"Perdoe-me, príncipe Diamant, mas eu amo outro."
A vela em sua mesinha de cabeceira diminuiu ligeiramente em resposta àquela frase, criando uma lacuna mental maior do que a distância física entre ambos. Diamant se abriu um pouco, sem saber se deveria recuar para a fortaleza que construiu ao seu redor como um covarde ou corajoso como um herói.
Ele não era um homem tímido, de forma alguma, mas ele estava ciente de sua aparência, do seu status, de suas riquezas. É meramente objetivo. Pretendentes e ascensoristas acorriam a ele como mariposas à chama, atraídos por tudo o que ele podia oferecer a elas em vez de ser queimado pelo calor. Então, por que foi, agora que ele finalmente deu o primeiro passo no território desconhecido e perigoso; um em que ele teria que arriscar tudo o que possuía caso alguém descobrisse, ele foi rejeitado?
Outro. Jade disse que amava outro. Isso significava que ela não se importaria de estar com ele, certo? Se ao menos essa outra pessoa não estivesse no caminho.
"Quem?" O príncipe sussurrou, quase sem fôlego, como se estivesse perseguindo um inimigo a noite toda.
Um inimigo sem rosto, envolta em segredo lunar e seu afeto. Um nome pode mudar tudo, porém. Ele tinha certeza disso. Assim como ele tinha certeza de que poderia ignorar o afeto dela e eliminá-lo, inconspícuo, sem culpa e sem que ninguém saiba.
A dama desviou o olhar de seu olhar, inabalável como seus sentimentos por ela, e suspirou. Com saudade, observou Diamant. O pensamento de compartilhar a mesma dor do amor não correspondido o confortou ligeiramente, como um golpe em seu ego ferido.
"Pode ser inapropriado para mim informá-lo." Ela respondeu, quase, incaracteristicamente, tímida.
O príncipe não aceitaria isso. Ele colocou sua inflexão mais autoritária e disse: "Eu sou seu senhor e comandante. Fiz uma pergunta e espero uma resposta."
Jade suspirou novamente. Mais suave, desta vez. Talvez, ela esteja começando a se cansar de sua teimosia. A noite poderia ter sido um momento romântico para uma confissão, com as estrelas piscando para o prólogo de mais uma história de amor, a lua iluminando o par como uma luz sagrada e a brisa acariciando seus cabelos como um empurrão amigável. Seria, se não fosse tão proibido e se ela não amasse outro. Ela também está cansada, e ele conseguiu entender isso. A culpa se formou no buraco de seu estômago, rodopiando e rodopiando, até ser enterrada pelos fragmentos de seu coração partido.
A loira suspira. "É... Amber."
Por uma fração de segundo, Diamant se perguntou se o vento boreal de Elusia poderia congelá-lo tanto.
"O quê?" Ele esbravejou.
"É Amber. Eu o amo." A mulher repetiu.
O príncipe tenta se conter. "E... E ele sabe disso?"
Era uma pergunta estúpida, mas ele precisava apurar sua suspeita. Seu inimigo acabou sendo mais forte, porque Diamant não podia matá-lo. Ele simplesmente não poderia. E apesar do status convencionalmente baixo de Amber, ele havia subido em virtude de ter a mesma coisa que Diamant ansiava por todo esse tempo. Talvez por ser mais acessível ou acessível, em retrospecto. Alguém que Jade pudesse encontrar na esquina dos corredores do castelo ou no quartel.
Em contraste com o príncipe, que tinha milhões e mais tarefas para fazer, que iam desde a gestão do demesne até a segurança dos civis. Do dia à noite, do crepúsculo ao amanhecer. Onde o tempo fluía tão rápido e brilhantemente quanto o fogo, deixando um rastro de cinzas em seu rastro. Alguém que ela precisava bater baixinho, quase timidamente, e que ela só podia encontrar de verdade no escritório. Encontro, porque a maioria de suas funções o obrigava a passar mais tempo em campo.
Ela balança a cabeça. "Não. Mas está tudo bem, porque estou contente com isso. Admirando-o e apoiando-o de longe, é o que faço de melhor."
Então, Jade é mais covarde do que ele. Porque, pelo menos, ele tinha reunido a coragem de confessar em vez de perder seu tempo alfinetando por muito tempo. Mas esse tipo de superioridade estava se cumprindo quando, em última análise, a resposta havia sido desfavorável a ele? Tinha voltado à estaca zero. Talvez até pior. Porque como ele continuaria seus dias daqui para frente? Ela é profissional, claro, como se espera de seu retentor.
Mas e ele? Poderia ele fingir que essa fatídica noite nunca tinha acontecido? Poderia ele fingir que sua obsessão flamejante tinha sido uma centelha de paixão o tempo todo, estimulada por anos de solidão e solidão forçada? Poderia ele fingir estar contente com seu aparente amor por seu outro vassalo, da mesma forma que ela se contenta em admirá-lo e apoiá-lo de longe?
"Desculpe-me."
Diamant observou suas curvas e saiu, esquecendo-se de apagar a vela já fraca que cobria a sala como o lado escuro do amanhecer. Talvez o constrangimento estivesse começando a afetá-la e não houvesse nada mais escandaloso do que um homem e uma mulher solteiros em um quarto por muito tempo, mesmo que tivessem um relacionamento profissional.
O que as pessoas pensariam depois? O que pensariam se descobrissem sua confissão? O que seu pai pensaria?
Bem, para o inferno com o que eles pensavam. E o pai... ele certamente entenderia, não é mesmo? Diamant o apaziguou com suas habilidades de cavaleiro, afinal, e ele atende a todas as expectativas para um príncipe. Não seria pedir demais uma recompensa? Pagamento pelo seu trabalho árduo? Aquela dama inalcançável e inacessível, cujas melhores habilidades estavam em admirar e apoiar o colega. Não seu príncipe, como os nobres fofocam uns sobre os outros. Alguém cuja coragem de rejeitar era maior do que de agir. Que sacrifício foi. Que gratificação seria.
Então, não, Diamant não podia fingir. Não quando se tratava de Jade. E como Amber era alegremente ingênuo sobre seus sentimentos, sempre teve e sempre seria, isso apenas tornaria mais fácil para Diamant garantir que ele se tornasse ainda mais inalcançável e inacessível para ela.
Na mesinha de cabeceira, a vela continua a brilhar. Derreteu o resto da cera, assim como sua obsessão flamejante derreteu o resto de sua sanidade.
