Capítulo 17
"I was a wreck when you came along
When there was nothing left, you showed me the best
I'm still a mess but you hold on
Don't know just why you do, but I know I'm better with you1"
Better With You, Jesse McCartney
As próximas semanas se passaram de maneira tranquila e Brienne e Jaime entendiam-se cada vez melhor. A amizade entre eles se desenvolvia esplendidamente bem por meio da música e, naquela sexta-feira, Jaime estava decidido a surpreendê-la quando saísse da faculdade. A essa altura ele já sabia seus horários de cor e estava mais confiante no que se referia a guiar seu carro, portanto, planejara buscá-la.
O dia permanecera ensolarado durante o início da manhã e, por isso, apostava que Brienne não havia ido de carro para a faculdade. Ela sempre preferia ir de ônibus às sextas-feiras, ainda mais se o clima estivesse agradável. O único inconveniente naquele belo dia foi que, conforme as horas passavam, nuvens carregadas começaram a surgir no céu e, quando Jaime já estava com o carro estacionado na entrada da faculdade, uma chuva pesada caía.
Ele até mesmo se perguntava se conseguiria encontrá-la quando saísse de suas aulas devido ao fluxo da tempestade, no entanto, esta era uma preocupação idiota. Brienne era uma jovem que chamava atenção aonde quer que fosse e foi fácil avistá-la na entrada da instituição, num local protegido pela chuva, onde outros alunos aguardavam suas caronas ou que a chuva diminuísse.
Jaime sorriu ao vê-la sentar-se num banco e procurar seu celular, provavelmente para informá-lo de que se atrasaria. Estava prestes a se aproximar com o carro e buzinar para chamar sua atenção quando notou um grupo de rapazes cercando-a de maneira desagradável. Observou por mais alguns segundos esperando estar errado, contudo, um dos rapazes a cutucou e Jaime teve certeza de que isso não era um bom sinal.
Ele saiu do carro em meio à chuva e só de atravessar o curto espaço que o separava dela, já ficou completamente encharcado.
— Está tudo bem, Brienne? — perguntou afastando alguns fios de cabelo que se grudaram em seu rosto.
A jovem o encarou surpresa e se levantou com o intuito de se afastar dos rapazes e se aproximar dele.
— Sim, Jaime. Podemos ir — Brienne respondeu parando ao seu lado com uma expressão constrangida.
Não esperava encontrá-lo ali e não queria que Jaime escutasse as bobagens que aqueles idiotas falavam para ela, então preferia que fossem embora o mais rápido possível.
— Jaime? — um dos rapazes questionou num tom de zombaria. — Não me diga que este é aquele músico aleijado que você sempre elogia nas aulas? — Seus amigos riram junto com ele. — Vocês definitivamente formam um lindo casal, monstrinho.
Brienne ficou com mais raiva e mais constrangida do que já estava e Jaime deu um passo à frente, prestes a arrumar um problema com o rapaz insolente e, claramente, preconceituoso. No entanto, a jovem o segurou pelo braço.
— Não faça isso, Jaime, por favor. Não vale a pena — ela pediu angustiada. — E, se for preciso, eu sei me defender.
— Escute a garota, titio — prosseguiu o sujeito que tinha uma bela aparência, mas que, por dentro, não tinha nenhuma beleza. — Ao contrário do que ela pensa, seus dias de glória já se acabaram. — Jaime o encarou com frieza antes de deixar que Brienne o guiasse em direção ao seu carro. — Pensando bem, você talvez seja bonito demais pra ela. Brienne não tem nenhum encanto, então só posso crer que esta seja uma adaptação daquele conto infantil: "A Bela e a Fera".
Jaime não suportou mais ouvir aqueles insultos sem fazer nada. Quem era aquele idiota para afirmar que Brienne não tinha encantos? O fato de ela não seguir o padrão de beleza exigido pela sociedade não significava nada. Se não fosse por Brienne, ele ainda estaria igual a um imbecil se martirizando em nome de seu passado. Aquela mulher o ajudara mais do que aquele imbecil poderia imaginar e não permitiria que um ignorante a tratasse desta maneira.
Libertando-se da mão da jovem, Jaime deu meia volta e desferiu um soco no rosto do rapaz. Se isto tivesse acontecido na época em que Brienne o conhecera, aquele soco teria causado pouco efeito, ou talvez nenhum, mas agora que passara a se exercitar e aprendera a manejar seu braço esquerdo com mais destreza, conseguira reunir força o suficiente para tirar sangue do rosto daquele idiota, que passou a fitá-lo com os olhos arregalados.
— Calado você parece muito mais inteligente — Jaime disse ignorando a dor que vinha de sua mão. — Sugiro que permaneça assim nas próximas vezes em que nos encontrarmos; e garanto que isso vai acontecer muito.
Os amigos dele apenas olhavam a cena assombrados, sem fazer qualquer movimento que indicasse o intuito de se envolverem em confusão para ajudá-lo de alguma forma; o que só demonstrava o quanto valorizavam aquela "amizade". Era evidente que não se importavam com ninguém além de si mesmos.
— Vamos embora, Brienne.
Jaime segurou a mão dela e os dois caminharam até o carro em silêncio.
1 "Eu era um desastre quando você chegou
Quando não restava nada, você me mostrou o melhor
Eu continuo uma bagunça, mas você espera
Não sei por que você faz isso, mas sei que estou melhor com você". Tradução Livre.
