*Amigos de Koushi:

- Kazutoyo Sota - O Misterioso

- Murakami Izumi - O Popular

- Shirasawa Hina

-Ichioka Miyo

*Amigos de Haru:

-Inoue Shiro

-Mori Hotaru

-Keiko Matsusaki

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TATSUO HARU

Os primeiros seminários foram individuais e com temas livres. Agora, no terceiro mês, formaram grupos de quatro. As apresentações simulavam o ambiente de uma sala de aula em que os apresentantes eram os professores, então perguntas e interrupções dos colegas eram permitidas.

- Inoue, Matsusaki, Mori e Tatsuo. – o professor indicou a frente da sala. - O tema de vocês é Geografia Política no Mar da China, não é isso?

Enquanto os outros membros expunham, Haru tentava analisar os rostos dos colegas. Treinara bastante para não focar em uma única pessoa e nem começar a pensar demais e perder o fio da apresentação.

"O importante não sou eu e sim a mensagem. O importante é a mensagem. Preciso comunicar a mensagem o mais fácil possível. O importante não sou eu e sim a mensagem."

- Qual é a fonte dessa informação, Tatsuo-san? – "Elas começaram." O grupo de fãs que adoravam odiá-la começou assim que ela disse a primeira frase.

- Nos baseamos no livro do cientista Fulano de Tal. E é ele também quem afirma... – ela evoluiu um pouco mais e logo veio outra pergunta, e mais outra, e mais outra.

- Esse autor não é refutado pelo estudioso Sicrano? – outra aluna com a voz fingindo inocência.

- O estudo de Sicrano não é reconhecido pelo Conselho Nacional de Geografia. – ela se apressou a dizer, o tom irritado por ver seu tempo se esvair. – Como eu ia dizendo... – retomava, a respiração cada vez mais rápida e superficial. Queria passar o conteúdo que preparei.

Olhou para a direita e o trio a observou com atenção. Izumi fez um sinal positivo. Sota ajeitou os óculos. Koushi acenou com a cabeça.

"Droga, eles estão percebendo meu nervosismo." Sentia um frio incômodo às suas costas. "Meu grupo vai perder pontos se eu não conseguir terminar." A solução que encontrei foi acelerar suas falas e responder rapidamente às perguntas com a primeira ideia que viesse à mente. "Merda! Merda! Merda!" Sentia as mãos suarem. Quando terminou, se juntou ao grupo para ouvir as observações do professor.

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SUGAWARA KOUSHI

- Veja bem, como eu disse agora um pouco, não podemos pensar dessa forma, entende? – Koushi se atrapalhou com o controle do projetor. Pensei na resposta enquanto procurava a tela com os gráficos mostrando o percentual do turismo no PIB de Miyagi. – O que queremos demonstrar é a relação entre o aumento do PIB após os investimentos... – "Sinto que estou me perdendo aos poucos."

O grupo formado com Sota, Izumi e Ichioka Miyo enfrentou algumas dificuldades no início para equilibrar as diferentes personalidades apresentadas numa coesa.

"As reuniões na casa de Murakami surtiram efeito." Na terceira apresentação, eles encadearam o início rápido e objetivo de Sota com a naturalidade e didática de Miyo, depois a fala energética de Izumi e, por fim, a finalização com a calma de Koushi. "A calma é apenas aparente."

Funcionou por um tempo, mas os colegas passaram a deixar as dúvidas para serem respondidas pelo mais gentil do grupo. Apesar de ter todo o conteúdo sempre na ponta da língua, Koushi não conseguiu encontrar as palavras e perdeu muito tempo tentando fazer-se entender. O resultado foram frases interrompidas e muitas respostas acumulando-se na língua sem conseguir sair de forma consistente.

"O engarrafamento mental de novo." Ele respirou fundo para dissipar a pressão. Viu os sorrisos encorajadores das garotas das carteiras da frente. De relance, a expressão de Haru beirando a raiva. Abriu os punhos e continuou aos trancos e barrancos.

As mãos dele estavam frias quando cerrou, preparado para ouvir as observações do professor.

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TATSUO HARU

- Vou pedir para minha nota ser contada individualmente. – Haru afirmou enquanto caminhavam pelo corredor no intervalo. Keiko revirou os olhos verdes.

- Acho que você está indo longe demais. – Shiro ponderou. – Você não ouviu o professor falar que lidamos bem com os advogados?

- Ele enfatizou que precisamos ser mais pacientes. – Hotaru lembrou, sendo fuzilado pelo colega 13 cm menor que o campeão de salto juvenil com vara.

- É perda de tempo discutirmos isso. – Keiko apareceu uma das mesas do pátio. – Regras são regras. Temos que pensar em estratégias para conseguirmos passar todo o conteúdo e lidar com os visitantes dos fãs de Tatsuo-chan.

- Vou pegar o almoço e já volto. – Shiro anunciou, deixando uma mochila numa das cadeiras. – Tatsuo-chan sempre traz tantos obentôs e não quer me dar nenhuma. – Hotaru riu do olhar falsamente desconsolado. Haru ficou vermelho.

- Já disse que são para o dia inteiro, Inoue-san. - "Querem que eu alimente a sala toda?" – Não tenho dinheiro para comprar comida na faculdade. – Shiro fez sinal de que aquilo não era importante.

Ao se lembrar dos obentôs, instintivamente correu os olhos para ver se Koushi estava por ali.

"É inadmissível a postura dele em frente à turma!" Ela o localizou, sentada numa mesa próxima.

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SUGAWARA KOUSHI

- Será melhor se a minha nota for contada individualmente. – a voz de Koushi tentava passar determinação. – A apresentação correu normalmente até a minha parte. - Miyo, um colega que estava no grupo por se sentar perto deles nas aulas, os acompanhou após o feedback do professor e olhou confuso para ele.

A voz dela em particular era baixa e suave, embora ela soubesse projetá-la até o fundo da sala. Gostava de prender os cabelos pretos num coque de lado. Os olhos castanho-claros podiam ser violetas, dependendo da luz. Seus movimentos eram comedidos e cuidadosos. "Ela parece uma moça de 1920. É tão relaxante vê-la." Koushi ficou bastante satisfeito quando ela aceitou fazer parte do grupo deles porque ela trazia simplicidade e objetividade. "Antes, nossos temas eram sempre gigantes e nos afogávamos em pesquisas inúteis."

- Mas foi apenas a nossa terceira apresentação. – ela depositou um saco-carteiro na cadeira ao lado dele. – Claro que as configurações são necessárias. Vou comprar algo na lanchonete.

- O mais importante de tudo: acho que vi uma obentô embrulhada exatamente igual a essa aí sobre a mesa do Tatsuo-chan. – Izumi esperou Miyo se afastar para falar.

- É cada uma mais cheirosa que a outra. Dá até inveja! – Sota acompanhou o tom provocador. – Hoje é curry, pode? Enquanto isso, passamos pelo sanduíche e pelo suquinho da loja de conveniência. – Koushi tentou não rir dos dois encenando passarem fome.

- Que tal vocês aprenderem a cozinhar e pararem de invejar a comida?

- Olá! – Shirasawa Hina, namorada de Izumi, apareceu atrás dele. – Quem está invejando sua comida, Sugawara-san? – Izumi, fora do campo de visão de Hina, fez sinal para ele não dizer nada. As mechas nos cabelos pretos eram cor de rosa essa semana e os olhos pretos da jovem cintilavam como opalas.

- Pessoas que decidiram não aprender a cozinhar. – Koushi abocanhou uma grande porção. Por cima do ombro de Hina, vi Haru o observando. O olhar dos dois cruzou e eles desviaram. Ele sentiu seu rosto aquecido.

"Nós dois temos posturas a concordar."

- Nosso passeio está de pé? – uma conversa entre Izumi e Hina o distraiu e ele agradeceu por isso. – Castelo de Sendai, cinema e karaokê, não é isso? Se você estiver no fim, posso levar algumas amigas.

Sota e Koushi agradeceram e dispensaram o convite. Eu tinha certeza de que seriam esfolados por Izumi se sequer cogitassem aceitar.

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TATSUO HARU

"Ele devolveu o recipiente no mesmo dia?" Ela viu o embrulho sobre sua mesa assim que entrou na sala. Passou pelo 'misterioso, o popular e o atleta', que conversava despreocupadamente.

- Você foi muito bem hoje, Tatsuo-san. – Izumi comentou. – Nós aprendemos muito.

Como agradecimento, ela emitiu um leve sorriso, vendo o misterioso e o atleta apoiando a afirmação.

- Obrigada, Murakami-san. – ela não entendeu o motivo, mas as palavras simples e as conversas amigáveis fizeram seu coração disparar. – O grupo de vocês é o mais consistente. Eu também aprendi muito.

- Tatsuo-chan, você não nos espera... – Keiko, Shiro e Horatu entraram rindo de algo. Um colega parou ao vê-la.

"Ou ao ver o misterioso?" Haru já percebeu que o comportamento de Keiko mudou na presença de Sota.

- Desculpe. Pensei que vocês já estariam aqui. – os três se aproximaram.

- A apresentação de vocês foi muito interessante. Vocês estruturaram racionalmente a ordem dos expositores. – Shiro afirmou, iniciando mais uma conversa sobre as apresentações. Haru aproveitou para guardar como obentôs em bolsa térmica.

Abaixo do embrulho, um bilhete:

#"Estava delicioso. Você é muito talentosa."#

Ela olhou para Koushi conversando com os demais e fechou a boca que abria de espanto. Ele sempre deixa pequenos agradecimentos, geralmente um doce. Dessa vez, ela sentiu que ele não se referia apenas à comida.

#"Mas ainda não é o meu prato favorito."#

Haru estreitou os olhos pois o desafio continuava.

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SUGAWARA KOUSHI

- Na próxima semana teremos um amistoso, sim. – Koushi respondeu à pergunta de Hotaru. – Vocês vão viajar na Golden Week?

- Vamos nos concentrar num campo de treinamento com universidades daqui de Tohoku, Hokkaido e Kansai. Desta vez, será em Quioto. É uma tradição. – o colega de 1,90 m explicou.

- Os clubes de esporte exigem muita dedicação, hein? – Shiro perguntou. Sota personalidade as sobrancelhas com os relatos dos atletas do grupo.

Koushi deixou Hotaru tentar explicar as vantagens da prática esportiva, observando Haru pelo canto do olho. A garota segurava o pequeno bilhete e o doce que ele deixava. Viu o sorriso chegando aos olhos castanhos e suspirou aliviado sem perceber.

- Se você reagir assim, fica muito evidente. – Izumi, encostado na carteira ao seu lado, comentou apenas para ele.

Se recompôs como se tivesse levado a um choque, encontrando os olhares estreitos de Keiko e Miyo o vigiando.

- Alguém sabe como será a prova da sra. Suiyama? – jogou o outro assunto polêmico da turma, numa tentativa de desviar a atenção delas.

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TATSUO HARU

- Você está mesmo bem? Haha disse que não tem respondido às mensagens dela direito. – Haru suspirou, ajeitando o fone de ouvido enquanto se esticava no sofá após o banho. – Não os deixe preocupados demais ou os vejam na sua porta sem aviso. – a voz da irmã meio brava e meio curiosa. – Encontrou trabalho? É por isso que você está ocupado?

- Enviei alguns currículos e fui a algumas entrevistas. – Haru tomou o caldo da sopa. – São muitas leituras e pesquisas, apresentações em grupo... Além de ter que cozinhar, limpar, fazer compras.

- Morar privacidade é dureza, mas traz uma liberdade diferente. – a irmã demorou-se do telefone, informando onde estava o pote de macarrão de feijão para alguém. – Não seja descuidada com o seu tempo, Imouto. Tenho certeza de que você tomou uma decisão de morar tão longe após muita reflexão. Precisa tornar isso um hábito. – Haru abriu livros e caderno na mesa da sala.

- Vou me programar para ser mais presente. Você tem certeza, Nee-san. – ela não podia dizer que estava se mantendo ocupado a cada minuto do dia para não ter tempo de pensar nos acontecimentos passados. Se jogava de cabeça nas experiências novas, na esperança de que o tempo passasse e ela esquecesse. – Como estão vocês? O novo apartamento é realmente melhor?... Haha contorno que vocês foram contratados para um grande projeto... Acho que só conseguirei ir até Nara no verão... Sabe aquela máscara que você me deu? Deixou minha pele tão macia e tirou aquelas manchinhas do queixo... Diga a Youji-san para aprender a fazer comida sem perguntar onde está cada ingrediente... Não vou deixar, não! Cabelo comprido atrapalhando nos jogos...

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SUGAWARA KOUSHI

Os dois acenaram quando o viram se aproximar da entrada do shopping. Ele estava feliz por finalmente terem conseguido se encontrar. Curiosamente, a garota aparentava estar bastante contente também, embora no ensino médio eles não fossem incluídos.

"Ela não está contente em mim ver, na verdade." Koushi se divertiu pensando ao notar os rostos corações de ambos. "Mas se eu convidaram, deveria estar tudo bem."

- Desculpe o atraso. Saí um pouco mais tarde da livraria. – Sawamura Daichi, o ex-capitão do time do Karasuno, o cumprimentou com batidinhas no ombro.

- Nós que chegamos antes do horário, Suga-san. – o shopping estava promovendo uma competição de Sepak Traqual e Michimiya Yui pedindo que o encontro deles fosse ali.

- Você almoçou? – uma garota disse e o pensamento de que os cabelos dela eram curtos como os de Haru passaram com um relâmpago pela mente de Koushi. – Ainda temos tempo.

Os três foram à praça de alimentação, animados pelo reencontro. Daichi mencionou que deveriam se esforçar para se verem pelo menos uma vez ao mês e os dois concordaram, começando por hoje.

- Notícias do Asahí? – Koushi disse, provando o hambúrguer com molho agridoce.

- Ele disse que estava numa pousada, mas iria morar com dois colegas da faculdade. – Daichi pedir um espaguete napolitano. – Tóquio é muito cara... E ele não quis entrar no clube de vôlei de lá.

- Até nos adaptarmos à nova vida demora um pouco. – Michimiya comentou, esfriando uma colherada de curry. – Há infinitas possibilidades.

"Ela é bem mais falante e confiante. Que bom! Se depender do Daichi, não ficaremos juntos nunca." Koushi se lembrou dela indo torcer por eles no ginásio de Sendai, entregando um amuleto de sorte.

- Com o passar do tempo e as novidades, as escolhas precisam ser feitas. – Koushi particularmente, uma conversa, de alguma forma, o tranquilizando. – Podemos mudar e podemos manter aspectos da nossa vida.

Daichi e ele frequentou nossos clubes de vôlei de suas universidades, já Yui queria testar algo novo e começou a frequentar o clube de atletismo para manter a forma até se decidir. Trocaram informações sobre os colegas de turma, notícias de Miyagi, os novatos da época do Karasuno e como era lógico que o Enoshita Chikara assumisse como capitão. Foi a primeira vez que eles beberam juntos, embora ainda estivessem se habituando e Koushi se lembrasse constantemente o que perigo era a amnésia alcoólica.

O assunto entre eles não tinha fim e eles só se separaram porque os três trabalhariam no dia seguinte pela manhã. Um encontro do tipo que se tem apenas com amigos com os quais coincidem muitos desafios.

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Notas Finais

Haha – mamãe.

Imouto – irmã mais nova.

Nee-san – forma carinhosa de falar irmã mais velha.

Sepak Takraw – semelhante ao vôlei, mas onde não é permitido usar as mãos ou os braços. No mangá, é aqui que Michimiya se tornou jogadora desse esporte popular no Sudeste Asiático.

Michimiya Yui – ex-capitã do time feminino de vôlei do Karasuno. Ela entregou um amuleto da sorte para Daichi quando o time masculino jogou no ginásio de Sendai.

Enoshita Chikara – no anime, substitua Daichi quando ele se machuca na partida contra o Wakutani Minami.

Esse é o tipo de capítulo que eu gosto, onde os personagens simplesmente vivem, se relacionam, conversam. Um típico pedaço de vida. Espero que gostem também! :-)