Olá Nazarins e Pergaminhos, estamos na reta final deste arco na minha fanfic Aquele que Voltou.

Decisões são tomadas, mas nem todos estão contentes com elas.

Com vocês

Aquele que Voltou

Capítulo 67: Resoluções

- A mente humana é incrível - disse Ainz.

Doenças mentais causadas por desequilíbrio químico, traumas físicos e emocionais ou agravadas por paranoias, no século 22, ainda seriam difíceis de tratar, mesmo com doses enormes de medicamentos.

Mas no novo mundo onde a feitiçaria era real, bastaram algumas palavras hipnóticas carregadas de magia, proferidas por uma garota que recém descobriu sua verdadeira natureza, para acabar com anos de sofrimento e obsessões de uma mente fragilizada.

- 'Quantas vidas poderiam ser salvas se tivéssemos esse poder em meu mundo' - pensou Suzuki Satoro.

Sim, Suzuki Satoro ainda vive dentro de Ainz, e essa parte de sua mente aparece mais quando ele se lembra de seu mundo original. Lá, ele era Suzuki, em Yggdrasil, Momonga, e no Novo Mundo é Ainz. O sentimental, o saudosista e o resoluto, três lados de uma mesma persona.

- Obrigado, meu senhor, por aceitar o pedido de sua humilde serva.

- Não foi trabalho algum. A senhorita tem prestado ótimos serviços a Tumba, então prestar uma pequena ajuda não foi incômodo. - 'Afinal, apenas acessei algumas configurações e disse uma magia falsa, que trabalho eu tive?'

- Me desculpe, meu senhor, mas realmente o senhor não deseja que inclua algum comando hipnótico nela para que apoie ou sirva ao Reino Feiticeiro?

- Não. Ela virá até nós, e virá por vontade própria. Não desejo nenhum aliado que esteja ao meu serviço contra a sua vontade. Eles precisam estar livres em suas escolhas. - Momonga pensava em como sua vida mudou ao mexer com a mente de Albedo.

- Como o senhor ordena, Lakyus será uma forte aliada quando perceber a luz de sua sabedoria.

- Assim espero. Vamos retornar então. - disse Ainz, tornando-se invisível novamente.

Renner seguiu diretamente para a sala de descanso. Ela abriu a porta e se manteve ao lado por alguns segundos, como se esperasse alguma coisa. Logo entrou, e assim que a porta foi fechada, Ainz se tornou visível.

- Bem-vindo, Ainz-Sama.

- Tudo em ordem, Albedo?

- Sim, Ainz-Sama. Os feitiços antia-divinação se mantiveram ativos e não detectaram nenhuma tentativa de infiltração de sua intimidade.

- É de se supor que ninguém tentaria nos observar sabendo quem sou e as consequências de tal ato, mas ainda foi melhor manter este quarto oculto. Senhorita Renner, você está dispensada. Pode retornar aos seus afazeres enquanto eu aguardo. Albedo, peça um portal para ela. Eu vou aguardar no quarto.

- Sim, Ainz-Sama. "Shalltear, um portal, por favor. Apenas Renner retornará. Eu ficarei aqui... com Ainz-Sama... no quarto... sozinhos."

- "FILHADUMAPUT" - conseguiu gritar a vampira antes da mensagem ser cortada.

Um portal se abriu, e Shalltear saiu dele.

- Muito bem, onde está aquela gorila? Ah, você está aí. Se acha que vou deixar você sozinha com Ainz-Sama, pode desistir.

- Calma, Shalltear, eu estava brincando.

- Brincadeira coisa nenhuma. Eu farei companhia para Ainz-Sama, e você pode ficar aqui na sala escutando.

- Shalltear, não tem com que se preocupar. Ainz-Sama está no outro cômodo, e ele não deve ser perturbado. Eu ficarei aqui com Sebas aguardando o Conselho. Você tem obrigações a cumprir.

- Humpf! Certo, já que Sebas ficará aqui, não tenho com o que me preocupar. Venha, Renner. - ela disse enquanto fechava o portão.

- Adeus, Shalltear. Você realmente não tem com que se preocupar, afinal, Ainz-Sama já me nomeou sua "Companheira".

- FILHADUMAPUT... - gritou a vampira no último instante.

Ainz agora estava sentado em uma enorme poltrona.

- Bem, vamos ouvir novamente toda a conversa para ter certeza de não ter perdido nada.

O morto-vivo tirou de sua túnica o cristal de gravação que sempre carregava nas reuniões. Após algumas horas de análise, ele já tinha uma certeza.

- Eles vão morrer! Gondo e Jircniv parecem duas crianças discutindo. Albedo e Demiurge com certeza vão mandar executá-los. Não posso permitir isso. Gondo me aceitou como morto-vivo mais rápido do que qualquer outro. Draudillon já conhecia minha fama, e Enri foi salva por mim, mas Gondo, ele apenas aceitou naturalmente minha existência. Não posso perdê-lo. Já Jircniv é um poderoso aliado e um governante muito capaz. Mesmo substituído por um Doppelganger, eu perderia toda sua experiência. O que devo fazer?

Ainz andava de um lado para outro na sala, pensando nas opções, até que parou subitamente, levantando o indicador em sucesso.

- "Já sei! Isso deve funcionar!"

*toctoc*

- Entre!

- Lord Ainz, a reunião terminou.

- Obrigado, Sebas. Vamos ver o que foi decidido.

Um pajem aguardava na porta para escoltá-los até a sala de reuniões. Dentro do local, todos pareciam tentar parecer o mais... "oficiais" possível, como se quisessem passar alguma autoridade, mesmo que nenhuma tivesse sido outorgada a eles, a não ser aquela dada por eles mesmos.

- Bem-vindo novamente, Vossa Majestade Ainz Ooal Gown. Nós, do Conselho da Cidade-Estado de Argland e dos Quatro Reinos convidados, deliberamos sobre todas as informações que nos foram entregues e chegamos a uma decisão. Mas antes que qualquer declaração nossa seja feita, acreditamos que devemos informá-lo sobre uma situação que chegou a nós horas antes do senhor.

- Hum, alguma coisa grave provavelmente, para dar um destaque tão solene. Apenas uma coisa poderia ser.

- Guerra - disse Lord Murios. - Recebemos esta manhã um comunicado vindo da então chamada Coalizão do Reino Santo do Sul. Eles não reconhecem mais a autoridade do Rei Santo Caspond e reivindicam independência, alegando opressão por parte do agora chamado Reino Santo do Norte.

- Então, eles se tornaram um estado separatista.

- Sim. A declaração diz que lutarão de todas as maneiras para manter a sua hegemonia.

- Obviamente que eles não se aterão apenas em proteger suas terras. Parte da garantia de sua liberdade incorrerá com a queda do Reinado de Caspond. A guerra civil se instalará por todo o reino. - ponderou Ainz.

- Sim, acreditamos que o processo terminará com a unificação novamente do Reino Santo sob a bandeira do Rei Santo ou do governo do Sul.

- Tal declaração de guerra, ela é considerada justa?

- Seguindo os antigos tratados, sim. Ela é uma guerra interna, uma luta pelo controle do poder de sua própria pátria. Apesar do Rei Santo provavelmente alegar terrorismo, a Coalizão está seguindo os protocolos estabelecidos para a nossa não intervenção.

- Então, vocês não interferirão.

- Não, e nem o senhor.

- COMO OUSAM...

- Albedo! Deixe-os prosseguirem, por favor. Lord Murio, o senhor dizia?

- Aham! Sim, como eu dizia, após ponderarmos os fatos entregues, decidimos que a destruição da capital da Teocracia Slane foi um ato justificado através de uma declaração de guerra já prévia entre a Teocracia e o Reino Élfico. Este último apenas solicitou apoio para ter força em tal ato, sendo o Reino Feiticeiro considerado apenas um instrumento nessa guerra. No entanto, analisando os eventos anteriores, um padrão preocupante se mostrou. Em menos de dois anos, o Reino Feiticeiro venceu uma batalha, estabeleceu um reino, derrubou outro, estabeleceu vassalagens poderosas e destruiu um possível opositor.

Ainz deu de ombros.

- O que posso fazer se esses reinos vêm a mim, seja para o bem ou para o mal?

- Certo, em vista disso, decidimos... immpoooor... uma prova de confiança de que o senhor não está estabelecendo uma política expansiva, uma tomada forçada do poder no continente.

- Uma prova, uma sanção a qual eu poderia apenas ignorar, já que nunca fui oficialmente convidado a participar da União dos Reinos.

- S-sim, algo a ser remediado caso Vossa Majestade aceite a nossa... decisão.

- Que seria?

- O Reino Feiticeiro não irá interferir no conflito. Não manterá comércio ou fornecimento de qualquer ajuda a nenhum dos dois lados e não estabelecerá nenhuma força em território Santo, seja por tropas ou agentes individuais.

- O Reino Santo, o do norte, nós mantemos uma situação amigável de comércio e ajuda após a queda de Jaldabaoth. Suas forças estão fragilizadas, eles não suportarão uma investida.

- Sabemos disso, e por isso mesmo pedimos que o senhor se abstenha deste conflito. Não há prova maior de que o senhor não deseja conquistar tudo do que deixar um aliado à mercê da sua sorte.

- ISSO É... - começou Albedo, mas mudou de tom ao perceber seu mestre a olhando - Ahamm! Isso é... a-cei-tável. O Reino Feiticeiro irá se comprometer a não interferir no conflito Santo, e nenhuma força ligada ao Reino Feiticeiro ultrapassará a fronteira atual do Reino Santo. - ela narrou de forma solene e a contragosto.

- Obrigado, Primeira Ministra. Nós tomamos a liberdade de redigir um tratado de não intervenção de nossa União e gostaríamos que o Reino Feiticeiro participasse - Lord Murios falou, mostrando o documento.

Seria normal que tal documento fosse analisado por Albedo, uma especialista em burocracia, mas seu mestre se adiantou, pegou o documento, deu uma leve olhada e o assinou, mostrando total confiança em seus atos e que ninguém tentaria enganá-lo.

- Está feito. Acho que isso encerra a minha parte neste encontro. Devo retornar ao meu reino, pois muito ainda há de ser feito em minhas próprias terras. Com licença, senhores. - declarou o soberano morto-vivo, desaparecendo dentro de um portal negro fora da sala.

- Sua Majestade Ainz Ooal Gown se retirou - disse Albedo, com uma mesura, entrando no mesmo portal, seguida por Sebas.

Após todos desaparecerem, a respiração no recinto voltou ao normal.

- Ufa! Que pressão foi aquela? Era como se estivéssemos na presença de uma força... superior - Lord Eloi falou, vendo Riku se retirar.

O representante dos Lordes Dragões era seguido por Rigrit e outros dois conselheiros, o humano e o anão negro, os únicos que discordaram da decisão do conselho e dos representantes dos Quatro Reinos.

- Lord Riku, eu teria um momento de sua atenção?

- Lord... Ardork, seja rápido. Há muito que desejo fazer.

- Um momento será o suficiente, por aqui, por favor - disse ele, dirigindo-se a uma torre reservada no palácio, esta que possuía runas e magia antiadivinhação.

- Lord Riku, gostaria de mostrar algo. Isso foi trazido a nós por um anão traidor. Ele veio em busca de refúgio e, como todo traidor, agora está apodrecendo em uma de nossas masmorras no Reino Subterrâneo. - falou o anão negro, desembrulhando algo que parecia um tijolo.

- E o que seria? - perguntou o dragão com interesse, seus olhos brilhavam através do capacete.

- Um lingote, meu senhor, de metal nunca visto antes.

...

Nota do Autor

Quando mencionei Suzuke Satoro eu não quis dizer que Ainz tem multiplas personalidades, apenas que ele tem lados emocionais diferentes, como alguém que é cortes e sério no trabalho e brincalhão em casa.

Sobre o lingote, sim é o mesmo roubado pelo ferreiro anão, agora está nas mãos de Riku/Tsa.