Dezembro de 2017:
Alisei a cama que estava quente, porém, não tinha mais ninguém além de mim, o que me fez pensar que ele teve alguma emergência no hospital.
Entretanto, o barulho da água caindo na banheira me fez sorrir e me sentar na cama.
Ainda era um pouco estranho dormir nesse quarto e sendo vista pelos elfos saindo desse cômodo quase diariamente.
Mas eles não me olhavam como se estivesse usurpado um lugar que não era meu, eles até me chamavam de pequena jovem mestra, algo que não era ruim de escutar.
E sei que apenas preciso continuar me acostumando com tudo isso, já que ser mãe de Scorpius e a noiva de Draco, eram coisas que já foram processadas e digeridas.
Apenas que Scorpius ainda não sabe da novidade e nem mesmo os meus tios...
Apertei o lençol entre meus dedos e suspirei pela ardência em minhas veias, meu sangue estava estranho.
Estava mais rápido e doía às vezes, mas não acho que devo me preocupar com isso, já que parei de tomar as poções de anemia e as manchas da minha pele sumiram, até mesmo minha magreza se foi com essas semanas.
Porém, se continuar assim, poderia pensar que a maldição Malfoy não era tão impecável quanto imaginei, ou apenas que ninguém pensou que nasceria outro Malfoy na mesma época.
O que me faz repensar na ideia que tive ontem... Estava grávida.
Não estou culpando o Draco por não ter me dado a poção ou por não ter usado camisinha, poderia ter muito bem comprado uma poção, mas não me importei e ainda não me importo.
Apenas que era um pouco estranho ter certeza de algo que pensei ontem.
Suspirei e tento sentir meu sangue naquele ponto em específico, tentando sentir algum pontinho mágico, ou até mesmo... Achei!
Coloquei a mão na boca e toquei a minha barriga, tentando não gargalhar com essa descoberta estranha e mágica.
Merlim, estava grávida e...
_ Está tudo bem? - Ele deve ter sentido as oscilações em minha magia.
_ Sim. - Precisava ter 100% de certeza, mas sei que ele ficaria feliz com isso.
Já que me lembro perfeitamente que ele queria ter uma família comigo, apenas que Scorpius poderia se sentir traído ou magoado com a chegada do bebê.
Precisava conversar com ele quando voltasse de Hogwarts... Merda! Precisava até mesmo contar para os meus tios.
Mas sei que ficariam felizes, bom, ficariam chocados e poderiam até mesmo pensar que traí o Dragon, o que não ficaria chateada, já que eles têm certeza de que o feitiço é impecável, algo que não é.
Dei batidinhas no meu rosto e me espreguicei, saindo da cama, indo em passos leves até o banheiro e vejo-o lendo um jornal, enquanto tomava um pouco de whisky.
Seus cabelos estavam molhados, deixando sua testa tampada pelos fios loiros.
Porém, seu olhar estava concentrado no jornal, me fazendo ter um pouquinho de ciúmes do papel.
_ Dia. - Caminhei até a banheira espaçosa, entrando nela e sentindo minha pele arrepiar pela água quente.
Fechou o jornal e o colocou no chão de granito, pegando minha mão e puxando meu corpo para se aproximar do seu, me sentando no seu colo.
O beijei e já sabia o dia exato que o bebê foi concebido, foi naquela festa, na maldita e maravilhosa festa.
Suspirei na sua boca e alisei seu rosto, dedilhando os seus lábios macios, seu nariz pontudo, suas bochechas salientes, suas sobrancelhas grosas e a voltinha dos seus olhos que não saiam de mim.
Mordi seu pomo de adão e o escuto suspirar.
_ Ainda agradeço a Merlim por ser agraciado diariamente com você, mon petit. - Beijou minha bochecha. _ Dormiu bem? - Concordei e deixei meu corpo relaxar. _ Chamei um duende para ver todos os papéis.
_ Para colocar que estou viva? - Alisou minha coluna e me fez tremer.
_ E recuperar sua herança, afinal, você é uma Avery. - Certo, todos os Avery morreram e só sobrou eu. _ Scorpius pode ser seu filho, mas ele não precisa ter dois cofres, já que você está viva e livre.
Sim, estava livre e era essa liberdade que tanto desejei, não era aquela que pensei em ter, enquanto lutava para sobreviver e comer.
Porém, lembro perfeitamente que Minerva ficou pálida quando me viu e sei que todos ficarão transtornados com a notícia de Leesa Avery/Malfoy estar viva.
_ Sinto que todos farão o caos na Terra. - Zombei, me encaixando melhor no seu colo.
_ Todos já sabem que você está viva, bom, aqueles que são importantes, já que o papai subornou o diretor dos jornais, antes dele viajar com a mamãe. - Aquele loiro era sempre inteligente.
Mas esses pensamentos se foram quando tirou meu cabelo das minhas costas e colocou algo em volta do meu pescoço.
Examinei o cordão e era de prata com um "M" como pingente.
O que me fez perguntar de onde ele tirou isso, já que não tinha nada em suas mãos, mas não me respondeu.
_ Tem a foto que tiramos pela primeira vez...
_ Só a nossa? - Riu.
_ Não, não sou assim, tem a nossa família. - Família, antigamente apenas considerava o vovô como a minha família.
Mas agora tenho tios, noivo e dois filhos...
_ Sabe, acho que devíamos contar que sou a madrasta do Scorpius e...
_ E contaremos, apenas precisamos esperar que ele volte. - Apertei seus ombros.
_ As madrastas sempre são malvistas pela sociedade bruxa e se a família Greengrass não gostar, e... - Calou minha boca com a sua, fazendo que toda a ansiedade impensada se fosse.
Certo, por que estou preocupada com aquela família? Eles não são nada mais que uma família que me odeia e pensa que sou a amante.
_ Você será a mãe dele. - Segurou meu rosto em suas mãos. _ E se alguma pessoa falar algo sobre você, caçarei toda a família e matarei um por um, porque ninguém faz a minha esposa ser julgada, apenas você pode julgar. - Seus olhos brilhavam.
E minhas bochechas pinicavam, mas sorri por suas considerações, ele falava todo sério e deixava todas as minhas preocupações serem triviais.
_ E Scorpius choraria se você não fosse sua mãe, aquele pestinha disse que ele poderia ficar doente para fazer você ficar. - Scorpius era tão manipulador.
_ E a família Greengrass? - Suspirou e pegou meu queixo.
_ Sobre eles é algo difícil de imaginar, eles sempre pensaram que eu ficaria solteiro pelo resto da vida, mas se não fosse por você. - Suspirou e me deu um selinho. _ Acho que esse seria o meu futuro, apenas me preocupando com o hospital e com o Scorpius.
Que futuro de merda...
Alisei seu rosto e seus olhos se fecharam para ter mais sensações, até mesmo tombou sua cabeça para ter mais contato com a minha mão.
_ Você já contou para a titia sobre isso? - Beijou meu pulso e concordou. _ E o que ela falou? - Riu pela lembrança.
_ Ela disse que teria que fazer um baile para comemorar. - Olhou-me. _ Você sempre foi muito bem-vinda na família, Leesa. Seja sendo madrinha, prima ou minha esposa. - Sorriu pela última palavra.
_ Noiva, estamos noivos ainda. - Deu um sorrisinho de canto. _ Então o único que não sabe é o Scorpius. - Suspirei. _ Ele ficará bravo.
_ Não vai, talvez ele já tenha percebido desde que você foi em Hogwarts para salvá-lo.
_ Você realmente conhece seu filho. - Alisou minhas costas.
_ Até mesmo sei que ele está gostando daquele Albus Potter. - Suspirou. _ Ele me contou antes de dizer para ir atrás de você.
Continuei na mesma posição, me lembrando que não achei estranha a interação dos dois, apenas que sabia que algo acontecia entre eles.
Fico feliz que eles se gostam e espero que eles não tenham nenhum empecilho no futuro.
Achei fofo Albus indo atrás do Scorpius para saber se ele estava bem, e o sorriso do meu bebê era tão expressivo.
Deveria ter imaginado...
_ Ele também pediu irmãos. - Fiquei rígida. _ Não precisa se preocupar com isso, quando você quiser, iremos nos sentar e conversar com aquele pestinha.
O abracei e escondi meu rosto em seu pescoço, tentando não pensar que já estava grávida e que essa conversa seria para contar a novidade, e não para saber se o Scorpius...
Tudo bem, vamos pensar positivo!
Seus braços me apertaram e quase senti minha coluna estalando pela força.
_ Você se lembrou de mais alguma coisa? - Fiquei pensativa e falei:
_ O dia que fomos separados, eles me torturaram dia e noite, sem parar. - Fez desenhos na minha costela. _ Mas até agora só me lembro de algumas frases.
_ Não queria que você se lembrasse de sua tortura, isso não é bom para você. - Ou para o bebê.
Porém, pensei em dizer algo, mas não queria acabar com o clima.
_ O que foi? - Porém, ele sempre percebia.
_ Quero visitar aquelas pessoas, quero que eles vejam que mesmo me matando, estou viva. - Olhei para ele. _ Quero que venha comigo.
_ Farei tudo que quiser, mon petit. - Pegou minha mão e a beijou. _ Você está se sentindo entediada?
_ Por que estaria? - Podia acordar e dormir a hora que quiser, comer tudo que tivesse vontade.
Estava no paraíso e nem mesmo pensava na minha antiga vida.
_ Pensei que você gostaria de fazer uma alguma coisa para distrair a mente. - Alisou meus cabelos.
Queria falar que tinha um ser crescendo no meu ventre que me fará distrair a mente por longos anos, mas apenas neguei.
_ Gosto de ficar à toa. - Antes que pudesse falar, um elfo apareceu e Dragon me abraçou ainda mais, tentando me esconder de todo jeito em seu corpo.
_ O que foi? - Falou sério, fazendo sua voz ficar rouca e me arrepiando no processo.
_ O duende chegou e já está acomodado na sala de visitas. - Dragon concordou. _ Com licença. - Desapareceu.
_ Ele deveria ter vindo mais tarde, estava gostando de ter você assim. - Beijou meu pescoço. _ O que você quer de Natal? Diga-me que darei o que você pedir.
_ Você. - Sorri e sinto-o apertar minha cintura. _ Ou devo pedir outra pessoa?
_ Quem? - Mordeu meu queixo. _ Se for o nosso filho posso tirar ele de lá. - Ele era fofo.
_ E se não for?
_ Não posso dar outra pessoa se não for eu ou o nosso filho, perdoe-me, mas sou meio ciumento nesse assunto. - Beliscou minha cintura e tive medo dele perceber o pontinho de magia.
_ Estou brincando, não quero nada e nem ninguém. - Pisquei. _ Mas se quiser me dar um buquê, não reclamarei. - O beijei. _ Vou me arrumar.
Levantei-me do seu colo e saio da banheira, pegando a toalha para me secar.
Mas o copo de sua bebida apareceu novamente, me oferecendo.
_ Não gosto disso, tem gosto de madeira. - Riu, enquanto me aproximava da pia. _ Mas se quiser me dar bombons de cereja, ficarei feliz. - Ponderou por alguns segundos. _ Mas sem álcool.
Comecei a escovar os dentes e pentear os cabelos, mas ele ainda não falou nada.
_ Por que sem álcool? - Merda. _ Lembro que você gostava. - Dei de ombros.
_ Quero algo diferente. - Não falou por um momento, mas sua voz voltou à ativa.
_ Você tem certeza? - Fiquei sem entender. _ Você tem certeza de que quer me ter em sua vida até o meu último suspiro? - Certo, não contei isso a ele.
Mas como explicarei que como saí do meu mundo e vim parar neste, a minha vida está parada no tempo, me tornando imortal.
_ Hum. - Suspirei. _ Sou imortal. - Mexeu na água. _ Mas se quiser, você pode ser. - Sei que ele não perguntou isso. _ Você quer saber se realmente quero me casar?
_ É claro, não a pedi em casamento pelo momento, mas você ainda tem uma vida inteira pela frente e pode conhecer pessoas novas e... - Dei um dedo do meio para ele. _ Sempre tão agressiva.
_ Você transou comigo, agora arque com as consequências. - Riu. _ Não concorda comigo? - Concordou, deslizando seus dedos por seus cabelos.
_ Quero realmente me casar com você, Leesa. Mas se você só estiver fazendo isso por fazer, você pode cancelar agora e não ficarei chateado. - Claro que vai, você está quase chorando.
Porém, confirmei se a toalha estava firme e cruzei meus braços, concordando com suas palavras, o que o fez ficar sem entender.
_ Tudo bem, não vamos nos casar. - Ficou surpreso. _ Já que você não me quer, posso ver quem me queira. - Saiu da banheira e quase escorregou no piso.
Contudo, veio até mim e segurou meu rosto com suas mãos, como se estivesse tentando encontrar palavras para pedir desculpas por sua brincadeira.
Mas apenas suspirou e me abraçou, fazendo minha toalha ficar encharcada pelo seu corpo.
_ Desculpa. - Beijou minha testa. _ Farei um jardim para você, ou você quer uma fábrica de bombons de cereja, ou quer uma ilha? - Ri e o abracei de volta.
_ Você é tão estranho, mas gosto de você. - Amo você. _ Então, apenas pare de pensar besteira e aceite logo que estou aqui com você, ou voltarei para a minha realidade. - Cutuquei sua costela. _ Colocarei roupa, você termina o que estava fazendo. - Saio de perto de si e saio do banheiro sem sua resposta.
Continuei andando até entrar no closet e ver que tinha ainda mais roupas que dois dias atrás, era impressionante que ao invés da titia estar se divertindo em sua viagem, ela estava comprando roupas para mim.
Não que eu esteja reclamando, mas era estranho ter tanta roupa que a única coisa que aparecia na minha cabeça quando olhava esse closet, era: não sei o que vestir.
Deveria ser o oposto, deveria estar dizendo que não tinha nada para vestir, mas essa família não me deixava ter esse pensamento nem mesmo quando cheguei na mansão.
Dedilhei a barra dos vestidos e um branco com mangas me chamou a atenção, me fazendo pegá-lo.
Ele tinha alguns botões na frente dourados, o que me fez querer usar imediatamente.
Coloquei a toalha na cômoda e comecei a colocar a lingerie e logo em seguida o vestido.
_ Branco combina realmente com você. - Olhei para ele, enquanto abotoava alguns botões. _ Esqueci de perguntar, você...
_ O quê? - Tirei a toalha da cômoda.
Ele se aproximou e beijou minha testa, como se estivesse dando sua resposta para tudo que conversamos no banheiro. Felizmente ele não deixava tudo para a última hora.
_ Você quer ir lá hoje? - Iria perguntar ir aonde, mas me lembrei de nossa conversa. _ Posso pedir que abram o portal.
_ Sim, quero pelo menos olhar para eles. - Concordou e começou a colocar roupa.
Deixei a toalha no mesmo lugar e saio do closet, indo para a sala de visitas.
Não me importava se meus pés estavam descalços, apenas seguia calmamente pelo corredor.
Sabendo que Dragon iria demorar para se vestir e mesmo se o tempo fosse diferente, duendes não gostavam de esperar, ainda mais se for esperar por bruxos.
Desço os degraus e alguns elfos pararam para me cumprimentar.
Viro para a esquerda e vejo o duende tomando chá, mas quando me viu ficou surpreso.
