Mais um pra vocês, boa leitura!


Capítulo Dezenove

Meu Vizinho e o Assalto

Eu ainda estava tremendo quando Edward me fez caminhar até seu carro, tirou as mochilas das minhas costas e a colocou no banco de trás junto com o capacete. Então, ele me fez entrar e me ajudou com o cinto.

— Vamos para a delegacia, você precisa fazer um boletim de ocorrência, tudo bem? — ele perguntou ao se sentar no seu lugar.

— Tudo — murmurei, ainda enjoada demais e com medo de vomitar se ficasse falando muito.

— E vou avisar seus pais.

— Por favor. — Ele afagou meus cabelos antes de pegar seu celular, mexeu nele por um tempinho antes de o guardar e dirigir.

— Quer contar o que aconteceu?

Neguei com um aceno de cabeça, sabia que teria que contar tudo na delegacia, sendo assim era melhor me poupar. Edward, para minha surpresa, envolveu minha mão na sua, as apoiando em minha coxa.

Pelo resto do caminho ficamos em silêncio, mas ele era quebrado toda vez que Edward perguntava se eu estava bem. E eu não estava 100%, porém tinha parado de chorar e o enjoo melhorou.

— Seus pais estão chegando — Edward contou quando parou na frente da delegacia e olhou seu celular. — Quer esperar eles para entrar e fazer o boletim?

— Sim, pode ser. — Tirei o cinto e olhei para nossas mãos entrelaçadas, dando um suspiro forte ao me dar conta do óbvio, não tinham levado o anel de noivado. Provavelmente os assaltantes sequer repararam nisso, o que era bom. — O anel ficou, você acha que a gente deve mandar fazer uma copia barata? Pra não correr o risco de… — Não consegui terminar de falar e voltei a chorar, fazendo Edward me abraçar e consolar por longos minutos.

Ele repetia coisas como:

— Vai ficar tudo bem.

— Vamos recuperar sua moto.

— Vou fazer coxinhas para você.

Eu soltei uma leve risada ao escutar aquilo, o abraçando com mais força, colando ainda mais meu rosto em sua camiseta. Aquela altura o tecido estava molhado por todas as minhas lágrimas, mas Edward me manteve contra ele. E também podia sentir seu coração, batendo forte, só que de alguma forma o som daqueles batimentos cardíacos voltaram a me acalmar.

Nos soltamos apenas quando escutamos alguém bater na janela do carro, vi meus pais e meu irmão parados do lado de fora. Papai Aro e papai Charlie estavam preocupados, já Jake parecia entusiasmado.

Edward e eu saímos do carro e a primeira coisa que escutamos foi:

— Bella, você levou um tiro? Deixa eu ver a bala!

— Jacob! — Papai Aro o repreendeu, mas mesmo assustada com o que tinha acontecido, eu ri.

— Não leveibum tiro, mané! — Apertei o nariz dele, que fez uma careta, entretanto me deixou abraçá-lo.

Logo meus pais estavam me abraçando também e surpreendentemente eu não chorei no colo deles, que fizeram mil perguntas, nem tive tempo de responder de tão rápidas que elas eram. Até que eles me soltaram e papai Charlie perguntou, mas não para mim:

— Não tínhamos com quem deixar o Jake a esse horário, Edward você pode ficar de olho nele enquanto Aro e eu entramos com a Bella?

— Claro, Charlie. — Edward segurou minha mão por um instante antes de soltá-la e deixar com que eu entrasse na delegacia com meus pais.

Esperamos um bom tempo até nos atenderem, no aguardo disso bebi água e fui ao banheiro molhar o rosto, também aproveitei e liguei para Rosalie do celular de papai Aro, avisando o que tinha acontecido, já que meu celular estava na mochila no carro de Edward. Minha amiga queria ir até mim, mas fiz com que ela ficasse no nosso apartamento com Alice esperando mais informações.

Por fim, um policial nos levou para uma sala. Meus pais ficaram de pé próximos a mim, enquanto eu sentava e começava a contar tudo que tinha ocorrido para o policial.

Ele disse que outro caso de roubo de moto tinha ocorrido na noite anterior, que os homens pareciam ser os mesmos pelas descrições que eu dei, poucas por conta do capacete e sequer vi se a moto deles tinha alguma placa ou algo assim, e que entrariam em contato comigo caso tivessem informações novas. O policial disse que eu poderia ir para casa e foi isso, deixamos a delegacia e logo Edward saiu do seu carro com Jacob.

— E aí? Tudo bem? Eles já tem alguma notícia? — Edward perguntou em um fôlego só.

— Não, nada. Acham que são os mesmos caras que roubou outra moto ontem, mas eles não tem pista nenhuma até agora — Charlie disse. — É melhor irmos, Bella precisa descansar. Você vai para casa com a gente, filha.

Apesar de querer ir para casa, encontrar minhas amigas e dormir na minha cama, naquele momento a vontade de ir para a casa dos meus pais se tornou extremamente maior. Eu queria meu quarto da adolescência e a certeza de que eles estariam ali pertinho de mim caso algo acontecesse.

— Eu posso ir? — Edward perguntou, fazendo com que meus pais e eu ficassemos surpresos, e que Jake comemorasse.

— Sim, vamos jogar videogame — foi meu irmão quem respondeu, entusiasmado como se fosse Natal.

— É que estou preocupado com a Bella — Edward se explicou, limpando a garganta com um pigarro. — Sei que vocês estarão lá, mas… Posso ir? — Ele estava ficando nervoso e buscou apoio olhando diretamente para mim.

— Sim — respondi imediatamente.

— Você não tem que ir pra sua casa arrumar a mala para sua viagem amanhã? — papai Aro questionou Edward, papai Charlie estava com uma mão cobrindo a boca, escondendo um bocejo ou um sorriso, só que meu outro pai não estava muito contente.

— A mala já está arrumada, passo lá amanhã cedo e…

— Sobre a viagem — papai Charlie interrompeu Edward. — Vou falar com o pessoal da universidade e conseguir uma dispensa para não precisar viajar, assim fico com você, filha. — Afagou meus cabelos e anunciou em seguida. — Certo, leva ela para nossa casa, Edward. Aro, Jacob, vamos!

Papai Aro não teve mais tempo de contestar, falou para mim que nos veríamos em casa e foi com o marido e o filho. Eu entrei no carro com Edward, menos tensa e mais cansada, precisava mesmo dormir.

— Ei, você não tem roupas, vai dormir com calça jeans e camiseta lá em casa? É tão desconfortável — comentei com ele.

— Tem roupas no porta-malas, para quando quero sair dos treinos mais confortável, não se preocupa.

— Ei, como foi a festa de aniversário do Braxton? — perguntei, lembrando que Edward tinha dito que iria para o aniversário de um dos meninos do time depois do treino daquela noite.

— Acabou rápido, todo mundo está tenso com o jogo de amanhã. Aliás, tenho mesmo que te ver antes de ir, beijo de boa sorte, lembra? — falou e eu ri.

— Lembro sim, pode ficar tranquilo que se depender de mim o time já ganhou.

Meus pais fizeram com que eu jantasse quando cheguei à casa deles, depois me liberaram para ir dormir. Eu tomei um longo banho, vesti pijamas que tinha ali e fui para minha cama, já tinha avisado as meninas que dormiria lá, então nem peguei no meu celular.

O que me fez ficar pensando, nas armas, na moto e ter ficado sozinha naquela rua mesmo que por tão pouco tempo. Tudo tinha sido bem rápido, mas não deixou de ser assustador.

Uma batida na porta me distraiu dos meus pensamentos, falei que quem quer que fosse podia entrar. E a pessoa entrou, era Edward, que se enfiou na cama comigo e tirou do bolso da sua calça moletom um pacote de M&M's.

Rindo eu perguntei:

— Você sempre tem um desses no bolso?

— É artigo de necessidade básica.

— Justo. — Joguei alguns na minha palma esquerda e ficamos catando os de nossas cores favoritas para comermos primeiro.

— Você está bem, Ratinha?

— Não com esse apelido idiota. — Foi a vez dele de rir. — Estou bem melhor.

— Fiquei bem assustado quando te vi naquela rua sozinha. — Seus olhos estavam lacrimejando? — Sei que a gente começou com o pé esquerdo, literalmente com você pisando errado naquele skate me fazendo cair, mas acho que com esse plano Robin Hood acabei te odiando menos.

— Você tá dizendo que sou sua amiga agora? — provoquei, Edward revirou os olhos, mas concordou.

— É, acho que tô falando isso.

— Também odeio você um pouquinho menos agora, Emo. — Precisava admitir isso, estava bem mais próxima dele, figurativamente e literalmente. Me inclinei e beijei sua bochecha. — Obrigada por ficar comigo. Aliás, dorme aqui?

— Claro. — Ele despejou mais doces na sua mão. — Eu fico.

Eu sorri e voltei a comer meus M&M's amarelos. Pensei em algo e foi impossível não falar.

— Espera, se somos amigos agora e a gente transa, quer dizer que você é meu pau amigo?

Edward gargalhou e fiquei com medo daquilo acordar meus pais, mas era bom vê-lo rindo. Depois daquela noite eu precisava mesmo escutar risadas, só que também precisava de beijos e levei meus lábios aos do meu vizinho do apartamento 505.

X

Edward me acordou cedo na manhã seguinte, mas não de propósito. Ele estava saindo da cama e eu despertei por perder minha conchinha menor.

— Desculpa — murmurou. — Não era pra te acordar. Como você está? Dormiu bem?

— Dormi — murmurei de volta, ainda grogue de sono.

— Vou pro meu apartamento, preciso tomar um banho e terminar de arrumar minhas coisas antes de ir para o aeroporto.

— Certo. — Sentei na cama, coçando os olhos e espantando um pouco do sono. — Não escovei os dentes, mas tá na hora do beijo de boa sorte. — Ele riu suavemente e se aproximou, beijando minha bochecha e depois meus lábios. Eu o abracei e ele me envolveu em seus braços também, o corpo dele estava quentinho e tudo que queria era voltar a dormir agarrada naquele homem forte e gostoso, mas Edward precisava viajar e ir ganhar mais um jogo para o nosso time. — Vence.

Edward assentiu, beijou minha bochecha outra vez antes de se afastar.

— Te vejo amanhã. — Caminhou até a porta do quarto, mas se virou e disse. — Hum, você pode descer e trancar lá embaixo para mim? Não quero acordar seus pais.

— Ah claro, sim. — Levantei e desci com ele, e mesmo correndo o risco dos meus pais verem, trocamos mais um beijo.

— Qualquer coisa manda mensagem, tá?

— Tá, tchau amigo. — Edward me encarou por alguns segundos, parecendo estar me avaliando, antes de sair, sem dizer mais nada. Esperei escutar o carro dele partindo antes de me afastar da porta, indo para a cozinha preparar café, sabendo que não conseguiria voltar a dormir, pelo menos não sozinha.

Já estava tomando meu café quando papai Aro apareceu e perguntou:

— Já acordada? Como você está, filha?

— Estou bem. Edward me acordou para eu trancar a porta, ele foi se aprontar para a viagem. O papai conseguiu ser dispensado? — Papai Aro começava a preparar uma xícara de café para si também.

— Conseguiu e eu vou cancelar a minha apresentação…

— O quê? Não, eu estava tão animada para isso, não cancela por mim, tá? Eu quero ir, vai ser bom para me distrair e a Renata vai. Rose, Alice e Jasper também, vou mesmo me divertir e esquecer um pouco do assalto.

Ele suspirou, parecia estar refletindo sobre meu pedido e por fim disse:

— Se você quiser pode ir embora a qualquer momento, tá?

— Beleza.

— Ok, Bella. — Ele pegou seu café e sentou ao balcão da cozinha. — Precisamos ter uma conversinha séria.

— Sobre?

— Sobre você e Edward.

— O que tem? — Bebi mais um gole do meu próprio café.

— Você está apaixonada por ele? — Eu me engasguei, mas ri.

Obviamente não gostava de Edward daquele jeito, e sim de Demetri.

— Pai, eu não estou apaixonada por Edward.

— Não é o que está parecendo. Talvez você esteja confundindo as coisas, com esses beijos forçados por conta do noivado falso. — Eu tentei manter a expressão mais neutra possível, sem que ele me pegasse no pulo e descobrisse que Edward e eu não estavamos por aí apenas nos beijando em momento de reforço para a imagem do nosso noivado. — Olha, gosto do garoto, tudo bem? E as vezes acho que ele sente algo por você também, filha. — Ele estava maluco quanto a isso. — Mas, vocês armaram esse plano louco e tenho medo de que você se machuque quando essa farsa acabar. Não estou dizendo que se você estiver apaixonada por Edward deve negar seus sentimentos, fugir deles, mas quero que tome cuidado. E sim, eu prefiro Demetri.

— Por quê? — me vi perguntando.

Papai deu de ombros.

— Acho que sou um romântico incurável e sei que você nunca o esqueceu, agora ele reapareceu, não? E logo voltará. Demetri, mesmo longe, parece ser uma escolha mais segura do que Edward. Mas, de novo, se você estiver apaixonada por Edward, tudo bem, só viva isso com cautela.

— Não estou apaixonada pelo Edward, pai — repeti. — Somos só amigos, ponto final.

— Até um dia desses você o odiava — observou.

— Até um dia desses eu não o conhecia direito.

— E agora conhece?

Sim, eu sabia que conhecia Edward muito melhor naquele momento do que em julho quando fomos traídos por Mike e Kate.

— Agora eu conheço.

X

Rosalie apareceu na casa dos meus pais pouco depois de eu tomar café com papai Aro, ela estava ansiosa para me ver e quando viu, me abraçou apertado e chorou um pouco. Prometeu que se encontrasse quem apontou uma arma para mim os atropelaria com o carro de Emmett, três vezes.

— Se alguém encostar em um fio de cabelo seu, eu juro que mato. — Ela segurou meu rosto entre suas mãos ao dizer aquilo, olhando fixamente nos meus olhos, e foi minha vez de chorar.

Eu amava Rosalie. Ela era a melhor. E não fazia ideia de como teria sido minha vida sem tê-la ao meu lado.

Ter sido abandonada por Caius e Renata foi terrível, mas eu conheci pessoas maravilhosas como meus pais, Rose, Jazz e Demetri por conta disso. Então, às vezes achava que tinha ganhado mais do que perdido. Não que agradecesse por ter sido abandonada, claro que não, mas era grata por quem conheci.

— Você tá mesmo bem? — Ela limpou cada uma das minhas lágrimas, ainda que estivesse derramando as suas. Eu sabia como minha amiga era forte, com quatro anos perdeu a mãe e ela e Jazz já tinham perdido o pai antes mesmo de nascerem. Os gêmeos desde muito cedo estavam sozinhos em lares foster care e Rose assumiu um papel de cuidadora do irmão e posteriormente meu.

— Tô melhor agora com você, obrigada por ter vindo. — Apoiei minha cabeça em seu ombro e ela afagou minhas costas.

— Sempre, amiga. — Beijou minha cabeça. — Vai dormir aqui hoje? Eu fico com você, podemos fazer pipoca e assistir todos nossos filmes favoritos.

A proposta era ótima, mas eu queria mesmo sair e me divertir um pouco na rua. Não deixaria aquele assalto me trancafiar em casa, eu continuaria vivendo, mesmo que sem minha amada moto ao meu lado.

— Não. — Me soltei de Rose. — Vamos para a apresentação da Judy, nada de ficar trancada em casa.

— Mas tá tudo bem se você tirar um dia para descansar.

— Eu não quero. — Limpei as lágrimas dela também. — Vamos sair, ver gente e dançar, talvez beber tequila.

— Bom, agora você com certeza tá falando a minha língua!

Nós almoçamos com meus pais e depois fomos para nosso apartamento, iríamos nos arrumar lá com Alice e Jasper levaria a gente para a boate. Em casa, Alice foi outra que me abraçou e perguntou um milhão de vezes como eu estava antes de finalmente me deixar ir tirar um cochilo.

Porém, o cochilo não veio. Eu tinha contado para algumas pessoas sobre o assalto e estava conversando com elas sobre, como Angela — que eu tinha convidado para a noite na boate —, Tanya — que não poderia ir a boate com Leah —, alguns colegas de grupo de estudo e Demetri.

Eu tinha contado para ele um tempo depois de Rose aparecer na casa dos meus pais e desde então o garoto estava enchendo minha caixa de entrada, fosse para me distrair ou perguntar como eu estava. E outro que fazia a mesma coisa era Edward, que já estava em Seattle há algumas horas.

Emo: O estádio daqui é uma bosta, o nosso é muito melhor.

Demetri: Queria poder voltar logo para a Califórnia e te beijar por horas.

Sorri ao ler a mensagem de Demetri, mas respondi a de Edward primeiro falando sobre o jogo daquela noite. Estava muito preocupada com a ideia do time perder mais uma partida, isso não podia acontecer.

X

Quando vi Renata, primeiro fiquei muito animada, mas depois desconfiada ao notar que ela estava entrando na boate de mãos dadas com um cara. Eu nunca tinha visto ele antes, era alto, cabelos escuros cheios de gel e usava óculos.

— Oi, tão bom te ver, Bella! — Ela se soltou dele ao chegar à nossa mesa e me abraçou.

— Como você está?

— Tudo bem e você? — Eu não tinha contado para ela sobre o assalto ainda, falaria daquilo pessoalmente para Renata ver que eu estava inteira e não ficar preocupada comigo atoa. — Oi, sou Isabella! — Acenei para o cara antes da minha mãe responder qualquer coisa.

— Bella, esse é o Stefan Marshall, meu… Namorado.

Bom, era meio óbvio.

— Stefan, essa é a Bella, você já ouviu falar dela diversas vezes. — Renata riu, estava nervosa. Não era o primeiro namorado dela que eu conhecia, mas todas as vezes que me apresentou a eles sempre ficava daquele jeito como se eu fosse cuspir na cara do sujeito ou qualquer coisa assim.

— Oi, Bella, tudo bem? — Stefan apertou minha mão.

— Claro, deixa eu te apresentar o pessoal.

Apresentei Stefan aos meus amigos e a papai Charlie, papai Aro já estava no camarim se preparando, e apresentei Renata para Angela que ela ainda não conhecia. O novo namorado da minha mãe era tímido, mas educado, sentou conosco e até brindou quando Rosalie puxou um brinde quando renovaram nossas bebidas.

— Desculpa, eu devia ter dito que estava trazendo alguém — Renata, sentada ao meu lado, cochichou. Do outro lado eu tinha Jasper, que como sua irmã e Alice também tinha ficado mega preocupado por conta do assalto.

— O quê? Não, sem problemas. E ele parece um cara legal.

— E o Edward?

— Viajando, lembra? Falei que ele tinha um jogo em Seattle.

— Por que mesmo não me contou que estavam noivos?

— Acho que a ficha ainda tava caindo para nós dois. — Forcei um sorriso e bebi um gole da minha cerveja. — Aliás, aconteceu algo ontem e preciso te contar.

Renata ficou apavorada quando contei sobre o assalto, mas papai Charlie e eu asseguramos que estava tudo bem e por fim Judy Passione apareceu para sua apresentação e ela foi distraída de vez.

Umas duas horas depois da apresentação de Judy e de outras drags, corri para o banheiro quando vi a tela do meu celular acender, Edward ainda estava ligando quando cheguei lá e eu o atendi com um grito:

— O estádio ruim deles que se foda!

Edward riu e disse:

— Ele quase fodeu foi com a gente, nem acredito que ganhamos.

Sim, eles tinham vencido. Por pouco, mas venceram, isso já era suficiente para uma comemoração. Eu aproveitei cada momento das apresentações daquela noite, mas Charlie estava me dando as atualizações do jogo que recebia do restante da comissão técnica.

— Como você está? — Edward perguntou.

— Bêbada!

— Ok, estou com inveja, mas cansado demais para sair e beber com o time. Judy já se apresentou?

— Já sim e foi tão legal! — exclamei, Angela entrou no banheiro naquele momento e gritei com ela. — Angela, diz pro Edward como hoje está sendo divertido! — Virei meu celular na direção dela, fazendo com que ela risse e fizesse o que eu tinha ordenado.

— Está muito divertido aqui, Edward!

— Ouviu? — Voltei a colocar o celular na orelha.

— Ouvi, vou te deixar aproveitar mais. Vai dormir na casa dos seus pais ou no seu apartamento?

— Meu apartamento.

— Te vejo lá amanhã. Tchau, Ratinha!

— Ai, que apelido idiota. Te odeio, tchau! — Desliguei e Angela que estava retocando seu batom riu um pouco.

— Vocês podem estar noivos, mas continuam encrencado um com o outro, né? — Minha resposta foi dar de ombros. — Amiga, preciso te contar uma coisa — disse quando terminou com o batom, sua expressão passando de relaxada para apreensiva.

— Fofoca?

— Mais ou menos, eu acho que estou grávida.

Meus olhos arregalaram e Angela ficou ainda mais nervosa.

— Como?

— Transei com um cara sem camisinha, sei que tô mega errada por isso, mas aconteceu. Tomei pílula no outro dia, mas tô com medo, ainda não desceu.

— A pilula pode atrasar, você sabe.

— Eu sei, mas estou surtando.

— Por isso você não bebeu nada.

— Sim, o que vou fazer se estiver grávida? Abortar? Enfrentar os últimos meses da faculdade com essa gravidez? Eu queria me formar e conhecer o mundo, não me tornar mãe logo agora, sabe? Ai, estou desesperada.

— Calma, não adianta surtar ainda. Tem uma farmácia aqui perto, vamos lá comprar um teste para você fazer.

— Dizem que é mais aconselhável fazer com a primeira urina do dia — sussurrou. — Posso dormir no seu apartamento? A gente compra o teste hoje e amanhã cedinho eu faço.

— Claro que pode! — concordei prontamente. — Beleza, vamos fazer isso. E independente do resultado, tudo ficará bem, tá? — Abracei Angela e deixei com que ela chorasse um pouco no meu ombro.

X

Angela, Rosalie, Alice e eu brindamos com xícaras de café.

— Ao negativo naqueles cinco testes! — Rosalie exclamou e nós rimos.

Rose, Alice e Jasper — que foi nosso motorista da rodada — sabiam sobre os testes que comprei com Angela quando deixamos a boate. Sendo assim, ao amanhecer, Alice e Rosalie também acordaram para dar apoio para Angela e por sorte, ela com certeza não queria ser mãe naquele momento, todos os testes deram negativo.

— De hoje em diante só com camisinha — Angela declarou.

— Até porque bebês só são uma parte do que pode rolar — lembrei.

— Claro — ela concordou e me abraçou, depois abraçou as meninas. — Sério, gente, obrigada por tudo.

— Conta pra gente pro que precisar, mas agora tô indo dormir mais. — Rosalie foi para o quarto dela e Alice para o seu logo depois, falando que também precisava dormir mais um pouco.

Apesar de eu dizer que Angela poderia ficar mais, ela quis ir para me deixar descansar. E foi o que fiz, mergulhei na minha cama e dormi. Quando acordei, foi com algo se mexendo no meu ouvido, seguido de uma risada.

— Que saco — resmunguei, abri os olhos e vi Edward em pé ao lado da minha cama, rindo da minha cara enquanto cutucava minha orelha com sua mão estúpida.

— Bom dia, ratinha.

— Faz um favor? Some — falei, mas segurei ele pelo braço e o puxei para cama comigo. — Que horas são? — perguntei, enquanto Edward dedicava-se a beijar meu pescoço.

— Quase meio-dia e tenho que parar de te beijar agora, preciso avisar meu pai que você sofreu um assalto e não vamos na festa do patrocínio.

— Ah não, é melhor a gente ir. E não quero ficar pensando nesse assalto toda hora.

— Melhor você ficar e descansar. — Teimou, se levantou da cama e o olhei parar no meio do caminho até a porta e encarar algo no chão.

— O que foi?

Edward se abaixou e pegou o que estava vendo no chão, e foi quando o vi segurando uma das caixas de teste da Angela que tinham ficado para trás. O Emo olhou para mim e o vi pálido, porém, antes que eu falasse algo, ele perguntou:

— Você tá grávida?


Beijos!

Lola Royal.

03.08.23