Capítulo 28

"Fly me to the moon, let me play among the stars
Let me see what spring is like on Jupiter and Mars
In other words, hold my hand
In other words, baby, kiss me1"

Fly me to The Moon, Frank Sinatra

— Então, pra onde você quer ir? — ele perguntou animado. — Podemos ir a qualquer lugar. Talvez um ponto turístico que você nunca conheceu ou...

— O que diria se eu quisesse apenas ficar em casa com você? — Brienne perguntou levemente envergonhada.

Tinha receio de que ele a achasse uma boba, porém, a verdade era que aquela situação ainda era muito nova para ela. Não sabia bem como se comportar, se podia segurar a mão dele a hora que quisesse quando estivessem na rua, ou se deveria manter alguma distância de vez em quando... Nunca tivera tantas dúvidas quanto agora que se sentia tão envolvida por alguém. Jaime a olhou levemente desconfiado.

— Qualquer coisa que você escolher, estarei de acordo, afinal, eu disse que você decidiria o que vamos fazer hoje — ele iniciou quando pararam em um sinal vermelho. — Só quero ter certeza de que está tudo bem e que não há nenhum motivo oculto pra sua decisão.

A jovem lhe lançou um olhar assustado. Jaime aparentava ler sua mente quando a encarava daquele jeito.

— Eu só... Bem, eu nunca tive um namorado; não um de verdade. Você sabe disso — ela explicou enquanto ele voltava a dirigir. — Então não sei como me comportar com você em público. — Somente então percebeu que dissera que ele era seu namorado. — Não que você seja meu namorado! — completou apressadamente, fazendo-o rir.

— Não sou? — indagou se divertindo com o embaraço dela.

— Nós não falamos sobre isso ontem — Brienne replicou engolindo em seco, odiando o sorriso de canto que Jaime exibia.

Ele adorava deixá-la constrangida. Ainda lhe ensinaria uma lição por provocá-la.

— Você ficaria confortável se eu saísse com outra mulher? — ele perguntou de maneira displicente, fazendo com que ela estreitasse os olhos em sua direção. — Ei, é só uma pergunta pra estabelecermos em que pé estamos. Eu não gostaria de ver você com outro homem. Realmente não gostei daquele tal de Tormund — explicou franzindo o cenho só de imaginar como ele olhara para ela.

Brienne soltou um suspiro e refletiu sobre o que Jaime dizia. Era óbvio que ela não queria vê-lo com outra mulher.

— Eu não ficaria confortável com isso — disse por fim.

— Ótimo. Essa é uma boa indicação de que devemos namorar um com o outro — ele respondeu voltando a sorrir. — Outra boa indicação disso é que eu penso em você o tempo todo e, se pudesse, passaria o resto dos meus dias te beijando. — Brienne também sorriu, começando a relaxar. — Não sei se acontece o mesmo com você, mas...

— Acontece — ela o interrompeu prontamente, fazendo com que o sorriso dele se alargasse.

— Fico feliz em saber que não sou o único enlouquecendo aqui, então.

Brienne sabia que Jaime não precisava descrever as emoções que o dominavam quando estavam juntos, porém o fazia assim mesmo, para que ela percebesse que não era a única que passava por aquela avalanche de sentimentos.

— Tenho só mais uma pergunta antes de decidir se devemos namorar ou não — ele prosseguiu. — Você sente aquelas benditas borboletas no estômago quando me vê e seu coração parece que vai pular do peito? Porque o meu, simplesmente, parece que vai explodir toda vez que vejo você.

A essa altura, uma gargalhada aflorou aos lábios dela e Brienne se perguntou por que demorara tanto a se deixar levar pelo que sentia por Jaime.

— O quê? — ele indagou em dúvida. — Não acontece isso com você?

— É claro que acontece, seu bobo — ela falou segurando o local onde sua mão direita foi amputada e sentiu que ele enrijeceu por um momento com seu toque.

Talvez ainda acreditasse que ela poderia ter algum tipo de aversão com relação a isso, contudo, se isso acontecia, agora teria a certeza de que não era verdade.

— Não teria te aguentado mais de um dia se não fossem as borboletas — brincou.

— Bem, então aí está sua resposta. Somos namorados — Jaime constatou satisfeito. — E quanto a essa história de não saber como se comportar... Faz dois anos que não tenho um relacionamento ou muito convívio humano, mas acho que consigo me virar, então não se preocupe. Pra onde você quer ir?

— Hm... Que tal ao cinema? Ou... Podemos simplesmente fazer o que eu disse primeiro — ela sugeriu ainda sorrindo, no entanto, Jaime ainda parecia incerto a respeito da decisão dela.

— Você está com vergonha de sair comigo, Brienne? É por isso que quer se esconder? Se for, eu... — Ela o fitou com os olhos arregalados.

— Vergonha, Jaime? — questionou como se ele estivesse louco. — Eu não quero me esconder. Quero ficar com meu namorado de qualquer jeito e em qualquer lugar.

Jaime sentiu-se mais tranquilo ao ouvir aquelas palavras. Notou que Brienne ainda não o chamava de "namorado" com muita convicção, mas este era um detalhe que mudaria com o tempo. No momento, ficar com ela era tudo o que mais queria também.

— Tenho uma sugestão, então — comentou sorrindo. — Ao menos podemos almoçar fora e depois ir pro meu apartamento ver alguns filmes. Precisamos comemorar a ocasião de alguma forma.

— Tudo bem. Vamos comer em algum lugar, mas nada muito sofisticado, hein — ela concordou ainda relutante e Jaime assentiu feliz.

Gostara da ideia de ficarem a sós em casa, pois teriam mais liberdade no que concernia a beijos e toques, entretanto, também queria que o mundo todo soubesse que estavam juntos.

Jaime a queria de corpo e alma, de uma forma que começava a achar mais intensa do que o que sentira por Cersei, contudo, seria loucura falar abertamente da maneira como seus sentimentos eram tão avassaladores, quando nem mesmo ele entendia o que sentia.

Aos poucos conseguiu se acalmar e se concentrar no momento presente. De alguma forma, sabia que as coisas aconteceriam no momento certo e que logo ele teria a oportunidade de falar daqueles sentimentos à Brienne.


1 "Leve-me para a lua, me deixe brincar entre as estrelas

Deixe-me ver como é a primavera em Júpiter e Marte

Em outras palavras, segure minha mão

Em outras palavras, querida, me beije". Tradução Livre.