Capítulo 37 - Apoio
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- Pronto – disse Mikoto, terminando de ajustar o meu pé machucado para cima de alguns travesseiros, deixando-o suspenso. - Assim está melhor?
Sorri comprimido e assenti com a cabeça enquanto me acomodava com as costas na cabeceira com outros travesseiros de apoio.
- Sim, obrigada.
Era incrível aquela sensação maternal que eu sentia de minha madrasta enquanto ela cuidava de mim, naquele momento eu notava o quanto sentia falta de um colinho de mãe. Meu pai sempre fez o possível e o impossível para ocupar os dois papéis, mas não era a mesma coisa. Mikoto me tratava como uma filha e eu gostava de saber que eu tinha alguém que cuidava de mim, como ela fazia naquele momento.
Já fazia cinco dias que estava com aquele pé ruim, e a melhora era quase nula. O médico havia dito que a recuperação era muito lenta e que hipótese nenhuma eu deveria fazer qualquer tipo de movimento brusco que pudesse expor a minha lesão que havia sido grave. Não estava sendo fácil para mim, os dias pareciam passar lentamente, a dor aliviava por algumas horas quando estava no efeito dos antibióticos e desinflamatórios. Dormir era uma batalha todas as noites, me locomover para outros cômodos era pior, não conseguia fazer sozinha sem a ajuda de alguém. Eu não sabia o que era pior, a sensação de me sentir uma invalida - sendo um estorvo para todos - ou saber que meus sonhos haviam escorrido pelo ralo.
Dançar ballet sempre foi a minha paixão, meu sono era me tornar uma bailarina profissional e dançar nos palcos famosos, mostrando a todos o quando eu era boa no que fazia. Mas agora... agora esse sonho havia se tornado impossível. Só de imaginar que todos os meus planos de carreira deram errados, eu tinha vontade de chorar. Por isso eu evitava pensar sobre isso, Mikoto mal tocava no assunto, pois sabia o quanto estava sensível sobre a respeito. E era por isso que ela escolhia bem as palavras quando me dizia que iria sair por algumas horas, pedir uns dias de folga para poder cuidar de mim, esses dias que eram muito importantes para minha recuperação. Sabia que ela estava interrompendo o seu trabalho por minha causa, mas eu não podia pedir que não fizesse isso, pois eu precisava.
- Olha, eu vou sair agora. Acho que daqui a pouco Sasuke está chegando.
Assenti com a cabeça, concordado e me ajeitando mais confortável na minha cama e agarrando um livro que lia arrastadamente por algumas semanas que havia decidido conclui-lo nesse tempo que estaria de molho.
- Ok.
- O almoço está pronto... tem certeza que não quer comer agora?
- Estou sem fome, mas tarde eu como alguma coisa.
- Não fiquei sem comer.
- Prometo que não – sorri forçado.
- Então quando o Sasuke chegar, peça para ele colocar o seu almoço então.
- Tudo bem.
Ela ficou parada no portal do meu quarto, fitando-me ainda preocupada.
- Juro que não vou demorar. Preciso repassar para a minha colega os meus horários de aulas. Eu vou ser rápida.
- Não se preocupe comigo, Mikoto. Pode ir tranquila resolver seus assuntos. Eu vou ficar bem – ela pareceu não acreditar. Segurei meu celular para cima. – Qualquer coisa eu te ligo.
- Tudo bem – ela suspirou dando por vencida. – Eu estou indo, até mais.
- Até.
Mikoto saiu, deixando a porta do meu quarto escorada. Abri o livro na página marcada e tentei me concentrar na leitura, mas minha mente estava tão cheia de coisas que foi difícil.
Suspirei pesadamente e voltei para a leitura, e depois de muito custo consegui focar minha atenção e mergulhar no universo da literatura. Não sabia quanto tempo havia passado, só notei quando ouvi o barulho da porta se abrindo lá embaixo. Sasuke deveria ter chegado. Voltei a me concentrar na leitura ao mesmo tempo que captava ruídos de passos na escada e não demorou para que um toque na madeira ao mesmo tempo que a cabeça de Sasuke passava por ela entreaberta.
- Ei.
- Ah, oi – sorri, fechando o livro com meu dedo, marcando a página. – Você chegou.
Sasuke abriu mais a porta adentrando um passo para dentro.
- Está tudo bem aí?
Assenti com a cabeça, observando seu perfil de pé, os cabelos bagunçados, a camisa da escola estava com todos os botões aberto, deixando à mostra a camiseta que sempre vestia por baixo. E apesar de seu jeito desleixado e bagunçado como estava naquele momento, eu não deixava de notar o quanto o meu namorado era muito gato. Meu coração deu uma leve acelerada, isso sempre acontece quando ele estava por perto e eu agradecia muito por tê-lo ao meu lado, mesmo apesar desses últimos dias ter aturado a minha chatice de lamúrias.
- A minha mãe já saiu? – Ele voltou a perguntar, ainda continuava na porta.
- Sim, não tem muito tempo... Ah! Ela deixou o almoço pronto.
Ele apenas assentiu com a cabeça e olhou o corredor por um instante antes de voltar sua atenção para mim.
- Trouxe visitas.
Pisquei algumas vezes, processando o que ele acabara de dizer quando duas cabeleiras loiras apareceu no meu campo de visão.
- Naruto? I-Ino?
Era nítido a surpresa em meu rosto por ver aqueles dois ali, principalmente Ino. Havia um tempo que nós duas estávamos afastadas e vê-la ali adentrar o meu quarto meio acanhada havia sido a maior das surpresas, fazendo meu coração acelerar. Naruto também não ficava atrás, sabia o quanto Sasuke morria de ciúmes dele e vê-lo ali - sabendo que foi o meu próprio namorado que havia o trazido - era uma coisa bem surreal.
Fitei Sasuke por uns segundos, ele dava passagem para os dois entrarem e a voz de Naruto soou primeiro:
- Oi, Sakura – e aproximou mais, um pequeno sorriso preocupado -, soubemos do seu acidente e viemos fazer uma visita a você.
- Ah... obrigada, Naruto...
Eu não sabia o que pensar, aquelas visitas eram uma surpresa para mim. Meus olhos desviaram para Ino que estava um pouco mais atrás, e sorriu timidamente para mim.
- Oi.
- Oi – respondi retribuindo o mesmo sorriso tímido, começando a sentir meus olhos ameaçarem a lacrimejar. As lembranças de um passado distante vieram como um djavú.
Ino era a minha melhor amiga, a minha confidente, e de todos esses anos de amizade essa era a segunda vez que ficamos sem nos se falar. A primeira vez foi por causa de algo bobo que se resolveria na mesma hora se uma de nós tivesse dado o braço a torcer primeiro. E como isso não aconteceu fez essa briga se estender por duas tortuosas semanas, cada uma sofrendo calada com seu orgulho infantil. No final eu acabei dando o primeiro passo e fizemos as pazes, prometendo nunca mais ficarmos com raiva uma da outra.
Mas dessa vez havia sido diferente.
Eu havia pisado na bola, duvidei da confiança de Ino quando resolvi não contar o meu maior segredo, deixando em aberto para que terceiros fizesse a caveira. Eu tinha sido a culpada, e entendo por ela ter ficado chateada comigo. E vendo-a agora, sua presença ali, havia tirado aquele peso no meu coração. E eu tinha tantas coisas para conversar com a Ino...
Eu precisava desesperadamente da minha melhor amiga.
- Quando Sasuke me contou que você havia torcido o pé nas vésperas da sua apresentação nem acreditei. – Começou Naruto. – Estava achando estranho não encontrar você nas aulas.
- Foi uma entorse grau 3.
- Isso é muito... grave? – Ino perguntou, senti que media palavras.
Mordi meu lábio e balancei minha cabeça para cima e para baixo, agora sentindo meus olhos lacrimejarem. Era difícil para mim saber que todo o meu futuro estava arruinado.
- Dois ligamentos do tecido resistente foram rasgados – e funguei a coriza, limpando algumas lágrimas que escapavam. – Eu... eu passei por uma cirurgia de emergência na quarta-feira e agora vou ficar um bom tempo de molho com essa bota desconfortável.
E automaticamente os dois olharam para a bota presa no meu pé.
- Caraca, Sakura, que barra. – Naruto coçou o braço, levemente afetado com os meus relatos.
Desviei meus olhos para a porta, mas Sasuke não estava mais lá.
- Eu... – a voz de Ino trouxe minha atenção para si. Ela avançou um passo. – Eu não sei o que dizer... sinto muito por isso.
- Mas você é forte, vai ficar boa logo. E daqui a um tempo vai poder voltar para o ballet. – Naruto completou, me enviando ondas de positividade e apoio.
Minha boca tremeu, estava difícil segurar aquelas lágrimas. Neguei com a cabeça, fechando os olhos com força.
- Não vou mais poder dançar ballet... nunca mais.
E o silêncio se fez presente entre nós.
Eu não consegui mais segurar as lágrimas e chorei, tapando meu rosto com as mãos. Por mais que eu quisesse parecer forte e não querer preocupar ninguém, eu não conseguia, estava sendo mais forte do que eu. O ballet era tudo para mim. E agora... o que eu iria fazer do meu futuro? O que iria ser de mim sem uma profissão? Sem um sonho? Tudo estava arruinado.
Senti a ponta do colchão afundando e um par de braços me rodeando, o perfume doce de Ino invadiu minhas narinas.
- Amiga, eu sinto muito, muito, muito – ela dizia baixinho, próximo ao meu ouvido, me abraçando apertado. – Eu sei o quanto você batalhou por isso e é difícil vê-la desse jeito. Mas eu também sei o quanto você é forte. Você vai superar tudo isso. Para tudo nessa vida tem um jeito.
- A Ino tem razão, Sakura – a voz preocupada de Naruto soou, sentia sua mão em meu ombro. – Você é muito forte, e isso é apenas uma fase ruim. E você vai conseguir superar.
- Eu... eu não... – minha voz saía entrecortada por causa do choro – sou fo-forte... assim.
- Você é sim. – Ino se afastou para poder segurar meu rosto com as duas mãos, me fazendo fitá-la embaçada pelas lágrimas. – A garota mais forte que eu conheço. Pense nas coisas que você já passou e que superou todas elas.
- Mas a-agora é diferente... é o meu sonho.
- E quem disse que você não vai poder realizá-lo? – E sorriu esperançosa.
- A minha contusão é muito séria – engolia a seco, fungando novamente a coriza e secando meus olhos com as costas das mãos. – É bem provável que eu fique com sequelas. – Balancei minha cabeça para os lados. - Não vou ter firmeza no meu pé.
- Você disse provável – começou Naruto, atraindo a minha atenção. – Isso não é cem por cento de certeza. Talvez você não tenha sequelas no final. Apenas terá que ter paciência e seguir direito todo o tratamento.
- Viu só? – Ino olhou para mim, agora sorrindo confiante. - O Naruto tem razão. Você está sofrendo por antecipação. O médico disse que você nunca vai poder dançar?
- Não..., mas eu li sobre essas contusões na internet e eu vi o quanto elas podem acabar de vez com qualquer pessoa que dança.
Ino franziu a boca e fitou Naruto por uns instantes antes de voltar os olhos em mim.
- Agora está explicado. Amiga, nem tudo que está na internet é certo. Você não precisa levar isso ao pé da letra. O seu médico não te deu nenhum diagnostico de sequelas. Você apenas tem as dúvidas. – E tocou meu ombro. - Olha, não vou mentir para você, tem chances de você ficar com as sequelas sim, mas também tem chances de ficar sem elas. Apenas tem que pensar positivo que tudo vai dar certo.
- Boa, Ino – Naruto sorriu para mim. - Ela está completamente certa. Você vai ficar boa, Sakura, eu tenho fé e você vai voltar a dançar o seu ballet.
Suspirei, as dúvidas eram grandes. Queria acreditar neles, juro que queria, mas só eu sabia que a verdade estava estampada na minha cara.
- Mas... e se eu...
- Não diga isso – Ino me interrompeu. – Você vai ficar boa e ponto final.
Desta vez eu tive que sorrir, um sorriso murcho. Estava tocada profundamente com a onda de positividade que eu recebia daqueles dois. E eu agradecia no fundo do meu coração por ter pessoas boas na minha vida. Eu os amava muito.
- Obrigada, gente. – E inspirei e suspirei profundamente, tentando a todo custo me animar. A última coisa que queria era ver a cara de decepção deles por não ter conseguido me tirar do meu buraco de depressão. - Eu vou tentar não pensar no pior.
- É assim que se fala. – Naruto abriu um sorrisão daqueles que iluminava uma marquise inteira e que fazia meu coração ficar quentinho.
- Ei – a voz de Sasuke soou, ele estava novamente no portal do meu quarto, havia trocado de roupas. – Vocês querem almoçar?
Nós três nos entreolhamos antes de cada um dar a sua resposta:
- Cara, eu comi um X-burguer quando te esperava na estação – e passou a mão em sua barriga. - Ainda estou saciado.
- Acho que vou passar – disse Ino. - Meu estômago não está muito bom.
E os olhos de Sasuke pousaram em mim.
- Estou sem fome.
- Me passaram ordens para não deixar você ficar sem comer.
- Depois eu como... – e seus olhos apertaram - juro que estou sem fome. Daqui a uma meia hora, tudo bem?
Sasuke suspirou se dando por vencido e fitou Naruto.
- Aí Uzumaki, quer jogar FIFA 22?
- Tá brincando que você tem o Fifa22?
- Chega aí.
Sasuke o chamou com a cabeça, saindo do nosso campo de visão.
- Acho que vou deixar vocês a sós, meninas – e piscou para a gente enquanto ia atrás de Sasuke que nem um cachorrinho abanando o rabo.
Eu e Ino nos entreolhamos e reviramos os olhos.
- Garotos – dissemos ao mesmo tempo e depois sorrimos uma para outra.
Ino tomou a dianteira e me abraçou novamente.
- Me desculpe, Sakura. Me desculpe não poder está com você quando mais precisou.
- Eu também peço desculpas, Ino – disse enquanto retribuía seu abraço, sentindo novamente as lágrimas embaçarem a minha visão. – Você é minha melhor amiga, e eu devia ter confiado em você, mas eu tive medo.
Ino se afastou de mim para me olhar, seu nariz vermelho indicava que ela estava prendendo as lágrimas.
- Sakura, você a minha irmã. O que se conversa entre a gente, morre entre a gente. Você sabe disso. Eu fiquei mesmo chateada por não ter confiado em mim, mas eu deveria ter escutado a sua explicação. Eu fui egoísta.
- Eu juro que queria te contar sobre o Sasuke, mas fiquei com medo da sua reação. Você tinha uma opinião própria sobre ele... e eu estava tão confusa.
Ino se ajeitou mais na cama, e me olhava atentamente.
- Amiga, se eu tinha uma opinião formada do Sasuke antes, agora eu tenho outra formada, depois de ele ter me abordado mais cedo do colégio e dito certas coisas para mim.
Minhas sobrancelhas ergueram-se para cima, surpresas.
- O que ele disse para você?
- Apenas a verdade e o que eu merecia ouvir. Eu fui uma péssima amiga com você – e abaixou a cabeça -, me desculpe.
- Ino – e segurei a sua mão –, você não é uma péssima amiga. Eu pisei na bola, me desculpe também. Odeio ficar brigada com você.
- Eu também – e sorriu cansada. – Mas me conta tudo, como você e o Sasuke acabaram juntos? Pelo que eu saiba, você era apaixonada pelo Naruto.
- É uma longa história – suspirei cansada, e comecei a relatar os fatos: – As coisas foram acontecendo, acho que a convivência do dia a dia também contribuiu, e quando menos esperei eu me via aos beijos com ele e... Ino, eu estou completamente apaixonada pelo Sasuke.
Ela reprimiu um sorriso.
- Eu estou vendo. Ele também é apaixonado por você. É notável o jeito que ele te olha, e a forma como ele te defendeu e cuida de você. Mas, e os seus pais?
- Eles não sabem... e isso está me matando. – Umedeci meus lábios. - Pois meu pai e a Mikoto estão tão felizes, eles pensam que nós estamos nos dando bem como irmãos de verdade.
- Dando uns amassos, não é? – E sorriu maliciosa.
- Ino! - Senti meu rosto ficando quente.
- Ah, Sakura, vai me dizer que vocês não ficam de amassos pela casa?
- Ficamos – murmurei, ouvindo Ino rir. – Muitas vezes.
- Ahá! – E apontou para mim, sorrindo, me arrancando pequenas risadas. – Eu sabia sua safada. E aí, me conta? Ele tem pegada?
Comprimi meus lábios, sabia que meu rosto estava um tomate de vermelho agora, ainda mais quando as lembranças da gente se pegando pelos cantos vinha em minha mente.
- Você está vermelha! – Ino aproximou seu rosto para enxergar melhor. – Sakura...
- Ai, Ino, me deixa.
Ino riu mais um pouco, me deixando mais constrangida. E ali, naquele momento, eu percebi o quanto eu sentia falta da sua cara de pau.
- Quando a Hinata me contou que você estava de rolo com o Sasuke e afim do Naruto eu não acreditei. – Todo o meu sistema entrou em alerta com a menção de Hinata, eu tinha coisas para esclarecer com a Ino. Ela continuou: - Fiquei chocada e até discuti com ela sobre isso, mas a Hinata me mostrou fotos sua e de Sasuke na praia aos beijos e de você e Naruto no shopping. Não soube o que pensar...
Era a minha chance de deixar tudo em pratos limpos. Ino precisava saber a cobra que tínhamos na nossa roda de amizade.
- Ino, a Hinata é uma cobra. – E suas sobrancelhas franziram. - Ela quis fazer intriga entre a gente. Ela gosta do Naruto.
- O quê? – Sua voz saiu um pouco alta que o normal, a surpresa estampada em seu rosto. - A Hinata gosta do Naruto? Impossível! Ela sempre disse o quanto ele era uma mala sem alça.
- É tudo fingimento. A Hinata é apaixonada por ele desde sempre. Olha, você se lembra daquele dia da declaração fajuta que fiz para o Naruto e acabou que me declarei para o Sasuke?
- Sim.
- Aquela foi uma armação dela. O Naruto não estava no vestiário e sim o Sasuke.
- Isso não pode ser verdade, ela deu a palavra.
- Ela mentiu. – Declarei, observando o choque no rosto de Ino. - Ela mesmo disse na minha cara algumas semanas atrás. Ela percebeu que o Sasuke tinha um interesse em mim e tentou armar para a gente ficar juntos e deixar o caminho livre para ela ficar com o Naruto.
Ino levou as mãos na boca, os olhos bem abertos.
- Minha nossa! – E seu cenho franziu em seguida, abaixando as mãos. - Por que ela não foi honesta e disse que também gostava do Naruto?
- Foi isso que perguntei a ela. Eu juro Ino, se ela tivesse me dito desde o começo que gostava do Naruto, eu nunca tinha alimentado aquele sentimento. Eu teria a respeitado.
- Eu estou chocada.
- Ela me odeia. A Hinata jogou na minha cara que eu a ofuscava e que a reprimia... – Suspirei balançando a cabeça para os lados. – Ela me disse um monte de coisas... e que iria me separar de você. Ameaçou contar para todos que eu e Sasuke temos algo se eu não me afastasse do Naruto.
- Eu não posso acreditar. Que vaca. – Era notório a raiva estampada no rosto de Ino. - Bem que estava achando estranho o jeito amargurado e sonso que estava falando de você. Ela sabia que eu estava chateada contigo e mesmo assim tocava sempre na ferida todo o santo dia, me fazendo ver por outros olhos e ficar com mais raiva de você. Ai que raiva daquela garota.
- Ela queria ver a gente separadas. Queria apenas você como amizade e me descartar por completo
- E tudo isso por um garoto? – Sua voz era irônica e ao mesmo tempo incrédula
Assenti com a cabeça.
- Amanhã eu vou ter uma conversa bem séria com a Hinata. Se ela acha mesmo que vou cair na dela, ela está muito enganada. Cara, eu te conheço a mais tempo que ela, se eu for ter que escolher, é bem óbvio que será você.
- Ainda bem, por que depois de tudo que ela fez para mim, eu não vou ter estômago para dividir o mesmo ambiente que ela.
- Eu não acredito que ela prefere acabar uma amizade por causa de um garoto. Um garoto!
- Para você ver.
- E o pior é que o Naruto está bem próximo de você. – E me fitou. – Depois de todos esses anos você conseguiu fazer com que o Naruto te enxergasse e... – Ela franziu o cenho. – Se você diz apaixonada pelo Sasuke, e o Naruto?
- Eu gosto do Naruto, Ino. Gosto muito, mas com o Sasuke é diferente. – Fui sincera nas minhas palavras. - É tudo tão intenso que às vezes fica difícil de respirar. Quando o Naruto me dispensou, eu confesso que fiquei triste, mas ao mesmo tempo me senti libertada. Era como se eu tivesse presa com correntes e ele havia jogado as chaves para mim. Naquela época eu já estava apaixonada pelo Sasuke, só que eu não queria admitir para mim mesma. Ino, eu não sei mais viver sem aquele garoto.
Ino piscou os olhos, atenta ao meu relato.
- Você está realmente apaixonada.
Fechei os olhos e assenti com a cabeça.
- E os boatos que rolam, isso não te afetam? – Ela quis saber, me fazendo abrir os olhos e enxergá-la.
- Os boatos são apenas boatos. Eu o conheço bem o suficiente para duvidar de tudo.
- Ele te falou algo a respeito?
- Não. E também não quero pressioná-lo, é assunto dele.
- Entendo. – Desviou os olhos para o lado, mordendo os lábios por alguns segundos. - Bom, confesso que achei fofo da parte dele avisar sobre o seu acidente – e me fitou -, apesar de ele ter sido rude comigo. Mas mesmo assim, achei fofo o jeito que ele te defende. – E em seguida segurou as minhas mãos. – Sakura, quero que saiba que você tem o meu apoio sobre esse relacionamento. Como sua melhor amiga, você pode contar comigo para tudo. E me esforçarei para conviver com o Sasuke. Mas confesso que tenho um certo medinho dele, você sabe que ele tem aquele porte todo de badboy com pinta de prisioneiro. Mas você o ama e eu respeito e vou conviver com isso.
Sorri, agradecia com seu apoio.
- Obrigada, Ino.
- Agora vamos mudar de assunto para uma mais caliente – e sorriu maliciosamente.
- Como assim?
- Vocês já... – e fez movimento com as mãos, circulando os dedos.
Senti meu rosto esquentar quando entendi o que ela quis dizer.
- Não! – E automaticamente fiquei a porta aberta, não havia ninguém. As vozes de Naruto e Sasuke sobressaiam no quarto ao lado em vários palavrões e vaias. – Mas...
- Mas...
- Quase. – E a fitei, seus olhos eram curiosos. – Uma vez.
- Uau – e sorriu e logo em seguida seu rosto ficou vermelho. – Eu e o Sai...
Senti meus olhos abrirem mais.
- Vocês fizeram?
Ino assentiu, suas bochechas ficando mais vermelhas. Senti que as minhas ficaram mais quentes também, mas a minha curiosidade falou mais alto para que fizesse a tal pergunta:
- E como foi?
- Foi uma experiência diferente. Mas foi bom, apesar de ser bem dolorido. O Sai foi um fofo o tempo todo.
Sorri.
- Fico feliz por você.
Ino sorriu também e mudou de assunto.
- Já percebeu? Nós duas temos namorados e podemos fazer programas de casais. O que você acha?
- Não é uma boa ideia.
- Como não? Você sabe que eu e o Sasuke temos que estreitar os laços para nos darmos bem, e esses programas serão perfeitos.
- Ino, ninguém sabe sobre a gente. Estamos andando numa corda bamba e qualquer deslize o estrago está feito. As consequências são grandes. Não quero acabar com o casamento do meu pai.
- Mas vocês não podem se esconder a vida toda, uma hora os seus pais vão ficar sabendo.
- Eu sei, mas vamos dar um jeito.
- Bom, pode contar comigo se precisar.
- Obrigada.
Ficamos mais alguns minutos conversando até quando Naruto apareceu dizendo que tinha que ir. Ino aproveitou o embalo e o seguiu. Os dois se despediram de mim com a promessa de Ino que viria no dia seguinte me ver.
Sasuke os levou até a porta e logo já estava adentrando o meu quarto.
- E aí.
- Oi – sorri, observando-o se aproximar, sentando na ponta do colchão. – Obrigada por trazê-los até aqui.
Um meio sorriso apareceu no canto de sua boca.
- Imaginei que fosse gostar da surpresa.
- Eu amei.
- Fez as pazes com sua amiga loira?
Assenti com a cabeça sentindo uma vontade enorme de beijá-lo.
- Ela disse que você falou umas verdades para ela.
- Só o suficiente para ela se situar. – Sua mão ergueu e colocou uma mecha do meu cabelo para detrás de minha orelha.
Balancei minha cabeça para os lados.
- Você é terrível.
Ele sorriu mais e aproximou seu rosto do meu.
- Eu sou incrível, Sakurinha.
E sua boca capturou a minha naquele beijo que fazia meu estômago dar cambalhotas e meu coração acelerar em várias batidas. Minhas mãos seguraram seus ombros enquanto aprofundávamos aquele beijo, a ansiedade tomando conta quando ele estava por perto e me dando mais certeza o quanto Sasuke era importante na minha vida.
E o som do ronco do meu estômago se fez presente, fazendo-o soltar uma pequena risada entre o nosso beijo.
- Uau, isso é o seu estômago ou é um rugido de um leão?
Dei um tapinha em seu braço e fiz biquinho.
- Idiota.
Sasuke soltou uma risada e me beijou mais uma vez antes de se levantar.
- Vou fazer o nosso prato, daqui a pouco eu volto.
- Sasuke.
Ele parou no portal, virou a cabeça para mim. Observei o seu perfil parado por um instante, meu coração acelerado, sabendo que eu iria a qualquer lugar se ele me levasse.
- Eu te amo.
Seus olhos abriram pouco surpreso com a minha declaração repentina, mas logo tomou as rédeas, curvando o canto esquerdo de sua boca.
- Também amo você, cabeçuda. - E piscou para mim antes de sair do meu campo de visão.
Apenas suspirei, me sentindo ainda mais apaixonada por aquele garoto.
