Disclaymer: Essa fic se passa no cenário de Pathfinder. Todos seus personagens e locais citados são de propriedade da Paizo Publishing e seus criadores. Escrita sem fins lucrativos.
Cenário: Pathfinder 2a Edição
Série: Gêmeos Infernais
Personagens: Sephiroth
Sinópse: A história de origem dos irmãos Seph & Ashta. Filhos e herdeiros do Cavaleiro Infernal Cervantes e sua herança infernal.
PS.: Eu ainda não tenho uma campanha para usar esse personagem. A ideia veio e eu precisava colocar no papel. Seph seria meu personagem jogável. Nephilins são o nome que os Tieflings e Aasimar passaram a receber no remaster de Pathfinder. A intenção da empresa é se distanciar mais do D&D para possivelmente evitar problemas com uma potencial mudança da OGL como quase aconteceu ano passado, talvez? Enfim.
NEPHILIM PODE CHORAR
"Você já ouviu a respeito, não ouviu? A lenda de Cervantes.
Quando eu era jovem, meu pai me contava histórias a respeito.
Há muito tempo atrás, em eras antigas, um demônio se rebelou contra sua própria espécie, pelo bem dos seres mortais. Com sua espada ele fechou o portal para o reino demoníaco e selou as entidades malignas para fora do nosso mundo mortal. Mas como ele próprio era um demônio, seu poder também ficou preso do outro lado.
Eu nunca acreditei. Eu pensei que fosse só um conto de fadas para crianças. Mas eu descobri que essa suposta lenda não era nenhum mito. Cervantes existiu.
Como eu sei? Bem, eu conheci os Filhos de Cervantes… Os dois. Embora o mesmo sangue de seu pai corra por suas veias, os dois batalharam um contra o outro, como arqui-inimigos. Parecia que eles criaram um tipo de prazer distorcido dessa luta fraternal.
Mas no fim, somente um permaneceu de pé."
-Em uma taverna qualquer de Riddleport-
O nephilim entrou pela porta da frente aspirando o cheiro de ensopado de carne, cerveja e fumaça de cigarros. A atividade começava cedo à noite naquela taverna onde marujos, ladrões e prostitutas buscavam conforto, bebidas, refeições ou moedas. Imediatamente, a pele vermelha, cabelos e chifres negros chamaram a atenção da clientela. O nephilim trajava um longo casaco vermelho com delineados dourados na gola e nas mangas, além de se vestir de maneira simples. Mas o que mais chamava a atenção era o tridente de metal negro que levava nas costas. Letras gravadas na haste revelavam o nome da arma: "Hades" na língua infernal.
A arma foi um presente de seu pai. Ou ao menos é o que sua mãe lhe disse. Tudo que o nephilim herdou do pai: A magia do fogo infernal e um tridente.
"O de sempre?" O estalajadeiro perguntou enquanto limpava uma caneca e dirigia um olhar zangado para o nephilim. No que ele respondeu com um aceno para que levassem a bebida para a mesa.
Displicentemente, o nephilim sentou-se a uma mesa onde um bando de sujeitos jogavam cartas.
"Senhores. Hoje estou com vontade de tomar suas moedas. Que tal um jogo?"
Os sujeitos mal encarados dirigiram seu olhar para o recém-chegado e um deles respondeu: "Por mim tudo bem, Seph. Estou mesmo precisando de uma grana extra. A mulher vai ser por sua conta hoje."
"Dê as cartas logo, Gill." Disse outro dos jogadores.
"Seph" deu um sorriso e sentou-se à mesa. Gill começou a distribuir as cartas. A garçonete trouxe a bebida dele com um sorriso e afagou seus cabelos.
"Aqui está querido. Quer algo mais?"
"Eu peço uma refeição assim que tirar umas moedas do Gill, querida." Seph piscou para ela com um de seus olhos dourados.
Os jogadores começaram a jogar, beber e se divertir. Moedas vêm e vão nos jogos de azar e está tudo bem desde que ninguém seja pego trapaceando. Seph se orgulhava de ser um bom jogador e geralmente não recorria a tais métodos. O que também o tornou um bom observador. Várias vezes pegou algum engraçadinho tentando trapacear e o expôs diante dos outros. Era um dos momentos mais divertidos, na verdade. Não para o estalajadeiro que via seu bar se transformar numa arena de lutas, mas para os patronos que eram mais eloquentes com os punhos do que as palavras.
Depois de algumas horas de jogo, a porta da taverna se abriu novamente, mas desta vez de maneira nada gentil, fazendo todos os patronos se voltarem para a entrada. O taverneiro também lançou um olhar mal-encarado para o novo cliente parado na porta. Ninguém conseguia ver seu rosto. Era uma figura encurvada e envolta em trevas, com brilhantes olhos vermelhos.
"Estou procurando pela cria de Cervantes." Disse a criatura com uma voz gutural e espectral.
"Aqui só tem cerveja ruim e ensopado de carne, amigo." Respondeu o estalajadeiro que voltou imediatamente ao seu trabalho de limpar canecas. "E pelo visto você não precisa de mais bebida por hoje."
De repente, alguns dos patronos se inclinaram em suas cadeiras, procurando as sombras e emitindo a mesma luz vermelha e agourenta em seus olhos.
"E quem quer saber?" A voz de Seph ecoou no fundo do salão, fazendo todos os olhares se virarem para ele enquanto embaralhava o deck de cartas calmamente.
"Seus algozes, Sangue da Traição." respondeu a criatura, arrancando um assobio de Seph que fingia estar impressionado.
"E se eu não quiser ir com vocês?"
"Não é uma questão de escolha."
"Quer apostar…?" Seph segurou uma carta nas mãos, ás de espadas, como se estivesse admirando-a.
Os patronos escondidos nas sombras se levantaram de suas cadeiras, revelando-se criaturas sombrias como a que estava na porta. Eram seres amedrontadores que exibiam mãos cadavéricas e monstruosas, que retiravam adagas e espadas curvas de lâminas serrilhadas das vestes negras que cobriam seus rostos esqueléticos.
"Bem, é minha vez de dar as cartas." Seph comentou. "Se estiverem interessados em um jogo, sentem-se."
Seph começou a distribuir cartas igualmente para todos na mesa quando jogou uma para Gill, o jogador imediatamente à sua frente. E ao invés de pegar a carta com uma mão humana, ele a pegou com uma mão esquelética. Seph deu um suspiro de tristeza ao olhar pro amigo e disse: "Merda, Gill… Você não vai pagar as moedas que me deve, não é? Uma pena… de todos os bêbados aqui, você era meu favorito…"
"Gill", com um rosnado gutural, começou a se levantar quando, de repente, a carta em sua mão brilhou com um flash de chamas vermelhas e explodiu em sua cara. Ele voou para trás, atravessando a parede da taverna e sendo arremessado nas ruas.
"Ah, merda… Eu acabei de reformar o bar!" Gritou o estalajadeiro.
"Desculpa, Jeff." Diz Seph se levantando junto dos outros seres monstruosos que assustavam os patronos normais que já se preparavam para uma briga. Emitindo uma aura de puro fogo e calor, ele pegou três cartas do deck que brilharam com chamas vermelhas, se virou e arremessou as cartas contra três das criaturas sombrias atrás de si.
Quando as cartas explodiram em chamas, arremessando as criaturas para trás, o bar se transformou numa briga generalizada com rufiões dando socos, garrafadas e punhaladas em tudo que viam pela frente. Ele amava aquela cidade. Nem mesmo o fato de serem demônios fazia os rufiões hesitar com uma briga.
O taverneiro jogou os braços para cima numa reclamação: "Eu desisto! Eu vou embora dessa cidade!"
Seph pegou o tridente que trazia nas costas e partiu para a luta. As criaturas sombrias revelam seus rostos monstruosos e dentes pontiagudos, rosnando em direção ao nephilim. Ele bloqueou as lâminas com o tridente e chutou um dos monstros para trás, em seguida, ele espetou um no pescoço e o empurrou contra o terceiro, aplicando um chute no peito. Outro demônio o atacou, mas Seph cravou o tridente em seu peito e o bateu contra o teto.
"Demônios?" Vocês não deviam estar nesse plano. Quem foi que trouxe vocês pra cá, hein?" Seph pisou na cabeça do demônio puxando o tridente de seu peito.
"Não interessa quem nos trouxe! Logo haverão muitos mais! Nos entregue a chave, Cria de Cervantes!" O demônio que estava parado diante da porta entrou na taverna com sua espada agourenta atacando Seph e os dois cruzaram suas armas no meio do salão. Com um movimento, Seph abriu a defesa do demônio e o acertou com a haste do tridente, jogando-o sobre uma mesa. O demônio chutou o nephilim de volta, arremessando-o por sobre o balcão.
Seph recebe um soco no rosto, outro na barriga e uma série mais por todos os lados. Ele usa o tridente para bloquear duas espadas, estende a mão e queima o manto negro de um dos demônios, que começa a se debater para apagá-las.
O nephilim subiu sobre o balcão se defendendo como pode das lâminas dos demônios e saltou para a mesa do lado jogando cartas de baralho que explodiram em chamas atordoando os inimigos. Ele chutou uma cadeira sobre um demônio que pulou para cima dele. Girando o corpo, Seph acabou acertando o tridente em outro que perdeu a cabeça e em seguida, atingiu mais um com uma carta carregada com sua magia de fogo.
Um dos demônios cortou as costas de Seph com sua espada, mas ele imediatamente se virou e fincou o tridente no peito dele e pulou da mesa, cravando o monstro no chão. Em seguida, ele torceu o tridente e arrancou do demônio morto. Outro demônio concentrou uma energia esverdeada em sua mão e atingiu o nephilim, jogando-o para trás e derrubando-o sobre umas mesas.
"Isso doeu…" Seph cuspiu sangue, se levantando dos escombros da mesa e abanando a poeira das vestes. "Eu vou te fazer pagar por isso, imbecil." Voltou seu olhar feroz para o demônio que o atacou. Seph ergueu sua aura de fogo, pegando várias cartas de baralho do casaco e invocando sua magia sobre elas.
Explosões foram ouvidas pela taverna, demônios voaram pela janela e clientes correram pela porta da frente. Com maestria no manejo do tridente, Seph despachou um por um os demônios que o atacavam. O líder dos demônios observava um a um seus lacaios sendo pulverizados e mortos.
O líder correu na direção do nephilim, brandindo sua espada e com um floreio, Seph defendeu o golpe, mas o demônio arremessou uma adaga em seu ombro. Seph gemeu de dor, segurando a adaga, arrancando-a e voltando-se novamente para o demônio.
"Seu cretino. Essa doeu." E arremessou a adaga de volta, mas o demônio a defletiu. Os dois se encaravam, andando em círculos, esperando um momento de atacar. Mas o demônio não era paciente e partiu para cima de Seph atingindo o chão com sua espada. Seph se desviou saltando para trás, notou um demônio se levantando entre os escombros de uma mesa e arremessou uma carta explosiva para liquidá-lo de vez. Em seguida, girando o tridente sobre sua cabeça, Seph se voltou para o líder e arremessou a arma com toda sua força. O tridente cortou o ar, atingindo o abdome do demônio e cravando-o na parede.
"Maldito! Sangue do traidor!" Bradou o demônio enfurecido. "Vai pagar caro por isso!"
"Sei, sei… já ouvi isso antes. Agora, vai me falar quem trouxe vocês pra cá? Quem mandou vocês? E que chave é essa que vocês estão procurando? Não me diga que foi minha irmãzinha querida, Ashta quem mandou vocês inúteis aqui? Ela saberia melhor do que enviar lixo como vocês atrás de mim."
"Sua irmã já deve estar morta agora…" O demônio gargalha cuspindo sangue e tossindo.
"Duvido. Vaso ruim não quebra. Principalmente se os caras que foram atrás dela são tão incompetentes quanto vocês." Seph deu de ombros. "Agora, fala logo. Que chave é essa que vocês querem?"
"Em breve, você saberá, Sephiroth, cria de Cervantes… Sangue do traidor… Nós vamos te caçar até os confins desta terra…"
O demônio segurou a haste do tridente e começou a arrancá-lo do próprio peito. Em seguida tomou impulso para saltar sobre Seph e foi engolido por um pilar de chamas conjurado do nada. O demônio caiu morto imediatamente numa explosão de fogo que destruiu o balcão e uma parte da prateleira de bebidas.
Seph deu uma boa olhada ao redor, observando a destruição da taverna, pegou o tridente do chão, levando-o às costas e sentando-se no balcão. Ele alcançou uma prateleira, sacou uma garrafa de rum e bebeu todo o líquido. Em seguida, jogou a garrafa longe.
"Saco… meu bar favorito…" Seph saltou do balcão, abanando a poeira de suas vestes. "Agora eu estou puto. Esses desgraçados detonaram minha taverna favorita! E nem me deram respostas… Malditos demônios."
Jeff chorava pela taverna destruída, escondido debaixo de uma das mesas e Seph não resistiu. Pegou uma generosa bolsa de moedas de um dos clientes mortos e jogou na direção do taverneiro.
"Foi mal, Jeff. Isso é para os reparos."
"Eu acho que vou levar meus negócios para outro lugar." choramingou o estalajadeiro observando sua taverna arruinada.
Seph caminhou para fora da taverna deixando o pobre Jeff para trás, limpando a sujeira.
"Esses babacas mexeram com o Caçador de Demônios errado… Vou encontrar o desgraçado que mandou essa corja atrás de mim e enfiar esse tridente bem no… coração dele."
Seph esfregou os olhos suspirando frustrado.
"Algo me diz que uma reunião de família será inevitável, Ashta… Se você tiver alguma coisa a ver com isso, nós vamos acertar nossas contas…"
Fim…?
Nota: Se gostou dessa fic, tente ler a da Ashta também: "Nephilins nunca choram."
