Capítulo 6
"If you ever find yourself lost in the dark
And you can't see, I'll be the light to guide you1"
Count on Me, Bruno Mars
Assim que chegou à casa de Renly, Brienne expôs os acontecimentos de seu dia ao amigo, que ainda terminava de se arrumar.
— Se você quiser, eu posso arrebentar a cara dele — Renly falou sério e Brienne não conseguiu deixar de rir.
Assim como ela, Renly aprendera algumas lutas durante a adolescência, porém, apesar de ter uma musculatura definida, todos que o conheciam sabiam que ele era uma pessoa que não conseguiria bater nem em um mosquito.
— Você sabe que eu sei me defender se for preciso, e que luto bem melhor que você. — Renly riu também. Esta era a mais pura verdade. — Não é isso o que me preocupa — Brienne prosseguiu. — O que me irrita é o fato de Jaime estar, praticamente, me chantageando para encontrá-lo e eu não ter opção além de aceitar, mesmo que já tenhamos deixado bem clara nossa aversão um ao outro. O que ele está tramando?
— Você quer a resposta que gostaria de ouvir ou a sincera? — Renly perguntou sentando-se de frente para ela na cama, sem camisa.
Seus cabelos ainda estavam úmidos, permitindo que algumas gotas de águas escorressem pelos fios pretos e curtos. Brienne encarou os olhos castanhos dele emburrada, sabendo que se arrependeria do que ia dizer.
— É óbvio que prefiro a resposta sincera, Renly — disse num dar de ombros. — Somos amigos há muitos anos e já passamos por muita coisa juntos. Se há alguém que sempre pode ser sincero comigo, é você.
— Eu sei, Bri — ele replicou sorrindo e apertando a mão dela com suavidade. — Eu só queria ter certeza porque acho que você não vai gostar muito do que vou dizer.
Ela o encarou em expectativa e Renly continuou: — Depois dos preconceitos que enfrentou durante nossos anos naquela escola horrorosa e pelos quais, volta e meia, continua sofrendo, você se fechou pro mundo; e isso é totalmente compreensível, mas também é muito ruim, pois significa que também se fechou pra inúmeras oportunidades e pessoas que ainda vão surgir na sua vida. Acho que está na hora de você parar de se esconder na sua casca.
— Renly, você está falando como se houvesse algum interesse romântico nisso tudo, e não há — Brienne respondeu envergonhada, fazendo-o rir. — Não há!
Renly voltou a se levantar e seguiu até o guarda-roupa. A hora estava passando e ele ainda não decidira que camisa vestir.
— Pare de mentir pra si mesma — ele pediu ainda rindo. — Posso não ser tão interessando em música quanto você, mas me lembro muito bem de como seus olhos brilhavam quando falava desse tal de Jaime. Aposto que o pôster da banda ainda está pendurado atrás da porta do seu quarto.
— Isso não quer dizer que eu goste dele nesse sentido. Aliás, depois do que vi e ouvi hoje, não gosto dele em nenhum sentido.
Renly a encarou com ceticismo e voltou a se aproximar da amiga.
— Sério, Bri? Sério mesmo? Porque tenho certeza de que você sempre teve uma paixonite por ele e que, apesar de estar magoada, isso não mudou.
Brienne ficou ainda mais desconcertada.
— É sério, Renly — ela falou revirando os olhos e tentando disfarçar seu embaraço. — Não há interesses amorosos nessa história. De nenhum dos lados.
— É mesmo? Então por que toda essa apreensão em se encontrar com ele? Na melhor das hipóteses, você recupera seu caderno e pode acabar percebendo que ele não é tão idiota assim; e na pior delas, você recupera seu caderno e não precisa mais olhar pra cara dele. Qual é o problema? Sei que vocês discutiram, mas ele te ligou, admitiu que estava errado e pediu desculpas.
— Eu sei, mas...
Brienne não tinha argumentos além da briga que tiveram. Jaime fora incrivelmente estúpido, porém parecia genuinamente arrependido e tentava se redimir. Por que ela estava tão relutante em aceitar isso?
— Você está certo — admitiu por fim. — Eu estou com medo. Não me sinto à vontade em conhecer novas pessoas e estou confortável assim.
— Você disse bem. Está confortável, o que também indica estagnação. Ninguém vive bem se escondendo desse jeito. Você é uma mulher incrível e, mesmo que o Jaime não descubra isso, há outras pessoas que gostariam de descobrir. É claro que você pode acabar se machucando um pouco no processo, sei disso por experiência própria e você também, já que viu como o Loras conseguiu me destruir — Renly passou a mão por seus cabelos, pensando, por um momento, em suas próprias decepções amorosas —, mas, apesar disso, acredito que não há graça nem sentido na vida se não houver riscos e algumas cicatrizes. Pelo amor de Deus, Bri, já está na hora de você começar a viver.
A jovem ponderou as palavras de Renly por alguns segundos silenciosos e, por fim, suspirou.
— Acho que tem razão — concordou. — Você é um bom amigo, Renly.
— Eu sei — ele anuiu rindo e piscando um olho para ela antes de finalmente escolher uma camisa azul e vesti-la.
— E qual é a resposta que eu gostaria de ouvir? — a jovem indagou curiosa.
— Que não devia encontrá-lo. — Os dois caíram na gargalhada. Renly realmente a conhecia bem demais.
Sentindo-se mais relaxada, Brienne decidiu enviar logo a mensagem marcando o encontro com Jaime.
Brienne:
Podemos nos encontrar na cafeteria
que fica na esquina da rua do mercado onde nos conhecemos.
Às 16h.
Provavelmente ele só a responderia na manhã seguinte, então Brienne tratou de aproveitar o resto da noite com Renly; e se divertira muito. Era sempre assim quando saíam juntos para dançar.
Ao chegar em casa de madrugada e se jogar em sua cama, a jovem colocou o celular para carregar e percebeu que Jaime a havia respondido.
Jaime:
Mal posso esperar. ;)
Apesar do cansaço e do sono, a jovem sentiu o ar lhe faltar ao ler a resposta dele. Pensara que, ao chegar em casa, se deitaria e dormiria rapidamente, mas era inevitável pensar no que aconteceria no dia seguinte. Ainda mais depois daquela mensagem.
1 "Se você se encontrar perdido no escuro
E não puder ver, eu sou aquele que vai guiá-lo". Tradução Livre.
