Oii!
Capítulo Vinte e Seis
Meu Vizinho e o Skate
Grávida, Renata estava grávida.
— Você está grávida — murmurei. — De quanto tempo? — Minhas mãos começaram a tremer e eu as apertei embaixo das coxas, tentando conter a descarga de nervosismo que descia em mim.
— Pouco mais de dois meses, descobri alguns dias antes do Natal — murmurou de volta, seus olhos se enchendo de lágrimas. — Eu juro que não queria ter sumido assim, Bella, mas estava apavorada de você…
— Reagir mal? Porque estou reagindo mesmo bem mal agora — debochei, ainda sentindo minhas mãos tremerem.
— Eu não sabia como seria sua reação, sim, mas estava mesmo com medo disso fazer você se afastar de mim. Porque eu… Bella, eu vou ficar com este bebê. — Eu ri, uma risada que foi acompanhada por grossas lágrimas cobrindo meu rosto.
— E você achou que eu ia fazer o que com essa informação? Te obrigar a mandar esse bebê para a adoção por ter sido assim na minha vez? Que tipo de pessoa você acha que sou? E com medo de me afastar, Renata, parabéns por ter se afastado. — Fiquei de pé, aquela altura meu corpo todo tremia. — Espero que seja uma gestação tranquila, que você e o bebê sejam felizes e que eu nunca mais precise olhar na sua cara.
Eu saí da praça de alimentação praticamente correndo, como imaginei, Renata não me seguiu. Quando cheguei ao estacionamento onde estava meu carro percebi que não tinha chance alguma de pegar minha moto daquele jeito.
Recorri as únicas pessoas que queria ver naquele momento, mandando uma dezena de mensagens para meus pais, até que Aro as visse primeiro e anunciasse que estava indo me buscar. Sequer liguei para minha moto, apenas segui para a frente do shopping, indo esperar ali meu pai me buscar.
Quando ele chegou, eu dei um pulo para dentro do seu carro, o esmagando em um abraço. Ele me abraçou de volta, disse que ficaria tudo bem e que ele estava ali para cuidar de mim.
— Sobre sua moto…
— Não me importo com nada agora. Só vamos para casa.
X
Eu estava encolhida no sofá, tinha algum tempo que já estávamos em casa. Meus pais, Jake — que antes de chegarmos estava com sua babá — e eu jantamos sem tocar no assunto e depois que meu irmão foi dormir, Aro e Charlie me sentaram na sala para uma conversa.
— Por que você não disse que viu Caius? — papai Aro perguntou.
Em uma das mensagens que mandei tinha colocado para fora sobre ter visto Caius dias atrás.
— Talvez porque eu sou ótima em esconder detalhes importantes da minha vida como Renata — falei amargurada.
— Bella. — Charlie suspirou e sentou-se ao meu lado. — Você deveria ter contado sobre ter o visto, nem consigo imaginar como isso deve ter ficado em sua mente nos últimos dias lhe torturando.
— Por que eu sou assim? — perguntei baixinho, abraçando com mais força minhas pernas.
— Assim como, querida? — Aro sentou junto de mim também.
— Facilmente descartada, poxa, Renata realmente achou que eu fosse surtar por ela estar grávida? Quero dizer, não estou surtando agora só por isso, tá? Se ela não tivesse sumido por mais de um mês, se tivesse me deixado participar. — Novas lágrimas cruzaram por meu rosto. — E Caius tem uma filha, uma irmã que eu nunca vou conhecer. E agora tô aqui chorando por eles, enquanto deixo vocês magoados por terem adotado uma idiota.
— Bella, ei, do que está falando!?
— Que vocês adotaram uma ingrata, não é isso que sou? Sempre cuidaram de mim, mesmo assim nunca tirei Renata da cabeça, e mesmo com tudo que fizeram eu ainda choro por um pai que sequer me queria nascendo.
— Escuta aqui, mocinha. — Aro segurou meu rosto entre suas mãos. — Nós nunca te consideremos idiota, ou ingrata, pelo contrário, você é a garota mais inteligente e de bom coração que existe.
— E Bella. — Charlie tocou em meu ombro, fazendo com que eu o olhasse. — Você passou nove anos da sua vida em lares adotivos. — Eu solucei ao me lembrar daquilo. — Mais tempo do que está conosco ou do que ficou com Renata, nós seriamos os idiotas se cobrassemos que você não tivesse questões a lidar sobre seu passado, filha.
— Vocês não me odeiam por ter procurado Renata?
— Filha — Aro disse, segurando minha mão entre as suas. — Eu só fiquei com raiva de uma vez na vida que foi quando falou que não gostava tanto assim da Cher. — Aquilo me fez rir um pouco e me mover no sofá até poder abraçá-lo, acabando o abraço deitada em seu ombro. — Nunca tivemos raiva por você ter procurado Renata, entendiamos que você precisava reencontrá-la.
— E vamos entender a decisão que você tomar agora sobre ela, desde que seja uma decisão consciente. — Charlie segurou minha outra mão. — Você precisa voltar para a terapia, Isabella, não devia nem ter saído para começo de conversa.
— Achava que estava na hora de lidar com meus problemas sozinha, que nenhum cara ia querer uma garota que precisava de terapia, que ninguém ia querer lidar comigo e com meu passado complicado, e que talvez eu estivesse o tornando complicado por ainda dar tanta importância. — Mais e mais lágrimas deslizaram por meu rosto. — Sei que é ridiculo pensar assim, que terapia é ótimo, eu só queria… Sei lá, caminhar por conta própria, eu larguei a terapia e depois conheci o Mike e tudo parecia estar se ajeitando na minha vida. — Solucei outra vez.
— Você vai voltar, isso é uma ordem — Aro falou, eu concordei com um aceno de cabeça, sabia que precisava voltar o quanto antes. — E vai tomar um banho quente e tentar dormir, ok? Precisa descansar.
— Certo. — Afastei um pouco meu corpo do dele, mas nossas mãos continuaram juntas, assim como Charlie também seguia me segurando. — O que eu faço sobre Renata?
— Bella, você está magoada, precisa pensar e tomar suas decisões depois disso. Seus sentimentos estão uma loucura agora, não vá querer tomar decisões permanentes no calor do momento, isso só vai complicar ainda mais tudo. — Aro beijou minha cabeça demoradamente. — E eu amo você, Isabella Volturi. — Fez com que eu olhasse para ele novamente. — Você pode não acreditar em mim, mas te amo desde a primeira vez que te vi.
— Eles tinham minha pior foto no arquivo de adoção — comentei, já conhecendo aquela história.
Ele riu e limpou minhas lágrimas.
— Mas tinha ali no cantinho uma frase dizendo que você queria um lar, natais em família e alguém para rir ao seu lado — papai Aro continuou a falar. — E você sabe que…
— Papai Charlie disse algo parecido quando vocês se conheceram — completei e olhei para meu outro pai, que sorria e tinha olhos marejados voltados para nós dois.
— Nós temos tudo que sempre quisemos com você e Jake, Bella. — Charlie soltou minha mão e afagou meus cabelos. — Não se esqueça, nem por um segundo, que é nossa filha. Não importa o que aconteça lá fora, aqui sempre será seu lar, você nunca estará sozinha. Amo você, e amo a pessoa que é, nunca se ache inferior a alguém, nunca mais se sabote para tentar caber em expectativas alheias, ok? — Eu assenti. — E se você não voltar para a terapia, juro que sumo com aquela moto e te dou uma bicicleta com rodinhas no lugar.
— Ai, a minha moto, está trancada no shopping e…
— Calma — papai Aro pediu. — Amanhã nós resolvemos isso, ok? Agora vai descansar, não vamos te deixar faltar aula amanhã.
Revirei meus olhos teatralmente, mas os abracei com força antes de levantar do sofá.
— Amo vocês, obrigada por tudo.
Eles me abraçaram de volta, deram beijos na minha cabeça e por fim me mandaram mais uma vez ir descansar. E eu fui, tomei um banho bem quente, coloquei pijamas que tinha ali e me joguei na cama do meu quarto, porém não conseguia pegar no sono e minhas coisas estavam na sala, sendo assim fiquei revirando no colchão esperando o sono aparecer, até ser distraída por uma batida na porta.
— Pode entrar.
Pensei que era algum dos meus pais, ou até mesmo Jake, mas quem surgiu ali foi Edward. Vê-lo ali fez com que eu sentasse na cama tão rápido que fiquei até tonta, ele deu um pequeno sorriso, fechou a porta atrás de si e ao sentar comigo me envolveu em seus fortes braços.
— Como veio parar aqui? — perguntei.
— De carro, você sabe o que é? — provocou, tentei me soltar dele, mas Edward não deixou. — Você sumiu, ninguém conseguia uma resposta sua, aí Rosalie falou com Aro e ele contou que estava aqui, que tinha tido um problema com Renata. Aí eu liguei pro Charlie, perguntei se você estava precisando de algo, ele falou que roupas, Alice e Rosalie separaram algumas e eu trouxe, estão lá embaixo.
— Obrigada — agradeci. — Você vai dormir aqui comigo?
— Bom, seus pais ofereceram o quarto de hóspedes, mas acho melhor deixar você sozinha.
Só que eu não queria ficar sozinha, queria ficar com ele.
— Amanhã a gente toma café juntos na faculdade antes de eu pegar o ônibus para Reno e das suas aulas, que tal? — Terminou o abraço, colocando mechas dos meus cabelos atrás de minhas orelhas. — Se você quiser contar o que rolou com Renata, claro.
— Ela está grávida e escondeu de mim, se afastou porque achou que eu fosse pirar, não tem muito que contar além disso. — Olhei para baixo. — Mas a gente pode tomar café amanhã, preciso te dar um beijo de despedida antes de você ir para seu jogo em outro estado, para dar sorte.
— Combinado. — Ele colocou a mão em seu bolso, tirando de lá a chave do seu carro e um pacote de M&M's. — Seus pais falaram que sua moto ficou em São Francisco ontem, pode usar meu carro até ter ela de volta, ou até quando quiser, tanto faz. Eu pego um uber. — Afagou meu rosto. — Até amanhã, Ratinha.
Beijou minha boca e foi embora, enquanto eu segurava dentro de mim a vontade de dizer que estava apaixonada. Precisava mesmo voltar para a terapia, quem sabe assim resolveria todo aquele dilema sobre Edward e Demetri dentro do meu coração.
X
Rosalie e eu nos despedimos de Emmett e Edward logo após o café da manhã, eles iriam de ônibus até Reno para o jogo que aconteceria naquele mesmo dia e voltariam na manhã seguinte, mas eu já estava com saudades do meu vizinho irritante. O abracei, beijei escondida no seu carro para meu pai não ver e o intimei a ganhar aquela partida.
— Pode ficar tranquila que vamos ganhar, ter ficado de fora do jogo passado e ver o time perder foi terrível, não vou deixar mais uma perda impactar a temporada.
Franzi o cenho diante da fala dele e perguntei:
— Você tá mudando de ideia?
— Sobre o futebol americano?
— É.
— Não — negou com certeza em sua voz. — Só que estes serão meus últimos jogos, um esporte que pratico desde cedo, não quero me despedir sem uma vitória e quero que seu pai sinta-se minimamente orgulhoso de mim e não arrependido por completo de ter gasto tanto tempo me treinando. Ele foi até minha escola umas três vezes me ver jogar, e me convencer a vir para Berkeley, nem queria vir para cá, queria uma faculdade na costa leste para ficar longe da minha família — falou a última parte em um tom de voz bem baixo.
— Não sabia desse detalhe da costa leste.
— Pois é, eu adoro a Califórnia, mas ficar aqui não era meu plano.
— E agora?
— Como?
— Depois que você se formar, que não tiver mais obrigações com um time e ter comprado uma briga com seu pai por conta do dinheirão que vamos doar, qual será seu plano para o futuro?
Ele respondeu sem hesitações.
— Vou embora, talvez Boston ou New York, não sei, vou decidir.
— Entendi.
Outro ponto de desencontro em nosso futuro, mas eu já deveria esperar por aquilo, não?
— É melhor eu ir agora, não quero atrasar o ônibus.
Nós saímos do carro dele e fomos para perto do ônibus, Edward me abraçou por dois segundos antes de entrar. Até Emmett me abraçou por mais tempo, depois soltou um gritinho de vitória e também foi para o ônibus.
— Você precisa arrumar uma mala — Rosalie falou para mim quando o ônibus partiu.
— Quê? — perguntei confusa, minha amiga virou pra mim, com um sorriso maior do que o rosto e anunciou:
— Nós vamos para Reno!
— Tá doida? Não vamos. — Eu ri.
— Vamos sim, porque eu vou ver meu noivo jogar e você irá ver o seu.
— Rosalie…
— Bella, sem enrolação, já está tudo planejado. Tanya ficará de olho no Yoda para mim, eu me livrei do meu grupo de estudos de amanhã e as nossas passagens estão compradas, saímos às quatro da tarde.
— Não vou pegar um ônibus para Reno só para…
— Que ônibus, nós vamos de avião, um oferecimento de Emmett McCarty. — Tirou do bolso de sua calça o cartão do noivo.
— Deve ser muito bom ter um sugar daddy. Ele sabe que estaremos lá?
— Não, será uma surpresa, então nada de contar para seu noivo.
— Rose, eu não quero ir. Tem tanta coisa rolando.
— Bella, essa viagem fará você se distrair. Vamos ver os meninos jogar, você fica no nosso quarto com Edward e eu vou pro dele e do Emmett no hotel, amanhã voltamos e pode voltar a se preocupar com o que quiser. Mas, agora, tô te propondo um escape. Vai comigo ou não?
— São bons lugares no avião?
— Os melhores!
X
Não vimos os meninos antes do jogo, até porque eles estavam na concentração, sendo assim fomos direto para o hotel. Trocamos de roupas, colocando camisas do time, a minha atrás tinha não só o número da de Edward como o sobrenome dele, e a de Rose o número e sobrenome de Emmett, em seguida fomos para o estádio para conseguirmos bons lugares.
Já estavamos quase lá quando papai Aro me enviou uma mensagem.
Papai Aro: O amigo da Renée deixou sua moto no estacionamento perto do seu prédio, e a chave comigo. Como está por aí por Reno?
Eu tinha avisado meus pais sobre a viagem, mas pedido que Charlie não contasse nada para Edward porque Rose queria que fosse uma surpresa para o noivo dela.
Filha: Tudo bem, já estamos indo para o estádio, obrigada por dar um jeito de resgatar minha moto.
Papai Aro: Sem problema, se cuide!
Filha: Pode deixar, te amo.
Papai Aro: Também te amo.
A gritaria no estádio era intensa, mesmo assim Rosalie gritou por Emmett quando o time entrou no campo. Eu estava de olhos focados em Edward, que conversava com meu pai antes do jogo começar, não me contive e gritei por ele também:
— Emo!
E ele olhou na minha direção, mas para algumas fileiras abaixo, até que Rosalie puxou um coro com o sobrenome dele e o resto do pessoal que tinha ido de Berkeley — por conta própria não no cartão ilimitado do McCarty — para Reno, começou a gritar também e a apontar para mim, todos me reconhecendo como a noiva do quarterback. Com isso tudo, Edward me localizou, sorrindo para mim, o que foi fácil de ver já que ele ainda não estava com seu capacete.
Com isso Emmett também viu Rosalie, apontando para ela e fazendo um coração com as mãos, depois mandando beijos no ar que minha amiga fingiu pegar com suas mãos. O amor era ridículo, mas eu faria o mesmo se Edward mandasse beijos para mim, coisa que ele não fez, obviamente.
Ao menos o jogo foi bom, ganhamos por pouco, mas ao menos ganhamos e isso era o importante naquele momento. E quando a partida acabou Rosalie agarrou minha mão e me levou até a saída do vestiário, Emmett foi o primeiro a sair, com os cabelos completamente encharcados respingando em sua camiseta e logo os dois estavam se agarrando como se estivessem dias sem se verem e não poucas horas. Mas, novamente, eu faria o mesmo se Edward não tivesse deixado o vestiário seguido do meu pai minutos depois.
— Oi, papai, excelente jogo. — O abracei.
— É, acho que vamos para a final da temporada — disse esperançoso. — Você vai dividir um quarto com Rosalie? — Gesticulou com a cabeça para minha amiga e Emmett que ainda estavam se agarrando. — Pode ficar no meu quarto, eu durmo no sofá.
— Hum, não — neguei rapidamente. — Nós pegamos dois quartos, para que ela tivesse um tempo com Emmett.
— Certo, vai querer jantar comigo? E você? — Se virou para Edward, que estava bem calado perto de nós dois.
— Claro, pode ser — concordou. — Plano Robin Hood — ele disse, primeiro não entendi, mas compreendi que aquilo era para meu pai quando Edward segurou minha mão e deu um beijo rápido em minha cabeça. Só que, Charlie estava tentando fazer Emm e Rose acalmarem as coisas. — Boa surpresa te ver aqui — Edward sussurrou para mim, eu sorri e beijei o rosto dele por um segundo.
X
Depois do jantar com meu pai, no restaurante do hotel, Edward e eu fomos para o quarto que Rosalie tinha reservado. Ela já estava no de Emmett e Edward, então mesmo se o Masen não quisesse teria que passar a noite comigo, ou conseguir um quarto só para si no hotel.
— Meu pai chegou hoje em São Francisco — contou, trancando a porta. — Quer que a gente jante com ele e um cara do Los Angeles Rams amanhã.
Eu arregalei meus olhos, Edward riu e se aproximou de mim, colocando suas mãos na barra da minha camisa e a puxando para cima lentamente.
— Ele vai conseguir uma proposta pra você com o time que ganhou o SuperBowl do ano passado? Que provavelmente vai para o deste ano novamente?
— É. — Deu de ombros.
Suspirei, mas não de tesão e ele percebeu.
— Você acha que eu deveria desistir da arquitetura? — Tirou as mãos da camisa, continuamos em pé proximos a porta, eu estava entre a parede do corredor de entrada e o jogador.
— Não, claro que não, é o seu sonho. Mas vou sentir saudades de te ver jogar — confessei e quando me dei conta de que estava sendo muito piegas, acrescentei rapidamente. — Você fica muito gostoso no seu uniforme.
Edward riu, mas não muito. Logo sua boca estava em meu pescoço e suas mãos novamente puxando minha camisa para cima, interrompeu o beijo só para tirá-la de vez. Depois suas mãos se ocuparam com meu sutiã, também o tirando enquanto voltava a beijar meu pescoço.
No entanto, antes que pudessemos ir muito além, ele resmungou algo e se afastou de mim por completo.
— O que foi? — perguntei confusa.
— Foi mal, eu ia finalizar aquele meu trabalho que é em dupla com Chelsea amanhã, mas como vai ter o jantar com meu pai terei que fazer isso agora. Sério, desculpa, mas é pra enviar até a madrugada de domingo. — Beijou meus lábios por meio segundo antes de se afastar de novo, tirando o celular do seu bolso. — Preciso ver se ela ainda tá acordada, e pegar meu notebook no quarto com Emmett sem ele, ou Rosalie me matarem. Você se importa se eu ficar fazendo o trabalho aqui?
— Não — respondi, evitando seus olhos, pegando meu sutiã e camisa, indo para o banheiro. — Pode ficar na cama que era da Rose, vou aproveitar e dormir cedo.
Me tranquei no banheiro, liguei o chuveiro e com o barulho da água disfarcei meu choro. Eu nunca tive Edward de verdade, mas por que sentia que estava o perdendo para aquela garota?
X
Eu fiz Edward me tirar do jantar com o pai dele no sábado, não estava com cabeça para isso e passei minha noite na casa dos meus pais jogando video game com Jake e assistindo filmes. Antes de voltar para meu apartamento parei em uma lanchonete para pegar um milkshake que estava morrendo de vontade de tomar, quando estacionei minha moto vi rostos conhecidos na praça diante da lanchonete.
Jasper, Alice, Benjamin, Peter e Edward. Alice estava sentada em um banco, lendo um livro, enquanto os garotos andavam em skates, até mesmo meu vizinho irritante, o que me deixou morrendo de curiosidade.
Ignorei a compra do milkshake, atravessei a rua e me juntei ao grupo. Jasper, foi o primeiro a me ver e rindo, anunciou:
— Ih Bella, você não pode estar aqui — anunciou, fazendo com que eu revisasse meus olhos.
Tinha sido naquela mesma praça que atropelei Edward, mas naquele dia ele só estava correndo pelo local com Emmett, não andando de skate.
— Oi, noiva. — O próprio se aproximou de mim, me dando um beijo na testa.
— Não sabia que você andava de skate — comentei.
— Não andava há alguns anos — confessou. — Desde o colégio, mas Peter e Benjamin me obrigaram a vir, aí encontramos Jasper e Alice aqui.
— Bella, precisamos do Edward no próximo jogo, por favor não o machuque — Benjamin brincou, fazendo com que revirasse meus olhos novamente.
— Ei, não enche o saco dela! — Edward gritou para o colega de time, mas quando se virou para mim, provocou também. — Por favor, não me machuque.
— Você é um idiota.
Ele riu, mas segurou meu rosto entre suas mãos e me beijou. Claro que eu correspondi, mesmo que ainda estivesse chateada por ele ter ido gastar o nosso tempo em Reno em uma ligação com Chelsea. Quer dizer, ele tinha lembrado dela justamente durante nossa pegação, aquelas coisas magoaram.
— Quer que eu te ensine? — perguntou quando o beijo acabou.
— O quê?
— A andar de skate, acho que serei um bom professor — Beijou o canto do meu olho direito. — O que me diz?
— Você tá falando sério? E se eu te machucar?
— Você não vai me machucar, Ratinha. — Mais um beijo e eu me vi dizendo sim para suas aulas.
Edward não tinha um skate, sendo assim pegamos o de Benjamin emprestado para que eu pudesse usar. Com o auxílio do Masen subi na prancha, segurando a mão dele com firmeza para não acabar machucada, ou machucando outra pessoa.
— Tá prendendo a respiração, Bella. Calma, não vou deixar você se machucar. — Ele tinha a outra mão atrás do meu corpo e sabia que os reflexos bons dele realmente me segurariam caso desse alguma merda. — Ok, agora você precisa colocar o pé esquerdo na frente.
— Preciso?
— Você anda todo dia naquela moto, o skate é coisa pouca.
— Certo, vamos lá. — Coloquei meu pé esquerdo mais a frente e praticamente enfiei minhas unhas na mão de Edward.
— Ratinha, não vou deixar você se machucar — repetiu, eu assenti, mas continuei com as unhas cravadas em sua mão. — Agora você vai colocar o pé direito no chão e empurrar com ele, curva um pouco o joelho esquerdo.
Inspirei fundo e fiz aquilo, ainda com ele me segurando. O skate se movimentou e eu sorri, lembrando como aquilo era mesmo divertido, por isso tinha tentado aprender no passado.
— Consegue empurrar para mais rapidez? Empurra e coloca o pé direito na prancha.
Concordei e fiz aquilo, tremi um pouco, mas Edward estava acompanhando meu ritmo e senti confiança nele ali para me aparar. O skate com mais velocidade era ainda mais divertido.
— Viu? Você tá indo muito bem — ele elogiou, me ajudando a parar. — Avisa quando estiver pronta para tentar sem eu segurar sua mão.
— Acho que agora — falei incerta, mas balancei a cabeça e disse com convicção. — Agora, vamos lá, sem você me segurando.
Edward sorriu e me beijou, quando se afastou disse:
— Essa é a minha garota!
Eu sequer consegui falar qualquer coisa de volta, estava chocada com o que ele tinha dito. E ele sequer parecia ter se dado conta do que falou, soltou minha mão e indicou o que eu deveria fazer novamente para ir sozinha.
Fiz aquilo, adorando a sensação de estar andando só, porém pensando em como adorei mais ainda a sensação de escutar Edward falar daquele jeito comigo. Nós continuamos com a aula, algum dos meninos tinha colocado música para tocar e começou uma que Edward reconheceu, pois começou a cantar junto e pelo ritmo parecia muito uma canção emo.
— Que música é essa? — perguntei, parando o skate para respirar um pouco, ele segurou minha mão novamente, me ajudando a conseguir estabilidade.
— I Miss You do Blink-182 — ele mal tinha acabado de falar e estava me abraçando, depois beijando com intensidade, em seguida, perguntou em meu ouvido. — Dorme comigo hoje?
— Sim — respondi sem titubear.
A cada dia meu tempo com ele chegava mais perto do fim, eu precisava aproveitar cada instante. Não adiantava ficar irritada por seu trabalho com Chelsea, não quando em breve eu não poderia ter mais nada de Edward.
X
Jacob e Edward estavam jogando futebol no quintal, enquanto eu lia um livro em meu kindle sentada na varadanda traseira da casa dos meus pais naquela noite de sábado. Charlie e Aro tinham viajado naquele dia para Santa Cruz, uma cidade da Califórnia que adoravam, para terem algum tempo sozinhos e voltariam só na noite do domingo.
Sendo assim, eu estava responsável por meu irmão. No começo daquela noite, Edward que sabia que eu estava lá, surgiu com coxinhas bem quentinhas. E isso acabou com um convite meu para ele dormir ali, mas para meu irmão e até meus pais — que avisei sobre o visitante — o Masen dormiria no quarto de hóspedes e não comigo, mas claro que iria mesmo ficar no meu quarto.
— Bella, vem jogar com a gente, deixa de ser chata — meu irmão chamou por mim.
— Você realmente me chamou de chata, mané? Vou te colocar de castigo — ameacei.
— Blá blá blá. — Jake mexeu a mão para imitar o som, eu tive de conter uma risada para não rir.
Edward se aproximou de mim, pegou a garrafa de água ao meu lado, bebeu um pouco e perguntou:
— Você não quer subir e dormir um pouco?
Eu tinha me queixado de dor de cabeça na noite anterior, que passei com ele no meu apartamento, tinha sido uma sexta-feira não comum, já que na hora do almoço tive minha primeira consulta com minha antiga psicóloga. A sessão inteira girou ao redor de um resumão da minha vida desde a última vez que estive com ela, mas eu não tinha contado sobre o plano Robin Hood ainda, ou sobre Edward, receosa de que aquilo fosse o atestado de que eu precisava ser internada por ser idiota, ou qualquer coisa assim.
Não tinha sido uma sessão maravilhosa, eu ainda estava muito desconfortável em voltar, no entanto, continuaria a terapia. Não só para meus pais não brigarem comigo, mas também por minha saúde mental.
— Não, estou bem — falei para Edward, ele não sabia da terapia, fora meus pais apenas Jazz, Alice e Rose sabiam.
— Edward, a chata da minha irmã vem jogar? — Jacob indagou.
— Ok, garoto. — Deixei o Kindle ali mesmo no chão perto da escada da varanda e andei até meu irmão. — Vamos jogar e vou acabar com sua raça.
Enquanto nós três jogávamos foi impossível não fantasiar com um futuro que nunca aconteceria, um que Edward e eu estávamos no quintal da nossa própria casa amarela jogando futebol americano com nossos filhos. Todos aqueles pensamentos me tiraram logo da brincadeira, falei que estava mesmo cansada para jogar e fui para dentro de casa, tomei um banho, vesti pijamas e não demorei muito para chamar Jake para fazer o mesmo, já estava na hora de ele ir dormir.
— Bella, o Edward é muito legal, ele disse que pode levar a gente pra jogar paintball amanhã. Podemos ir? Por favor, diz que sim!
— Paintball, sério? — reclamei, tinha jogado aquilo uma vez na adolescência e tinha sido um saco, demorou mais tempo do que gostaria para tirar a tinta do meu cabelo.
— Você não precisa jogar — Edward disse. — Pode ficar assistindo.
— Ah não, Bella, você precisa jogar — Jake insistiu. — Eu quero acabar com você no Paintball também. — Deu uma risadinha, apertei a bochecha dele, que logo deu um jeito de escapar do meu ataque.
— Vou jogar, mas será sem dupla como vocês dois fizeram no futebol americano e sim cada um por si. — Apontei para os dois. — Quem ganhar escolhe onde iremos almoçar.
Edward ganhou no Paintball no dia seguinte e fez a vontade do meu irmão, que escolheu ir almoçar pizza em um dos shoppings de Berkeley. Eu estava na praça de alimentação, esperando nossa pizza ficar pronta, enquanto Edward, arrastado por Jake, tinha ido ver os animais em um pet shop.
Quando a comida ficou pronta eles ainda não tinham aparecido, comecei a mandar mensagens para Edward, que me pediu mais um tempo e quando eles finalmente apareceram, eu quis surtar. Meu falso noivo carregava em suas mãos uma gaiola, uma gaiola com um hamster dentro e em seu rosto um sorriso gigantesco.
— Bella, olha o Ratinho! — Jake anunciou e eu quis ainda mais gritar naquele momento.
— O quê? — consegui falar.
— O Edward me deu ele, vai se chamar Ratinho, o que você acha?
Levantei da cadeira lentamente e questionei Edward:
— Ficou maluco?
— Vai, é um nome legal. — Piscou para mim.
— Não só pelo nome, mas por isso também, e ele nem é um rato, hamsters não são ratos — resmunguei. — Meus pais nunca que vão deixar o Jacob ter um hamster, papai Aro tem fobia de roedores.
— Sério? — Edward perguntou parando de sorrir e ficando tenso.
— Sim, acho bom você dar um jeito de devolver essa coisa, porque lá na casa dos meus pais ele não vai ficar.
— E se ficar no seu apartamento, Bella? — Jake sugeriu. — Vai, me deixa ficar com o Ratinho, eu vou lá visitar vocês.
— Tá doido? Nem pensar!
X
Assim que acabei o trabalho corri até o vestiário da lanchonete para falar com Edward, ignorei uma mensagem do pai dele pedindo que eu o convencesse a fechar contrato com o time de Los Angeles, ignorei uma mensagem de Demetri perguntando como eu estava e ignorei até as de Renata perguntando se podíamos conversar. A mulher vinha me mandando mensagens nos últimos dias, mas eu ainda não me sentia pronta para falar com ela.
Emo: Estou pegando nossa comida, mas já chego aí.
Li a mensagem de Edward, ele tinha me levado para cima e para baixo o dia todo. Minha moto estava ótima, mas eu não reclamei e o deixei me dar caronas aquele dia. O Masen também estava pegando comida chinesa para nós dois em um restaurante depois do seu treino prolongado aquele dia, sabia que ele estava até mais tarde ensaiando umas jogadas com meu pai.
Bella: Não se esquece que vai ter a consulta do Stuart amanhã.
No final das contas o pet shop não aceitava devoluções e como meus pais não aceitariam o hamster na casa deles, Edward ficou responsável pelo bicho em seu apartamento. Tivemos de o esconder em uma bolsa e tudo para que a senhora Wilker sequer sonhasse que estávamos levando um animal para o prédio, mas como ele não era barulhento como um cachorro, tudo parecia estar indo bem.
No entanto, fiz Edward e Jake mudarem o nome dele para Stuart, sem querer que o chamasse de Ratinho. E bom, talvez eu estivesse me apegando ao hamster. Queria até acompanhar Edward e ele na ida a veterinária no dia seguinte, onde Stuart passaria por um check-up, mas talvez não tivesse tempo para isso.
Emo: Eu sei, fica tranquila. Entrando no carro.
Rapidamente me troquei e saí da lanchonete, esperaria por Edward lá fora, não era perigoso pois ali perto tinha uma pizzaria que fechava mais tarde. Porém, me arrependi no momento que saí e vi um rosto conhecido.
Caius, parado na frente da lanchonete.
— Oi, Isabella — falou. — Podemos conversar?
Beijos!
Lola Royal.
23.01.24
