Oiiiii!
Capítulo Vinte e Oito
Meu Vizinho e o Sentimento
Helen Swan era irritante? Sim. Homofóbica? Pra caramba. Preconceituosa em vários níveis? Muito. No entanto, a notícia de que ela estava doente me causou preocupação, ainda era uma idosa doente e eu não era uma cretina sem empatia.
— O que ela tem? — perguntei para papai, meu olhar cruzou com o de Edward que rapidamente notou que tinha algo de errado, deixou seu pincel na bandeja e se aproximou de mim.
— Infecção urinária, está tão alta que nem deram alternativa de tratamento oral em casa, ela tem que ir direto para a medicação intravenosa e no momento preferem que seja no hospital, mesmo que Helen tenha condições de bancar por assistência domiciliar.
— Ela vai ficar com Geoffrey no hospital?
— Não, ele já contratou uma cuidadora, mas eu vou visitá-la ainda hoje. Ela quer ver você e Jacob, mas melhor não irem hoje, ainda tá muito fraca para receber tantas visitas.
— Certo — sussurrei. — Visito ela amanhã, ou depois. Pai, você acha que… — Engoli em seco. — Ela vai ficar bem, né?
— Espero que sim, nós dois temos nossos problemas, mas ainda é minha mãe.
— Qualquer coisa eu tô aqui, tá bom? Amo você.
— Também te amo, se cuide.
— Pode deixar.
Nos despedimos e finalizei a ligação.
— Sua avó está doente? — Edward perguntou entendendo a conversa pelas partes que escutou dela.
— Sim, é uma infecção urinária. Foi internada. — Respirei fundo.
— Quer ir ao hospital? Te levo — ele falou, tirando da minha mão o pincel que eu usava, vi que tinha respingado tinta pela parte não coberta do chão de seu quarto.
— Merda, olha o que eu fiz. — Gesticulei para o piso. — Desculpa, eu vou limpar, tá bom?
— Ei, relaxa. — Edward segurou em meus braços com delicadeza depois de atirar o pincel para a bandeja e acertar em cheio. — Não se preocupa com isso, quer sentar e respirar um pouco?
— Não, só estou tensa, sei lá. — Acabei sentando na cama dele, Edward ficou ao meu lado. — Ela não é a melhor pessoa do mundo, e ainda teve aquilo de sequer contar sobre a suposta traição, mas ainda é parte da minha família. Só que também fico me sentindo mal porque eles sequer aprovam o casamento dos meus pais, enfim, é um misto de sentimentos conflituosos.
— Acho que ninguém pode ter sentimentos perfeitamente coerentes sempre, não? — Edward afagou meus cabelos. — Tudo bem ter raiva dela, mas também ficar preocupada por ela estar doente.
— Você ficaria assim se fosse seu pai? — perguntei em um tom de voz bem baixo, com medo das minhas palavras o fazerem mal, mas Edward respondeu sem hesitar.
— Sim, mesmo depois de tudo que aconteceu, se fosse ele no lugar da sua avó eu também estaria preocupado.
— É, talvez nós só sejamos dois idiotas com muita empatia pelo próximo. — Dei de ombros.
Edward riu e se inclinou em minha direção, pensei que me beijaria, mas apenas apoiou o rosto em meu ombro. Eu toquei nos cabelos dele e por fim falei:
— Vamos terminar de pintar.
— Certeza? Não quer ir até o hospital?
— Hoje não, meu pai acha melhor eu ir amanhã. Vamos acabar de arrumar as coisas por aqui. E toma cuidado, porque eu vou jogar tinta na sua cabeça a qualquer momento.
X
O quarto de Edward tinha ficado perfeito, a começar pela cama que tinha ganhado novas cobertas e ostentava um muito macio lençol azul escuro. A parede verde junto a porta de entrada, pintada perfeitamente por mim e com pouca ajuda dele, só que o contrário, era completada pela gaiola de Stuart e a planta que o obriguei a comprar.
Sobre a cama penduramos luzes de led, o que para ele era meio brega, para mim era fofo. Também tínhamos colocado quadros nas paredes, um com pôster de Modern Family, outro com capa do primeiro livro de Percy Jackson e um terceiro de Pânico que achei pavoroso. Na sua mesinha de estudos coloquei organizadores azuis e um quadro de avisos pendurado acima.
— Tá perfeito — declarei contente. — Já sei, você e eu podemos abrir um escritório juntos, serei sua design de interiores — brinquei, ele que estava atrás de mim riu e beijou meu ombro nu já que eu usava uma regata.
A boca dele seguiu caminho até meu pescoço, enquanto suas mãos iam para minha barriga, puxando a roupa para cima dando acesso a ele para minha pele. Estemeci contra seus dedos e beijos, que exploravam meu pescoçoco como ninguém.
Com as mãos ansiosas abri meu short, o abaixando e descendo ele e minha calcinha. Edward nem precisou de instruções, levando uma mão até lá, fazendo com que gemesse seu nome quando seu dedo indicador encontrou meu clitóris.
— Vem cá. — Ele me guiou até sua mesa, me colocou com as mãos apoiadas sobre ela e se posicionou atrás de mim.
Terminou de tirar meu short e calcinha, e o senti se afastar rapidamente, mas quando voltou já estava de camisinha e logo dentro de mim. Eu gemi e balancei a mesinha, segurando com força nela para não acabar caindo.
Edward agarrava minha cintura enquanto me fodia, logo estávamos gozando e senti o cansaço do dia se abater sobre mim junto ao êxtase da transa. O garoto tirou seu pau de mim, se curvando e dando longos beijos sobre a extensão das minhas costas.
— Depois dessa eu preciso dormir — falei.
— Não, você precisa tomar banho e tirar essa tinta do seu braço.
— Culpa de quem isso, né? — Ele riu e ergueu meu corpo, me envolvendo em seus braços e beijando minha bochecha.
— E se eu fizer coxinhas como pedido de desculpas?
— Ok, aí vou te desculpar.
X
Edward e eu caminhamos de mindinhos unidos pelo hospital até o apartamento que minha avó ocupava durante sua internação, era manhã de domingo e teria de fazer uma visita rápida, já que tinha sido chamada para ficar de babá de última hora e os pais da criança iriam me pagar uma boa grana por isso. Meu irmão não visitaria nossa avó aquele domingo, já que Jacob tinha acordado com dor de garganta e muita tosse, Charlie que estava sozinho com ele uma vez que papai Aro tinha uma palestra para dar aquela tarde em Sacramento também não visitaria a mãe.
Ao chegarmos a porta do apartamento bati ali e Geoffrey abriu a porta, o Swan estava com o celular na orelha e parecia irritado com algo. Sem falar uma palavra para a gente indicou que entrássemos e fizemos isso, ele bateu a porta e ainda ao celular disse para quem estivesse do outro lado da linha:
— Vocês são incompetentes! — Tirou o celular da orelha e o atirou no sofá da sala do apartamento, era mesmo um local grande, com divisória para o espaço da cama onde minha avó deveria estar. Ali naquela sala além do sofá imenso e visivelmente confortável tinha duas poltronas, uma porta para um banheiro, televisão e até uma bancada com máquina de café. — Por acaso conhecem alguma cuidadora? — indagou para a gente sem falar mais qualquer coisa.
— Hum, não — respondi, Edward se limitou a balançar a cabeça em um aceno de negação. — O que aconteceu?
— A cuidadora se demitiu — ele disse. — Uma idiotinha que não aguentou as regras da sua avó, saiu daqui chorando e tudo. Agora não estou conseguindo uma cuidadora para hoje e tem um jantar importante que não posso faltar para ficar aqui… — Geoffrey se interrompeu e apontou para mim. — Você!
— Eu o que?
— Você vai ficar tomando conta da sua avó até a nova cuidadora chegar amanhã de manhã.
— Não, eu não posso, tenho que ir trabalhar hoje.
Ele deu de ombros.
— Te pago o triplo, isso não é problema. Nem vai precisar fazer nada, os enfermeiros fazem, só ficar de olho e chamá-los caso algo aconteça. Quer o quádruplo do valor? Eu pago!
— A questão não é só essa, tem pessoas contando comigo, já dei minha palavra de compromisso, não posso simplesmente cancelar agora.
— É pela sua avó, Isabella!
— Eu sei, mas realmente não vai acontecer. Posso ir vê-la agora?
— Ela está dormindo, melhor não entrar lá para não a acordar. E o seu pai? Ele conseguiria ficar aqui? — indagou impaciente.
— Papai Charlie está tomando conta do Jacob, ele também não acordou bem e papai Aro está viajando.
— Você não está ajudando. — Ele bufou.
— Eu fico — Edward murmurou.
Meu avô e eu o encaramos.
— Edward, não… — comecei a falar.
— É só para ficar de olho nela, não? Posso lidar com isso — disse e eu quis chutar a perna dele, porque ficar com a minha avó seria um pesadelo que ele não precisava enfrentar.
— Perfeito, você ficará aqui! — Geoffrey comemorou.
— Eu preciso de água, agora! — ouvimos minha avó gritar. — Por que a demora?
Edward forçou um sorriso.
X
Segunda à noite estava encolhida no sofá do apartamento 505, morrendo de cólica. Minha menstruação deveria descer no dia seguinte e já estava sofrendo as consequências por ter um útero, estava tão desconfortável com aquela dor que até troquei de horário na lanchonete com Liam para conseguir ir para casa mais cedo.
Bom, a casa de Edward. Eu tinha entrado ali com a chave dele, já que na noite anterior fiquei responsável por checar Stuart enquanto ele continuava no hospital com minha avó. E na segunda, ao voltar para casa, fui para o apartamento dele depois de pegar umas coisas no meu, o 505 estava vazio, o Masen já tinha me avisado que seus colegas de apartamento dormiriam fora.
A campainha tocou e mesmo mole de dor, eu dei um pulo do sofá e fui abrir a porta para ele, que carregava uma caixa de pizza em mãos.
— Sua avó é terrível — comunicou pela milésima vez desde que ficou sozinho com a senhora Swan. — Ela passou a noite toda reclamando de qualquer coisinha, juro, chegou um momento que ela tava reclamando da cor da cortina do hospital.
Eu ri, mas agradeci novamente por ele ter ficado com ela.
— Sério, muito obrigada por ficar de olho nela.
— Primeira e última vez — disse, caminhando até a cozinha e deixando a pizza ali. — Tô morrendo de pena da cuidadora nova, ela deveria ganhar por insalubridade. Já comeu?
— Não, estou com tanta cólica que não quis comer nada — contei, me encolhendo dentro do moletom dele que tinha roubado de seu armário.
— Você precisa comer alguma coisa. — Bateu um dedo sobre a caixa. — E tem mais algumas coisas para você. — Tirou um pacote de M&M's do seu bolso, eu peguei aquilo e abri imediatamente despejando alguns na boca sem nem me importar em separar por cores. — Aqui, isso também. — Ele pegou na sua mochila uma bolsa de água daquelas que podiam ser usadas geladas ou quentes. — Lembrei que você vai menstruar amanhã e falam que essas coisas ajudam, né?
— Ajudam — sussurrei, mergulhada naquele sentimento crescente em meu peito. Edward estava ali, depois de uma noite cuidando da minha avó irritante, cuidando de mim.
— Vai dormir aqui, né?
— Vou sim — confirmei, não tinha condição alguma de me afastar dele naquele instante, era humanamente impossível.
— Posso te fazer uma massagem, mas só depois que você comer. Ok?
— Ok.
Ele beijou minha cabeça e se afastou falando que iria trocar de roupas, quando voltou levou a pizza até a sala, onde comemos enquanto assistíamos a Modern Family. Depois fomos para seu quarto, que estava tão aconchegante depois das mudanças feitas ali, e eu fui receber minha massagem.
Tirei minhas roupas ficando apenas de calcinha e deitei de bruços na cama, Edward pegou um creme e se uniu a mim, ladeando meu corpo com suas coxas grossas e seus joelhos afundados no colchão. Começou massageando meus ombros e pescoço, arrancando um gemido dolorido de mim, mas no bom sentindo enquanto eu relaxava em suas mãos.
Conforme as mãos dele percorriam meu corpo, eu relaxava mais. Era tão bom, e também estava me deixando com vontade de outras coisas, mas não apressei nada, o deixando continuar me tocando e massageando.
Suas mãos em meus quadris me fizeram suspirar e desejar congelar o tempo, os relógios poderiam quebrar para todo o sempre. Os voos para a costa leste serem suspensos pela eternidade, isso manteria Edward comigo, isso o faria nunca me deixar.
— Você quer? — perguntou em meu ouvido, inclinando-se sobre mim o suficiente para eu sentir sua camiseta tocar minhas costas, seus dedos segurando no elástico da minha calcinha.
— Sim — respondi, sem hesitar e sem ter dúvidas do que ele estava propondo.
Porque eu queria. Queria sexo. Queria ele dentro de mim. Queria Edward. Queria uma casa com ele. Queria tudo que um dia sonhei, mas queria com aquele garoto implicante, mas que também cuidava de mim.
Ele tirou minha calcinha, lentamente como se para me provocar. Depois, finalmente, seus dedos vieram até onde eu mais queria. Me tocando, me explorando, me levando muito perto do paraíso. Sua camiseta mais uma vez encostou em minhas costas nuas, seu corpo repousando sobre o meu e o peso não era sufocante e sim reconfortante.
Enquanto me tocava, sua boca se dedicava à minha orelha e ainda falava comigo:
— Você é tão linda.
— Eu poderia passar o dia inteiro tocando em você.
— Me fode — implorei, cada vez mais mergulhada no prazer e nas suas palavras. — Mete em mim.
Edward sabia o que queria ainda mais do que seus dedos, os tirando de mim. Mexeu-se atrás de mim, ouvi suas roupas deixando seu corpo e depois mexeu na mesinha de cabeceira tirando de lá camisinha, que logo pude sentir quando deslizou para o interior da minha boceta em uma estocada rápida, me fazendo morder o travesseiro próximo ao meu rosto, mas eu queria aquilo.
Queria tudo de Edward. Queria ele por inteiro. Queria ser completamente dele.
Sem sua camisa, o calor do seu corpo encontrou o meu. Dois corpos se movimentando juntos, duas bocas que se encontraram quando eu me movi buscando por mais contato. Duas pessoas que não ficariam juntas, eu sabia, ele nunca seria meu como queria que fosse.
Eu o perderia, a cada batida do meu coração chegava mais perto da hora de dizer adeus. E desejei congelar meu coração também, o colocaria ao lado dos relógios quebrados, garantiria que nada mudasse, nem para melhor e nem para pior, ao menos.
— Você é incrível — ele falou quando estávamos tão perto de gozar.
Segurei o choro, segurei a tristeza crescente e avassaladora. Apenas o puxei para um novo beijo, apenas dei meu jeito de congelar meu pobre coração, mesmo que por alguns poucos minutos.
X
Acordei nos braços de Edward no dia seguinte, o que dificilmente acontecia, já que geralmente ele era a cochinha menor. Seu despertador da academia tocava e desejei que ele desistisse de ir malhar para ficarmos na cama até o horário de nossas aulas, assim eu poderia fantasiar um pouco naquela manhã de dia dos namorados, a data que com certeza estava tirando sarro da minha cara, algo como:
— Você tem um anel de noivado em seu dedo, mas não tem Edward de verdade, otária!
Fechei os olhos com força e tentei ignorar o despertador, mas ele não ignorou. Se remexeu atrás de mim, me soltou e desligou o toque irritante.
— Vai pra academia comigo?
— Não, cólica — menti, pois realmente não estava sentindo dor, o sexo tinha aliviado isso, mas não queria sair com ele em pleno dia dos namorados, não queria fingir em público naquela data zombeteira.
— Beleza. — Beijou meu ombro e deixou sua cama.
Eu continuei ali por um tempo, de olhos fechados querendo voltar a dormir, mas minha tentativa foi em vão, já que Edward voltou para a cama. Abri os olhos e o vi sentado junto de mim, apenas enrolado numa toalha, corpo ainda molhado e em suas mãos um embrulho de presente.
— Você vai precisar disso. — Colocou o embrulho entre nós dois. — Para tirar uma foto e postar no seu Instagram e deixar claro que seu noivo não é um idiota que não te deu um presente no dia dos namorados.
Ele tinha comprado um presente? Nem eu tinha comprado algo! Mas era pelo plano Robin Hood, ele tinha dito isso claramente em sua fala.
— Vai, abre. — Cutucou meu braço.
Sentei e ainda confusa demais peguei o embrulho, o abri e tirei de lá de dentro um bichinho de pelúcia, mais precisamente um bichinho de pelúcia de hamster que se assemelhava a Stuart. Aquilo me fez rir, eu o abracei e senti que tinha o cheiro do perfurme de Edward, o que só o me fez apertar com mais força.
— Esse vai se chamar Ratinho e você não poderá mudar o nome — meu noivo falso decretou.
— Ai, não — reclamei, mas não estava de fato chateada, pelo contrário.
— Foi um bom presente? É para você ter o que abraçar quando não dormir comigo, já que adora se agarrar — provocou, se aproximou e beijou meus lábios bem devagar, e eu aproveitei cada milésimo daquele beijo. — Não se esquece de postar uma foto com isso, precisamos sustentar o plano Robin Hood.
Como ele dizia que era pelo plano mas ao mesmo tempo parecia ser por algo a mais? Ele poderia ter me dado qualquer presente genérico para que eu postasse, mas não, escolheu algo com significados, algo que realmente era parte da nossa história, de nós dois.
— Eu vou postar — foi tudo que falei.
— Mas, mesmo com o Ratinho, dorme aqui comigo hoje? — Edward me olhou diretamente nos olhos, os seus verdes brilhavam. — Te deixo me agarrar o quanto quiser. — Aquilo me fez rir. — Vem direto do trabalho para cá? — pediu.
— Sim.
— Perfeito. — Mais um beijo, mais uma dúvida implantada em mim.
X
Quando Edward foi para a academia fui para meu apartamento, sabia que Rosalie ainda estava em casa porque Emmett saiu do quarto dela e me perguntou:
— Edward já foi para a academia?
— Acabou de ir.
— Beleza, tô indo também. — Antes de ele passar pela porta de saída do apartamento, parou e disse. — Um passarinho verde me contou que Renée vai jantar com certo advogado hoje.
— Tá brincando? — perguntei animada, me distraindo dos meus próprios pensamentos conflituosos por um instante.
— Não, parece que estão bem próximos, quando eu tiver mais informações compartilho, agora preciso mesmo ir. — Deixou o apartamento, eu larguei minha mochila no sofá, dentro dela estava o Ratinho e fui até o quarto da minha melhor amiga.
Rosalie ainda estava na sua cama, dormindo, mas não me importei com isso e me enfiei debaixo do lençol com ela. Eu a abracei e me senti melhor quando ela me abraçou de volta, afagando minhas costas. Estar com ela e Jazz sempre era bom para mim, eles me acalmavam desde sempre.
— O que aconteceu? — ela perguntou, acordada por conta da minha invasão.
Então, eu confessei o que ela já sabia.
— Estou apaixonada por Edward.
— Claro que está — falou sem surpresa alguma. — Desde sempre.
— Não todo esse tempo — a corrigi. — Apenas desde o Natal, mais ou menos.
Rosalie empurrou o lençol de cima da gente e me olhou, seus olhos me analisando atentamente.
— Por que você está se confessando para mim e não para ele, Isabella Volturi?
Meus olhos se encheram de lágrimas.
— Porque ele quer um futuro muito diferente do meu, sem filhos, e mesmo que ele goste de mim como você diz, isso ainda seria um grande obstáculo na nossa relação.
— Bella, me escuta, ele pode querer um futuro diferente do seu, mas eu tenho certeza que ele te ama e…
— Ele disse isso para você com todas as letras? — a interrompi, minha amiga suspirou. — Ou para Emmett e seu noivo te contou sobre o sentimento de Edward?
— Não, nada disso, mas está estampado nos olhos dele, Bella.
— Pode ser só impressão, Edward não se expõe tanto assim.
— Quer saber? Só tem um jeito de você resolver tudo isso e é conversando com ele. Fala o que sente, pergunta se Edward sente o mesmo, todo o resto como a divergência sobre filhos será resolvida depois, primeiro só vai lá e tem certeza se esse cara gosta de você como eu acredito que gosta.
— E se ele não gostar? — Comecei a chorar, Rosalie me abraçou e prometeu:
— Eu vou estar aqui para segurar sua mão, secar suas lágrimas e cuidar de você como sempre fiz. — Beijou minha cabeça. — Você nunca vai estar sozinha enquanto eu existir.
X
Meu coração parecia que ia sair pela boca quando toquei a campainha do Apartamento 505 naquela noite, eu sequer tinha parado em casa, indo direto para a de Edward quando cheguei ao prédio voltando do trabalho. Apesar de aterrorizante, seguiria o conselho de Rosalie e iria dizer a ele o que sentia, sem saber o que escutaria de volta.
Quando Edward abriu a porta, não parecia nada contente.
— Oi, entra — falou, se afastando da porta e indo em direção contrária a minha.
Assustada com o jeito que ele estava agindo, eu entrei e ao olhar para o chão vi pétalas de rosas vermelhas espalhadas por todo apartamento. Meu coração bateu ainda mais forte, aquilo era para mim?
Edward tinha entrado no banheiro, sem dizer nada mais, então sequer consegui perguntar. Mas, ao olhar melhor ao redor pelo apartamento vi que a mesa da cozinha estava toda arrumada para dois, posta para um jantar romântico até com pequenas luminárias de velas.
Eu me encostei na porta, era para mim? Edward reapareceu, com parte da frente de sua camisa ensopada de água.
— Vai ter que ir pro seu apartamento — falou e parecia que ele tinha jogado um balde de água fria em mim. — Meu chuveiro tá com vazamento e não consegui resolver, pra completar Benjamin tá com o Alexander e Peter caiu fora daqui com a Charlotte quando o problema no banheiro começou, ainda deixou toda essa bagunça para eu arrumar — resmungou gesticulando ao redor.
Não era para mim, nunca tinha sido para mim.
— E você ainda não postou a foto do presente, né? Meu pai mandou mensagem perguntando o que eu tinha te dado de presente, que não viu nada no seu Instagram, que era bom estar te mimando e sei lá mais o que — falava enquanto começava a recolher as rosas do chão, eu continuei muda, paralisada, até meu celular vibrar em minha mochila.
O tirei de lá, me apegando ao aparelho como fuga da minha confusão mental. Foi quando vi a mensagem que só me deixou mais caótica.
Demetri: Oi, tenho uma surpresa para você… Primeiro, feliz dia dos namorados… Agora, a surpresa, estou voltando para você, Bella. Chego em São Francisco amanhã, já estou na minha conexão em New York, você estará esperando por mim no aeroporto como combinamos?
Minhas pernas falharam e me vi deslizando até o chão, sentando sobre as rosas que ainda estavam por ali. Olhei para Edward, que me olhou de volta, passando de irritado para preocupado.
— O que foi? — perguntou.
— Demetri vai estar aqui amanhã — sussurrei.
Beijos!
Lola Royal.
28.01.24
