Capítulo 30
"I'm thinking 'bout how people fall in love in mysterious ways
Maybe it's all part of a plan
I'll just keep on making the same mistakes
Hoping that you'll understand1"
Thinking out Loud, Ed Sheeran
Quando Jaime despertou algumas horas depois, sentia-se atordoado e com muito calor. Não se lembrava bem do que acontecera depois que levara Brienne para sua casa, no entanto, tinha certeza de que alguma coisa dera errado.
Um pouco sonolento e sentindo seu corpo levemente dolorido, levantou-se da cama e lentamente seguiu até a sala com o intuito de procurá-la. Encontrou-a na cozinha, de costas para ele, mexendo em algumas panelas.
— O que está fazendo? — perguntou apoiando-se no batente da porta.
Brienne quase deu um pulo com o susto que levou ao ouvir sua voz. A jovem apagou o fogo e se voltou para encará-lo.
— O que faz fora da cama, Jaime? — indagou aproximando-se dele rapidamente, temendo que ele pudesse acabar caindo no chão. — Ainda está com febre e não devia ficar passeando por aí; ainda mais descalço.
— Eu estou com calor — Jaime resmungou — Não aguento mais ficar debaixo daquelas cobertas suando quando nem sequer terminamos de ver aquele filme.
— Acha que um filme é mais importante do que sua saúde? — a jovem inquiriu fitando-o chocada. — Você tem que ficar na cama. Podemos ver o filme outro dia.
Ela tentou fazer com que Jaime voltasse para o quarto, contudo, para alguém que estava doente ele conseguia ser bastante teimoso e não cedeu com facilidade.
— Hoje é nosso primeiro encontro oficial, Brienne. Uma febre de nada não vai atrapalhar isso — ele insistiu e a jovem sentiu vontade de pegá-lo pelo pescoço.
— Você estava com uma febre de quase trinta e oito graus, Jaime. Eu não diria que isso é uma febre de nada; e acho que está delirando pra falar essas coisas — replicou voltando a puxá-lo pela mão e, desta vez, ele se deixou levar. — Agora volte a se deitar, antes que sua febre torne a aumentar, por favor.
— Só depois que tirar esta camisa — Jaime falou começando a puxar a referida camisa para cima e apresentando certa dificuldade por ter que fazer isso com apenas uma mão e por sentir-se um pouco fraco. — Se preciso ficar sob todas estas cobertas, prefiro não usar tantas roupas.
Brienne pensara em contestar, porém logo constatou que não adiantaria argumentar contra isso. Se queria que Jaime se deitasse, teria que ajudá-lo a lidar com aquela situação.
— Espere, Jaime — a jovem pediu afastando sua mão do caminho. — Eu faço isso.
E assim ela segurou a barra da camisa dele e fez com que seu namorado erguesse os braços para que pudesse passá-la por sua cabeça.
Durante esse processo, Brienne não conseguiu deixar de olhar para o corpo de Jaime que, até então, não tivera a oportunidade de observar desse jeito. Ele não era um homem musculoso, ainda mais levando em consideração o tipo de vida a que se submetera nos últimos anos, no entanto, seu corpo era levemente definido e a jovem ficou muito tentada a passar as mãos pelos fios loiros que se destacavam em seu peito.
Felizmente ele estava muito atordoado pela febre para perceber o que se passava na mente dela, ou Brienne teria morrido de vergonha.
— Agora que já conseguiu o que queria, vá pra cama — ela insistiu, empurrando-o na direção do móvel, porém Jaime estacou após dar alguns passos, fazendo com que as mãos dela ficassem espalmadas em suas costas; de forma que Brienne podia sentir o calor que seu corpo emanava.
— Eu ainda não consegui tudo o que queria — Jaime contestou com um sorriso.
— O que ainda falta? — a jovem perguntou sarcasticamente tentando disfarçar seu embaraço. — Quer a lua também?
— Não é preciso tanto — replicou virando-se para encará-la; e o brilho em seus olhos indicava que acreditava ter se deparado com uma ideia genial. — Só quero que você se deite comigo e que a gente termine de ver o filme aqui mesmo.
— O quê? — Brienne indagou completamente surpresa com a proposta.
Só de se imaginar deitada ao lado de um Jaime sem camisa, já sentia um calor percorrê-la; e este calor nada tinha a ver com febres.
— Jaime, acho que você não percebeu a gravidade da situação. Você tem que repousar.
— Vou repousar — Jaime insistiu com um sorriso preguiçoso. — Apenas quero que você me acompanhe. Vamos lá, Bri. Não quero que a lembrança de nosso primeiro encontro como namorados fique marcada pelo fato de você ter que tomar conta de mim. Podemos ao menos terminar o filme — disse aproximando-se e lhe dando um beijo na boca. Um beijo curto, mas que deixava muitas coisas implícitas. — Podemos fazer isso deitados, já que insiste tanto em repouso.
Brienne pensou por um momento e gostaria de se recusar a compactuar com o plano de Jaime, porém sabia que ele persistiria até conseguir o que queria e, no estado em que se encontrava, não era bom que permanecesse sem camisa e descalço em contato com a friagem.
— Ok — ela concordou por fim. — Agora quer fazer o favor de voltar pra cama?
— Só se você vier comigo. — A jovem acabou rindo da teimosia dele.
Era admirável que persistisse com seu intuito, mesmo febril.
— Eu vou pegar o filme no DVD da sala, Jaime. — Brienne voltou a empurrá-lo em direção à cama e o ajudou a se deitar mais uma vez para cobri-lo. — Às vezes você parece uma criança, sabia?
Ele apenas assentiu com uma expressão que não demonstrava qualquer indício de vergonha.
— Isso significa que vou ganhar um beijo pra melhorar mais rápido? — a jovem sacudiu a cabeça em incredulidade, tentando permanecer séria, e foi buscar o filme na sala.
Logo estava de volta e ligava a televisão e o DVD do quarto. Em seguida deitou-se ao lado dele na cama e Jaime fez questão de cobri-la, de forma que seus corpos se tocassem por baixo das cobertas.
— Não vai mesmo me dar um beijo pra que eu melhore logo? — Jaime questionou antes que ela desse início ao filme, que já estava no trecho onde haviam parado de assistir.
— Acho que você está muito bem — Brienne respondeu num tom brincalhão. — Se eu não tivesse comprovado com meus próprios olhos que você estava realmente mal algumas horas atrás, acreditaria que tudo isso não passou de um plano pra me trazer pra sua cama.
Jaime a envolveu pela cintura e colou seu corpo ao dela, fazendo com que ficassem de frente um para o outro. A única coisa que os separava, de fato, era a mão de Brienne que estava apoiada no peito dele, tocando aqueles pelos que tanto chamaram sua atenção alguns minutos atrás.
— Se fosse um plano, acho que eu teria me saído muito bem — ele disse beijando-a. — Consegui te trazer pra minha cama em nosso primeiro encontro. Nem eu sabia que era tão esperto assim.
— Você não é — Brienne retrucou correspondendo aos beijos dele, porém encerrando-os rapidamente, e voltando a se afastar. — Vai ficar em repouso e assistir ao filme quietinho, ou vou sair daqui.
Jaime estreitou os olhos em sua direção antes de soltá-la e se posicionar de frente para a televisão.
— Você é uma estraga prazeres, sabia? — indagou emburrado e Brienne riu.
— Sabia sim.
A seguir a jovem iniciou o filme, se deitou sobre o braço dele e enlaçou seu corpo por sobre as cobertas, permanecendo deitada bem próxima a ele. Aquele podia não ser o primeiro encontro ideal, no entanto, ela gostava de ter a oportunidade de ajudá-lo e perceber alguma melhora após seus cuidados.
O sorriso satisfeito no rosto de Jaime, não passou despercebido a ela. Apesar das reclamações, ambos se sentiam perfeitamente felizes por estar exatamente onde estavam, independente das circunstâncias.
1 Estou pensando sobre como as pessoas se apaixonam de maneiras misteriosas
Talvez seja tudo parte de um plano
Vou apenas continuar cometendo os mesmos erros
Esperando que você vá entender". Tradução Livre.
