N/A: Olá a todos! Tenho que admitir que há muito tempo queria voltar a escrever no universo de Harry Potter. A Cassandra é uma personagem que aparece numa história que estou a escrever e sempre quis explorar mais a vida dela, então achei que faria sentido publicar e escrever primeiro sobre ela e depois sim, publicar a outra história. Espero que se apaixonem tanto pela Cassie como eu. Esta história vai focar-se bastante na sociedade bruxa, nos Sagrados 28 e, sem dúvida, no romance. Agradeço imenso por lerem, adoraria saber a vossa opinião nos comentários, isso iria incentivar-me a escrever mais. Espero que gostem. Com carinho, howlinghales.

Lorde Ignatius Yaxley era conhecido por muitos nomes. Para alguns, era simplesmente um aristocrata de sangue puro, rico e poderoso. Para outros, especialmente aqueles que tinham a infelicidade de cruzar o seu caminho, ele era um homem severo, de olhar implacável e coração gelado. Alto e imponente, com cabelos negros salpicados de fios prateados e olhos tão escuros quanto uma noite sem estrelas, Ignatius dominava a sala com a sua presença. Os seus modos rígidos e a postura austera inspiravam respeito e temor, mesmo entre os mais corajosos.

Ignatius passava a maior parte do tempo fora de sua mansão, cuidando de negócios misteriosos que apenas ele conhecia em detalhes. Os criados aprendiam rapidamente a manter-se fora de seu caminho, e até os vizinhos temiam a sua ira. Mas, naquela noite gelada de dezembro, quando a neve caía espessa e silenciosa, o destino trouxe algo que mudaria a vida na mansão Yaxley para sempre.

Uma figura encapuzada, curvada pelo peso dos anos e da tristeza, avançava lentamente pela neve que se acumulava no caminho de entrada. A mulher, visivelmente idosa, tremia com o frio cortante. Seus passos eram pesados e decididos, como se cada movimento fosse um esforço monumental. Envolta em camadas de lã, ela carregava nos braços um pequeno pacote, protegido do frio por uma manta puída.

A lua cheia iluminava a cena com uma luz prateada e fria, e o vento sussurrava segredos antigos enquanto a mulher se aproximava dos degraus de mármore da mansão. Com mãos trêmulas, ela depositou o pacote cuidadosamente no chão. Um pequeno rosto espiava por entre as dobras da manta, alheio ao destino incerto que o aguardava.

Junto ao bebé, a mulher colocou uma carta selada. Com um último olhar cheio de tristeza e determinação, ela beijou a testa da criança, murmurou uma prece e desapareceu na noite.

A manhã seguinte trouxe mais do que o habitual burburinho dos criados iniciando seu trabalho diário. O sol ainda lutava para romper o nevoeiro espesso quando uma jovem criada, ao abrir a porta principal, encontrou o pacote.

— Sagrado Merlim, uma criança! — gritou ela, correndo pelos corredores gelados da mansão, os olhos arregalados de surpresa e as mãos trêmulas de excitação.

Lorde Yaxley estava prestes a sair para uma caçada matinal quando ouviu os murmúrios crescentes que ecoavam pela casa.

Com passos longos e firmes, dirigiu-se ao hall de entrada, onde os criados se haviam reunido em torno do bebê.

— O que se passa aqui? — perguntou, a voz firme como aço, os olhos escuros vasculhando a cena.

Ao ver a criança e a carta, Ignatius franziu o cenho. Pegou a carta com dedos decididos e leu em silêncio. Seus olhos brilharam com uma emoção que ninguém conseguiu discernir antes de ele lançar a carta nas chamas da lareira próxima.

— Esta criança será minha pupila — declarou, a voz inabalável. — Ela é filha de um primo afastado que morreu na América. Tratem-na com o respeito devido a um membro da família Yaxley.

Os criados, conhecendo bem o seu lugar, acataram as ordens sem questionar, mas os sussurros persistiram.

Todos podiam ver as semelhanças — os olhos negros profundos, o nariz aristocrático, os cabelos castanhos escuros. Cassandra, como a criança foi nomeada, era a imagem do próprio Lorde Yaxley e da sua falecida mãe, que morrera seis anos antes.

Cassandra cresceu na mansão, rodeada por criados que, embora amáveis, mantinham uma certa distância. Educada por uma tutora até aos sete anos, Cassandra mostrou-se uma criança extraordinariamente inteligente e diligente. Aprendeu a ler, escrever e até latim com uma rapidez impressionante, sempre ansiando por uma palavra de aprovação do Lorde Yaxley, que via raramente e que a tratava com uma frieza distante.

Desde cedo, Cassandra percebera a verdade que todos sussurravam. Ignatius Yaxley era seu pai, embora ele nunca o admitisse. Ela esforçava-se para ser a melhor em tudo, na esperança de que, um dia, ele a reconhecesse. Mas, o reconhecimento que ela buscava nunca veio. Ignatius era uma presença distante, uma sombra que pairava sobre a sua vida com uma indiferença gelada.

Aos sete anos, a vida de Cassandra mudou novamente.

Ignatius, já com uma idade avançada, decidiu que precisava de um herdeiro legítimo para garantir a continuidade da fortuna e do nome Yaxley. E assim, ele casou-se com Evangeline Selwyn, uma mulher de beleza fria e ambições elevadas.

Evangeline Selwyn, alta e elegante, com cabelos loiros impecavelmente arranjados e olhos azuis que poderiam perfurar a alma, chegou à mansão Yaxley numa manhã fria de inverno. O Lorde Ignatius apresentou-a a toda a criadagem, os rostos ansiosos e curiosos iluminados pela luz das velas que tremeluzia no hall de entrada.

— Esta é a nova Senhora Yaxley — anunciou Ignatius, a voz firme ecoando pelas paredes de pedra. — E este, é claro, é Corban, nosso filho e , um menino de olhos azuis como os da mãe e cabelos loiros, estava aninhado nos braços de Evangeline.

Os criados curvaram-se em respeito, murmurando palavras de boas-vindas.

Por fim, Ignatius voltou-se para Cassandra, que aguardava pacientemente no fundo da sala, sentindo o peso dos olhares sobre si.

— E esta é Cassandra Snow, a filha de um primo distante que morreu na América — disse ele, a voz ainda mais fria e distante do que o habitual.

Evangeline olhou fixamente para Cassandra, os olhos azuis avaliando cada traço do seu rosto. Depois encarou o marido e novamente Cassandra. No fundo de seu olhar gélido, Cassandra viu um lampejo de reconhecimento e desprezo.

Afastou-se de Cassandra como se ela fosse uma parasita e, em seguida, disse que precisava de descansar, subindo escadas acima acompanhada das suas novas criadas.

Mais tarde, Ignatius ordenou que Cassandra mudasse para um quarto simples próximo à ala da criadagem, reservando a ala infantil para o seu herdeiro, Corban. O novo quarto de Cassandra era modesto, desprovido de luxos, com móveis antigos e uma lareira que raramente era acesa. Era um refúgio sombrio e solitário, muito diferente da majestade que emanava das outras partes da mansão.

A tutora de Cassandra cuidava dela naquela noite, ajudando-a a despir-se e preparar-se para dormir na cama. Enquanto a criada se preparava para sair, Evangeline apareceu na soleira da porta, interrompendo o momento tranquilo.

— Preciso de conversar a sós com a criança — disse Evangeline com frieza cortante, ignorando a presença da tutora

.A criada lançou um olhar preocupado para Cassandra antes de se retirar, fechando a porta atrás de si. Evangeline adiantou-se lentamente até Cassandra, os passos ecoando no silêncio do quarto.

— Cassandra Snow... — começou Evangeline, os olhos azuis brilhando com uma intensidade gélida. — Você é a vergonha desta casa. Um erro que meu marido cometeu, uma mancha de sangue impuro e lama que suja o legado dos Yaxley. — Nunca passarás de uma bastarda — continuou Evangeline, a voz baixa e carregada de desdém. — Enquanto eu for a Senhora desta casa, serás apenas isso. Nunca te esqueças disso.

Com estas palavras cruéis, Evangeline virou-se e saiu do quarto, deixando Cassandra sozinha com o coração apertado de dor e a mente turbilhonando com emoções noite, sob o manto escuro da mansão Yaxley, Cassandra Snow sentiu-se mais sozinha do que nunca. As palavras de Evangeline ecoaram em sua mente, uma profecia sombria do que seria a sua vida naquele lugar indiferente e hostil.

Mas, entre as sombras daquele quarto simples e desolado, um fio de determinação nasceu no coração de Cassandra. Ela prometeu a si mesma que um dia provaria seu valor, que encontraria seu lugar no mundo e quebraria as correntes que a prendiam à sua condição de bastarda.