Boa leitura e boa semana!
Capítulo Trinta e Três
Meu Vizinho e o Detetive
Desci da minha moto no estacionamento da faculdade e senti vários olhares se voltando para mim, inspirei fundo, contendo a raiva. Aquilo tudo ainda era sobre Chelsea e Edward estarem namorando? Fazia quase um mês que eles estavam juntos, não era mais uma notícia fresca, por que ainda estavam interessados em ficar olhando para mim e cochichando?
Caminhei de cabeça erguida pelo campus, tentando ao máximo ignorar os olhares e as fofocas que me cercavam. Entretanto, foi difícil ignorar um aglomerado de pessoas frente a um dos principais prédios da universidade, como se algo estivesse acontecendo ali, foi ainda mais difícil ignorar Angela andando até mim com uma cara de raiva misturada a pena.
— Amiga, eu sinto muito — ela disse, eu franzi o cenho e indaguei.
— Sente muito pelo que?
— Ai, você ainda não sabe? Pensei que tivesse visto pelas redes sociais, tá todo mundo comentando.
— Angela, comentando o que? — Observei o prédio e de relance vi algo escrito em uma das paredes da fachada, mas não consegui ler o que estava escrito ali.
— Ei, vem comigo. — Edward apareceu ali antes que Angela pudesse responder.
— Oi, espera o que? Pra onde? Edward, o que tá acontecendo? — questionei, ainda mais confusa e como Angela sua expressão era raivosa, mas apenas isso, nada de pena.
— Você ainda não sabe — ele concluiu.
— Não, eu ainda não sei, será que dá pra alguém falar que merda tá rolando aqui? — exigi, Edward suspirou e contou:
— Fizeram uma pichação homofóbica sobre o Charlie.
— O quê? — gritei.
— Bella, é melhor você… — Edward tentou segurar meu braço, mas me desvencilhei dele e saí andando em direção ao prédio pichado, dando largos passos até chegar ali e ver com meus próprios olhos a pichação na parede.
"Técnico viado ama bolas!"
A raiva em mim abriu espaço para a vontade de chorar, mas eu ainda queria mais do que tudo que as pessoas responsáveis por escrever aquela merda surgissem na minha frente para que pudesse quebrar a cara delas no soco. Era ridículo, era humilhante, completamente repulsivo.
— Vamos sair daqui, Ratinha. — Edward voltou a aparecer perto de mim.
— Não — murmurei, com o choro entalado em minha garganta.
— O que está acontecendo aqui? — escutei a voz do reitor da universidade. — Quem escreveu isso? — gritou, parando perto de onde eu estava bem próxima da parede. — A pessoa que fez isso será imediatamente expulsa!
Quando me dei conta, eu estava chorando, odiando que meu pai estivesse passando por aquilo. Senti Edward tirar a mochila das minhas costas, enquanto eu cobria meu rosto com as mãos, tentando parar de chorar, mas sem sucesso naquilo.
— Senhorita Volturi — o reitor falou comigo. — Eu sinto muito, iremos descobrir quem fez isso, prometo. Masen, leve ela daqui, ok? Esperem no meu escritório, vou verificar se Charlie já está no campus.
— Sim, senhor — Edward concordou. — Vem, Bella — chamou por mim.
Deixei que ele me guiasse, mal enxergava qualquer coisa por conta das grossas lágrimas cobrindo meus olhos. Quando chegamos à porta do escritório do reitor a secretária dele já sabia do que estava acontecendo e nos deixou entrar, Edward me fez sentar em um sofá que tinha ali e sentou ao meu lado.
— Quem fez isso? — perguntei, mesmo sabendo que Edward provavelmente não sabia a resposta.
— Vamos descobrir, tá? — Edward falou, segurando meu rosto entre suas mãos, limpando minhas lágrimas com a ponta de seus dedos. — Prometo que vamos, e essa pessoa será punida, Ratinha.
— Estou com tanta raiva — falei e cheguei a soluçar em meio ao meu choro, Edward tirou suas mãos de mim e me abraçou com força, deixando com que eu escondesse meu rosto em seu pescoço.
Passamos um tempo sozinhos na sala, comigo ainda o abraçando, até que escutamos a movimentação do lado de fora e nos soltamos. Logo o reitor e meus pais entraram na sala, todos três visivelmente irritados. Dei um pulo do sofá, andando até Charlie e Aro que rapidamente me apertaram em um abraço.
— Sinto muito — falei para Charlie.
— Vai ficar tudo bem, filha — ele garantiu. — Vão descobrir quem fez isso e essa pessoa não sairá dessa impune.
Eu sabia que eles iriam procurar por quem tinha feito aquilo, que iriam processar. Porém, isso realmente ensinaria algo para quem quer tenha feito aquela merda? De forma geral meus pais eram muito respeitados dentro da universidade, no entanto, era uma pequena bolha e eu sabia que fora daqueles muros as coisas não eram tão coloridinhas assim, que eram mais como a pichação naquela parede, mais como o tratamento que Helen e Geoffrey Swan concediam ao próprio filho.
X
A casa dos meus pais estava cheia no domingo de Páscoa, apesar de não sermos religiosos decidimos fazer um almoço e isso levou até lá: Demetri, Renata, Stefan o namorado dela, Rosalie, Emmett, Jasper, Alice, Renée e Phil, o pai de Emm, já que os dois estavam oficialmente namorando.
Nós tínhamos montado uma mesa grande no quintal, para conseguir comportar todos para o almoço. Era uma manhã agradável de abril, fazia Sol, estava fresco e papai Aro e Phil estavam fazendo churrasco. Ainda assim, mesmo estando tudo bem, sentia um aperto em meu coração, sabia que aquele era um dos últimos momentos de todos naquela casa dos Volturi. Meus pais já tinham contratado uma corretora, que já tinha anunciado a casa para venda, em breve o local começaria a receber visitas de compradores interessados por ela e eu teria de dar adeus em definitivo a minha casa amarela.
— É só uma casa — Jasper falou ao meu lado, enquanto me ajudava com Alice a arrumar a mesa.
Rosalie e Emmett tinham ido buscar algumas coisas na cozinha, Renée e Renata estavam conversando do outro lado da mesa com Demetri, enquanto Charlie e Jacob jogavam bola com Stefan ali perto.
— Você lê mentes? — questionei meu amigo.
— Às vezes, infelizmente nunca a da Alice — provocou a namorada, que riu. — É sério, Bella, tenta não ficar triste por conta da venda da casa, você não precisa dela para ser feliz.
— Sei disso — murmurei. — Vou ajudar Rose e Emmett — anunciei, aproveitando para mudar de assunto.
Segui para dentro da casa, minha amiga e seu noivo estavam de costas para a entrada da cozinha, fofocando algo no celular e ele falou:
— Puta que pariu, todo mundo da família dessa garota morre?
— De quem vocês estão falando? — indaguei, fazendo com que os dois se assustassem.
— Bella! — Emmett exclamou, eles me olharam como crianças sendo pegas no flagra.
— Quem morreu, gente?
Rosalie suspirou, olhou rapidamente para o noivo, mas respondeu por fim:
— O avô da Chelsea.
— Avô? Não, foi a avó no mês passado? — indaguei confusa.
— É, a avó faleceu no mês passado, mas o avô faleceu hoje.
— Caraca — sussurrei, chocada com aquela informação, sentindo-me mal por Chelsea, mas nem tanto assim porque ainda nutria certa raivinha da garota, algo que eu estava procurando trabalhar na terapia, mas eu já tinha tanta coisa para trabalhar na terapia que faltava tempo.
— Edward foi passar o feriado com ela em Seattle — Emmett contou, ganhando um soco da noiva no braço.
— Ah — falei baixinho, eles estavam em uma viagem de casal? Bom pra eles, péssimo para mim. — Vamos logo levar o resto das coisas para a mesa? Estou com fome — comecei a recolher o restante das comidas que estavam no balcão da cozinha, segurando a vontade de gritar e chorar sobre Edward ter viajado com outra, mas fui salva pela campainha tocando. — Eu atendo!
Praticamente corri até a porta de entrada de casa, tendo uma surpresa, não tão boa assim, a ver que quem estava ali eram meus avós. Eu não via meu avô há séculos, e a última vez que estive com Helen foi quando ela me visitou na lanchonete para encher minha paciência.
— O que vocês estão fazendo aqui? — questionei.
— Feliz Páscoa para você também, Isabella! — minha avó falou e eu revirei meus olhos.
— Vocês não foram convidados para passarem a Páscoa conosco.
— Você é muito irritante quando quer, garota. — Geoffrey Swan declarou e entrou na casa sem ser convidado. — Chame seu pai.
— Aro também — Helen completou, também entrando na casa.
— O que vocês querem com eles? — Bati a porta.
— Precisamos falar sobre o ocorrido na universidade, a história da pichação.
Aquele caso ainda não tinha tido solução alguma, três caras, usando máscaras de super-heróis entraram na universidade na noite anterior a descoberta da pichação e escreveram aquelas palavras terríveis na parede. Mas as câmeras de segurança que cercavam não só aquele trecho da universidade, como a área do campus como um todo, não registraram nenhum veiculo ou qualquer outra informação que pudesse ajudar a rastreá-los. O caso tinha sido noticiado em alguns jornais, só que nada de grande alcance e parecia que ia acabar sem punição de quem tinha feito aquilo.
— O quê? Vocês querem patrocinar quem fez aquilo? — rebati, Helen respirou fundo e Geoffrey falou:
— Isabella, sabemos que você nos considera monstros, mas queremos ajudar.
— Até parece.
— Chame Charlie e Aro — Helen exigiu.
— Eu vou chamar, mas só para eles lidarem com vocês, porque tô exausta disso.
Meus pais não ficaram muito contentes quando lhes contei que estava ali, mesmo Aro que sempre tentava apaziguar as coisas, mas mandaram todos se sentarem para comer e foram comigo até a sala onde Helen e Geoffrey estavam.
— O que vocês querem? — papai Charlie questionou.
— Vamos direto ao ponto — Helen disse. — Queremos pagar por um detetive particular para descobrir os responsáveis pela pichação, a polícia é lenta, uma busca particular trará resultados mais rápidos.
— Isso pode ajudar — papai Aro falou, olhando em direção ao marido.
— E por qual motivo vocês querem ajudar? — Charlie questionou, cruzando os braços na frente do corpo.
— Porque somos seus pais.
— Ou vocês querem usar o caso como alguma promoção para a grande rede de shoppings de vocês? — indaguei.
— Nem todos aqui tem um plano na manga sempre, Isabella. Eleazar acabou nos contando mais detalhes sobre seu planinho com Edward, e que plano ruim, ein?
— Tanto faz. — Foi minha vez de cruzar os braços na frente do corpo.
— Não vou aceitar a ajuda de vocês — Charlie disse parecendo muito decidido. — Não quando vocês passaram anos me tratando mal pelo que sou, tratando mal a pessoa com quem me casei. Vocês sempre foram tão homofóbicos quanto as pessoas que picharam aquela parede, não sei se estão buscando alguma redenção agora, ou se só querem se promover em cima disso como Bella disse, mas sei que não vou participar disso.
— Charlie, pensa bem…
— Por favor, quero que vocês saiam — meu pai interrompeu Geoffrey. — E sem mais reclamações, Helen — falou para a mãe que estava abrindo a boca para dizer algo. — Vão embora! — ordenou e deixou a sala indo em direção ao quintal.
— Aro, você precisa o convencer! — Helen exclamou para meu pai.
— Eu sei que um detetive particular nesse caso ajudaria muito, mas não vou contrariar o Charlie, é melhor vocês irem embora. — Ele também seguiu até o quintal, me deixando ali com meus avós.
— Ok, gente, hora de ir! — ordenei, Geoffrey revirou os olhos e foi para a porta, mas Helen se aproximou de mim e me pegou de surpresa ao me abraçar.
Eu fiquei estática em seus braços, sem acreditar que ela estava realmente me abraçando, sem mais ninguém para ver, como suas amigas riquinhas para quem gostava de me exibir de vez em quando.
— Como você está? — ela me perguntou e senti meus ombros caírem.
— Bem — sussurrei, Helen se afastou e mexeu em meus cabelos, seus olhos focados nos meus.
— Seu pai deve estar certo, talvez eu realmente queira ajudar porque estou buscando algum tipo de redenção no fim da minha vida, mas saiba que não sou mesmo um monstro como acredita que sou, Isabella.
— Espera, com fim da vida você tá falando que descobriu alguma doença ou só tá sendo genérica? — questionei, ficando realmente preocupada ao escutar aquilo, ela riu e me abraçou de novo.
— Só estou sendo genérica, já ouviu falar que vaso ruim não quebra?
— Aham, sei bem. — Ela me soltou.
— Mas você é um vasinho muito bom, não é, garota? — Mexeu em meus cabelos de novo. — E o brilho no seu olhar se foi, mesmo quando estava na minha casa nas festas e jantares que detesta te via brilhando, mas desde que terminou o noivado e seu plano estúpido o brilho evaporou.
— Você não me conhece tão bem assim, nunca foi uma avó de verdade para mim.
— Ok, posso não ter sido uma avó modelo, mas sou uma mulher e sei quando outra está triste por perder alguém que ama. Não faça o que eu fiz, não passe sua vida ao lado de alguém que não ama de verdade.
— Você e Geoffrey…
— Você realmente olha para nós e vê algum tipo de sentimento verdadeiro? — sua pergunta não precisou de uma resposta verdadeira, era claro que eu não via. — Vai atrás do Edward, ou você terá mais de oitenta anos e estará casada com um cara que detesta. Tchau, Isabella, tente convencer seu pai a aceitar o detetive particular. — Ela foi embora e eu fiquei na sala por mais alguns minutos absorvendo o que ela tinha dito.
— Bella, vem, vamos almoçar — Demetri apareceu chamando por mim.
Eu tinha que terminar com ele, sabia que nunca mais teria Edward, mas teria de criar coragem e terminar com Demetri. Precisava reunir forças, precisava me convencer que não precisava ter um cara que eu nem curtia de verdade só para tapar um buraco do passado — o abandono, os anos em lares adotivos, a traição de Mike e o amor não correspondido de Edward — eu precisava me convencer que poderia um dia ter minha casa amarela sozinha, que não precisava me agarrar ao primeiro cara para isso.
— Bella? Almoço?
— Sim, vamos lá.
Eu sorri para Demetri, mas não duraria muito, quando estivesse mais fortalecida, eu terminaria. Escutaria apenas aquele conselho de Helen, nisso ela tinha razão.
X
Edward não precisava dos meus beijos da sorte, ele conseguia se sair muito bem nos jogos sem eles. Ou, talvez, os beijos de Chelsea fossem de sorte também.
Meu estômago embrulhou ao pensar que ela seria a pessoa o beijando depois do jogo da final da temporada, um jogo que muito provavelmente o time iria disputar, eles estavam cada vez mais próximos disso, apenas precisavam vencer a partida daquele sábado e a próxima. Meu pai estava nos céus com isso, sonhando que terminaria seu tempo sendo técnico em Berkeley com uma grande vitória, mais uma para seu currículo.
— Isabella! — Eleazar Masen apareceu ao meu lado na arquibancada, eu soltei um gritinho de susto.
Estava sem meus amigos, ou minha família na arquibancada, tinha chego mais tarde ao jogo e acabei sentando em um cantinho longe de todos que conhecia. Até o Masen surgir ali, como um fantasma para me assombrar.
— O que você quer?
— Você precisa falar com o Edward por mim.
— Não preciso não.
— Ele não atende minhas ligações, não responde minhas mensagens, nem com Esme ele fala mais — continuou a falar, ignorando minha negativa, falando sem parar ao meio da gritaria da partida que estava muito boa para o time de Berkeley.
— E eu não tenho nada a ver com isso.
— Vocês são amigos.
— Não somos amigos — o corrigi.
— Isabella — Eleazar suspirou. — Eu preciso muito falar com meu filho.
— Precisa? Sobre o que? — decidi o confrontar. — Vai finalmente, no mínimo, pedir perdão por ter sido um péssimo pai? — indaguei revoltada. — Vai se desculpar por ter arruinado sua família? Se desculpar por sequer cuidar de Edward quando ele perdeu Elizabeth? Ou dizer um sinto muito por não ter vindo a nenhum jogo dele até isso ser útil para seus negócios? — Os ombros de Eleazar cairam um pouco, mas ele ainda teve a cara de pau de tentar se defender.
— Eu nunca soube como ser um bom pai, ok? Minha vida foi muito difícil, perdi minha mãe muito cedo…
— Ai, cala a boca! — ordenei. — O Edward também perdeu a mãe dele e não é um idiota como você.
— Garota, você…
— Eu nada, só tô falando a verdade que ninguém nunca falou na sua cara. Você foi um terrivel marido, um terrivel pai. Elizabeth e Edward não mereciam alguém assim na vida deles, então talvez seja realmente melhor seu filho não falar contigo, porque faz mal a ele. Vai, fala sinceramente, o que você queria falar com ele agora?
Eleazar bufou, mas respondeu:
— Ele precisa entrar para algum time da liga profissional, posso agenciar a carreira dele, ok? Assim eu posso me reerguer, e ele poderá ter um futuro brilhante, mas na última vez que falei com ele, Edward veio dizer que não vai continuar jogando e que vai ser um arquiteto.
— Edward vai ter um futuro brilhante na arquitetura, você é melhor ir distribuir uns currículos por aí e parar de ser sustentado por sua irmã.
Ele ficou sem fala, mas no meio de todo meu estresse, tive uma ideia. O larguei lá e fugi para outro lugar, mais tarde naquela noite apresentei minha ideia para papai Aro e papai Charlie.
— Expor o caso da pichação no programa do Grande Marcus? O programa patrocinado por seus avós, Bella?
— Sim, sei que tem esse empecilho, mas na época que eu estava por aí com os Masen segui e fui seguida por algumas pessoas dos bastidores do programa, e até pelo próprio Grande Marcus, posso falar com ele e pedir que façam uma entrevista sobre o caso, assim ele repercute e há mais chances de encontrarem os culpados, o que acham?
X
O time ia pra final, em poucos dias iam disputar a taça da temporada da liga universitária e iam ganhar, eles tinham de ganhar. Porra, eu estava tão feliz com a vitória tão pertinho, tão feliz que entrei no apartamento de Edward pela primeira vez em muitos e muitos dias, semanas.
Ele e Benjamin estavam oferecendo uma festa pós jogo da semifinal ali, no pequeno apartamento que já estava lotado, mas fervilhando em comemoração ao título tão próximo. Entrei no local com Demetri segurando minha mão, mas não aguentei e soltei dele quando vi Edward, ele estava perto de Emmett e Rose, e corri até eles, mas antes que pudesse abraçar o Masen vi Chelsea e abracei o noivo da minha melhor amiga.
— Sugar Daddy você vai para a final! — gritei para Emmett, que riu e me girou em nosso abraço, até me colocar de volta no chão.
— Vou, estou tão animado, e também vou para o 49ers, recebi uma ligação antes do jogo hoje, eles vão assinar o meu contrato — confidenciou e eu soltei um grito ao receber aquela notícia.
— Tá falando sério?
— Claro que tô! — Emmett riu. — Só falta o Edward topar a vaga que eles tem pra ele e vai ser perfeito. — Olhou na direção do seu amigo, fazendo com que eu olhasse também, Chelsea estava apoiada no ombro dele como um papagaio de pirata.
— Edward está escolhendo entre várias propostas — Chelsea declarou com um tom de orgulho em sua voz, enquanto Edward abaixava o olhar e bebia um pouco da cerveja que tinha em mãos. Ele não tinha contado para sua namoradinha sobre não querer seguir caminho no futebol americano? Não tinha contado nem mesmo para Emmett ainda?
— Ei, gente. — Demetri se aproximou, me abraçando por trás.
Eu o afastei e avisei que ia pegar uma cerveja, enchendo mais um pouquinho meu pote da força para criar coragem e terminar com o loiro, mas tinha de ser franca que ainda faltava muito para isso. Mas, pretendia fazer isso antes da minha formatura, não queria Demetri nas fotos.
Bebi e circulei pela festa um pouco, evitando Demetri o máximo que deu, mas não foi por muito tempo. Por sorte, Peter e Charlotte nos chamaram para jogar beer pong improvisado na mesa da cozinha, o que fez Demetri sair um pouco de cima de mim para beijos.
Quando o jogo acabou, eu respirei ainda mais aliviada ao Demetri anunciar que precisava ir para um lugar silencioso atender uma ligação de seu antigo chefe, o cara das expedições do Egito. Sonhei que ele fosse ser recontratado, isso o levaria para longe e seria mais fácil completar meu pote de forças para terminar aquele relacionamento.
— Quer mais uma? — Edward apareceu quando Demetri se afastou, segurando duas garrafas de cerveja e me entregando uma.
— Valeu. — Peguei a bebida e tomei um pouco. — O jogo hoje foi ótimo.
— Foi, né? — Ele sorriu. — Uma pena que to morto, os caras queriam me quebrar a qualquer custo — reclamou. — Ah, eu assisti a reportagem do programa de Grande Marcus sobre o caso do seu pai, espero que assim descubram quem fez aquilo.
A reportagem tinha sido gravada no começo daquela semana e foi exibida naquela sexta-feira, com meu pai dando uma curta entrevista e Grande Marcus pedindo que quem tivesse qualquer informação sobre quem tinha feito a pichação entrasse em contato com a policia. Eu esperava que a visibilidade maior desse resultado, os culpados precisavam ser pegos.
— É, eu também espero.
— Charlie disse que a reportagem foi sua ideia… — Edward se calou quando uma movimentação ocorreu ali perto, com um dos jogadores do time se ajoelhando diante de uma das líderes de torcida e a pedindo em casamento.
— Eita, isso é sério? — indaguei surpresa, mas o cara não tinha um anel em mãos e a menina negou e saiu de perto dele revirando os olhos.
— Não — Edward respondeu rindo. — É alguma brincadeira rotineira deles.
— Ei, ele será o próximo quarterback ano que vem quando você estiver fora, não? — Olhei novamente para o outro jogador, que estava de pé e rindo com seus amigos.
— Uhum — Edward confirmou. — Ele é bom, vai dar conta do time.
— Mas é tão bom quanto você? — Me vi falando e Edward respirou fundo, se aproximando muito mais de mim do que eu achava ser seguro.
— Isabella…
— Edward, Edward, Edward! — Chelsea gritou o nome dele, correndo até a gente e parecendo à beira de uma crise de pânico, por um segundo me perguntei se mais alguém da família dela tinha falecido, mas imediatamente me repreendi pelo pensamento.
— O que foi? — Edward perguntou, soando um pouco sem paciência e se afastando de mim.
— Eu perdi o Stuart — ela contou.
— O quê? — foi a vez dele de gritar e eu rapidamente me desesperei também.
— Entrei no seu quarto pra deitar um pouco, aí peguei ele do alojamento, mas ele escapou da minha mão e fugiu, agora não o encontro — a garota falou apressadamente. — Me desculpa, me desculpa, me desculpa.
— Puta que pariu! — Edward gritou, colocou a outra garrafa de cerveja na minha mão e subiu na mesinha que antes eu jogava beer pong. — Todos calados! — gritou chamando a atenção para si. — O meu hamster está desaparecido — contou. — Quero que vocês vasculhem a porra desse apartamento atrás dele, e se alguém o pegou, que conte agora, porque se eu descobrir que estão sequestrando o Stu eu vou acabar com a raça de quem quer que seja. Procurem-o, mas não deixem nenhum vizinho descobrir que tem um animal perdido no prédio, muito menos a síndica!
Alguém desligou a música, todos começaram a procurar por Stuart e Edward pulou da mesa.
— Vou procurar ele pelos corredores do prédio — falou para mim, mas Chelsea se pronunciou primeiro.
— Vou te ajudar.
— Sinceramente, Chelsea? Não quero sua ajuda agora — ele a cortou, deixando a garota chocada.
— Eu vou com você — afirmei, deixando as garrafas de cerveja sobre a mesa e saindo do apartamento com Edward.
Ele estava muito nervoso, com medo de nunca mais achar Stuart e eu o entendia perfeitamente. Tinha convivido pouquíssimo com o hamster, mas o adorava e não o queria perdido por aí, muito menos queria que a senhora Wilker o descobrisse.
Até que finalmente o vimos, descendo as escadas do primeiro andar. Corremos para pegá-lo, mas o hamster era mais rápido e escapou para a lavanderia, abrimos a porta e entramos, vendo não apenas o animal, como também Demetri beijando outra garota.
Só mais dois capítulos e o epílogo para darmos tchau para emotinha, beijos!
Lola Royal.
04.03.24
