Capítulo 36

"Oh, and I can't see straight when I'm thinking 'bout you
Yeah, you make my head spin with the things that you do
I feel dizzy when you tell me you love me too
I can't see straight when I'm thinking 'bout you1"

I Can't See Straight, Jamie Lawson & Ed. Sheeran

Jaime acordou sentindo-se extremamente relaxado e se espreguiçou antes de estender seu braço para o lado, esperando abraçar Brienne, mas foi com surpresa que encontrou o outro lado da cama vazio.

— Brienne? — chamou ainda sonolento, porém não obteve resposta, o que começou a deixá-lo alarmado, pois não escutava o som do chuveiro ou de qualquer outro movimento na casa.

Jaime levantou-se e vestiu um short antes de procurar pela casa. Ele viu o vestido que ela usara na noite anterior no chão, então pensou que talvez ela pudesse estar no estúdio.

Ficou decepcionado ao subir as escadas correndo e não a encontrar em canto algum. Isso não fazia sentido. Onde Brienne se enfiara?

Jaime desceu as escadas, pensativo e seguiu para o banheiro. Um banho, provavelmente, o ajudaria a pensar melhor. Debaixo do chuveiro começou a refletir sobre as possibilidades para a ausência de Brienne e acabou chegando à conclusão de que havia duas hipóteses principais. Ela poderia ter saído para comprar alguma coisa para o café da manhã, já que ele não lembrava se tinha algo para comer na casa. Essa era a hipótese que mais o agradava, pois era a mais positiva. Contudo, a que mais o afligia e que, infelizmente, achava mais plausível, era que Brienne tinha simplesmente se arrependido do que acontecera entre eles na noite anterior e fora embora antes que ele acordasse para que não pudesse ver o remorso em seus olhos.

Tentou ligar para o celular dela, mas após duas tentativas sem resposta, desistiu. Alguma coisa estava definitivamente errada.

A ideia de que Brienne o deixara dominava seus pensamentos. A noite passada havia sido a primeira vez dela e ele achava que tinha sido cuidadoso para não a assustar e lhe proporcionar prazer, no entanto, talvez tivesse se deixado levar e acabara machucando-a de alguma maneira. Talvez Brienne ainda não estivesse preparada para o que acontecera e ele fora muito obtuso para perceber.

Jaime passou a mão pelos cabelos e os puxou. Era um idiota e provavelmente Brienne não iria querer mais vê-lo. Assim que terminou o banho e se vestiu, seguiu para a cozinha e encontrou as flores na panela, exatamente como ela as deixara na noite anterior.

Esta imagem apenas serviu de confirmação a suas conjecturas. Se Brienne deixara as flores, que na noite anterior pareciam ser tão importantes para ela, isso só podia significar o pior. Ele as cheirou e as tirou do recipiente em que estavam antes de abrir a lixeira. Nunca mais queria ver aquelas rosas, ou qualquer outra.

— O que vai fazer com minhas flores? — Brienne perguntou após adentrar o apartamento e tirar os fones do ouvido.

Jaime estacou e quase as deixou cair no chão. Virou-se para ela surpreso.

— Brienne? — perguntou como se não acreditasse no que seus olhos viam. — Você voltou... — A jovem, que o fitava em confusão, sorriu e assentiu.

— É claro que eu voltei. Você achou que eu tinha fugido? — O sorriso em seus lábios desapareceu ao notar a expressão de desamparo no rosto de Jaime.

— A ideia me passou pela cabeça — ele confirmou soltando a respiração que prendia desde que ela entrara no apartamento.

— Jaime, mas que loucura — a jovem falou se aproximando.

Ele voltou a colocar as flores dentro da panela com água e a abraçou assim que Brienne ficou ao seu alcance.

— Por que eu faria algo assim? — indagou correspondendo ao abraço dele e lhe dando um beijo no rosto.

— Não sei. Talvez estivesse arrependida do que aconteceu ontem, talvez eu tivesse te machucado, talvez você tivesse percebido que eu não valia a pena... São muitas as possibilidades. — A jovem se afastou e o encarou séria.

— E em nenhuma dessas possibilidades você pensou que eu te amo e que nunca poderia te deixar desse jeito?

— Você me ama? — perguntou boquiaberto assim que sua mente absorveu aquelas palavras.

Brienne assentiu sorrindo.

— Eu te amo — afirmou beijando-o. — E assim que percebi isso, vim correndo te contar — concluiu rindo.

Jaime sentiu a risada dela percorrer seu corpo como se ele mesmo a tivesse proferido. Nunca a vira tão feliz assim.

— Pois agiu muito bem — confirmou apoiando-a sobre a bancada da cozinha. — Eu também te amo, Brienne — disse antes de voltar a beijá-la. — E acho que isso pede uma comemoração.

— Que tipo de comemoração? — Brienne questionou, embora sentisse as mãos dele subirem por seu corpo e tivesse plena noção do que ele queria dizer.

— Acho que tenho uma ideia ou duas — Jaime respondeu rindo e apertando-a contra si. — Depois do susto que levei ao acordar, acho que mereço uma recompensa.

Brienne não reclamou ao ouvir isso, afinal ela também se beneficiaria daquela recompensa.


1 "Oh, e eu não posso ver direito quando penso em você

Sim, você faz minha cabeça girar com as coisas que faz

Me sinto tonto quando você me diz que me ama também

Não posso ver direito quando penso em você". Tradução Livre