Festa Praiana


Diante do grande oceano que vem e volta para a areia da praia, se iniciava um teste de coragem e força de espírito. Ambos sabiam que era o tudo ou nada após vários meses e que desta vez não iria passar.

"Certo. Hoje é o dia. Será agora que deverá encarar o desafio."

"Ok, ok. Sei que adiei este momento vez por vez, mas agora vou até o fim...mas isso é de fato necessário?"

"Ei. Por acaso eu estou percebendo um certo receio causado pelo...medo?"

"Medo, eu? Nada disso. Vamos logo acabar com isso pra te provar que não temo nada." E seguiram juntos pra dentro da água, indo pra parte mais funda que a encosta, porém rasa o bastante para se pôr em pé caso saísse errado, algo quase impossível de se dar.

"Vamos então. Se abaixe, relaxe e fique de barriga pra baixo. Nada de movimentos bruscos. Deixe que a maré te guie e te sustente. Mantenha a cabeça erguida e evite abaixá-la."

Indo na ordem, buscou relaxar o corpo e permitir que a água fizesse o serviço. Como já tinha se dado anteriormente, teve um pouco de receio de entrar em pânico e afogar-se, mas sabendo da presença amiga ao seu lado, buscou manter a cabeça fria e permitir que seu corpo flutuasse.

"Perfeito. Está se acostumando com a flutuação. Passo 2: vá levantando os braços e puxe-os pra frente, parecendo que quer pegar algo. Um braço por vez e devagar."

"Quer dizer...dessa maneira?" Seguindo nas instruções recebidas, conseguiu por fim se mexer dentro da água, indo adiante sem parar, mas sem pressa. Depois de avançar alguns metros, tratou de se colocar em pé, contemplando o que tinha acabado de realizar. "Eu nadei? Eu nadei e sem me afogar?"

"Ao que tudo indica, sim. Eu não falei que podia contar com o treino profissional do seu irmão mais velho?"

Nem precisou esperar para dizer algo, foi somente em sua direção e lhe deu um abraço aconchegante e carinhoso, algo que poucas vezes em sua vida tinha expressado devido a vida de privações que teve de suportar por causa do que viam como defeito e na verdade, foi sua maior força a vida inteira, mas em circunstâncias como a que passou agora, sentiria um grande medo e eventual fraqueza por causa do seu defeito recentemente removido.

"Cara, isso foi demais. Depois de tantos anos, enfim pude desfrutar do prazer de poder nadar. Obrigada, Erik. Você é um amor."

"Disponha, Toph. Viu? Nadar não é tão pavoroso ou difícil. Claro, eu entendo que você não enxergasse e não desse pra saber onde ia, mas agora," Erik deu um chute na água, jogando um pouco em cima de Toph. "é sopa no mel. A propósito, está muito bem neste maiô."

"Ah, que bom que gostou." A dominadora de terra de família nobre esfregou as mãos no tecido do maiô verde e vermelho que Presto conjurou, junto às demais roupas de banho do grupo. "Reconheço que este maiô é ótimo. Além de bonito, algo para qual nunca dei muita bola, é confortável e me dá mais liberdade para mexer. Grata de novo pela aulas de natação."

"De nada. Queria retribuir as aulas de dobra de terra após eu receber seu poder. Admito que foi uma professora durona, mais do que minha instrutora de hipismo e minha professora de matemática e não dá mole pra ninguém. Aposto que Aang ralou pra caramba quando o ensinou."

"Ponha ralar nisso. Desafiador, eu digo, mas ele me deixou orgulhosa, e você também, apesar de que avançou bem mais do que ele." Toph lhe veio mais perto, falando em voz baixa. "Não conta que eu contei isso, ok?"

Erik sorriu e fez um X no peito com o dedo, significando selar o pedido. A bandida cega, ainda preferindo ser chamada assim embora não fosse mais deficiente visual, deu um sorriso em troca e mais um abraço. Ao conhecer o cavaleiro, sentia ter encontrado uma pessoa que sabia entendê-la e ver além do que se percebia. Erik também ensinou-a a ler, escrever, mostrar o que era bom na vida e as belezas simples encontradas no canto de um pássaro até a visão de um arco-íris. Já esclareciam desde cedo que ambos só tinham uma relação irmão-irmã, tendo um afeto profundo entre si.

"Ei, vocês. Tem crianças presentes, se não deram conta." Interrompeu Diana, chegando perto com Katara, ambas de biquínis de laços. Diana vestia um amarelo e o de Katara era vermelho com estampas de estrelas brancas.

"Qual é a de vocês? Dois amigos não podem dividir um afeto?" Erik perguntou aborrecido.

"Calma, foi brincadeira. Somente acho lindo o jeito como se relacionam."

"Diana tem razão. Nunca te vi você se abrir tanto com alguém desde que te conhecemos, Toph. Parece que enxergar lhe abriu novos horizontes e só posso lhe agradecer, Erik, por ensinar tudo isso pra minha amiga. Pode ser um tanto resmungão e não ser uma fonte de coragem, mas tem um belo coração e me orgulha tê-lo como amigo."

"Bem, bem...não tem de quê, Katara." O cavaleiro de cabelo preto coçou a cabeça meio embaraçado.

"Estou certa de que só queriam tirar uma da nossa cara, mas Diana..." A acrobata pareceu curiosa pela maneira que Toph a chamava. "fica esperta senão te tiro o Erik, se bem que você e Katara andam tão juntas que não duvido que ela irá largar o careca e te dar uns beijinhos. Viu, mocinha?"

Diana e Katara ficaram vermelhas pela insinuação e preferiram não seguir com o papo, escolhendo correr pra longe e junto às aguas onde ondas enormes subiam e desciam a toda carga. As garotas se puseram diante do mar.

"Oba. As ondas estão bem altas, e são mais altas do que o normal."

"Deve ser porque tem mais de uma lua neste mundo e a gravidade delas é mais poderosa, mas não pensa em arregar, hein, Katara?" Disse Diana com olhar desafiador.

"Eu, arregar?" Katara jogou o mesmo olhar de desafio. "Querida, não fique se achando só porque é uma dobradora de água agora. Devo admitir que seu talento em dominar a água é impressionante e mostrou-se bem progressiva, mas vai precisar comer muito feijão-com-arroz pra me alcançar."

"Veremos quem alcança quem, pois além de ginasta, fui também campeã de surf 4 anos seguidos, mas como ações falam mais do que as palavras, meu bem..." Diana conjurou uma prancha de água sob os pés, do jeito como Katara lhe ensinou, e mergulhou mar adentro. Katara repetiu a manobra e seguiu na sua cola, a alcançando no exato instante que ela escalou uma enorme onda na direção da praia, pegando a onda seguinte.

A acrobata e a dama pintada iam só no balançar das águas turbulentas, porém buscavam mais se divertir do que competir, vendo tal ação pelos seus rostos. Não somente elas, mas todo o grupo na praia ia relaxando e realizando atividades divertidas desde aquela manhã quando chegaram.


Tinham se passado quase 3 meses desde que a Equipe Avatar deu as caras no Reino e se juntado aos jovens aventureiros na procura pelo caminho de casa. Apesar da perda da Teia de Wilbax, não perderam o ânimo e sabiam que encontrariam outra saída, eles e as irmãs aranhoides, filhas da guardiã Charlonia, criando um forte e exuberante elo de amizade entre todos, os tornando mais do que amigos, se vendo como uma grande e carinhosa família. Juntos, se puseram a encarar novos desafios e maiores perigos a cada dia, porém sempre prezando sua união e se auxiliando em cada aspecto.


Hank, Erik, Diana e Presto iam dando conta das dobras elementais sob o treinamento dado por Aang e seus amigos, além de outras capacidades como manejo de armas. Presto, Bobby e Sheila se saíram bem ao lidarem com espadas sob o supervisão de Zuko e Suki, aprendendo que o manejo de espada se chama esgrima e não 'dominação de espada' como Sokka insistia em definir. Hank se deu bem em utilizar seu arco como um bastão de luta ao estilo do Povo do Ar, tanto pra defender quanto atacar, deixando Aang contente e orgulhoso do seu desempenho. Claro que a ajuda era retribuída, como no caso de Katara em que Diana lhe proveu lições básicas de ginástica e acrobacias para se adaptar à sua nova condição física e Erik ia ensinando Toph a reaprender as coisas com o uso de sua nova visão, algo que nunca pôde usar desde seu nascimento, tipo lhe ensinar a nadar e superar seu medo de se afogar. Uni e Appa também davam uma mão um ao outro, já que a unicórnio aprendeu a dominar o ar e o bisão voador descobriu ter a capacidade de se teleportar. As irmãs Nellie, Joy e Aranea também contribuíam no treinamento do grupo, especialmente de Presto lhes fornecer roupas para a viagem. Nellie optou por uma túnica vermelha e rosada com uma faixa na cabeça combinando com seu cabelo ruivo; Joy quis ficar com um conjunto de calça e jaqueta verde, mesmo parecendo um tanto masculino; e Aranea escolheu um vestido curto azul, amarrando o cabelo em duas mechas. Elas nunca se viram mais bonitas na opinião de Erik.

Após todos esses meses sem grandes resultados do retorno para casa, excetuando umas ocasiões em que chegaram em casa, mas se viram obrigados a um retorno forçado ao Reino e no caso de Aang e seus companheiros, descobrindo que o tempo não havia avançado mais que uns segundos desde sua partida e a chegada ao mundo mágico, os aliviando de acharem que seu mundo podia ter caído no caos desde que partiram de lá sem querer, resolveram pegar para tirar uma folga das aventuras e confusões ao chegarem no Mar do reinado de Exiton, visando um bom descanso físico e mental.

Além de Erik e Toph com a natação e Diana e Katana no surf de dobra de água, Hank, Nellie, Aang e Joy se divertiam numa partida de vôlei com bolas de ar feitas pela ranger e pelo Avatar e uma rede de teias tecida pelas aranhoides; Aranea alegremente fazia com Uni castelos de areia enfeitados com conchas; Bobby e Sokka iam pescando peixes e frutos marítimos ao seu modo: Bobby dava golpes num ponto da água para criar ondas para cima, jogando tudo pro alto e quando caia, Sokka pegava na rede; Zuko e Presto juntavam madeira e galhos para a fogueira e espetar os peixes e boa parte da carne guardada na viagem pra fogueira acessa pelo mago, tendo espetos largos o bastante para serem assados sem queimar; Suki e Sheila preferiram se deitar na areia para pegarem um belo bronzeado, obviamente usando um bom protetor solar. A espiã esfregava protetor nas costas da amiga e Suki logo fez igual; e por último, Appa ia aproveitando o dia como era de seu costume: tirando uma boa soneca.

"Ah, como é gostoso tomar um bom sol. Muito revigorante, não pensa assim, Suki?"

"Tirou as palavras da minha boca, Sheila. Lembra bastante quando eu a turma ficamos escondidos na casa de praia do Zuko na ilha Ember após o fiasco da derrubada da Nação do Fogo. Quisera que vocês pudessem conhecer a ilha, amiga, e não é igual a nada que possivelmente tenham visto."

"Não posso dizer que seja tão incrível quanto descreve, mas me encantaria pôr os pés lá. Opa, hora de virar." Sheila se colocou de costas e desamarrou o laço do maiô para puxá-lo até a cintura. "Suki, me passa um pouco de protetor?" Nem precisou responder, a guerreira Kyoshi foi esfregando suas mãos nas costas da companheira, parecendo gostar bastante de maciez do corpo da ruiva. Sheila ia gostando daquela sensação tão leve. Embora tivesse a dureza e força de uma guerreira, via como sua nova amiga também cultivava a delicadeza e leveza de uma mulher.

"Turma, hora do almoço. Podem vir pegar." Anunciou Presto segurando um espeto de carne e peixe. Foi só falar nisso que Suki e Sheila trataram de se levantar, porém Suki avisou a espiã de se cobrir antes de ficar de pé, deixando-a um tanto rubra ao se ver.

Todos largaram suas diversões e correram a toda até Presto e Zuko, já com uma mesa exposta com diversos pratos no ponto pro grupo se servir, além dos espetos de carne e peixe assando na fogueira. Não era com frequência que tinham uma refeição daquelas e naquele instante, se puseram a comer.

"Tá legal, turma, nada de passar vontade." Anunciou Zuko. "Tem carne e peixe para um exército e de tudo aqui: pães, temperos, batatas, suco, chá, até salada de algas pros veganos, como se chamam os vegetarianos na Terra."

"Nunca tinha comido salada da alga, ainda mais de fora do nosso mundo. Vou cair de boca." Aang encheu a tigela de alga e vários vegetais, praticamente destruindo a refeição numa única bocarra. "Hmmm, tá de boa. Presto, Zuko, vocês são chefs de primeira."

"Eu concordo. É como churrasco num domingo. O peixe está pra lá de bom." Disse Diana ao tirar um pedaço do peixe frito na dentada.

"Não podemos levar todo o crédito. Sokka e Bobby forneceram os peixes e preciso contar, os animais marinhos daqui tem um sabor exuberante." O mago deu um OK para seus amigos e lhes ofereceu dois espetos de carne. Bobby e Sokka não perderam tempo e se puseram a morder a carne com gosto.

"E ainda falam que eu destruo o almoço." Erik comentou ao servir um prato pra Toph. A menina morena via aquilo não como um dever dele para com ela, sendo que agora enxergava com excelente precisão, mas como um gesto de amizade verdadeira, algo que custou muito aprender.

"Valeu pelo prato, irmãzozão, e devo dizer que tá no ponto. Meu, e eu pensava que os cozinheiros de minha família eram os bons, mas numa escala de 1 à 10, vocês se superam de 70 pra cima."

Nellie e suas irmãs nunca haviam provado quitutes tão saborosos e era justificável, uma vez que nasceram há somente 3 meses e precisaram se adaptar às condições do mundo onde tinham nascido, todavia, puderam tirar isso de letra com os conhecimentos obtidos instintivamente de sua mãe Charlonia e mais tudo que Hank, Aang e companhia lhes compartilharam. As aranhas humanoides viam seus amigos humanos mais do que somente amigos, eram sua família de muitas irmãs e irmãos, sem falar de Uni e Appa.

"Peixe é uma maravilha de alimento. É de lamber os beiços."

"Isso aí, Nellie. E este tempero, a mostarda, deixa tudo mais gostoso. Um pouco ardida, mas é demais. Chomp." Aranea deu uma boa mordida no sanduíche de carne e salada de algas.

"Sim, claro...não é de todo mau. Preciso admitir que é uma comida bem gostosa." Joy, como de costume, não se sentia muito animada fora de uma luta, porém suas irmãs e seus amigos entendiam que só fingia ser muito séria e indiferente, quando no fundo ela era um doce de garota.

"Vejo alguém aqui com pinta de durona, mas não duvido que tenha um coração mole como geleia. Vai em frente, Joy, leve o tempo que quiser para se mostrar." Diana lhe disse com um tapinha nas costas. A aranhoide lhe passou uma expressão firme, mas não soube esconder um leve sorriso quanto a simpatia que a acrobata quis lhe passar.

Ao terminarem de encher os pratos e cobrir o resto da comida, os heróis perdidos no Reino foram pra uma sombra fornecida pelo rochedo erguido por Aang e se acomodaram em bancos e cadeiras de praia, degustando devagar a refeição e conversando com descontração.

"Preciso contar: estas férias estão o máximo." Disse Aang ao se jogar no encosto da cadeira. "Uau. Esta cadeira de praia é muito relaxante. Valeu pela mágica, Presto."

"Achei que não teríamos um sossego depois de tantas loucuras desde que chegamos ao Reino." Sokka se virou para o ranger. "Ei, Hank. Vocês vivem tantas aventuras assim desde que chegaram?"

"Mais do que conseguimos contar, Sokka. Temos sorte se tivermos um dia de paz entre 3 ou 4 dias." Hank falou ao pegar um pouco de suco gelado. "Mas do que nos contaram, seu mundo não parece um tédio total."

"Antes do fim da guerra," Prosseguiu Katara tomando o chá servido por Zuko. "era um pandemônio desenfreado, boa parte dele causado pela Nação do Fogo. Vimos pessoas de todo tipo na nossa viagem: cantores nômades, piratas, prisioneiros de guerra, outros tipos de dobradores como os do pântano e da areia e um mercador de repolho que encontrávamos com frequência. Pobre homem, sempre acabava no meio da briga e perdia seus repolhos."

"Foi bom ter tido perda só de repolhos em lugar de vasos valiosos ou esculturas de ouro, a não ser que no seu mundo, repolhos tenham grande valor material ou sentimental. Sendo honesta, gosto de repolho tanto quanto de sapos." Citou Sheila.

"Mas eu pensei que você não gostasse de sapos, Sheila."

"Por isso mesmo, Aranea. Hi, hi, hi." A espiã soltou um risinho e todos viram graça na insinuação feita pela jovem ruiva.

"Do modo que vocês falam, a vida de vocês não é nenhum bolinho. Sei que mamãe passou umas e boas quando era viva, mas do que passamos até agora, é um passeio no parque. Se recordam do que veio após termos perdido a Teia de Wilbax?" A aranhoide de cabelo azul mostrou-se mais interessada e amigável, dando a ver que ela gostava dos seus amigos mais do que parecia demonstrar. Erik foi que o primeiro a começar o bate-papo.

"Se recordamos, Joy? Como se fosse ontem. Estávamos no maior sossego quando fomos pegos por um terremoto e de dentro de um rochedo, saiu aquele cilindro que só não nos atropelou porque a minha irmãzinha maneira," Erik abraçou Toph. "foi bem ligeira em invocar uma parede pra detê-lo. Sabia que seria uma fria chegar perto daquele trambolho, mas o baixinho aí quis dar uma de xereta e o abriu, soltando aquele esquisitão de cabeça grande."

"Quem tá chamando de baixinho, hein?" Bobby levantou a voz nervosamente. "Tá, sei que pisei na bola, mas o cara parecia inofensivo e amigável e considerando que ele falou estar fraco por dormir centenas de anos, tanto que não vi embaraço em lhe dar o pingente que estava guardado na lado externo do cilindro. Mas daí, vimos sua real face e foi um trabalhão enganá-lo e pô-lo de volta pra dormir antes que acordasse os irmãos dele."

"Lição aprendida: a curiosidade matou o gato. Ao menos, não o deixamos ficar sozinho de novo, já que enterramos seu cilindro juntamente com os de seus irmãos. Não convêm separar as famílias, mesmo aquelas bem piradas." Todos riram da resposta de Katara. Foi a vez de Aranea falar, devorando um grande espeto de carne.

"E teve aquele casamento maluco onde os reis de dois reinados queriam consolidar um tratado de paz e união casando seus filhos, mas deu aquele rebu da filha de um deles não ter interesse algum no noivo, mas na irmã dele. A cara que os pais fizeram ao saberem disso, mas felizmente o Aang soube contornar o problema."

"Foi um baita quebra pau," Aang entrou na conversa. "e chegaram ao ponto dos reis quererem guerrear e terminar com a paz no lugar de deixarem suas filhas serem felizes como elas são. Disse pra eles que se uma união for feita pelo amor, a paz do tratado tinha mais chance de ser duradoura e que não valia manter o orgulho se o preço para isso for a tristeza de duas pessoas que se amam de todo coração e uma guerra sem sentido. Que importa se são do mesmo sexo? O amor é o amor e ninguém deve contestá-lo ou ficar contra ele."

"É, por pouco que tudo não foi por água abaixo, mas por sorte as princesas souberam lidar com aquela bruxa que tansformava pessoas em pedra e ela quis ir a fundo com a gente, querendo nos metamorfar em sapos de pedra. Bastou as duas se juntarem e com o uso de um espelho, a ameaça da bruxa, como vocês da Terra falam, terminou sendo um tiro saindo pela culatra, pois ela própria terminou enfeitiçada pelo próprio encanto e convertida num sapo de pedra com chapéu. Um ótimo presente de casamento, devo admitir. Ela que tinha birra em ficar velha, agora não irá mais precisar esquentar com isso." Katara terminou de dizer, achando muita graça ao lembrar da bruxa com aquela cara emburrada depois de virar sapo.

"Mas no fim, tudo entrou nos trilhos. Os reis se conscientizaram de como as princesas eram engenhosas e valentes, além de mutuamente apaixonadas e viram que não tinham direito de impedir seu amor. O casamento não foi nada igual a qualquer outro que possamos ter visto, mas acabou num grande sucesso. Elas foram gentis em convidar as garotas e eu para sermos as damas de honra." Diana falou ao ver o broche de pedra preciosa guardado no cinto que usou como dama de honra.

"Sem contar a boca livre. Nunca tinha visto um banquete tão bom desde que conhecemos Ramoud." O bárbaro pegou mais um espeto antes de voltar pra conversa. "Não reclamo de ter sido escolhido para levar os anéis, mas ainda me confunde essa de duas pessoas de sexo igual quererem se casar. Aang, pela sua naturalidade ao conversar com os reis, me pareceu que isso já é comum no seu mundo...ou você já vivenciou. "

"De certa maneira, sim. Uma de minhas vidas passadas, a avatar Kyoshi, tinha essa tendência."

"Ficarei contente de dar mais detalhes sobre a vida de Kyoshi, Bobby." Suki falou, mas logo notou o jeito como Sheila parecia encará-la meio suspeita. "Err, digo, quando você crescer um pouco mais." Bobby fechou a cara. Achava frustrante sempre escutar tal desculpa quanto a sua idade para ouvir certos assuntos.

"E por falar em casamentos," Aang entrou na conversa. "uma semana depois, nos deparamos com aquelas crianças e a senhora que disseram ter vindo de maneira similar a de vocês: pelo tal brinquedo da Caverna do Dragão. Me surpreendeu saber que eram os primos e a tia do Erik."

"Essa me pegou de jeito." O cavaleiro tratou de falar. "A titia precisou usar uma bolsa de gelo o tempo inteiro pra não desmaiar e se convencer de que isto aqui é real, mas minha prima e meu primo encararam com naturalidade. Lembro deles terem falado de um jogo de tabuleiro onde entraram várias vezes pra resgatar um amigo e vieram pra cá porque a titia decidiu de última hora vir pro parque em lugar de um casamento."

"Pena que não puderam ficar mais por aqui. Até que eram bacanas, em especial a tia do Erik." Katara comentou suspirando. "Acabou se mostrando uma mulher corajosa como uma amazona. Naquela situação, ou era eles fugirem pra Terra ou o Vingador modificar o contínuo tempo-espaço se pudesse as mãos no artefato que ajudou na fuga deles. Mas fazer o quê? É a vida."

Zuko resolveu entrar no papo. "Teve também a vez em que encontramos aquela alabarda capaz de 'cortar' o ar e abrir brechas entre as dimensões. Passamos um mundo atrás do outro, incluindo achei ser similar a sua terra, mas não me senti muito convencido."

"Sei bem o que quer dizer. Era a cara da Terra em diversos aspectos, só que parecia um desenho animado gerado por computador. As pessoas tinham cara de humanos, como aquele carrancudo careca, a ruiva risonha, as três meninas que deviam ser filhas dos dois, embora tivessem jeito de adotadas pois não reconheci semelhança familiar, o cientista de óculos com cara de louco e aquele bigodudo de jeito retro parecendo um vilão, mas os mais esquisitos eram os carinhas parecidos com cápsulas amarelas, uns com um olho, outros com dois e falando gozado, mas dava pra entender. Não era a Terra de que eu me recordo, isso eu garanto." Concluiu o mago.

"Ficamos pulando de uma dimensão pra outra e rodando como um cachorro atrás do rabo," Erik começou a falar. "e no que deu essa bagunça toda? Voltamos pra este mundo doido e quando íamos abrir outra passagem, um louco metido a ninja de capa e armadura de lata com dois capangas, um parecendo um rinoceronte, o outro com cara de javali e um montão de ninjas quiseram pegar a alabarda de nós, rolando uma baita briga e pra quê? Pra no final aquele troço misturando uma nave espacial e uma loja de antiguidades viesse do nada e seus ocupantes com cara de tamanduá tomaram a alabarda e pediram na cara-de-pau que guardássemos outra como ela assim que voltassem lá pelo ano 2552 e foram embora. E pra completar o dia, o Sokka ainda pergunta se voltariam na parte da manhã ou pela tarde."

"Que posso dizer? Fazer uma piada pra amenizar um dia ruim é um dom meu, e me orgulho disso." O guerreiro da água respondeu demonstrando certo orgulho de seus talentos.

"Contudo," Prosseguiu Toph, mastigando um pouco de carne com salada. "nenhuma situação bate com a que enfrentamos antes das nossas férias."

"De acordo, nem era pra dar todo aquele rolo." Hank falou ao se esticar na cadeira. "'Tarefa fácil', disse o Mestre dos Magos. Era somente pra pegarmos aquela maça de ouro vigiada pela estátua de cobre do armeiro, o qual terminou daquele jeito por ambicionar o poder da maça em criar aquela armadura flutuante. Com esse treco, teríamos a chance de voltar para casa, mas..." Diana pegou o ponto de onde o ranger parou.

"Sem faltar o costume, o Vingador quis pegar a maça junto com nossas armas e também o Aang. Daí, fomos pra aquele castelo cuja família estava sob ameaça dos espíritos malignos que despertaram, pois os coitados nem sabiam que o castelo havia sido construído em cima de um cemitério de druidas do mal e queriam porque queriam os filhos do casal, focando mais na menina. Era como estar dentro de um filme de terror. Aquele buraco imenso que brotou do quarto das crianças, era como uma passagem só de ida pra o inferno, puxando tudo como um aspirador de pó tamanho família."

"E meu poder de Avatar no estado atual não era o bastante para conter e fechar o buraco, ao menos não do lado de fora. Vendo que a única solução seria..."

"Mas de modo algum a gente ia deixar você fazer tal doidice, Aang, pelo menos não comigo por perto." Disse Katara ao tomar a mão do Avatar. "Com a força de sucção se ampliando cada vez mais, a nossa única opção se deu em jogar a maça dentro do buraco, mas o Vingador e o armeiro de cobre, acompanhado da armadura, penetraram no castelo. Somente com a ajuda daquele cavaleiro corajoso e inteligente, da princesa e do escudeiro que o acompanhavam é que escapamos por um triz de sumir de uma vez dentro daquele pesadelo vivo. O Vingador tentou pegar a maça e graças a um bom empurrão fornecido pelo cavaleiro e pela Uni, caiu lá dentro. O armeiro de cobre só entrou porque jogamos a maça de ouro e o imbecil a seguiu como um cão-lagarto correndo atrás de um osso."

"Depois dessa, foi correr até as pernas passarem pra frente ou do contrário, sabe-se lá pra onde a gente iria. Jamais havia presenciado tamanho horror nem com tudo que vimos aqui no Reino. Vimos o castelo despedaçar e ser engolido pela abertura até não restar nada senão o que sobrou do terreno do cemitério."

"E tínhamos certeza, Sheila, de que o Vingador havia encontrado seu fim definitivamente, mas o cara se mostrou persistente. Abriu a passagem a força e saiu voando de lá como uma imensa nuvem de tempestade. Além dele, só saiu o armeiro de cobre com sua maça, mas mal deu 4 passos que logo caiu e se esborrachou em pedacinhos. A maça não passava agora de uma arma comum feita de ouro, restando só o poder de transformar metais em ouro, e a armadura perdeu seu poder. Como não nos serviam mais, sugeri dar ambos pra família se restabelecer, já que boa parte do que possuíam se perdeu com a destruição do castelo. Por mim, foi uma boa escolha." Concluiu Zuko contente. Todos ao redor ficaram de acordo e Uni lhe chegou perto, recebendo dele um afago na crina.

"Preciso reconhecer que aquele cavaleiro era peculiar. Agia como se pudesse prever o resultado de suas ações e que o passo errado o levaria ao seu fim." Aang observou o fato. "Por exemplo, eu imaginei que ele investiria contra o Vingador e isso causaria sua queda dentro do buraco sem fim, mas ele e Uni souberam usar os miolos e com um bom puxão de tapete, jogaram aquele armário em cima do chifrudo, o desequilibrando e levando-o a cair buraco adentro. Não sendo a perda de uma vida, mesmo que seja de um verdadeiro monstro, eu até concordo com certos resultados de batalha."

"Gente, creio que seja o momento de parar de pensar nas loucuras do dia-a-dia e relaxar." Diana se esticou com muita vontade. "E sugiro que façamos isso antes do Mestre dar as caras aqui."

"Tarde demais, fofa. Saca só quem está atrás do irmãozão." Anunciou Toph. Ao se virar, Erik tomou um susto ao ver o Mestre dos Magos atrás de sua cadeira, não o derrubando por reflexo.

"Boa tarde, meus discípulos."

"Caramba, Mestre. Se surgir assim mais uma vez, vou botar um sino no seu pescoço."

"Queira me perdoar, cavaleiro. Certos hábitos são duros de largar. Vejo que estão aproveitando bem o tempo de descanso e...hmmm, esse cheiro de comida está me abrindo o apetite."

"Não seja por isso, Mestre. Por favor, sirva-se." Suki conduziu o pequeno mago pra mesa de comida e lhe deu um prato pra se servir. Ao terminar de enchê-lo, voltou para junto dos jovens e se acomodou, provando a refeição.

"Delícia. Vocês tem mesmo um dom para a cozinha. O peixe frito é um dos melhores que experimentei até hoje."

"Que bom que gostou, Mestre. Imagino que veio aqui porque tem notícias pra gente, não é?"

"Acertou, espiã. Há um dia de viagem daqui, se encontra a cidade Rowalyoods, um lugar amigável e pacífico em geral. Amanhã, se dará lá o centésimo quinquagésimo Festival da Boa Sorte, uma homenagem ao símbolo de sorte e prosperidade que trouxe tanto progresso e sucesso à cidade. É possível que encontrem um meio de voltarem para os seus mundos."

"Nos desculpe se não ficamos empolgados com as novidades, Mestre, mas no que me dz respeito, creio estar faltando o ponto onde as coisas entram pelo cano."

"Erik." Desta vez, Diana viu que se enganou quanto à pessoa a quem devia chamar a atenção. "Opa. Mancada. Quis dizer Toph. Foi mal, Erik, mas de todo jeito...Toph."

"Que foi? De boa, é o esperado. Não está de acordo, Mestre?" A dobradora de terra morena deu de ombros.

"Admito sua sinceridade, bandida cega, mesmo misturada a um toque de sarcasmo. Sim, certos empecilhos poderão ocorrer no Festival e tudo dependerá de uma reconciliação familiar, o sinal de que o caminho de casa virá ou não, dependendo do preço que precisará pagar."

"Preço a pagar? Estamos meio duros quanto a dinheiro." Respondeu Presto.

"Sim, Mestre. O que isso pode...?" Mas bastou o ranger se virar um momento que o pequeno mago de vermelho sumiu da vista de todos. "Ih. Sumiu novamente."

"Toph, não sabe pra onde ele se mandou?"

"Desculpa, Sokka, mas deixei a bola de cristal na outra roupa." Disse ela ao abocanhar outro porção de carne e salada. "Tenho os sentidos aguçados, mas não sou adivinha."

"Legal, um festival. O fim perfeito pras nossas férias. Quando partimos?"

"Ei, sem pressa, Katara." Hank gesticulou um 'espere'. "Esse festival só se dará amanhã e o Mestre falou que está a um dia de distância. Vamos aproveitar o resto do dia e desse jeito, manter as forças pro que virá. De acordo?" Todos aceitaram a ideia do seu líder.

"Isso é demais, pois assim vamos ter tempo pra encerrar nosso jogo, se bem que posso te vencer no chinelo." Aang gerou uma bola de ar e lançou um olhar desafiante pro rapaz loiro.

"Ha, ha. Vai sonhando, garotinho, que vai me detonar. Vamos lá que te mostro quem é o chefe do jogo." E criando também uma bola de ar, se levantou e correu pra quadra na areia, seguido por Aang e duas das irmãs aranhoides. Todo o grupo largou seus pratos e retornaram pra suas atividades, exceto Uni que beliscou o que sobrou da comida, dando de ombros e levando um pouco para Appa comer.

Continua...