Coração de fogo – capitulo 1: prólogo

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Suas pernas já se encontravam tremendo devido a longa caminhada que teve que fazer, ela ainda se encontrava na floresta, mas a trilha que seguia a levaria para uma das mais bonitas vistas. Seguindo pela trilha de terra clara, subindo a colina, ela parou para apreciar o vasto Reino Clover, um reino construído no alto de uma montanha média. Ela sorriu abertamente, não só pela vista, mas por estar perto de reencontrar duas pessoas importantes para ela.

Eveline era órfã também, porém, ela possuía uma família ainda, mas há muitos anos decidiu ir embora daquele lugar, e ela jurou nunca mais colocar os pés no reino, por isso acabou se isolando em pequenas vilas, até se estabelecer em Hage. Ela chegou dois dias antes de Asta e Yuno serem deixados no orfanato, lugar onde ela morou por um tempo.

O único motivo que a estava levando de volta a aquele lugar, era porque precisava de mais mantimentos. Mesmo sendo uma maga de cura, ela ainda precisava de gases e faixas e estava em falta em Hage, devido a batalha contra os elfos. Mas já havia se passado alguns meses. Além disso, ela queria aproveitar e ver os garotos, em sua bolsa possuía cartas de todos do orfanato.

Sua ida até a Capital seria rápida, veria os meninos e compraria o necessário e depois retornaria para casa. Ela já fizera isso antes, poderia fazer de novo.

E assim, reunindo folego, ela rumou para a cidade.

[***]

A cidade estava movimentada, assim como o esperado para uma capital. Porém, toda aquela agitação não foi capaz de abafar a voz estridente de Asta, que gritava no meio da multidão e acenava para ela. Eveline sorriu e acenou volta, vendo que Yuno estava ao lado dele.

- Eve-one-san! – gritou Asta.

- Pare de gritar, está todo mundo olhando – disse Yuno, um tanto sério, mas a seriedade se desfez quando Eveline se aproximou – Eve!

Rapidamente ela pulou em cima deles, os abraçando ao mesmo tempo.

- Ah, meninos! Como eu senti tanta saudade! – exclamou, logo se afastou vendo com orgulho os uniformes dos esquadrões aos quais eles pertenciam – Não me canso de ficar maravilhada com esses mantos, ficam tão bem em vocês – elogiou.

Asta sorriu abertamente, também demonstrando orgulho, enquanto que Yuno deu um sorriso discreto, mas estava tão orgulhoso de si mesmo quanto Asta. Ambos lutaram por aqueles mantos e ainda estão lutando para continuar os merecendo.

- Ficamos surpresos com sua carta, Eve-one-san – comentou Yuno – Aconteceu alguma coisa? Estão todos bem no orfanato? – questionou rapidamente e visivelmente preocupado.

- Se acalme, Yuno! Estão todos bem – sorriu – Eu ia vir a cidade de qualquer maneira, preciso comprar algumas coisas e aproveitei para trazer as cartas de todos. Só isso – falou, retirando as cartas e entregando para eles.

- Ah, que bom! Achei que tinha acontecido algo com minha amada irmã Lily – murmurou Asta, pegando as cartas.

-Você ainda tá nessa, Asta? – Eveline comentou.

- Ele não desiste – Yuno comentou, rindo – Do que precisa, Eve? Podemos acompanha-la.

- Por que não compramos o que eu preciso e então tomamos um café? Assim passamos um tempo juntos, o que acham? – sugeriu e os dois assentiram.

- Boa ideia, Eve-one-san – disse Asta – Eu já tô mesmo com fome – coçou a cabeça.

- Espero que tenha trago dinheiro, não vou pagar para você – Yuno comentou, os dois andando na frente.

Eveline riu diante da implicância um do outro, sentia falta daquilo. Rindo ela foi até os dois e ficando entre eles, segurando no braço de cada um.

- Ora, vamos meninos! Deixem disso, eu pago o café! – avisou e Asta exclamou choramingando, enquanto que Yuno corou.

- Não devia gastar seu dinheiro conosco, Eve – comentou o moreno – Nós é quem devíamos...

- Por que não começam se preocupar mais com vocês ao invés dos outros? Vocês também merecem coisas melhores e gastar com algo pessoal, só para vocês – aconselhou, sorrindo.

Asta e Yuno fizeram o mesmo, ao assentir.

- Ótimo, então vamos as compras! – exclamou ela, puxando os garotos.

[***]

Comprar o que Eveline precisava não foi difícil, Yuno sabia onde ficava a melhor loja de suprimentos e rapidamente a mesma comprou o que necessitava. Depois foi até uma loja de tecido onde comprou uma capa nova, a sua já estava gasta e cheio de rasgados na barra, principalmente depois dos acontecimentos ao ataque em Hage. Ficaram passeando pela cidade até encontrarem uma cafeteria, Yuno insistiu em pagar a conta, menos para Asta, o que causou discórdia entre os dois. Mas no fim, Yuno pagou para os três.

A cafeteria era aconchegante e muito bonita, tons creme e verde claro a deixavam bela. Algumas mesas foram colocadas do lado de fora e foi em uma dessas mesas que os três se sentaram. Eveline pediu um chá de camomila, enquanto que Yuno um café expresso e Asta um café normal, os três pediram um pedaço da mesma torta de morango.

Conversavam casualmente, vez ou outra tendo a conversa mudada de foco pelas brigas de Asta e Yuno, o que apenas causava risadas de Eveline. Mas a tarde estava tranquila, até que uma risada ecoou ali próximo e todo o corpo de Eveline travou, a xicara que ela segurava e levava a boca parou no ar enquanto seus olhos se arregalaram. Yuno e Asta não notaram, pois estavam novamente implicando um ao outro por algo.

Eveline virou o rosto para a direção da dona da risada e ela quase caiu da cadeira. A rua em que estavam não era muito larga, ali possuía diversas lojas de tecido, objetos mágicos e cafeterias, era uma rua bastante movimentada. Do outro lado da ruela, havia uma loja de chapéus, e na porta estava uma dama trajando negro, fazendo os cabelos ruivo alaranjados se destacarem. Eveline sentiu a garganta se fechar e rapidamente cobriu a cabeça com o capuz da sua nova capa, tal ação chamou a atenção dos garotos, que ficaram sem entender.

- M-Meninos, me-melhor irmos andando – falou ela rapidamente, se levantando e saindo dali.

Por sorte Yuno já havia pagado pelo lanche deles, e rapidamente se levantaram também e foram atrás de Eveline.

Porém, Eveline foi mais rápida e acabou se afastando demais dos dois. Ela andou até outra rua onde estava mais calma, havia poucas lojas ali e o restante era restaurantes que naquele momento estavam fechados, pois abriam somente a noite. Ali ela ficou parada, tentando acalmar o coração. Nunca em toda sua vida, desde que havia ido embora, ela se encontrou com alguém de seu passado, e jamais esperou que fosse encontrar.

Ninguém de seu passado havia topado com ela, pois até onde ela sabia, eles moravam em uma propriedade longe da Capital e não era com frequência que vinham até a mesma. Mas não esperava ser pega de surpresa.

E falando em surpresa...

Eveline estava tão presa em seus próprios pensamentos que nem percebeu alguém se aproximar dela sorrateiramente, de repente sentiu braços a envolverem pela cintura. No início achou que fosse Asta, ele tinha mania de lhe abraçar de surpresa, mas ao sentir o aperto forte na cintura viu que não era ele, principalmente ao ser jogada no chão e sentir sua bolsa ser puxada. Mas ela agarrou na bolsa com toda a sua força, dificultando as coisas para o ladrão. Que ao não ver outra alternativa, pegou Eveline e a jogou nos ombros e saiu dali, flutuando.

O ladrão havia criado uma nuvem com sua magia e agora estava sobrevoando a cidade. Ela gritou de início, mas duvidava que alguém a ouviria ali de cima, apesar de algumas pessoas ficarem curiosas sobre a nuvem estranha.

- Me solta, seu patife! – exclamou Eveline, furiosa.

O rapaz apenas riu debochado para ela, e quando Eveline foi para exclamar alguma coisa, ela ouviu um rugido alto, a fazendo olhar na direção. Pelas costas do ladrão, ao longe vinha um enorme dragão de escamas alaranjadas e flamejantes, havia uma pessoa em cima do dragão, mas não conseguiu identificar quem era. Estava meio longe ainda. Logo depois, apareceu uma águia prateada e também havia alguém em cima.

- Mas que droga! – o homem ralhou.

Uma perseguição no ar começou e da mesma forma que começou rápido aquela confusão toda, acabou rápido. A nuvem em que o ladrão usava para sair voando por aí, de repente se dissipou fazendo os dois caíram do alto, porém, uma rajada de vento rodeou Eveline para evitar que ela caísse no chão e se machucasse. Enquanto que o ladrão deu de cara no telhado de uma das casas. Rapidamente ele foi preso por cordas feito de mercúrio e o dragão o olhava como se fosse o próximo lanche dele.

- Eve! – Yuno e Asta exclamaram juntos, indo até a mesma.

- Eve-one-san! Você tá bem, tá machucada?! – Asta exclamava, enquanto examinava a ruiva.

Do alto do telhado, os dois capitães observavam a cena. Estranharam por verem Asta e Yuno ali, ainda mais sozinhos, mas parecia mais preocupados com a moça que caiu do que com o ladrão de fato.

- Se não estivéssemos aqui, esse ladrão teria fugido – Nozel reclama, um tanto impaciente.

- Não os menospreze, eles já provaram ser bastante cuidados e responsáveis quanto a proteger esse reino – disse Fuegoleon – Vamos até lá – sugeriu.

Ainda mantendo o ladrão preso com a magia de mercúrio de Nozel, os dois capitães desceram e foram até os garotos, que ainda pareciam visivelmente preocupados com a moça.

- Capitão Fuegoleon, Capitão Nozel! – Asta exclama, fazendo Yuno tampar os ouvidos.

O menino disse mais alguma coisa, mas Eveline não prestou atenção. Ela estava mais preocupada em se esconder atrás de Yuno. Não só por não querer se aproximar deles por serem da realeza, mas por serem dois capitães, e ela sabia muito bem da fama de cada um deles. Principalmente a de Nozel, aqueles olhos gélidos e acusadores, causavam arrepios de medo nela.

- Quem é ela? – a voz grave do primogênito da família Silva ecoou, em meio ao falatório de Asta e Eveline engoliu em seco.

- Ah, essa é a nossa irmã mais velha – brincou Asta – Ela mora no orfanato também.

- Nós tiramos o dia de folga para poder passar o dia com ela – Yuno acrescentou educadamente.

Eveline sentiu o corpo tremer, mas não saiu de detrás de Yuno. Porém, cumprimentou os dois capitães com uma reverencia formal.

- P-Prazer em conhece-los pessoalmente, capitão Nozel-sama e capitão Fuegoleon-sama – disse gaguejando.

- Hehe, Eve-one-san é meio retraída com pessoas novas – Asta explicou.

Fuegoleon observou a garota atrás de Yuno. Ela era da mesma altura que o moreno, cabelos ondulados em um ruivo alaranjado intenso, mas ele não conseguiu ver a cor dos olhos, pois a mesma estava mirando o chão. Mas por um instante, ela ergueu o olhar e aquelas orbes lhe encararam e por um breve segundo o capitão dos Reis Leões Carmesim se perdeu naquela cor.

O entardecer pairava sobre eles naquele momento e pareceu intensificar a cor dos olhos dela, que possuía um dourado flamejante. Mas ela logo desviou o olhar, se escondendo de novo nas costas de Yuno.

- Que seja – proferiu Nozel, se muita paciência para qualquer história do passado daqueles garotos – Vamos indo Fuegoleon. Ainda temos que reportar esse ladrãozinho imprestável – ralhou ele, mirando o ladrão com tanta intensidade que era capaz de matá-lo ali mesmo.

- Nos vemos por aí, Asta, Yuno! – disse o Fuegoleon acenando para eles.

Ele deu apenas um aceno para Eveline, que acenou timidamente. E em seguida, subindo em Salamandra e na águia prateada, eles saíram dali levando o ladrão junto.

Assim que eles subiram aos céus, Eveline sentiu a tensão ir embora e ela conseguiu respirar com mais tranquilidade.

- Eve-one-san – Asta se virou para ela – Por que se escondeu?

Logo em seguida ele ganhou um tapa de Yuno na cabeça, que ganhou uma exclamação alta do menor.

- Se esqueceu? Eve não gosta dos nobres – proferiu o moreno e antes que Asta perguntasse o motivo, Yuno o cortou ao se virar para a ruiva – Vai ser perigoso voltar agora para Hage. Por que não passa a noite aqui? – sugeriu.

Eveline suspirou um pouco decepcionada, não queria passar mais tempo naquele lugar, não depois dos eventos daquele dia. No entanto, ela não poderia passar a noite ali, pois não tinha dinheiro o suficiente para pagar por um quarto de hotel, a Capital era cara quando se tratava de hotéis e certos restaurantes.

- Posso te levar para a base do Alvorecer Dourado – disse Yuno – Tenho certeza de que o capitão Vangeance não irá se importar – alegou.

Eveline ponderou, ela sempre quis conhecer o Alvorecer Dourado, mas sabia da fama daquele esquadrão também. Eles só aceitavam nobres, ela ainda achava uma surpresa e tanto que Yuno tenha sido aceito no mesmo. Será mesmo que o capitão de Yuno não se importaria? Pensou ela.

- Eve! Vem comigo, o capitão Yami vai adorar você! Além do mais os Touros Negros são bem divertidos! – Asta sugeriu.

- Eles são barulhentos! E estão sempre se metendo em encrenca – falou Yuno.

Em questão de minutos os dois começaram a discutir e a falar qual esquadrão era o melhor. Até Eveline os interromper.

- Meninos, já chega! – exclamou e depois ele suspirou – Agradeço Yuno, pela oferta, mas acho melhor eu ir com o Asta. Tudo que menos quero é ter que lidar com nobres agora e o Alvorecer Dourado está cheio deles – alegou.

Apesar de decepcionado, Yuno compreendeu os motivos dela. E em seguida, se virou para Asta todo sério.

- Melhor cuidar dela, Asta! Não me faça ir atrás de você! – disse.

- Pode ficar tranquilo, Yuno! Eve-one-san estará bem segura comigo – afirmou o garoto.

Yuno se despediu de Eveline e Asta e retornou para o Alvorecer Dourado, enquanto Asta liderou o caminho para a base dos Touros Negros.

[***]

Chegar até a base dos Touros Negros foi complicado, pois a base era mais afastada do que as demais. Um prédio estranho e em formato esquisito se mostrou a sua frente, cercado pela vasta floresta, luzes estavam acesas, mas o que mais assustou um pouco Eveline, foi a barulheira que vinha do lado de dentro. Mesmo estava a centímetros da porta dupla de madeira, era possível escutas vozes altas, barulho de algo caindo e em algum ponto do prédio, o vidro da janela se quebrou devido ao uso de magia.

Por um segundo, Eveline cogitou se não teria sido melhor ela ter ido para o Alvorecer Dourado.

- Vamos entrando, Eve-one-san! – falou Asta a puxando em direção a porta e sem dar tempo da ruiva se preparar para o impacto que era conhecer os Touros Negros.

Assim que a porta se abriu, Eveline gritou ao ver uma bola de fogo vir na direção deles, mas Asta foi mais rápido e bloqueou a mesma com a espada negra de anti-magia. Eveline grudou nos ombros de Asta, mesmo ele sendo menor que ela (o mesmo batia nos ombros dela).

- Oe, Asta! – um garoto com cara de delinquente exclamou, usava óculos escuro em mesmo tom que a mecha em seu cabelo, mas antes que ele pudesse falar mais alguma coisa, o olhar dele caiu em cima da ruiva – Quem é ela?! – exclamou.

No mesmo instante, todos que estavam presentes no hall do prédio se viraram para encarar Asta e a convidada misteriosa.

- Asta, você trouxe uma namorada! Finalmente vai virar um homem grande – disse uma garota usando roupas intimas, ela possuía cabelos rosas e parecia embriagada.

Asta entrou em pânico no mesmo instante assim como Eveline.

- Eve não é minha namorada! – alegou – Ela mora no orfanato comigo e com o Yuno, é como nossa irmã mais velha! – contou.

- Opa, se ela não está comprometida então acho que eu posso...

- Nem pensar, Finral-senpai! – Asta exclamou alto, ficando entre ele e a ruiva – Não vai chegar perto da Eve-one-san!

- Ora que bonitinho, todo protetor com a irmã dele - disse novamente a rosada, acariciando a cabeça de Asta, que corou – Bom, já que ela é irmã de Asta, então vamos faze-la se sentir em casa! Vem, vamos entrando, ninguém aqui morde – piscou ela sorrindo.

A rosada puxou Eveline sem dar tempo dela dizer nada, apenas a foi puxando para o sofá e lhe entregou uma garrafa de bebida. Logo os demais se aproximaram dela para se apresentar, o único problema é que fizeram isso ao mesmo tempo, deixando a ruiva toda zonza. Mas Eveline notou uma garota próxima a Asta, que conversava com ele e pelas características notou que ela era da família Silva. O que achou estranho, mas ignorou tal fato.

- Mas que barulheira toda é essa aqui?! – uma voz grave ecoou do outro lado do salão.

- Capitão Yami! – exclamaram todos juntos.

Eveline ficou surpresa e chocada com o capitão dos Touros Negros, pois o homem era enorme e musculoso, possuía cabelos negros rebeldes, uma barba rala e um olhar despreocupado e ameaçador ao mesmo tempo. Rapidamente se levantou do sofá e deixou a garrafa de bebida na mesinha onde jazia várias garrafas vazias.

- Capitão Yami, eu trouxe a Eve-one-san para passar a noite aqui! Peço permissão para ela ficar! – Asta falou, parando diante do moreno alto e musculoso.

Yami tragou o cigarro na boca e seu olhar alternou de Asta para a ruiva, por um breve segundo ficou ali a avaliando com aquele olhar enigmático. Para logo depois encarar Asta e soltar a fumaça para cima pela boca.

- Está bem – disse somente antes de das as costas e ir embora.

Asta sorriu e virou-se para a ruiva onde ergueu o polegar fazer um 'joinha' para ela, que sorriu.

Depois de longas horas conversando os demais membros dos Touros Negros, Eveline viu que eles eram pessoas boas e ficou contente por Asta ter achado um ótimo esquadrão. Após jantarem e conversarem, e rirem mais. Cada um foi se recolhendo para seu quarto. No entanto, não tinha quarto vago para Eveline, o que resultou ela tendo que dividir com Asta.

- Uh, cuidado, o quarto de Asta é bem bagunçado e provavelmente ele deve roncar alto – falou a garota da família Silva, que se apresentou como Noelle Silva.

O que ninguém sabia era que por dentro Noelle estava quase surtando. Desde que Asta entrara com ela, ela vem dando surtos internos.

"Quê? O Asta trouxe uma garota?! E por sinal muito bonita... Ahhhh! Mas o que tô falando, ela é mais velha que ele, não tem como darem certo juntos... Ai, ai, ai... Não, eu tenho que me calmar!"

"Ahhhhh! Como assim eles vão dividir o quarto?! Aaaahhhhh!"

A cabeça de Noelle era um furacão de questionamentos, perguntas e imaginação correndo solta, mas por fora se mantinha neutra. Se despediram ali mesmo no corredor e cada um foi para seus respectivos quartos.

O quarto de Asta era pequeno, mas para alguém como ele que teve que dividir o quarto com outras crianças, aquele era de bom tamanho. Havia uma cama de solteiro encostada na parede, do outro lado uma pequena mesa de madeira com uma cadeira e uma pequena cômoda para colocar as roupas e pertences pessoais. E por incrível que pudesse parecer, o quarto estava arrumado.

Apesar de viver no orfanato, Eveline possuía a própria casa. Uma cabana perto da floresta onde ela costuma atender seus pacientes, uma vez que sua magia é a magia de cura. Mas a presença dela era frequente no orfanato.

- Eve-one-san, pode ficar com a cama, eu durmo aqui no chão – alegou Asta, sorrindo.

- Ah, tem certeza?

- Tenho! – sorriu mais abertamente – Só preciso de umas mantas para deixar o chão "confortável" – disse indo atrás das mantas.

Enquanto Asta arrumava suas mantas no canto do quarto, Eveline deixou sua bolsa e seu grimorio em cima da mesinha e retirou as botas e a capa com capuz, e deitou-se na cama. Assim que deitou, sentiu o corpo agradecer por deitar, só então percebeu como o dia fora agitado demais para ela que tem costume de ter uma vida pacata e sem grandes emoções.

E rapidamente ela adormeceu, mas ela tinha certeza que antes de cair no sono, Asta falava algo com ela.

Eveline foi visitar os meninos (Yuno e Asta), mas o que era para ser uma tarde tranquila se tornou um pesadelo. Mas muitas perguntas ficaram no ar: quem era a mulher dona da risada que deixou Eveline com medo? E por que ela não gosta da nobreza?

Aos poucos iremos descobrir.

Espero que tenham gostado e até o próximo capitulo!

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