Amanda está enrolada em uma alcova escondida, embora ela não estivesse propriamente escondida. A maioria dos estudantes sabia onde buscar privacidade no campus, ela por acaso chegou lá primeiro naquele dia.
Ela está tentando esboçar Michael novamente. Parecia estranho ter perdido uma página de seu caderno, e mais estranho ainda que ela não conseguia se lembrar de seu rosto quando ele não estava bem na frente dela. Ela tentou, mas não era possível. Quando ela finalmente conseguiu um que ela gostava o suficiente, ela acidentalmente arruinou-o com uma mão pesada e o tom errado de marrom. Ele parecia moreno demais.
Amanda enrolou cuidadosamente seus lápis de cor de volta para cima, prendendo as gravatas de couro firmemente de modo a manter cada lápis confinado. Suspirando melancolicamente, ela virou para uma nova página.
As coisas ficavam tão complicadas às vezes, que a deixavam agitada. Ela rabiscou um rostinho triste no canto de sua página. Quando a única coisa que ela gostava na vida começou a dar errado, isso desencadeou todo o seu humor. Seu aniversário estava chegando. Estava muito na cabeça dela ultimamente. Ela gastaria sozinha, foi o que ela imaginou. A mãe não se lembrava de qualquer jeito, o pai estava no exterior a trabalho, o irmão fazia questão de esquecer e a avó dava uma barriga na falta de ânimo para a festa.
Ela começou com um círculo arqueado, cortando as linhas apropriadamente. Sentir as linhas familiares de seu próprio rosto veio fácil, a leve inclinação superior de suas sobrancelhas, seus cabelos e sua boca franzida. Ela sempre se olhava triste no espelho, e isso mostrava, pontilhado aqui e ali quando a única coisa a desenhar era seu próprio rosto. O contorno rudimentar de um bolo de aniversário tomou forma. As velas estavam apagadas.
Em um acesso de infelicidade, Amanda arranhou a boca. Nunca foi sorrir.
"O que esse pedaço de papel fez com você?"
Ela pulou. Michael olhava para ela curiosamente, torcendo as mãos. Ela colocou o lápis entre a capa macia e o esmagou, fechado.
"Oi, bonequinha."
"Harrison."
"Ah, nem um primeiro nome?"
"Ela negligenciou a minha primeiro", raciocinou, revirando as palavras. Ele sorriu em tom de brincadeira.
"Que grosseria minha. Oi, Amanda. " Corrigiu-se.
"Oi, Harrison."
Ele sorriu. "Mais de mim nesse seu livro sagrado?"
"Não. Você nunca fica parado."
"E se eu posar para você?" Ele perguntou.
Amanda deu um tapinha no chão na frente dela.
Michael era um modelo adorável.
Ele ficou infinitamente parado, mais parado do que ela imaginava ser possível para ele. Sentou-se em um ângulo de 3/4, queixo para cima, mas não muito longe, boca inclinada e olhos abertos. Seus olhos eram a única coisa que ele não conseguia manter quieto, no entanto. Ela tentava não incendiar nas bochechas tudo o que ela pegava o olhar dele nela.
Amanda esboçou rápido, optando por chocar em vez de renderizar, grandes linhas para dar a ilusão de uma profundidade que não estava realmente lá. Ela adoraria fazer uma renderização completa, talvez até um retrato colorido, mas ele estava começando a parecer um pouco estranho.
Ela colocou o livro no chão para enfrentá-lo e o empurrou em sua visão suavemente. Ele se virou. Ele parecia bonito assim, rosto dobrado, cabelo caindo em seus olhos. Depois de um momento, ele começou a vasculhar os bolsos da jaqueta. Tirou uma caixa, um isqueiro, um par de luvas. Finalmente, ele colocou uma nota de cinco dólares no chão perto de suas pernas cruzadas.
"Para você. Pelo desenho." Ele disse, sorrindo para seu olhar curioso.
"Ah, eu não posso aceitar isso. E eu gostaria de ficar com esse, se estiver tudo bem."
O menino pensou um pouco. "Tudo bem, pode ficar. E o dinheiro também para aquele que você me deu outro dia."
Ela mordeu um sorriso. "Eu não posso pegar seu dinheiro, Michael."
"Eu não posso continuar tendo você me desenhando de graça. É um serviço tão valioso quanto qualquer outra coisa."
Ela pegou a nota de dólar, esfregando o polegar contra as gravuras pensativamente. "Dificilmente é um serviço."
"Um talento, então. Uma habilidade. Você é muito boa."
Seu pescoço quase estalou, quando Amanda olhou para seu rosto, querendo avaliar sua expressão pela genuinidade. Michael parecia sério e gentil. Ela piscou o calor acumulado atrás dos olhos.
"Obrigada."
Ele acenou com a mão para ela. "Imagine."
Ela limpou a garganta. "Sério. Você tem me feito um favor. Não sou boa em desenhar coisas que se movem."
"Tenho certeza de que você é melhor do que pensa."
Ela balançou a cabeça, sorrindo. "O que está na caixa?"
"Ah, essa coisa velha?"
Michael pesou a caixa em suas mãos. Era suave nos cantos, como uma simples caixa de joias que ela tinha em sua vaidade. Ele ofereceu-lhe e ela abriu-o cuidadosamente, a tampa deslizando livre com um som sibilante. Dentro havia um botão solto, uma prancha e uma pétala de flor seca.
Parecia uma coisa muito particular de se ver, de repente. Uma coleção tão eclética de itens não poderia ser aleatória.
"Esse é um botão do vestido da minha mãe. Ela usava muito quando estava me amamentando e, aparentemente, eu rasguei uma vez. O fingerboard foi meu primeiro skate, meu pai voltou do trabalho com ele um dia e eu fiquei viciado. E a flor era de um amigo que se mudou." Ele parecia nervoso.
"É uma caixa de memória."
"Eu... Sim. Pois é. As coisas às vezes são tão miseráveis agora. Assustador, até. Olho para eles quando sinto que nunca vai acabar."
Amanda os acolheu por mais algum tempo e depois colocou a tampa na caixa com os dedos ágeis.
Ela arranhou a tampa com uma unha. "É bom. Você está certo. As coisas estão tão horríveis agora, é bom ter lembretes de por que continuamos."
