Harry estava andando pelo jardim da Mansão Malfoy, era um lugar incrível e enorme. Era evidente que o Sr. Malfoy não poupava despesas para manter o lugar impecável, isso o lembrava dos terrenos da escola, o que o fez sentir um tanto nostálgico por sentir falta daquele lugar. Ele sentou-se na grama macia e começou a ler um livro de encantamentos enquanto comia uma maçã. Ele estava tão concentrado na leitura que perdeu a noção do tempo. Cada livro que lia, cada feitiço que aprendia era mais um passo em direção ao seu futuro, embora ainda não soubesse exatamente o que era, pois ainda era muito jovem para escolher uma carreira profissional.

-¿De novo com a cabeça nas nuvens, cara rachada?- disse o amigo que foi sentar ao lado dele.

-Eu estava pensando, está quase na hora de voltar para a escola e queria continuar com meus livros-

-Mais do que estar atualizado, eu diria que você esteve à frente quase metade do ano-

-Gosto de estar preparado, nunca se sabe quando um feitiço pode ser útil, seja no dia a dia ou durante um duelo- ele respondeu e justamente naquele momento duas corujas apareceram diante deles dando-lhes o e-mail e a lista de livros e ingredientes para no terceiro ano, Harry percebeu que seu amigo colocou uma carta no bolso sem nem abrir o envelope.

-Parece que nossas férias acabaram, ei esse ano temos disciplinas eletivas ¿Já sabe qual vai escolher? - perguntou a loira enquanto olhava as disciplinas disponíveis.

-Provavelmente escolherei Trato das Criaturas Mágicas e talvez Adivinhação ou Runas Antigas-

-¿Adivinhação da sorte? É a mais inútil de todos, a única coisa que fazem é ler as folhas de chá, ver bolas de cristal ou constelações na torre astronômica. Você poderia escolher os estudos trouxas, tendo vivido entre eles você certamente obterá notas altas, como sempre-

-Prefiro algo mais desafiador ¿Você diz que adivinhação é perda de tempo? Seria útil poder ver o futuro-

-Só quem nasce com o dom da clarividência pode e são muito raros, mais raros que os metamorfomagos-

-¿Que são?-

-Isso é o que dizem para quem nasce com a capacidade de mudar de aparência sem a necessidade de uma poção polissuco-

-¡Incrível! Eu gostaria que pudéssemos ter esse presente-

-Você já tem o dom da Ofidioglota, não seja ganancioso-

-Achei que nós, sonserinos, devíamos ser ambiciosos-

-Bom ponto. Vou tomar um banho, vejo você no almoço-

-Tudo bem, vou terminar de ler meu livro e você poderá responder as cartas de Hermione- disse ele, olhando para ele com certa malícia.

¿Do que você está falando?- ele respondeu da maneira mais secreta possível.

-Foi ela quem escreveu para você ¿Certo? Parece que ela está muito grata por termos acabado com o fantasma de Riddle, é claro que Fawkes e eu fizemos a maior parte do trabalho-

-Acabamos de conversar, tem muitas coisas sobre o mundo mágico que ela não sabe e ela me mandou uma carta com perguntas-

-Ela poderia ter escrito para Ron ou qualquer um, mas ele escreveu para você ¿Você tem medo que seus pais fiquem bravos se descobrirem? -

-É...complicado, já me deram um sermão sobre ficar com o Weasley e quanto à Granger, você sabe o que pensam dela e da família dela-

-Você não deveria se importar com o que as outras pessoas pensam, importa o que você acredita, você sabe que não é o único da Sonserina que se cerca de "traidores de sangue" e nascidos trouxas e tenho certeza que a irmã de Ron não deveria também. É fácil ser a primeira da família a não entrar na Grifinória... Mas eu entendo, sei que seu pai pode ser intimidador-

-Ela vai ficar bem, lembre-se que nós da Sonserina cuidamos dos nossos, e se alguém a trata mal, ela tem o grande Harry Potter para 'consolá-la'", ele respondeu e Harry ficou vermelho por um momento.

-Ela é irmã de Ron e uma de nossas colegas-

-Sim, claro, de qualquer forma, tenho cartas para responder. Aproveite o seu livro, depois de comer podemos praticar um pequeno duelo se você quiser-

-Eu adoraria- ele disse a ele. Depois de algum tempo sozinho com sua leitura, sua coruja pousou um pouco em seu ombro e lhe deu carinho em sua bochecha.

-Estou com saudades da escola. E você não sente falta de passear pelos céus da floresta e do terreno?- ele perguntou. O pássaro piou -Eu gostaria de poder voar como você-


Numa ilha remota, a milhares de quilómetros de distância, havia um grande edifício que parecia ter sido construído há séculos, mas as suas paredes permaneciam firmes e em boas condições. Ao seu redor, criaturas sombrias sobrevoavam o local, como abutres esperando para perseguir sua presa quando esta está em seu estado mais vulnerável.

Alguns homens caminhavam pelos terrenos da ilha -¿Está tudo em ordem, senhor ministro?

-Sim, está tudo dentro da normalidade. Pelo menos tão normal quanto pode existir neste lugar. Mas fico feliz em saber que nossos prisioneiros ainda estão em suas celas e bem guardados, embora...-

-¿Sim?-

-Eu vi Black-

-¿Sirius Black? O traidor?-

-Sim, e o estado dele me chamou a atenção-

-¿Ele parecia tão consumido?-

-Pelo contrário, é claro que sua estadia aqui teve seus efeitos. Mas ao contrário dos outros internos, ele não tinha aquele olhar perdido ou vazio, a maioria deles não tem consciência de quanto tempo passou e nem consegue falar com coerência.

-¿Você está dizendo que os dementadores não são suficientes para mantê-lo preso?-

-De jeito nenhum, esta ainda é a prisão mais eficaz do mundo mágico. Mas ei, vamos sair daqui - e os dois senhores colocaram a mão em uma bota velha e desapareceram dali.

Num dos corredores da grande prisão avistavam-se várias celas, todas ocupadas por homens e mulheres ali condenados à prisão perpétua. Você poderia dizer quem foi enviado para lá recentemente por aqueles que já estavam lá há anos. Os mais novos gritavam e imploravam, enquanto os mais velhos pareciam ter perdido um traço de vida, era como se já fizessem parte das paredes, todos menos um que olhava para uma foto recortada de um jornal como se pudesse. não acredito nos olhos dele. O homem repetia incessantemente "Harry Potter...devo ir para Hogwarts, DEVO IR..."


O grupo estava na estação King Cross esperando o trem. Depois de um tempo eles avistaram os Weasleys, o que não foi difícil já que todos tinham aquele cabelo ruivo e eram muitos. Assim que os avistaram fizeram sinal para que se aproximassem.

-Olá pessoal, pensei que não chegariam a tempo-

-¿E deixar para você a taça de Quadribol? Nem pensar- brincou a loira.

-Espere até o ano começar antes de começar a competir- Ginny disse a eles e quando viu Harry sua expressão mudou um pouco -Olá Harry...- ela disse timidamente.

-Olá Gina ¿Como você está?-

-Ainda estou viva, graças a vocês. Embora minha mãe continue me ensinando sobre não tocar em objetos proibidos e ficar longe de problemas...

-¿Onde seria a diversão?- Nesse momento o pai de Ginny se aproximou e após cumprimentá-los pediu a Harry para conversar a sós por um momento.

-¿Há algo errado, Sr. Weasley?"

-Em primeiro lugar quero agradecer novamente por salvar minha filha. E eu também queria avisar você-

-¿Sobre o que você queria me avisar?-

-Não sei se você viu a notícia, Sirius Black fugiu de Azkaban. A prisão dos mágicos-

-Ahh sim, o pai do Draco nos contou recentemente, mas ¿O que isso tem a ver comigo?-

-Veja, Black era um apoiador muito leal de Você-Sabe-Quem. E na mente dele você é a única coisa entre ELE e seu retorno-

-E você acredita que virá atrás de mim para vingar seu mestre-

-Exatamente, então quero que você me prometa que não irá atrás do Black. Não importa o que aconteça ou o que você ouça, não vá procurá-lo-

-¿Por que eu iria atrás de alguém que quer me matar?-

-Só me prometa- e justamente nesse momento ouviu-se o apito do trem indicando que era hora dos alunos embarcarem. Harry se despediu do Sr. Weasley, um pouco confuso, mas grato por tê-lo avisado. E depois de se despedirem dos adultos (e dos grandes abraços da Sra. Weasley) eles embarcaram no trem. Lá eles conheceram vários colegas da Grifinória e da Sonserina e foram procurar um compartimento vazio, até encontrarem aquele onde Hermione estava lendo um livro.

-Finalmente, chegou a hora deles virem-

-A mesma Hermione rígida e inflexível- disse Harry com um sorriso. Eles começaram a falar sobre suas férias. Os Weasleys tinham ido para o Egito, o filho mais velho estava trabalhando lá quebrando maldições que bruxos antigos haviam lançado há muito tempo e mais de um bruxo trouxa ou inexperiente foram suas vítimas. Hermione não teve um verão tão interessante, mas ficou muito feliz por ter adotado um gato que ela dizia ser super fofo (embora a beleza seja relativa, já que apesar de seu pelo fofo e ronronar amigável, ele parecia bastante temperamental, principalmente contra o rato de Rony, quem pelos seus gritos, parecia implorar para ser tirado dali). Depois de um tempo eles estavam comendo alguns sanduíches e doces que compraram da senhora do carrinho.

-¿Quem você acha que nos dará Defesa este ano?-

-Qualquer um que não seja um Comensal da Morte como Quirrel ou uma fraude como Lockhart é bem-vindo-

-Você pede demais. Mas acho que veremos isso durante o banquete-

-¿Você já descobriu? Sirius Black fugiu de Azkaban – Ginny contou a ele, mostrando-lhe uma foto do jornal "O Profeta" -Mamãe ficou muito assustada –

-Achei que era impossível escapar de lá- disse Hermione.

-Ele foi o primeiro a conseguir, é uma prisão no meio do mar, de difícil acesso e mais difícil ainda de escapar sem ajuda-

-Dizem que ele foi um grande defensor do Inominável. Talvez ele lhe tenha ensinado magia negra muito poderosa-

-¿Você acha que Voldemort lhe ensinou alguns truques?- e ao mencionar seu nome todos fizeram um gesto de medo, menos Hermione. Era uma das coisas pelas quais ele gostava dela, ela temia o homem, não o nome. Harry também não sentia medo, apenas desprezo pelo monstro que assassinou seus pais e o condenou a uma infância de abusos com seus tios e primos. Depois que Ginny saiu com seus colegas de classe, Hermione perguntou quais disciplinas eletivas eles escolheram.

-Nós dois vamos estudar Trato das Criaturas Mágicas, mas eu fui inteligente e escolhi Runas Antigas em vez da aula inútil de Adivinhação- Draco respondeu.

-Eu deveria ter feito o mesmo- comentou Ron.

-Vamos, acho que vai ser interessante, estive lendo sobre isso e acho...- mas ela parou ao ver que a loira estava rindo -¿Eu disse algo engraçado?-

-Ah, bem, é que pela primeira vez seu amor pelos livros não vai te ajudar nessa aula-

-¿Tão dificil é?-

-Não, mas é... bem, você verá quando estiver na aula-

-Sempre tão atencioso com seus companheiros de equipe- Ron disse sarcasticamente. Só então o trem parou.

-Que estranho, ainda temos que ir para a escola. Vamos ver-

-Espere Harry ¿E se houver algo perigoso?-

-Duvido, os vagões estão protegidos contra ataques mágicos e não creio que o maquinista deixaria ninguém entrar- e justamente nesse momento as luzes do teto começaram a piscar e os vidros das janelas começaram a ficar molhados.

-¿O que houve?- Ron perguntou e saiu vapor de sua boca devido ao frio que sentia no ar.

-¡Oh não! ¡São eles!- Malfoy gritou.

-¿Quem?- Harry perguntou e quando a porta se abriu ele viu algo no teto que ele nunca tinha visto antes: uma criatura encapuzada, cujo rosto estava escondido pela escuridão e da capa gasta emergiu uma mão cinzenta e decomposta, como a de uma pessoa que morreu há muito tempo, indo em direção a ele. Pela primeira vez sentiu o sangue gelar, começou a sentir tonturas e desmaios. Antes de perder a consciência, a porta do corredor se abriu e um adulto gritou para a criatura -Sirius Black não está aqui. Vá embora!- e após murmurar algo, uma luz forte saiu de sua varinha. Mas Harry viu tudo ficando cada vez mais escuro.

-¡HARRY!-


Quando Harry abriu os olhos novamente viu o teto da carruagem e seus amigos tentando reanimá-lo. Ele se sentiu mal e suava frio escorrendo pela testa. Naquele momento o homem que havia assustado a criatura quebrou um pedaço de chocolate em vários pedaços e distribuiu entre o grupo, embora tenha dado a Harry um pedaço maior.

-Coma, isso vai fazer você se sentir melhor. Qualquer um precisaria disso depois de entrar em contato com um Dementador-

-¿O que é um dementador?-

-Eles guardam Azkaban, a prisão dos bruxos. Eles pensaram que Black estava escondido no trem, claro que se enganaram, se me dá licença vou falar com o maquinista. Vá em frente e coma o chocolate, isso vai tirar o gosto ruim da experiência-

-Eles são horríveis, né?- disse a loira enquanto começavam a comer o chocolate, o que deixou o ambiente mais quente -Meu pai me avisou sobre eles, mas mesmo assim...-

-¿Quem gritou?-

–Ninguém gritou Harry. Assim que aquela criatura se aproximou de você, você começou a tremer como se estivesse sofrendo um ataque e perdeu a consciência-

-Tenho certeza que alguém gritou. Fui o único que desmaiou?- perguntou ele, um tanto envergonhado. Todos fizeram um gesto que poderia ser interpretado como um "sim". Quando chegaram ao destino, Hagrid acenou para os calouros enquanto eles tomavam um caminho diferente em direção ao castelo. Uma vez lá dentro, eles começaram a se dirigir ao Salão Principal, mas uma voz os deteve.

-¡Potter! Malfoy! Venham comigo- disse o professor Snape, que além de ensinar poções era o chefe de sua casa, então eles obedeceram imediatamente. Eles acompanharam o homem até um pequeno escritório iluminado pelo fogo de uma lareira, depois de sentar em alguns assentos o adulto falou -Professor Lupin nos contou que você quebrou no trem, Potter, e você, Sr. Malfoy também não parece bem- e nesse momento Madame Pomfrey, a curandeira da escola, entrou.

-Estamos bem- disse ele, envergonhado -Não precisamos de nada...- mas a mulher colocou um termômetro na boca e mediu a temperatura.

-¿Por que não estou surpreso, Sr. Potter? Às vezes acho que ele deveria ficar no quarto dele na enfermaria-

-Era um dementador Pomona- disse o homem e a mulher fez um gesto de desaprovação.

-A única coisa que faltava nesta escola: ¡Dementadores! Sim, é óbvio que esta criatura os afetou, são seres terríveis, você não seria a primeira pessoa a desmaiar devido à sua presença, têm um efeito horrível em quem tem constituições delicadas-

-¡Eu não sou delicado! Só me senti mal por um momento- ele respondeu com raiva, levantando-se e seu amigo o imitou -Além disso, o professor Lupin nos deu chocolate e nos sentimos melhor. Podemos ir com nossos amigos?- e a mulher olhou para o chefe de sua casa.

-Não vejo razão para eles passarem a noite na enfermaria, Potter e Malfoy tiveram experiências fortes e seguiram em frente e se o professor Lupin já lhes deu chocolate suponho que eles já deixaram a experiência ruim para trás. Espero que você consiga chegar à Sala de Jantar com segurança-

Quando eles chegaram, a cerimônia de seleção havia terminado e o Professor Dumbledore estava de pé. Era evidente que ele estava esperando por eles -Bem-vindos a mais um ano letivo. Tenho certeza de que o incidente no trem não passou despercebido, então serei direto. Sim, há dementadores dentro e ao redor da escola, pois eles estarão aqui por um curto período, a serviço do Ministério. Aviso que um Dementador não pode ser enganado com truques, disfarces, nem mesmo sendo invisível (Harry e seus amigos fizeram um gesto), não é da natureza deles perdoar ou dar ouvidos a pretextos, por isso aviso para não lhes dar motivos para atacá-lo, então sugiro ficar o mais longe possível do caminho deles. Para passar para temas mais felizes, gostaria que vocês dessem as boas-vindas a dois novos professores em nossa escola. Em primeiro lugar, o Professor Lupin, que gentilmente concordou em ensinar Defesa Contra as Artes das Trevas. E houve aplausos para o homem cujas roupas velhas e gastas pareciam mais as de um elfo doméstico do que as de um professor.

-Olhe para o Professor Snape, acho que ele também não poderá nos ensinar Defesa este ano- e Harry percebeu o olhar de desgosto com a menção de seu colega.

-E gostaria também que recebessem com o mesmo entusiasmo nosso querido Ranger Hagrid, que assumiu o cargo de Trato das Criaturas Mágicas, já que seu antecessor, o afável Professor Kettlebum decidiu se aposentar e passar seus dias com o braço que ainda - Quando o homem enorme se levantou sem jeito recebeu muitos aplausos, pois foi bastante apreciado, os únicos sonserinos que aplaudiram foram Harry, Ginny e Draco e mais alguns que só fizeram isso para agradá-los. Depois de um banquete digno de um rei, os estudantes foram acompanhados pelos prefeitos até seus quartos.


Em seu primeiro dia de aula, Harry fez adivinhação com Ron e Hermione enquanto Draco estava em Runas Antigas. A Professora Trelawney era uma mulher estranha, ela parecia uma "Hippie" e falava muito dramaticamente quase o tempo todo, alguns se assustavam quando o professor os ajudava a ler a imagem no chá deles, Hermione apenas bufou e comentou em voz baixa que ela deveria matriculados na mesma turma que Malfoy, naquele exato momento a professora parou na frente deles.

-Ahh querida, sinto muito pela sua aura, ela é tão pequena e pouco receptiva aos presságios do futuro. Você deve aprender a ver com a mente e não apenas com os olhos- disse-lhe ela, o que não aceitou bem. Antes de terminar ele disse a Harry que deveria tomar cuidado com o "Grim", o espectro que costuma assombrar os cemitérios e tem a forma de um grande cachorro preto. Depois eles foram para a aula de transformação com a Professora McGonagall que também era a chefe da casa da Grifinória. Harry mal prestava atenção e ficava pensando no Grim e nos dementadores.

O professor apontava para as imagens do quadro e explicava -É importante saber a diferença entre...Potter, Harry Potter!- e o grito o trouxe de volta à realidade.

-Desculpe professor, eu estava distraído-

-É óbvio, caso contrário você saberia a diferença entre um animago e um lobisomem-

-Na verdade eu sei. Um animago ou animagus, pode se tornar um animal à vontade, enquanto o lobisomem não tem controle sobre sua transformação e a cada lua cheia ele se torna uma fera sem consciência e pode machucar até mesmo quem está próximo dele-

-Exatamente, cinco pontos para a Sonserina. Bem, vamos continuar com a aula e tentar ficar conosco, Sr. Potter.

-Você teve sorte- Malfoy disse calmamente.

-Chama-se "ler um livro". Não faria mal, a menos que você queira que Hermione tire a xícara da Casa de nós - e ela fez um gesto amigável para a amiga que estava levantando a mão quando a professora fez uma pergunta - "Sim, este será um ano interessante. Devo estudar muito e também me divertir o máximo que puder com meus amigos enquanto estiver aqui. Sem problemas e perigos de morte- pensou ele.


As primeiras semanas foram bastante interessantes. Eles começaram Trato das Criaturas Mágicas com Hagrid, que trouxe um hipogrifo para mostrar a eles. Uma estranha criatura cuja parte traseira lembrava a de um cavalo e a parte dianteira de uma águia cinzenta, com asas enormes, garras e um bico proeminente na face emplumada. Quando ele começou a se aproximar, a maioria deles se recostou com medo, os únicos que permaneceram em seus lugares foram Harry e seus amigos, mas eles ficaram muito próximos um do outro como quando estavam escondidos sob a capa da invisibilidade. Hagrid os avisou que eles eram criaturas muito orgulhosas então eles deveriam se curvar para mostrar seus respeitos, Harry conseguiu fazer isso rapidamente pois tinha experiência com animais estranhos, Draco claro não estava disposto a deixar Harry superá-lo, embora o animal tenha levado um um pouco mais. deixe-o chegar perto dele, o problema foi quando um dos valentões da Sonserina não atendeu ao aviso do professor e instintivamente o animal lhe deu uma pequena roçada com suas garras, pequena mas o suficiente para levá-lo à enfermaria e terminar a aula.

-Pobre Hagrid, é só o primeiro dia dele. Espero que ele não tenha problemas, a única coisa que faltou considerando que no ano passado ele foi injustamente preso em Azkaban, de novo-

-Não se preocupe, Dumbledore não vai deixar que o levem para a prisão, não foi culpa dele se aquele idiota tivesse ouvido-

-Só temos que esperar ¿Já é hora de voltar para a escola?-

-Isso mesmo, temos Defesa Contra as Artes das Trevas com o Professor Lupin- disse Harry, com um humor melhor. Sempre foi uma de suas matérias favoritas, embora os professores anteriores tivessem sido fraudes e receptáculos do próprio Voldemort.

-Boa tarde. Podem guardar seus livros, hoje será uma aula prática pequena, mas divertida - disse o homem. Ele parecia desgrenhado como quando apareceu no grande salão, mas muito mais vital. Atrás dele havia um armário e pelos barulhos parecia que havia algo trancado que queria sair dali.

-¿Professor, o que há?- Neville Longbottom perguntou, com aquele tom nervoso que o caracterizava.

-É um bicho-papão. Alguém pode me dizer algo sobre eles?- Como sempre, Harry e Hermione levantaram as mãos rapidamente.

-Nossa, que entusiasmo, senhorita...?-

-Granger, professor, um bicho-papão é uma criatura que muda de forma, pode parecer o que mais nos assusta-

-Exatamente, 5 pontos para a Grifinória. Sim, são seres muito problemáticos e enfrentá-los sozinhos pode ser muito difícil, mas como somos vários teremos uma grande vantagem. Você sabe a resposta, senhor... Potter? -

-Sim, porque somos muitos e não consegui decidir em que transformar-

-Muito bem, cinco pontos para a Sonserina- e quando o adulto se virou por um momento Harry piscou para Hermione que também estava sorrindo. Os dois gostavam de competir um com o outro - É sempre melhor estar acompanhado quando você enfrenta um bicho papão, pois ele vai se distrair. Vou te ensinar o feitiço "Riddikulus" é simples mas requer concentração e força mental. Após uma rápida explicação eles foram um por um, Neville Longbottom foi o primeiro e assim que o viu adotou a forma exata do Professor Snape. A princípio o menino hesitou mas depois reuniu coragem e lançou o feitiço no bicho-papão que acabou vestido com uma roupa de mulher e a turma começou a rir, até Harry admitiu que foi divertido ver seu professor com aquelas roupas. O menino parecia começar a ter aquela confiança de que tanto precisava.

-¡Excelente! Formem uma fila para que possam duelar contra o bicho-papão- ele disse a eles. Parvati, da Grifinória, teve que enfrentar seu medo de múmias, Ron, é claro, com seu medo de aranhas e assim por diante. Quando chegou a vez de Draco a criatura assumiu a aparência de um vampiro com presas prontas para sugar seu sangue.

-¡Riddikulus!- ele disse, apontando sua varinha, fazendo o vampiro parecer mais velho e seus dentes caírem, o que o fez rir em vez de ter medo. Draco não poderia se sentir mais autossuficiente - Boa sorte, Potter - e quando Harry se aproximou do professor percebeu que talvez não devesse tê-lo deixado passar porque o bicho-papão assumiu a forma de um dementador, Harry começou a hesitar e a criatura tomou vantagem disso. Antes que Harry pudesse reagir, o professor interveio e a criatura se transformou em uma esfera branca flutuando no céu - Riddikulus! - e a esfera desapareceu e o professor o trancou no armário novamente.

-Bem...acho que é o suficiente por hoje. Obrigado, é melhor vocês voltarem para suas carteiras - e a aula deixou de ser a mais divertida dos últimos anos para se tornar uma aula teórica quase tediosa.


Espalharam-se rumores de que Harry não foi capaz de derrotar o falso Dementador e de vez em quando um colega de casa fazia comentários para ele. Mesmo tendo aprendido a ignorá-los, uma parte dele sentia raiva por não ter conseguido enfrentar um simples demônio e para piorar a situação, como não tinha autorização de seus tios que ainda eram legalmente seus tutores, ele não iria poder ir com seus amigos para Hogsmeade, a cidade perto da escola, onde existem todos os tipos de lojas mágicas.

-As regras são claras, sem autorização você não pode ir. Se precisar de algo, pergunte aos seus colegas- disse o chefe de sua casa, a quem ele havia procurado para deixá-lo ir

-Eu entendo, professor- disse ele, exausto. E depois de passar algum tempo na biblioteca fazendo vários trabalhos e aprendendo alguns feitiços, ele disse a si mesmo que já havia estudado o suficiente então pensou em procurar algo para comer, apenas encontrou o professor Lupin que o convidou para tomar uma xícara de chá e coma alguns lanches.

-Que coincidência nos cruzarmos, acabou de chegar um grindylow que eles terão que praticar na próxima aula-

-Um demônio da água- disse ele, depois de ler o "livro monstruoso dos monstros" da aula de Trato das Criaturas Mágicas. O professor assentiu e mostrou-lhe a criatura, que estava trancada em uma caixa d'água e pela sua expressão ele não ficou nada feliz em vê-los.

-Não se preocupe, fora da água não será problema. Se estivéssemos no lago seria outra coisa-

-O truque é se livrar das pinças-

-Correto. Pena que não estamos em aula, eu teria te dado pontos em casa. Com licença, é hora do meu remédio - e ele começou a beber um líquido que soltava fumaça.

-¿Sente-se bem?-

-Temo que não tenho me sentido bem ultimamente. Felizmente, o Professor Snape preparou isso para mim para aliviar meu desconforto, tenho sorte porque nem todo mundo sabe preparar isso - e ele tomou um gole, fez um gesto de desgosto mas continuou bebendo.

-Professor...estou com um problema e preciso da sua ajuda-

-Estranho, pelo que entendi você sempre se destaca nas aulas ¿Com o que você tem problemas? -

-Aquele bicho-papão...não era um dementador de verdade. Mas por um momento, quase senti como se tivesse desmaiado no trem.

-Eu entendo, devo admitir que por um momento pensei que ele iria assumir a forma de Voldemort- e Harry ficou surpreso que o homem disse seu nome sem hesitar -Mas vejo que não é dele que você tem medo, mas você tem medo do próprio medo . Inteligente, muitos mágicos falharam não porque seus oponentes fossem melhores, mas porque seu próprio medo os colocou em desvantagem-

-¿Você pode me ensinar como lutar contra um Dementador? Como fez contra quem entrou no trem.

-Temo que não sou especialista nisso Harry. O que você está pedindo é um nível de magia muito avançado, poucos mágicos sabem realizar esse feitiço. Mas posso te ajudar a melhorar suas defesas, infelizmente você terá que esperar alguns dias para que minha saúde melhore. Venha ao meu escritório na próxima semana, ok?

-Muito obrigado Professor. Vou deixar você descansar, boa tarde- E ele saiu da sala de aula, deixando o professor. Um tempo depois ele se encontrou com seus amigos.

-Aqui está- Hermione disse a ele -Trouxemos tantos quanto pudemos- Uma chuva de doces coloridos de todos os tipos caiu nas pernas de Harry.

-Teríamos trazido mais, mas Weasley não deixou muita coisa- Malfoy comentou e Rony ficou mais vermelho que seu cabelo.

-Ok, eu já comi alguma coisa com o Professor Lupin- e ele contou como o professor iria ajudá-lo com o bicho-papão.

Já estava escuro, e Ron e Hermione tinham acabado de aparecer na sala comunal, seus rostos avermelhados pelo vento frio e parecendo que estavam se divertindo muito.

-¿Como está Hogsmeade?-

-É ótimo, a loja de piadas do Zonko, os itens mágicos dos Dervixes e Banges e o "Três Vassouras", onde você pode beber cerveja amanteigada ¡É uma delícia!-

-Minta para mim e diga que é o lugar mais chato do mundo- disse ele, suspirando.

-Desculpe amigo, você pode ir algum dia-

Naquela noite, os prefeitos os fizeram sair da cama e serem escoltados até o grande salão. Aparentemente os alarmes dispararam no terreno da escola, então eles foram obrigados a esperar lá enquanto os professores procuravam por Black no castelo, os dementadores ainda do lado de fora enquanto o diretor se recusava categoricamente a deixá-los entrar. Enquanto se deitavam em sacos de dormir, as horas se passaram e a maioria deles havia adormecido, quase todos exceto Harry que não conseguia parar de pensar nos perigos ao seu redor e em como enfrentar seus medos.


Depois de um intenso treino de Quadribol, Draco e Harry correram para ter aula com o Professor Lupin, mas ficaram surpresos ao ver o chefe da casa deles na sala de aula - Os dois chegaram atrasados -

-Sinto muito professor, é que estávamos praticando na área e não percebemos quanto tempo havia passado-

-Ganhar a Copa de Quadribol é importante, Sr. Malfoy, mas não tão importante quanto as aulas e a pontualidade. Sentem-se- ele disse e Draco obedeceu, mas Harry ainda estava de pé.

-¿O que aconteceu com o Professor Lupin?-

-Não acho que seja da sua conta Sr. Potter, basta dizer que o Professor Lupin não se sente bem o suficiente para dar a aula então hoje vai depender de mim. Acho que disse a ele para se sentar. Agora, seu querido professor não me deixou nenhuma informação sobre os temas que ministrou e...-

-Professor, estudamos os bichos-papões, os chapéus vermelhos, os kappas e os Grindylows- respondeu rapidamente Hermione, que parecia ter aparecido na sala de aula sem ninguém a ver.

-Não me lembro de ter perguntado senhorita Granger, só estava comentando a falta de organização do meu colega. Agora veremos os lobisomens-

-Mas professor," disse Hermione, que parecia não perceber o caráter de Snape, especialmente quando ele foi interrompido -ainda não conseguimos chegar até os lobisomens. Está planejado começar com os hinkypunks...-

-Achei que era eu quem dava a aula, e não VOCÊ, Srta. Granger. Agora todos vão para a página 394. Alguém pode me dizer a diferença entre um lobisomem e um animago? - e apenas Harry e Hermione levantaram as mãos, mas decidiram ignorar os dois -¿Ninguém? Que decepção-

-Ainda não chegamos a essa parte- comentou Parvati Patil.

-Sim, é óbvio. Eu acho que estava esperando demais-

-A diferença é que um animago pode se transformar à vontade enquanto o lobisomem perde o controle a cada lua cheia e...

-Já foram duas vezes que você falou sem permissão, não consegue se conter ou tem orgulho de ser um sabe-tudo insuportável? Cinco pontos a menos para a Grifinória - comentou o professor e a menina olhou para baixo com pequenas lágrimas nos olhos. Ron ia protestar, mas Harry deu-lhe um pequeno toque com a mão, evitando que ele cometesse um erro que custaria mais pontos à sua casa.

-Senhor, você fez uma pergunta e ela respondeu corretamente ¿Não é esse o objetivo da aula?- Malfoy o repreendeu, que nunca ousou questioná-lo, muito menos defender uma Grifinória.

-¡Suficiente! Cinco pontos a menos para Sonserina, é evidente que o Professor Lupin deixou seus alunos controlarem sua aula, mas eu não vou tolerar isso. Quanto a você, Sr. Malfoy, da próxima vez que me questionar assim, enviarei uma coruja ao seu pai sobre seu comportamento e suas... amizades incomuns- disse ele, olhando de soslaio para Ron e Hermione -Você vai ficar com Granger depois do aula - O resto da turma estava em silêncio absoluto e a única coisa que se ouvia eram os comentários negativos do professor toda vez que ele revisava o trabalho de um aluno, especialmente ele parecia ter uma briga contra Longbottom desde o boato do bicho-papão com ele espalhado, sua forma vestida como sua avó.

A pior coisa daquela semana é que durante a partida de Quadribol contra a Corvinal alguns dementadores se aproximaram de Harry. Já era difícil brincar no meio daquela tempestade, mas quando a sensação de medo e escuridão tomou conta de Harry novamente, ele entrou em uma espécie de transe onde pôde ouvir sua mãe implorando a Voldemort para matá-la. Nunca havia sentido tanta tristeza e desamparo, como se estivesse preso em um eterno pesadelo. Ao acordar na enfermaria, seus amigos lhe explicaram que além de ter perdido o jogo, sua vassoura havia ido parar no Salgueiro Lutador, que a despedaçou.

-Não se preocupe, você pode comprar uma Nimbus 2001, vai demorar alguns dias para chegar mas será antes de jogarmos contra a Huflepuff-

-Sim, eu sei Draco. Dementadores me incomodam-

-Você deveria, o Professor Dumbledore também ficou furioso. Assim que você saiu de perigo, ele rapidamente reclamou com o Ministro da Magia, Gina disse a ele e nesse momento o Professor Lupin entrou na enfermaria.

-Olá pessoal, gostaria de falar com Harry se possível. A menos que você precise descansar-

-Estou bem professor, até mais- disse aos amigos e o adulto sentou-se em uma cadeira ao lado de sua cama.

-Eu descobri sobre o problema dos dementadores-

-¿Por que eles me afetam tanto? ¿Eu sou tão...?-

-Não tem nada a ver com você ser fraco ou covarde. Eles afetam você mais do que a maioria por causa dos horrores do seu passado, você teve experiências de quase morte e isso deixa marcas em sua alma, quer saibamos disso ou não. O importante é não perder a esperança e deixar que a escuridão nos consuma. Venha ao meu consultório quando se sentir melhor e eu lhe ensinarei como combatê-los.

-Me sinto bem agora- e ele se levantou, não planejava passar mais um segundo na enfermaria.

-¿Tem certeza? Talvez você devesse descansar e comer um pouco...

-Já descansei bastante e quanto a comer, chocolate ¡Accio!- e uma enorme mordida do doce apareceu na direção de onde estava Harry que o pegou e deu uma grande mordida -Assim que terminar de comer estarei pronto-

-¿Você sabe fazer o feitiço de invocação? Isso é material avançado para um aluno da terceira série- disse o adulto surpreso.

-Procuro aprender tudo que posso, é evidente que ainda tenho um longo caminho pela frente. Preciso saber como realizar o feitiço que você usou contra os dementadores-

-Poucos mágicos sabem fazer isso, na verdade eu mal domino o básico. Mas farei o meu melhor para ajudá-lo-

-Obrigado professor-

-Mas hoje não, preciso descansar mais que você. Vejo você amanhã no meu escritório-


Harry prometeu contar detalhadamente aos amigos como seriam as aulas extras com o professor Lupin. Enquanto terminava o dever de casa, ele observou pela janela enquanto seus amigos e colegas se dirigiam para Hogsmeade. Ele pensou em visitar Hagrid e o Basilisco, mas estava frio demais para ficar ao ar livre. Quando ele estava andando pela escola viu os gêmeos Fred e George que estavam esperando por ele.

-Então Harry Potter... ¿você ainda está causando problemas? Não ouvimos falar das pegadinhas que você faz com nosso irmão e seus amigos- perguntou George.

-Só porque eles não ouviram nada não significa que não aconteceu-

-Esse é o espírito de um encrenqueiro, mas é mentira. Nas últimas semanas você tem ficado na escola e quase sempre na biblioteca fazendo a lição de casa como um bom menino – disse Fred.

-Voces estão-me seguindo?- perguntou ele, surpreso por não tê-los visto.

-Não é necessário, nós temos isso- disse ele, mostrando-lhe um papel velho e gasto -É difícil para nós nos livrarmos dele, mas você e meu irmão precisam mais dele do que nós. Considere isso um presente por salvar nossa irmã mais nova no ano passado-

-¿O que é aquele pergaminho velho?-

-¡Pergaminho velho! Tsk tsk. Achamos que você era inteligente, Harry- disse George, fingindo estar insultado com o comentário.

-Sim ¿Você não aprendeu ano passado que nesta escola alguns objetos não são o que parecem ser?- e naquele momento Harry sorriu.

-Por favor me esclareça. Há muito o que aprender com dois brincalhões especialistas como você-

-Já que você pediu com educação...- e os dois contaram a ele sobre o Mapa do Maroto, como alguns estudantes chamados Aluado, Rabicho, Almofadinhas e Pontas o criaram há muitos anos e de alguma forma ele acabou no escritório de itens confiscados de Filch. Depois de aprender como funcionavam o mapa e as passagens escolares, ele seguiu em direção a Hogsmeade. Justo surpreendeu seus amigos indo ao Três Vassouras, Draco e Rony ficaram fascinados pelo mapa, Hermione achou que deveriam entregá-lo ao Professor Snape ou à Professora McGonagall.

-¿Você está louca? ¿Entregar algo tão valioso? Este mapa é algo único e pode ser muito útil se tivermos que evitar Filch e seu gato- disse o loiro.

-Mas..Sirius Black...-

-Ele não se atreveria a vagar pela escola com tantos dementadores soltos, principalmente agora que redobraram a vigilância. Vamos tomar alguma coisa, Harry ainda não experimentou cerveja amanteigada- Ron concluiu e eles acabaram convencendo-a. Quando chegaram na taverna viram uma mulher de cabelos loiros e figura exuberante servindo as mesas, a maioria deles estava encantada com ela e tanto Ron quanto Draco não foram exceção. Hermione apenas bufou e indicou a Harry uma mesa isolada perto do calor da lareira. Depois de um tempo Draco voltou com uma rodada daquela bebida e assim que ela entrou em seu corpo Harry sentiu como se nunca tivesse bebido algo tão delicioso e reconfortante, era como beber a alegria do próprio Natal.

-¡Psst Harry! Olha- Ron disse calmamente. E ele viu que o Ministro da Magia Cornelius Fudge entrou no local, junto com a Professora McGonagall e Hagrid, que apenas foi sentar em uma mesa perto deles. Harry teve que se abaixar para debaixo da mesa.

-"Eu deveria ter trazido minha capa da invisibilidade"- pensou e começou a bolar um jeito de sair dali sem ser visto. Hermione lançou um feitiço para fazer a árvore de Natal se aproximar de sua mesa e esconder melhor Harry. O que parecia ser um momento constrangedor se transformou em pesadelo ao ouvir a conversa dos adultos: Sirius Black, o Comensal da Morte que matou várias pessoas e fugiu de Azkaban, também era o melhor amigo de seu pai, seu padrinho e aquele que traiu Potter revelando a Voldemort onde eles estavam escondidos. Por causa dele, seus pais foram assassinados.

Você vai morrer Black, eu juro pelos meus pais!" ele gritou em sua mente enquanto lágrimas escorriam por seu rosto...


Pouco depois de descobrir que Black, seu próprio padrinho, havia traído seus pais, ele não parava de pensar em capturá-lo. Aquele Comensal da Morte também matou o pobre Pettigrew, outro amigo da juventude de seu pai, deixando apenas um dedo ¿Como alguém pode ter sangue tão frio? Mas neste momento essa era a menor das suas preocupações. Ele se encontrou para comer algo rápido no Salão Principal com seus amigos.

-Harry...Sabemos que você está com muita raiva. Mas por favor, não faça algo estúpido- implorou Hermione, que comia cereal com uma mão e segurava um livro com a outra.

-Esse homem é muito perigoso. Sabemos que você é durão, mas isso não significa que deva fazer algo tão perigoso. Os dementadores o encontrarão em breve-

-Eles provavelmente sugam a alma dele- disse Draco.

-¿Eles o mataram?- Harry perguntou confuso.

-Pior, seu corpo ainda está vivo enquanto seu cérebro e coração funcionarem, mas é como não ter consciência, como uma concha vazia ou uma panela que está fervendo mas sem nada no caldeirão-

-Bem, ele merece-

-¿Você realmente acha que alguém merece algo assim, Harry?- seu amiga perguntou, olhando-o diretamente nos olhos, sem ceder, e a mente do garoto esfriou um pouco.

-Eu... eu não sei Hermione. Mas eu não quero mais falar sobre isso. Vamos nos concentrar melhor na lição de casa e em encontrar uma vassoura nova para mim. E naquele momento sua coruja entrou e trouxe um pacote enorme para ele.

-¿Você foi às compras, Potter?- Malfoy disse.

-De jeito nenhum, ele nunca me traz nada além do jornal- respondeu ele e quando desembaraçou o fio e retirou o papel seus olhos se arregalaram ao ver o que havia: uma vassoura completamente impecável.

-¡Incrível! Uma vassoura nova- disse Hermione.

-Não é só uma vassoura nova Granger, é uma Firebolt, o modelo novo que existe. Melhor que minha Nimbus de 2001- disse ele, mordendo os lábios -A taça com certeza será nossa este ano- disse ele a Ron, que apenas bufou em resposta.

-Não tem nome nem nada que diga quem enviou-

-O que importa? Harry tem uma vassoura nov melhor-

-Vaya, vaya, impressionante- e todos se viraram ao ver o Professor Snape -Nada menos que uma Firebolt, parece que a fama dá bons lucros-

-Foi um presente, professor. Talvez Harry tenha um admirador-

-¿Que tipo de admirador daria algo tão caro? Sinto muito, Potter, mas temo que terei que confiscá-la e mandá-la verificar, caso alguém coloque um feitiço nela-

-¡Você não pode fazer isso!- Harry o repreendeu e ao ver a expressão no rosto do adulto entendeu que deveria ter permanecido em silêncio.

-Como professor e chefe de sua casa, tenho TODOS os direitos do mundo de garantir que meus alunos não corram perigo. Nenhuma taça de Quadribol vale a pena acabar na ala hospitalar ou pior, está claro? - e imediatamente ele pegou a vassoura e levou consigo, Harry não teve oportunidade de experimentá-la nem uma vez. Ele estava com raiva, mas ao mesmo tempo tentava pensar com clareza ¿Como não lhe ocorreu que talvez Black tenha enviado a mensagem para ele com a intenção de machucá-lo durante a partida?

-Meus pésames amigo. Aquela vassoura parecia incrível-

-Sim, mas é inútil se estiver enfeitiçado. O Professor Snape estava certo, poderia ser um truque do Black ou de algum Comensal da Morte e não vou arriscar. Vou estudar um pouco, até mais- disse ele aos amigos, mas era mentira, ele queria ficar sozinho com seus pensamentos, então decidiu ir até a floresta proibida para visitar um velho amigo, o Basilisco. No caminho ele foi visitar Hagrid que estava muito triste porque havia recebido uma carta do Ministério da Magia. Embora o apoio de Dumbledore o tenha libertado da responsabilidade pelo ataque do hipogrifo, eles decretaram que o animal era muito perigoso e deveria ser executado por alguém enviado do Departamento de Criaturas Perigosas. Harry tentou consolá-lo o melhor que pôde e então foi para a floresta embora Hagrid recomendasse que ele não o fizesse por causa dos Dementadores e Black à espreita, mas como estava um dia tão lindo, especialmente durante o inverno, ele decidiu deixá-lo passar, com a condição de que ele não voltasse tarde para o castelo.

Quando chegou a um pequeno espaço na floresta, sentou-se na grama e fechou os olhos por um momento. Ele leu que algumas bruxas alcançam um estado de paz e perspectiva através da meditação e decidiu tentar. Ele estava pensando profundamente até ouvir os passos de algum animal. Ele pensou que fosse um unicórnio ou outra criatura, mas em vez disso o que viu foi um cachorro grande e preto olhando para ele.

-Olá amigo, é raro ver um cachorro comum no meio de toda essa floresta de criaturas mágicas- ele disse sorrindo, o cachorro se aproximou lentamente mas naquele momento os arbustos fizeram um movimento brusco e deles saiu a cobra maior do que qualquer um que eu teria visto. O réptil emitiu um silvo alto e ameaçador em direção ao cachorro que, após um rosnado alto, afastou-se rapidamente.

¿-O que está acontecendo? Você me assustou- ele perguntou em língua de cobra.

-Me desculpe, mas eu estava tentando te proteger-

-¿De um cachorro?-

-Aquele não era um cachorro simples-

-¿O que você quer dizer?-

-Havia algo nele, seu cheiro, sua presença...Posso garantir que ele não era um simples animal-

-¿Mas então que criatura poderia...?-e uma faísca acendeu em sua mente -Um animago-

-Muito sucesso meu pequeno bruxo. Alguns feiticeiros e bruxas têm essa habilidade. Eu não ficaria surpreso se você também tivesse esse poder-

-Você está dizendo que eu poderia me transformar em um animal?-

-Se aprendi alguma coisa é que a palavra "impossível" não existe para você-

-Primeiro devo aprender a me defender dos dementadores-

-Os espectros que devoram as almas. Já ouvi falar deles, são criaturas muito sombrias e terríveis. Quanto mais cedo você souber como repeli-los, melhor.-

-Farei todo o possível meu amigo-


Harry foi ver o Professor Lupin conforme planejado e com o conselho do Basilisco aprendeu sobre a história dos dementadores. Há muitos anos um bruxo vivia em uma pequena ilha abandonada localizada no meio do mar e seu hobby era torturar marinheiros trouxas que ousassem passar perto daquela área. Tantos anos de magia negra fizeram com que a ilha fosse, de certa forma, infectada por esse tipo de magia e desde então os dementadores têm-se reproduzido ali, através da dor e da miséria dos seres humanos e foi lá que Azkaban foi construída. prisão dos mágicos.

-Olá Harry, estava esperando por você. Vá em frente - disse-lhe o professor.

Após uma rápida revisão e instruções, Harry fez sua primeira tentativa -¡Expecto Patronum!- e uma nuvem prateada emergiu de sua varinha.

-Nada mal, agora vamos tentar algo mais complicado- disse ele, apontando para um armário onde o bicho-papão estava trancado -Quando contar até três eu o libertarei. Lembre-se de manter a memória mais feliz que você tiver. Se você hesitar, sua magia enfraquecerá e ele tirará vantagem disso-

-Eu sei. Estou pronto, professor- disse ele, tentando convencer mais a si mesmo do que ao adulto. Era difícil imaginar uma boa lembrança quando ele raramente tinha uma, toda a sua infância com os Dursley nada mais foi do que crueldade e abandono. Não foi até que ele veio para a escola e fez amigos.

-Prepare-se, em três, dois um...- e o falso dementador saiu da caixa em direção a Harry. As luzes da sala de aula piscaram até se apagarem. A criatura levantou-se, exalando um suspiro profundo e vibrante, o frio intenso espalhou-se sobre ela -¡Expecto patronum!- Harry gritou -¡Expecto patronum! Espere. ..!- Mas Harry desapareceu novamente em uma escuridão onde só conseguia ouvir vozes...

—Harry não! Não Harry! Por favor... farei qualquer coisa...-

—Afaste-se... afaste-se, garota...

-¡HARRY!-

Quando abriu os olhos percebeu que estava de bruços no chão da sala de aula. Era óbvio que ele havia desmaiado novamente e quando recuperou a compostura percebeu o suor frio escorrendo pela sua testa - Sinto muito. Eu pensei que poderia-

-Aqui, coma um pouco de chocolate, depois tentaremos de novo. Não se sinta mal pelo ocorrido, na verdade eu teria ficado muito surpreso, poucos mágicos sabem fazer o encantamento, muito menos aqueles que são capazes de moldá-lo.

Depois de terminar o pedaço de chocolate e beber um copo d'água ele decidiu tentar novamente, mas a mesma coisa aconteceu novamente, só que desta vez houve outras vozes.

-¡Lily, pegue o Harry e vá embora! É o! Vá embora! Corre! Eu vou impedi-lo- e depois de uma grande explosão, tudo que você pôde ouvir foi uma risada sinistra.

-Harry...Harry ¡Acorde!- e a voz do Professor Lupin o trouxe de volta à realidade - Acalme-se, descanse um pouco. Acho que você está se esforçando demais-

-Eu podia ouvi-lo...Voldemort...e meu pai. Ele tentou lutar com ele para dar tempo à minha mãe para escapar- disse ele, tentando permanecer forte, mas não conseguiu evitar que seus olhos lacrimejassem um pouco.

-¿Você ouviu James?- Lupin perguntou com uma voz estranha.

-Sim...- Com o rosto já seco, ele ergueu os olhos novamente -¿Você conheceu meu pai?

-Eu... eu o conheci, sim- respondeu Lupin -Éramos amigos em Hogwarts. Ouça, Harry. Talvez devêssemos deixar para hoje, esse encantamento é muito avançado...-

-Uma última vez, eu prometo, professor- respondeu ele, levantando-se imediatamente. Dessa vez ele pensava em uma grande lembrança que fosse forte e feliz o suficiente para apaziguar o dementador e começou a se lembrar dos momentos em que seus amigos sempre se livravam de problemas, de como pela primeira vez ele se sentia parte de alguma coisa e de quando Ginny acabou em sua casa, fazendo com que o grupo ficasse cada vez maior.

O professor levantou a tampa do armário pela terceira vez e o dementador saiu novamente. A sala de aula ficou fria e escura novamente - ¡EXPECTO PATRONUM! —Harry gritou. Desta vez a escuridão era menos invasiva, as vozes eram mais baixas, e depois de um tempo uma silhueta prateada emergiu da varinha de Harry, repelindo lentamente o Dementador. As pernas e a vontade de Harry estavam falhando.

-¡Riddikulus!- Lupin disse ficando entre eles e o bicho-papão adotou uma esfera branca que se transformou em uma bola de queijo branco que rolou até entrar novamente nos móveis -¡Excelente! Você tem sido incrível-

-Eu mal consegui repeli-lo-

-É mais do que muitos conseguiram na primeira tentativa. Não tente se esforçar, é melhor descansar um pouco. Tentaremos novamente em breve-

-Tudo bem- disse ele, admitindo que precisava descansar e naquele momento uma dúvida passou por sua mente -Professor, se você conheceu meu pai, então também conheceu minha mãe e Sirius Black. Eu sei que eles eram todos amigos quando estudaram aqui-

-Sim... éramos todos amigos... mas isso foi há muito tempo-

-¿Como eram eles? Quero dizer...todo mundo me diz que eles eram ótimos alunos e pessoas honestas, mas na verdade não me contam muita coisa-

-Sim... éramos todos amigos... mas isso foi há muito tempo-

-¿Como eram eles? Quero dizer, todo mundo me diz que eles eram ótimos alunos e pessoas honestas, mas na verdade não me contam muita coisa.

-Já vejo. Sim, sua mãe era uma feiticeira excepcional, muito dotada em poções, mas também era uma pessoa muito gentil, conseguia ver a beleza interior dos outros, ainda mais se essa pessoa não conseguisse ver. E seu pai James- e o homem deu uma pequena risada – Ele tinha um certo talento para se meter em todo tipo de encrenca, um talento que eu entendo que você herdou – Harry não pôde deixar de sorrir, ele sempre ficava feliz em ouvir coisas sobre o passado dos pais dele - Você se parece muito com eles, tanto em se destacar quanto em causar problemas - e os dois sorriram.

-Obrigado por tudo, professor Lupin- e quando o menino saiu, o adulto desabou na cadeira e esfregou os olhos, tentando se recompor. O dia foi exaustivo e tanto ele quanto Harry reviveram muitas lembranças.


-¡Tenha mais cuidado Potter!- disse o professor de Poções -Fui procurá-lo na sala comunal da Sonserina. Bem, aqui está, fizemos todas as verificações e parece bom. Por alguma razão, alguém achou que seria uma boa ideia dar tal presente a uma criança-

Os olhos de Harry se arregalaram ao ver o chefe de sua casa lhe entregar sua vassoura, uma Firebolt, a melhor vassoura que alguém poderia pedir. Ela estava esplêndida como sempre -Muito obrigado, professor!-

-É melhor você começar a se-familiarizar com isso o mais rápido possível. Em breve ele terá uma partida contra a Huflepuff. Por favor, saiba que nossa casa ganhou a Copa de Quadribol nos últimos oito anos consecutivos e não vou tolerar que nossa boa sequência seja arruinada ¿Está claro? -

-Sim, senhor- disse ele, tentando parecer sério, embora fosse difícil quando ele estava tão eufórico, principalmente quando segurava a vassoura na mão. Quando chegou ao Salão Comunal tornou-se o centro das atenções, todos ao seu redor o parabenizavam e desejavam sorte no próximo jogo. Ele então foi para o Salão Principal, onde Hermione e Draco estavam terminando o dever de casa.

-Eles me devolveram- disse Harry sorrindo -Agora posso jogar de novo-

-Professor Snape não iria mantê-la tanto tempo, especialmente tão perto do jogo- e o momento de alegria desapareceu quando Rony entrou carregando uma folha que parecia manchada de tinta vermelha.

-¡Olha o que seu maldito gato fez com Scabbers!- ele repreendeu a garota enquanto lhe mostrava o pano manchado de sangue.

-¿Como você sabe que era o gato dele?- Malfoy perguntou e do bolso tirou alguns pelos de gato, de uma cor bronzeada inconfundível. Diante de tais evidências, ninguém mais disse nada, até que a discussão entre Ron e Hermione começou a esquentar e eles tiveram que separá-los e cada um seguiu seu caminho.

-Vou tentar acalmar Ron, você vai com Hermione-, disse Harry a Draco, que foi atrás da garota. Ele foi até a área ao redor da escola onde viu Ron muito triste com a morte de seu animal de estimação, Harry tentou consolá-lo da melhor maneira que pôde. Afinal, ele sabia o que era perder um animal de estimação fiel e querido quando a versão mais jovem de Voldemort matou seu primeiro contato com o mundo bruxo.

-Não é o fato do gato ter atacado ele, quer dizer, ele já estava muito velho e não parecia bem ultimamente. Me incomoda que ela não queira admitir isso-

-As pessoas costumam ficar assim com seus animais de estimação. Já vi trouxas que têm dificuldade em admitir quando seu cachorro morde alguém ou quebra coisas. Dê um tempo para ela - e vendo que a expressão do amigo não melhorou ele decidiu tentar outra tática -Ei ¿Você gostaria de experimentar minha Firebolt?- e uma pitada de alegria começou a aparecer no rosto de Ron.

-¡Vamos!- ele disse correndo com intensa alegria.

Enquanto isso, Draco tentava consolar Hermione por todas as coisas pelas quais Ron a havia repreendido - Você tem que entender, não é legal ver o sangue do seu animal de estimação na sua cama. Ele vai superar isso-

-¿Você está seriamente do lado dele?-

-Eu nunca vou admitir tal coisa... mas deve ser difícil. E acho que até você tem que admitir que as evidências apontam para o seu gato, pelo menos por enquanto-

-Ele não é um monstro!

-Monstro é relativo, para um rato ou canário um gato é um monstro. Olha, não estou dizendo que a culpa foi sua ou mesmo do seu animal de estimação, são os instintos dele e embora me doa admitir isso, posso ter empatia pelo estúpido Weasley. Embora ele pudesse ter discutido isso com você se não tivesse se comportado como um Troll- ele disse sorrindo e a garota não pôde deixar de fazer o mesmo gesto – Dê um tempo a ele, até seu cérebro idiota perceberá o erro que ele cometeu. Venha, vamos-

-¿Para onde?-

-Para a biblioteca, quero terminar o dever de Transfiguração para ver como derrotamos Huflepuff sem me preocupar com nada- e os dois saíram de lá, sem saber que estavam sendo vigiados.


A partida foi bastante intensa, mas, graças à habilidade de Harry com sua nova vassoura, não durou tanto. Ele conseguiu pegar o Pomo, justamente quando um grupo de Dementadores vinha em sua direção, Harry conseguiu conjurar algo parecido com um patrono, pareceu funcionar e ele saiu dali o mais rápido possível, sendo aplaudido pelo público.

-Foi um Patrono muito bom- Professor Lupin disse a ele.

-Os dementadores não me afetaram desta vez- disse ele alegremente.

-Isso porque eles não eram realmente dementadores- e quando ele se aproximou da periferia do campo viu um grupo de alunos da Sonserina, incluindo Crabbe e Goyle e outros com quem ele não se dava bem, tentando tirar seus capuzes pretos antes de serem descoberto. Diante deles, com uma expressão severa, estava o Professor Snape.

-Estou muito decepcionado com você, você não apenas tentou sabotar seu próprio companheiro de equipe, mas também pode custar a vitória à nossa casa e arruinar nossas chances de ganhar a Copa de Quadribol pela nona vez. Parte de ser Sonserino é deixar de lado quaisquer sentimentos pessoais pelo bem da casa. 30 pontos a menos para a Sonserina e punição para todos! - e então ele se virou para Harry -Eu espero que jogue assim no próximo jogo Potter-

-Claro, senhor- respondeu ele e saiu para comemorar a vitória. Faltava apenas mais um jogo e seria contra a Grifinória e eu tinha certeza que seria uma grande partida, ganhasse quem vencesse.

Naquela mesma noite, Ron acordou todos os seus colegas gritando, alegando que Black havia entrado em seu quarto com uma faca. Eles pensaram que ele estava brincando, mas aparentemente a pintura de Sir Cadogan lhes dizia que alguém realmente entrou e tinha as senhas anotadas em um pedaço de papel, que havia sido escrito por Neville Longbottom e aparentemente ele o havia perdido. Todos foram escoltados até o Salão Principal e os corredores eram verificados de vez em quando pelos professores, mas não havia sinal do intruso.

Na tarde seguinte, todos se encontraram na casa de Hagrid e ele insistiu que Ron e Hermione parassem de se separar e fizessem as pazes. Demorou muito para conseguirem se olhar nos olhos e apertar as mãos, mesmo que estivesse um pouco frio. Depois de um tempo eles estavam rindo e relembrando histórias de brincadeiras anteriores.

Enquanto eles voltavam para o castelo, Draco sugeriu a Harry que eles fossem passar o fim de semana em Hogsmeade usando sua capa de invisibilidade e com o mapa seria impossível encontrá-lo.

-É muito perigoso Harry ¿E se Black aparecer?-

-Eu sei me defender, e se ele conseguiu entrar na escola, quem pode nos garantir que ele não está perambulando pela cidade neste momento? Pelo menos posso me divertir um pouco e comprar alguns doces para Edwiges ¿O que há de errado com alguma aventura?

-Interessante- disse uma voz atrás deles e todos se viraram e viram o professor de poções. Eles estavam rezando para que ele não tivesse ouvido muito -Potter vem comigo- e quando viram que Harry estava olhando para seus amigos ele começou a perder a paciência -¿Tem problemas de audição além de visão? Me siga-

Assim que chegaram ao seu escritório, Harry falou primeiro, no tom mais inocente que pôde -¿Há algo errado, senhor?

-¿Então você está planejando sair da escola para encontrar seus amigos em Hogsmeade? ¿Você sabe o quão perigoso isso pode ser?

-Não tenho ideia do que você está falando, senhor-

-¡Não se faça de bobo comigo! Ouvi perfeitamente que ele queria ir para lá em busca de aventura-

-Mesmo que eu quisesse, não conseguiria. As entradas e saídas são vigiadas e sem autorização dos meus tios não posso ir. Seria impossível chegar lá a menos que eu pudesse aparatar-

-Como se parece com o seu pai. Ele também era igualmente problemático, não era ruim no Quadribol e por isso achava que poderia fazer o que quisesse, andava pela escola o tempo todo como se fosse uma celebridade-

-Meu pai não se exibia e eu também não... senhor-

-Ele também não obedecia às regras, mas claro que isso era para pessoas comuns, não para os vencedores da taça de Quadribol. Sempre tão arrogante...-

-¡Chega!- ele gritou, deixando-se levar pelas emoções.

-¿Desculpe?- ele perguntou incrédulo quando viu como seu próprio aluno levantou a voz para ele daquele jeito.

-¿Por que você odeia meu pai? ¿É porque ele era popular e talentoso? ¿Ou porque ele salvou sua vida? - e quando ele viu a cara de seu professor ele pensou que tinha acertado em cheio - eu sei que eles se odiavam, não muito diferente de Ron e Draco quando se conheceram no primeiro ano e quando a vida de você estava em perigo, meu pai se arriscou para salvá-lo. Dumbledore me disse-

O rosto de Snape ficou congelado por alguns segundos até que ele se recompôs -¿E o diretor lhe contou por que salvou minha vida? Seu pai e seus amiguinhos, como sempre, tentaram pregar uma peça em mim, e se ele não tivesse desistido no último minuto, provavelmente o teriam expulsado por causar minha morte. Não foi nada heróico, ele estava salvando a própria pele-

Harry estava com raiva, não queria acreditar, queria gritar com ele e dizer que ele era um mentiroso. Mas houve algo que o fez parar, o Professor Snape era mal-humorado, quase antipático e demonstrava óbvio favoritismo pelos alunos de sua casa...mas ele não era mentiroso, um dos motivos pelo qual o respeitava, no final das contas ele tinha engolir seus sentimentos e confrontar seu professor que falou novamente -Tenho certeza que todo mundo já lhe contou que ele era um ótimo aluno, um garoto charmoso que costumava fazer pegadinhas inocentes, mas toda história tem duas versões, Sr. Potter. Sinto muito por arruinar a imagem que você tinha do seu falecido pai.

Harry fez uma pequena careta -Não, você não está arrependido, na verdade acho que você está gostando. Mas agradeço por me contar a história completa, até agora sempre me contaram coisas boas dos meus pais, só me contaram suas qualidades ou minimizaram seus defeitos, talvez por terem pena de um filho órfão. Não sou iludido, sei que meus pais tinham defeitos e não tenho dúvidas de que meu pai quebrou algumas regras. "Obrigado pela sua sinceridade", disse ele, recuperando a compostura. Antes que Snape pudesse dizer qualquer coisa a ele, a porta das masmorras se abriu e o Professor Lupin entrou, parecendo indisposto.

-Severus, desculpe incomodá-lo-

-Ok, Potter estava indo embora. Tenho o seu preparado aqui- disse ele, entregando-lhe um frasco com uma poção.

-Obrigado. É bom ver você Harry, espero que você não esteja se metendo em problemas-

-Estou tentando fazer isso. Você se sente mal de novo?- ele perguntou quando viu sua aparência.

-Tenho muito medo que minha saúde esteja muito volátil. Felizmente, a poção que o Professor Snape tão gentilmente preparou para mim me ajuda muito-

-Deve ser difícil...ter que conviver com a maldição do lobisomem- ele disse e os dois adultos ficaram completamente atordoados.

-¿O-o que, como?...-perguntou o professor do Defesa e depois olhou para o colega.

-Eu não contei nada a ele. Mas Potter tem o péssimo hábito de se envolver em assuntos que não são da sua conta-

-¿Como você descobriu?-

-No começo eu não tinha certeza, mas quando terminei o trabalho lunar do Professor Snape foi quando entendi: sua ausência na época da lua cheia e porque o bicho-papão que você enfrentou se transforma em uma esfera branca: é lua cheia, porque seu maior medo é se transformar naquela fera e machucar alguém-

O homem suspirou derrotado -É algo com que tenho que lidar. Por favor Harry, não conte a ninguém, se os pais dos alunos descobrirem...-

-Eu sei, já descontaram no pobre hipogrifo do Hagrid. Eu prometo que não direi nada-

-Obrigado, você é muito gentil, inteligente e habilidoso-

-Cuidado Lupin, a última coisa que Potter precisa é que seu ego já elevado continue inflado. É melhor você se aposentar e voltar para seus amigos e muito cuidado se eu descobrir que você está fugindo para Hogsmeade.

-Professor Snape está certo, Harry. É melhor você ter cuidado, lembre-se que ainda temos que continuar praticando com seu patrono-

-Eu sei, professor. Até breve - e ele saiu de lá. Depois de um tempo, os adultos ficaram em silêncio.

-Você deve admitir que ele não é como nenhum outro mágico-

-Isso não dá a ele o direito de quebrar as regras e se gabar, ele é igualzinho ao seu pai-

-¿De verdade? ¿Você acha que James Potter poderia ter acabado na Sonserina também? Fazer o filho de Lucius Malfoy sair com Griffindors e, mais surpreendentemente, com um nascido trouxa? Pelo que tenho visto, eu diria que ele é mais parecido com Lily,- ele disse sorrindo antes de sair de lá. O professor de cabelos oleosos ficou pensando por um momento e teve que admitir que seu colega estava certo, James Potter nunca teria acabado na casa da cobra.


¡Fim do capítulo. Espero que tenham gostado!