em seu pescoço, em seu quadril e em outras áreas mais íntimas, fizeram com que abrisse um sorriso amplo e verdadeiro. Espreguiçando-se, olhou para o céu através da janela embaçada, e as luzes amareladas confirmavam que seu sonho havia sido real.

Severus, ainda adormecido, roncava alto pela posição em que se encontrava deitado. Ao analisá-lo, Narcissa mordeu o lábio, pensativa e astuta, considerando o quão errado poderia ser o que pretendia fazer e o quanto desejava mais dele. Movendo-se lentamente, deitou-se e posicionou a perna entre as dele. Enquanto o observava dormindo, acariciou seu rosto com a ponta dos dedos, traçando a curvatura do nariz.

Refletindo um pouco mais sobre as coisas sujas e imorais que poderia realizar com aquela parte do corpo, Narcissa segurou o riso. Ao mesmo tempo, sua coxa movia-se devagar, subindo e descendo o suficiente para ouvi-lo gemer baixinho e seu membro dar os primeiros sinais de aprovação ao contato iniciado. Com um suspiro longo, ela conseguia compreender que aquilo não era algo inimaginável para um homem. No entanto, começava a questionar se Severus não havia acordado devido às sensações oferecidas. Prosseguiria com o atrito, tocando a virilha e acariciando seus pelos até ouvir sua respiração ficar mais pesada. Foi então que os braços longos dele a abraçaram, puxando-a para mais perto.

- Não me provoque, flor de Narciso pervertida – falou em um tom baixo, quase sussurrante, próximo ao seu ouvido.

Fazendo um pequeno protesto, convicta de que fazia um biquinho emburrado de desaprovação, Narcissa continuou a apertá-lo. Sem desistir da sua ideia inicial e sem se dar por vencida, voltou a roçar no membro com mais precisão e vontade.

- Não estou entendendo muito bem o que quer dizer, Sevie – a sua resposta manhosa e displicente, enquanto prosseguia fazendo o que queria, o fez sorrir.

Sem abrir os olhos, Severus desfez o abraço, soltando-a segundos antes de cruzar os braços atrás da cabeça para aproveitar ao máximo aquela insolência tão divertida. Mesmo um pouco dolorido, e ao mesmo tempo curioso para descobrir até onde a insistência de Narcissa a levaria, deixou-a livre para dar continuidade às suas ideias impuras.

Aumentando a intensidade dos gestos, firmou ainda mais o contato entre eles, com uma das mãos. Com um sorriso vitorioso iluminando o seu rosto, Narcissa o provocou massageando o pênis, e as reações de Severus foram imediatas. Arqueando as costas sobre a cama e apertando com força os travesseiros, segurava os gemidos que a incentivavam a prosseguir.

Sem avisar o que pretendia, ao primeiro arfar mais audível, afastou-se. Engatinhando até se sentar em cima dos próprios calcanhares, Narcissa colocou o membro na boca aos poucos. Lambendo em movimentos lentos e circulares a glande, sentiu uma coragem maior e o incentivo para que começasse a chupar. Severus apertava os olhos, mordia os lábios, num esforço imenso para não impulsionar o quadril para frente, ao experimentar a sensação libertadora e plena do sobe e desce dos lábios em sincronia com a mão que o incendiava. Não queria assustá-la ou ir além daquilo que ela estivesse preparada para realizar.

Observando o quanto se aproximava de se perder completamente, Severus se afastou e a puxou para um beijo, invertendo as posições em que se encontravam. Tomando-a nos braços, molhou os dedos para estimulá-la, esfregando e girando até que estivessem encharcados pelo prazer. Em um ato de pura insanidade e luxúria, segurou as pernas dela, colocando-as apoiadas em seus ombros, punindo-a pela provocação. Torturando-a, passava vagarosamente a ponta do membro por toda a extensão da vagina, parando algumas vezes próximo ao períneo. Cada toque, cada beijo ou a forma como fazia Narcissa revirar os olhos e implorar para que a tomasse como sua enlouqueciam Severus. Mais do que imaginava ao iniciar aquele processo lento de absorção quente e sensual.

Sem aviso, Severus a penetrou, indo o mais fundo possível com as estocadas. Pulsava dentro de Narcissa, segurando-a como se fosse uma boneca e impulsionando o corpo para frente, tendo como resposta um perfeito "O" nos lábios femininos. Seduzido com aquilo, aumentou o ritmo das investidas e sincronizou a agitação dos corpos, alcançando a totalidade naquele instante. Nunca permitiria que ela fosse embora do Spinner's End e de sua vida após ter se entregado daquele modo.

Finalmente, após Narcissa se agarrar ao seu pescoço enquanto gozava, ambos desabaram na cama. Trocando olhares intensos e com as respirações ofegantes, questionaram-se se tudo poderia ser perfeito daquela maneira. Entretanto, seus planos mais imediatos e urgentes foram abruptamente interrompidos com a entrada de Andromeda na casa.

- Severus? Severus? Você está em casa? – chamou em voz alta no andar inferior, deixando transparecer toda a ansiedade que dominava seu coração.

- A Bella entrou em trabalho de parto, e o Lorde das Trevas exige sua presença com urgência.