Capítulo 41

"Somewhere over the rainbow bluebirds fly

Birds fly over the rainbow

Why then, oh, why can't I?1"

Over The Rainbow, Frank Sinatra

A próxima semana passou rapidamente e, embora Jaime e Brienne seguissem sua rotina normalmente, volta e meia a jovem podia notar que a proximidade da visita à casa de campo de sua família pesava sobre os ombros de Jaime. Eles não mencionavam o assunto, mas em meio às aulas e aos momentos que passavam juntos, Brienne percebia uma tristeza que surgia nos olhos dele repentinamente e que sumia da mesma forma.

Jaime não mencionou mais o nome de seu pai depois da conversa que tiveram no carro e ela ficou com receio de perguntar mais alguma coisa a respeito. Era como se houvesse um tabu sobre tudo que envolvia Tywin, portanto, quando o dia da festa chegou, Brienne sentia-se muito ansiosa, porém, de certa forma, aliviada também, pois logo aquela situação terminaria e poderiam voltar à rotina normal; ou assim ela esperava.

Inclusive, quando retornassem, ela precisava falar com Jaime sobre o almoço que seu pai gostaria de organizar para que se conhecessem. Apesar de tentar não demonstrar, até mesmo enquanto arrumava sua mala a jovem podia notar a tensão nos ombros de Jaime. Ele estava angustiado demais para ter uma conversa normal.

— Tudo bem? — ela perguntou ao vê-lo fitar fixamente a mala que acabara de fechar.

Como passariam apenas dois dias fora, Jaime não levava muitas coisas e seu terno seguiria no banco de trás do carro, assim como o vestido de Brienne, para que se amassem o mínimo possível.

— Acho que sim — Jaime respondeu suspirando enquanto se sentava na cama. — Só fico me perguntando se é realmente uma boa ideia ir a essa festa. Estou com um mau pressentimento.

— Jaime, se quiser, podemos ficar em casa — Brienne falou sentando-se ao lado dele, que segurou sua mão. — Você não é obrigado a ir.

— Eu sei, mas já perdi o casamento de Tyrion por causa da minha bebedeira. Não seria justo abandoná-lo num dia importante mais uma vez — explicou respirando fundo e depois soltando o ar devagar, como se sentisse que estava sufocando. — Além disso, não posso permitir que meu pai controle minha vida mesmo que indiretamente.

— Estou com você independentemente do que decidir, só quero que você fique bem — a jovem afirmou e Jaime deu um pequeno sorriso antes de beijá-la.

— Eu sei. É isso que me dá forças.

Em seguida ele se levantou e pegou sua mala. Não adiantava ficar protelando.

— Vamos? — indagou a Brienne que assentiu e o acompanhou.

Ao pararem na sala, Jaime colocou a mochila dela nas costas, enquanto a jovem pegou seu vestido e o terno dele, que estavam protegidos por capas plásticas; a seguir se encaminharam para a saída do apartamento. Foi quando Brienne se lembrou de algo que animaria Jaime.

— Bom, pelo menos vamos poder observar as estrelas com seu telescópio. Lembro que você me disse que lá na casa de campo a vista é muito melhor que a daqui — ela disse num tom empolgado e o semblante de Jaime mudou na mesma hora.

— Sim! — ele concordou sentindo-se mais otimista agora que Brienne mencionara uma de suas atividades favoritas. — Tomara que ainda esteja lá! Com o telescópio vou poder te mostrar várias constelações e detalhes que não podem ser vistos a olho nu. Tenho certeza de que você vai ficar enjoada de tanto me ouvir falar sobre isso.

Brienne riu e eles saíram do apartamento conversando sobre as estrelas. Talvez Jaime estivesse certo e ela acabasse se cansando de ouvi-lo falar sobre aquele assunto, mas a jovem acreditava que jamais se cansaria de observar a empolgação dele diante de algo que gostava.


1 "Em algum lugar além do arco-íris pássaros azuis voam

Pássaros voam além do arco-íris

Por que, então, por que eu não posso?". Tradução Livre.