Olá Pergaminhos e Nazarins, a guerra continua em outro capítulo da minha fanfic Aquele que Voltou.
Néia parte em sua busca e encontrará mais do que queria.
Com vocês
Aquele que Voltou
Capítulo 77: Busca
Néia estava há semanas perseguindo um inimigo esguio. Nesta noite de nevasca, seu grupo estava acampado ao lado das montanhas entre Kalinsha e Debone, já nas terras do sul. O desejo da arqueira era ter partido imediatamente ao final da reunião com o Rei Santo, mas devido à sua nomeação, vários protocolos precisaram ser cumpridos. Após isso, passou a noite organizando os Seguidores da Justiça. Ela era a líder de um grande grupo que rivalizava com o exército em tamanho. Simplesmente não poderia partir por semanas sem antes deixar tudo preparado para sua ausência.
O peso da liderança se mostrava novamente presente.
Naquela noite antes de partir, Néia se encontrava no topo da Catedral Negra, observando a cidade de Horbuns de cima. O Bairro da Justiça, como era chamado agora, já estava em pleno funcionamento.
Comércios, pousadas, restaurantes, tudo praticamente construído do zero, já que a maioria das estruturas antigas estava impraticável depois da invasão.
Desde a Noite de Jaldabaoth, que culminou com a destruição do corpo de Remédios Custódio, isso há mais de oito meses, o bairro passou por uma grande transformação.
O Rei Feiticeiro havia comprado o bairro inteiro e, de forma sistemática, o reestruturou para que esta parte da cidade se tornasse o novo centro comercial.
A primeira construção a se erguer, em questão de dias, foi os correios. O Reino Santo não possuía um sistema padronizado de entregas, então basicamente ele serviu como centro de distribuição da ajuda vinda do Reino Feiticeiro: material, grãos, ferramentas, roupas. Tudo passava pela triagem e depois era entregue pelos Nazarins, afinal, os Seguidores da Justiça haviam se incumbido dessa missão.
Néia não poderia esquecer o dia em que ela conheceu o dragão. Ele fora enviado a princípio para agilizar as entregas, mas como se verificou depois, quem praticamente o monopolizou foi ela própria. Devido aos compromissos na Cordilheira Azerlísias, as outras torres sob sua responsabilidade demandaram bastante de seu tempo.
Ao pensar nisso, neste dia, não havia sido visto ninguém dos correios, ou qualquer outros funcionários do Reino Feiticeiro. Isso a intrigou até ouvir a voz.
- 'Olá, NéiaBaraja.'
A arqueira instintivamente se virou para encontrar nada atrás dela.
- 'É uma mensagem sua, tola' - ela pensou - Olá, CZ, como você está?
Néia não gostava de falar apenas com o pensamento, era muito confuso para ela, então só fazia isso quando realmente necessário.
- 'Estou sem nenhuma anormalidade, desde a última vez que nos vimos.'
- 'CZ fala engraçado'. Imaginei que você viesse me visitar.
- 'Não posso visitar Néia nos próximos meses.'
- É por causa da guerra? Vossa Majestade já está ciente?
- 'Sim, Ainz-Sama participou de uma reunião no Conselho do Estado Argland. Eles não participarão do conflito e solicitaram que o Reino Feiticeiro se abstivesse de apoiar algum dos lados.'
- Recebemos a declaração de guerra ontem. Era de se imaginar que uma declaração teria chegado ao mesmo tempo em Argland. O Rei Santo só enviou um pedido de apoio hoje, algo que deve ser inútil, já que tomaram tal decisão sem nem mesmo ouvirem nosso pedido. Por isso todos os funcionários do Reino Feiticeiro foram retirados. Sua Majestade não nos auxiliará, nem você poderá vir.
- 'Não, mas Ainz-Sama não virá só porque foi restringido. Nada o impediria de ajudar seu povo. Ele não virá porque tem fé na vitória de vocês.'
Uma sensação de orgulho tomou conta de NéiaBaraja. Seu deus acreditava nela.
- Obrigada, CZ. Eu precisava disso.
- 'Néia é fofa. Não vou deixar nada acontecer. Se precisar de mim, basta olhar para leste.'
A arqueira pensou na metáfora enquanto olhava para leste.
Seguindo em linha reta, ficava Kalinsha. Após a cidade, vinha a Muralha, que estava a mais ou menos 300 quilômetros. Depois dela, eram mais cem quilômetros na Zona da Morte até a fronteira com Abelions Hills, aos pés das montanhas.
Zona da Morte, seu pai havia dado este nome para a região do Reino Santo onde apenas as patrulhas podiam permanecer. Antes da invasão, era um local perigoso demais para os humanos. Agora, precisariam mudar o nome novamente, já que estavam em paz com os Demi-humanos.
Além de Abelions, sua visão precisaria seguir por mais quinhentos quilômetros até E-Rantel onde sua amiga deveria estar. Então novecentos quilômetros separavam Néia de CZ, e ainda assim ela podia sentir o olhar da amiga sobre ela.
'Pura imaginação', ela pensou. Néia sorriu e em algum lugar na fronteira com Abelions Hills, CZ deu um leve sorriso.
Quando Néia desceu, já estava preparada para partir. Ela vestia seu melhor equipamento: O colete do Rei Buser, sua máscara e o arco que Ainz havia lhe dado. Além dos itens antigos, havia diversos novos objetos que CZ insistiu em lhe presentear com anéis de fortificação melhores e colar de proteção, entre outras coisas. Mas um desses presentes estava entre seus preferidos, uma aljava decorada, sem flechas e que permanecia amarrada em sua coxa. A aljava combinava com seu arco e era tão curta que deveria servir para setas em vez de flechas, mas era algo especial, pois era a Aljava das Mil Mortes, capaz de conter uma enorme quantidade de flechas em seu interior sem deixá-las cair pois tinha um pequeno espaço dimensional dentro segundo CZ. Somente flechas podiam ser guardadas lá.
...
- São mil flechas com feitiços de nível dois: fogo, gelo, raio, ácido e veneno. Dez delas são nível quatro. Não use à toa. - alertou CZ.
"Como se ela fosse entrar em alguma guerra", Néia imaginou na época.
...
Agora, ela pensava que talvez mil flechas não seriam o suficiente. Enquanto caminhava, seguiu por trás dos correios em direção aos estábulos.
Foi quando percebeu algo se mover na área de desembarque.
- Quem está aí?
- Achei que você me reconheceria.
- Você não deveria estar aqui.
- Eu devo estar onde preciso estar. - disse a criatura soltando uma baforada gelada.
- Rali'ah! Minha amiga. - Néia correu e abraçou a jovem dragão de gelo.
Cinco meses foram o suficiente para que ambas criassem uma forte ligação. Afinal, esta era a segunda amiga que Néia fazia.
- Todos os funcionários do Reino Feiticeiro já partiram, você não deveria... - A arqueira calou a boca quando o enorme dedo tocou sua cara, a unha da dragoa quase tocava sua nuca.
- Shhh! Néia Baraja, pare de falar, eu não vou a lugar nenhum, afinal de contas eu sou o seu dragão.
- Você não é meu, é minha ami...
- Néia! Pare! Para todos os efeitos eu pertenço a você, por isso não fui embora, você está me entendendo?
- Ah! Ahan! Sim! Obrigada, mas não acho que poderemos ficar juntas agora. Partirei hoje em busca de Gustav, de seu corpo ou de seus agressores. Então você precisará permanecer aqui, apesar de eu ter que ser rápida, ainda preciso ser discreta, meu grupo servirá de batedores e irá repassar qualquer movimentação encontrada. Além disso, talvez iremos nos embrenhar em território inimigo.
- Eu sou discreta, posso sumir na neve.
- Não está nevando, está apenas um pouco frio.
- Vai nevar, muito, posso sentir.
- Mais um motivo para ficar, você pode controlar parcialmente o clima, minimizar os danos na cidade. A maioria dos refugiados migrará para cá e para as outras cidades: Kalinsha, Prart e Rimum, as únicas cidades fortalezas capazes de se defender. Precisamos de toda ajuda possível aqui.
- Certo, mas se precisar, me mande uma mensagem.
- Obrigada, Rali'ah. Adeus. - Néia disse, abraçando novamente a enorme amiga.
Ao partirem, o grupo de Nazarins levou três dias até chegarem ao mosteiro do velho padre. Nada restava no local. Com as chuvas, os rastros dos atacantes praticamente sumiram, mas eles deixaram uma trilha para ser seguida.
Mais ou menos a cada dia de viagem, era encontrado uma cabeça empalada. Néia sabia que eram do mosteiro, pois tinham a característica cabeça raspada dos padres Surshanianos.
- Como podem fazer isso? Eles são adoradores de Surshana. Será que o ódio dos seguidores dos Quatro finalmente se voltou aos adoradores dos deuses não humanos?!
Néia estava sendo guiada por essas migalhas através de uma zona de guerra, vilas queimadas e cidades vazias. Em um certo dia, um exército passou em direção a Kalinsha, e parecia que este seria seu principal alvo da invasão sulista que tentaria tomar a cidade fortaleza.
O grupo de batedores até mesmo conseguiu interceptar a informação de que um exército teocrata havia entrado nas terras do reino como reforço aos sulistas.
O grupo de Néia não era muito grande, por isso evitaram a maioria dos confrontos, e com o passar dos dias, seu grupo diminuiu cada vez mais. A cada vez que encontravam algo a ser relatado, um mensageiro precisava ser enviado, mas com o inverno chegando com força total, até essa mensagem chegar a Horbuns levaria semanas.
O uso de feitiço mensagem sempre foi um tabu, pois se acreditava que tais feitiços podiam ser interceptados. Nunca realmente alguém provou tal coisa, mas isso não significava que ela tinha autorização para fazer à sua maneira.
Mesmo não encontrando o grupo que atacou o Capitão Gustav, ainda assim ela tinha esperanças de encontrar algum sinal e vingar sua morte se preciso. Após quarenta dias de busca, mais nada havia sido encontrado. Todas as pistas que poderiam dar alguma direção estavam soterradas na neve, e não havia sinais de cabeças há dias. Era hora de ir embora.
Seu grupo foi levado muito a leste e agora fariam uma longa marcha para casa, passando pela zona de conflito. Foi então que viram algo que chamou sua atenção, algo no alto de uma colina.
- Capitã Néia, o que é aquilo?
- Eu não sei, parecem árvores arrancadas.
Mesmo com a visão prodigiosa de Néia, era difícil distinguir as formas em meio à nevasca. Quando se aproximaram, perceberam que eram vigas pregadas em forma de X, e nelas estavam.
- Nazarins, ELES CRUCIFICARAM OS NAZARINS! - gritou Néia em desespero ao reconhecer o símbolo preso nas roupas.
Aqueles eram Seguidores da Justiça que haviam partido meses atrás. Eles tinham se dado a missão de levar a palavra de seu deus aonde fosse preciso, e agora cinco deles jaziam mortos, pregados naquele local. Mas entre eles havia um corpo cuja cabeça tinha sido esfolada.
- Gustav. Néia se aproximou, e no peito do cadáver havia uma faca cravada com um pergaminho preso. Nele estava escrito:
...
"Você falhou, escudeira.
Nos vemos em Horbuns.
Remédios Custódio."
...
Nota do Autor
Néia tem mais uma amiga além de CZ, algum dia eu escrevo como elas se conheceram e fizeram amizade.
Sim, Rali'ah está burlando as regras ao dizer que pertence a Néia, assim não precisa voltar para o Reino Feiticeiro e nem quebrou o tratado de Argland.
