Capítulo 31
"Sometimes I wonder when you sleep
Are you ever dreaming of me?
Sometimes when I look into your eyes
I pretend you're mine all the damn time1"
Delicate, Taylor Swift
Jaime abriu os olhos e percebeu que acabara caindo no sono durante o filme, tendo em vista que os créditos já passavam na tela e ele não se lembrava de quase nada do que vira. Ao olhar para o lado, constatou que Brienne também acabara dormindo. Sorriu ao notar como o rosto dela estava perto do seu e como parecia relaxada ali. A jovem, que já estava cansada devido aos acontecimentos da noite anterior em sua casa, devia estar esgotada àquela altura, depois de acordar cedo para ir à faculdade e ainda ter que cuidar dele.
Após alguns minutos, Jaime decidiu se deitar de lado para olhar melhor sua namorada. Não era a primeira vez que se dedicava à função de observá-la, porém era a primeira vez que podia vê-la dormindo e, sendo assim, tinha a oportunidade de analisar seus traços com calma.
Quando poderia imaginar e acreditar que a teria em sua cama daquela forma relaxada? Na maioria das vezes Brienne estava tão preocupada e atenta a tudo ao seu redor, que era quase impossível imaginá-la tão entregue. Jaime acariciou sua bochecha com suavidade e se perguntou com o que ela sonhava. Será que ele participava de seus sonhos? Será que aqueles sonhos eram bons?
— Isso é muito estranho — ela sussurrou com a voz levemente rouca, entreabrindo os olhos.
— O quê? — Jaime sussurrou de volta, sem deixar de acariciar o rosto dela.
— Você ficar me olhando enquanto durmo — Brienne esfregou seus olhos para limpá-los.
— Não é estranho. Eu só estava observando minha namorada — ele respondeu dando um selinho nela. — E me perguntava se você estava sonhando comigo.
— Seria um pesadelo — ela brincou e Jaime riu.
— Se eu sonhasse com você, pensaria se tratar de um anjo — ele replicou com uma expressão sonhadora.
— Não exagere, Jaime — Brienne retrucou rindo. — Acho que ainda está com febre.
A jovem pousou a mão sobre a testa dele para se certificar e percebeu que ele já não estava tão quente quanto há algumas horas.
— Já estou bem melhor. Graças a você — Jaime replicou segurando a mão dela e a beijando. — Não estou delirando.
— É claro que está. Se não fossem as circunstâncias em que nos conhecemos, tenho certeza de que você não olharia duas vezes pra mim; e jamais pensaria que sou um anjo — a jovem disse aquelas palavras num tom de brincadeira, no entanto, Jaime sabia que, apesar de tudo o que estavam vivenciando, Brienne acreditava piamente nelas.
— Este é um pensamento muito pessimista. Não posso concordar. Acredito que, de uma forma ou de outra, nossos destinos iam se cruzar independentemente de qualquer coisa. — respondeu com convicção após alguns segundos.
Brienne não queria ser suscetível às palavras dele, porém, quando Jaime dizia coisas desse tipo, encarando-a tão intensamente, era um pouco difícil duvidar.
— Essa é uma ideia bonita, mas não sei se é muito lógica — contestou.
— Desde que te conheci a lógica acabou, Brienne. Eu só consigo sentir. — Jaime apoiou a mão dela contra seu peito e a jovem sentiu o coração dele disparado. — Não tente dizer que isso também é culpa da febre, porque só acontece quando você está perto. — Ele lhe deu mais um selinho, ao qual Brienne correspondeu, abraçando-o em seguida.
Tudo parecia bem, mas, de repente a jovem se afastou abruptamente.
— Jaime, você não come nada desde cedo — ela falou se levantando da cama. — Se não se alimentar direito, de nada vai adiantar a febre ter baixado. — Antes que ela pudesse se afastar demais, Jaime segurou sua mão com carinho.
— Não precisa ficar com medo e fugir de mim — ele falou com um sorriso de canto. — Nunca faremos nada que você não queira.
Brienne não o encarou de imediato, pois estava muito envergonhada. Não era difícil imaginar o porquê de Jaime lhe direcionar aquelas palavras. Se ela nunca tivera um namorado, era quase evidente que nunca fora para a cama com ninguém. Obviamente este não era o caso dele que tivera um relacionamento que durara anos.
— Eu...
— Eu sei, Brienne, e não precisa ter vergonha. Só... Vamos fazer as coisas no nosso ritmo — ele falou com tranquilidade e, desta vez, ela sorriu e o encarou.
— Obrigada — respondeu sentindo-se menos tímida. — Agora fica quieto aí enquanto vou buscar sua comida.
— Estou me sentindo bem — Jaime replicou soltando a mão dela e afastando as cobertas. — Não sei se bem o suficiente para sairmos, mas acredito que possa me sentar à mesa com você.
Contudo, quando começou a se levantar, Brienne notou que ele não estava tão bem quanto dizia. Ela podia ver o cansaço em seu corpo e em seus olhos; e o quanto ele se esforçava para esconder isso. Na mesma hora o obrigou a voltar para debaixo das cobertas.
— Se insistir em me desobedecer, serei obrigada a ligar pro seu irmão e pedir pra ele enviar um médico. — Jaime abriu a boca para contestar, porém ela não permitiu que ele dissesse nada. — E vou embora assim que ele chegar.
Jaime fechou a boca e a fitou emburrado.
— Você realmente sabe estragar todas as minhas tentativas de ser romântico, Bri — Jaime murmurou parecendo uma criança e Brienne fez um esforço para conter a alegria que sentia toda vez que ele se referia a ela por seu apelido.
— Quando você estiver totalmente bem, vai poder ser romântico o quanto quiser — ela replicou se abaixando para lhe dar um beijo no rosto, mas Jaime virou a cabeça e colou seus lábios aos dela, segurando sua cabeça para que a jovem não conseguisse se afastar enquanto ele a beijava com desejo e paixão.
— É bom que não se esqueça desta promessa — ele sussurrou com um sorriso malicioso, enquanto a libertava e afastava seu rosto do dela —, pois garanto que eu não vou esquecer.
Tendo em vista que era extremamente branca, Brienne tinha certeza de que era possível notar que ela corava violentamente. A jovem engoliu em seco, sentindo que suas pernas haviam virado gelatina e Jaime parecia ter plena noção do efeito que causava nela, se o sorriso convencido que despontou no rosto dele fosse algum sinal disso.
— Pensei que você fosse buscar minha comida — Jaime falou tentando soar o mais inocente possível. — Mudou de ideia?
— N-Não — Brienne conseguiu balbuciar, fazendo o sorriso dele se alargar levemente. — Estou indo.
Ela seguiu em direção a cozinha tentando não demonstrar o quanto suas pernas tremiam e o quanto seu corpo o desejava. Jaime já tinha um ego bastante inflamado.
— Suas pernas estão tremendo ou é impressão minha? — ele perguntou com um tom de riso e a jovem bufou indignada e não lhe deu nenhuma resposta.
Jaime apenas riu diante disso; e Brienne teve certeza de que ele estava tentando enlouquecê-la.
1 "Às vezes me pergunto, quando você dorme
Será que você está sonhando comigo?
Às vezes, quando olho nos seus olhos
Eu finjo que você é meu todo o maldito tempo". Tradução Livre.
