Olá Nazarins e Pergaminhos, mais um capítulo da minha Fanfic Aquele que Voltou.
Enquanto a guerra prossegue, Ainz precisa cumprir uma obrigação no Reino Dracônico.
Com vocês
Aquele que Voltou
Capítulo 74: Solenidades
Meses após a queda da Teocracia e a reunião no Conselho de Argland, uma recepção no Reino Dracônico estava sendo realizada. Neste momento, toda a solenidade da chegada dos dignitários já havia terminado, um cerimonial extremamente chato aconteceu, com toda pompa e circunstância merecida. Por isso, apenas um resumo dos melhores momentos aqui será relatado.
Os governantes vieram de carruagem, mas é lógico que não fizeram o caminho todo até aqui, portais foram providenciados, assim todos chegaram ao mesmo tempo na capital.
A população do reino estava nas ruas para ver a chegada das comitivas, bandeiras enfeitando os prédios e os postes, flores nas janelas e onde pudessem ser penduradas. Apesar da população da capital estar em melhor condição do que o resto do reino, nem pareciam que quase acabaram na barriga de homens-bestas.
Todos acompanharam a coluna que seguia até a entrada do castelo onde havia uma verdadeira feira acontecendo.
As carruagens eram uma mais bela do que a outra, e apesar de haver várias, era possível distinguir aquela que levava um governante.
A delegação que encabeçava a procissão era do Reino Anão e sua principal carruagem era feita em metal escuro, robusta, mas ornamentada com padrões geométricos.
A segunda comitiva vinha de Arwintar e a carruagem do Imperador era dourada em quase toda sua estrutura, com vários desenhos intrincados.
Já a terceira era do Reino Élfico e bem... ela parecia um ser vivo vegetal, sua estrutura lembrava uma carruagem, apesar de possuir partes móveis como rodas, tudo nela se assemelhava às partes de um bosque, com o verde de grama e folhagens e o marrom escuro da madeira de uma árvore centenária, mas não era fria como uma tábua morta; ela irradiava uma aura quente, fresca e viva.
A maioria das carruagens era puxada por criaturas semelhantes a cavalos, Slipnirs, brancos, negros e alguns mais robustos que outros; a única que não seguia o padrão era a da comitiva do Reino Feiticeiro.
Primeiramente, por ter apenas uma única carruagem na delegação, à sua frente seguia uma escolta de cavaleiros mortos-vivos usando armaduras douradas, suas faces não podiam ser vistas através dos capacetes, apenas o brilho de seus olhos vermelhos; eles vinham montados em Devoradores de Almas e o mesmo tipo de criaturas puxavam a carruagem. Esta era um espetáculo à parte, grande, negra e dourada, se a que o embaixador usou da última vez era imponente, esta era um palácio sobre rodas; sentado guiando no coche estava um diabrete vermelho, usando smoking completo.
Na história do Novo Mundo, nunca se soube de alguma reunião onde tantos soberanos estivessem ao mesmo tempo no mesmo local; se Ainz ganhasse uma moeda a cada vez que algo assim acontecesse, ele teria duas moedas, o que não é muito, mas é estranho que tenha acontecido duas vezes no últimos meses.
A parte mais emocionante foi a entrada dos governantes, nunca alguém está preparado para a chegada do Rei Feiticeiro, é como se vislumbrassem a epítome do poder, por isso foi tentado minimizar o choque de sua presença para o grupo seleto de nobres dentro do salão palaciano, anunciando os outros governantes primeiro.
A primeira carruagem a chegar foi a de Gondo, o anão com seu jeito bruto de ser, seguiu em um passo curto, sua comitiva trazia como presentes joias de beleza esplendorosa.
Em seguida veio o Imperador Jircniv; este sabia como se portar, mesmo não gostando da Rainha Draudillon, ele não fez nenhuma menção ao fato ou deixou transparecer sua surpresa ao vê-la um pouco mais velha do que ele se lembrava. Como presentes, foram trazidos belos quadros, um deles era um grande autorretrato em tamanho natural do próprio Imperador, tal obra a rainha tinha a intenção de queimar ou colocar no calabouço para torturar os prisioneiros.
O Rei Elfo foi o próximo; Mare quase vacilou em seu andar, mas apenas por um momento. Ele sabia que se houvesse alguma falha, era seu mestre quem seria humilhado, então tentou ser o mais adulto possível. Seus subordinados carregavam dois pequenos potes com sementes. A rainha se mostrou muito interessada; os nobres, a princípio, estranharam o presente simples, mas ao verem que tais sementes eram douradas e platinadas, se calaram.
"Estas são sementes de Carvalhos Sagrados, as árvores que nascerão destas sementes nunca adoecerão ou morrerão naturalmente, elas serão um símbolo de amizade entre nossos reinos enquanto permanecerem", disse o jovem elfo.
Todos ficaram maravilhados com o simbolismo do ato, principalmente pelos reinos ainda nem serem formalmente aliados.
Ainz analisava a situação:
— 'Depois disso, o que posso dar que seja tão significativo?!'
Sebas foi anunciado, e a rainha estava ansiosa pela sua chegada, mas para sua decepção, ele vinha acompanhado de braços dados com uma jovem, a mesma que estava vestida de empregada na última vez que o embaixador esteve no reino. Apesar disso sua esperança se manteve, pois ambos não possuíam o costumeiro anel de casamento.
Por último, vieram a Primeira Ministra e o Rei Feiticeiro; a tensão na sala era palpável até que Ainz quebrou o silêncio.
— Boa noite, Draudilon Ouriculos, Dragão da Escana Negra, Rainha do Reino Dracônico. Eu sou o Rei Feiticeiro Ainz Ooal Gown e agradeço pelo convite para vir ao seu reino.
— Nós, do Reino Dracônico, que nos sentimos agraciados com a vossa presença, Majestade.
— Para mim, é uma imensa satisfação estar aqui, mas neste momento solene eu vejo que trouxeram muitos presentes a vossa pessoa: Foram entregues riquezas, arte e amizade, e agora me vejo em uma situação...
— VOSSA MAJESTADE! – cortou Draudillon – Aham! Vossa Majestade, me desculpe interrompê-lo, mas acho que houve uma confusão; o senhor é o homenageado aqui. Por tudo que já fez por nós, não aceitarei uma única moeda ou joia de Vossa Majestade. Quem deveria entregar presentes, oferendas e provas de amizade sou eu, e ainda assim o senhor já nos deu o maior presente que podíamos ganhar, nossas vidas, por isso agradecemos.
A Rainha se levantou e então fez uma mesura; os reis a acompanharam, e todos os nobres presentes se ajoelharam.
Albedo sorria e Ainz pensava.
— 'Ufa! Essa foi perto'
Após essa cerimônia, todos agora estavam apreciando o sarau que se seguiu, cada um à sua maneira, claro; nenhum nobre poderia falar diretamente com um soberano, então Jircniv entrava em uma discussão com Gondo cada vez que se encontravam.
Mare não tinha muitas pessoas à sua volta, apesar de muitos interessados em falar com sua comitiva; Antilene era uma barreira intransponível no momento. Muitos assuntos precisavam ser tratados pela própria comitiva, pois desde que assumiu a função de rei, poucas vezes realmente esteve em suas novas terras, deixando a maior parte da administração, senão toda ela, ao Primeiro Ministro, coisa que deixou ambos contentes já que um não tinha experiência e o outro fazia tal serviço há séculos.
Decen Hougan nunca se importou com a governança em si, apenas queria saber da guerra, poder e filhos; então, depois de sua queda, tal ajuste como o novo Rei Elfo foi muito bem-vindo pelo Primeiro Ministro, mas agora Mare foi lembrado que ainda precisaria ser oficialmente coroado, algo que o fez gemer internamente.
A Rainha se aproximou de Ainz; ela agora tinha uma aparência mais velha do que a usada durante o conselho, pelo jeito estava mudando gradualmente sua aparência juvenil para algo mais adulto nos últimos meses.
— Vossa Majestade, está apreciando a visita?
— Sim, Rainha Draudillon, a música é particularmente bonita; há poucos dias fui visitar as terras em sua fronteira e a beleza do local me impressionou.
— Ficamos honrados pelas suas palavras.
— Apesar disso, ainda acredito que deveria ter entregue algo a vossa pessoa, algo que talvez deseje.
A rainha olhou de soslaio para Sebas.
— Posso pensar em algo.
Ainz ponderou por um momento.
— Acho que tal presente poderia ser acertado, e tenho certeza de que não receberia uma única palavra de objeção... mas acho que a senhora não seria feliz, pois o presente tem vontade própria e com isso, seus próprios desejos. Acredito que a senhora não deseja apenas um troféu, não é mesmo?
— Não, se ele fosse ficar, seria por sua própria vontade.
— A senhora é bastante honesta, então... tem a minha benção para lutar pelo que deseja.
Draudillon sorriu, pediu licença e foi diretamente falar com Sebas.
— Olá, embaixador Sebas, muito me alegra vê-lo novamente em meu reino - disse ela olhando para Tuare.
— Sempre é um prazer visitá-la.
— Sim, um prazer. Lorde Sebas, será que eu poderia falar com sua... acompanhante por uns instantes? Gostaria de pedir algumas opiniões femininas.
— Sim, com licença, Vossa Majestade – disse Sebas, afastando-se.
— A senhorita se chama Tuareninya, se não estou enganada.
— Sim, Vossa Majestade. Tuareninya Veyron.
— Posso chamá-la de Tuare, não é?
— Como desejar, Vossa Majestad...
— Bem, Tuare, o que diria se eu pedisse para se afastar do embaixador?
Tuare pensou por um momento.
— Eu diria que apenas o Rei Feiticeiro teria o... poder para solicitar tal coisa, e acredito que ele não o tenha feito, Vossa Majestade.
— Não, não o fez, mas posso solicitar a presença de Lorde Sebas aqui, indefinidamente.
— E a senhora então teria um prisioneiro, teria seu corpo, mas nunca seu coração.
— Mesmo assim, eu aviso que pedirei a presença do embaixador o máximo possível, então, com o tempo, ganharei seu coração também.
— Vossa Majestade, se me permitir ser franca...
— Não espero nada menos do que isso.
— A senhora, nunca vai arrancar o Sebas de mim – disse Tuare com tal convicção que surpreendeu a rainha.
— Isso é o que veremos – retrucou a soberana no mesmo tom.
— 'Sua lagartixa velha!'
— 'Humanazinha miserável!'
Apesar dos sorrisos forçados, a tensão entre as mulheres era tão grande que parecia haver um relâmpago cruzando o olhar entre ambas, isso durou até que ouviram uma conversa próxima.
— Obrigada pelo lenço, Lorde Sebas, vejo que o senhor está sozinho, gostaria de beber algo?
Ambas olharam enfurecidas para Leinas que se mostrava como mais uma rival nessa luta.
— 'Coitado' – pensava Ainz enquanto olhava o mordomo cercado pelas três mulheres, sem perceber que Albedo, sorrateiramente, neste tempo todo, já estava de braços dados com ele.
...
Nota do Autor
Tuare a Draudillon manterão uma rivalidade em relação a Sebas, já Reinas só vai esperar uma oportunidade.
