Oi, oi, oi! Prontos para o último capítulo? Decidi dividir ele em duas partes e aqui vai a primeira, boa leitura!
Capítulo Trinta e Cinco (parte I)
Meu Vizinho e o Lar
As chamas eram aterrorizantes, e quanto mais elas consumiam o prédio, mas eu sentia as forças deixando meu corpo. Os bombeiros tentavam conter o fogo, tentavam resgatar o máximo de pessoas, inclusive meu pai tinha falado de Edward para eles, entretanto tudo parecia arriscado demais e não estavam tendo muito sucesso.
— Pai, cadê ele? — perguntei aos prantos, sem saber exatamente há quantos minutos estávamos ali vendo o fogo destruir tudo. Meu pai me segurava, uma vez que eu não conseguia confiar em minhas próprias pernas para me manter de pé.
— Calma, filha, talvez ele nem estivesse em casa — papai respondeu, me segurando com uma mão e com a outra mexendo em seu celular, ligando para Edward.
— Bella, puta merda! — Olhei para o lado e vi Peter se aproximando com Charlotte. — Você estava lá dentro? — perguntou.
— Não, você estava? Cadê o Edward? — Me soltei de papai e segurei nos braços do colega de quarto do Emo.
— Não, acabamos de chegar.
— Edward tava em casa? Ele te disse algo?
Vi Peter engolir em seco, olhou rapidamente para o prédio antes de voltar a olhar para mim e responder:
— Ele falou que ia passar o dia em casa.
O nó em minha garganta só se apertou mais, porém eu não estava chorando, parecia tudo um grande pesadelo.
— Benjamin estava em casa? — papai questionou Peter.
— Não, ele está em São Francisco, foi… — Peter se calou quando escutamos um estrondo vindo do prédio, alguma explosão tinha acontecido lá dentro, o que só me desesperou mais.
Edward estava lá dentro, cercado por chamas, fogo e explosões. As lágrimas deslizaram por meu rosto, eu me agachei no chão e cobri o rosto com as mãos. Tentei pensar positivo, tentei pensar nas possibilidades de Edward conseguir escapar de lá de dentro, mas tudo que se passava na minha cabeça era que eu tinha o perdido.
— Ratinha, Ratinha, Ratinha! — Era a voz dele? Eu estava imaginando coisas? — Bella! — Tirei as mãos do rosto, levantei do chão e no meio das pessoas o vi.
Vivo, não um fantasma. Vivo pra caralho, porra, correndo até mim.
— Puta merda! — Ele me pegou em seus braços no instante que chegou perto suficiente de mim para isso. Eu desabei no seu colo, chorando alto e soluçando, o apertando e enterrando meu rosto em seu pescoço. O cheiro dele, seu toque e seu calor eram provas de que ele estava mesmo ali comigo, bem e vivo.
— Você estava no prédio? — consegui perguntar.
— O quê? Não, eu… — O calei, tirei o rosto do seu pescoço e beijei sua boca, afoita, ansiosa, querendo mais uma prova de que ele era real. Não me importei se ele tinha uma namorada, não me importei com mais nada, eu iria beijá-lo e ponto, mas não um ponto final, recusava que aquele fosse o ponto final da nossa história.
Edward me ergueu, fazendo com que eu passasse as pernas ao redor de sua cintura, mas sem interromper nosso beijo. Eu o apertei entre minhas pernas, enquanto o Emo segurava em minha nuca, entrelaçando seus dedos em meus cabelos com a mão esquerda e com a direita sustentava a base da minha coluna.
— Gente, tem literalmente um incêndio rolando aqui, vamos com calma. — Ouvi Peter dizer, eu ri contra a boca de Edward, mas o garoto estava certo, ainda que eu quisesse passar o resto da noite montada no Masen.
— Termina com a Chelsea — falei para Edward, praticamente implorando, ao mesmo tempo que ele disse:
— Eu terminei com a Chelsea.
Afastei mais um pouco, abri meus olhos e o vi já olhando para mim e sorrindo.
— Você tá solteiro!?
— Não — respondeu, me deixando confusa.
— Não?
— Não, com sorte você me aceita como seu namorado, Ratinha — disse, me deixando aliviada e permitindo que eu sorrisse. Ele gostava de mim, ele me queria como sua namorada!
— Você gosta de mim. — Não era uma pergunta, ainda assim Edward respondeu:
— Eu sempre gostei de você, Isabella.
— Sim, Emo, com certeza sou sua namorada. — Voltei a beijá-lo, até lembrar mais uma vez do incêndio e deixar o colo de Edward, mas não seus braços. — Ai, meu Deus! — gritei. — O Stuart! — Apontei para o prédio, querendo indicar que o hamster ainda estava lá dentro. — Edward, a gente precisa…
— Calma, calma — Edward pediu, segurando em meus braços. — Ele tá bem, está no meu carro.
— Está no seu carro? — perguntei querendo ter certeza.
— Está no meu carro — confirmou. — Está seguro.
— Ok. — Respirei fundo e logo em seguida tossi por conta do cheiro da fumaça.
— Acho melhor irmos embora daqui — meu pai disse. — Não é seguro ficar sentindo esse cheiro por muito tempo. — Edward, você vem pra casa com a gente. Peter, né? Vocês tem para onde ir?
— Vamos para meu apartamento — Charlotte respondeu por ele, lançando um olhar triste para o prédio.
— Nós perdemos tudo, cara — Peter disse para Edward, olhando para o prédio também.
— Ei, vocês todos estão vivos, isso tudo é o que importa agora — papai disse e por mais que eu soubesse que aquilo era a mais pura verdade, também foi impossível não me sentir péssima com a ideia de que as meninas e eu também tínhamos perdido tudo.
Coisas materiais? Sim, mas nossas coisas. Móveis, roupas, objetos de decoração, livros, até mesmo panelas, tudo que fazia daquele apartamento o nosso lar por anos.
— Ei. — Edward segurou meu rosto, fazendo com que o olhasse e tirasse os olhos das chamas. — Vamos pra casa dos seus pais, ok?
— Ok — concordei, sabendo que podia ter perdido tudo, mas Edward e meus amigos estavam vivos.
Nos despedimos de Peter e Charlotte, meu pai foi em seu carro e eu no de Edward com ele. Entrei no banco do carona e logo vi Stuart numa gaiola no banco de trás, ela estava presa pelo cinto de segurança.
— Oi, bonitinho — falei com ele. — Que bom que você estava bem. Para onde você… — Comecei a perguntar para Edward, mas ele me calou com um novo beijo, colocando suas mãos em meu pescoço e seus lábios ansiosos contra os meus.
— Amo você, Ratinha — sussurrou ao final do beijo, fazendo com que meu corpo arrepiasse.
Ele gostava de mim, ele me amava, ele era meu namorado e ele estava vivo. Eu ainda estava em choque com tudo aquilo rolando tão rápido, desde o incêndio até aquele beijo em seu carro.
— Também te amo, Emo. — Afaguei seu rosto, provando para mim que Edward era mesmo real e estava ali diante de mim.
Ele segurou minha mão e a beijou, fazendo com que eu sorrisse.
X
Do carro, eu liguei para Rosalie avisando o que tinha acontecido. Ela, primeiro, ficou em choque, depois começou a chorar e Alice pegou o celular para falar comigo. Mandei todos irem para a casa dos meus pais, assim poderíamos pensar melhor no que faríamos naquela situação, uma em que estávamos sem casa.
— Vai ficar tudo bem — Edward murmurou quando estacionou atrás do carro do meu pai na frente da casa amarela.
— Eu sei, só é terrível ter visto o prédio daquele jeito — sussurrei, senti Edward segurar minha mão e olhei para ele. — Felizmente você não estava lá dentro, onde estava mesmo? — Eu tinha passado boa parte do trajeto falando com Rosalie e Alice, então mal tinha falado com Edward no caminho até ali, apenas soube que ele não tinha atendido nenhuma ligação, ou respondido qualquer mensagem porque esqueceu seu celular em casa, celular aquele que já devia ter dado perda total aquela altura.
— Primeiro fui até Chelsea, depois tinha de resolver algo na faculdade — contou.
— Acho que a gente precisa conversar melhor sobre algumas coisas, né? — perguntei pensando em Chelsea.
— Precisamos, mas acho que você precisa ir falar com sua família primeiro, Ratinha — Edward concordou, mas apontou para o lado de fora do carro, segui para onde ele indicava e vi meus pais e Jake na porta de casa, sendo que papai Aro parecia perto de ter um treco andando de um lado para o outro.
— É, isso primeiro. — Tirei o cinto e perguntei. — Você estava com o Stuart o dia todo?
— Sim, sei que essa gaiola é ruim para ele, mas depois da fuga de ontem fiquei com medo de deixá-lo sozinho em casa. — Olhou para seu hamster. — Que bom que levei ele comigo. — Suspirou parecendo exausto. — Vou tirar ele, vai logo falar com o Aro.
Assenti e saí do seu carro, papai Aro correu o caminho acabando com a distância entre nós dois e me apertando em seus braços, quase me sufocando, mas retribuí o abraço. Ele logo estava chorando, fazendo com que eu também acabasse em lágrimas.
— Que susto você me deu, garota — falou aos prantos. — Pensar que você podia estar lá dentro, que desespero. — Começou a encher minha cabeça de beijos. — Nunca mais tiro os olhos de você, está proibida de sair de perto de mim.
— Pai, está tudo bem agora — declarei. — E eu preciso respirar.
— Não vou te soltar. — Me apertou ainda mais e falou com Edward que devia ter se aproximado da gente, mas que eu não conseguia ver por conta do abraço de papai urso que Aro estava me dando. — Garoto, você está bem? Charlie ligou do carro e falou que achavam que você estava no prédio.
— Eu estou bem, obrigado por se preocupar. Posso ficar com o Stuart aqui? Sei que você já abriu uma excessão no dia do vazamento, pode abrir outra?
— Claro, só não deixe ele sair dessa gaiola de jeito nenhum. — Papai Aro me soltou por fim e me olhando diretamente nos olhos questionou. — Você está mesmo bem, filha?
— Só nervosa e arrasada por ter perdido tudo. — Funguei. — Mas vou ficar bem. As meninas, Jazz e Emmett estão vindo para cá, vocês podem recebê-los? Queria falar com Edward rapidinho.
— Claro. — Papai me deu mais um abraço e me deixou ir, segui com Edward para o interior da casa, Jake queria conversar e saber tudo que tinha acontecido no prédio, mas falamos que logo iríamos parar e falar com ele e subimos para meu quarto.
Edward colocou a gaiola de Stuart no chão, depois estava me abraçando e beijando meu rosto.
— Senti tanto sua falta, Ratinha.
— Você sempre gostou de mim?
Ele sorriu contra minha bochecha, se afastou o suficiente para me olhar, porém ainda me manteve em seus braços, e contou:
— Ratinha, você lembra a primeira vez que nos vimos?
— Sim, foi no primeiro ano da faculdade, logo no comecinho das aulas, você estava conversando com meu pai e eu fui até a sala dele para perguntar algo. Você ainda não me odiava ali, porque eu ainda não tinha te atropelado com o skate. — Nós dois sorrimos um pouco e Edward falou:
— Naquele dia eu fiquei caidinho por você, Isabella, depois que você foi embora tivemos treino e eu ainda estava pensando em você quando fomos para o vestiário. Mas, os jogadores mais velhos, que tinham visto você deixar a sala do seu pai mais cedo aquele dia, começaram a falar sobre como você era gostosa, isso e aquilo, Charlie escutou e mandou todos do time ficarem bem longe da filha dele. Por isso eu não fui atrás de você naquele mesmo dia, não ia desrespeitar o treinador e depois você me atropelou e sim, fiquei bem puto, porque isso significava que eu estava fora do jogo e que meu pai não se daria ao trabalho de vir me ver.
— Você ia atrás de mim — sussurrei o que absorvi daquilo. — No primeiro dia, mal me conhecia.
— Eu sei, loucura, mas você já não leu histórias suficientes de paixão à primeira vista nos livros de putaria em seu Kindle? — perguntou, rindo e debochando, mas também me beijando logo em seguida. — Você era linda, falou que amava futebol americano e que estava animada para me ver jogar, Bella, foi o suficiente para me deixar doido para te conhecer melhor — sussurrou em meu ouvido, me fazendo chorar com suas palavras. — E depois disso brigávamos por tudo, e por mais que eu ainda quisesse algo com você, não podia esquecer que o seu pai não queria ninguém do time com a filha dele.
— E aí você ficou com a Kate.
Edward assentiu, mas afirmou:
— Eu amei ela pra valer, provavelmente como você se sentia por Mike e Demetri, mas juro que só tem você agora, Ratinha. E pode ser muito escroto da minha parte afirmar isso, mas mesmo quando estava com ela e te via, eu ainda me sentia balançado por você.
— E Chelsea?
Ele resmungou.
— Nunca pedi Chelsea em namoro, ok? Sim, eu dormi com ela na véspera do aniversário do Jake, aí logo pela manhã ela recebeu a notícia da avó e me fez dar a carona até o aeroporto, eu vinha pro aniversário do seu irmão, ia ficar aqui mesmo que isso significasse ter de sofrer a cada segundo que te visse com Demetri, mas ela estava na merda e achei que seria muito insensível da minha parte deixá-la ir sozinha até o aeroporto. Só que ela foi entrando aqui e se apresentando como minha namorada, quando eu sequer pensei em pedi-la em namoro e a garota estava tão abalada chorando a todo instante por conta da avó que eu não consegui a desmentir, a deixei no aeroporto e ia esclarecer as coisas quando ela voltasse, mas ela ainda estava muito mal quando voltou e eu fui um otário preso num namoro que nem vi começar, todo dia eu tentava criar forças para terminar, mas Chelsea estava sempre muito arrasada e depois o avô dela também morreu e eu fui mais uma vez covarde de não terminar tudo. Porra, parecia que sempre tinha alguém falecendo na família dela e sim, isso é algo horrivel de se dizer — falou baixinho e eu acabei rindo.
— Você não gosta mesmo dela? E você terminou com ela hoje?
— Eu gosto de você, Isabella. E sim, terminei tudo, não podia ficar com ela, não sabendo que Demetri estava fora da sua vida e que essa era minha chance, além do mais, ela quase fez eu perder o Stuart, mas principalmente por você, porque eu precisava contar o que sentia. Eu sei, fui um covarde por muito tempo, devia ter dito isso há séculos, porra eu quase falei em New York, mas você recebeu uma ligação de Demetri e fiquei apavorado de ser rejeitado, de não te ter por perto mesmo que por conta do plano Robin Hood.
— Você ia contar que gostava de mim em New York?
— Sim, na manhã após a noite que fomos para o bar no Brooklyn. Depois, eu cheguei bem perto de contar no dia dos namorados, mas Demetri estava nos Estados Unidos fodendo com meus planos outra vez e eu sabia que você gostava dele, que estava o esperando há meses, anos, eu não podia interromper seus planos de uma vida, não sabia se você realmente gostava de mim como eu achava que gostava, podia ser apenas uma ilusão da minha cabeça.
— Eu ia contar que gostava de você no dia dos namorados — falei. — Percebi no Natal que estava apaixonada por você, Emo, só que não tinha coragem de falar antes também, por medo de como seria sua reação, e de como parecia que queríamos futuros muito diferentes. E eu ainda achava que teria uma vida de conto de fadas com Demetri, mas ele chegou aqui e foi tudo tão chato e irritante com ele, tô praticamente agradecendo pela traição, juro. Acho que para mim, foi parecido de certa forma para você com Chelsea.
— Você ia falar no dia dos namorados. — Suspirou.
— Sim, mas, porra, você estava todo estúpido quando cheguei ao seu apartamento.
— Porque Peter disse que ia passar a data com a Charlotte no apartamento dela, mas quando cheguei em casa ele tinha montado toda aquela palhaçada com flores feias pelo chão e o chuveiro ainda estava com problemas. Eu queria o apartamento para nós dois, ia arrumar tudo para você e ele estragou meus planos, ainda saiu deixando tudo bagunçado, perdi a cabeça, desculpa.
— O que você ia fazer?
— Bom, eu ia te dar um presente.
— Qual presente? Ele queimou no fogo? — perguntei desolada.
Edward sorriu e negou.
— Não, no dia dos namorados eu ia te dar um rascunho do presente, mas de fevereiro para cá trabalhei nele e hoje o finalizei. Estou com ele no meu porta malas, estava o finalizando na faculdade para ir falar com você e finalmente poder me declarar.
— Vai pegar — pedi, sentindo que a qualquer momento ia voltar a chorar.
Edward me beijou e saiu do quarto, deixando a porta aberta. Fui para o chão, sentando junto de Stuart, que tinha acordado e andava na sua rodinha na gaiola.
Quando Edward voltou e vi o presente em suas mãos, eu arfei. Era uma casinha de bonecas, com a fachada, que estava voltada para mim, pintada em amarelo. Cuidadosamente ele a colocou diante de mim e sentou ao meu lado, eu comecei a chorar de imediato.
— Voc-Você — gaguejei. — É como a casinha de De Repente 30 — falei, percorrendo meus dedos pela casinha, era madeira de verdade, e Edward tinha sido muito cuidadoso em cada detalhe, desde o corte do material até fazer uma varanda frontal e colocar nela cadeiras de balanço de brinquedo.
— Foi a grande inspiração — Edward sussurrou e moveu a casinha, que nem era tão pequena assim, deixando com que eu visse a parte de trás.
Ali podiamos ver além de um quintal e uma varanda traseira, que contava com mais cadeiras de balanços, uma mini bola de futebol americano e um livro sobre uma das cadeiras. Mas, não parou por aí, não quando Edward abriu a casinha, permitindo que eu visse que ele tinha construído e decorado ela por dentro também, não só o interior.
— Meu Deus — murmurei em choque, vendo todo o trabalho que ele tinha tido e aos poucos absorvendo cada cômodo daquela casinha amarela.
Uma sala de estar, uma de jantar e uma cozinha ampla que pelo que entendi tinha visão privilegiada para o quintal, no primeiro andar também vi um escritório/biblioteca, com uma grande mesa que contava com duas cadeiras e quase todas paredes cobertas por livros, quase porque uma contava com uma réplica de alojamento para hamster. E no segundo andar, uma suíte, definitivamente projetada para um casal, além de outros três quartos, que Edward tinha decorado com temas infantis, como Procurando Nemo, Princesas e outro de Super-Heróis.
— Eu amo você, Ratinha — ele disse.
— Eu sei, estou vendo. — Apontei para a casinha, a maior prova de amor que um cara já tinha dado para mim, ali, bem diante dos meus olhos.
— Vou construir essa casa pra gente um dia — Edward falou, fazendo com que eu o olhasse. — Com o escritório e biblioteca, para você poder trabalhar comigo e também ter quantos livros quiser, também um lugar para a gente ter o Stuart em segurança do gato que a gente pode ter… Ou um cachorro, ou os dois, podemos ter os dois? — perguntou pidão, me fazendo rir em meio às lágrimas. — Uma sala de estar, com uma grande TV para assistirmos Modern Family e todos os filmes da franquia Pânico.
— Nem pensar.
— Você vai assistir. E claro, uma sala de jantar grande, porque a gente vai adorar reunir todo mundo para almoços e jantares. Por isso a cozinha é bem ampla, já que preciso de um lugar decente para fazer coxinhas.
— Muitas coxinhas?
— Todas que você quiser, Ratinha. Nossa suíte, com vista para o quintal também e… Os quartos das crianças — disse, me olhando apreensivo. — Arrisquei três, acho que é um bom número.
— Você não quer ter filhos — sussurrei aquele fato.
— Isabella. — Tocou em meu rosto. — Quero ter filhos com você, quero ter uma família ao seu lado, Ratinha. — Eu solucei. — Três pequenos ratinhos emos. — Eu ri um pouco, ele beijou meu rosto. — Sei o que falei antes sobre filhos e você estava certa, obviamente, era tudo por conta do péssimo pai que tive, mas eu não sou ele, e não vou me privar de ter uma família com a garota que amo por medo de ser alguém que não sou.
— Nós vamos adotar, você sabe desse detalhe? — indaguei. — Não vai ser fácil, vão ser crianças com histórias passadas, crianças como eu fui, então, se você não estiver disposto a se entregar de corpo e alma ao processo…
— Ei, eu estou — falou, ainda tocando em meu rosto. — Vamos adotar, Ratinha, e sei que não será simples ou um conto de fadas, mas vamos passar por isso juntos.
— Você quer mesmo ter uma família comigo? — perguntei chorando mais, minhas lágrimas tocando seus dedos.
— Nós vamos ter uma família, Ratinha, e vamos encher a casa de crianças fãs de Percy Jackson e futebol americano. E elas vão crescer brincando no nosso quintal, quem sabe um dia decidam usá-los para casamentos, vamos ver, só sei que eu vou te dar tudo que você merece, Isabella. Você terá sua casa amarela, eu juro.
— Você está me dando uma casa! — exclamei e o abracei com toda minha força. — Eu te amo, Emo, te amo tanto.
X
Nós acabamos deixando meu quarto quando Rosalie, desesperada e chorando muito, apareceu. Eles tinham ido primeiro ver a situação do prédio, depois ido para a casa dos meus pais.
Descemos com Rosalie, encontramos Alice também muito arrasada e Jazz e Emmett sem saber direito o que fazer, ou falar. Abracei todos, mas Rosalie não conseguia se soltar de mim, segurando minha mão como se a qualquer momento eu fosse fugir dela.
— Disseram que o fogo começou no terceiro andar, mas não tem muitas informações, ainda estão contendo focos de incêndio em outros andares — Alice contou. — A gente deve ter perdido tudo, o fogo chegou ao quinto andar rapidamente, por sorte não tem vítimas fatais, as pessoas que estavam nos apartamentos conseguiram escapar só com pequenos ferimentos.
— A nossa casa toda consumida por fogo — Rosalie murmurou encarando seus pés, estávamos sentadas na sala de estar, eu entre ela e Edward. — As fotos dos meus pais, as únicas que tínhamos estavam lá.
— Não, não pensa assim. — Jasper veio para perto, se ajoelhando aos pés da irmã e segurando a mão dela que estava livre. — Eu tinha passado algumas fotos para o computador, estão no meu notebook, ainda temos fotos deles.
— Não temos mais as fotos de verdade, nem os brinquedos que ainda tinhamos e estavam comigo, perdemos tudo que eles tocaram um dia, Jazz. Eles não estarão no meu casamento, agora não tenho mais nada deles.
— Rose — Edward falou com ela, fazendo com que minha amiga o olhasse. — Sei como você se sente, também tinha fotos da minha mãe comigo no meu apartamento, mas você tem as que Jasper salvou, não pensa que perdeu tudo, porque você não perdeu e talvez nem tudo tenha se perdido, os bombeiros podem conseguir tirar algo intacto de lá depois que conseguirem entrar no prédio.
— Ok. — Ela suspirou. — Só é horrível pensar que estou sem casa.
— Rosalie, óbvio que você não está sem casa. — Emm passou por Jazz e sentou no braço do sofá junto da noiva, puxando a outra mão dela para si. — Você vem para o apartamento comigo, sei que só queria que a gente fosse morar junto depois da formatura, mas podemos adiantar e aquela é sua casa, certo? É seu lar, não precisa sentir que não tem um agora, porque você tem.
Ela respirou fundo e me olhou, um olhar que eu entendi rapidamente, um olhar que por vezes vi ao me olhar no espelho, ela estava com medo de perder Emmett também. Eu a abracei e sussurrei em seu ouvido:
— Vai com ele se quiser, eu confio no Sugar Daddy o suficiente para saber que ele nunca vai te deixar, mas se quiser, pode ficar aqui, não esquece que sim, você vai sempre ter um lar comigo também, Rose. — Beijei a bochecha dela, que assentiu e se voltando para o noivo, falou:
— Vou com você.
Ele sorriu e beijou a cabeça dela, sem questionar nada, também parecia saber o motivo das hesitações dela. Eu não era a única pessoa naquela sala que fui a criança em um lar adotivo, Emmett sabia como a esposa e o irmão dela também podiam se sentir.
— Alice, Jazz, vocês podem ficar aqui — papai Aro falou. — Edward aparentemente vai ficar com a Bella no quarto dela, vocês ficam no quarto de hóspedes.
— Ai caramba, tanta coisa acontecendo que deixei essa passar, vocês estão juntos! — Rosalie gritou para Edward e eu, permitindo que eu visse um pouco de animação no rosto da minha amiga depois de várias lágrimas derramadas por ela.
— Estamos — confirmei, ela soltou um gritinho feliz e me abraçou.
— Finalmente vocês pararam de exalar burrice por aí!
— Rosalie!
— Menti? Você sabe que eu não menti!
X
Eu percorria um dedo pelo rosto de Edward, estávamos deitados na minha cama no começo da madrugada, um de frente para o outro. Depois de Rosalie se acalmar mais um pouco, papai Aro fez todos nós comermos e após o jantar ela foi embora com Emmett, Alice e Jazz foram para o quarto de hóspedes descansar um pouco e eu arrastei Edward até o meu.
— Pensei que você estivesse no meio daquele incêndio — murmurei.
— Eu não estava, e estou bem aqui, Ratinha. — Abriu seus olhos. — E estamos bem, ok? Não fica pensando sobre no que poderia ter acontecido, isso vai destruir seu psicológico.
— Eu estou fazendo terapia — contei.
— Você está?
— Estou, meus pais me fizeram voltar depois que descobri que Renata estava grávida, e digamos que a pobre terapeuta ouviu muito seu nome — falei fazendo Edward rir.
— Eu preciso de terapia também — murmurou, parando de rir e soando envergonhado.
— É, acredito que sim, mas você não precisa ter vergonha disso, Emo.
— Eu sei, é bobagem sentir vergonha disso, mas ainda sinto que ir procurar terapia vai me fazer muito fraco.
— Você perdeu sua mãe — falei baixo, mas com firmeza. — E não teve o melhor pai do mundo. — Os lábios dele se apertaram. — É natural que você tenha coisas a lidar no seu interior, Edward.
— Desculpa — pediu. — Se estar comigo for pesado para você, ainda mais agora que estamos juntos para valer. Mas eu prometo que vou procurar um terapeuta e que vou melhorar, sei que a morte da minha mãe me impactou de mil formas diferente e que preciso aprender a lidar com isso para ter a família que quero com você.
— Ei, tudo bem. — Beijei seus lábios por um segundo. — Eu com certeza estou longe de não ter meu passado impactado por problemas familiares. Relaxa, vamos fazer dar certo, você me prometeu uma casa e uma família, tarde demais para voltar atrás agora.
— Bella, eu não te pedi em casamento hoje porque acho que precisamos ter um namoro antes disso, pra valer dessa vez, mas saiba que um dia vou te pedir em casamento, então fica esperta porque quando você menos esperar vou estar usando seu sobrenome. — O final me confundiu e mesmo na pouca luz do quarto, ele notou minha confusão e se explicou. — Se você topar, é claro, eu pensei em roubar o sobrenome Volturi para mim. Primeiro, porque estou cansado de ser um Masen. E em segundo lugar, para mantermos o sobrenome dos seus pais vivo.
— Caralho, eu vou casar mesmo com você, viu? — questionei e o puxei para um beijo, o sentindo sorrir contra meus lábios antes de retribuir. — Edward Volturi — pronunciei o nome, adorando como soou.
— Seu marido — declamou, me fazendo arrepiar na mais pura felicidade.
— Gosto como isso soa, esquece tudo, vamos fugir para Vegas e casar hoje mesmo — falei o fazendo rir alto.
— Não vou te fazer casar em Vegas, sei que você quer um casamento de quintal, senhorita Volturi.
— É, mas meus pais já terão vendido a casa quando formos casar.
— Você quer casar logo e aproveitar a casa? Eu realmente pensei que um namoro primeiro poderia ser melhor para colocarmos tudo no lugar, estávamos juntos durante o plano Robin Hood, mas tinha as mentiras envolvidas, mesmo que agora nós dois consigamos perceber que certos momentos eram verdadeiros.
Pensei sobre aquilo por um minuto ou dois, mas sabia o que devíamos fazer.
— Não, não vamos casar logo — neguei. — Eu caso no próximo quintal dos meus pais, não é o lugar que vai mudar o sentimento sob um casamento no quintal deles, concordo com você, foi tudo atropelado e caótico durante os últimos meses, é melhor a gente recomeçar com um namoro.
— Talvez Tanya me aceite no apartamento dela — ele sugeriu. — Assim a gente não começa um namoro já sob o mesmo teto.
— É, porque eu sou muito organizada e você tão bagunceiro, daria errado rapidamente — provoquei, ele riu e ia me beijar de novo, mas escutamos uma batida na porta.
— Bella, Edward. — Era papai Charlie. — Eleazar está aqui.
No mesmo instante Edward se sentou na cama, olhando para mim em choque. Com o celular dele perdido nos escombros do apartamento 505, ele mandou mensagens do meu para sua prima explicando tudo que tinha acontecido e falando que no dia seguinte conversaria melhor com ela e os pais dela, mas Edward não tinha falado nada sobre o pai, nem mandado qualquer aviso para Eleazar.
— Merda, com certeza tia Esme contou sobre o incêndio e agora ele vai vir com algum plano de lucrar sobre isso.
— Quer que eu desça e o mande embora? — Saí da cama e coloquei um short jeans, eu tinha roupas ali na casa dos meus pais, mas coloquei para dormir apenas uma camiseta velha de papai Aro e fiquei de calcinha, enquanto Edward estava apenas em sua cueca boxer, já que não tinha qualquer roupa no porta-malas de seu carro, uma vez que tirou tudo dele para fazer caber a casinha.
— Não, eu faço isso. — Saiu da cama também e começou a se vestir, gritei para meu pai que já estávamos indo e logo depois saímos, Charlie já não estava mais no corredor e sim na sala de estar, junto com Aro e Eleazar.
Um Eleazar que parecia em pânico, como no dia que descobrimos sobre sua falência, só que naquele dia ele parecia ter chorado de fato e quando viu o filho, foi rapidamente o abraçar. Isso pegou Edward de surpresa, o suficiente para ele sequer corresponder o abraço, mas não o suficiente para afastar o pai.
— Garoto, eu sinto muito por tudo que aconteceu — Eleazar falou, por fim soltando Edward, mas ainda ficando por perto. — Sua tia me contou sobre o prédio, que tragédia, estão todos bem? — perguntou e olhou para mim. — Você não estava lá, estava, Isabella?
— Não.
— Ótimo, ótimo! — Eleazar deu um tapinha no ombro de Edward e fungou.
— O que veio fazer aqui? — Edward perguntou por fim. — Já tive estresse o suficiente por um dia, não preciso te ouvir falar sobre qualquer plano do tipo, "Edward esqueça a merda do seu futuro na arquitetura, vá jogar profissionalmente e use o incêndio para ganhar simpátia do público".
— Espera, como assim? — foi papai Charlie que indagou confuso. — Você vai deixar o futebol?
— Puta merda — Edward sussurrou. — Charlie, eu não queria que você ficasse sabendo assim, ia contar com calma depois da final, mas a verdade é que eu não vou continuar jogando depois da formatura, vou trabalhar como arquiteto.
— Você vai largar o futebol — papai falou, parecendo desolado e sentou-se no sofá mais próximo de si.
— Charlie, calma, o garoto só vai virar um arquiteto, não está falando que vai queimar todos os estádios — papai Aro disse.
— Charlie, realmente sinto muito, sei que você investiu demais me treinando, que isso parece ingratidão da minha parte, mas não quero ser um jogador pelo resto da minha vida, quero um emprego como arquiteto, sem pressão vinte e quatro horas por dia pensando em vencer e vencer. — Ele olhou para mim. — E não quero viagens a todo tempo, não quero ficar longe da Bella. — Eu pisquei para ele e segurei sua mão.
— Ok — papai Charlie sussurrou, parecendo que ia começar a chorar a qualquer momento. — Tranquilo, vou superar.
— Você claramente tem muitos fãs — Eleazar se manifestou, falando com Edward e apontando para meu pai. — Mas eu não vim até aqui bolar nenhum plano, eu vim ver como você está, quase te perdi naquele acidente.
— E isso importa? Porque parece que não, você nunca se importou comigo, Eleazar! — Edward disse entredentes.
— Edward…
— Eu realmente não quero ter essa conversa aqui, tá? Vai embora, por favor!
Eleazar deu um longo suspiro, olhando para mim, pediu:
— Você pode ao menos pedir que ele dê algum sinal de vida para mim amanhã?
— Te levo até a porta — foi a minha resposta, indicando o caminho, ao abrir a porta para Eleazar, falei. — Edward não teve um dia fácil, não força as coisas agora, tá? Mas, se você veio realmente até aqui por se importar, se importe de verdade e faça ele perceber que quer cuidar dele, não somente usar a situação para seu proprio bem.
— Desbloqueia meu número? — pediu, eu suspirei, mas concordei com um aceno de cabeça. — Tchau, Isabella.
Apenas acenei e fechei a porta quando ele se foi, de volta à sala, o clima continuava péssimo com papai Charlie parecendo que tinha recebido a notícia de que Beyoncé iria se aposentar.
— Pai, pelo amor de Deus, você vai superar, calma. — Sentei ao lado dele, dando tapinhas em suas costas, ele não chorava, mas encarava o chão fixamente.
— Hum, Charlie — Edward começou a falar. — Eu também devia pedir desculpas por descumprir sua regra de não me aproximar de Bella. — Revirei os olhos ao ser lembrada daquilo e meu pai encarou o jogador do time dele. — Mas eu amo ela, sempre gostei da Bella e juro que…
— Que regra de não se aproximar de Bella? — papai o questionou, parecendo realmente confuso.
— A que o senhor disse no meu primeiro ano de faculdade, falou para todos do time não se aproximarem de Bella — Edward explicou e Charlie continuou confuso. — Depois que Ralph Ventura e Jerry Park ficaram falando do… Corpo da Bella. — Meu pai pareceu entender tudo naquele momento.
— Espera aí, você tá falando que sempre gostou de Isabella, mas não se aproximou dela porque eu um dia mandei um monte de jogadores hormonais e idiotas do time ficarem longe da minha filha? Eu odiava Ralph e Jerry, eu não queria eles perto da Bella, eram babacas e grosseiros, sim, dei um sermão geral no time inteiro, mas você não precisava ter seguido minhas palavras à risca! — papai disse em desespero. — Porra, passei os últimos anos esperando que vocês ficassem juntos em algum momento e a culpa de não ficarem era justamente minha!? — Papai Aro riu ao escutar a fala de Charlie. — Primeiro você falando que não vai mais jogar e agora isso, acho que preciso ir dormir, esse dia foi longo demais. — Charlie saiu em direção ao segundo andar da casa, Aro foi atrás dele, deixando Edward e eu sozinhos.
— Acho que agora você não vai seguir mais nenhuma regra do treinador, não? — brinquei, Edward riu e andou até mim, beijou minha cabeça e falou:
— Vou sim, tenho um último jogo para ganhar, Ratinha.
Em breve volto com a segunda parte, beijão!
Lola Royal.
10.03.24
