Enfim... Depois de mais de UM ANO sem atualizar, estou de volta. E o motivo do meu sumiço se resume a uma coisa: Vida de adulto é uma droga. Muita coisa aconteceu comigo e que me fez querer desistir da minha fanfic muitas e muitas vezes sempre que eu pegava pra escrever, a ocultar foi uma delas, porque quando eu escrevia, saia apenas uma linha... Era frustrante e eu realmente quis abandonar essa fanfic... Porém, contudo, entretanto, todavia... Graças a minha amiga Athena92 , que me mandava mensagem QUASE TODOS OS DIAS me cobrando, eu não desisti e continuei firme. E depois de todo esse tempo, aqui está o capítulo novo. Sei que estão acostumados com capítulos de 10k de palavras e esse era o meu foco.
Mas cheguei num impasse e percebi que o capítulo deveria terminar assim e não da forma como planejei. Então, provavelmente o próximo será com menos de 10k também. Mas eu espero que essa demora tenha compensado e espero que ainda esteja comigo. Curtam o novo capítulo, nos vemos lá embaixo.


Capítulo 10 - A Missão do Conselho

Ao mesmo tempo em que ocorriam os acontecimentos no hall da guilda Fairy Tail.

Após subirem as escadas, Makarov e Yajima entraram no escritório do velho Mestre, que não parava de pensar nos motivos para o Conselheiro estar ali, mesmo sendo um grande amigo seu.

— Gostaria de beber alguma coisa? — Indaga o Mestre, pegando dois copos, colocando ambos os objetos cristalinos na mesa, cada um na frente da respectiva pessoa que irá usá-lo.

— O que você tem de mais forte.

Makarov assente, enquanto pegava a bebida e servia uma boa dose para cada.

— Eu sei que você prefere esse conhaque de Crocus que sempre bebemos juntos pra esquecer dos problemas, mas em nome de nossa longa amizade de 30 anos, sabemos que você não veio apenas pra beber com um velho amigo.

Yajima pegava seu copo, tomava o líquido ardente de uma única vez antes de soltar um longo suspiro e voltar seus olhos para o velho amigo.

— Você tem razão, Makarov. E sim, existe outro propósito para a minha visita no qual eu, particularmente, preferiria que fosse algo informal. Então, eu vou ser direto. — Ele coloca seu copo vazio sobre a mesa. O Mestre lhe observava com paciência. — Ivan está apavorando alguns vilarejos próximos da capital.

Ao escutar o nome do filho, Makarov fechou os olhos enquanto entornava a bebida de seu copo em um único gole, logo pegou uma garrafa, encheu o recipiente e tomou tudo novamente.

Ele sabia.

Ele estava prevenido, estava apenas algum memorando, algum ofício ou até mesmo uma ave do correio lhe trouxesse notícias do desgraçado que tinha sua carne e sangue. Contudo, jamais passou pela sua cabeça que um de seus amigos mais antigos e queridos lhe trouxer tais notícias tão eficazes como essa.

Yajima aguardava o amigo pacientemente, sabia que aquela notícia causaria um grande choque e a última coisa que queria nessa vida era lhe trazer tal comunicado assim.

— Quando foi isso? — Indagou o velho Mestre, deixando o copo de lado e encarando com total atenção o conselheiro.

— O último foi há dois dias. Meus colegas estão zangados, como você já deve imaginar, e estão motivados que a Fairy Tail dê um jeito nesse problema, já que o Ivan é um ex-membro de sua guilda.

Indignação era o que estava estampado nas feições de Makarov, que não segurou a raiva, mesmo sendo com um velho amigo.

— O quê?! O Conselho exige que a Fairy Tail dê um jeito?! Isso nunca foi exigido de outras guildas em relação aos ex-membros! Por que vão exigir da Fairy Tail?! — Vários motivos possíveis passaramm pela mente de Makarov, principalmente os estragos feitos por alguns membros (Natsu e Gray foram os primeiros a surgirem em sua mente) em prédios e casas de algumas cidades e vilas.

Yajima já esperava a explosão de fúria do Mestre e novamente, esperou pacientemente ele descarregar toda a raiva antes de continuar.

— Sim, de fato, isso nunca foi exigido de outras guildas. O único motivo pra exigir isso da Fairy Tail é porque Ivan é o seu filho, Makarov.

Makarov deu um suspiro cansado, apertando as têmporas de seus olhos, estava sentindo uma forte dor de cabeça chegando.

"Até mesmo não fazendo mais parte da guilda, o Ivan ainda está trazendo problemas para a Fairy Tail... Mavis... O que eu devo fazer com esse meu filho?"

O conselheiro observava o velho amigo, que absorvia toda aquela informação.

— Você mencionou que o Conselho quer que a Fairy Tail dê um jeito nele… — Yajima assente com as palavras. — Mas eu imagino que ele não tenha feito tudo sozinho, certo? Afinal, ele agora tem a sua própria guilda.

— Sim, a guilda das trevas Raven Tail . Ela claramente é o oposto de Fairy Tail, como deve saber.

— O símbolo de corvo deles é parecidíssimo com a nossa Fênix, só que de forma distorcida. — Comentou ao se lembrar do emblema, enquanto lia o relatório de danos, crimes e outras atrocidades cometidas não apenas por seu filho, mas também por seus seguidores.

Como é que aquele garotinho risonho que criou com tanto amor e carinho chegou a essa decadência deplorável era o que se passou na mente de Makarov, que suspirava triste e inconformadíssimo com cada palavra que lia de cada parágrafo daquelas páginas.

Não querendo mais encher sua mente com aquele conteúdo medonho, o velho Mestre encerra o relatório e joga sobre a mesa, afundando em seguida seus dedos sobre suas têmporas novamente.

— Sabe me dizer quanto tempo eu tenho pra resolver esse… Esse empecilho? — Indaga olhando para o velho amigo.

— Nenhum de meus colegas passou uma data ou um período específico para a resolução. — Responda calmamente, enquanto bebe o conteúdo do seu copo. — Mas eu segurei a resolvê-lo o quanto antes. Vidas estão sendo perdidas, pequenos vilarejos destruídos, criaturas das trevas sendo invocadas com feitiços malignos… Além de barcos de maldições sendo lançados e Selos Mágicos sendo quebrados. Mesmo não aparecendo nada assim desse calibre.

Era evidente que ele precisava de tempo pra absorver toda aquela informação e pensar em quais membros escolher para essa deplorável tarefa.

— Ah, eu estava quase me esquecendo… — Yajima diz interrompendo os pensamentos do Mestre. — Quando cheguei, eu notei dois jovens magos que parecem ter um certo acúmulo de poder dentro de si mesmos e eu gostaria que esses dois fossem escalados para essa missão, se não se importa.

Makarov o encarou com a sobrancelha levemente erguida. Nesse tipo de missão, ele estava pensando em mandar Erza e Mira, ambas são magas Classe S talentosas e poderosas que, apesar de não se entenderem, seriam as escolhas mais plausíveis.

"E o Gray também, ele é o mais indicado pra poder conter as brigas e discussões entre elas."

— E quem seriam esses jovens que você reparou, Yajima? — A indagação foi mais a título de curiosidade.

O velho Conselheiro abriu um pequeno sorriso antes de responder.

— O jovenzinho de cabelo rosa e cachecol, e a mocinha loirinha que estava ao lado da jovem Erza.

O velho Mestre demonstrou surpresa no olhar, ele sabia que os dois jovens em questão tinham um grande potencial adormecido dentro deles, mas não esperava que, com apenas um rápido olhar analítico, Yajima iria perceber tal fato possível.

— Mas meu amigo, eles têm apenas 13 anos, são novos demais para uma missão dessas. Acredito que Erza Scarlet, Mirajane Strauss e Gray Fullbuster sejam as escolhas mais sensatas.

— Se me recordo bem, meu amigo, Erza Scarlet e Mirajane Strauss não se entendem. — Comente o Conselheiro, que conhecia bem a acreditava que os dois jovens magas carregavam quando estavam juntas. — Mesmo com o jovem Fullbuster pra separar a situação.

Ali estava um ponto que não tinha como ser contestado, afinal era um fato conhecido, não apenas pelo Conselho Mágico, como também por uma boa parte do continente de Ishgar, que a relação entre a cavaleira das fadas e a garota satânica estava longe de ser amistosa .

Makarov se viu com uma decisão complicada em mãos e que claramente precisaria de pelo menos dois dias para decidir o que fazer com a missão que lhe foi imposta.

— Acredito que você encontrará a resposta que tanto lhe aflige neste momento. — Diz Yajima, se levantando após tomar o restante de sua bebida. — Apesar de já ter completa certeza do que irá decidir. Eu só peço que não se esqueça de incluir os dois jovens magos que mencionei.

E com isso, Yajima sai da sala do Mestre da Fairy Tail, com o mesmo se levantando e seguindo porta a fora.


04 de Janeiro de X781

09:39 da manhã.

02 dias depois após a visita do Conselheiro Yajima à guilda Fairy Tail.

Como já era o esperado por Makarov, todos os membros da guilda estavam presentes no grande salão, ansiosamente ansiosos pelo tal assunto que precisavam conversar com eles.

Durante esses dois dias, o velho Mestre ficou analisando e pensando em outras soluções para aquele infortúnio, sem precisar envolver seus amados filhos, especialmente os dois mais novos que seu velho amigo pediu para essa missão do Conselho Mágico.

Ivan era um problema dele e não da guilda, era tão injusto envolver seus filhos de coração em assuntos relacionados à sua cria de carne e sangue.

Onde será que havia errado na criação de Ivan? Era o que se passava em sua mente, já que nem ele e nem sua esposa falecida faziam as atrocidades que Ivan causava por todo continente de Ishgar. Nem sequer pensavam fazer esse tipo de coisa em suas mentes.

"Parece que não tem outra solução… Vou ter que incluiu-los de qualquer jeito…", concluiu mentalmente, sentindo seu coração pesar.

Era possível sentir a tensão que o Mestre transmitia para seus magos, todos estavam nervosos e preocupados desde o dia em que o Conselheiro Yajima visitou a guilda.

O que ele queria? Era a questão principal que rondava a mente de todos.

— Muito bem, meus filhos. — Começou Makarov, subindo em cima do balcão, chamando a atenção de todos os presentes. — Como todos sabem, o Conselheiro Yajima veio à nossa amada guilda e conversamos um pouco sobre alguns acontecimentos recentes à guilda das trevas Raven Tail .

Só de ouvir aquele nome, foi o bastante para todos processar tensos e demonstrar raiva e vergonha por saberem que o culpado pela criação daquela guilda era o único filho do Mestre Makarov.

— Por que será que não estou surpreso que a visita de um Conselheiro tenha tido algo com esse desgraçado? — Alzack conversou sem pensar.

E como consequência do seu comentário, Macau dá um tapa na nuca do garoto.

— Idiota, ele é o filho do Mestre. Tenha um pouco de respeito!

— E o que isso tem? — Diz passando a mão no local do tapa. — Sendo filho ou não, ele está causando problemas com aquela guilda medonha dele, porra! E está nos prejudicando, sabia disso?

— E acha que só você sabe disso, imbecil?

Antes que aquela troca de farpas se transformasse em uma briga completamente desnecessária, Makarov ergueu a mão e pigarrou alto não somente para os membros que estavam discutindo, como também para o restante dos magos ali presentes.

Era ele quem precisava da atenção dos seus filhos.

— Não há necessidade de discussão. Todos sabem quem está por trás dessa guilda. Isso não é segredo pra ninguém e ele não precisa do ódio e rancor de vocês, não vale a pena nutrir esse tipo de sentimento.

Macao e Alzack sentiram seus rostos queimarem e nada mais disseram.

Os outros nem ousaram proferir qualquer palavra, apenas esperavam pacientemente pelo discurso do velho Mestre.

— Bom, voltando ao assunto que realmente interessa… Bom, como eu já havia falado, a intenção dessa visita foi trazer assuntos referentes a guilda Raven Tail e… — Ele solta um longo suspiro. — De acordo com o Conselho, por Ivan ser um ex-membro da Fairy Tail, cabe a nós a responsabilidade de parar com as ações que ele e seus seguidores têm causado contra a população em geral.

Nesse momento, Mira bateu com as mãos sobre a mesa, assustando seus irmãos e os colegas que estavam ao seu lado.

— Como assim, Mestre? Que história é essa?! — Ela questiona o que todos tinham em mente.

Aquilo era um absurdo total!

Desde quando uma guilda tinha que arrumar uma bagunça de ex-membros? Mesmo que o tal ex-membro tenha criado uma guilda das trevas?

E sem mencionar que o Conselho não precisaria pedir a ajuda exclusiva da Fairy Tail, tem outras guildas até mesmo mais perto da capital, como a Lamia Scale.

— Aos olhos do Conselho, somos NÓS que temos que parar com as atividades do Ivan e seus seguidores. E sim, posso ver pelo olhar de vocês que estão tão indignados quanto eu. — Diz o velho encarando os semblantes de cada um dos magos ali presentes. — Tentei argumentar com eles após a visita do Conselheiro Yajima, mas foi completamente em vão. E como somos ordenados a eles e nós dependemos dos mesmos para afins, eu não tive outra escolha que não fosse aceitar essa missão.

Makarov atendeu os membros absorverem toda aquela informação antes de recebê-los e informar os membros escolhidos para essa missão.

— Mestre? — Chama uma maga da guilda.

— Sim?

— O senhor já escolheu quem irá pra essa missão?

— Sim, os membros para essa missão já foram selecionados. Cinco magos irão para essa missão.

Nesse momento, todos ficaram mais atentos e ansiosos para saberem quem havia sido escolhido. Por mais que odiasse o Conselho Mágico, ser escolhido para uma missão deles era uma grande honra e traria mais clientes e aumentaria a confiança da guilda em todo o continente.

Sem mencionar o quanto esses magos serão requisitados futuramente para mais trabalhos e praticamente todos eles desejavam isso.

Ou a grande maioria, pelo menos.

Makarov não quis perder mais tempo e voltou a falar.

— Os seguintes magos foram escolhidos… Quando eu disser seus nomes, quero que se levantem… — Ele olha para todos, para cada um de seus filhos, antes de continuar. — A primeira maga que foi escolhida é Erza Scarlet.

A ruiva não comprovou, mas ficou surpresa por ter sido escolhida. Exibindo o semblante orgulhoso e sério, ela se levanta, sentindo o olhar de seus colegas. Ela só não cedeu ao nervosismo graças à mão de Lucy, que segurou a sua com firmeza.

Enquanto isso, Makarov continua.

— A segunda maga escolhida… É Mirajane Strauss.

Diferente da cavaleira que demonstrou seriedade, a albina se abriu aquele sorriso metido de uma pessoa que acredita que é melhor do que as outras (Ainda mais se uma delas para sua arqui-inimiga).

"É claro que o Mestre iria me escolher. Ele seria louco se não escolhesse.", pensou ela.

— E por último, não menos importante… — Ele faz uma pausa pra encarar a todos. — Gray Fullbuster.

O moreno se levanta, já estralando os dedos.

— Pode contar comigo, Mestre. — Diz sério e confiante o jovem já sem o seu casaco e camisa, ambas as peças de roupas jogadas no chão ao lado do banco no qual estava sentado.

Os três em questão se aproximam e ficam lado a lado de frente para o velho Mestre, que os olhava com carinho, ele tinha muito amor pelos seus filhos de consideração.

Por todos eles, incluindo até mesmo o próprio de carne e sangue (apesar das atrocidades que ele estava causando).

— Hã… Mestre? — Chama Lisanna erguendo a mão pra chamar sua atenção.

— Sim, Lisanna?

— O senhor disse que cinco magos vão nessa missão, né? — Makarov acenou que sim. — Mas o senhor disse o nome de apenas três. Quem são os outros dois que vão junto com eles?

Aquele era o ponto que Makarov queria chegar e aproveitou a pergunta da mais nova dos Strauss como gancho para anunciar o motivo por trás da escolha dos outros dois membros.

— Antes de tudo, meus filhos, eu quero deixar claro que todos aqui têm um grande potencial e que tenho muito orgulho de cada um de vocês. Vejo todos os dias o quanto vocês são angustiados e como estão ficando cada vez mais fortes. E quero que continuem se esforçando cada vez mais e mais, todos vocês ainda tem muito pra mostrar, não apenas pra guilda, mas por toda a Fiore. Não somos a guilda mais forte à toa. — Ele dizia olhando para cada um dos membros ali presente naquele momento.

As palavras de Makarov realmente tiveram um efeito positivo em todos ali, com certeza repercutirá nas próximas semanas, ainda mais com a próxima Prova para Mago Classe S se aproximar.

— Mas vamos parar com essa enrolação e ir direto ao que importa mesmo. — Continua ele. — Os outros dois membros dessa missão foram escolhas do Conselheiro Yajima. — Ele soltou um longo suspiro antes de anunciar. — Natsu Dragneel e Lucy.

Um silêncio se instaurou na guilda, ninguém conseguiu disfarçar a surpresa em seus olhares quando Makarov proclamou os nomes de Lucy e do Natsu. Eles eram um dos mais novos e tinham sido escolhidos para uma missão de extrema importância por um Conselheiro, era realmente surpreendente.

— Demais! Vou mostrar pra eles do que sou capaz, velhote! — Exclamava o rosado todo animado, já indo ficar ao lado da Mira.

Lucy, no entanto, não havia dito ou demonstrado nada, apenas se aproximou e ficou ao lado de Erza em completo silêncio. Ela sentiu os olhares questionadores de alguns de seus colegas, o que a deixou desconfortável.

Percebendo que uma namorada não parecia estar se sentindo bem, Erza segurou a sua mão a fim de transmitir um pouco de calma pra loira, e graças a esse simples gesto, ela pode ficar mais tranquila.

— Muito bem, vocês cinco venham comigo. — Falou Makarov, seguindo para seu escritório, com os escolhidos logo atrás.


Estava claro que para uma missão desse calibre, a conversa precisaria ser mais reservada e foi por esse motivo que Makarov pediu para que os escolhidos lhessem até o seu escritório, afinal era o único local da guilda onde nenhum membro tentaria entrar sem a permissão do Mestre. E que assim entrou, o velho fechou a porta e usou uma magia de selo para que ninguém viesse incomodá-los.

Os cincos estavam enfileirados ombro a ombro de frente para seu Mestre, com os braços ao lado do corpo.

Mirajane, Gray, Erza, Lucy e Natsu.

Era perceptível a ansiedade deles e Makarov pretendia ser direto e claro com eles.

— Muito bem, vocês sabem a gravidade do nosso problema. — Dizia, enquanto ativava uma tela mágica de um lacrima que mostrava o mapa de Fiore, centralizando mais na capital Crocus. — Os ataques da Raven Tail estão mais focados nessa área das montanhas próximas da capital. As vilas pequenas localizadas bem aqui, perto dessa floresta, foram destruídas por seus seguidores, que invocaram criaturas das trevas. Infelizmente, os poucos magos que estavam nessas vilas não tiveram força o bastante para detê-los e perderam a vida no processo.

Enquanto explicava, os cinco prestavam atenção para memorizar todas aquelas informações, sabiam que elas eram de vital importância para garantirem o sucesso dessa missão.

— Mestre, ele está participando desses ataques também? — Indaga Mira.

— De acordo com o relatório do Conselho fornecido pelo Conselheiro Yajima, ele só participou do primeiro, os outros estão sendo causados pelos membros de sua guilda.

- Zumbir. Típico, ele manda os lacaios fazerem o trabalho sujo. — Comenta Mira, cruzando os braços acima do peito.

Makarov continua sua explicação, mostrando mais outros locais que foram atacados e as fatalidades que ocorreram após isso.

O que mais intrigava a todos, principalmente Lucy, eram as formas que essa guilda coordenava os ataques. Sempre foram em vilas pequenas e próximas de Crocus. Por que elas? Por que apenas naquela região?

"Se eles quisessem atacar a Capital, eles fariam isso sem sair. Será que são apenas ataques de aviso para não se meterem com eles ou tem alguma coisa lá pra eles só se concentrarem ali? Ou será que tem outro motivo?", a mente da loira fervia de diversas perguntas com inúmeras teorias.

Pra ela, tinha que ter algum motivo específico do que apenas provocava o Conselho Mágico.

— Quantos membros tem essa guilda?

— Não se sabe ao certo, Gray. Mas não importa quantos sejam, temos que pará-los pelo bem de todos.

Natsu abriu um sorriso animado, estralando os dedos e socando a própria mão.

— É isso aí. Não importa quantos, se tiver 100 lá, eu vou chutar a bunda e queimar todos eles!

— Fico feliz com seu entusiasmo, Natsu. Mas peço que não subestimem esses magos. — Diz Makarov. — Diferente de vocês, eles não terão misericórdia porque são jovens. Eles vão matar-los, se tiverem uma oportunidade. Não dêem essa oportunidade em momento algum. — Enquanto falava, ele abriu uma gaveta e tirou de dentro um cilindro azul, abrindo o mesmo e tirando um pergaminho. — E é por esse motivo que para essa missão, temos uma exceção única caso as coisas saiam do controle. Erza. Mira. Aproximam-se. — Ele abre o pergaminho e o vira para elas. — Este documento é uma autorização do Conselho Mágico para o caso de serem tomadas medidas drásticas precisas.

As duas se olharam por um segundo antes de voltarem a atenção ao Mestre.

— Perdão, Mestre, mas eu não estou entendendo. — Diz a ruiva. — Que tipo de medidas drásticas o senhor se refere?

— Espera, isso é sério, Mestre?! É sério mesmo?! — Grita Mira que ergue seus olhos do documento e indaga um tanto furiosa, apertando as mãos com força. — Diz que isso é zoeira, porque não é possível.

Lucy, Natsu e Gray olharam um para o outro, sem entender nada do que estava temporariamente e do motivo pra Mira ter ficado tão zangada, e sem esperar qualquer resposta, a loira se aproxima e olha rapidamente para aquele pergaminho e olha de forma confusa para o velho.

— O que é "Autorização para Ação Imediata"?

Makarov soltou um longo suspiro, pois foi por essa razão que ele precisou de dois dias para refletir. E ainda tentou argumentar sobre isso com o Conselho através de um lacrima de comunicação, mas eles se o abraçaram fortemente e que era preciso que Erza e Mira ajudavam essa autorização "especial", nas palavras daqueles cretinos desgraçados (Somente Yajima se salvava aquele ninho de cobras ).

— Significa Autorização Para Ação Imediata. — Traduz o Mestre. — Erza e Mira receberam a autorização do Conselho para aplicar uma execução, caso seja necessário.

— O que isso quer dizer? — Pergunta Grey confusa.

— Quer dizer que tanto eu como a Scarlet temos autorização pra matar magos negros. — Responde Mira ainda indignada com aquilo. — Para essa missão, pelo menos.

Não tinha como esconder o quanto Lucy, Natsu e Gray ficaram perplexos com isso. Desde quando as guildas legais têm autorização para matar? Aquilo não fazia nenhum sentido.

— Perai, mas a Fairy Tail é uma guilda legalizada. Nós não podemos matar, nem mesmo os magos das trevas. — Diz o moreno. — Mesmo sendo permitido só pra isso.

— E por que só a Erza e o Mira podem fazer isso? — Pergunta Natsu, ainda absorvendo tudo aquilo, era informação demais para sua cabeça.

— Porque elas são Magos Classe S. — Responde Lucy encarando o velho Mestre. — Por isso elas foram escolhidas. E… — Ela vira seus olhos para Gray e volta a olhar para o senhor. — O senhor escolheu o Gray para que ele impedisse qualquer desentendimento que elas pudessem ter na missão, não é?

Inúmeras vezes, Makarov ouvia com frequência de vários magos da guilda sobre a inteligência e perspicaz da jovem maga celestial após todas as missões que ela realizava. Até mesmo Levy dizia que a amiga é bem mais inteligente que ela. E o misterioso Mystogan tinha uma certa preferência pela loira quando precisava ir em uma missão que exigia mais de uma mente bem mais preparada do que a dele. Não que ele não fosse inteligente, mas em sua visão, Lucy era muito mais.

— Tá, mas e daí? Eu e você não somos Magos Classe S, mas também vamos nessa missão, Lucy. — Comente Natsu com um sorriso. — Vamos mostrar pra esses maguinhos da Raven Tail quem é que manda!

A loira nada diz, apenas abaixa a cabeça, fazendo com que a sua franja esconda seus olhos.

Erza coloca uma das mãos sobre seu ombro.

— Lúcia?

Apenas pelo silêncio da garota, Makarov soube que ela já havia entendido, nem ela ou Natsu deveria ir para essa missão, eles só estão indo devido a um pedido do Conselheiro Yajima.

— Apesar de este não ser o meu desejo, eu confio em vocês e sei da capacidade que cada um de vocês tem, independente de ter sido escolhido por mim ou não. — Todos eles concordam. — Mira. Erza. Apesar dessa autorização, eu peço para que não vá por esse caminho. Nem sempre, a morte é uma solução.

— Nem precisa pedir, Mestre. Posso ter o apelido de demônio, mas não sou uma assassina e sei que a Scarlet também não. — Erza assente em concordância com Mira (Pra deixar registrado, esse é um dos raríssimos momentos em que vemos como dois rivais concordando com alguma coisa. Se formos contar, é provável que não chegue a cinco.) — Vamos cuidar deles do nosso jeito sem precisar dessa autorização estúpida.

Makarov abre um pequeno sorriso, era um alívio saber que seus filhos tinham sensatez, mesmo sendo bem jovens.

— Bem, então vamos continuar…


Makarov conversou com eles por quase duas horas, queria deixá-los cientes de tudo, incluindo os membros da Raven Tail que estavam mais causando aqueles desastres pelas redondezas de Crocus.

Lucy não escondeu a surpresa ao reconhecer Rokko e Vero, os dois magos que quase a mataram. Ela relatou que foram eles que a envenenaram e que a fizeram passar aquela agonia terrível por quase um dia inteiro.

Enquanto contava, Lucy apertou o próprio braço, exatamente no local onde havia sido envenenada, a lembrança da dor ainda permanecia em sua mente, já chegou a ter pesadelos com isso nos primeiros dias, agradeceu aos céus por ter estado naqueles momentos com Erza.

E falando na ruiva, ela percebe o gesto da namorada e se aproxima, tirando a mão que apertava seu braço delicadamente e a acolhe em seus braços. Ela sabia o quanto aquilo havia marcado a loira profundamente e rezava para que ela superasse aquela aflição algum dia.

Ninguém diz mais nada, nem mesmo sabiam o que deveriam dizer e Makarov decide encerrar aquela reunião.

— Comecem a missão amanhã. O quanto antes vocês começarem, mais rápido terminaram. Boa sorte meus filhos.

Eles acenam em agradecimento e saem do escritório do Mestre.

Para aproveitarem o resto do dia, eles decidem ir pra casa para se prepararem e para descansarem bastante.

Natsu foi buscar Happy com a Lisanna antes de ir pra sua casa.

Gray já seguia para a própria, Mira fez o mesmo junto de seus irmãos.

Erza se preparava pra ir também quando viu Lucy parada perto do muro, se apoiando com uma mão, enquanto a outra estava cerrada fortemente.

— Lucy? — Chama a ruiva se aproximando devagar. — Sei que combinamos de ficar lá na minha casa hoje, mas o que acha de ficarmos hoje na sua? Ela é mais perto da estação e podemos dormir mais um pouco antes de irmos para a missão.

Lucy não respondeu, na verdade, ela não demonstrou nenhuma reação, apenas ficou parada olhando para a parede do muro da guilda, com o punho fechado, os nós de seus dedos tão brancos quanto os cabelos dos irmãos Strauss.

Erza estranhou aquela reação e ficou um pouco receosa quando a loira se virou pra ela, com a expressão assustada em suas feições.

— Por que eles? Por que justo eles? — Ela indagava baixinho, apenas Erza a ouvia, já sabendo a quem ela se referia. — Eu não sei se estou pronta pra vê-los de novo… Eu não sei… — Ela aperta novamente o local do braço que foi envenenada, mas dessa vez, ela fincava as unhas.

Vendo que o braço estava ficando vermelho, Erza retirou a mão dela mais uma vez, da mesma forma que havia feito no escritório do Mestre, e a puxa para seus braços, a abraçando com carinho.

Lucy aproveita aquela proximidade pra passar os braços ao redor de seu pescoço, pressionando o rosto na curva do mesmo.

Erza podia sentir o coração disparado da namorada e a apertou mais contra si.

— Hey… Você tá bem? — Perguntou com receio, fazendo carinho nos cabelos loiro dourado da maga celestial. — Posso sentir sua tensão, bebê. — Ela se separa apenas o suficiente para se conectar com os olhos castanhos claro a sua frente. — Você sabe que pode me contar qualquer coisa, sim? — A resposta foi um aceno. — Então me diz, esses dois magos… Rokko e Vero… Estão te deixando tensa? Hum?

Lucy respira fundo e solta um longo suspiro antes de responder.

— Eu não queria contar, porque não quero que ninguém saiba, mas… — Ela fechou os olhos. — Eu tô com medo… Eu tenho medo de enfrentá-los de novo, medo de sentir aquela dor, medo de ver todos passando por essa dor… — Lucy leva uma das mãos até a bochecha de Erza, acariciando com tanto carinho e cuidado, que a ruiva não pode evitar um pequeno sorriso e o beijinho que deu sobre a mão dela. — Eu não quero ver você ou os nossos amigos passando pela mesma dor que passei… Eu não posso ver… Eu… Eu…

— Shii… — Erza a silenciou com um leve sussurro em seu ouvido. — Eu sei que está com medo de enfrentá-los de novo. Mas dessa vez, você não estará sozinha, eu estarei ao seu lado e não deixarei nada acontecer com você, e isso é uma promessa.

A voz rouca e baixa de Erza fez com que ela se sentisse mais calma, mas aquela sensação ainda persistia, como se pressentisse que algo poderia dar errado nessa missão.

— Mas e se…

— Hey, nada de pensamentos negativos. — Erza interrompe, pois já sabia para onde ela seguiria com aquela linha de pensamento. — Não pense demais nisso, okay? Amanhã resolvemos melhor isso, tá bom? — Lucy dava um pequeno sorriso e concordava. — Bom. Mais tarde eu vou pra sua casa, vou preparar minhas coisas e te encontro lá.

— Tá bom. Vou arrumar as minhas e fazer algo para comermos.

— Hum… O que você vai cozinhar?

— É surpresa, mas posso dizer que a sobremesa vai ser algo com morango.

— Você sabe como me agradar, não é?

Lucy abre um pequeno sorriso, o que já deixa Erza mais tranquila por ter feito ela ficar mais calma.

— Os livros dizem que você consegue conquistar o seu amor pelo estômago.

— Mas você já me conquistou sem precisar de comida, ela é apenas um bônus que eu tenho o privilégio de apreciar sempre que vamos ficar juntas. — Erza aproxima seu rosto do de Lucy. — Tenho a sua permissão, minha lady?

— Você sabe que tem, não precisa mais pedir.

Com um sorriso mais amplo, Erza encosta seus lábios contra os de Lucy. O beijo durou apenas alguns segundos antes de cada uma seguir para a própria casa.


Bem mais tarde naquele dia, onde o sol já estava se pondo, Mirajane já deixava sua mochila pronta para a missão e foi terminar o jantar que dividiria com Lisanna e Elfman.

Ela já havia conversado com eles, pois ambos estavam um pouco nervosos em deixá-la ir nessa missão, mesmo com mais quatro pessoas lhe acompanhando.

— Não se preocupem. Até parece que alguns maguinhos negros vão me derrubar. — Diz ela toda orgulhosa. — Podem acreditar, eu sou dura na queda.

— Então, Nee-san… — Começou Elfman timidamente antes de erguer um polegar pra cima com um sorriso. — Arrase com eles!

Mira bagunça os cabelos do seu irmão, enquanto era abraçada pela irmãzinha.

— Podem deixar, nós vamos detonar esses caras.


Natsu e Happy haviam acabado de comer o resto de comida que tinham em seu estoque e já estavam dormindo na velha rede que ficava na sala de sua casa.

Depois que o gatinho nasceu, o rosado foi procurar uma casa para morar e com a ajuda de Lisanna e Lucy, eles encontraram uma na floresta que estava abandonada. Natsu nem quis esperar e já fez questão de trazer suas coisas e foi comprando aquilo que o agradava pra ocupar o espaço.

Era uma casinha rústica e bem simples, mas era o lar do jovem Dragon Slayer e seu gatinho azul com asas.


Gray também já havia jantado e estava deitado em sua cama, olhando para o teto e pensando a respeito da missão e outras coisas.

Algumas lembranças de quando ele treinava com sua Mestra Ur veio a sua mente e isso fez seu coração se apertar um pouco, o fazendo suspirar fundo. Ele não falava com ninguém sobre o seu passado, só havia comentado com o Mestre, mas nunca se aprofundou no assunto.

Ainda era uma questão delicada para o moreno.

"Ur… Dê-me forças para amanhã."

Pediu ele silenciosamente antes de fechar os olhos e adormecer.


O apartamento da Lucy era perto do canal principal que cruzava a cidade de Magnólia. Ela ficava a alguns quarteirões da guilda, era mais ou menos uns 10 minutos de caminhada.

Porém, ainda era distante da estação, dava pelo menos uns 20 minutos de caminhada.

Só não era tão distante quanto Fairy Hills, que demorava mais tempo ainda pra chegar.

— Você precisa de ajuda? — Perguntou Erza se aproximando da loira, que terminava de cozinhar alguns legumes.

— Só coloca os pratos em cima da mesa, por favor. Eu já tô terminando aqui.

A ruiva assentiu, indo pegar dois pratos e talheres no armário pra elas.

E pouco tempo depois de jantarem, Erza estava terminando de lavar a louça quando reparava em Lucy sentava na cama com as pernas cruzadas, olhando com bastante atenção para a janela, mais especificamente, para o céu escuro.

Ela enxuga as mãos e se aproxima, sentando-se da mesma forma ao seu lado.

Lucy percebe a presença da namorada e olha para ela com um sorriso.

— Você gosta das estrelas?

Aquela pergunta foi completamente inesperada pra Erza, mas ela abriu um sorriso antes de responder.

— Sim, eu gosto.

— Eu também. Amo elas desde pequena, eu até fingia que eram as minhas amigas e conversava com elas. — Dizia com um grande sorriso, virando o corpo pra se deitar no colo de Erza.

— E o que você conversava com elas? — Indaga a cavaleira curiosa, fazendo carinho nos fios dourados da garota.

— Sobre tantas coisas… Como tinha sido meu dia, o que eu fiz, do que eu brinquei, coisas que aprendi com a minha mãe…

Erza escutava cada palavra que a loira dizia, absorvendo todas aquelas informações novas. Era incrível o quanto ainda era possível descobrir tanta coisa a seu respeito. Mas tinha algo que a ruiva sempre quis perguntar e viu a oportunidade naquele momento.

- Princesa?

— Sim?

— Posso perguntar uma coisa?

— Pode sim.

— Eu sempre escuto você falando da sua mãe e do quanto você a amava. — Lucy escutava em silêncio, exibindo um olhar curioso. — Mas você nunca falou sobre o seu pai… Nunca mencionou ele… E… — Erza para de falar ao sentir a loira se levantar de seu colo para se sentar de costas pra ela com a cabeça baixa. A ruiva interpretou aquilo como um assunto delicado. — Ei, se não quiser contar, não tem problema, eu só tava um pouco curiosa mesmo…

Lucy caiu em silêncio por um minuto, fazia tempo que ela não pensava em seu pai e com a pergunta repentina da namorada, não pode evitar que as lembranças dos 2 anos que viveram com Jude após o falecimento de Layla viesse a sua mente.

Erza se sentia invasiva, sabia que tinha coisas que Lucy ainda não estava pronta pra compartilhar sobre o seu passado, assim como ela mesma também não se sentia à vontade para conversar sobre seu passado traumático naquela torre infernal. Era um assunto extremamente difícil de se falar e ela interpretou que o assunto pai da Lucy também seria a mesma situação.

— Tudo bem, não tem problema. — Responde a loira se virando pra namorada. — É que ele… Meu pai… Ele e eu não estávamos muito próximos, ele sempre estava ocupado com o trabalho e ficava pouco tempo comigo e com a mamãe. E… — Ela fechou os olhos e apertou as mãos. — E quando ela ficou doente e morreu, ele… Ele… — Ela sentiu a garganta se apertar e as palavras sumirem.

Percebendo a aflição, Erza segura as mãos de Lucy, entrelaçando seus dedos aos dela.

— Não precisa me contar, se não quiser. Eu posso ver que não é fácil falar sobre ele e eu sinto muito ter tocado nesse assunto. — Dizia enquanto dava um beijinho na mão dela. — Me perdoe, Lucy.

A loira abre um pequeno sorriso com o gesto e se aproxima para dar um beijinho na figura da cavaleira.

— Você é engolido, sabia? Está tudo bem, eu nem pensei mais nele até agora porque... Porque depois que a minha mãe morreu, eu meio que o perdi também, sabe? Ele simplesmente… — Ela parou pra pensar em como classificar aquilo. — Se foi… Apenas isso…

A resposta de Lucy não satisfez completamente a pergunta de Erza, que ficou com uma incógnita maior ainda, pois não sabia dizer se o pai da loira também morreu ou abandonou, mas ela decidiu não insistir mais e tentar conversar sobre isso no futuro, quem sabe?

Pra mostrar que não tocaria mais aquele assunto, a ruiva se ajeita na cama e deita na mesma, abrindo os braços de forma convidativa, no qual Lucy faz questão de se aconchegar nos braços fortes, deitando a cabeça sobre seu peito e passando os seus braços ao redor do corpo de Erza.

Ela deu um longo suspiro, como se estivesse sentindo um grande alívio.

Ou quase isso, já que a sensação que senti após uma reunião sobre a missão ainda persistia dentro de seu ser.

De alguma forma inexplicável, Erza podia sentir que Lucy ainda estava tensa e a prova disso se confirmou quando a maga celestial ergueu seu rosto para encarar a ruiva e seus olhos estavam bicolores.

— Lucy, seus olhos…

Lucy rapidamente estica seu braço e pega um pequeno espelho que tinha na cômoda ao lado de sua cama e olha para seu reflexo, tendo a visão de seus olhos verdes e vermelhos.

— Droga… — Resmungou ela fechando os olhos com força, rezando pra que eles voltassem ao normal.

Quando voltaram a abri-los, eles eram castanhos claros novamente.

— Ainda está preocupada com aquilo de mais cedo, né?

— Eu não consigo não deixar isso de lado, é como se eu sentisse que alguma coisa vai acontecer e isso está me deixando amedrontada. — Ela dizia guardando o espelho e se deitando mais uma vez. — Meu coração dói e não sei como faço pra parar.

Erza se ajeita, deitando de uma forma para que estivesse de frente com a loira, mas sem soltar seus braços ao redor dela.

— O que está sentindo, Lucy? Além do medo, o que mais sente?

A pergunta era simples, mas explique o que ela sentia não era simples.

— Eu não sei como explicar, amor. É parecido com… Como se eu estivesse me afogando no lago e tentasse nadar desesperadamente pra borda pra me salvar… Eu não sei dizer exatamente, é algo assim e eu tô sentindo isso com essa missão, sinto que algo ruim vai acontecer e isso me deixa com medo. — Diz a maga celestial com a falha motora.

— Ei, vem cá. — Erza a puxa para mais perto e os braços com carinho, podia sentir a atleta ofegante da namorada contra seu pescoço. — Eu vou garantir que nada de ruim ocorra nessa missão, nós vamos conseguir terminar-la com sucesso, assim como todas as missões que a guilda faz. Com essa não será diferente e temos uma ótima equipe pra isso, mesmo que a vagabunda da Mira esteja nela.

Lucy não pode deixar de rir baixo com o comentário. Pra ela, era bizarro demais essa rivalidade da sua cavaleira com o demônio da Fairy Tail.

— Ah, agora ganhei alguns pontos extras, fiz você rir. — Diz se afastando pra olhar sua princesa, acariciando sua descoberta com as pontas dos dedos. — Você é linda e fica mais ainda quando sorri. — Erza aproveita pra deixar um beijo casto em seus lábios, que é retribuído pela loira no mesmo segundo. — Eu não vou deixar nada de ruim acontecer conosco. Eu prometo, meu anjo.

A cavaleira sabia da grande importância que uma promessa significa para Lucy e, mesmo sabendo que seria difícil manter essa, ela tudo que estivesse ao seu alcance para cumpri-la.

— Temos que dormir agora, amanhã vamos acordar cedo e precisamos estar bem descansadas.

A loira assentiu se aproximando pra beijar a ruiva novamente, antes de se aconchegar em seus braços. Seu coração ainda doía, mas a dor era menor e a agonia que sentiu antes decidir se afastar e deixar a maga celestial dormir em paz.

Erza retribuiu o beijo, ajeitando os braços ao redor do corpo de Lucy, abraçando de forma protetora, se permitindo adormecer ao lado da namorada e fazendo uma promessa interna para si mesma…

Não importa a situação, ela sempre vai estar ao lado de Lucy, não vai deixá-la sozinha e vai garantir que ela não se sinta tão mal com essa sensação.

E com isso em mente, ela adormece junto com a amada.


03 de Janeiro de X781

Estação de Magnólia - 06h47

Não foi surpresa alguma para Gray ao ver Erza e Lucy já esperando na estação de Magnólia. As duas tinham em mãos dois copos de chocolate quente com chantilly por cima.

Ele se aproximou das amigas e as cumpriu:

— Bom dia, bom dia.

— Está atrasado, Gray. — Dispara a ruiva, bebendo um pouco da sua bebida.

—Erza! — Repreende Lucy. — Não liga não, Gray. Você chegou adiantado, na verdade.

— Ah, fica tranquila. Já estou acostumado com essa obsessão da Erza de querer chegar muito cedo em tudo. — Diz o moreno ignorando o olhar zangado que a ruiva lançava pra ele. — Eu tenho pena de você, que é namorada dela e que tem que acordar cedo pra qualquer missão.

— Como é que é?! — Erza já queria seguir contra o mago de gelo, mas Lucy entrou em sua frente. — Lucy, ele...

— Por favor, sem brigas.

Erza olha para Gray, que checava os horários dos trens e nem prestava mais atenção às duas. Ela suspira e concorda.

- OK. Desculpa.

Como forma de aceitar as desculpas da namorada, Lucy dá um beijinho em sua consideração, o que faz com que a ruiva fique tão vermelha quanto o seu cabelo.

— E-ei!

— Calma, foi na consideração.

— E graças a Mavis não foi na boca. Eça! — Comente Mira chegando na estação. — Espero não ter que ficar presenciando toda essa melação durante uma missão.

Erza revira os olhos, enquanto Lucy ri da situação.

— Não se preocupe, Mira-san. Quando o assunto é missão, não deixamos a relação atrapalhar o nosso trabalho.

Mira analisa a resposta da loira, antes de acenar com satisfeita.

— Acho bom mesmo.

Se afastando do casal, Mira se sentava em um dos bancos da plataforma pra esperar o horário do trem, assim como Gray, que estava encostado em um poste com os olhos fechados.

Cinco minutos depois, Natsu chegava junto com Happy, o que rapidamente atraía a atenção da albina, que se levantava já indo na direção do rosado.

— Por que trouxe esse gato?

Natsu olha para Happy e depois para Mira em confusão.

— Happy é meu parceiro. Ele sempre vai nas missões comigo.

— E ele é necessário?

Antes que Natsu pudesse responder, os demais se aproximam e é Lucy quem se pronuncia primeiro.

— Eu não me importo de ter o Happy na equipe, por mim tudo bem.

Gray e Erza também concordam com a loira.

— Tá, tá, tanto faz. — Diz a albina dando de ombros. — Mas é você que vai cuidar dele, não quero nem saber se ele se machucar ou algo do tipo.

— Tá beleza. — Responda o rosado com um sorriso.


A viagem duraria pelo menos umas 5 horas. E ela estava sendo tranquila para todos eles.

Com exceção de Natsu, que não parava de gemer de dor.

— Voxê vai ficar bem, né Natsu? — Perguntava Happy com um olhar choroso, enquanto passava um pano sobre a testa do amigo.

O rosado abriu um sorriso fraco antes de responder:

— É claro! Não se preocupe, daqui um pouco eu... Eu... Argh... — Ele é interrompido ao sentir todo aquele gosto amargo subir pela garganta.

Happy foi rápido o bastante pra pegar o balde (deixado pelo condutor do trem) para que o amigo vomitasse dentro.

Gray e Mira fazem uma cara de repulsa, e a albina fica grata pelo gato azul estar ali pra limpar a sujeira, pois sabia que seria um deles a fazer aquilo se ele não estivesse.

Nos assentos ao lado, Lucy e Erza estavam sentadas juntas, com a maga celestial cochilando sobre o ombro da cavaleira.

Eles queriam guardar suas energias para os magos da Raven Tail que vão enfrentar.


03 de Janeiro de X781

Crocus - Capital de Fiore

Estação de Crocus - 11h40

A viagem foi tranquila para todos eles, exceto pra Natsu que passou mal o caminho todo. Mas que por algum milagre incrível, melhorou no segundo que saiu do trem.

— Caramba, eu tô muito melhor! — Diz o rosado com um sorriso enorme.

— Ainda bem, não queria nem imaginar como seria fazer essa missão com você vomitando sem parar. — Comente Erza aliviada, assim como o restante da equipe.

— Hey Happy, depois vamos encher o bucho com alguma coisa gostosa?

— Sim!

— Melhor pensar em comida depois… — Mira interromper a animação dos amigos ao ver um trio de magos com as vestes brancas e douradas do Conselho se aproximando deles.

Dentre eles, estava Lahar, que claramente não estava nem um pouco contente de estar ali.

— Por que o engomadinho veio também? — Indagou o rosado, já perdendo a vontade de comer.

Ninguém responde, pois é nesse momento que os três membros em questão ficam de frente pra eles.

Lahar não esconde seu olhar de repulsa para com os cinco jovens ali presentes, principalmente para a loira, que foi autora do atual olho roxo que ele está sendo obrigado a carregar pelos próximos dias.

Podemos dizer que ele foi alvo de piadas entre seus colegas, que acabaram descobrindo que ele apanhou de uma maga de uma guilda e que era bem mais nova do que ele.

— Ah, cheguei… Já estava na hora… — Diz o rapaz não escondendo o desgosto por eles. — Estão 40 minutos atrasados.

Na realidade, a previsão de chegada da Fairy Tail em Crocus era às 12:00 em ponto, só que eles esperavam chegar 20 minutos mais cedo.

Ficou evidente que era uma forma de provocação do rapaz.

É claro que Natsu queria retrucar, mas foi impedido pela mão metálica de Erza em seu ombro.

— O importante é que estamos aqui, e nós só queremos a direção para os locais que foram os mais atingidos e quais serão os próximos.

Lahar solta uma bufada e acena com a cabeça para o garoto ao lado entregar o pergaminho em mãos para a ruiva.

— Todas as informações que vocês precisam estão aí. Agora é com vocês. Vamos.

Ele virou as costas sem dizer mais nada, se afastando de forma apressada. Os outros dois que o acompanhavam, apenas acenam para os cinco e logo se apressavam para seguir o colega.

Ninguém diz nada, apenas se entreolham e siga o caminho para a floresta.


A floresta perto da capital Crocus era bem mais densa do que a de Magnólia, proporcionando aquele ar um pouco mais assustador. Os filhos dos animais ecoavam pelo ar, sendo levados até os ouvidos dos cincos jovens magos, que caminhavam pela pequenina estradinha de terra que tinha ali.

Todos eles estavam tensos e seus olhos não paravam de vasculhar as copas das árvores e os arbustos se agitavam também incomodavam bastante, tanto que a todo momento, Natsu usava seu olfato apurado de dragão pra tentar sentir o cheiro e ele só captava odores de animais que viviam ali perto.

— É outro coelho. — Respondeu ele olhando para os amigos. — Nada humano…

— Tem certeza de que eles estão aqui? — Perguntou Gray olhando pra Lucy, que tinha o pergaminho do Conselho em mãos.

— De acordo com essas informações, eles permaneceram aqui perto nos últimos 2 dias. E… — Ela ergue a mão no ar, tamborilando os dedos levemente. — Sinto o ar um pouco pesado, como se o éter da floresta estivesse… Contaminado…

— Também estou sentindo isso. — Concorda Mira, sentindo os pelinhos da sua nuca arrepiados. — Eles passaram por aqui… Vamos continuar explorando.

Todos concordam em continuar em frente e se manter mais naquela floresta escura e sinistra, sem imaginarem que o perigo os espreitava bem mais perto do que eles poderiam imaginar.

Vejo vocês no próximo capítulo!
PS: Podem me cobrar via DM gente kkkkk
Beijinhos!