Não achei histórias o suficiente sobre eles, então tive que escrever a minha. Indicação de música para acompanhar o capítulo: Cruel Summer - Taylor Swift.

Capítulo III - Final

Ela estava com os sapatos nas mãos, por Deus, ela estava com os sapatos nas mãos! Penelope não sabia se deveria soltá-los ao chão ou continuar assim, então ela se abaixou cuidadosamente e deixou os sapatos em frente aos seus pés, sem calça-los.

- Perdoe-me senhor, eu tentei dizer a senhorita que ela não deveria entrar a essa hora.

- Está tudo bem, Edward, pode nos deixar sozinhos.

O mordomo saiu com um aceno e olhando de maneira desconfiada para Penelope. Ela lhe ofereceu o melhor sorriso de desculpas que poderia ter naquele momento.

- Você está bem? - Alfred pensou em diversas coisas para dizer, mas vendo a mulher sempre tão educada descalça à sua frente, ele sentiu um misto de emoções e precisava se certificar que ela estava bem.

- Sim. Sim, mi Lorde! - Penelope estava nervosa, onde estava aquela coragem que a levou até a porta?

- Nesse caso, a que devo essa visita inesperada? - Ele pensou em dizer imprópria, mas após vê-la parada daquela forma, com o cabelo selvagem, corada e ofegante a reação que teve em seu corpo era muito longe de adequada, então se sentia meio hipócrita ao citar o que era apropriado ou não para a ruiva.

- Eu… eu vim agradecer ao senhor.

Ele parecia surpreso ao ouvir isso. Pelo que exatamente ela estava agradecendo? Por ter retirado a intenção de desposá-la? Será que Colin Bridgerton havia proposto logo depois de terem conversado? Ele olhou por cima do ombro dela para se certificar que não havia nenhuma outra pessoa, além dela, na casa.

- Eu. Bem. - Penelope respirou fundo e continuou:

- Desde minha apresentação passei de baile em baile em um canto ou outro, apenas de telespectadora de outros acontecimentos mas nunca os vivenciando diretamente. É claro, tiveram alguns incidentes com Cressida ou uma dança ou outra com algum Bridgerton por consideração pela parte de Lady Violet, mas o que eu quero dizer… - ela deu um passo em direção ao homem e ele também fez o mesmo, por reflexo - É que antes do senhor eu nunca soube como os bailes poderiam ser divertidos, como era o sentimento de compartilhar uma limonada com um pretendente e muito menos como era a sensação ao girar pelo salão ao som de uma valsa, das mãos de um parceiro durante a dança, essas pequenas coisas que não sabia que sentia falta porque nunca havia experimentado antes.

- Eu entendo…

- Minha família é uma bagunça, minha mãe não sabe nada sobre sutileza e minhas irmãs são extremamente difíceis de lidar e mesmo assim o senhor me visitou e foi simpático com elas, conversou também com seus maridos e além disso teve o incidente do balão. E eu sinto que nunca lhe disse abertamente o quão grata eu era, na verdade, sou, por essas coisas.

- Lhe asseguro que não há a necessidade de agradecer, senhorita Featherington, então se já disse o que queria…

- Eu ainda não terminei, mi Lord. - ela deu alguns passos decididos até ele e a diferença de altura era tanta que ela precisava inclinar a cabeça para trás para poder encará-lo nos olhos corretamente.

- Eu sinto muitíssimo pelo que aconteceu no salão de baile hoje a noite, a forma como o senhor Bridgerton nos interrompeu e pela forma como o senhor possa ter se sentido com isso. Eu lhe asseguro, Lord Debling, nunca pensei em causar-lhe qualquer tipo de constrangimento ou dor de qualquer natureza. O senhor é um homem gentil, inteligente, amável e muito agradável aos olhos, qualquer debutante teria sorte de ter o senhor como pretendente e sinto muito se não o fiz sentir dessa forma. Eu sinto de todo o meu coração.

Alfred só conseguia olhar para essa mulher a sua frente e pensar que ela era o retrato da própria força da natureza, com esses olhos cristalinos, cabelo ruivo reluzindo sob as velas e pele de porcelana. Ele podia facilmente já ter bebido todo o uísque de seu escritório e estar alucinando.

- Senti que o mínimo que devia ao senhor era uma explicação sobre o que me questionou, pois bem: me sento de frente a janela para a casa dos Bridgertons porque lá eu via e vivenciava tudo o que não tinha em minha casa: Lady Violet é uma mulher amorosa e acolhedora como mãe, os irmãos se dão bem e se apoiam, os casamentos são vistos como símbolo de amor e parceira e não só mais uma tratativa comercial. Foi lá que descobri o que é amizade com Eloise Bridgerton e sim, também foi por um deles que tive minha primeira paixão. Me perguntou se eu gostaria que existisse algo além de amizade entre eu e Colin Bridgerton, se tivesse me feito essa pergunta no início da temporada eu responderia de todo o meu coração que sim, que esperava ansiosa por isso, mas quando ele estava na porta de minha carruagem depois do baile de hoje e me disse que tinha sentimentos por mim eu só conseguia pensar que queria que ele fosse você.

- Senhorita Featherington…

- Me perguntou quantos "alguéns" poderiam existir dentro de mim e acredito que até agora não tenho uma resposta certa sobre isso, mas sei de algo com total certeza: todos eles, todo o meu ser, nesse exato momento, quer o senhor, Lord Debling. - os olhos azuis do cavalheiro a sua frente se arregalaram e ela nem percebeu em que momento começou a segurar as lapelas de seu casaco. - E eu prefiro arriscar minha reputação e qualquer perspectiva de casamento a passar uma vida toda guardando esses sentimentos apenas para mim.

A mão direita de Alfred subiu para afagar a bochecha de Penelope com carinho, era assim que era ser amado? Assim que se sentia um casal em um casamento por amor? Então por que ele foi tão tolo ao afirmar que não sabia ao certo se havia espaço em seu coração para isso? Se não existisse espaço ele supôs que havia acabado de jogar tudo pelos ares para poder entregar seu coração inteiro à mulher a sua frente.

- Talvez eu tenha me excedido um pouco. - ela sorriu de uma forma nervosa enquanto o fitava e ele concordou, também sorrindo:

- Sim, talvez.

- Mas estou feliz por ter feito isso.

- Eu também. - então ele desceu sua boca sobre a dela e pôde afirmar que beijar Penelope Featherington era glorioso. Beijá-la era como provar uma nova iguaria em suas viagens: totalmente novo e nada parecido com algo que ele já teria imaginado, a forma como o corpo pequeno dela parecia se encaixar no seu, a sensação de seus lábios beijando-o com tanto fervor, esse emaranhado de emoções parecia dominá-lo.

E para Penelope, beijar Colin Bridgerton havia invocado uma sensação nova dentro dela, um sentimento calmo e quente, como um abraço. Mas beijar Lorde Debling foi como ser consumida por labaredas de desejo, isso dentro dela, ela nunca havia sentido antes. A forma como a boca dele parecia encorajá-la ao mesmo tempo que pedia por mais, a sensação de sua barba acariciando seu rosto, a colônia amadeirada dele inebriando seus sentidos e suas mãos, oh, suas mãos grandes e masculinas em seu corpo, uma enredada em seus cabelos, provocando-a e a outra em sua cintura, puxando-a para mais perto.

Ela entendia agora porque homens e mulheres que não estavam casados eram proibidos de ficar sozinhos sem um acompanhante, se ele a tivesse beijado dessa forma em sua sala de estar no dia que a visitou ela teria sido arruinada e faria isso sorrindo.

Eles então se separaram e Lord Debling encostou a testa na sua, respirando com dificuldade. Ela ficou olhando para o homem que ainda estava de olhos fechados por alguns instantes e ele apertou ainda mais os olhos enquanto fazia um movimento de negação com a cabeça. Ela havia se precipitado? Ele se arrependia de tê-la beijado?

- Lord Debling… - sua voz era baixa enquanto o chamava.

- Não. - ela sentiu um peso em seu estômago, mas então os olhos dele se abriram e ele sorriu para ela. - Não pode me chamar mais assim. Alfred, meu nome é esse, por favor diga, quero ouvir de seus lábios.

- Alfred… - ela disse timidamente e ele segurou firmemente sua cabeça enquanto lhe depositava um beijo carinhoso na testa. Sua mente fantasiou ouvir o mesmo som com ela esparramada em seus lençóis.

- Bem melhor, minha querida. Minha doce Penelope.

Penelope corou ao ouvir o homem chamá-la por seu nome de batismo, isso era diferente de ouvir Eloise ou ainda sua mãe, parecia íntimo, como uma carícia, parecia certo. Ela imaginou que poderia eternizar aquele momento, abraçada ao homem à sua frente e com o cheiro de sua colônia sobre ela.

Então o relógio marcou meia noite e ela se lembrou que o cocheiro e sua carruagem ainda estavam do lado de fora da propriedade, sua mãe já deveria ter ido embora do baile e ela ainda não havia chegado em casa. Então ela se afastou do loiro.

- Eu deveria ir, minha mãe ficará preocupada se não me encontrar em casa.

Ele passou a mão ajustando um pouco seu cabelo e sorriu calorosamente para ela. A mão em sua cintura não a soltou completamente, apenas permitiu que ela colocasse um espaço entre os dois semelhante ao da pista de dança.

- Tenho algo para você.

E a mão que acariciava seus cabelos foi até o bolso do casaco e pegou uma pequena caixa, ele a soltou para abrir corretamente o objeto e dentro dele estava o anel mais bonito que ela já tinha visto: dourado, todo cravejado e com uma pedra de esmeralda em seu centro.

- O que é isso, meu senhor? - ela perguntou atônita e ele sorriu para ela antes de responder.

- Ora, não achou que poderia vir até minha casa, arruinar minha reputação e sair daqui sem um anel de compromisso em seu dedo, não é, senhorita ? - ela corou diante da observação.

- Eu suponho que… bem…

- Estou brincando, mas não quanto ao compromisso. Eu fui sincero com a senhorita quando disse que não sabia ao certo se poderia existir amor entre nós dois mais cedo, assim como você não fui criado em uma família com perspectivas de um casamento baseado em sentimentos, mas sim na praticidade. - ele estava nervoso e vê-la morder o lábio inferior não estava ajudando em nada manter a cabeça no lugar. - Mas a senhorita, senhorita Featherington, me surpreendeu mais uma vez e temo que mesmo sem saber reconhecer esses sentimentos em meu interior todo o meu ser já está tomado pela sua presença, eu não poderia deixá-la ir novamente se esse fosse o caso, sinto que preciso tê-la em minha vida, em meus braços e, correndo o risco de ser um imitador de seus livros de romance: em meu coração. Por favor, Penelope, case comigo?

Ela o fitava com os olhos marejados, nunca havia sido tão querida por alguém. Ela havia feito o certo, não havia dúvidas, era esse homem a sua frente que estava destinado a ser seu marido.

- É claro, Alfred! Nada me faria mais feliz.

Ele então deslizou o anel em seu dedo anelar e depositou um beijo nos nós de seus dedos após a ação. Ela parecia radiante, com um sorriso brilhante e olhos azuis alegres e amorosos fitando-o, ela era perfeita, era assim que a noite deveria ter terminado no baile de hoje. Mas agora isso não importava, ele não poderia reclamar de mais nada, não quando já tinha tudo o que queria e precisava: sua Lady Debling em seus braços.