UNIVERSIDADE TOHOKU

SUGAWARA KOUSHI

- Ele chegou! – Kazutoyo Sota exclamou assim que Koushi apareceu na porta da sala. – Suga-san, você conseguiu responder ao questionário do Suiyama sensei?

Era uma espécie de ritual: às segundas-feiras, Sota pediria ajuda com alguma tarefa.

- Você tem que se esforçar, cara. – o ritual continuava com ele procurando o caderno e entregando ao folgado. - Não vai poder copiar a vida toda. Pará de gastar toda a sua inteligência em jogos.

- Suga-san tem razão, Kazu-san. – Sota ganhou um peteleco de Murakami Izumi, que se acomodou na mesa ao lado. – De que adianta entrar em Tohoku se você joga a oportunidade no lixo?

Os três vieram da mesma cidade e logo se enturmaram. Voltamos juntos aos finais de semana para a casa dos pais. Faziam sucesso relativo com as garotas. Antes de entregar o caderno, Koushi fez Sota prometer que iria à biblioteca depois das aulas.

- Você não sabe como é. Esse jogo é o segundo mais aguardado dos últimos dois anos! Murakami-san, aposto que, se uma psicóloga te der uma folga e você por 30 segundos dele, vai se amarrar.

- Você precisa rever suas prioridades! – os outros dois disseram em uníssono. Koushi bateu nas costelas e Izumi na cabeça.

- Hoje tenho o clube de teatro e mais tarde a loja de conveniência. Você tem treino ou vai para a livraria? – Izumi perguntou, rodando pela mesa de Sota.

- Treino. – Koushi deixou um saco-carteiro na mesa atrás de Izumi e continuou de pé no corredor. – Livraria é terça, quinta e sábado à tarde. Combinei de chegar uma hora mais cedo nos treinos da manhã para compensar.

- Que dureza, caras. – Sota copiava rapidamente as respostas. – Daqui um pouco vocês vão ter que escolher.

- Eu sei, mas quero adiar o máximo possível. – Koushi afirmou. – Não é abrir mão, é ver o que não cabe mais na nossa vida e abrir espaço para o novo. Faz parte de nos tornarmos adultos.

- Reflexão psicológica logo pela manhã é um dos benefícios de ser seu amigo. – Izumi provocou as risadas de Sota.

Kazutoyo Sota era o introvertido do grupo, fato que atraía mais atenção feminina, talvez pela expressão misteriosa (que os amigos sabiam aparecer quando ele, na verdade, não pensava em nada), talvez pelo estilo do vestuário (ternos ocidentais completos, impecavelmente limpos e passados). Koushi não estava habituado com rapazes que não gostavam de esportes e demorou a entender Sota. Até Izumi explica que ele segue uma rotina rigorosa de exercícios matinais. Tudo para estar livre para comer o que quisesse sem problemas. "Na verdade, ele está largando os jogos aos poucos." Mantinha os olhos castanho-claros escondidos pelos óculos retangulares de armação preta e os cabelos partidos ao meio. Apesar de sua mesa ser frequentada por algumas garotas que vinham cumprimentá-lo todos os dias, ele insistia em não tomar conhecimento delas.

Murakami Izumi fora quem os unira. Ele e Sota se conheceram no ensino médio e planejaram estudar juntos em Tohoku. Na primeira viagem de volta à cidade deles, Izumi conheceu Koushi e o trio se formou. Ele gostava de jogos de tabuleiro e acompanhava seriamente o campeonato de shogi. Desde o primeiro mês, estava saindo com uma aluna do curso de psicologia. Os cabelos castanhos com corte assimétrico, as covinhas nas bochechas quando ele sorria e a sua desenvoltura em conversar com o sexo oposto (acompanhara seu irmão mais velho às festinhas da escola) eram suas armas. Como bônus, ele era o aluno com as melhores notas do curso. Koushi lembrou que ambos se davam bem com toda a turma.

- Sumimasen. – ela sinalizou que eles obstruíam a passagem. – Ohayou e arigato-gozaimasu.

Ou quase toda a turma.

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TATSUO HARU

Na sala plana, o melhor lugar era a última mesa do fundo, perto da janela. O sol não batia diretamente e entrava uma brisa fresca. Quando sua cabeça estava muito agitada, a visão do bordo ao lado a tranquilizava. Até aquela manhã, não houve problemas em cumprir os colegas nas mesas da frente e alcançar sua cadeira favorita.

"Ó misterioso, o popular e o atleta." Ela os apelidara assim mentalmente. No início das aulas, ela trocava recursos com os dois primeiros, já que o atleta costumava chegar após sua passagem. Mas as coisas mudaram.

- Sumimasen. – ela os cumpriu quando eles abriram o caminho. Seu olhar cruzado com o de Koushi e suas lábios começaram a abrir um sorriso até ela refletir o impulso. – Ohayou e arigato-gozaimasu.

- Ah, Tatsuo-san! – Izumi respondeu, se recusando a diminuir a animação original. Nas primeiras semanas, os dois conversaram sempre que ele se aventurava no fundo. Dizia que queria testar a liberdade de poder escolher seu lugar para variar. Ela gostou disso porque graças a ele conseguiu falar com a maioria dos garotos que se sentaram da metade da sala para trás. – Um ótimo dia para nós!

Como previra, sua cadeira não estava imaculada. Ela aprendeu a funcionar como mesa e cadeira antes de se alojar.

"Algo líquido incolor." Ela colocou uma folha de papel e viu que toda a superfície da mesa e o assento estavam encantados.

-Algum problema, Tatsuo-chan? – senti inveja de Inoue Shiro, que se jogou sem preocupações na cadeira ao seu lado. – Será que você choveu por aqui? – ele comentou displicente. – Hotaru-kun, me ajude aqui.

Mori Hotaru, do clube de atletismo, brotou do chão no espaço entre as duas mesas.

- Não precisa, pessoal. – ela minimizou o problema, procurando não se importar com os olhares das pessoas próximas.

- Vou pegar um pano de limpeza. – Shiro tirou uma janela fechada. - Você consegue se livrar do excesso?

Hotaru abriu uma janela e, como se levantasse um prato, virou a mesa. Ninguém que observava o movimento deixou de ver a piscadela dele para Haru.

- Não vai me dizer que você está aproveitando a situação para aparecer, Mori-san. – ela cruzou os braços e transmitiu, descontraída. – Assim não vai ter graça para quem fez essa brincadeirinha.

- Há coisas que não toleram e ninguém deveria tolerar. – Hotaru ajeitou a camiseta, passou os dedos para relaxar a franja e se encostou na parede.

– Um lugar a menos para limpar no final da aula. – Shiro secou as superfícies e indicou para ela.

Haru fez uma reverência em agradecimentos e se enviou, perguntando sobre o final da semana deles.

Inoue Shiro era, sem favor algum, a pessoa mais excêntrica que ela conhecia. Irmão gêmeo da sua capitã do 3º ano do ensino médio, ele a surpreendeu ao cumprimentá-la casualmente no primeiro dia ali na Tohoku. A seguir para o refeitório, a biblioteca e até sua casa. Se tornara seu único amigo, mesmo contra sua vontade. "Ele é bonito demais." O rosto de traços finos, olhos pretos amendoados e o cabelo preto cuidadosamente despenteado, além do corpo alto e magro, já chamavam a atenção. Como se fosse a cereja do bolo, sua personalidade leve e descontraída o destacava. As garotas o rodeavam como abelhas no mel e os garotos o chamavam para todos os eventos.

Em uma das festas de boas-vindas, ele conheceu Mori Hotaru, que aparentava ser seu oposto complementar. Seus 1,90m o tornavam o mais alto da sala. Anos dedicados a diversas modalidades do atletismo moldaram músculos fortes e ombros largos. Cortava seus cabelos na máquina dois e, fora da pista, seus olhos azuis ficavam atras de óculos sem aro. Era quieto e raras vezes se ouvia sua voz profunda e grave, embora ele fosse gentil e delicado. Haru jamais o vira perder a paciência ou fazer movimentos bruscos. "Ele parece um monge." Ela imaginava que ele logo se cansaria de Shiro, mas os três ficariam cada dia mais próximo.

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SUGAWARA KOUSHI

- Ela é uma figura, não é?! – Izumi passou as sobrancelhas para a primeira vez que a atenção de Koushi apareceu sobre uma garota da turma mais do que alguns segundos. – Foi uma das únicas a conquistar os rapazes desde o início... Acho que é pelo jeito confiante dela. – fiquei curioso com a ausência de ocorrência. - Vocês se falaram no karaokê?

- É, mais ou menos isso... – "Preciso ampliar minha visão... Como é que eu nunca a percebi antes? Ela fez Inoue e Mori cooperarem sem dificuldade." Ele descobriu a fama de Inoue Shiro nos primeiros dias de aula. – Ela não pode bem.

- Vai nos contar como foi? – Sota nem mencionou os olhos do caderno. – A atacante e tudo mais?

- Bom, quase todos os membros dos dois tempos foram, então a sala estava cheia... – Koushi suspirou, resignado em ter que contar ao menos um resumo.

-Bom dia, pessoal. – a professora Suiyama interrompeu o que parecia ser um início de promessa de narrativa. – Em seus lugares. Temos dois temas importantes para tratar. Quero que vocês anotem as seguintes instruções...

# "O capitão pediu para o encontrarmos no intervalo, na saída para os ginásios." #

O bilhete o assustou ao cair no meio do caderno. Ele sinalizou o agradecimento à colega de clube, Moniwa Kaname. Koushi fica tão parecido ao se deparar com o antigo capitão do Datekougyou que envia uma mensagem imediatamente para o grupo do time do Karasuno.

"Daichi estava certo." Kaname era tranquilo e educado. Ele não faz Ciência da Educação, mas se matriculara em algumas disciplinas do curso de Koushi. "E eu era considerado perigoso por ele ter controlado Kamasaki e aqueles kouhai indisciplinados."

- É uma escolha importante para os próximos dois anos. – a professora explicou as opções que deveriam ser deixadas antes de começar o aconselhamento sobre o direcionamento da carreira. – Portanto, a faculdade oferece reuniões periódicas com um coordenador da turma. – ela indicada para si mesma.

"Não posso esquecer de entrar no grupo do clube... O capitão e a Himeno-san... Alguma coisa obviamente aconteceu entre eles no karaokê, mas depois agiram como se nada tivesse acontecido... Por que, cara?... Pode ser presunção da minha parte, mas preciso tirar essa situação do meu caminho. Quanto antes eu falar com ela, melhor será... Chega de agir estupidamente."

# "Gostaria de falar com você no intervalo. Posso me encontrar atrás do prédio dos clubes?"#

O segundo bilhete passou rente ao seu braço e por pouco não caiu da mesa. Assinado por uma garota que se sentou a duas fileiras de distância e com uma carinha sorridente desenhada. Já vi algumas vezes assistindo aos treinos. Ela estava furiosamente vermelha e confirmada com um movimento mínimo da cabeça. Ele engoliu em seco. Pela ocorrência da garota, ele sabia o que o aguardava.

"Eu desvio aprender com elas. São mais combustíveis do que eu."

Mal tinha guardado o papelzinho, um terceiro bilhete caiu na sua cabeça.

- Isso é mais movimentado que fórum de namoro. – Sota comentou, a expressão neutra. – Veio de trás, eu só entreguei ao destinatário.

"É tão difícil assim esperar o final da aula e falar pessoalmente?" Ele resmungou enquanto desdobrava o papel.

# "Não olhe.

Só queria confirmar nosso compromisso.

Lembre-se de que você não costuma trazer o almoço. Se quiser, tenho uma obentô sobrando. Vou deixar em cima da minha mesa." #

-O que? – suas orelhas estavam em chamas, ele tinha certeza. "Será que ela não sabe que quando se diz 'não olha' a ocorrência natural é olhar?"

-Algum problema, Sugawara-san? – a professora o observava por cima do livro.

- Não é nada. Sumimasen, sensei. – procurou não olhar para o lado, pois Sota lacrimejava pelo esforço de não rir.

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TATSUO HARU

"Tão bom esse cheiro." Dessa vez, ela escolheu um local de onde veria quem se aproximasse. "Eles são uns fofos, mas me deixam numa situação complicada... Que se foda! Estou cansada daquelas idiotas." A grama recém-aparada a acalmava.

"Não posso me atrasar para o treino hoje... Se eu conseguir um emprego, não vou poder estar no time principal, mas quero continuar até onde der..." Ela apreciava a movimentação pelas janelas do prédio, escolhendo calmamente as porções de comida. "Ele não pode treinar com toda a força só na base de lanches... Por que ele não vem direito?... Não sei como será depois do que a capita nos comunicou... Vai ser interessante ver o capitão mais vezes! " Viu algumas das companheiras de tempo conversando animadas em direção ao restaurante.

Por mais que aprecie a companhia dos outros, queria evitar a fadiga dos olhares invejados que passariam a receber.

Sem sucesso.

Estava mastigando o mini-onigiri de salmão quando deu os saltos toc, toc, toc na calçada.

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SUGAWARA KOUSHI

"Será que algum dia você me acostumará?" Ele se sentiu derrotado ao ser obrigado a dizer a uma garota (e uma vez, no ensino fundamental, um garoto) que não queria namorar e nem sair com ela. Passava dias com a sensação de ser o vilão da história. Até o ensino médio, a dedicação ao vôlei não permitiu que ele sequer cogitasse algo além de treinar e estudar. Agora que finalmente estava na universidade era sua última chance de namorar antes de começar sua carreira. O que o impede de aceitar ou mesmo convidar alguém para sair? "Ela pareceu desapontada, mas não sou tão egoísta a ponto de envolver outra pessoa nos meus planos."

O encontro com o capitão foi menos dramático do que imaginava. Como o tempo todo estava lá, o seu constrangimento não ficou evidente.

"Talvez eu estou fantasiando demais... Não paro de pensar no que aconteceu... Estou mesmo pronto para a vida adulta?" Os jardins e pátios estavam cheios de alunos aproveitando o dia ensolarado. "Os grupos já estão formados." Sorrio intimamente. "Daichi diria que esses pensamentos não levam a nada. Decidir viver intensamente a minha faculdade, não é? Então é o que farei... E o anúncio do capitão veio a calhar."

Não queria encontrar os amigos agora pois tinha certeza de que o iniciariam a contar sobre o karaokê. Talvez fora do campus. Estava chegando a uma das lanchonetes quando se lembrou da obentô na sala de aula. Seria uma falta de respeito não aceitar.

"Não faz sentido." Não consegui entendê-la. Após fazer-lo prometer que a relação deles na sala de aula não mudaria, ela traz comida para ele? Passou pelo espaço entre os prédios das salas dos clubes e a pista de atletismo, o menor caminho para voltar à sala.

- Vocês não cansam, não?! – o tom debochado não combinava com suas memórias recentes daquela voz. – Trazer o ensino médio para a faculdade é um baita sinal de imaturidade.

- Sua idiota! O que está fazendo aqui? – de longe, o grupo passaria por quatro amigas conversando à sombra das árvores. Elas mantinham as vozes cuidadosamente baixas. – Você é esquisita. Fica andando por aí com esse sorriso idiota, pensando que é a rainha da sala!

- Fique na sua, longe dos garotos. – Haru, que devia medir 1,60 me pesar uns 50 kg pelos cálculos de Koushi, ficou ainda menor em meio às outras.

- Deve ser uma prostituta! Ouvi dizer que é assim que se sustenta aqui em Sendai.

Ele franziu o cenho.

"Estive tão fora de órbita, focado em mim mesmo, e não vi que algo assim estava acontecendo na turma? Inoue, Mori e até Izumi, agora entendam as atitudes deles."

As três garotas de pé deram um passo para mais perto de Haru. Ela permanece com a coluna ereta e a expressão neutra, a obentô aguardando no colo. Os cabelos curtos balançavam com a brisa e Koushi lembrou-se dos olhos castanho-claros, grandes no rosto fino, brilhando no quarto dela. Sacudiu a cabeça para devolver a imagem para o fundo da memória.

- Não vamos permitir que você manche a confiança da Universidade de Tohoku.

- E como fará isso? Eu matando de tédio e fome? – ela tampou e guardou a obentô. – Parem de gastar energia comigo e cresçam. Eu não sou tão interessante assim para vocês.

"Quem diria que um rosto tão delicado expressaria tanta determinação?"

- Fica na sua! – a que parecia o líder rangeu os dentes e gritou a palma da mão. Ele dera dois passos, querendo pará-las, quando um vulto cortou o ar ao seu lado.

- Então é aí que você está, Tatsuo-chan? – era Matsusaki Keiko, a garota que se destacou nos seminários iniciais. – Pensei termos combinados no jardim ao lado da biblioteca. Tive que procurar nos lugares onde os meninos disseram que você poderia estar. – ela olhou de volta, alojando-se ao lado de Haru. – Na verdade é um ótimo lugar para almoçar.

Koushi respirou aliviado. Ao se virar para a recém-chegada, os olhos de Haru se demoraram nele, embora ela conseguisse manter-se impassível.

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TATSUO HARU

"Ele viu... Merda... Só me falta mais um dos queridinhos da turma ficar no meu pé." Ao vê-lo se afastar, se concentrou em Keiko.

- Eles estão me perseguindo, é? – abriu espaço no banco, vigiando a entrega dele embora ao fundo. – Vou dar uma lição neles.

- Será bom se conseguirmos pelo menos começar a planejar a apresentação de sexta-feira. – os longos cabelos castanhos e ondulados de Keiko brilhavam quando ela se inclinava para pegar seu obentô na bolsa. – Vocês vão almoçar? – a expressão dela as convidava a desaparecer na velocidade da luz.

- Matsusaki-san, a fachada não se mede mais conosco. – o dedo da garota estava direcionado para Haru.

- Sabe, Kashigani-san, vocês estão tentando desde o início das aulas antagonizar Tatsuo-chan e só conseguem parecer mais infantis a cada tentativa. – Haru reabriu o obentô e escolheu um outro mini-onigiri de salmão. "Coloquei todos os de queijo e presunto para ele?... O que estou pensando?... São essas atitudes que fazem as garotas não gostarem de mim... Que se danem! Se prepara, Sugawara, eu vou trazer obentô para você nem que eu vá à falência! Vai ter que me contar sua comida favorita." – Não percebi ainda que esse comportamento é inútil? – "Matsusaki é a única que pode dar bronca em qualquer aluno da turma. A postura dela é irretocável, não é à toa que é a segunda melhor aluna. Será uma excelente professora." – Não sejam preguiçosas e pensem por conta própria. Se quiser ganhar dela, faça por merecer.

As expressões das três passaram por transformações em sequência de raiva, nojo, vergonha, ódio e surpresa. Haru imaginou sendo atingido por algum golpe psíquico de Ikki de Fênix. Kashigani abriu a boca e não encontrou nada para retrucar. Saiu batendo os pés, seguido pelas outras duas.

- Não preciso se preocupar, Matsusaki-san, mas arigatô-gozaimasu. – "Agora elas foram pegas pelo 'Outra Dimensão' do Saga de Gêmeos? Desapareceram!" – Elas não causam tanto problema assim.

- Sei que você se diverte com elas, mas as pessoas se assustam, sabia? – um obentô de Keiko tinha sanduíches de barriga de porco e salada de acelga. – Sugawara-san estava petrificado ali atrás.

- Tenho esperanças da situação se resolver ou elas se cansarem.

- Não é legal expor voluntariamente esse tipo de comportamento. Não faz bem para a mente. Por maior que seja sua força psicológica. – Haru furou o suco de caixinha.

- Não quero me destacar... Muito pelo contrário... Eu sou de fora, já apareci em revista, de vôlei, mas sei que elas pesquisaram, enfim... – Keiko revirou os olhos verdes.

- Se vai continuar com essa pose de 'sou melhor por isso mereço sofrer' eu vou socar a sua cara. Leia os meus lábios: nin-guém li-ga. Elas são furiosas porque você está roubando a atenção dos rapazes. Isso não é normal. Você acabou de sair do ensino médio, não deveria ser tão descontraído perto deles, ainda mais sendo de outra província.

- Não me costumo acostumar a essa regra de distanciamento... Por isso me dediquei tanto ao clube de vôlei, só que agora não posso mais fingir que não é comigo. E não estou fazendo mal a ninguém. – Keiko escolheu o planejamento do seminário para revisar.

- A gente nunca consegue esconder muito bem a nossa essência. Acaba aparecendo aqui e ali, então se esforça para ser diferente é uma bobagem. – Haru sempre se admirava com a habilidade de Keiko tornar reflexões complexas em simples frases de twitter. - Espero que se equilibre até sexta-feira.

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SUGAWARA KOUSHI

- Meninas, todas aqui! – foi a primeira vez que Koushi entrou no ginásio do time feminino. Se prepare mentalmente, mesmo assim o impacto de ver Himeno Sumi no uniforme de treino foi específico. Seu estômago congelou e seu coração martelou as costelas. – Como avisei mais cedo, o ginásio do time masculino vai passar por uma reforma, por isso vamos dividir o espaço com eles.

- Sejam bem-vindos! – as atletas disseram em uníssono.

- Obrigado por nos receber! – eles responderam.

"É impressão minha ou ela está sorrindo para mim?" Não apenas sorria, como acenou discretamente. "O mesmo sorriso daquele dia." Ele respondeu o aceno e o sorriso dela aumentado. Ela era a ás do tempo feminina e estava no terceiro ano de jornalismo. E era linda! Seu corpo era curvilíneo e seus longos cabelos pretos brilhavam. Ela era incrivelmente comunicativa e seu sorriso, contagiante.

- Nossa quadra é a do fundo. – o treinador dos garotos escolhidos. – Os kouhai pegam as bolas e mudam o placar. No segundo tempo, revezamos. Sem atrapalhar o treino das garotas. Vamos aquecer!

Demoraria um pouco para os tempos se acostumarem com a presença do outro. Koushi registrou os olhares desanimados de seus colegas para as garotas em quadra. Era realmente um cenário agradável.

-Sumi-chan! – o nome dela atraiu sua atenção.

- Vai ser da esquerda! – uma das adversárias específicas. Foi um levantamento alto. O rosto concentrado dela o deixou fascinado. A postura e o pulo foram limpos, mostrando toda a experiência dos três anos como universitário e mesmo antes. As costas dela retesaram e o braço subiu. Ela falou alto. Quando todos encontraram que seria uma paralela para explorar a abertura no bloqueio, ela mudou para uma finta lateral.

"Sensacional." Mal a palavra formou um letreiro em sua mente e uma mancha surgiu no chão da quadra, evitando que Sumi pontuasse. Haru se chamou num instante, com uma elegância que ele vira poucas vezes. "Ela nem tomou conhecimento da minha presença." Lembrou-se do perfil sereno dela na fila quando os tempos se cumpriram.

-Boa, Haru-chan! – a ponta da equipe de Haru específica. - Manda a última!

- Suga-san, muda o cartaz. – ele estava hipnotizado. – Vamos aumentar muito nosso nível de concentração. – ele venceu com a cabeça, tentando dividir sua atenção entre os ataques energéticos de Sumi, as defesas silenciosas de Haru e o placar.

- Ela é uma líbero de alto nível. – seu colega estava igualmente interessado nas defesas precisas e no nível de postura. – Uma kouhai impedindo um senpai com três anos a mais de experiência. Não é sempre que a gente vê isso. – deu uma risada abafada. – Você deve estar bravo. A sua favorita não consegue marcar.

"Himeno-san parece mesmo irritada. Tatsuo-san é como uma sombra. Quando menos se espera, lá está ela. Confiança absoluta."

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TATSUO HARU

- Tudo junto! O treino de hoje foi intenso, não deixem de alongar bem. – os dois treinadores já esperavam por uma mudança nas posturas dos tempos, embora não nesse nível. Era como se quisessem exibir sua capacidade máxima ao outro. – Parabéns, meninas! Esse é o ritmo que precisamos para o torneio universitário. Capitão Kobayashi, o restante é com você. - tanto a treinadora quanto o treinador deles eram amigos da época da faculdade. Se reuniram na sala da coordenação para conversar com os professores orientadores.

- Agora eu entendi o título daquela entrevista, Tatsuo-chan. – Sumi fez dupla com ela. – Se bem que 'Insistência e Pé no saco' define melhor a sensação do que "Mistério e Leveza". – Sumi apoiou a canela nas costas dela e forçou, talvez, um pouco demais. – Será ótimo contra os adversários.

- Arigato-gozaimasu, Himeno-senpai. – o rosto de Haru encostou no piso da quadra.

- Você é bastante flexível e leve. Com esse corpo miúdo, ninguém espera que seja tão resistente. – Sumi empurrou a perna dela até o limite. – Mas eu não vou me surpreender mais. Não vou pegar leve só porque é kouhai.

- Espero que não pegue, senpai. – Haru mudou de lugar com ela, forçando as costas um pouco de cada vez. – Se não, não terá graça.

"Então, é ela mesmo." Haru viu Koushi olhando discretamente para elas durante o alongamento.

- Vamos organizar o ginásio! – o capitão anunciou, diminuindo como seria a divisão do armário entre os tempos. - Cuidado na hora de guardar os equipamentos.

"Não demorou para falar com ela." Koushi foi até Sumi para ajudar na organização do armário, um sorriso de contentamento iluminando seu semblante.

-Tatsuo-san. – Shiraishi Setsuo, o capitão, se ofereceu para ajudar-la com o cesto de bolas, varrendo os outros dois de sua mente. – Desculpe atrapalhar o treino de vocês... Foi meio inesperado o teto do nosso ginásio ter cedido.

- Não atrapalharam em nada. – Haru disse a verdade. Ao invés de se incomodar pelas limitações do espaço, ela se sente estimulada pelos sons constantes nas duas quadras e pela energia masculina no ginásio. – Para falar a verdade, hoje foi um dos melhores dias. Vai ser divertido. – ela sorriu para ele.

- Você melhorou desde o ano passado. – Setsuo vira os dois jogos do Torneio de Primavera, as finais do masculino e do feminino. Era seu traje ver de antemão os futuros universitários. Levava o vôlei a sério. – A Kobayashi-chan teve sorte de você vir para cá.

Haru não sabia o que responder. Sua respiração alterou desde que o viu ao seu lado. No primeiro dia de aula, o time masculino fez um jogo demonstrativo para incentivos inscritos no clube e Setsuo, o capitão e ace, se destacou tanto que a impressão de superioridade e detalhes ficaram gravados em sua retina. Além disso, ele foi o primeiro estudante a falar com ela, lembrando-se da partida em que ela perdeu a medalha de ouro.

- Esqueci que você gosta de assistir partidas de garotinhas menores de idade. – ela piscou para ele, usa o agasalho para sair. Riu alto da expressão envergonhada do homem 20 cm mais alto. – Até amanhã, capitão!

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Observações

Shogi – jogo de tabuleiro, semelhante (mas não igual) ao xadrez. Tem campeonatos nacionais e internacionais de shogi. Um anime muito bom que mostra esse jogo é Sangatsu no Lion.

Sumimasen – Desculpe.

Ohayou – Bom dia.

Arigato-gozaimasu – Muito obrigada.

Obentôs – Marmita.

Mini-onigiri – bolinho de arroz recheado envolto por uma folha de alga.

Kouhai – no âmbito profissional ou escolar, quem é novoto.

Senpai - no âmbito profissional ou escolar, quem é.

Suiyama sensei – uma pequena curiosidade, a professora Suiyama é uma participação especialíssima da Shunrei de Cavaleiros do Zodíaco. De vez em quando, personagens de outros animes aparecem por aqui. ;-)

Moniwa Kaname – ex-capitão do Datekougyou. No anime, ele aparece no episódio 15.

Tantos personagens novos, né?! Espero que não esteja muito confuso. Turmas novas, novas relações, novos clubes, novas tretas. Cada mergulho é um flash nessa história!

Eu morri de rir de imaginar o Sugawara comendo a obentô feito por Haru. Eles só se metem em situações inusitadas... rsrsrs!

Agradecida por ler e acompanhar!

Até o próximo capítulo.

Beijos,

Jasmim