Olá!
Capítulo Trinta e Dois
Meu Vizinho e o Encanamento
Eu fiquei um pouco mais calma quando o recepcionista do hospital informou o motivo de Edward estar na emergência do lugar, mas apenas o suficiente para convencer Renata que conseguiria ir sozinha para lá. Por sorte eu não tinha ido de moto para o almoço, então peguei um Uber até o hospital e chegando lá corri até o balcão da recepção, perguntando por Edward:
— Edward Masen, onde ele está?
— Quem é você, senhorita?
— Isabella Volturi, sou noiva dele e contato de emergência, vocês ligaram para mim — desatei a falar, sem me importar em usar o antigo rótulo entre nós dois. — Cadê meu noivo? Disseram que ele teve uma reação alérgica a um medicamento — falei, toda a pouca calma adquirida sumindo do meu corpo.
O outro recepcionista que ligou não tinha dito muito, apenas que Edward deu entrada no hospital após chegar ali com uma reação alérgica medicamentosa.
— Só um segundo, senhorita — a mulher pediu, digitando no computador diante de si. — Ok, ele está na sala de observação — ela disse, eu assenti, tentando prestar atenção em suas coordenadas de como chegar lá e deixá-la colocar uma pulseira de identificação no meu pulso.
Com a direção indicada e a identificação abrindo portas para mim, eu fui atrás de Edward. Meu coração batia descontroladamente dentro do peito, talvez fosse acabar precisando de um atendimento também.
Entrei na sala de observação, que consistia em macas e poltronas separadas por cortinas para dar privacidade aos pacientes e esbarrei em uma enfermeira, que pelo seu crachá chamava-se Caroline e a questionei sobre Edward, antes que eu acabasse gritando por ele e fosse expulsa por isso.
— Oi, tô procurando por Edward Masen, sou… O contato de emergência dele.
— Claro, pedimos que a recepção entrasse em contato. Ele tomou um medicamento para dor de cabeça em casa, pelo que relatou não tinha apresentado qualquer reação alérgica anterior, mas teve dessa vez. Apresentou edema facial, no olho esquerdo e nos lábios, já foi medicado, mas ficará em observação por mais um tempo para avaliação do desenvolvimento do quadro, certo?
— Ok, ele tá acordado? — Olhei ao redor, mas só uma maca estava à vista e ninguém deitado nela.
— Sonolento, mas acordado. É aquela maca ali, pode esperar lá com ele, qualquer coisa é só chamar. — Indicou o local, eu agradeci e fui até lá.
E porra, eu queria me jogar nos braços de Edward e beijá-lo, mas não fiz isso. Primeiro, porque ele tinha uma namorada e eu um namorado, segundo porque os lábios dele ainda estavam um pouco inchados e aquilo poderia doer.
Seus olhos também continuavam levemente inchados, naquele momento fechados. Eu me aproximei devagar da cama, sem querer acordá-lo se ele tivesse dormido, largado minha bolsa na poltrona e tocando bem de leve na ponta dos dedos da mão direita de Edward, por aquele braço ele tomava alguma medicação que estava pendurada no suporte ali próximo.
— Bella? — Ele abriu os olhos lentamente, parecendo fazer um grande esforço para isso.
— Oi… Como você sabia que era eu? — perguntei confusa quanto aquilo.
— Senti seu perfume. — Seus olhos fecharam novamente, sua fala me deixando bem surpresa, mas não insisti no assunto, só que ele completou. — E falaram que avisaram minha noiva pelo contato de emergência da minha ficha de cadastro.
— É, tive de colocar meu número no dia da mordida do gato… Como você está? — Minha mão continuou a passar pela sua, ele estava gelado, o hospital era mega frio por conta de tantas centrais de ar-condicionado.
— Sinceramente? — Abriu seus olhos novamente e deu um mínimo sorriso.
— Sinceramente! — Eu me vi sorrindo de volta.
— Doidão. — Aquilo me fez rir. — Eles me deram trocentos remédios para interromper a reação alérgica e agora to sentindo que fumei uma maconha da boa.
— Edward! — chamei a atenção dele e ri mais. — Mas seu rosto ainda está inchado, eles falaram que essa demora é normal?
— É sim, quando estiver sem inchaço algum vão me deixar ir embora. Você pode ir embora, eu me viro sozinho.
— Não, nem pensar. — Sentei no cantinho da cama com ele. — Vou esperar aqui com você. — Nem mesmo Chelsea seria capaz de me tirar daquele hospital naquele instante, se ela aparecesse ali seria capaz de ser a próxima pessoa com o olho inchado. — Você estava passando mal antes de vir para cá? Falaram que foi um remédio para dor de cabeça.
— Meu pai estava enchendo minha paciência sobre o emprego dele, depois minha tia também estava ligando e falando sem parar sobre eu procurar seus avós para ajudar Eleazar, senti tanta dor de cabeça que tive que tomar algo, mas o remédio também me odeia e me deixou assim sendo que nunca me causou nem cócegas. Eu também acabei bebendo mais do que devia ontem, o que contribuiu pra minha cabeça estourando de dor. Bella, é sério, você pode ir, deveria estar com Demetri, né?
Não me importei em responder aquilo.
— Quer um pouco de água?
— Não, bebi tem pouco tempo. Você pode ir embora.
— Eu já disse que não vou — teimei. — Ok, sei que você me odeia, mas eles ligaram para mim e ponto final, irei ficar.
— Eu não te odeio, Isabella — declarou, seus olhos fixos nos meus.
— Até parece — resmunguei e desviei o olhar, pensando nele e Chelsea no quintal da casa dos meus pais.
— Ratinha. — O apelido mexeu com meu estômago, o jeito que ele falou parecendo muito mais carinhoso do que provocativo. — Eu não odeio você.
— Bom, tanto faz. — Engoli em seco, sem conseguir parar de pensar em Chelsea. — Mas quer saber? Eu te odeio. Você me deu um susto imenso hoje, sabia?
— Me desculpa — pediu, movendo sua mão até que seu dedo mindinho entrelaçasse ao meu.
Voltei a olhar para ele, até acabar me inclinando sobre seu corpo para beijar seu rosto demoradamente, ficando ali colada a ele o máximo de tempo possível. Edward me envolveu com seu braço que não recebia a medicação, seu rosto apoiando-se nos meus cabelos.
— Ratinha?
— Fala, Emo.
Um longo tempo de silêncio se passou, até ele perguntar:
— Você tem M&M's na sua bolsa?
X
Quase duas horas depois Edward foi liberado, eu o coloquei em um carro e seguimos para o prédio que morávamos. No carro, com mais sono do que antes, ele ficou com a cabeça apoiada no meu ombro.
Eu praticamente o reboquei até o andar dos nossos apartamentos, e para meu alívio, Tanya já estava na escada do andar esperando pela gente. Eu não falaria com Chelsea nem sob ameaça, e ela provavelmente ainda estava em Seattle por conta do falecimento em sua família. Emmett estava com Rosalie em São Francisco, tinham ido almoçar com Renée e o pai do amigo de Edward, sendo assim falei com a única pessoa que poderia ajudar o Masen, já que não sabia se ele iria querer ser ajudado por Benjamin e Peter, isso se os colegas de apartamento dele estivessem por lá.
— Oi, primo — Tanya saudou levantando do degrau da escada onde estava sentada. — Bella falou que você foi nocauteado por um remedinho, foi viagra?
— Suma, Tanya — ele ordenou. — Bella, o que ela tá fazendo aqui?
— Ela vai cuidar de você agora. — Ok, eu cuidaria dele com muito prazer, mas tinha medo de entrar no apartamento 505, verdadeiro pavor, porque aquele lugar de alguma forma era como uma casa que eu tinha perdido. — Eu preciso… Estudar.
— Vamos, viagrinha. — Tanya tirou das mãos de Edward a chave do apartamento.
Eles entraram no apartamento dele com o Emo reclamando da prima, eu suspirei e entrei no meu. Mas, mal tinha pisado lá quando recebi uma ligação de papai Charlie.
— Filha, cadê você? — Ele parecia muito animado.
— No meu apartamento, o que foi?
— Vem pra cá para casa, temos que te contar algo pessoalmente! — exclamou.
— Vai me deixar na curiosidade até eu chegar aí?
— Sim, vem logo.
— Posso chamar o Demetri? Ele só entra no trabalho mais tarde…
— Não, só a família e Edward, cadê ele, você sabe?
— Não — menti. — E ele não é da família, pai.
— Então vem só você — Charlie disse ignorando minha fala. — E vem de Uber, nada de moto, vamos abrir um champanhe.
— O que tá rolando?
— Isabella, só vem.
— Certo, tô indo. — Dei meia volta e saí do apartamento.
Dei tchau, finalizando a ligação, pedi o carro e fui para a casa dos meus pais. Jacob, como eu, não parecia saber o motivo da felicidade dos meus pais, que colocaram uma taça de champanhe nas minhas mãos e uma de suco na de Jake.
— Ok, ok — papai Charlie disse e respirou fundo. — Eu vou ser o novo técnico do San Francisco 49ers!
— O quê? — Jacob e eu gritamos juntos.
— Recebi a proposta há algumas semanas, fui até lá hoje assinar o contrato, começo no cargo em julho! — ele contou a empolgação em sua voz crescendo a cada palavra dita.
— Por que você não contou nada? — gritei ainda em choque, meu pai seria treinador de um time da liga profissional, o nosso time, porra!
— Fiquei com medo deles desistirem, sei lá, não queria criar falsas expectativas em ninguém — disse ainda empolgado, mas também nervoso. — Até agora parece que isso não está acontecendo.
— Mas está acontecendo e vamos brindar a isso, amor — papai Aro disse erguendo sua taça, mas antes do brinde eu questionei o professor de história.
— Espera, como vai ser quando papai Charlie estiver treinando o time na base em São Francisco e viajando para os jogos?
— Bom, eu decidi tirar um ano sabático — papai Aro confidenciou. — Vou escrever um livro da minha área, vamos avaliar a rotina e depois volto para a universidade aqui, quando Charlie já estiver mais estabelecido no novo emprego. Jake. — Se voltou para ele. — Isso quer dizer que vamos mudar para São Francisco, mas se você prometer acordar cedo podemos considerar te manter na escola daqui.
— Não sei se isso vai rolar — meu irmão admitiu. — Mas tanto faz, eu só quero um autógrafo de todo o time do 49ers, estudo em qualquer escola!
— Ok, hora do nosso brinde. Ao Charlie e ao San Francisco 49ers! — papai Aro tornou a erguer sua taça e brindamos com ele.
Eu abracei papai Charlie e o parabenizei pelo novo cargo, também abracei papai Aro e disse que estava ansiosa para ser a primeira leitora do seu livro. Depois, bom, depois eu comecei a chorar.
— O que foi, Bella? — eles perguntaram juntos.
— Essa não vai mais ser nossa casa. — Gesticulei ao redor, sentindo meus olhos se encherem de lágrimas não solicitadas.
— Filha, nosso plano é realmente vender para comprar uma em São Francisco, mas se você quiser ficar com ela, pode ficar. Ou pode ficar conosco na nova casa em São Francisco — papai Charlie disse.
— Mas a nova casa será azul! — Jacob teimou e aquilo me fez rir um pouco, mas eu ainda queria chorar.
— Ei, onde estivermos, independente da casa em si, sempre será seu lar, Bella — papai Aro disse ao me abraçar.
— É, eu sei, mas vou sentir muita falta daqui — murmurei.
— Você pode morar aqui com Demetri, quem sabe — ele sugeriu falando bem baixinho para mim. — Mas, se quiserem um novo lugar, tudo bem. E prometo que a casa em São Francisco terá um quintal grande para fazermos o casamento de vocês dois, como você sempre sonhou, filha.
X
Estava uma verdadeira confusão no meu prédio quando meus pais estacionaram seu carro lá na frente, era duas da manhã de um domingo e eles estavam indo me deixar ali, Demetri estava comigo, depois de uma apresentação de papai Aro na boate do amigo dele em São Francisco. Nós todos saímos do carro quando vimos a movimentação e logo percebemos o ocorrido, o prédio estava alagado e parecia ter sido algo que começou na lavanderia, mas também tinha algo vindo dos andares superiores e aquilo rapidamente me desesperou pensando nas coisas no meu apartamento.
Rose e Alice tinham ido passar o final de semana em Los Angeles com Emm e Jazz, então sabia que minhas amigas estavam bem e seguras, diferente da possibilidade de tudo que era nosso estar debaixo d'água. Cruzei a multidão na entrada do prédio, mas antes que pudesse ir muito longe, senti alguém segurar meu braço e impedir que eu continuasse.
— Nem sonha em entrar aí. — Era Edward, que soltou meu braço e voltou a usar as duas mãos para segurar uma grande mochila que carregava junto de si.
— O que aconteceu? — perguntei para ele.
— Eu disse que era necessário rever o encanamento da lavanderia, não disse?
— Afetou nosso andar?
— Não, só o térreo e o primeiro, mas ninguém vai poder passar a noite aqui, porque pode rolar mais vazamentos — alertou.
— Certo, vocês dormem lá em casa! — papai Charlie surgiu ao nosso lado, me dando um susto por ter aparecido do nada.
— Como, treinador? — Edward perguntou confuso.
— Você e Bella dormem lá em casa.
— Ah não, isso não é necessário — Edward negou. — Eu vou pro apartamento da minha prima…
— Se você não vier conosco te deixo fora do próximo jogo — meu pai ameaçou.
— Pai…
— Calados, vamos logo! — Charlie indicou a direção onde tinha parado seu carro, papai Aro e Demetri estavam lá perto.
Demetri que iria passar a noite comigo, puta merda!
— Andem, estou mandando — Charlie teimou, Edward e eu começamos a seguir ele, mas eu parei e ordenei ao Masen.
— O Stuart, você precisa ir buscar ele!
— Ele tá na minha mochila, na gaiola de transporte — falou num sussurro, lançando um olhar rapido para a senhora Wilker que conversava com outros moradores e uma equipe que parecia ser a responsável por restaurar a paz no nosso prédio.
— Coitadinho, vamos logo, ele precisa de paz.
— Vamos ter uma noite festa do pijama na casa dos seus pais? — Demetri perguntou enquanto Edward falava rapidamente com papai Aro e entrava no carro pelo outro lado.
— É. — Forcei um sorriso.
— Esse Edward precisa mesmo ir junto? Ele é meio chato, quer dizer, muito chato.
— Ele vai sim — afirmei, entrando no carro e sentando no banco de trás ao lado de Edward, ficando literalmente entre ele e Demetri.
X
Demetri não gostava de dormir abraçado, o que me incomodava. Já que eu gostava de dormir abraçando algo ou alguém, ou sendo abraçada, mas ele dizia que tinha muito calor e preferia não ter contato físico durante a noite.
A falta do contato foi um dos motivos que roubou todo meu sono naquela noite, o outro motivo foi saber que Edward estava no quarto de hóspedes. Toda aquela insônia me fez deixar Demetri dormindo em meu quarto, peguei uma manta no armário e fui para o quintal, sentando na escadinha que dava acesso à grama.
Estava quase amanhecendo, então eu veria o Sol nascer naquele domingo. Fiquei ali, sozinha, por alguns minutos, até Edward aparecer e sentar ao meu lado.
Não tínhamos voltado a estar próximos depois de eu ir até ele no hospital, mas durante aquela semana trocamos uma mensagem ou outra para eu me certificar que o jogador estava mesmo bem. E estava, nada de rosto inchado e na noite passada ele tinha vencido ao lado do time mais um jogo.
— Chelsea ainda tá em Seattle? — me vi perguntando, sem olhar para seu rosto, mas sabia bem que era ele ali porque também reconhecia seu perfume.
— Sim — ele respondeu. — Volta hoje à tarde.
— Bom, você pode ficar com ela se não resolverem as coisas no prédio — sussurrei, pensando neles num apartamento perfeito que pertencia à Chelsea, cuidando do Stuart juntos como um casal tirado de um editorial de moda.
— Eles vão resolver. Seus pais vão vender a casa?
Ali eu o olhei, Edward já olhava para mim.
— Seu pai contou para Emm e eu sobre o 49ers ontem, depois do jogo, ele nos quer no time.
— Claro que quer. O que você disse a ele para fugir da proposta?
— Falei que precisava pensar, o Emm já tá 90% dentro, só precisam que o resto da comissão técnica o aprove.
— Pelo menos ele e Rose estarão por perto.
— Nós vamos coordenar nossos discursos para o casamento deles? — Edward perguntou, puxando um pedaço da minha manta para cima das suas pernas.
— Acho que precisamos contar que unimos eles graças ao skate e sua mão machucada — falei, Edward riu e assentiu.
— Seus pais vão vender a casa? — ele voltou a perguntar.
— Vão — confirmei. — Eles até propuseram que eu ficasse com ela, mas… — Dei de ombros. — Vou atrás da minha próxima casa amarela, tá na hora dessa aqui fazer outra família feliz. — Alisei a tábua da escada, me despedindo silenciosamente da casa.
Nós não falamos mais nada, aos poucos o Sol foi nascendo e iluminando o quintal que sonhei casar um dia. O quintal onde eu nunca iria me casar, nem com Demetri, nem com Edward, nem com qualquer outro cara.
Mais três capítulos e o epílogo para o final da fic, beijão!
Lola Royal.
03.03.24
