-¡Pensei que você estaria na biblioteca tentando resolver o enigma do ovo, Harry!- Hermione disse a ele depois de contar a eles sobre sua manhã nas cozinhas com os elfos.

-Acalme-se Hermione, o segundo teste ainda está muito longe- Ron comentou.

-Mas pode levar semanas para ele descobrir. E se ele tiver que realizar alguma magia para a qual não está preparado? Você deve se concentrar Harry-

-Sim "mãe"- ele respondeu sarcasticamente e Ron e Draco riram. Depois da Transfiguração eles continuaram com Snape, que embora a maioria dos alunos tivesse realizado bem os antídotos que ele havia ordenado que preparassem, não parecia satisfeito.

-Potter, espere um segundo- o homem de cabelos oleosos disse a ele. Quando ficaram a sós ele falou -Gostaria de lembrar que os campeões e seus casais...-

-¿Casais?-

-Quero dizer, seus parceiros de dança-

-Eu não danço- disse ele com certo embaraço.

-Sim, sim, você vai. É tradição, e vai escolher uma companheira digno de campeão, nem pense em envergonhar a casa do Sonserina durante o baile de Natal ou será punido- respondeu em tom gelado. Harry queria protestar, mas sabia que não adiantaria. Ele começou a pensar em quem poderia convidar, depois pensou na garota da Corvinal Chang, mas quando criou coragem para convidá-la, infelizmente ela já havia encontrado um parceiro e com ninguém menos que Cedrico Diggory. A cada dia as chances de encontrar alguém diminuíam.

-Ei, Hermione, você é uma menina- Ron disse a ela.

-Não me diga Ronald-

-Bem, pensei que você poderia vir com um de nós, e Harry talvez pudesse ir com Ginny."

-Para sua informação já temos casais-

-¿Sério?- ele perguntou surpreso, o que deixou a garota irritada.

-Só porque você demorou tanto para perceber que sou uma menina não significa que os outros não o façam- e ele saiu de lá dando grandes passos.

-¿Você acha que é verdade?-

-Eu não acho que ele mentiu- e Ginny e Daphne simplesmente apareceram.

-Ei, é verdade que você já tem um parceiro?- Ron perguntou à irmã.

-Sim e é melhor você se apressar ou terá que ir sozinho-

-¿Quem é esse? Não me diga que é da sua casa- disse ele, levantando a voz.

-Mesmo que fosse, isso não é da sua conta. Nem todo mundo é como os idiotas obcecados por "sangue puro" e que odeiam trouxas. Mas parece que você poderia se dar bem com eles, já que você acha que eles são todos iguais sem realmente conhecê-los ¿Não foi a mesma coisa que você fez com Draco quando o viu pela primeira vez? Você o julgou sem realmente saber como ele era. Eu te amo, Ron, mas às vezes você pode ser um idiota preconceituoso.

-Ela está certo, eu sou da Sonserina. Você acha que um dia eu me juntarei a Voldemort e seus Comensais da Morte?- e todos estremeceram quando ouviram o nome dele.

-Ok, ok, desculpe. Eu fui um idiota- Ron disse envergonhado.

-¿E você, Dafne? Você já tem alguém com quem ir? - Harry perguntou e a garota corou.

-Bom, um garoto da minha casa me convidou, mas a verdade é que não me interessei muito-

-Você poderia ir com Harry e se puder me apresentar a um de seus colegas de classe, seria ótimo- Ron disse a ele.

-Não é má ideia. Ou seja, se estiver tudo bem para Daphne, você quer ser meu casai? - Harry perguntou e ela assentiu um tanto corada.

-Eu tenho uma parceira para ir com o Ron, o nome dela é Luna Lovegood, ela é um pouco estranha mas bonita e acho que ela sabe dançar-

-¿Lunática Lovegood?- Ron perguntou.

-Não diga isso a ela, é rude-

-¿Por que ele a chamou assim?-

-Porque ela é muito estranha, fala de coisas estranhas que não existem e é um tanto solitária-

-¿E? Ela é uma boa pessoa e, francamente, estou pensando que ela é boa demais para você e que você deveria ir sozinho- disse a irmã.

-Não não. Diga-me onde ela está agora para que eu possa convidá-la antes que alguém o faça- e ele saiu, acompanhando Ginny.

-Ele é um caso perdido, não é?- Daphne disse a Harry.

-Sim, mas ele é um bom amigo e sabe jogar xadrez mágico muito bem-


Harry estava se preparando para o baile, estava um pouco nervoso. Ele vestiu seu terno formal, seus sapatos e finalmente um perfume que a mãe de Draco lhe deu em seu último aniversário -Nossa, qualquer um que te veja diria que você parece um cavalheiro- Draco disse a ele -Exceto talvez por aquele cabelo – e Harry olhou para seu cabelo bagunçado.

-Não há nada que eu possa fazer-

-Venha, tenho uma coisa que vai te ajudar- e ele colocou um gel por cima para acomodar um pouco.

-Entendo por que você demora tanto no banheiro-

-Meu cabelo é fácil de pentear, o seu... bem, é isso. Foi o melhor que pude dadas as circunstâncias- brincou.

-Você ainda não me disse com quem vai-

-¿E estragar a surpresa?- Quando saíram da sala comunal, encontraram Ron que os esperava do lado de fora de sua casa, enquanto trocava olhares frios com os outros sonserinos que obviamente não o queriam perto das masmorras. Eles foram para o corredor e os três ficaram atordoados, Hermione, Ginny, Daphne e a garota que ele presumiu ser Luna Lovegood estavam lá. Eles estavam todos usando vestidos de gala, estavam maquiadas e era evidente que elas também tinham feito alguma coisa em seus cabelos. Nós pensamos que vocês tinham ficado com medo- disse a irmã de Ron.

-Não é algo que um cavalheiro faria- disse Draco, aproximando-se -Verde é realmente a sua cor- disse ele a Ginny.

-Espere ¿ELE é seu parceiro?-

-¿Algum problema com isso Ronald? ¿Devo mandar uma carta para a mamãe? - Ginny perguntou, erguendo os olhos e olhando para ele com faíscas nos olhos.

-Eu...-e então ele se lembrou da conversa que tiveram antes e apenas assentiu -Não, não tem problema só...não faça nada constrangedor-

-¿Como seu jeito de dançar?- Malfoy disse e riu junto com Ginny.

-Olá, você deve ser o Ron, eu sou a Luna, sua irmã falou bem de você. Não se preocupe, eu também não sei dançar - disse a garota de cabelos loiros e olhar perdido.

-Ainda bem que não sou o único, é um prazer. Olá Daphne-e ele olhou para ela-Você...você está muito bonita hoje...não que não esteja...você sempre está bem...- Ron disse corando e a garota também ficou vermelha. Harry deu um empurrão em Ron, fazendo-o ficar ao lado de sua parceira para não ignorá-la e pegou o braço dela.

-Uau, não achei que você pudesse acomodar esse seu cabelo-

-Draco ajudou, embora seja uma batalha perdida ¿Ei, e seu parceira Hermione? -

-Desculpe, o diretor Kargkaroff me manteve ocupado mais do que eu pensava. Você está muito bonita- disse ele com aquele sotaque. Harry, Ron e Draco ficaram atordoados. De todas as opções possíveis, Viktor Krum foi a última pessoa que me veio à mente.

-Olá Viktor, sem problemas- disse ela.

Todos o cumprimentaram da maneira mais cordial possível, especialmente Harry pelo respeito que devia ao rival, Draco mantinha as aparências de qualquer garoto da classe alta, mas Ron ainda estava surpreso por mal conseguir dizer alguma coisa. Eu estava convencido de que causaria uma cena.

-Eles ficaram realmente surpresos com o parceiro do amigo- disse Daphne.

-Acho que estou começando a entender por que ele deu seu autógrafo a ela- respondeu Harry.

-Acorde Harry, é óbvio que ele está tramando alguma coisa. Talvez ele tente chegar até você, se for isso- Ron disse com raiva.

-Devo te lembrar que assim que você o viu chegar na escola seus olhos brilharam, você até disse que até ofereceria sua cama para ele, como um fanático apaixonado? - Harry disse e Rony corou -Vamos para o baile e divirta-se, se Krum ou Karkaroff tentarem algo suspeito eu saberei como lidar com isso, mas duvido que façam isso com o Professor Dumbledore e o Professor Moody por perto ¿Ele não é um ótimo Auror? Aposto que o diretor o contratou para ficar encarregado da segurança sem levantar suspeitas junto aos nossos convidados e ensinar o Defesa foi a desculpa perfeita. Até então, Krum é meu rival e o professor Snape já insistiu para que eu tivesse boas relações com os convidados", disse Harry, encolhendo os ombros, aceitando a situação.

Os campeões e seus sócios tiveram uma mesa próxima aos seus dirigentes. Fleur Delacour falava sobre coisas triviais e Roger Davies acenava com a cabeça para tudo o que ela dizia, pois parecia fascinado pela aparência dela. Hermione tentou ensinar-lhe palavras em sua língua para entendê-lo melhor. Cedrico e Cho se entreolharam sorrindo. Harry ficou surpreso. ... Isso o incomodou um pouco, mas ele decidiu que era melhor ignorar esse sentimento.

-Espero que você saiba dançar melhor que o irmão da Ginny-

-Draco me ensinou um pouco- ele respondeu, sorrindo. Depois os demais alunos se juntaram, depois de algumas músicas e risadas os músicos fizeram uma pequena pausa e tocaram músicas mais lentas para descontrair o ambiente, alguns sentaram, outros continuaram dançando e outros foram juntos passear pelos corredores e jardins. Muitas meninas foram ao banheiro conferir a maquiagem e os penteados, os meninos foram tomar um pouco de ar lá fora.

-¿E seus parceiros?- Harry perguntou.

-Ginny me apresentou a uma mulher muito maluca. Mas não é tão ruim assim-

-Considere-se sortudo por ter encontrado um parceiro -

-E você tem sorte de eu ter deixado você vir com minha irmã-

-Pff, como se eu precisasse ¿Quer que eu mande uma coruja para sua mãe e conte como você a envergonhou? -

-Calma pombinhos. É melhor bebermos alguma coisa antes que as meninas voltem e...-só então ele pensou ter visto Snape e o Diretor Karkaroff discutindo. Ele fez sinal para seus amigos baixarem a voz e se aproximarem para ouvir melhor.

-Você não pode negar Severus, isso se tornou mais frequente nos últimos meses e estou preocupado, não posso evitar-

-Fuja se quiser Igor, vou te desculpar. Mas eu vou ficar aqui - e quando ele os viu por perto perguntou o que estavam fazendo ali e eles responderam que estavam apenas caminhando. Ao retornarem encontraram Hagrid conversando com Madame Maxime, puderam ouvi-lo confessando sua alegria ao encontrar outro meio gigante, Harry viu um pequeno besouro se movendo pela parede em alta velocidade. A mulher enorme não aceitou bem na palavra dele e deixou escapar que ela só tinha ossos grandes e saiu de lá ofendida. Ron e Draco ficaram chocados com a notícia, já que Harry cresceu com trouxas e não conhecia o mundo da magia.

-Bem, todos nós que conhecemos Hagrid sabemos que ele é inofensivo. Mas em geral os gigantes gostam de violência e sangue, a maioria foi extinta pelos magos e foram banidos, diz-se que nas montanhas ou nas grandes florestas. Não é extraño que ele goste tanto de dragões, hipogrifos ou criaturas perigosas.

-Pelo menos ele tem coragem de admitir, é óbvio que Madame Maxime tem vergonha desse lado dela. Não sei quem eles estão enganando com essa coisa de "esqueleto grande"- quando se reencontraram com seus parceiros, eles dançaram, ou pelo menos tentaram, por mais um tempo, antes que o grupo terminasse e os alunos fossem enviados para seus quartos. Antes de partir, Cedrico se aproximou dele e agradeceu pela pista dos dragões e que queria retribuir o favor, então o aconselhou a tomar banho com o ovo e recomendou os chuveiros dos prefeitos, dando-lhe instruções de como chegar lá junto com o senha para entrar e lhe desejou boa sorte antes de sair. Harry não sabia se ele estava falando sério ou se era uma piada, ele teria preferido uma ajuda mais direta e com menos charadas - Amanhã vou conversar com Hermione, ela é boa nessas charadas -


Hermione ficou tão surpresa quanto eles com Hagrid e, infelizmente, também ficou confusa com o conselho de Cedrico -Bem, imagino que deve haver uma boa razão, faça o que ele diz e depois nos conte-

Após uma semana de descanso, as aulas recomeçaram normalmente. Eles estavam indo para a aula de Criaturas Mágicas, não houve muito entusiasmo até que uma nova professora chegou, e ao invés de mostrar alguma criatura perigosa ou estranha, ela lhes mostrou um lindo unicórnio e deixou as meninas se aproximarem dele já que o animal preferia a companhia feminina. Todos ficaram maravilhados com a mudança ocorrida. Harry não queria admitir, mas a aula era boa e ele não podia forçar os outros a se voltarem contra o substituto.

-¿O que você acha que aconteceu com Hagrid?-

-Eu sei- Draco disse, mostrando-lhes uma edição de "O Profeta Diário" -Flint e outros estavam de bom humor e eu estava curioso- e mostrou-lhes um relatório escrito por Rita Skeeter, sobre Hagrid, sua expulsão da escola , o incidente do Hipogrifo, o pior: sua linhagem semigigante. Cada palavra que Harry lia o fazia odiar cada vez mais aquele repórter do tablóide.

Harry foi com Ron e Hermione vê-lo em sua cabine depois da Adivinhação, mas apesar das batidas na porta ele não quis atender. Sua ausência esteve presente durante toda a semana, nem mesmo na mesa dos professores. Muitos sonserinos zombaram disso e, embora fosse difícil admitir, muitos outros ficaram felizes com seu substituto, que lhes mostrou criaturas fofas ou inofensivas com qualidades interessantes.

Eles foram ao Três Vassouras na esperança de vê-lo lá fazendo compras, mas infelizmente ele também não estava, eles encontraram Draco e ele disse que também não viu Hagrid lá. O lugar estava cheio de gente. Alunos e convidados de Hogwarts que saíram para passear. Ele pediu à Sra. Rosmerta quatro cervejas amanteigadas. Ele estava prestes a pagar, mas a senhora o rejeitou -Essa rodada é pela casa, "campeão"- ela disse com uma piscadela. Harry corou, mas não querendo aproveitar, colocou várias moedas no pote de gorjetas quando ela não viu.

-Olha, é Ludo Bagman ¿Esse cara nunca trabalha?- Ron disse apontando com o queixo para um canto onde o homem estava sentado com alguns goblins, que o olhavam com caras pouco amigáveis. O homem parecia nervoso e quando o viu pulou da cadeira e foi em sua direção.

-¡Espere um minuto, me dê um momento!- ele disse aos goblins em um tom nervoso -Rapaz ¿Como você está? - e ele o levou para um canto separado parabenizá-lo pelo teste do dragão. Ele perguntou como ele estava indo com o quebra-cabeça do ovo e se precisava de ajuda, mas Harry recusou novamente. Aonde quer que ele vá, ele o fará sem atalhos ou armadilhas. Isso era o que eles esperavam de um sonserino e ele não lhes daria essa satisfação.. Bagman disse a ele que Barty Crouch estava muito ausente ultimamente e que estava sendo substituído pelo irmão de Ron, Percy, que até recentemente era seu assistente, e que eles também estavam ocupados procurando por Bertha Jorkins, que trabalha no departamento de Jogos e Esportes Mágicos. , que estava lá há algum tempo. desaparecido

-¿E por que só começaram a procurá-la agora?-

-Olha, não quero falar mal dela mas ela sempre foi um tanto distraída e esquecida, em mais de uma ocasião ela se perdeu no Ministério a caminho de seu escritório, talvez ela acidentalmente tenha lançado a maldição Confundus em ela mesma, mas faremos o nosso melhor para encontrá-la-

Quando eles se separaram, seus amigos perguntaram o que ele queria, Harry fez um breve resumo e eles simplesmente encontraram Rita Skeeter. Ele tentou fazer com que Harry lhe desse uma entrevista para falar sobre Hagrid e dar-lhe sua opinião.

-Você é uma mulher horrível ¿Como pôde escrever isso sobre o Hagrid? ¿Não se importa em sujar ninguém para vender uma história. Bartô Crouch? ¿Ludo Bagman?

-Melhor sentar, pirralho, e não falar sem saber. Eu sei coisas sobre Bagman que surpreenderiam você e deixariam seus cabelos em pé... e aparentemente não faria mal nenhum- ela disse friamente, olhando para seus cabelos. Depois ele foi com Hermione e Rony ver Hagrid, quando chegaram viram o Professor Dumbledore que parecia estar esperando por eles.

-Acho que todos nós tivemos a mesma ideia de fazer nosso querido ranger e professor de Trato das Criaturas Mágicas ver a razão- ele disse sorrindo e todos foram para a cabana para ter uma ótima conversa com seu amigo e dizer a ele que não não importa. o que era e o que para eles permaneceu o mesmo.

-Na segunda-feira espero ver você na mesa dos professores e dando aulas, Hagrid. Não aceito "não" como resposta - e ele saiu de lá. Depois de um tempo o rosto de seu amigo começou a parecer mais feliz -Espero que você conquiste Harry e mostre a eles o que você vale. Seus pais ficariam tão orgulhosos-

-¿Mesmo sendo da Sonserina e não um Grifinório como eles?-

-Isso é bobagem. Dumbledore me disse que sabe que você deu pistas a Cedrico sobre o dragão e que recusou a ajuda de Bagman. Isso é algo digno do filho de James e Lily, pessoas corajosas e honestas. Nunca tenha vergonha de quem você é, eu tive e me arrependo. Espero que você esteja bem com o enigma do ovo-

–Cedrico mandou ele tomar banho, mas não funcionou-

-Ahh entendi ¿E que tipo de banheiro? ¿Com água quente ou fria, chuveiro ou banheira?

-Não, eu...-e naquele momento uma faísca acendeu em sua cabeça. Ele estava tomando banho e encharcando o ovo, mas nunca havia entrado na banheira com ele. Se tivessem que enfrentar o fogo com o dragão, talvez o próximo teste tenha a ver com água e a pista estaria no fato de que o ovo chiava toda vez que ele o abria. Ele se despediu dos amigos e saiu rapidamente, dizendo que estava na pista sobre o ovo e precisava dar uma olhada.

-Boa sorte, Harry- o homem gritou da janela e Harry sorriu. O dia começou a melhorar.


Harry havia entrado no banheiro dos monitores com a senha que Cedrico lhe dera e depois que a água estava no ponto certo ele começou a entrar com o ovo na mão, respirou fundo e submergiu com ele, a princípio nada aconteceu, então ele decidiu abri-lo esperando que o rangido não fosse ouvido tão alto quanto da vez anterior. Mas em vez disso, uma bela voz foi ouvida com perfeita clareza

"...Onde soam nossas vozes, venha nos procurar, porque na terra nossas canções não podem ser ouvidas

Pegamos o que você mais valoriza e você tem uma hora para encontrá-lo..."

Harry repassou a música várias vezes até entender, ele deveria resgatar alguém próximo a ele, ele poderia lutar contra quase qualquer criatura em terra, mas debaixo d'água e sem conseguir respirar era um desafio. Ele tinha que encontrar uma maneira de respirar debaixo d'água, pelo menos o suficiente até atingir seu objetivo. Ele decidiu verificar o mapa caso houvesse algum professor ou monitor por perto. Ele viu Bartô Crouch no mapa saindo do escritório de Snape, o que lhe pareceu estranho por ele estar lá naquele momento. Ele começou a ouvir passos então disse "travessura cometida" e o mapa assumiu a aparência de um pergaminho antigo como sempre. Quando ele pensou que as coisas não poderiam piorar, ele cruzou com Filch, Moody e o próprio Snape, amaldiçoando-se por esquecer sua capa de invisibilidade. Ele não achou que iria precisar disso

-Potter...¿Por que não estou surpreso em ver você fora da cama a essa hora? ¡Dez pontos a menos para a Sonserina! -

-Eu estava tentando resolver o enigma do ovo, professor-

-Você pode fazer isso em horários normais, como os demais campeões, mas é claro que o grande Harry Potter não se importa com as regras e regulamentos. Assim como seu pai- disse ele friamente. Harry teve que se conter para não responder, sabendo que com Snape ele estava em vantagem.

-Você viu mais alguém rondando os corredores, Potter?-

-Não incomode o Moody, mesmo que ele tivesse visto alguém, duvido que ele o entregaria. Os alunos que quebram as regras protegem uns aos outros, não é, Potter? - Aparentemente o professor estava de mau humor porque alguém estava verificando seu local de trabalho e ele deveria passar a noite fazendo um inventário para ver se estava faltando alguma coisa. coisa.

No dia seguinte Harry contou aos amigos tudo o que havia acontecido, apenas Rony e Draco estavam interessados em Crouch, enquanto Hermione continuava insistindo em se concentrar no próximo teste. Enviou-lhe uma coruja desconhecida para não levantar suspeitas ou qualquer coisa que pudesse rastreá-lo, com uma carta na qual explicava tudo relacionado à incursão do Sr. Crouch no escritório de Snape e levantava a ideia de que ele poderia estar ausente do baile assim. eles podem se esgueirar e ficar de olho nos campeões e nos adultos. Enquanto ele caminhava pelo lago tentando pensar em como poderia sobreviver tanto tempo debaixo d'água, naquele momento ele cruzou com Neville Longbottom que carregava baldes para coletar algumas plantas e levá-las para a estufa -Eu gosto de herbologia, talvez uma dia eu posso ensinar isso, mas duvido, sou muito desajeitado-

-Você deveria ter mais confiança, há uma razão para o chapéu seletor ter te mandado para os leões...e devo admitir que é preciso coragem para quebrar as regras e libertar um hipogrifo que havia sido condenado à morte pelo ministério .Arriscando-se a ser expulso- disse ele sorrindo, o menino ficou surpreso por Harry saber e ainda mais por não tê-lo dedurado.

-Nem todos os sonserinos são como Flint e os estúpidos Crabbe e Goyle, veja a irmã de Ron por exemplo-

-Sim, eu sei. Vou tentar não ser tão preconceituoso. Obrigado por não contar a ninguém sobre o hipogrifo de Hagrid, eu teria muitos problemas e minha avó teria morrido de desgosto. Gostaria de poder ajudá você- disse ele enquanto coletava algumas amostras na margem do lago.

-¿Você conhece algum feitiço que me permita respirar debaixo d'água?-

-Não, me desculpe...mas conheço uma planta que pode te ajudar-

-Você tem toda a minha atenção- disse ele alegremente. Um vislumbre de esperança começou a cercar Harry, talvez ele pudesse passar neste teste afinal-


Neville havia terminado de explicar tudo o que sabia sobre a guelra, uma planta mágica muito rara, quem a comesse poderia respirar debaixo d'água por algumas horas, tempo suficiente para completar o desafio. O difícil foi conseguir, seu colega havia sugerido que ele pudesse encomendar pelo correio mas seria caro e demoraria, então havia a opção de pedir para o professor de Poções ou para a professora de Herbologia, Dona Sprout, mas o os professores não deveriam ser capazes de fazer isso e a ideia de estar em dívida com o Professor Snape certamente não o agradava. Naquele momento ele teve uma grande, mas perigosa ideia -Dobby?- depois de uma pequena "crack" " o elfo apareceu na frente dele.

-O Sr. Harry Potter ligou para Dobby e ele veio. Será uma honra servir o grande Harry Potter-

-Escute Dobby, eu sei que isso é difícil de entender mas devo passar no segundo teste do Torneio e a única maneira é conseguir um pouco de guelra, que está no escritório do Professor Snape-

-¿O Sr. Harry Potter quer que Dobby roube o professor?-

-Não é um roubo, é... um empréstimo, gostaria de poder comprar ou pedir, mas as regras impedem que qualquer adulto me ajude. Um dia contarei tudo a ele, prometo. Você não terá problemas com o Professor Snape ou com o diretor.

-Dobby entende, ele sabe que Harry Potter fará a coisa certa, como sempre. Dobby ficará feliz em ajudá-lo e desapareceu. Depois de alguns segundos que pareceram intermináveis, o elfo reapareceu com plantas semelhantes a algas de rio.

-Muito obrigado Dobby, há algo que eu possa fazer para lhe agradecer?-

-Bem...se não for muito incômodo, Dobby gostaria de um par de roupas. Não é necessário que sejam muito bons, só para não desgastar tanto aquele que o grande professor Dumbledore deu para Dobby, ele é um grande homem, sempre trata bem o Dobby.

-Eu prometo uma caixa grande cheia de roupas para você- ele disse sorrindo e estendeu a mão num gesto de boa vontade. O elfo olhou para ele surpreso com tal fato, em parte pela natureza de sua raça e também pelos maus tratos que havia sofrido por parte de seu antigo mestre - Dobby não deveria, elfos não deveriam ter contato com bruxos - ele disse hesitante.

-Ninguém nos vê, não direi nada se você não disser nada- disse ele maliciosamente e o elfo deu-lhe um aperto de mão rápido, mas forte. Então ele saiu de lá, enquanto o elfo murmurava coisas para si mesmo, em parte entre a alegria e o tique nervoso que o dominava quando sentia que não estava cumprindo seu dever como elfo.

Harry estava a caminho do segundo teste. Toda a multidão estava dispersa em diferentes arquibancadas colocadas ao redor do lago próximo à escola. Harry percebeu quantos o aplaudiram ruidosamente quando ele chegou, até mesmo alguns da Lufa-Lufa que começavam a apoiá-lo, principalmente quando ele cumprimentava cordialmente seus rivais. Todos estavam animados para começar, Harry viu Ron na plateia mas não Draco e Hermione e começou a se preocupar um pouco mais com a prova.

Harry notou os gêmeos Weasley soltando fogos de artifício amarelos e verdes, representando as cores da casa de Diggory e da sua, e também viu Daphne e Gina acenando para ele de longe, o que o fez corar um pouco. Nesse momento Ludo Bagman colocou a varinha na garganta e amplificou a voz -Bom, todos os campeões estão prontos para a segunda prova, que começará quando soar o apito. Eles têm exatamente uma hora para recuperar o que lhes foi tirado. Então, quando eu contar três: um... dois... três!- E Harry já havia engolido a guelra um segundo antes de Bagman dar o sinal e pular no lago. Em poucos segundos seu corpo mudou, guelras cresceram em sua garganta permitindo-lhe respirar debaixo d'água e suas mãos e pés pareciam os de uma criatura subaquática, o que lhe permitiu nadar com mais facilidade. -Estou em dívida com Dobby e Neville- Harry pensou enquanto se dirigia para resgatar seu alvo. Depois de vários minutos mergulhando cada vez mais fundo, ele teve que se livrar de alguns Gryndlows irritantes e se deparou com o fantasma da Murta Que Geme, mas nada que lhe desse dificuldades. Ao ir mais fundo viu uma espécie de cidade escondida, cheia de sereias e tritões, muitos apontando para ele e sussurrando.

-Nada mal, você é o primeiro. Mas você ainda tem um longo caminho a percorrer- disse-lhe um tritão antes de continuar seu caminho. a ela. Eram Draco, Hermione, Cho Chang e uma garota que ele não reconheceu.

-Devo soltá-los o mais rápido possível, não sei quanto tempo a guelra vai durar- pensou. Ele tentou cortar a corda do amigo com as mãos, mas era muito difícil e ele não conseguia pensar em que feitiço poderia dizer para baixar a água. As sereias e os tritões riram, o que o frustrou ainda mais, mas ele teve que se concentrar no desafio. Naquele momento ele se lembrou de quando queimou a caneta do repórter Skeeter só de pensar nisso, claro que fez isso sem querer, ele estava com muita raiva naquele momento, e agora era mais desespero do que raiva. Ele fechou os olhos tentando encontrar uma solução -"Lembre-se do que Hestia lhe ensinou, os bruxos canalizam sua magia através de varinhas ou objetos mágicos mas também somos capazes de fazer feitiços por conta própria"- Claro que ele nunca havia tentado fazer isso antes, era muito mágico, avançado até para ele. Mas ele também lembrou que no ano passado conseguiu lançar o Feitiço do Patrono, algo que nem todos os adultos conseguem fazer, e se ele já havia conseguido fazer magia sem varinha antes, talvez desta vez pudesse fazê-lo voluntariamente. Concentrou-se o máximo que pôde, pensou na tarefa, nos amigos, uma pequena faísca começou a aparecer na corda até ser cortada. Fiquei super feliz, tinha conseguido, agora só faltava fazer o resto.

-Você só precisa salvar o seu. Eles já têm seus salvadores- o tritão disse a ele e apontou com seu tridente para Cedrico e Krum que estavam indo salvar Hermione e Cho. Um havia usado um feitiço para ter uma espécie de capacete de bolha que lhe permitia respirar e o outro teve uma transformação incompleta de animago em tubarão. Vendo que Fleur não chegava e o tempo estava se esgotando ele decidiu agir, as sereias e tritões perceberam suas intenções e se aproximaram para detê-lo.

-Para o inferno com o teste, não vou deixá-la aqui!-ele gritou para eles, embora apenas bolhas saíssem de sua boca e ele apontou sua varinha para eles para fazê-los recuar. Agradecido por eles não saberem que ele não poderia lutar contra eles debaixo d'água, ele usou sua magia sem varinha novamente para libertar a garota e começou a nadar o mais rápido que podia, o que foi difícil já que o peso dos dois o estava afundando. ...um pouco por cada vez que subi -Assim nunca chegarei à superfície. "Preciso subir mais rápido," ele pensou e então uma faísca surgiu em sua cabeça. Com um movimento rápido das mãos ele tirou a varinha do bolso enquanto tentava segurar Draco e a garota firmemente com a outra. Quando ele certificou-se de que estavam bem presos, ele apontou a varinha para baixo -¡Ascendio!- ele disse gritando o mais alto possível embora apenas uma enorme bolha saísse de sua boca, mas ele ainda conseguiu e os três foram impulsionados em alta velocidade para cima, depois de repetir o feitiço mais algumas vezes Ele já havia conseguido sair e no exato momento em que pôde sentir como o efeito da guelra desapareceu e seu corpo voltou ao normal e ele se sentiu confortável por causa do oxigênio que estava entrando seus pulmões. Assim que pisaram em terra firme, os resgatados abriram os olhos e saíram do transe.

Draco sorriu quando recuperou o juízo e quando viu a garota, ergueu a sobrancelha -¿Você a resgatou ela também?-

-Fleur não apareceu. Eu não poderia deixá-la lá- disse ele enquanto recuperava o fôlego.

-Espere... Não me diga que você levou a música a sério? ¡Dumbledore não nos deixaria afogar ali!

-Mas a música...

-Foi só para garantir que você voltasse rápido! -respondeu a loira -Por ser tão inteligente, às vezes você pode ser muito ingênuo-

Harry se sentiu um idiota, é claro que Dumbledore não deixaria ninguém morrer e se eles estivessem realmente em perigo os outros campeões teriam se voltado para ajudá-lo. Nesse momento Fleur Delacour apareceu gritando quase histericamente, pensando em voltar para a água para resgatar sua refém, mas quando a viu sã e salva se acalmou. Ela tinha alguns cortes e hematomas, aparentemente teve um encontro desagradável com os Gryndlows.

-Você salvou minha "irmãzinha" mesmo não sendo seu objetivo. "Megci beaucoup" - e ela lhe deu um beijo em ambas as bochechas, o que o deixou muito vermelho. -Você também ajudou- ele disse a Draco.

-Sim, bem, não podíamos deixar aquela pobre menina ali", disse ele, escondendo o entusiasmo pela futura gratidão da menina, que também o beijou nas duas bochechas. Quando todos os campeões já estavam reunidos, Ludo Bagman pediu silêncio e começou a dar os resultados. Fleur foi parabenizada por ter usado o feitiço do capacete-bolha, mas como ela não conseguiu passar pelos Gryndlows, eles só lhe deram 25 pontos, Cedrico Diggory obteve 47 pontos, Viktor Krum por sua transformação em semi-tubarão recebeu 45. Quando foi sua vez, a nota mais baixa de Harry e os sermões do Professor Snape por sua falta de bom senso já estavam chegando.

-O senhor Harry Potter usou a guelra com sabedoria, mas chegou por último e expirou o prazo. Porém, a chefe sereia nos informou que foi o primeiro a chegar e que o motivo do atraso foi sua postura firme em resgatar também a refém da senhorita Delacour e não deixá-la para trás. A maioria concorda que foi um ato nobre e heróico, por isso atribuímos 40 pontos - e quase todos pularam de seus assentos aplaudindo, notando que Karkaroff não concordou com a pontuação, mas tentou fingir que sim. Harry não se importou, ele conseguiu um ótimo resultado e era a única coisa que importava.

-Você não foi tão estúpido afinal. Valeu a pena para você bancar o herói-

-Você está dizendo isso por causa do placar ou pela gratidão de Fleur?-

-Ambos- ele respondeu enquanto esfregava a mão na bochecha.

-A terceira e última prova acontecerá ao entardecer do dia vinte e quatro de junho - continuou Bagman - Os campeões serão avisados do que consiste esta prova apenas um mês antes. Obrigado a todos pelo apoio e entusiasmo por este evento.

-Bem é isso, agora só me resta descansar...e estudar em paz. Talvez eu possa praticar minha magia sem varinha - Harry pensou enquanto se retirava para comemorar com os amigos e pensava em todas as meias que iria comprar para Dobby.


Os dias seguintes foram bastante divertidos. Sirius lhe enviou uma carta pedindo que eles se encontrassem em uma estrada perto da cidade de Hogsmeade e que, por favor, trouxessem muita comida. Eles estavam indo para a aula dupla de poções e ele apenas viu que algumas garotas da Sonserina e também da Grifinória olhavam para eles e murmuravam enquanto riam, como se soubessem de algo que as outras não sabiam. Um deles deu a ela um exemplar de "Witch's Heart", uma revista dedicada a fofocas e assuntos triviais do mundo bruxo. Enquanto o professor anotava no quadro-negro os ingredientes da poção que iriam preparar, Hermione começou a folhear a revista que estava embaixo da mesa. Ela notou uma grande manchete, obviamente escrita por Rita Skeeter, na qual ela era considerada uma empreendedora que procurava namorados famosos como Harry Potter e Viktor Krum. Em um parágrafo ela conta que o famoso jogador confessou que nunca sentiu sentimentos por outra garota, e que também a convidou para visitá-lo durante as férias de verão. Nos demais parágrafos houve comentários de algumas garotas tanto da Sonserina quanto de outras casas, que a acusaram de ter usado poções do amor para ter chamado a atenção dos dois campeões, já que devido à sua aparência medíocre ninguém a notaria, além disso ela era uma sabe-tudo insuportável.

-¿Ele realmente confessou seus sentimentos para você e te convidou para visitá-lo nas férias?- Harry perguntou calmamente.

-¿Como/O quê?- Malfoy e Ron disseram ao mesmo tempo diante desse fato.

-Shhh- a garota disse a eles -Snape vai ouvir vocês. É melhor nos concentrarmos na aula- disse ela, tentando mudar de assunto.

-¿Como Skeeter sabia de tudo isso? Eles estavam sozinhos e não me lembro de tê-la visto por perto-

-Talvez ele use capa de invisibilidade, fazemos isso o tempo todo- disse o loiro, lembrando-lhe das aventuras dos anos anteriores.

-Moody teria notado. Certa vez perguntei ao meu pai sobre seu olho mágico, parece que além de ver através de sua cabeça quando ela gira, ele também pode ver através de camadas invisíveis- Ron disse a eles em voz baixa.

- "Ótimo, outro professor além de Dumbledore que também nos veria se fugissemos à noite escondidos pela capa minha e de Draco", pensou Harry.

-¿Você vai vê-lo, certo?- Ron perguntou em um tom que parecia quase uma acusação, antes de ela responder que eles foram repreendidos pelo professor de Poções.

-Vocês podem guardar suas histórias pessoais e dramáticas para depois da aula, Potter e Granger- ele disse a eles em um tom severo e com um aceno de sua varinha fez a revista sair de debaixo da mesa em sua mão -Ahh ¿Revistas embaixo da mesa?" Cinco pontos a menos para ambas as casas! Claro, o Sr. Potter tem que acompanhar seu fã-clube. Vamos ver o que é tão importante... nossa, nossa - disse ele sarcasticamente ao ver o conteúdo. Lido em voz alta por Snape, o artigo parecia dez vezes pior. E as risadas de seus colegas sonserinos também não ajudaram.

-¡Que tragédia! Parece que nem a fama é suficiente para o Sr. Potter arrumar uma namorada... ou talvez a Srta. Granger prefira namorar homens e não meninos - e com esses comentários, pela primeira vez em muito tempo, a sala de poções ficou lotada com risadas e aplausos -¡O show acabou! Quero que vocês comece a preparar poções agora! E ai daquele que não conseguir alcançá-lo perfeitamente. Potter, você traz suas coisas aqui, então vou garantir que você não perca tempo falando sobre sua vida amorosa - e fiz ele cortar os ingredientes na frente dos colegas, o bom é que o medo que Snape vai tirar mais pontos os mantiveram focados em seus trabalhos.

O homem se aproximou dele, ficou quase de costas para a classe e começou a sussurrar para que ninguém mais pudesse ouvi-lo - Você pode pensar que as regras e regulamentos não se aplicam a você, Potter, mas deixe-me dizer que você está errado. Roubar de um professor é um crime grave, então se você invadir meu escritório novamente e pegar minhas coisas...

-Nunca entrei em seu escritório... senhor- disse ele, tentando manter a compostura, era uma meia verdade já que havia mandado Dobby mas ele não tinha alternativas e o bom é que também não tinha provas.

-Não minta para mim, a guelra é inofensiva e uma boa opção, já que duvido que você saiba usar o feitiço do capacete de bolha corretamente, mas... Pele de cobra de árvore africana. Eu acho que você sabe para que serve-

-Poção Polissuco-

-Exatamente, uma poção complicada mas muito útil, principalmente para pequenos e também grandes criminosos. Se você pegar alguma coisa do meu escritório de novo, não pense que vai se safar, você será punido e mesmo que Dumbledore e Moody te defendam, eu vou provar que foi você, mesmo que tenha que forçá-lo a beber a poção da verdade, se necessário-

Harry sentiu um arrepio ao se imaginar naquela situação mas sua mente o lembrou de algo - ¿Que seu uso não é regulamentado por ordem do Ministério, além de usá-lo em um aluno sem autorização é crime? - ele respondeu sorrindo.

-Parece que você sabe muito sobre essa poção. Talvez por isso tenha se oferecido para beber na frente dos jurados, durante a seleção dos campeões. Você sabia que eles não iriam usar isso, não com o "menino que viveu", como é fácil agir com nobreza quando se sabe que não há perigo ou risco. Aquela coisa de ficar para salvar o refém da Srta. Delacour... duvido que até você fosse tolo o suficiente para acreditar que deixaríamos os alunos se afogarem- Harry não conseguia esconder a raiva em seu rosto e Snape estava gostando. Todos sabiam que o homem demonstrava favoritismo com os de sua casa, mas parecia disposto a abrir uma exceção para ele, mas não se deixaria dominar por suas emoções como fez no lago "se ele fosse estudante eu iria desafiá-lo para um duelo, mas ele é um professor e chefe da minha casa. É melhor eu me concentrar no que posso fazer, que é esta poção", disse ele para si mesmo enquanto despejava o pó de besouro no caldeirão e começava a corte as raízes do gengibre.

Felizmente eles bateram na porta e quando a professora deu permissão para eles entrarem, os dois ficaram surpresos que era o Diretor Karkaroff -Severus, precisamos conversar. Você tem me evitado, eu sei que você também sentiu isso, está mais forte do que nunca desde então... - disse ele, fazendo um gesto de enrolar o braço.

-¡Cubra isso! ¡E mantenha sua voz baixa! Depois da aula Igor, agora não- ele disse em tom frio e o homem saiu, mas era óbvio que ele iria esperar do outro lado a aula terminar. Harry se perguntou o que havia de tão urgente no que ele queria contar a ela e o mais importante era descobrir como os dois se conheciam e se estavam tramando alguma coisa.


Chegou o dia em que ele poderia reencontrar Sirius, Ron disse a eles que não poderia ir já que era o único que não tinha feito o dever de casa da Professora McGonagall, todos bufaram, principalmente Hermione que o repreendeu dizendo que ele deveria ser mais responsável. nem sempre dependem de suas anotações. Harry, Draco e Hermione foram para Hogsmeade e no final da rua um grande cachorro preto os esperava, que ao avistá-los e cheirar a comida abanou o rabo entusiasmado. Eles o seguiram por uma longa jornada em direção aos arredores até quase chegarem a uma montanha. Todos estavam suados, mas quem parecia mais cansado era o loiro. Harry não pôde deixar de sorrir.

-Devíamos ter trazido as vassouras, mas Hermione não sabe voar. Estou quase começando a sentir inveja do Weasley por ter ficado, já o seguimos há algum tempo. -

-Acho que deveríamos nos exercitar mais, você nem sempre poderá usar sua varinha ou desfrutar do conforto da alta sociedade", ele respondeu encolhendo os ombros. Então chegaram a uma pequena caverna fria e úmida, o que foi um alívio para os três que estavam cansados e suados. Eles viram o hipogrifo que havia fugido no ano anterior, após se curvar o animal retribuiu o gesto e os convidou a sentar.

Enquanto o cachorro assumia sua forma humana, eles lhe entregaram a comida que haviam trazido -¡Frango! ¡Graças a Merlin! Quase sempre me alimento de ratos, procuro não roubar muita comida senão vou chamar muita atenção- disse ele enquanto dava uma grande mordida na coxa de frango, ele estava muito magro e esfarrapado, quase como quando eles havia se conhecido pela primeira vez.

-É muito perigoso você estar aqui. Você deveria pedir ao Professor Dumbledore para encontrar algum abrigo ou lugar para ficar-

-Prefiro estar aqui, é difícil colocar tudo numa carta e as chaminés nem sempre são seguras. Coisas estranhas estão acontecendo, tenho lido os jornais que as pessoas jogaram fora, Algo está para acontecer - e Harry notou os jornais que estavam no chão, que mencionavam a ausência evidente de Bartô Crouch tanto no trabalho quanto em casa, e o desaparecimento da bruxa chamada Bertha Jorkins, que o próprio Ministro garante que participará na sua busca.

-É raro Crouch se ausentar tanto, ele sempre foi muito dedicado ao seu trabalho. Ele estava muito focado em organizar o Torneio Tribruxo e depois para de ir. Talvez ele estivesse exagerando, mas ainda não é típico dele-

-Ele merece por se despedir do seu elfo. Harry nos contou que agora está trabalhando nas cozinhas da escola, sem a ajuda dele talvez ele a valorize mais agora e perceba o grave erro que cometeu – disse Hermione.

-Ela fazia tudo por ele, meu pai me contou que sempre mandava o duende dele guardar um lugar para ele nas brincadeiras mas ela nunca ia, ficava guardando o lugar para ele, mesmo se sentindo desconfortável por causa das alturas ela nunca esquerda. -

-Espero que ela fique mais feliz com seu novo emprego ao invés de continuar se arrependendo de seu mestre anterior-

-Hermione está envolvida no ativismo pelos direitos dos elfos domésticos- Harry disse a ela -Agora ela tem um emprego na escola, com Dobby- disse ele ao amiga.

-Mas eles não aceitam, todos deveriam seguir o exemplo de Dobby e ganhar um salário decente, como qualquer trabalho-

-¿Você conhece Crouch?- ele perguntou, tentando mudar de assunto.

-Sim, foi ele quem me sentenciou a Azkaban, sem julgamento- e todos ficaram surpresos -Ele sempre foi um grande bruxo com ambições políticas e sede de poder...Mas nunca foi um aliado de Voldemort, na verdade, ele foi um fiel inimigo das artes das trevas. Foi ele quem autorizou os aurores a usarem as maldições imperdoáveis contra os Comensais da Morte, algumas vezes eles usaram força excessiva, mas nunca foram repreendidos ou punidos, já que naquela época o mundo mágico e trouxa estava em caos absoluto, o terror e a morte espreitando por toda parte , ninguém era confiável. etc. As pessoas queriam que tudo fosse resolvido o mais rápido possível, independentemente dos métodos, e Bartô Crouch parecia ser a solução. Após a queda de Voldemort, era uma questão de tempo até que ele fosse promovido a Ministro da Magia.

- ¿E o que aconteceu?-

-Seu filho foi enviado para Azkaban, alguns Aurores capturaram alguns ex-seguidores do Lorde das Trevas, e Barty Crouch Jr estava com eles- disse Draco, e Harry e Hermione olharam para ele surpresos -Entre eles estavam os Lestrange- e Sirius fez uma careta de desgosto ao ouvir aquele nome. Harry queria perguntar sobre eles, mas Hermione o interrompeu.

-¿Seu próprio filho era um Comensal da Morte?-

-Isso nunca se soube, talvez ele estivesse no lugar errado na hora errada, ou era apenas um garoto estúpido que se juntou a alguns criminosos sem saber do que eles eram capazes. A única coisa é que foi o fim da carreira de Barty.

-Claro, foi porque ele tentou ajudar o filho?- a garota perguntou e com essa pergunta Draco fez uma careta zombeteira e Sirius riu alto.

-¿Você está brincando? Um político de sangue puro como ele não deixaria que nada nem ninguém manchasse seu sobrenome e a carreira pela qual tanto trabalhou. A coisa mais paternal que ele fez por seu filho foi levá-lo a um julgamento, mas foi um show para as pessoas verem que ele não era nada parecido com ele e aplicou todo o peso da lei, mandando-o para Azkaban para o resto da vida. Pude ouvir seus gritos chamando pela mãe, depois de um tempo ele se acalmou. Todos se acalmam...O menino morreu alguns anos depois-

-¡Pobre!-

-De qualquer forma, já conversamos e está começando a escurecer, é melhor você voltar. Concentre-se no último teste e mantenha os olhos abertos, o mesmo para vocês dois," ele disse a Hermione e Draco. Harry deu um grande abraço nele, o homem cheirava muito mal mas Harry não se importou, era a única família que lhe restava e sua ligação com seus pais, além de Lupin.

-Nos veremos em breve- disse-lhe o homem. Harry perguntou se ele poderia se transformar novamente em um cachorro, o homem assentiu estranhamente e quando ele voltou para sua forma animal de cachorro preto Harry apontou sua varinha para ele -Perdoe-me mas é para o seu próprio bem- e um forte jato de água saiu de sua varinha e depois espumas e bolhas. Enquanto ela pedia à amiga que lhe desse uma toalhinha que ela havia trazido na mochila, o cachorro latia e rosnava, reclamando do banho involuntário.

-Acalme-se Sirius, você está perturbando Bicuço- a garota disse a ele.

-Estou quase terminando...¡Feito! Agora para finalizar, Engorgio! - e alargou a toalhinha para que ficasse grande o suficiente para secar e aquecer o animal e então - Muito melhor, né? - e o animal grunhiu.

-Aposto que meu pai teria achado engraçado- disse ele e com esse comentário o humor do cachorro mudou e ele abanou o rabo em aprovação.

-É melhor irmos Harry-

-Sim, nos vemos em breve Sirius- e os três partiram de lá.


As últimas semanas passaram rapidamente. Harry tentou praticar sua magia sem varinha, mas o máximo que conseguiu foi mover objetos em direção à sua mão, o que ele poderia fazer facilmente usando o feitiço de invocação com sua varinha, era frustrante, mas ele não desistiria e se ele poderia, ele também praticaria outros feitiços com suas varinhas. A terceira prova se aproximava e Ludo Bagman havia mandado chamar os quatro campeões para irem ao local onde normalmente eram disputadas as partidas de Quadribol, mas naquele momento um labirinto semiconstruído era visível nos arredores. Ao que tudo indica deverão percorrê-la e chegar até a taça, mas terão que enfrentar diversos obstáculos e superar encantamentos.

-Desejo-lhes boa sorte, senhorita e senhores- disse-lhes ele. E quando parecia que ele iria se aproximar dela novamente para oferecer ajuda, ela teve sorte que Vítor Krum pediu para ela conversar a sós enquanto caminhavam, aparentemente ele havia lido o que Rita Skeeter havia escrito sobre eles.

-Nunca namoramos, somos muito amigos e também gostamos de competir nas aulas para ver qual casa ganha mais pontos-

-¿Então vocês nunca...?-

-Ela é como a irmã que eu sempre quis ter- ele respondeu e o rosto aliviado de Krum ficou bastante perceptível.

-Já vejo. Enfim... te desejo sorte na última prova, vi você voar, você é muito bom-

Harry não conseguia acreditar, um jogador de classe mundial estava elogiando suas habilidades com a vassoura -Obrigado, ouvi dizer que você também deu um grande show na Copa do Mundo, aquele famoso movimento "Feint do Wron..." ¿Você ouviu alguma coisa? - e eles ouviram um barulho em alguns arbustos ali - Lumos! - ele disse apontando para o local e eles viram um homem rastejando.

-Ele não é um dos juízes? "Barrrty Crrrouch?" Krum perguntou.

-Sr. Crouch! O que aconteceu? Você está bem? - O homem não respondeu, parecia estar em transe e falava consigo mesmo, como se tivesse sido amaldiçoado - Devemos procurar ajuda, Sra. Pomfrey ou Dumbledore. -

-¡Dumbledore! Preciso falar com você, cometi um grande erro...sou um idiota...foi tudo culpa minha...meu filho...Bertha Jorkins...- ele disse recuperando a compostura e depois falou novamente no ar, dando instruções ao seu assistente, irmão de Ron, pedindo-lhe uma xícara de chá e agendando um encontro com Bagman.

Quando Harry voltou do castelo com Dumbledore, encontraram Krum inconsciente e Crouch desaparecido. O diretor apontou sua varinha para o aluno -¡Ennervate!-

-¿Está bem? O que aconteceu?-

-¡Ele me atacou! Eu estava esperando o Potter voltar e ele me atacou-

-¿Tem certeza? Em seu estado ele parecia incapaz de machucar alguém, mal conseguia manter sua sanidade... E então Moody chegou, junto com Karkaroff e Snape.

-¡Maldita perna! Eu teria chegado mais cedo- disse Olho-Tonto -Vou investigar, vou sozinho, prefiro trabalhar assim. Se eu vir algo, enviarei um sinal- disse ele enquanto ia inspecionar os arredores.

-¡Traição! Primeiro você deixou Potter participar apesar de não ter a idade exigida, além de dar um participante extra para sua escola, e agora um dos jurados ataca meu aluno! Todas aquelas mentiras sobre melhorar o relacionamento entre bruxos e deixar rancores antigos para trás! É isso que penso de você!- e cuspiu nos pés do diretor. Harry estava prestes a dizer alguma coisa, mas Hagrid foi mais rápido e o jogou na frente da árvore.

-¡Desculpar-se!-

-¡Hagrid Deixe-o ir! Harry volta para a escola, conversaremos sobre isso outra hora. Você pode acompanhá-lo? - ele disse ao guarda florestal e ele assentiu. Ele queria ficar e ajudar, mas foi obrigado a sair acompanhado.


No dia seguinte seus amigos o encheram de perguntas sobre tudo o que havia acontecido, mas o pior foi a carta de Sirius repreendendo-o por caminhar com Vítor Krum, lembrando-lhe que sua vida estava em perigo já que seu nome havia aparecido na taça e foi melhor para ele se concentrar em praticar seus feitiços ofensivos e defensivos.

-¿Quem é ele para me dar um sermão? ¡Com todos os problemas que causou na escola e até agora continua se arriscando andando por Hogsmeade!

-Ele está preocupado com você Harry, assim como todo mundo. Você está em uma situação muito perigosa-

-Estou sempre nesse tipo de situação, não é algo que procuro, mas acontece e sempre consigo sair impune- disse ele e a menina lançou-lhe aqueles olhares maternais -Com a sua ajuda, obviamente- ele respondeu, tentando acalmá-la.

-Ainda assim...Quais planos para hoje?-

-Vou terminar um dever de casa na biblioteca- disse Malfoy.

-Acho que vou estudar um pouco na Sala Comunal, estou com vontade de ficar um pouco sozinho, vejo vocês mais tarde- disse Harry aos amigos. Depois de ler um pouco sobre encantamentos e maldições, ele começou a ler um livro sobre criaturas mágicas perigosas. Se primeiro os fizessem fugir de um dragão, um animal que voa e cospe fogo, e depois enfrentassem diversas criaturas aquáticas, presumia-se que naquele labirinto teriam que lutar contra alguma fera que se esperaria encontrar em alguma floresta ou caverna. Ele já tinha experiência contra aranhas, salamandras de fogo, bichos-papões, então começou a ler sobre grandes feras mágicas, principalmente aquelas que costumam proteger lugares. Depois de um tempo, o cansaço começou a dominá-lo, o sofá pareceu ficar mais confortável e depois de fechar os olhos por alguns segundos ele caiu em um sono profundo. Ele pôde ver uma figura de costas para uma grande poltrona, conversando com Rabicho, o homem que traiu seus pais e deixou Sirius assumir a culpa por 13 anos. A enorme cobra cercou a figura e sibilou, aparentemente seu mestre estava de bom humor pois havia recebido excelentes notícias mas ainda assim lançou a maldição Cruciatus sobre o vassalo que estava encolhido de medo, os gritos de dor do homem foram sentidos por Harry. se também estivesse ali, a cicatriz começava a queimar tanto que ele sentia como se tivesse uma brasa acesa na testa.

-¡Harry!- e quando ele abriu os olhos viu Ginny olhando para ele assustada, ela estava no chão e suando.

-¿O que aconteceu?-

-¡Eu encontrei você no chão enquanto segurava sua cicatriz! Você deveria falar com Madame Pomfrey, e depois falar com o Professor Snape ou Dumbledore sem dúvida...

-Não estou doente e não pediria ajuda ao Snape...mas conversar com Dumbledore é uma boa ideia, tem uma coisa que preciso contar a ele e também tenho muitas perguntas-

-Tem certeza que está bem?-

-Sim Sim. Não se preocupe, obrigado- ele disse, forçando um sorriso e foi direto para o escritório do diretor. Depois de tentar várias senhas ridículas ele teve sorte e a gárgula o deixou passar. Ao chegar ouviu do outro lado da porta o Ministro Fudge irritado com o desaparecimento de Bartô Crouch além de minimizar o caso da bruxa chamada Bertha Jorkins, e até sugerir que a diretora de Beauxbatons estava envolvida visto que Harry e Krum havia cruzado para Crouch perto de sua carruagem e também por causa de seu status de meio gigante -Nem todo mundo é como Hagrid Albus. Você sempre teve uma certa preferência por ele-

-E nem todos são selvagens como aqueles que McNair executa, com muito prazer, devo acrescentar-

-Senhores, acho que deveríamos adiar esta conversa, já que ela não é mais privada- acrescentou Moody e a porta se abriu. Harry imaginou que viu graças aos seu olho.

-¡Harry! Rapaz, é bom ver você. Estávamos conversando sobre o que aconteceu com você e Barty Crouch. Receio que não tivemos sorte em encontrá-lo-

-Que pena, pelo que me lembro ele parecia estar enfeitiçado, por um momento ele estava lúcido pedindo para falar com o Professor Dumbledore e por outro começou a falar com ele no ar como se estivesse com seu assistente-

-Entendo ¿E você não se lembra de ter visto mais ninguém?-

-Receio que não- e então acrescentou -Não creio que a Sra. Maxime também estivesse envolvida, além do mais o Professor Moody a teria encontrado, não é que seja difícil para ela passar despercebida- e Dumbledore sorriu. Ele disse-lhe para esperar um momento porque ele tinha que verificar os feitiços do labirinto e as proteções do terreno. Harry ficou um tempo olhando os retratos de ex-diretores, cruzou com a Fênix que o havia ajudado dois anos atrás contra o basilisco, após acariciar sua plumagem macia notou o chapéu e a espada de Godric Griffindor em uma prateleira e suas emoções vieram à tona órias daquela aventura. Sua atenção foi desviada para uma espécie de recipiente semelhante a um caldeirão, mas era feito de pedra e tinha runas gravadas em sua superfície que ele não entendia, seu conteúdo brilhava, ele não gostava de tocar nos objetos de outras pessoas e muito menos naqueles. de seu diretor, mas sua curiosidade era mais forte e próxima. Ele tentou tocá-lo com sua varinha e imagens de pessoas começaram a aparecer no líquido, era como assistir a um filme trouxa mas as imagens eram muito pequenas quando ele aproximou seu rosto, o pequeno toque com seu nariz foi o suficiente para transportá-lo até lá .

-¿Que diabos é isso?- ele disse para si mesmo ao ver que havia entrado no conteúdo do caldeirão e estava cercado por várias pessoas mas ele parecia um fantasma, ninguém conseguia vê-lo, ouvi-lo ou tocá-lo. Ele tentou raciocinar o mais rápido que pôde e depois de um tempo entendeu que estava em uma situação semelhante ao diário de Riddle, como aconteceu há dois anos. Evidentemente estava dentro de uma memória, mais precisamente nas memórias do seu diretor. Ele foi testemunha no julgamento de Karkaroff, que fez um acordo para fornecer nomes de Comensais da Morte ao ministério em troca de uma redução em sua sentença. Harry ficou surpreso ao ouvir o nome de Snape entre eles, ele observou como a memória Dumbledore defendeu o homem, argumentando que embora ele fosse um servo de Voldemort no passado, ele havia abandonado suas fileiras antes de sua queda e teria arriscado sua vida inúmeras vezes ajudando para o outro lado.

Então os dementadores trouxeram o próprio Ludo Bagman mas ele parecia mais jovem, dez ou quinze anos mais novo, aparentemente ele havia sido acusado de trabalhar com Comensais da Morte mas foi absolvido pois se defendeu dizendo que a pessoa para quem ele havia passado as informações acabou sendo ser um membro de alto escalão do Ministério que todos ficaram surpresos ao saber e finalmente viu o julgamento do próprio filho de Barty Crouch.

-"Ele não parece muito maior que os irmãos de Ron"- pensou.

Ele estava acompanhado de outros três, um tremia igual a ele, o terceiro continuava com frio, mas a mulher parecia feliz por estar ali, orgulhosa de si mesma. O menino implorou ao pai, que fez ouvidos moucos enquanto recitava em voz alta os crimes cometidos pelo acusado, incluindo torturar os pais de Neville Longbottom, Frank e Alice, até a loucura. A única pessoa que pareceu simpatizar foi uma mulher soluçante, obviamente a mãe do menino.

-¡Por favor pai! Não me mande para os dementadores de novo! ¡Eu sou seu filho!-

-¡Você não é meu filho!- ele disse, evitando seu olhar.

-Leve-nos para Azkaban, não nos importamos. O Lorde das Trevas retornará e não esquecerá aqueles que foram leais a ele!- disse a mulher chamada Bellatrix Lestrange. Harry não conseguia acreditar no nível de loucura e fanatismo daquele casal. Naquele momento uma mão pousou em seu ombro -Harry, acho que é hora de ir- e ele se virou e o Dumbledore que ele tinha ido procurar entrou no pote e o tirou de lá.

-Professor, eu... me desculpe por entrar nas suas memórias.

-Nossa, que intuitivo, sim. Você entrou em minhas antigas memórias e o que você vê lá é chamado de penseira. Quando você tem a minha idade, esse objeto é muito útil quando você quer lembrar de um momento, principalmente se você acha que esqueceu alguma coisa- respondeu ele, colocando a varinha na têmpora e tirando uma espécie de líquido e colocando dentro da embarcação que mostrava outra lembrança do homem. Depois de um tempo eles conversaram sobre o sonho que Harry teve, sua ligação com Voldemort, o desaparecimento de Crouch, a bruxa chamada Bertha Jorkins e também sobre os pais de Neville Longbottom.

-Eu pediria que você não contasse isso a ninguém. É assunto de Neville.

-Ninguém vai saber disso por mim, Neville é uma boa pessoa e merece ter sua privacidade respeitada", ela respondeu e o homem acenou com a cabeça sorrindo. Harry queria saber o que ele pensava sobre se o filho de Bartô Crouch era inocente ou culpado - infelizmente não poderia te contar, Harry. Pessoalmente tenho medo de me inclinar sim, mas que seu único crime verificável foi ter se associado a criminosos como os Lestrange, mas Barty Sr. não conseguiu demonstrar clemência, ele teve que demonstrar que aplicava a lei a todos sem exceções.

-E o Sr. Bagman?-

-Ele nunca mais foi julgado por nenhum crime, a menos que seu péssimo desempenho nos últimos dias como jogador seja considerado crime- disse ele, brincando.

-¿E...?-

-Nem o Professor Snape- ele acrescentou, apagando o tom afável. Harry se perguntou o que Snape havia dito ou feito para fazer o diretor confiar tanto nele. E parecendo ler sua mente ele falou novamente -A natureza do relacionamento que tenho com o chefe da sua casa não é um assunto relacionado a você, assim como não tenho nenhuma interferência no seu relacionamento com seus amigos, além da enorme cobra que agora mora na nossa floresta- disse quase em tom acusatório, sinalizando que já haviam terminado.

-Sim senhor, desculpe a intromissão, só estava curioso-

-Não é ruim desde que acompanhado de prudência. Boa tarde Harry, desejo sorte na terceira prova- E despediu-se do homem, saindo com algumas respostas mas muitas perguntas que ainda lhe queria fazer.


Faltavam apenas dois dias para a última prova, Harry já havia estudado e praticado tantos feitiços e encantamentos que duvidava que seu cérebro tivesse espaço para outras coisas, além disso ele também tinha que acompanhar suas aulas habituais, mas sempre fazia um bom trabalho, mesmo em poções, embora seu professor nunca admitisse isso para ele. Naquele momento um grupo de sonserinos liderados por Flint e outros hooligans que Harry detestava jogou um jornal nele, onde na manchete Rita Skeeter havia escrito um artigo sobre suas dores de cabeça e desmaios, além de sua habilidade de falar língua de cobra, chamando-o de " instável", "perigoso".

-¡Aquela harpia!- Hermione gritou.

-Não preste atenção nele- disse Harry -Eu nem me importo mais- disse ele, apontando sua varinha para o jornal e transformando-o em uma cobra de papel que deslizou em direção à lareira e se incendiou.

-Eu me importo ¿Cómo ela sabe que você desmaia às vezes? ¿Ou o que você sabe falar com cobras? -

-Alguns dos meus colegas sabem disso por causa do que aconteceu no segundo ano, talvez mandem cartas para ela com informações-

-Mesmo assim, acho difícil...-e a garota ficou em silêncio por um momento.

-¿O que está acontecendo?-

-Acho que... já sei como conseguir informações sem que ninguém veja. Vou na biblioteca, te vejo mais tarde- e ela saiu correndo dali, como um detetive em busca de pistas e informações.

-¿Ela é sempre assim?- Daphne perguntou sorrindo -Estou surpresa que ela não esteja na Corvinal, ela é muito inteligente e adora livros. Agora entendo porque Krum gosta tanto - e com aquele comentário Harry percebeu como Ron e Draco fizeram caretas. Então ele foi chamado pelo vice-diretor avisando que os campeões tinham que se apresentar com suas famílias antes da última prova, ele achou que devia ser um erro já que desde que saiu da casa dos Dursley anos atrás, nunca mais teve contato com eles novamente , Sua grande surpresa foi quando ela viu a Sra. Weasley, acompanhada de seu marido e do irmão mais velho de Ron, Bill.

-¡Harry!- a mulher disse e lhe deu um grande abraço, que sempre o deixou sem fôlego, mas foi bem recebido.

-¿Como você está Harry? Charlie me disse que você deu uma grande luta ao dragão- disse Bill, que tinha toda a aparência de um rebelde, com sua jaqueta de couro, seu brinco na orelha e seus longos cabelos presos em um rabo de cavalo. Ele notou Fleur olhando para ele de longe, parecia que ela não se incomodava com sua aparência, muito pelo contrário.

-¡Não acredito que Dumbledore deixou você participar! Sendo tão jovem...-

-Molly, Harry já enfrentou coisas piores e superou. Agora você só tem mais um teste e pronto- Logo Draco e Ginny chegaram, acompanhados por Ron.

-Mãe, pai, Bill! ¿O que fazem aqui?-

-Viemos apoiar Harry é claro- ela disse cumprimentando seus filhos e então se aproximou de Draco e segurou sua mão em um tom quase maternal -¿Como você está, querido? ¿Você ainda está cuidando da nossa filha?- ela disse sorrindo, o que surpreendeu os Weasleys presentes.

-Ela sabe se cuidar perfeitamente... mas não custa nada ter olhos e ouvidos por perto, para garantir que ela não toque em objetos amaldiçoados-

-¡Mãe! Eu sei me cuidar, não sou a mesma garota inexperiente do primeiro ano - protestou a garota envergonhada - Tirei notas excelentes em todas as matérias, ao contrário do Ron -

-Isso deve doer- Draco comentou e bateu os nós dos dedos em Ginny.

-Falaremos sobre suas anotações mais tarde, Ronald Weasley -Agora vamos apoiar Harry, e por falar nisso, acho que é hora de você ir- disse a mulher ao ver os outros campeões se despedindo de suas famílias.

-¡Sucesso Harry!-

-Prometo dar tudo de mim- respondeu ele. Ele saiu de lá em direção ao campo de Quadribol que agora estava completamente transformado por um enorme labirinto de vários metros de altura, os campeões foram lembrados que não podiam usar vassouras ou feitiços que desafiassem a gravidade, eles tinham que navegar por ele no estilo trouxa e apenas usar magia para superar os obstáculos que estão em seu caminho. Cedric e ele entraram primeiro por terem sido os que tiveram maior pontuação, começaram a correr quase ao mesmo tempo, depois de um tempo ouviram o som que dava o sinal de que Viktor e Fleur já haviam começado. Eles correram apenas alguns minutos enquanto iluminavam o caminho com suas varinhas, quando chegaram a uma bifurcação que mostrava duas opções, ele foi pelo lado esquerdo e Cedrico pelo direito.

Ele começou a andar ao seu lado, fazendo várias curvas e procurando sinais de uma saída que levasse ao fim -¡Guie-me!-

A varinha virou e apontou para a direita, que era o norte, e ele sabia que tinha que ir para noroeste para chegar ao centro do labirinto. A melhor opção era pegar a rua à esquerda e virar à direita assim que pudesse. Ele estava começando a suspeitar que era fácil demais, ou que ele havia tomado o caminho errado, ou que o labirinto queria que ele confiasse nele e depois o surpreendesse. Ele encontrou Cedrico, que lhe disse para não ir naquela direção porque o escorbuto de cauda explosiva que Hagrid havia mostrado a eles na aula estaria esperando por ele, mas eram enormes. Depois de enfrentar um bicho-papão que se passava por Dementador ele acabou em um beco sem saída. Quando voltou parecia que o caminho era diferente como se o próprio labirinto tivesse mudado de formato, à frente havia uma espessa névoa dourada que obstruía o caminho. Ele pensou que se respirasse isso o deixaria inconsciente e ele não conseguiria continuar, prendeu a respiração e correu forte, e em vez de desmaiar com o contato acabou de cabeça para baixo, com o chão acima de sua cabeça e o céu a seus pés, ele se sentia sólido.

Ele supôs que deveria ser um feitiço para confundir seu senso de direção - "O que aconteceria se eu tentasse andar? Meus sentidos continuarão alterados ou algo pior aconteceria?"- ele pensou e então xingou dizendo a si mesmo que não conseguiria. hesitou e que depois do teste anterior aprendeu que os riscos e perigos não eram tão mortais quanto aqueles em que são levados a acreditar, então deu alguns passos à frente e sentiu como se estivesse caindo de joelhos no chão, quando chegou levantou-se viu que tudo estava normal novamente. Continuou seu caminho, durante o qual teve que lidar com um dos escogrutos gigantes que Cedric mencionou mas não teve problemas com isso, parou quando ouviu algumas vozes.

-¿O que você está fazendo? ¿Você está louco? - disse a voz de Cedrico.

-¡Crucio!- E Harry correu para onde os gritos podiam ser ouvidos mais altos. Quando ele chegou, Krum apontou sua varinha para ele, mas parou. Era como se ele estivesse lutando consigo mesmo, como Crouch. -¡Desmaius!- Harry gritou e o rapaz, foi nocauteado.

-Obrigado Harry...não acredito. Eu pensei que Krum fosse honesto-

-Ele não é ele mesmo, alguém lançou um feitiço nele para atacar você-

-¿Tem certeza?-

-Sim- ele disse sem saber como, mas havia um sentimento. Depois de deixá-lo de lado e lançar faíscas para o ar para que eles viessem buscá-lo, cada um seguiu seu caminho. Ele se virou várias vezes até entrar na escuridão, pensou que estava perdido até encontrar uma criatura sobre a qual havia lido em seu livro de feras do mundo mágico. Uma esfinge, com corpo de leão e cabeça de mulher, se aproximou dele - Você está perto do fim, esse é sem dúvida o caminho mais rápido, você pode passar se resolver o enigma, se errar eu te atacarei e se você não disser nada você pode ir embora -

"Vá em frente," ele respondeu, um tanto nervoso já que Hermione era boa nesse tipo de coisa.

"Sou frágil mesmo não tendo limites

Um pouco de mim não faz mal, mas em quantidade te envenena

Eu faço os homens subirem, mas também os faço cair

¿Que sou?"

Harry sentiu que todo o treinamento anterior tinha sido em vão, ele teve que perguntar mais algumas vezes à criatura, não sabia se recuava e procurava outro caminho, ou lutava contra a fera. Ele estava prestes a optar pela última opção até que viu o símbolo da cobra em suas roupas e então uma faísca acendeu em sua mente -¿Orgulho?-

A criatura sorriu e o deixou passar -¡Obrigado!- ele gritou enquanto corria. Ele avistou a taça no final do caminho, posando em uma prateleira de pedra. Nesse exato momento, Cedric apareceu novamente em outros caminhos. Ele teve que se apressar para alcançá-lo. Naquele momento uma enorme aranha saiu dos arbustos e de surpresa seu rival largou sua varinha. A enorme aranha começou a agarrar suas pernas e arrastá-lo. Harry não sabia se continuava ou o ajudava, mas vendo como a criatura parecia deliciar-se com sua presa, seu lado grifinório prevaleceu - ¡Aranha Exhumai! - mas o feitiço mal atingiu a enorme aranha, ela quase não sentiu desconforto, como se tivesse apenas atirado uma pedra nela. Harry entendeu que tinha que ir com tudo - ¡Bombarda Máxima! - e a metade frontal da fera explodiu, deixando rastros de seu corpo e vísceras por toda parte.

-Obrigado, pensei que você iria atrás do copo-

-Eu também- ele respondeu sinceramente enquanto estremecia de dor.

-¿O que há de errado, Harry?- ele perguntou preocupado e Harry lhe mostrou sua perna. Quando o animal explodiu, uma de suas pinças o atingiu. Seu sangue estava começando a aparecer em suas roupas e a dor aumentava. Cedric estava mais perto da taça do que ele, mas não avançava.

-¿O que você está fazendo? Tome isso de uma vez por todas para que eu possa ir até Madame Pomfrey- ele disse, mas o jovem estava hesitando e Harry entendeu. -Não faça algo heroicamente estúpido, Cedrico, eu fiz isso no segundo teste e tive sorte de eles não me deu zero-

-Você me ajudou com a pista do dragão, com Krum e agora fez de novo-

-E você me ajudou com o ovo, além disso eu roubei a guelra do Professor Snape que foi a coisa mais maluca que alguém já fez, principalmente para um Sonserino. Você está desistindo de uma oportunidade única na vida, pense na alegria de seus colegas de casa e de seus pais-

-Eu não teria merecido nada- disse ele, olhando para ele sem continuar avançando.

-¿E se nós dois pegarmos ao mesmo tempo?- ele propôs.

-¿Tem certeza?-

-Seria um empate, Hogwarts venceria e as duas casas ficariam empatadas, assim como fiz com a Grifinória no meu primeiro ano.

-Talvez no próximo ano você faça isso com Corvinal- Cedrico brincou enquanto o ajudava a andar, já que sua perna machucada não facilitava as coisas para ele.

-Não é uma má ideia- disse ele, tentando manter o equilíbrio. Assim que se aproximaram do pedestal, pegaram o objeto ao mesmo tempo.

Ambos desapareceram de lá.


O próximo capítulo será o final do quarto livro e parte do quinto.

¡SAUDAÇÕES!