Capítulo 33
"Heaven, I'm in heaven
And my heart beats so that I can hardly speak
And I seem to find the happiness I seek
When we're out together dancing cheek to cheek1"
Cheek to Cheek, Louis Armstrong & Ella Fitzgerald
Antes da hora marcada, Jaime já estava na entrada da casa de Brienne em seu carro. Como estava adiantado, achou melhor aguardar mais um pouco antes de tocar a campainha e anunciar sua presença. Fitou o buquê que jazia no banco do carona, pensando se aquelas rosas seriam do agrado da jovem.
A princípio não sabia que flores comprar, no entanto, assim que a vendedora da floricultura lhe dissera o significado das rosas de tonalidade laranja, optou por elas. Havia mais fascínio em Brienne do que ela podia imaginar e ele esperava ser capaz de convencê-la disso um dia.
Ao notar que faltavam apenas cinco minutos para as 19h, Jaime decidiu sair do carro e tocar a campainha. Pegou as flores e estacou ao se voltar para a casa, pois Brienne estava parada à porta usando um vestido azul que realçava ainda mais o tom de sua pele. Era um tomara que caia justo que terminava pouco acima dos joelhos dela; e Jaime se perguntou se ela fazia ideia do que causava nele ao usá-lo.
Brienne se aproximou de Jaime, que ainda estava parado ao lado do carro com uma expressão embasbacada, e só então ele percebeu que ela usava um par de saltos pretos, o que a deixava um pouco mais alta que o normal.
— Você está... — Jaime silenciou, pois não sabia exatamente o que diria. Sentia-se sem palavras diante daquela visão.
— Eu sei que estou diferente — a jovem respondeu corando e se abaixando para tentar puxar a barra do vestido um pouco mais para baixo —, mas Renly acabou me convencendo de que eu deveria usar este vestido e falou que os saltos combinavam, mesmo eu dizendo que não sou muito boa usando saltos e... — Jaime ergueu a mão e sorriu quando a jovem voltou a encará-lo.
— Você está linda. Simplesmente deslumbrante — ele falou entregando as flores a ela. — Eu só fiquei um pouco desnorteado num primeiro momento — Jaime completou num tom brincalhão, embora brincadeiras fossem a última coisa que se passavam em sua mente.
— Obrigada. As flores também são lindas — replicou Brienne cheirando-as. Ainda não sabia bem como lidar com elogios, porém estava aprendendo.
— Elas me lembraram de você — Jaime falou dando um passo à frente para poder beijá-la.
A jovem teve que segurar o gemido que veio a seus lábios quando ele a puxou pela cintura antes de aprofundar o beijo. Ela o envolveu pela nuca com a mão que estava livre e se deixou levar pelo beijo. Apenas quando lembrou que seu pai estava em casa, foi que se afastou de Jaime, de maneira relutante.
— Pode guardar as flores, se quiser. Ainda dá tempo — ele disse dando um último beijo nela.
— Acho que prefiro levá-las comigo. — Era a primeira vez que Brienne ganhava flores de um namorado e, certamente, não queria se afastar delas ainda.
Jaime sorriu satisfeito com a resposta e segurou a mão dela enquanto a levava até a porta do carona, antes de abri-la para que a jovem entrasse no carro.
— Não acha que está levando essa história de romantismo a sério demais? — ela indagou num tom divertido depois que se acomodara no banco e pousara o buquê em seu colo.
— Você ainda não viu nada. A noite apenas começou — Jaime respondeu dando um selinho nela para, em seguida, fechar a porta do carro e seguir para o lado do motorista com um sorriso misterioso.
Logo estavam no restaurante, que era de um nível muito superior àqueles a que Brienne estava acostumada. Jaime e ela entraram de braços dados no local e, assim que sua reserva foi confirmada, o casal foi guiado para sua mesa. Ele puxou a cadeira para que a jovem se sentasse.
Brienne sentia-se constrangida. Havia tantos talheres à mesa que ela não achava ser capaz de saber qual deveria ser usado em cada prato. E também havia uma banda de jazz no meio do salão entretendo os clientes.
— Jaime, você não acha que exagerou um pouco? — ela perguntou analisando o ambiente ao seu redor e o menu.
— O que quer dizer? — Jaime indagou confuso, esperando que o garçom servisse o vinho que ele pedira.
— Isso tudo é muito refinado. Acho que vou acabar te envergonhando — comentou assim que o funcionário se afastou.
— Não seja boba — ele contestou segurando a mão dela sobre a mesa. — Você nunca me envergonharia. Além do mais, prometi que seria o romântico perfeito. Que tipo de homem romântico eu seria se não a trouxesse num restaurante caro em nosso primeiro encontro — Jaime brincou. — Eu pensei em te levar para comer um cachorro-quente na praça, mas achei melhor deixar isso pro segundo encontro.
Brienne riu e, aos poucos, se sentiu mais descontraída e se permitiu aproveitar o jantar. Sempre que Jaime notava que ela começava a se sentir deslocada, ele contava alguma história divertida de sua infância e os dois acabavam caindo na gargalhada. Quanto ao uso dos talheres, Jaime sabia usá-los com perfeição e tudo o que Brienne tinha que fazer era verificar qual tipo de garfo, faca ou colher ele usava em cada prato antes de escolher o mesmo.
Surpreendentemente, aquele encontro corria de maneira muito melhor do que Brienne imaginara ao entrar no restaurante, porém esta não era a única surpresa que aquela noite lhe guardava.
De repente, uma das músicas que ela vinha ensaiando com Jaime começou a tocar e, antes que ela pudesse tecer qualquer tipo de comentário a esse respeito, Jaime ficou de pé e estendeu a mão, num claro convite para dançar.
A jovem estava dividida entre surpresa e vergonha, pois ao olhar ao redor rapidamente, notou que não havia ninguém de pé.
— Jaime, ninguém está dançando — ela falou num tom baixo. — Tem certeza de que isso é permitido?
— Essa é uma noite especial, onde tudo é permitido pra nós, Brienne — Jaime respondeu segurando a mão dela e a ajudando a se levantar, atraindo os olhares do outros clientes do restaurante, enquanto ele a guiava para mais perto da banda com a mão em sua cintura.
— Tem certeza disso? — Brienne questionou mais uma vez, deixando que Jaime a puxasse para mais perto de si e pousando suas mãos nos ombros dele.
O fato de estar tão perto dele a fazia se esquecer de suas inibições. Àquela altura já não estava mais realmente preocupada com os olhares alheios.
— Certeza absoluta — ele disse encostando seu rosto ao dela e começando a se mover no ritmo da música. — Subornei o dono do restaurante, então tenho certeza de que não seremos expulsos.
— Jaime! — Brienne o repreendeu dando um pequeno tapa em seu ombro. Ele riu.
— Estou sendo romântico.
— Talvez esteja passando um pouco dos limites — a jovem contestou, mas era perceptível que não havia muita convicção em seu tom.
Independentemente das circunstâncias, não podia negar que se sentia feliz por estar ali nos braços dele.
— Hoje, o céu é o limite — Jaime afirmou beijando o rosto dela e Brienne tinha que concordar que era exatamente isso o que sentia naquele momento: O céu era o limite para eles.
Aquela estava sendo uma das noites mais especiais de sua vida, então ela achou melhor parar de questionar tudo e aproveitar o momento.
Foi com tristeza que ambos saíram daquele restaurante algumas horas mais tarde.
— O que quer fazer agora? — Jaime indagou enquanto caminhavam de mãos dadas até o local onde o carro estava estacionado. — Se quiser, podemos ir dançar naquela boate que fomos da outra vez — sugeriu, sem se lembrar de quando fora a última vez que se sentira tão leve.
— Eu não quero mais dançar hoje — Brienne respondeu um pouco tensa; algo que não passou despercebido a Jaime.
— Está tudo bem? — perguntou preocupado, parando de andar e pensando no que poderia ter feito de errado.
— Sim. Eu só... Não quero dançar mais hoje — ela insistiu sem encará-lo, o que o deixou ainda mais intrigado.
— Certo — Jaime concordou de maneira cautelosa, percebendo que persistir questionando sobre o assunto não os levaria a nada. — Então, você quer que eu a leve pra casa ou...?
— Também não quero ir pra casa — ela disse ficando vermelha, olhando para o chão.
— Então o que quer? — Ele indagou tentando soar o mais gentil possível.
Alguma coisa estava acontecendo e, se Brienne não lhe dissesse o que era, ele não conseguiria adivinhar. A jovem respirou fundo e pareceu ponderar por um momento, antes de voltar a encará-lo com um olhar decidido, embora ainda estivesse constrangida.
— Quero ir pro seu apartamento.
Jaime precisou de alguns segundos para processar o que escutava e, por fim, quando isto aconteceu, engoliu em seco, pois a vergonha que ela demonstrava não deixava brechas a respeito do que se passava em sua cabeça. Aquela possibilidade era algo que ele não havia cogitado quando a convidara para jantar.
Seu intuito era se redimir pelo encontro que estragara ao ficar doente e agradecê-la pelos cuidados que despendera a ele durante este período. É claro que a desejava e gostaria de ter a oportunidade de passar a noite com ela, mas, nem em seus melhores sonhos, acreditara que isto aconteceria tão cedo.
Brienne começava a achar que o silêncio de Jaime poderia significar uma negativa e sentiu o suor escorrer por suas costas. Pensava que, talvez, Jaime estivesse achando-a atirada demais, enquanto ele apenas se perguntava se ela realmente estava pronta pra isso.
— Se não quiser... — a jovem começou, porém logo foi interrompida por um beijo rápido.
— Não se iluda, Bri. Eu quero muito isso — ele disse tentando encontrar as respostas de que precisava nos olhos dela. — A questão é se você realmente quer passar a noite comigo, ou se acha que tem alguma obrigação. Porque eu só quero isso, se você quiser também.
Brienne olhou para o chão mais uma vez, fazendo com que Jaime deixasse de respirar por um minuto, mas, logo em seguida, o encarou mais uma vez com um sorriso tímido e o abraçou antes de lhe dar um beijo no pescoço, onde pôde sentir como a pulsação dele estava acelerada.
— Acredite, eu quero você, Jaime — ela sussurrou em seu ouvido e Jaime sentiu seu sangue ferver.
Só de sentir o contato com o corpo dela, o seu já começava a reagir.
— O que você quer é me matar — Jaime respondeu se afastando da jovem e segurando sua mão antes de seguir apressado em direção ao carro.
— Por que a pressa? — Brienne indagou acompanhando-o e tentando segurar o riso.
— É isso ou agir como um animal e te agarrar aqui no meio da rua — ele retrucou tentando conter o desejo que o assolava.
A risada de Brienne, ao invés de ajudá-lo nisso, apenas lhe deixava ainda mais ansioso para tê-la em seus braços.
1 "Paraíso, eu estou no paraíso
E meu coração bate tanto que mal posso falar
E eu pareço ter encontrado a felicidade que busco
Quando saímos juntos e dançamos de rosto colado". Tradução Livre
