Oi!


Capítulo Vinte e Sete

Meu Vizinho e o Hamster

De tudo que poderia acontecer na minha vida, a última coisa que eu esperava era ter Caius na porta do meu trabalho.

— O que está fazendo aqui? — perguntei. — Como…Como sabe quem sou eu? — Meu estômago revirava de nervoso, mas ao menos eu não estava chorando.

Caius suspirou.

— Algum tempo atrás procurei por Renata no Instagram, acabei vendo fotos suas com ela e entrei no seu perfil. E depois que nos vimos entrei novamente na sua conta, aí vi uma publicação aqui nessa lanchonete mencionando algo sobre trabalho, resolvi arriscar e ver se a encontraria aqui.

Eu deveria ganhar uma estrelinha por não ter o procurado nas redes sociais, com certeza poupei um monte de dor de cabeça ao não fazer isso.

— Ok, mas por que veio atrás de mim? — Cruzei os braços na frente do corpo.

— Escuta, Isabella — pediu, parecia nervoso também. — Eu tenho uma família agora, minha esposa não sabe sobre você e Renata, então vim até aqui para impedir qualquer tentativa de aproximação da sua parte.

Ele estava mesmo falando aquilo? Puta merda, continuava sendo um escroto!

— Não posso deixar meu passado interferir no meu presente, tenho uma família maravilhosa e não estou disposto a perdê-la.

— Você veio me procurar! — gritei, por fim as lágrimas se derramaram por meu rosto. — Eu não fui atrás de você, só te vi na porra daquele hospital. Não quero absolutamente nada de você, Caius, pode ter certeza disso.

— Ótimo, então assim fico mais tranquilo que não irá aparecer procurando por mim. Desculpa ter vindo até aqui, mas eu precisava esclarecer as coisas antes de ser surpreendido.

— Qual o nome dela? — questionei.

— Como?

— Qual o nome da sua filha!?

Ele balançou a cabeça em negação.

— Você não precisa saber disso, vamos deixá-la de fora desse assunto, certo?

— Eu só quero saber o nome dela — murmurei.

Naquele instante um carro freou bruscamente perto da gente, era Edward, que praticamente pulou para fora do banco do motorista e correu até mim. Suas mãos seguraram meu rosto e perguntou preocupado:

— O que foi? Te vi chorando de longe.

— Caius — foi tudo que falei e ele entendeu, olhou para meu genitor ali perto e ordenou:

— É melhor você ir embora agora!

— Sim, eu já estava fazendo isso — Caius disse. — Adeus, Isabella.

Entrou num carro azul estacionado ali perto e partiu, eu desabei nos braços de Edward. Agarrei as costas de sua jaqueta e chorei, chorei como se fosse novamente a garota de 6 anos que foi parar em um lar adotivo.

X

No dia seguinte acordei com meu despertador tocando, eu queria poder passar aquela quarta-feira dormindo, mas precisava levantar e ir para o estágio, não podia faltar só porque tinha recebido uma visita de Caius que me rendeu uma hora inteira chorando e depois dor de cabeça por conta do choro. Não, eu tinha de levantar e ir viver.

Revirei na cama algumas vezes, após desligar o alarme no celular, estava no quarto de Edward, mas ele não. Provavelmente tinha acordado no seu horário usual e ido para a academia, não precisava ficar ali velando meu sono e minha tristeza.

Levantei devagar, tirei as roupas dele que tinha usado para dormir e me enfiei nas que tinha chego ali em seu apartamento na noite anterior. O resto das minhas coisas estavam na sala e segui para lá, pegaria tudo e iria para meu apartamento tomar um banho e vestir roupas limpas, talvez chorar mais um pouco debaixo do chuveiro.

No entanto, meus planos foram desviados quando vi Edward na cozinha. Usava apenas uma calça moletom cinza, as costas expostas enquanto preparava algo no fogão, pelo cheiro parecia ovos e bacon. Seu celular estava ali perto, reproduzindo algum vídeo que não consegui identificar, principalmente por ele estar com seus fones bluetooth.

Não resisti, me aproximando dele e o abraçando por trás. O garoto sequer se assustou com o contato, nem mesmo quando beijei suas costas e rocei o nariz sobre sua pele.

— Bom dia, Ratinha — falou, a voz enrouquecida de quem parecia estar falando pela primeira vez no dia naquele momento. O ouvi desligar o fogo, depois se virou e ficou de frente para mim, sem tirar meus braços de si, pelo contrário, passou os seus ao meu redor.

— Bom dia, Emo — desejei de volta, apoiando meu queixo em seu peito e olhando para cima. — Você não foi para a academia?

— Não queria te deixar sozinha — falou, me fazendo duvidar das minhas próprias certezas ao dizer algo como aquilo. E se ele realmente gostasse de mim? — Ainda com dor de cabeça? — perguntou, levando uma mão até minha testa e massageando com o polegar, cuidadosamente, entre minhas sobrancelhas, fechei os olhos e aproveitei aquilo, enquanto me convencia de que não podia falar nada sobre sentimentos, porque eles não poderiam ser maiores do que meus planos para o futuro perfeito que almejava.

— Estou melhor. O que está assistindo? — perguntei, querendo mudar de assunto, também desfiz o abraço, apoiando meu corpo no balcão da cozinha.

— Ah, é aquele canal que fala sobre cuidados com hamsters, tô aprendendo como fazer um alojamento do zero.

Eu ri, era delicioso o sabor da vingança, poderia estar apegada ao hamster que ele comprou para presentear meu irmão e chamar de Ratinho, mas Edward estava ainda mais investido naquilo tudo. No mesmo dia que levou Stuart para seu apartamento já tinha começado a pesquisar como cuidar dele e mais um milhão de coisas, o hamster, até aquele momento estava ainda na gaiola que o Emo comprou junto dele, mas o jogador tinha descoberto que não era o melhor lugar para a vida do seu bichinho de estimação, que era muito pequena e não funcional o suficiente.

— Olha aqui. — Ele pegou seu celular, mexeu nele e me mostrou a foto de um móvel com uma tampa de mdf, mas que tinha parte telada, com laterais, fundo e parte debaixo também de mdf, só que sua frente protegida por vidro e lá dentro tinha algum tipo de serragem, uma roda para hamster, o dito cujo e mais algumas coisas que não identifiquei de primeira. — É um exemplo de terrário, quero fazer um igual para o Stu.

— Stu? Você o apelidou? — Ri novamente, Edward bufou, mas suas bochechas o traíram, já que ele ficou bem vermelho.

— É só uma forma mais fácil de falar, não enche o saco. Foca aqui, o que acha? — Apontou para a tela do celular.

— É enorme.

Foi a fez dele de rir.

— O que foi?

— Falou como as protagonistas dos livros que você lê falariam, mas não se preocupe, vou fazer caber — provocou, se aproximando e mordiscando minha orelha.

— Engraçacinho. — Infelizmente ele se afastou cedo demais. — Mas tô falando sério, vai perder espaço de circulação no seu quarto se colocar um negócio assim lá, qual o tamanho real disso?

— Ele tem 1 metro de largura, 50 cm de altura e 50 de profundidade, mas vai dar certo, qualquer coisa tiro a mesinha do meu quarto.

— E já viu quanto custa?

— Eu vou fazer, não ouviu? Consigo os materiais na universidade. — Franzi o cenho e indaguei:

— E você sabe construir um troço desses?

— Sou muito bom com marcenaria, e sei mexer com vidro.

— Um homem de várias utilidades, né? — brinquei, ele deu de ombros.

— Sim, acho que minhas mãos são mesmo muito eficientes.

— Eu que o diga. — Ele finalmente riu, entendendo aonde eu estava levando a conversa. — Vamos ir testá-las agora?

— Não, você vai tomar café da manhã. — Apontou para os ovos e bacon na frigideira sobre o fogão.

— Aff, você é muito sem graça — reclamei, mas fui mesmo comer, não podia enrolar mais falando sobre hamsters.

Mesmo que Stuart, o ex-Ratinho, fosse muito fofinho, eu sabia que não poderia me apegar tanto. Quer dizer, quando o plano Robin Hood acabasse Edward e eu iríamos nos afastar, e nos afastariamos ainda mais com a formatura e a partida do Masen para a costa leste e eu não ficaria com Stu, o hamster era dele.

Talvez eu também precisasse começar a preparar a cabeça do meu irmão para aquela ruptura, já que Jacob continuava achando que o hamster era dele mesmo que morando na casa de Edward. Seria uma grande perda para os irmãos Volturi.

X

Edward estava lotando meu celular com mensagens para falar de Stuart — e mandar fotos também —, desde o momento que passou em sua casa para pegar o hamster no final da tarde para levá-lo ao veterinário. Ele tinha aproveitado que naquele dia não teria treino e marcado a ida ao médico do hamster para aquele dia, pois isso não influenciaria muito no ciclo do sono do animal que tinha hábitos noturnos.

Emo: Ele se comportou bem pra entrar na gaiola de transporte.

Emo: Mas se assustou com o latido de um pastor alemão aqui na clínica.

Emo: Olha ele!

As mensagens e as fotos se seguiram até Edward anunciar que já estava no seu apartamento, que o hamster estava bem de saúde e que iria parar para estudar. A pausa nas atualizações me deixou triste, já que fiquei até tarde no trabalho.

Praticamente me arrastei até meu apartamento, louca para descansar e dormiria sozinha naquele dia para esticar bem minha coluna. Estava terminando de subir as escadas quando vi Renata sentada na frente do meu apartamento, com a cabeça encostada na parede, mexendo em seu celular.

— O que você tá fazendo aqui? — perguntei e imediatamente me preocupei dela sentada naquele chão, afinal sabia muito bem que Stuart não era o único roedor a frequentar aquele prédio.

— Bella, oi! — exclamou e sorriu quando me viu.

— Pelo amor de Deus, levanta daí! — ordenei, rapidamente terminando de andar até ela e a ajudando a ficar em pé. — O que está fazendo aqui? — repeti.

— Eu precisava te ver, toquei a campainha e ninguém respondeu e como você já não responde minhas mensagens ou ligações, decidi nem tentar e ficar aqui te esperando — contou e suspirou.

— É, agora sabe como me senti com a falta de respostas nas minhas mensagens — alfinetei. — E tá maluca? Ficar sentada aqui nesse corredor, é uma noite fria, você tá grávida e se eu não voltasse para casa?

— Bella, eu tinha que te ver e falar com você. — Os olhos dela se encheram de lágrimas e senti que os meus também. — Sei que errei muito com você, mas…

Ela se interrompeu quando a porta do 505 abriu, Edward saiu de lá com Stuart na mão e uma expressão de desconfiança.

— Bella, tudo bem? — perguntou preocupado. — Ouvi sua voz.

— Sim, tudo — confirmei, dando um pequeno sorriso vendo Stuart já tão confiante nas mãos de seu dono. — Vou entrar e conversar com Renata, depois a gente se fala, tá?

— Tem certeza? — questionou e antes que eu falasse algo rapidamente se voltou para ela. — Desculpa, mas eu só tô pensando no melhor pra Bella, talvez uma conversa entre vocês duas agora não seja a melhor coisa a se fazer.

Renata sorriu para ele e disse:

— Eu entendo, e é otimo da sua parte se preocupar com ela.

— Edward, tá tudo bem — garanti, teria que ter uma conversa com Renata em algum momento, não poderia simplesmente só parar de falar com ela do nada como se a mulher não existisse na minha vida. Não sabia como sairia daquela conversa, mas qualquer coisa correria até meus pais pedindo por colo, algo que eles já tinham me dado naquele dia quando almoçamos juntos para eu contar sobre Caius. — Depois te mando uma mensagem. — Abri a porta de casa com a chave que já estava em minha mão.

— Certo — ele falou e esperou nós duas entrarmos no meu apartamento, que estava vazio. Rosalie iria dormir com Emmett e Alice no apartamento de Jasper. — Quer beber algo? Comer? — perguntei para Renata.

— Não, posso sentar? — Apontou para o sofá.

— Claro, senta. — Larguei meu capacete e minha mochila no chão e sentei ao lado dela, mas ainda mantendo distância entre nós duas.

— Me perdoa — ela foi direto ao ponto. — Eu sei que errei muito não te respondendo, ignorando suas mensagens, foi tão ridículo da minha parte. E não justifica, sei disso, mas minha cabeça está uma confusão desde que descobri a gravidez.

— Está tudo bem sobre isso? — perguntei baixinho.

— Sim, tudo bem com o bebê. Só que não foi planejado, Stefan e eu estamos juntos a pouco tempo e agora todo o dinheiro que eu juntava para comprar um apartamento próprio será usado para pagar os gastos com o bebê, isso é enlouquecedor, porque a ideia de algo dar errado e não ter um teto seguro para ele ou ela. — A voz de Renata estava embargada e logo começou a chorar. — Desculpa, você é a última pessoa que eu deveria despejar minhas preocupações sobre isso, Bella.

— Stefan não vai assumir? — questionei sentindo meu sangue ferver com aquela hipótese.

— Não, ele vai sim — disse. — Estamos procurando um apartamento maior para alugarmos juntos, vamos dividir os custos e tudo, mas… Eu não consigo deixar de pensar no pior. — Mais lágrimas e eu quis abraçá-la, só que ainda me sentia muito ferida para dar aquele passo.

— Você não pensou em outra solução nem por um momento?

Ela me olhou confusa.

— Abortar — murmurei. — Ou mesmo colocar o bebê para adoção ainda durante a gestação.

— Eu não posso fazer isso de novo, Isabella. Não posso perder um filho pela segunda vez, deixar você foi a coisa mais difícil que já fiz na vida e a mais dolorosa, não sou capaz de sentir toda aquela dor de novo. E eu sinto muito se na época não pude fazer as coisas serem diferentes, juro que sinto, porém foi a única saida que encontrei para não te ver morrer de frio, de fome. — Parou de falar e soluçou, enquanto eu começava a chorar também. — Você não faz ideia de quantas vezes quis te levar comigo, mas sabia que seria egoísta da minha parte, que o melhor para você não era ao meu lado, nunca foi.

— Eu teria passado frio e fome com você, só não queria ter te perdido. — Me movi no sofá até estar com a cabeça apoiada em seu colo, Renata se inclinou e beijou minha cabeça, depois mexeu em meus cabelos lentamente. — Amo meus pais, mas também foi a coisa mais dificil e dolorosa da minha vida te perder.

— Me perdoa — implorou. — Me perdoa por tudo.

— Caius procurou por mim — foi o que falei em resposta.

— O quê? Como? — gritou, eu me mexi novamente sentando, limpando as lágrimas que não paravam de cruzar meu rosto.

Contei sobre Caius, no hospital e depois na porta do meu trabalho, as lágrimas de Renata desapareceram e seu rosto ganhou um tom de vermelho de pura fúria.

— Esse filho da puta realmente te procurou e mandou você se manter afastada? Pelo amor de Deus, ele não mudou nada.

— Ele tem uma irmã que nunca vou conhecer. E eu ainda estou com tanta raiva de você, e preciso admitir que magoada por você dar a esse bebê um futuro diferente do que tive, não sei se as coisas vão se resolver hoje ou amanhã, mas não me tira da sua vida de novo — implorei, pegando a mão dela na minha. Pensei em Edward, que em alguns meses iria embora para o outro lado do país, pensei em como aquilo rasgaria meu coração em um milhão de pedaços e como seria um bilhão de vezes pior perder Renata uma segunda vez. — Eu finalmente tenho uma família, meus pais, meu irmão, minha madrinha, meus amigos e você, deixa esse bebê ser parte da minha família, não tira isso de mim. — Funguei. — Voltei para terapia, tem um monte de questões na minha cabeça a serem trabalhadas, mas sei que quero vocês comigo.

Renata ergueu nossas mãos unidas e beijou a minha, depois me puxou para si e beijou meu rosto, deixando com que eu chorasse em seu ombro.

— Estou aqui, vou estar aqui para sempre, querida.

X

O jogo daquela semana aconteceu na quinta-feira, e eu não pude assistir pois tinha de ficar de babá de Zoe e Joe, mas antes de ir até a casa dos gêmeos fiz minha parte pela vitória e dei o beijo de boa sorte em Edward. Nosso time venceu, levando o pessoal para uma festa pós jogo mesmo que no outro dia tivesse aula.

E ainda que cansada, depois de um dia intenso de academia, aula, trabalho e ainda me recuperar da visita de Renata, eu fui para a festa. Queria ver Edward, queria comemorar os bons resultados do time e fazer um convite para Emmett.

— Sugar Daddy da Rosalie, seu aniversário é amanhã e sei o melhor lugar para você ir comemorar — anunciei, enquanto tomava um gole da cerveja da minha amiga, sem querer exagerar no álcool aquele dia.

— Hum, meu pai vem para Berkeley e queria jantar, já combinei com ele. Vocês todos estão convidados, obviamente — falou para nosso grupinho, já que eu tinha Edward me abraçando por trás, e Jazz e Alice também estavam ali conosco. — Mas qual era sua ideia?

— Judy Passione vai se apresentar amanhã — citei a drag queen de papai Aro. — Poderíamos jantar com seu pai e ir para lá depois, que tal?

— Topo! — Emmett exclamou empolgado. — Vai ser foda, talvez até meu pai queira ir. Vou logo ligar para ele pra saber. — Se afastou em direção a saída da fraternidade que estávamos.

— Eu vou caçar algo para comer — Jasper anunciou.

— Nossa, tô morta de fome também, vamos lá na cozinha — Rosalie falou e puxou o irmão.

Eu deixei Alice e Edward conversando, precisava ir ao banheiro e tive a pior das visões ao sair de lá. Mike, sorrindo para mim e segurando uma cerveja em cada mão.

— Oi, peguei pra você. — Esticou uma das bebidas.

— Obrigada, vou quebrar essa garrafa na sua cabeça — declarei com falsa simpatia e ignorando a bebida, tentei me afastar, mas ele se colocou no meu caminho.

— Bella, eu tô há um século tentando falar com você, será que pode me ouvir por um minuto?

— Não. — Tentei me afastar, mas novamente ele bloqueou meu caminho. — Que merda, o que você quer?

— Sua ajuda.

— Minha ajuda?

— Sim, para começo de papo. Queria que a gente voltasse a ser um casal, mas isso a gente pode resolver depois, vou te fazer perceber que Edward…

— Ai, tchau. — Aproveitei o falatório para andar até a escada, já que eu tinha ido usar o banheiro do segundo andar, mas obviamente ele me seguiu e ficou bloqueando os degraus.

— Espera, espera — implorou. — Só preciso que você fale com seus avós por mim.

Aquilo foi o suficiente para eu parar de tentar fugir.

— Oi?

— A rede de shoppings deles vai patrocinar um festival de música em San Diego, você tá sabendo, né?

— Não — respondi honestamente, não me importava em nada com os negócios deles.

— Enfim, será um festival de primavera e a minha banda precisa estar lá, seria uma grande oportunidade… — Eu o interrompi, gargalhando.

— E você acha que depois de me trair eu ia ajudar você e sua banda? Coitadinho — debochei. — Você tem é que me agradecer por não enfiar essa garrafa de cerveja na sua cara, seu babaca do caralho. — Finalmente passei por ele e terminei de descer as escadas, vendo Edward no final dessa, olhando para Demetri com cara de poucos amigos.

— Preciso resolver isso? — perguntou, rapidamente segurando minha mão.

— Não, relaxa, não vai quebrar a cara dele de novo, ia acabar te prejudicando nos jogos.

— Eu quebraria a cara dele de novo mil vezes por você, Ratinha — afirmou, me fazendo sorrir e beijá-lo. — Vamos embora? Preciso ver se Stu está bem. — Me puxou para longe de onde Demetri estava nos encarando com ódio.

— Vamos passar a noite observando Stu andar na rodinha dele?

— Não — Edward respondeu e nos fez parar de andar, afastou uma mexa de cabelo meu e sussurrou em meu ouvido. — Quero mesmo é te foder, preciso ouvir você gemer meu nome enquanto te como.

Engoli em seco, ele se afastou sorridente e questionou:

— Vamos?

— Agora mesmo!

X

Na manhã de sábado Edward e eu desistimos de ir a academia, graças a ressaca alcançada por termos bebido pra caramba na boate na comemoração do aniversário de Emmett. Tinha sido uma noite muito boa, Phil o pai do jogador era divertido e mesmo cheio de grana, nada metido.

O homem tinha adorado a boate e adorado ainda mais Renée, ele e a amiga dos meus pais sentaram próximos e passaram a noite conversando e no final foram embora juntos com a desculpa de dividirem um carro até São Francisco. Eu estava ansiosa por atualizações sobre aquilo, mas ela ainda não tinha me respondido.

— Quer almoçar fora mais tarde? — Edward perguntou, estávamos na cama dele. E enquanto eu mexia no twitter pelo meu celular, meu falso noivo estava lendo um livro no meu Kindle. Minhas pernas estavam entre as dele, com Edward percorrendo seus dedos por minha pele.

— Sei lá — falei cansada só de pensar em sair. — A gente nem tomou café ainda.

— Podemos pedir algo depois, então — disse e riu de algo que viu no livro. — Impressionante como o pau do cara sempre é do tamanho de um braço.

— Sentindo-se mal pelo tamanho do seu?

— Como você é engraçada — ironizou, levando sua mão até a altura dos meus shorts, mas a afastei.

— Não, sem chances, tô cansada.

— Pois é, porque meu pau cumpriu o bom trabalho dele.

— Idiota — falei, mas tive de rir ao escutar aquilo.

Ele voltou a se concentrar no livro e eu no Twitter, até a rede social me entediar. Apoiei o celular na barriga e olhei ao redor, observando atentamente as paredes beges e sem vida do quarto do meu vizinho, até que não aguentei toda aquela monotomia e falei:

— Vamos pintar seu quarto.

— O quê? — Edward perguntou, mas sem tirar os olhos do Kindle.

— Seu quarto é tão sem graça — declarei. — Vamos pintá-lo, pendurar uns quadros, comprar coisinhas de decoração, essas coisas — fui falando, ficando cada vez mais animada com minha ideia. Sentei na cama, tirando as pernas de entre as dele, arrancando o Kindle de sua mão, ele bufou e revirou os olhos. — Vai, vamos dar vida a esse lugar, não é possível que como futuro arquiteto você se sinta bem num lugar tão sem graça assim.

Ele me observou calado por um tempo, até por fim dizer:

— Podemos pintar só uma parede.

— E os quadros? E luzes penduradas em cima da cama? A gente pode também colocar uma plantinha.

— Eu não vou cuidar de uma planta.

— Mas vai ficar tão legal. — Pulei da cama, meu cansaço indo para o espaço, estava me sentindo bem motivada. — Vamos, se arruma, temos muito que comprar.

— Espera, você quer fazer isso tudo hoje? Vamos descansar, por favor — falou.

— Não, não — neguei, o puxando pelo braço para fora da cama. — Hoje, vamos aproveitar que é sábado!

— Você me irrita, Ratinha.

— Eu sei, agora vamos nos arrumar para sair.

Edward nos fez parar em uma cafeteria para comermos algo antes de irmos comprar as coisas, depois seguimos para uma loja de materiais de construção e decoração onde ficamos por um bom tempo. Depois de muita enrolação, da parte dele, decidiu por uma tinta verde em tom pastel e falou que pintaria a parede onde já ficava a gaiola de Stuart e ficaria o alojamento que iria construir.

De volta ao apartamento levamos a gaiola de Stu para a sala, e Edward forrou o chão para não sujarmos nada. Ele me fez ajudá-lo a lixar a parede e depois me ensinou a pintar da maneira correta.

Eu pintava, e cantava Lady Gaga, quando olhei em direção a Edward e o vi com o celular apontado na minha direção. Ele estava me gravando, mas aquilo não me repeliu, continuei a cantoria, fazendo o pincel de microfone, o que fez respingar tinta na minha mão.

— Merda — me queixei, ele riu, guardou o celular no bolso e disse:

— Bem feito.

— O que você disse?

— Bem feito. Não, Bella, não! — ordenou quando estiquei o pincel querendo sujar sua camiseta. — Não inventa de começar uma guerra de tinta.

— Eu deveria pintar sua cara todinha! — exclamei, mas não fiz aquilo, voltando a pintar a parede e a cantar.

Segundos depois Edward me abraçou por trás, colocando um braço ao meu redor e repousando a mão na altura dos botões do meu short. Eu me aninhei em seu corpo, mas fui traída quando o maldito com seu pincel sujou meu braço de tinta.

— Edward! — Me afastei dele.

— Touché! — Piscou para mim. — Quem mandou dar as costas para seu inimigo?

— Agora eu vou derramar é essa tinta na sua cabeça — afirmei, mas antes que pudesse fazer aquilo, a música em meu celular parou por conta de uma ligação.

Resmunguei e peguei o aparelho sobre a cama, era papai Charlie ligando.

— Oi, pai — falei ao atender.

— Oi, filha — disse e notei preocupação em sua voz.

— Aconteceu alguma coisa?

— Sua avó está doente, acabou de ser internada.


Beijos!

Lola Royal.

26.01.24