Os Ecos da Esperança
Sinopse:
Após a Batalha dos Cinco Exércitos em Erebor e a morte de Thorin, a vida continua em Erebor e Dale e com ajuda do Reino do Rei Élfico Thranduil, prosperam. Até mesmo uma certa elfa ruiva, mesmo com dificuldade, mas ganhando forças de onde ela nunca imaginou, segue em frente.
Na sombra da Guerra do Anel, Thanduil, Rei da Floresta das Trevas, enfrenta seu maior desafio. Enquanto a escuridão ameaça engolir a Terra-média, ele não só deve comandar seu exército para a batalha, mas também proteger seu coração contra a perda e a traição. Tauriel, sua capitã, luta com a dualidade do amor e do dever. Entre as cinzas da guerra, poderá o amor encontrar a luz?
Angst/ romance e queima lenta/ Pós Botfa
Nota: Essa história se passa logo após os eventos da Batalha dos Cinco Exércitos em O Hobbit. Ainda em RavenHill, o que acontece após Legolas ir embora e Thranduil encontrar Tauriel velando Kili.
Prólogo – Viva...
Sobre o áspero e gélido pico de Ravenhill, o vento sussurrava histórias de tempos antigos. A batalha à muito havia cessado, mas o eco da violência ainda rodeava a terra. Thranduil, Rei da Floresta das Trevas, andava com a majestade de um soberano atormentado pelos espectros da guerra. Seu olhar, outrora impenetrável como a própria floresta que jurou proteger, agora carregava uma suavidade rara e dolorosa.
Ali, prostrada sobre a neve manchada de sangue, estava Tauriel, sua capitã, seu valor inquestionável, cujo coração sangrou amor tão profundo que desafiou as próprias leis do reino élfico. Ele aguardou até que os anões retirassem os corpos de seus parentes mortos e Tauriel pudesse se recompor. Ela sabia que não tinha o direito de reivindicar o corpo de Kili e por isso fez sua última despedida.
Chegando próximo a ela e ajoelhando um pouco atrás da elfa, em uma atitude de completa compaixão e humildade, que qualquer um que o conhecia ou já ouvira falar do Rei Élfico não acreditaria, colocou uma mão no ombro de Tauriel com surpreendente suavidade e ainda com olhos brilhantes de lembranças doloridas. "Tauriel, você agiu guiada por sentimento, algo que muitos de nós perdemos em tempos imemoriais", começou Thranduil, sua voz tão suave quanto as primeiras neves do inverno. "Você foi banida não pela força do seu coração, mas pela inquietação que ele causou dentro do nosso próprio."
Tauriel, as lágrimas cristalizando em seu rosto, olhava-o com um misto de reverencia e desesperança. "Meu Rei, eu...," seus lábios tremeram na fria brisa, "Eu achava que o amor poderia ser a nossa força."
Thranduil se aproximou mais, a distância entre monarca e súdita borrada por gestos de compaixão. "Em outra vida, talvez nos ensinassem que o amor é a verdadeira força. Pela dor que causou, peço desculpas – não como teu rei, mas como alguém que esqueceu o que é sentir."
Ouvir essas palavras de seu rei, alguém que ela outrora julgou tão frio, fez com que ela não soubesse se isso lhe dava forças ou a quebrava ainda mais. Ela o julgou, e agora estava ele aqui, impensável, o outrora inalcançável Rei Thranduil, olhando em seus olhos com um calor que derreteria uma geleira e lhe oferecendo palavras gentis sobre o que ela sentia pelo jovem príncipe anão. Talvez ela tenha tomado um golpe forte demais de Bolg e está desacordada vendo cenas inimagináveis.
Não, mas isso era real, doía, doía muito, não só sua carne, mas seu fëa. E Então ela estava caindo em si.
Percebendo a luta interna de Tauriel, com as mãos estendidas, Thranduil ajudou ela a levantar-se. O horizonte mostrava uma promessa de alvorada, os raios primeiros de luz penetrando as trevas.
Percebendo que ela talvez não entenderia se ele não fosse direto, Thranduil falou com a voz firme novamente. "Vamos retornar para Mirkwood, Tauriel. Há muito para reconstruir, e agora reconheço que precisamos de todos os corações – especialmente daqueles que amam com coragem."
"Mas meu banimento, Kili... eu...," ela balbuciou ainda em torpor.
"Basta. Há muita dor agora Tauriel, não só a sua. Seu povo agora precisa de você. Uma vez você quis lutar pelo que era justo além do amor, venha e me ajude. Esse é um pedido e não uma ordem, do seu Rei. Eu ainda o sou?" Ele olhou mais uma vez em seus olhos e era como olhar seu fëa. Ela congelou.
"Sim. Meu Rei." Ela balbuciou um pouco mais firme, ainda em dúvida sobre o que estava acontecendo.
"Bom. Se não deixei claro, agora falo para não ter dúvidas, revogo seu banimento. Venha comigo." E se virou dando as costas para uma ainda confusa Tauriel. De qualquer forma, o que ela deveria fazer? Para onde deveria ir? A dor ainda era excruciante, então ela apenas se deixou levar. Era fácil, automático, ela o seguiu e o obedeceu por tantos séculos... agora o melhor seria seguir seus passos novamente pois parecia não só confortável, parecia certo. Era mais fácil assim, neste momento, não pensar.
Juntos, rei e guerreira começaram a descida, suas silhuetas fundindo-se à paisagem repleta de esperança de cura e novos começos.
Nota: Quem nunca se perguntou para onde foi Tauriel após o Rei falar com ela em RavenHill? Uma amiga e escritora aqui escreveu sobre uma entrevista e fui procurar para ver dos bastidores de O Hobbit, uma entrevista em que foi dito que ela voltava com Thranduil para Mirkwood. Assim eu esperava já e então decidi fazer uma versão do que eu acho que aconteceu. Claro, acabei fazendo alguma alteração nos fatos adiante, mas só porque eu posso kkk
Espero que gostem.
