Nota: (1) Harry Potter e seus personagens não me pertencem. E sim a J.K. Rowling e a Warner Bros. Entertainment Int. Essa fanfic não tem nenhum fim lucrativo, é pura diversão.

(2) Contém relação Homem x Homem, portanto, se você não gosta ou se sente incomodado com isso, é simples: não leia.

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O sol já estava apontando no céu quando Pansy encontrou o amigo, horas depois, sentado naquele mesmo banco em que Tom o havia deixado no jardim de inverno da mansão. A roupa estava levemente umedecida pelo orvalho da manhã, mas ele não parecia com frio, tampouco cansado, mantendo os olhos perdidos nos arranjos de Jacintos. Aquela imagem angustiada, que mais se parecia a um quadro de Renoir, apertou o coração da menina, que, por um instante, pensou em se aliar à Dumbledore para derrotar o Lord das Trevas. No entanto, o toque suave sobre os lábios, o pequeno suspiro apaixonado e o sorriso que Harry parecia não conseguir mais esconder a levaram a arquear uma sobrancelha e se aproximar com cuidado, com a calma e receio de quem se aproxima de um filhote ferido.

- Harry – ela o chamou suavemente – você está bem?

Quando os belos olhos verdes se fixaram nos seus, a jovem bruxa se surpreendeu. Ela nunca os havia visto tão brilhantes.

- Você está bem, querido? – repetiu, sentando-se ao seu lado.

- Sim, eu estou bem.

- Tem certeza?

- Sim – Harry pareceu finalmente voltar a si e olhou ao redor, surpreso – Onde estão todos?

- O baile acabou há algumas horas. Estávamos preocupados com você, mas mamãe conseguia sentir sua magia aqui no jardim, sozinha, então pensamos que você queria um pouco de paz e sossego longe da festa.

- Obrigado – o pequeno sorriso sincero a fez sorrir também. Então, com suavidade, ela perguntou:

- Você quer me contar o que aconteceu?

Levantando-se, Harry se aproximou do pequeno lago repleto de vitórias-régias e ficou de costas para ela. Por um instante, Pansy achou que sua pergunta seria ignorada, mas ele respondeu em voz baixa, como se ainda estivesse dentro de um sonho e não quisesse acordar:

- Ele veio me ver. E ele me beijou. Mas não como no ano passado, na Câmara Secreta, dessa vez foi diferente, foi mais... Intenso.

- O que? – Pansy arregalou os olhos. Dizer que ela estava em choque seria um eufemismo. Harry havia acabado de admitir que o Lord das Trevas o havia beijado pela segunda vez e parecia estar encantado, não repudiado com a ideia – Harry, céus... Por Morgana, você está sob os efeitos da maldição Imperio?

O revirar de olhos sarcástico foi a resposta que ela obteve.

- Quero dizer... – continuou ela, ainda tentando processar as palavras do amigo –... O Lord das Trevas deve ter uns oitenta anos. Credo.

- Ele tem dezesseis – defendeu Harry – Eu não sei como ele fez isso, mas a memória que ele preservou no diário que eu encontrei ano passado tinha dezesseis anos. E foi esse diário que ele usou para voltar à vida, na mesma forma e imagem que havia conservado.

- Então tem dois Lord das Trevas andando por aí? Aquele que tentou matar você no primeiro ano e o que beijou você no segundo ano?

Harry corou, mas parecia tão confuso quanto ela.

- Er... Acho que sim – murmurou ele – Mas isso não parece certo, quero dizer, os dois parecem tão diferentes. Quando o encontrei no primeiro ano, Voldemort parecia completamente consumido pelas trevas, eu não conseguia sequer sentir o seu perfume, somente o ódio e a energia poderosa que ele emanava. Já Tom... – um pequeno suspiro escapou de seus lábios –... Ele é completamente diferente, Pam, suas ideias são diferentes, a magia dele é envolvente, não assustadora, e o seu perfume...

- Eu entendi – a ômega revirou os olhos, divertida – O primeiro é um psicopata assassino, sanguinário, que quer conquistar o mundo bruxo através de ideais retorcidos de pureza do sangue, e o segundo é o seu namorado.

- Pam!

- O que? É mentira?

- Ele não é meu namorado – um beicinho adorável adornava seus lábios.

- Ainda – piscou a menina, sorrindo ao vê-lo corar ainda mais – Eu só espero que a versão do bem tenha conseguido subjugar a outra, ou faça isso um dia, se for preciso.

- Eu realmente não sei como funciona isso, mas tenho certeza que Tom é mais poderoso que Voldemort. Tom parece... inteiro, sabe? Voldemort parece despedaçado.

Ela o encarou com ceticismo, mas não retrucou.

- É tão estranho pensar que aquele adolescente bajulando minha mãe era o Lord das Trevas.

- Ela enfartaria se soubesse.

- Nem me fale, quase fico tentada a contar que ela apertou as bochechas do Lord das Trevas – os dois riram. Harry agradecia a Merlin por ter uma amiga como Pansy, que nunca iria julgá-lo.

De repente, porém, a conversa dos dois foi interrompida por um espirro no meio das bromélias

Eles trocaram um olhar desconfiado e se aproximaram devagar, a varinha em riste. A princípio, não havia nada a vista, mas as bromélias sacudiam de tempos em tempos, como se houvesse alguma coisa presa entre as flores espessas. Então, quando estava a ponto de lançar um feitiço estuporante, Harry se viu derrubado no chão por um cachorro preto que rivalizava com o tamanho de um Husky ou Pastor Alemão adulto. O grito morreu em seus lábios ao sentir o cachorro lamber animadamente sua bochecha, como se o procurasse a tempos e finalmente o encontrasse.

- Que fofo!

- Au – foi a resposta eloquente do animal, que olhou rapidamente para Pansy e voltou a atacar Harry com pequenas lambidas em sua bochecha, o rabo balançando de um lado para o outro.

- De onde ele veio? – Harry a encarou com surpresa, conseguindo finalmente se separar do animal e se sentar no chão, acariciando seu pelo encardido.

- As chaves de portais sendo acionadas a todo momento podem ter enfraquecido as barreiras ao redor da mansão, por causa da saída de todos com o fim do baile, e provavelmente ele estava perdido na floresta. Tadinho. Veja como o pelo está sujo e cheio de nós.

- Acha que sua mãe vai deixar ficarmos com ele?

- O que Georgia não sabe, Georgia não surta – aquele sorrisinho malicioso assustaria o próprio Lord das Trevas – Venha, bebezinho, vamos preparar um banho com sais aromáticos e achar uma coleira cor-de-rosa antipulgas perfeita para você.

O cachorro ganiu assustado, como se entendesse o que ela falava.

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Eles conseguiram manter o novo animal de estimação escondido da Sra. Parkinson com sucesso, como se o próprio cão fizesse questão de se manter escondido, ficando em silêncio sempre que a mulher estava por perto e se esgueirando cuidadosamente para fora de seus olhos quando ela se aproximava dos jovens ômegas. Harry e Pansy, por sua vez, estavam encantados com a companhia do novo amigo, que parecia sempre disposto a brincar com os dois. Seu pelo agora reluzia com um brilho bonito e saudável e havia sempre uma generosa porção de bolo de carne em sua tigela, juntamente com água fresca e brinquedos diversos espalhados pelo quarto.

No momento de voltar para Hogwarts, Pansy engenhosamente lançou um feitiço para reduzir o tamanho do animal e o colocou na sua bolsa:

- Ele ficou tão fofo!

- Mas não parece muito animado com esse novo tamanho não – Harry riu ao ver o olhar emburrado do cachorro. Ônix, como o haviam chamado após uma longa discussão, ostentava um lacinho cor-de-rosa em uma das orelhas combinando com a coleira nova e com a bolsa lilás de Pansy, aonde permanecia imóvel, apenas com a cabecinha encolhida para fora.

Quando Hermione se juntou a eles no Expresso Hogwarts com Bichento no colo, por um instante, eles esperaram um pandemônio acontecer, mas os dois animais apenas trocaram um longo olhar antes de Bichento ronronar e se aconchegar no colo de Hermione ignorando a todos no vagão. Logo, eles começaram a conversar sobre as festas de fim de ano e nem mesmo Hermione conseguiu repreender Harry por se encontrar com a versão adolescente do Lord das Trevas revivida sabe-se lá de que forma ao ver o sorriso apaixonado no rosto do jovem ômega, ainda que sua curiosidade a tenha aguçado a pesquisar como a mesma pessoa poderia coexistir no mesmo tempo e espaço de formas tão diferentes. Horas na biblioteca a esperavam e Harry e Pansy apenas balançaram a cabeça sabendo que aquele assunto não poderia ter outro desfecho com a Ravenclaw.

A euforia que Harry sentiu por encontrar Tom no baile de máscaras perdurou por meses, principalmente porque seus sonhos com o Lord das Trevas eram cada vez mais vívidos e frequentes. Até o tempo parecia estar comemorando; à medida que junho se aproximava, os dias foram desanuviando e se tornando quentes, e só o que Harry e Pansy tinham vontade de fazer era passear pela propriedade jogando gravetos para Ônix brincar e se largar no gramado com vários litros de suco de abóbora gelado do lado, mas isso não era possível. Os exames estavam às portas e em lugar de se demorarem pelos jardins, os alunos tinham de permanecer no castelo, e tentar obrigar o cérebro a se concentrar em meio aos sopros mornos de verão que entravam pelas janelas. Até mesmo Draco havia parado de perseguir Harry e exigir explicações sobre o alfa que havia dançado com ele no baile – que Harry alegava inocentemente desconhecer –, para se concentrar em seus estudos, pois seu pai o mataria caso suas notas fossem menos do que perfeitas. Ou, pior, fossem menores do que as da ômega de sangue ruim, como o Sr. Malfoy tão eloquentemente chamava a Ravenclaw de quem Draco vivia reclamando por tirar notas maiores do que ele na escola.

- Algum de vocês viu o meu livro Numerologia e gramática?

- Eu vi, apanhei emprestado para ler na cama antes de dormir – disse Pansy, esgueirando um pedaço de salsicha para Ônix, que, agora no seu tamanho original, estava acomodado aos pés do trio em seu piquenique improvisado às margens do lago negro. A ideia do piquenique fora de Harry, pois se ficassem mais um dia estudando na biblioteca ou no salão principal, ele certamente enlouqueceria. Além disso, daquele jeito eles poderiam fazer companhia a Ônix, que parecia sempre radiante ao vê-los.

Contrabandear e manter um cachorro em Hogwarts não era tão difícil. Eles haviam construído uma casinha confortável para o novo amigo por entre as raízes de algumas árvores gigantes na entrada da Floresta Proibida, onde pouquíssimas pessoas se atreviam a frequentar, protegendo o lugar de olhos indiscretos com uma magia poderosa, capaz de manter afastados as pessoas e criaturas que circundavam a floresta. Além disso, os três faziam questão de manter os potes de água e comida sempre cheios e frescos, o que se refletia na barriguinha agora saliente do animal, que, para surpresa de todos, muitas vezes se aninhava com Bichento nas almofadas confortáveis que haviam transfigurado para eles.

- Eu não acredito que ainda não consegui ler o capítulo XII – Hermione começou a remexer no monte de rolos de pergaminho que tinha em seu colo, à procura do livro – É tão óbvio que vão pedir justamente aquele conceito no Exame.

- Sobre o que ela está falando, Pam?

- Não faço ideia.

Quando a semana dos exames começou um silêncio anormal se abateu sobre o castelo. Os alunos do terceiro ano saíram do exame de Transfiguração na hora do almoço, na segunda-feira, cansados e pálidos, comparando respostas e lamentando a dificuldade das tarefas propostas, que incluíra transformar um bule de chá em um cágado. E até mesmo Pansy revirou os olhos quando Hermione comentou que seu cágado parecia mais uma tartaruga, o que era uma preocupação mínima diante das preocupações dos demais.

- O meu tinha um conjunto de penas no lugar do rabo, que pesadelo...

- Era para os cágados cuspirem fogo?

- No final, o meu continuava com uma pintura de coração estampada no casco, vocês acham que vou perder pontos por isso?

Depois de um almoço apressado, eles seguiram direto para exame de Feitiços. Hermione estava certa; o Prof. Flitwick realmente pediu feitiços para animar. Harry exagerou um pouco nos dele, e Draco, que era seu par, acabou com acessos de riso histérico e precisou ser levado para uma sala sossegada, onde ficou uma hora, até ter condições de fazer o exame. Depois do jantar os alunos voltaram às salas comunais, não para relaxar, mas para começar a estudar Trato das Criaturas Mágicas, Poções e Astronomia.

Hagrid aplicou o exame de Trato das Criaturas Mágicas na manhã seguinte. Ele havia providenciado uma grande barrica com vermes frescos para a turma e avisou que para passar no exame, os vermes de cada aluno deveriam continuar vivos ao fim de uma hora. Uma vez que os vermes se criavam melhor quando deixados em paz, foi o exame mais fácil que qualquer aluno teve de prestar, o que também deu a Harry, Hermione e Pansy bastante tempo para conversarem com Hagrid sobre a expedição que ele faria para a Romênia, no próximo verão, a fim de ver alguns dragões.

Os três ômegas tiveram exame de Poções naquela tarde, que foi um desastre inominável. Por mais que se esforçasse, Harry não conseguia engrossar a sua infusão para confundir, e Snape, observando-o com um ar de satisfação vingativa, lançou em suas anotações uma coisa que lembrava muito um zero, antes de se afastar. Depois veio o exame de Astronomia à meia-noite, na torre mais alta do castelo; História da Magia na quarta-feira de manhã, em que Harry escreveu tudo que Florean Fortescue lhe contara sobre a caça às bruxas na Idade Média, enquanto desejava ter ali na sala sufocante um daqueles sundaes de choconozes que os elfos da mansão Parkinson sempre preparavam para eles.

Na quarta-feira à tarde foi a vez de Herbologia, nas estufas, sob um sol de cozinhar os miolos; depois voltaram mais uma vez à sala comunal, com as nucas queimadas, imaginando que no dia seguinte, àquela hora, os exames finalmente teriam terminado. O antepenúltimo exame, na quinta-feira pela manhã, foi Defesa Contra as Artes das Trevas. O Prof. Lupin preparara o exame mais incomum que eles já tinham feito; uma espécie de corrida de obstáculos ao ar livre, debaixo de sol, em que tinham que atravessar um lago fundo o suficiente para se remar, onde havia um grindylow; em seguida, uma série de crateras cheias de barretes vermelhos, depois um trecho de pântano, desconsiderando as informações enganosas dadas por um hinkypunk, e, por fim, subir em um velho tronco e enfrentar um novo bicho-papão.

- Excelente, Harry – disse Lupin quando Harry desceu do tronco, sorrindo – Nota máxima.

Animado com o seu sucesso, Harry ficou por ali para ver os exames de Pansy e Hermione. Pansy foi bem até chegar a vez do hinkypunk, que conseguiu confundi-la e fazê-la afundar até a cintura em um atoleiro. Hermione fez tudo perfeitamente até chegar ao tronco em que havia o bicho-papão. Depois de passar um minuto ali, a garota saiu correndo aos berros.

- Hermione! – exclamou Lupin, assustado. – Que foi que aconteceu?

- O P-Prof. Flitwick – ofegou Hermione apontando para o tronco – Ele disse que eu tirei zero em tudo!

Demorou um tempinho para Hermione se acalmar. Quando ela finalmente se recuperou do susto, enrolada no colo de Pansy, os três amigos voltaram ao castelo. O último exame de Harry e Pansy era Adivinhação; o de Hermione, Estudos dos Trouxas. Eles subiram a escadaria de mármore, juntos; Hermione os deixou no primeiro andar e Harry e Pansy prosseguiram até o sétimo, onde muitos colegas já se encontravam sentados na escada circular que levava à sala da Profª. Trelawney tentando enfiar na cabeça mais alguma matéria de última hora.

- Ela vai receber os alunos, um a um – informou Neville, trêmulo, quando os dois ômegas se sentaram perto dele. Ele era, afinal, um dos poucos Gryffindors agradáveis com quem os jovens ômegas conversavam eventualmente, quando ele não estava com Weasley por perto.

O garoto tinha o seu exemplar de Esclarecendo o futuro aberto no colo nas páginas dedicadas à bola de cristal.

- Algum de vocês já viu alguma coisa numa bola de cristal? – perguntou ele, infeliz.

- Não – respondeu Pansy num tom distraído.

A fila de pessoas fora da sala foi encurtando aos poucos. À medida que cada aluno descia a escada prateada, o resto da classe sussurrava: "Que foi que ela perguntou? Você se deu bem?" Mas todos se recusavam a responder.

- Ela disse que foi avisada pela bola de cristal que se eu contar a vocês, vou ter um acidente horrível – falou Neville, esganiçado, ao descer a escada em direção a Harry e Pansy, que agora tinham chegado ao patamar.

- Isto é muito conveniente – riu Pansy –, ela é uma trapaceira, e das boas.

Parvati desceu a escada com o rosto radiante de orgulho.

- Ela disse que eu tenho o talento de uma verdadeira vidente – informou aos dois e correu ao encontro de Lilá.

- Pansy Parkinson – chamou lá do alto a voz etérea que já conheciam. Pansy fez uma careta para o amigo e subiu a escada de prata, desaparecendo. Harry agora era o único que faltava ser examinado. Ele se acomodou no chão, apoiando as costas contra a parede, e ficou ouvindo uma mosca zumbir na janela ensolarada. Finalmente, uns vinte minutos depois, os delicados pés de Pansy, adornados por suas botas preferidas da Prada, reapareceram na escada.

- Como foi? – perguntou Harry se pondo de pé.

- Bobagem. Não vi nada, então inventei alguma coisa. Acho que ela não se convenceu, embora...

- Encontro você na sala comunal – murmurou Harry quando a voz da professora chamou "Harry Potter!".

Na sala da torre fazia mais calor que nunca; as cortinas estavam fechadas, a lareira acesa e o costumeiro perfume adocicado fez Harry tossir, enquanto se desvencilhava das mesas e cadeiras amontoadas para chegar onde a professora Sibila o esperava, sentada diante de uma grande bola de cristal.

- Bom dia, meu querido – disse ela com a voz etérea de sempre – Quer ter a bondade de examinar o orbe... Pode levar o tempo que precisar... depois me diga o que está vendo...

Harry se curvou para a bola de cristal e olhou, olhou o mais atentamente que pôde, desejando que ela lhe mostrasse algo mais do que a névoa branca em espiral, mas nada aconteceu.

- Então – questionou a professora com delicadeza – Que é que você está vendo?

O calor era insuportável e as narinas do garoto ardiam com a fumaça perfumada que vinha da lareira ao lado dos dois. Ele pensou no que Pansy acabara de lhe dizer e resolveu fingir.

- Hum... uma forma escura... hum...

- Com que se parece? – sussurrou a professora – Pense bem...

Harry vasculhou sua mente à procura de uma ideia e deparou com Tom, beijando-o no jardim da mansão Parkinson.

- Um jardim – disse com as bochechas coradas.

- Realmente? – sussurrou Sibila, tomando notas, com entusiasmo, no pergaminho sobre seus joelhos – E como está esse jardim?... Ele está em chamas?

- Não, senhora – respondeu Harry com firmeza.

- Você tem certeza? – insistiu a professora – Você tem bastante certeza, querido? Você não está vendo as flores se desvaecendo nas chamas?

- Não! – disse Harry, começando a se sentir meio enjoado.

- Não tem cinzas? Rosas queimando?

- Não! – respondeu Harry de novo, querendo mais do que nunca escapar da sala e do calor – O jardim está bem, lindo, florido...

A Prof a Sibila suspirou.

- Bem, querido, vamos parar por aqui... Um resultado decepcionante... mas tenho a certeza de que você fez o melhor que pôde.

Aliviado, Harry se levantou, apanhou a mochila e se virou para ir embora, mas, então, ouviu uma voz alta e rouca às suas costas.

"Vai acontecer à noite."

Harry se virou depressa. A beta havia ficado dura na cadeira; seus olhos estavam desfocados e sua boca afrouxara.

- D... desculpe? – disse Harry.

Mas Sibila não pareceu ouvi-lo. Seus olhos começaram a girar. Harry se sentiu invadido pelo pânico. Ela parecia que ia ter uma espécie de acesso. O garoto hesitou, pensando em correr até a ala hospitalar – e então a professora tornou a falar, com a mesma voz rouca, muito diferente da sua voz habitual:

"O Lord das Trevas e seu predestinado se unirão à noite. Aquele que fora marcado uma vez, receberá a marca definitiva ao final da última lua de sangue... Alfa e ômega... Estruturas solidificadas serão abaladas e uma nova ordem estabelecida no mundo que conhecemos... Trevas e luz se misturarão e não serão mais as mesmas... A contraparte despedaçada será absorvida e aquele que despedaçou sua alma a terá inteira outra vez..."

A cabeça da professora se pendurou sobre o peito. Ela fez um ruído gutural. Harry continuou ali, os olhos grudados nela. Então, de repente, a mulher beta aprumou a cabeça.

- Desculpe, querido – disse com voz sonhadora –, o calor do dia, entende... Cochilei por um momento.

Harry continuou parado, os olhos grudados nela.

- Algum problema, meu querido?

- A senhora... a senhora acabou de me dizer que o... Lorde das Trevas vai se unir a alguém...

A Profª Sibila pareceu completamente surpresa.

- O Lorde das Trevas? Aquele-Que-Não-Deve-Ser-Nomeado? Meu querido, isso não é coisa com que se brinque...

- Mas a senhora acabou de dizer isso! A senhora disse que o Lorde das Trevas...

- Acho que você deve ter cochilado também, querido! – disse a Profª Sibila – Eu certamente não me atreveria a predizer uma coisa tão incrível como essa!

Harry desceu a escada de corda, depois a circular, pensativo. Será que acabara de ouvir Sibila fazer uma predição de verdade? Ou será que isto era a ideia da professora de um fecho impressionante para os exames? Alguns minutos depois ele estava passando a entrada do salão principal, as palavras da Profª Trelawney ainda ecoando em sua cabeça. Ela estava falando de Tom? Ou de Voldemort, com quem Harry se encontrara no primeiro ano? A quem ele se uniria? Seria uma nova aliança para retomar a Guerra ou... – Harry corou – a união com um companheiro? As pessoas cruzavam por ele, rindo e brincando, a caminho dos jardins e da liberdade há muito esperada; quando ele alcançou a tapeçaria e entrou na sala comunal Slytherin, o lugar estava quase deserto. Após se jogar na cama para um cochilo antes do jantar, sem surpresa, ele sonhou novamente com Tom.

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- É claro que ela inventou tudo.

- Aquela mulher é uma charlatã de marca maior – Pansy concordou com a amiga – Ela não consegue nem prever o clima, isso se estiver com a sessão meteorológica do Profeta Diário aberta no colo.

Os três passeavam com Ônix às margens do lago negro após o jantar, aproveitando para finalmente relaxar a mente depois de todos aqueles exames. Harry havia contado para elas sobre a suposta previsão de Trelawney, mas as garotas pareciam céticas.

- A não ser que ela tenha profetizado sobre o acasalamento de vocês – Pansy o encarou com malícia – Uma marca sobre aquele que já fora marcado... Hum... Prepare o pescocinho, querido.

- Pansy!

As duas caíram na gargalhada ao ver o rosto do amigo vermelho igual a um pimentão. De repente, porém, Ônix ficou em posição de alerta e começou a rosnar para um ponto fixo no gramado e Harry notou que se tratava do rato de Weasley. Qual era mesmo o nome... Feridas? Chagas? Perebas?

Quando o cão saiu em disparada atrás do rato, os três se entreolharam e correram atrás dele.

- Ônix, volte aqui!

- Pare com isso!

- Ônix, não!

Eles chegaram ao grosso tronco de uma árvore bem a tempo de ver o rato se esgueirar e sumir por um grande buraco entre as raízes com Ônix em seu encalço. Os ramos estalavam como se estivessem sendo açoitados por um forte vento, avançavam e recuavam para impedi-los de se aproximar. Era o Salgueiro Lutador. Ou, como Pansy preferia chamá-lo, a maldita árvore assassina.

- Immobilus! – conjurou Hermione.

Abruptamente, como se a árvore tivesse se transformado em pedra, ela parou de se movimentar. Sequer uma folha virava ou sacudia.

- Vamos! – gritou Harry. Os três venceram a distância até o tronco em segundos, mas antes que pudessem alcançar o buraco nas raízes, Ônix deslizara para dentro com um aceno do seu rabo. Harry entrou em seguida; avançou arrastando-se, a cabeça à frente, e escorregou por uma descida de terra até o leito de um túnel muito baixo. Segundos depois, Hermione e Pansy escorregaram para junto do garoto.

Eles caminharam o mais rápido que puderam, quase dobrados em dois; à frente, o rabo Ônix entrava e saía do seu campo de visão. E a passagem não tinha fim. Então, o túnel começou a subir; momentos depois se virou e Ônix tinha desaparecido. Em vez do cão, Harry viu um espaço mal iluminado por meio de uma pequena abertura.

Os três pararam, procurando recuperar o fôlego, depois avançaram cautelosamente. Eles ergueram as varinhas para ver o que havia além. Era um quarto, muito desarrumado e poeirento. O papel descascava das paredes; havia manchas por todo o chão; cada móvel estava quebrado como se alguém o tivesse atacado. As janelas estavam vedadas com tábuas. Harry olhou para as amigas, que pareciam muito amedrontadas, mas concordaram com um aceno de cabeça. Ele saiu pelo buraco, olhando para todos os lados. O quarto estava deserto, mas havia uma porta aberta à direita, que levava a um corredor sombrio. Hermione, de repente, agarrou o braço de Harry. Seus olhos arregalados percorreram as janelas vedadas.

- Harry – cochichou ela – acho que estamos na Casa dos Gritos.

Harry olhou a toda volta. Seus olhos se detiveram em uma cadeira de madeira, próxima. Havia grande pedaços partidos; uma das pernas fora inteiramente arrancada.

- Fantasmas não fazem isso – comentou ele calmamente.

Naquele momento, os três ouviram um rangido no alto. Alguma coisa se mexera no andar de cima. Eles olharam para o teto. Hermione apertava a mão de Pansy com tanta força que ela estava perdendo a sensibilidade nos dedos, mas não reclamava. O mais silenciosamente possível, os três saíram para o corredor e subiram uma escada desmantelada até o patamar escuro.

- Nox – sussurraram ao mesmo tempo, e as luzes nas pontas de suas varinhas se apagaram. Havia apenas uma porta aberta. Ao se esgueirarem nessa direção, ouviram um movimento atrás da porta e em seguida um gemido baixo. Eles trocaram um último olhar e um último aceno de cabeça. A varinha empunhada com firmeza à frente, Harry escancarou a porta com um chute.

No chão empoeirado encontrava-se um homem muito baixo, um beta, quase do tamanho de Harry, Pansy e Hermione. Seus cabelos finos e descoloridos estavam malcuidados e o cocuruto da cabeça era careca. Tinha o aspecto flácido de um homem gorducho que perdera muito peso em pouco tempo. A pele estava enrugada, quase como a pelagem do rato de Weasley, e havia um ar ratinheiro em volta do seu nariz fino e dos olhos muito miúdos fechados. Aparentemente, ele estava desmaiado, uma ferida grande sangrando na barriga.

- Quem é esse homem? – perguntou Hermione.

- Onde está Ônix? – foi a pergunta de Pansy, olhando ao redor.

- Eu não sei – Harry murmurou, confuso. Então, com um estalo, um homem saiu das sombras e fechou a porta do quarto.

Uma massa de cabelos pretos e macios caíam até seus ombros. Estavam bem cuidados, como se usasse todos os produtos caros de Pansy, ou os shampoos importados de Ônix. Os olhos brilhavam num rosto anguloso, magro, mas saudável, de quem passara a comer boas refeições há pouco tempo. Os dentes brilhantes arreganhados num sorriso não deixavam lugar para dúvidas. Era o mesmo sorriso levemente insano impresso nos cartazes e nas matérias do Profeta Diário. Era Sirius Black.

- Crianças – cumprimentou ele, erguendo as mãos em sinal de paz – Eu não queria ter corrido daquele jeito, mas não podia deixá-lo escapar outra vez... Eu o encontrei. Finalmente, o encontrei...

- Do que você está falando? – Pansy perguntou num arrebatamento de coragem – Onde está Ônix? O que você fez com o nosso cão?

- Ônix. Eu gostei desse nome.

Ele deu uma risadinha e os três ômegas se entreolharam. Aquele homem era louco, sem dúvida.

- Eu teria gostado de me chamar assim, mas a família sempre fez questão de nomes de constelações. Uma tradição ridícula, se me perguntam. Essa e a prática de artes das trevas – divagava ele. Harry, então, sem tirá-lo da mira de sua varinha, perguntou:

- Você está aqui para me matar? Quer terminar o que Voldemort começou?

Sirius piscou lentamente e o encarou como se a pessoa louca naquele quarto fosse Harry.

- Do que você está falando, Harry?

- Você não está aqui para me matar?

- É claro que não! – grunhiu o homem, como se aquela fosse a pior ofensa que tivesse escutado em anos –– A única pessoa que morrerá esta noite é esse homem, Peter Pettigrew.

Todos olharam para o homem desmaiado no chão e Hermione se colocou na frente dele para protegê-lo:

- Esse homem é a razão para seus pais estarem mortos – explicou Sirius, impaciente – Ele entregou a localização deles para o Lord das Trevas, não eu! Eu nunca faria isso! E quando fui atrás dele para confrontá-lo, o desgraçado cortou o próprio dedo para me incriminar e fugiu como o rato que sempre foi. Uma forma animaga nunca foi tão precisa quanto a dele.

De fato, havia um dedo faltando na mão direita. E agora que pensava nisso, Harry também reparou uma vez que havia um dedo faltando na patinha do rato de Weasley, o mesmo rato que o Gryffindor havia se gabado de estar em sua família há doze anos. Na época, Harry achou estranho um rato viver tanto tempo, pensou ser algo relacionado do mundo bruxo, mas agora as coisas começavam a fazer sentido.

Ao ver a troca de olhares cética dos jovens ômegas, Black exclamou:

- Ora, vejam o braço dele! Esse maldito é um Comensal da Morte! Quando o mordi, ele perdeu as forças para manter a transformação e o feitiço desilusório que sempre cobriu seu braço.

Ainda com certo receio, Hermione empurrou cuidadosamente o braço do homem desmaiado para o lado, com a ponta do pé. Então, todos puderam ver claramente a tatuagem de um crânio com uma cobra saindo pela boca como língua. A marca negra. A marca dos seguidores de Voldemort.

- Lily e James só fizeram dele o fiel do segredo porque eu sugeri – contou Sirius, apertando os punhos, furioso – Achei que era o plano perfeito... um blefe... Voldemort com certeza viria atrás de mim, jamais sonharia que os dois usariam um sujeito fraco e sem talento como ele... Deve ter sido a hora mais sublime da vida infeliz dele quando contou a Voldemort que podia lhe entregar os Potter.

Harry, Pansy e Hermione trocaram um olhar receoso, mas baixaram as varinhas. Então, uma voz cansada surgiu com o rangido da porta se abrindo:

- Ele está falando a verdade, Harry.

- Prof. Lupin? – Hermione ofegou – O que está acontecendo...?

Mas ela nunca chegou a terminar a pergunta, porque o que viu fez sua voz morrer na garganta. Lupin havia baixando a varinha, os olhos fixos em Black. Então, o ômega foi até Black e o abraçou, lágrimas deslizando de seus olhos. Ele esfregou o rosto no pescoço do alfa para perfumá-lo, seu cheiro de chocolate agora pungente de dor e saudade.

- Ele é seu companheiro.

- Sim, Pansy – Lupin suspirou – Ele nunca me mordeu para não ser infectado pela minha condição, mas nós formamos um vínculo da mesma forma. E o que ele está dizendo é verdade, Harry, nós erámos amigos de seus pais, mas Pettigrew os traiu e incriminou Sirius.

- Isso é muita informação – Harry murmurou, mas viu o olhar de adoração de Sirius para o ômega em seus braços.

- Como você me achou?

Lupin tirou um pergaminho velho do bolso e entregou para o alfa.

- O mapa nunca mente. Quando vi Pettigrew nele achei que pudesse estar enganado, então, vi você pelos arredores do castelo e soube que você estava aqui para caçá-lo.

- Sim, eu vou matar esse desgraçado, meu amor. Finalmente, vou matá-lo.

- Você não vai fazer nada disso.

- Mas Harry...!

- Se você o matar, a prova de sua inocência também deixará de exigir – explicou o jovem ômega, como se fosse algo óbvio – Nós vamos levá-lo para o ministério e exigir que uma audiência emergencial de soltura seja designada para você.

- Eles vão interrogar esse tal Pettigrew com veritasserum – disse Pansy, seguindo a linha de raciocínio de Harry.

- Então, você será solto – concluiu Hermione, agora mais convicta das palavras do homem à sua frente.

- Vamos levá-lo para Dumbledore...!

- Dumbledore não é ministro, tampouco têm poderes legais para definir se você permanece preso ou solto – disse Harry, revirando os olhos para o alfa – Nós vamos usar a lareira do escritório do Prof. Lupin para ir até o ministério e resolver isso.

Sirius olhou espantado para os jovens ômegas. Ao seu lado, Remus os encarava com um brilho de orgulho em seus olhos.

- A senha para o meu escritório é lua nova.

- O senhor não virá conosco?

- Sinto muito, Harry. Hoje é lua cheia, não posso sair daqui. Inclusive, vocês precisam ir logo.

- Mas por quê...?

- O senhor é um lobisomem!

O professor ficou imóvel. Depois, com um pequeno suspiro, virou-se para Hermione e perguntou:

- Há quanto tempo você sabe?

- Há séculos – sussurrou Hermione – Desde a redação do Prof. Snape.

- Ele ficará encantado – disse Lupin tranquilo – Passou aquela redação na esperança de que alguém percebesse o que significavam os meus sintomas. Você verificou a tabela lunar e percebeu que eu sempre ficava doente na lua cheia? Ou você percebeu que o bicho-papão se transformava em lua quando me via?

- Os dois – respondeu Hermione em voz baixa.

Lupin forçou uma risada.

- Você é a bruxa de treze anos mais inteligente que já conheci, Hermione.

Ela corou e desviou o olhar, mas um pequeno sorriso orgulhoso apareceu em seus lábios.

- Dumbledore o contratou mesmo sabendo que o senhor é um lobisomem? – perguntou Pansy, ainda chocada com a sequência de revelações.

- Acredite, alguns professores se incomodaram mais com o fato de eu ser um ômega, do que com minha condição – respondeu Lupin com uma pequena risada melancólica – Ele teve que trabalhar muito para convencer certos professores de que eu sou digno de confiança...

Ele afastou os cabelos grisalhos da testa, parecendo ainda mais cansado, e Sirius o abraçou um pouco mais forte.

- Eu ainda era garotinho quando levei a mordida. Meus pais tentaram tudo, mas naquela época não havia cura. Quando comecei a estudar em Hogwarts, as minhas transformações eram mais dolorosas, então eu me escondia aqui.

- Os moradores do povoado ouviam o barulho e os gritos e achavam que estavam ouvindo almas do outro mundo – concluiu Harry, agora percebendo de onde vinha a fama da Casa dos Gritos.

- Exatamente. Mas tirando as minhas transformações, eu nunca tinha sido tão feliz na vida. Pela primeira vez, eu tinha amigos, três grandes amigos. Sirius Black, Pedro Pettigrew, e, naturalmente, seu pai, Harry, James Potter. Eles notaram os meus desaparecimentos e, como você, Hermione, descobriram a verdade. E não me abandonaram. Em vez disso, fizeram uma coisa por mim que não só tornou as minhas transformações suportáveis, como me proporcionou os melhores momentos da minha vida. Eles se transformaram em animagos.

- Meu pai também? – perguntou Harry, espantado.

- Certamente – foi Sirius quem respondeu com um pequeno sorriso nostálgico – Nós levamos quase três anos para descobrir como fazer isso, mas, no nosso quinto ano, finalmente conseguimos.

Pettigrew se remexeu no chão e soltou um gemido baixo. Aquilo chamou a atenção de todos.

- Precisamos ir logo – disse Harry, tirando do bolso a capa de invisibilidade, que sempre levava consigo encolhida magicamente – Vamos amarrá-lo e colocá-lo sob a capa para ninguém desconfiar.

- Petrificus Totalus! Incarcerous! – conjurou Pansy, sob olhares espantados.

O homem desmaiado agora estava petrificado e amarrado por cordas mágicas.

- O que? Assim não há perigo de ele acordar, se soltar e fugir.

- 10 pontos para Slytherin, Srta. Parkinson, por sua iniciativa e inteligência – disse Lupin e a menina sorriu, orgulhosa.

Voltar ao túnel foi difícil. Hermione desceu primeiro, abrindo o caminho para os demais. Harry e Sirius a seguiram, com Pansy em seu encalço, fazendo Pettigrew flutuar à frente com a cabeça mole batendo sem parar no teto baixo. Harry tinha a impressão de que a amiga não estava fazendo nada para evitar as batidas.

- Você sabe o que isso significa? – Sirius perguntou para Harry, abruptamente, enquanto faziam seu lento progresso pelo túnel – Entregar Pettigrew?

- Você fica livre.

- É. Mas eu também sou, não sei se alguém lhe disse, eu sou seu padrinho.

- Eu não sabia... – disse Harry, os olhos brilhando, maravilhado.

- Os seus pais me nomearam seu tutor – comentou o alfa, sem jeito – Se alguma coisa acontecesse a eles...

Harry esperou. Será que Black queria dizer o que ele achava que queria?

- Naturalmente, eu vou compreender se você quiser ficar com seus tios – continuou Sirius – Mas... bem... pense nisso. Depois que o meu nome estiver limpo... se você quiser uma... uma casa diferente...

Uma espécie de explosão ocorreu no fundo do estômago de Harry.

- Tipo, morar com você? – perguntou, batendo a cabeça, sem querer, numa pedra saliente do teto – Deixar a casa dos Dursley?

- Claro, achei que você não ia querer – disse Sirius apressadamente. – Eu compreendo, só pensei que...

- Você ficou maluco? – disse Harry, de um jeito que a Sra. Parkinson certamente repreenderia, por não ser a postura certa para um ômega – Claro que quero deixar a casa dos Dursley! Quando é que eu posso me mudar?

Sirius virou-se completamente para olhar o garoto; ouviram o estalo da cabeça de Pettigrew raspar o teto, seguida de uma risadinha e um "ops" de Pansy, mas não pareceram se importar.

- Você quer? – perguntou ele – Sério?

- Sério! – respondeu Harry.

O rosto ossudo de Black se abriu no primeiro sorriso verdadeiro que Harry já o tinha visto dar. A diferença que fazia era espantosa, como se uma pessoa dez anos mais nova se projetasse através da máscara de cansaço. Os dois não se falaram mais até chegar ao fim do túnel. Hermione saiu correndo à frente; evidentemente renovou o feitiço para imobilizar o Salgueiro Lutador, porque Harry, Sirius e Pansy subiram penosamente, mas não houve ruídos de galhos ferozes. Finalmente, todos conseguiram sair.

Os jardins estavam mais escuros agora; as únicas luzes vinham das janelas distantes do castelo. Sem dizer uma palavra, eles começaram a andar. A cabeça de Harry zumbia. Ele ia deixar os Dursley. Ia morar com Sirius Black, o melhor amigo dos seus pais... Sentia-se atordoado... Que iria acontecer quando dissesse aos Dursley que ia morar com o preso que tinham visto na televisão?

- Espera! – Hermione parou de repente. E todos se detiveram na mesma hora – Não podemos entrar no castelo com um foragido altamente procurado. E estamos usando a capa em Pettigrew.

- Eu vou voltar à minha forma animago.

- Ah, meu querido Ônix – Pansy suspirou melancólica, com a tristeza de quem havia pedido um grande amigo – Não acredito que não poderei levá-lo àquele SPA para animais de estimação na Suécia.

- Er... Sobre isso – Harry coçou a nuca sem jeito – Nos desculpe por tratá-lo como um animal de estimação durante esses meses.

Sirius riu alto. Uma risada rouca e sufocada, como se não fizesse isso há tempo.

- Não se preocupem. Na verdade, meu cabelo nunca esteve tão hidratado – disse ele, divertido – Quando o segui até a casa dos Parkinson, queria apenas saber se você estava em segurança, mas a oportunidade de conviver com você, Harry, ainda que indireta, acabou sendo um presente e o que salvou a minha sanidade.

Harry sorriu, os olhos marejados. Nesse momento, Pansy deu um gritinho animado:

- Tenho uma ideia! Podemos reduzir o seu tamanho outra vez, como fizemos para trazê-lo no Expresso Hogwarts. Hermione pode transfigurar uma bolsa para mim e ninguém irá desconfiar.

Os demais se entreolharam, receosos. Black parecia o menos animado com a ideia, mas até ele precisava reconhecer que não havia muitas opções ali.

- Você pode fazer aquela Prada da última coleção que te mostrei?

- Pam, pelo amor de Merlin, eu vou transfigurar uma pedra em uma bolsa, se sair algo parecido a uma sacola já está ótimo.

É claro que Hermione transformou a pedra em uma perfeita Prada Galleria grande em couro Saffiano na cor preta, onde um resignado Sirius, agora transformado em um cachorrinho preto com menos de 30 centímetros, escondeu-se dos olhos indiscretos. Os três ômegas voltaram o mais silenciosamente possível para o castelo. Por sorte, a maioria dos alunos ainda estava no Salão Principal ou já havia voltado para seus dormitórios, então, eles apenas cruzaram com um fantasma ou outro, que não deu muita importância para sua existência.

- Esperem um minuto – Pansy murmurou, após cruzarem as portas do escritório do Professor Lupin e alcançou algo no bolso da túnica. Algo parecido a um pequeno espelho de prata – Não podemos chegar no ministério e exigir uma audiência com o ministro assim do nada, mas mamãe pode.

Harry e Hermione trocaram um olhar desconfiado, mas a Slytherin já havia aberto o pequeno Espelho de Dois Sentidos e chamado por Georgia.

- Oi mamãe, boa noite – ela cumprimentou alegremente quando a imagem da mãe apareceu no reflexo.

- O que você quer, Pansy? – a mulher perguntou desconfiada.

- Preciso que você me encontre no ministério com o nosso advogado para uma audiência de emergência com o ministro agora mesmo.

- Oh, céus. Quem você matou? – Harry e Hermione voltaram a se encarar, arqueando uma sobrancelha ao ouvirem o tom resignado da Sra. Parkinson. A julgar pelo farfalhar que se seguiu, imaginaram que ela estava se arrumado às pressas para sair – Eu preciso dar um jeito no corpo ou você conseguiu fazer isso, pelo menos?

- Eu não matei ninguém, mamãe.

Todos tiveram a impressão de que a palavra "ainda" estava implícita em sua resposta.

- Certo, vejo você em vinte minutos no átrio do ministério.

- Obrigada, mamãe. Até já.

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Quando Georgia Parkinson entrou no átrio do Ministério da Magia naquela noite, os olhares dos poucos funcionários do turno da noite que transitaram por ali imediatamente se voltaram para ela. O vestido vermelho justo, longo e elegante, emoldurava o corpo da mulher ômega por baixo de uma capa de veludo preta. Ao seu lado, um homem baixinho, rechonchudo e com um bigode comprido caminhava às pressas com uma pasta de couro debaixo do braço tentando acompanhar seus passos. Logo, eles se aproximaram dos três jovens ômegas sentados num dos bancos de mármore próximo a uma das paredes que rodeavam o Átrio, ao lado de uma das lareiras com bordas douradas. Ao vê-los, Hermione havia cessado o feitiço desilusório que os mantinha afastados de olhares indiscretos enquanto esperavam pela Sra. Parkinson.

Ao ver a mão da filha entrelaçada com a de uma menina desconhecida, que se assemelhava muito à descrição da ômega nascida-muggle sobre a qual Pansy vivia falando, Georgia estreitou os olhos, descontente. Pansy, no entanto, não se deixou intimidar e se levantou com um radiante sorriso:

- Estão prontos para estampar a próxima capa do Profeta Diário? – dizendo isso, ela retirou um tecido prateado, quase transparente de algo na altura dos pés e revelou um homem petrificado e amarrado, cujos olhos arregalados refletiam puro horror.

- O que significa isso, Pansy?

- Isso, mamãe, vai mudar a história.

Os três contaram para eles o que descobriram, omitindo detalhes ínfimos, como o fato de estarem com um foragido de Azkaban escondido na bolsa ou seu professor de Defesa Contra as Artes da Trevas ser um Lobisomem, e mostraram a tatuagem de Pettigrew para seus olhos chocados. Ao final do relato, a Sra. Parkinson estava boquiaberta, encarando-os com uma mistura de admiração e incredulidade. Andrew, o advogado, mal conseguia conter a animação: aquela certamente seria a audiência de sua vida.

- Bem, o que está esperando Andrew? Consiga uma audiência de emergência com o ministro e com a suprema corte agora mesmo. Diga que é um pedido de Georgia Parkinson e que me lembrarei da gentileza deles.

Em menos de uma hora, eles estavam sentados perante o Décimo Tribunal do Ministério da Magia, numa audiência presidida pelo próprio ministro e com toda a Suprema Corte dos Bruxos presente.

Quando Andrew apresentou o caso e Pettigrew, para surpresa de todos, foi levado ao banco dos réus, os burburinhos chocados não demoraram a surgir. Poucas horas depois, Pettigrew confessou todos os seus crimes sob os efeitos da poção veritaserum e foi condenado por voto unânime. Ele saiu arrastado pelos guardas do tribunal, aos gritos, sob os inúmeros flashes dos fotógrafos que agora se amontoavam no local, e implorando que Harry não deixasse isso acontecer com ele, mas o jovem ômega não poderia estar mais feliz. Então, após pigarrear com certo desconforto, o ministro anunciou:

- Isso nos leva à questão de Sirius Black...

- Inocente, é claro, Sr. Ministro – defendeu Andrew, imediatamente, aproximando-se púlpito com um novo documento – Inclusive, solicitamos em nome do Sr. Black a emissão de sua ordem de soltura imediata, bem como indenização pelos danos morais e materiais causados pela sua prisão indevida.

O ministro recebeu o documento com as mãos trêmulas.

- É claro...

- O senhor também vai notar em nossa petição que há um pedido para restituição imediata dos bens do Sr. Black, bem como a emissão de uma nota de retratação do Ministério da Magia nos principais veículos de imprensa.

- Certo – o ministro parecia cada vez mais pálido. Então, após uma tosse desconfortável, anunciou:

- Todos que estiverem a favor da soltura imediata do Sr. Black, por favor, levantem a mão.

O resultado, novamente, foi unânime.

- Sirius Black, neste ato, é inocentado de todos os crimes atribuídos a ele por este tribunal. Er... Bem, agora só precisamos fazer essa notícia chegar até ele...

- Sobre isso, acho podemos ajudar – disse Pansy, levantando-se do banco e chamando a atenção de todos ao colocar sua bolsa no chão – Senhoras e senhores, por favor, recebam Sirius Black.

Quem achava que aquela noite não poderia trazer mais surpresas, bem, se enganou.

Quando um pequeno cachorro preto pulou para fora da bolsa e se transformou no homem que estampava as capas de todos os jornais nos últimos meses, os burburinhos se transformaram em exclamações chocadas e os flashes das câmeras quase o cegaram. Era Sirius Black. Três ômegas adolescentes haviam esgueirado um – até então – assassino condenado para dentro do Ministério da Magia. Os bruxos da corte quase não conseguiam acreditar no que seus olhos viam. Então, ouviram o ex-prisioneiro pigarrear e dizer em voz baixa, quase envergonhado:

- Essa não é minha forma animago verdadeira. Eu sou um cão muito maior. E aterrorizante.

- É claro que sim, Sr. Black – Pansy sorriu para ele e, por um instante, Harry achou que ela apertaria sua bochecha.

No final da audiência, após Sirius assinar seus papeis de soltura e apertar a mão trêmula de um desconfortável ministro, uma presença inesperada se aproximou da mesa onde Sirius agradecia profusamente à Sra. Parkinson e ao advogado, com Harry, Pansy e Hermione eufóricos ao seu lado.

- Parabéns por conseguir provar sua inocência, Sirius, fico muito feliz que os eventos tenham enveredado por este lado e finalmente tomado o rumo certo.

- Professor Dumbledore – o animago o cumprimentou sem jeito, mas feliz – Obrigado, senhor.

- Quanto aos senhores, Harry, Pansy e Hermione, eu não posso fazer outra coisa senão conceder 50 pontos a cada um de vocês por demonstrarem tamanha bravura para inocentar um amigo. Eu me pergunto, inclusive, porque os senhores não foram selecionados para Gryffindor, afinal, também não me parecem muito preocupados com as regras – seus olhos brilharam por cima dos óculos em formato de meia lua.

Harry se contorceu, desconfortável com aquele olhar, e Hermione corou ao ouvir do diretor que haviam deliberadamente desrespeitado o toque de recolher e saído de Hogwarts desacompanhados. Pansy, no entanto, respondeu com desdém:

- E usar aquele manto vermelho horrível? Credo. Não, obrigada, o verde floresta me favorece muito mais.

- Ei! – Sirius protestou, mas Dumbledore apenas riu.

- Vocês também poderiam ter vindo até o meu escritório para trazermos este caso juntos para a corte, em que pese o excelentíssimo trabalho realizado pelo Dr. Andrew.

Harry se encolheu ligeiramente ao notar e repreensão clara na voz do alfa.

- Não se preocupe, Dumbledore, minha filha e Harry sabem que sempre podem vir até mim se precisarem de ajuda.

- Tenho certeza que sim, Georgia, você é uma ômega extraordinária.

- Se nos der licença, agora, deixarei as crianças na escola e levarei o Sr. Black para a mansão Parkinson, onde terei o prazer de hospedá-lo até que o Largo Grimmauld esteja novamente habitável.

- Obrigado novamente por isso, Georgia.

- É um prazer, Sirius. Como eu disse, a ajuda vinda de lugares e pessoas inesperadas são aquelas carregadas de maior honestidade.

- Será ótimo se pudermos conversar quando você estiver descansado, Sirius.

- É claro, diretor. Eu mandarei uma coruja para o senhor em breve.

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ÔMEGAS PROVAM A INOCÊNCIA DE SIRIUS BLACK!

Por Rita Skeeter.

Em um episódio que parece saído diretamente de um thriller, três ômegas adolescentes emergem como heróis improváveis ao garantir a liberdade de um homem inocente. Entre eles, o ômega mais famoso de nossa década, Harry Potter.

Em busca de novas provas para inocentar aquele que descobrirmos recentemente ser seu pardinho, o jovem Harry e duas amigas ômegas, as Srtas. Hermione Granger e Pansy Parkinson, depararam-se com o estranho animal de estimação de um colega de Hogwarts e logo conectaram as pontas soltas que nosso ministério, infelizmente, não conseguiu. Este animal, na verdade, tratava-se de Peter Pettigrew, que até então todos nós, inclusive esta repórter que vos fala, acreditava ter sido assassinado por Sirius Black!

Acontece que, contra todos os prognósticos possíveis, os jovens e corajosos ômegas conseguiram capturar Pettigrew e trouxeram a verdade à tona. Interrogado com veritaserum, Pettigrew admitiu todos os crimes e a forma que, há doze anos, ele conseguiu incriminar Sirius Black (leiam mais detalhes do julgamento na página 12).

Nesta reviravolta surpreendente, os jovens ômegas apresentaram suas descobertas ao exímio advogado de defesa, Andrew Hills, que, usando as conexões da família Parkinson, conseguiu uma audiência de emergência com o próprio Ministro da Magia para contestar o veredicto anterior. Após uma audiência emocionante, Sirius Black – que surpreendeu a todos com sua inusitada aparição – foi exonerado de todas as acusações.

A história desses ômegas destemidos agora ganha destaque como exemplo de como até mesmo ômegas podem desafiar o status quo, buscando justiça e expondo a verdade. O homem injustamente encarcerado agradece aos jovens heróis que trouxeram luz à sua escura jornada e reacenderam a esperança na busca pela verdadeira justiça!

- Skeeter consegue ser a pior repórter do mundo. Ela transformou a história do século num conto de fadas sobre ômegas que buscavam justiça – Hermione suspirou, lendo a notícia por cima do ombro de Harry. Os ômegas estavam sentados na mesa Ravenclaw tomando o café da manhã.

Conforme Pansy havia corretamente previsto, a história estava nos principais jornais do mundo. E, mais uma vez, os três ômegas eram o foco de todos olhares em Hogwarts. Os murmúrios, é claro, logo se fizeram presentes. Alguns diziam que eles – mas, principalmente, Harry – estavam sempre em busca de atenção. Outros, em menor número, comentavam sobre sua coragem. E havia aqueles interessados na história em si, lamentando-se pela sorte de Sirius Black que vivera tantos anos preso injustamente.

- Ela não pode evitar, é uma idiota – Pansy revirou os olhos, saboreando sua torrada com geleia de maçã.

- Isso é verdade, Harry, ele é mesmo o seu padrinho? – Anthony Goldstein, um Ravenclaw alfa que também estudava no terceiro ano, perguntou, havendo se sentado ao lado de Harry.

- Sim, ele é.

- Uau, que loucura... Mas fico feliz por Black ter sido inocentado então.

- Eu também – Harry ofereceu um pequeno sorriso e deixou as amigas se ocuparem com as perguntas dos demais. Ele não conseguia desviar o olhar da foto impressa no jornal: ele e Sirius se abraçando após o animago assinar seus documentos de soltura. Finalmente, ele sairia da casa dos Dursley. Finalmente, ele teria uma família.

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Os resultados dos exames foram divulgados no último dia do ano letivo. Harry, Pansy e Hermione tinham passado em todas as matérias. Harry se admirou de ter passado em Poções – ainda que por pouco. O comportamento de Snape com relação a Harry nas últimas semanas, desde a notícia da inocência de Sirius e seu papel ativo para prová-la, tinha sido alarmante. O garoto não teria achado possível que a aversão do professor por ele pudesse aumentar, mas sem dúvida isto acontecera. Um músculo tremia incomodamente no canto da boca fina de Snape toda vez que ele olhava para Harry, e o bruxo flexionava os dedos todo o tempo, como se eles comichassem para apertar o pescoço de Harry.

Mais uma vez, em grande parte graças aos pontos atribuídos à Harry e Pansy de última hora por Dumbledore, na audiência de Sirius, a casa Slytherin ganhara o Campeonato das Casas, pelo terceiro ano consecutivo. Isto significou que a festa de encerramento do ano letivo se realizou em meio a decorações verdes e pratas, e que, na comemoração geral, a mesa Slytherin não conseguiu conter sua animação. Enquanto comia e bebia, Harry até conseguiu conversar e rir com Pansy por um tempo, até Draco e seus amigos se sentarem com eles.

- Ora, é claro que eu sempre acreditei na inocência dele. Ele é um Black. É da família.

Harry e Pansy trocaram um olhar exasperado. Draco não cansava de repetir o mesmo discurso.

- O que conversei com Harry é que ele deveria ter me chamado para lidar com toda essa situação estressante quando pegaram o rato de Weasley, mas vocês conhecem o meu pequeno ômega e seu complexo de herói.

- Ele não é seu ômega – disse Pansy, preguiçosamente, após engolir seu cupcake de abóbora. Draco a ignorou e Harry apenas balançou a cabeça para ela, como se pedisse para a amiga não perder seu precioso tempo com o alfa lunático.

- Obviamente, mamãe já está organizando um baile em comemoração ao retorno dele à sociedade bruxa. E talvez seja um excelente momento para formalizar o pedido – ele sorriu para Harry, que engasgou com o suco.

- Mal posso esperar – Blaise Zabini ergueu seu próprio copo de suco num brinde.

- O que eu mal posso esperar é um professor de Defesa Contra as Artes das Trevas decente – comentou Theodore Nott, olhando com satisfação o semblante abatido de Lupin na mesa dos professores – agora que esse ômega foi demitido.

Há poucos dias, conversando com Harry, Pansy e Hermione enquanto esvaziava seu escritório, o Prof. Lupin os contou que Snape acidentalmente havia deixado escapar, na última reunião do conselho de pais e mestres, sua condição como lobisomem. Imaginando que as corujas dos pais dos alunos chegariam em breve, o professor decidiu pedir demissão para não causar mais problemas a Dumbledore. Harry ainda estava abalado com a notícia. Aquele era o melhor professor de Defesa Contra as Artes das Trevas que já tiveram. No entanto, Lupin assegurou a eles que não estava triste, pois poderia aproveitar aquele tempo para ficar com seu companheiro depois de tantos anos afastados. Além disso, ele continuaria a dar aulas particulares para Harry no Largo Grimmauld, mas agora como uma família.

- Quem poderia imaginar – continuou o alfa – que ele seria algo pior que um ômega.

- Você vai calar a boca, Nott? Ou um ômega será obrigado a fazer isso para você? – Harry perguntou e faíscas douradas estalaram em sua mão.

Vendo a demonstração de magia sem varinha, o alfa resmungou algo baixinho e se calou. Ao lado do amigo, Pansy abriu um radiante e orgulhoso sorriso.

Quando o Expresso de Hogwarts deixou a estação na manhã seguinte, Harry, Pansy e Hermione se trancaram em uma cabine. Eles não aguentavam mais contar a mesma história para todos os alunos, professores e até mesmo alguns fantasmas que os abordavam em Hogwarts, querendo saber o que havia acontecido no ministério, ainda que estivesse estampado em todos os jornais.

Agora, sentindo-se incrivelmente alegre por saber que Sirius estaria esperando por ele na estação para levá-lo ao recém reformado Largo Grimmauld, e que nunca mais precisaria voltar à casa dos Dursley, Harry jogou várias partidas de Snap Explosivo com Pansy e Hermione e, quando a bruxa com o carrinho de lanches chegou, ele comprou uma enorme refeição, e alguns chocolates para presentear seu professor favorito quando o visse novamente, naquela noite. Mas a tarde já ia avançada quando aconteceu a coisa que o deixou realmente feliz...

- Harry – Hermione o chamou de repente, espiando por cima do seu ombro – Que é essa coisa do lado de fora da sua janela?

Harry se virou para olhar. Havia um pequeno corvo preto do lado de fora da janela. Ele se levantou para ver melhor e notou que o pássaro estava carregando uma carta e um pequeno pacote amarrado em sua perna, como se fosse uma coruja. Harry baixou depressa a janela, esticou o braço e recolheu-o cuidadosamente para dentro. Ele não estava acostumado a lidar com corvos, mas não foi tão difícil, pois a elegante ave deixou cair a carta no banco e o pequeno pacote em seu colo, após isso, lançou um olhar autossuficiente para todos e saiu pela janela com a indignação de quem sabia estar fazendo o trabalho de uma coruja. No momento em que o pacote tocou seu colo, ele aumentou de tamanho e assumiu o formato de algo que Harry jamais poderia sonhar: uma vassoura.

Harry apanhou a carta. Vinha endereçada a ele.

- Eu não acredito...

- Quê? – exclamaram Pansy e Hermione – Leia em voz alta!

Querido Harry,

Fico feliz que tenha conseguido provar a inocência do seu padrinho. E que o inútil Peter Pettigrew tenha servido a este propósito, pelo menos. Eu mesmo teria acabado com a existência miserável dele pela dor que lhe causou, mas com os dementadores ele terá um destino semelhante. Neste momento, estou trabalhando para reconstruir ideias equivocadas que foram arraigadas na mente de alguns seguidores para que possamos construir um futuro melhor para o mundo mágico, eu e você, juntos. Este futuro não será nada parecido ao futuro que a minha contraparte desejou. Será melhor.

Em breve, eu o verei novamente.

Até lá, fique com este singelo presente para lembrá-lo de que para nós, nem mesmo céu é o limite. Você é um ômega, sim, e pode ter tudo, meu Harry, inclusive a sua própria vassoura.

TMR.

- TMR. Isso é...? – Hermione arregalou os olhos.

- É de Tom – disse Harry, sorrindo, as bochechas tingidas de vermelho – E... Oh, Merlin! Ele me mandou uma Firebolt!

- Quem poderia pensar que o Lord das Trevas seria um progressista?

Ao ouvir as palavras de Pansy, os três se entreolharam e riram. Harry nunca havia se sentido tão feliz. E junto com a felicidade, seu coração estava cheio de expectativa. Ele veria Tom novamente, em breve.

Continua...

-x-

N/A: olá, meus amores! Vocês não imaginam como eu estava morrendo de saudades. E não imaginam mesmo, afinal, quem sumiu por quase um ano fui eu. Peço sinceras desculpas a todos vocês e agradeço de coração a todos que esperaram por mim e pela atualização das minhas histórias. Trazer essas histórias para vocês, ler os comentários e ver o quanto vocês se conectam com a trama e com os personagens é o grande propósito da minha vida. Percebi isso há pouco tempo e foi algo mágico, de verdade.

Eu estou com um projeto novo, um pouco diferente, mas diretamente relacionado com as minhas histórias – com Harry e Tom, é claro. Bem, estou escrevendo um livro físico, baseado na minha história "O Charme da Insanidade". A trama está muito maior agora, mais emocionante, espero conseguir publicá-lo até o final deste ano e que vocês possam conferir!

Sobre Ômega, essa história que tanto amo, estou gostando dos desdobramentos e do caminho que ela está tomando... As histórias parecem ter vida própria, isso é tão incrível. Enfim, como vocês podem imaginar, o próximo ano será o Torneio Tribruxo e adivinhem quem virá para Hogwarts juntamente com a delegação de Durmstrang? Hehe... Tenho certeza de que será um ano emocionante para Harry! Vocês não perdem por esperar!

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