Capítulo 24 - Proposta
.
Sasuke
Eu me sentia afogado num imenso sentimento de perda, desesperado, do tipo que ou eu ria ou chorava. E isso não era nada menos do que perturbador. Parecia que para Sakura, transar comigo era algo como uma terceira guerra mundial, ou o apocalipse. Se eu tinha dúvidas se ela estava na minha ou não, ela havia acabado de passar na minha cara a sua resposta: Nunca. Jamais. Nem fodendo.
O silêncio era perturbador entre a gente, já havíamos pegado tudo o que estava na lista no supermercado. Sakura empurrava o carrinho enquanto eu revisava a lista que a Ino havia me dado, checando se não havia esquecido de nada.
- Acho que já pegamos tudo, flor.
- Hm.
Ergui os olhos para ela, aquilo não estava indo bem. Para Sakura, estar associada a mim – sem mencionar está em um relacionamento comigo – era sinônimo de detonar sua reputação. Então por que ela ainda queria ser a minha amiga se era assim que se sentia? Mas eu não queria perder a sua amizade, estava fazendo de tudo para que ela não se arrependesse de me ter como amigo. Por que na verdade, meu egoísmo falava mais alto e sua opinião era sempre importante para mim.
- Ninguém está achando que estamos juntos, flor. Somos amigos. Você não precisa parar de falar comigo ou ficar me dando esse gelo.
Ela ergueu aqueles olhos verdes de jade para mim, a boca abriu para dizer algo, mas uma voz sobressaiu a sua, alta, nos fazendo virar nossos olhares para o lado:
- Ih, olha só o que temos aqui? Se não é o grande capitão!?
O vacilão do Kimimaru estava parado a nossa frente com aquele sorriso babaca na boca enquanto segurava um engradado de cerveja.
Fechei a cara, o cenho franzido.
- O que você está fazendo aqui?
- Estou com todo o pessoal na casa do Kiba.
Eu havia me esquecido que os pais de Kiba tinha uma casa aqui nessa região. E se conhecendo Kiba, era bem provável que metade da escola estivesse por lá.
Kimimaru desviou os olhos de mim para Sakura, fitando-a de cima a baixo de um jeito obsceno que fez meu sangue ferver.
- E a rosinha sempre fiel ao seu companheiro, não é? – Seu tom sarcástico insinuava pensamentos podres, que terminava de complicar a minha situação com a Sakura.
Merda.
- Isso não é da sua conta – ralhei, meu punho fechado, puto o suficiente para quebrar o fio de tolerância que eu tinha com aquele otário e enfiar um soco na cara dele.
- Ei, calma, cara. – E deu um passo para trás. - Sem violência. Já estou indo, mas talvez nos esbarremos por aí – e fitou Sakura que estava com a cara de poucos amigos. – Tchau, Sakura.
E o babaca saiu com aquela caixa de cerveja. Senti meu sangue correr mais rápido pela raiva que sentia.
Sakura bufou e me deu as costas. Segurei seu braço, a impedindo de fugir e a virei para mim. Ela rosnou, frustrada:
- Viu só? Está todo mundo achando que temos algo – seu tom não era nem um pouco satisfeito.
- Mas também não é assim...
Ela me interrompeu, e puxou seu braço da minha mão:
- Uma garota alguma vez já foi a sua amiga? Você alguma vez perdeu horas do seu tempo ajudando alguma garota a passar nas provas? Você alguma vez fez todas as refeições do dia com alguma garota todo o santo dia? Ninguém sabe o que pensar sobre a gente, Sasuke. – E murmurou a última frase, atormentada: - Nem eu mesmo sei explicar o que nós somos.
Andei um pouco mais e fiquei entre ela e o carrinho, pousando minhas mãos em seus ombros e fitei o fundo dos seus olhos.
- Eu vou dar um jeito nisso, tudo bem? Eu não quero que ninguém pensei coisas ruins de você por minha causa.
Sakura sempre foi um mistério para mim, mas o seu olhar frustrado e angustiante naquele momento havia me pego de surpresa. Era perturbador ao ponto de querer sumir com aqueles vestígios de anomalia só para vê-la sorrir novamente. Ela estava inquieta e claramente contrariada e eu odiava tanto aquela situação que me arrependia das merdas que fiz no passado, por que isso só havia se tornado pedras no meu caminho.
E foi aí que minha ficha caiu. Nós nunca daríamos certo como um casal. Não importava o quanto eu me esforçasse ou trapaceasse para cair nas graças dela, eu nunca seria bom para ela. Não queria que Sakura ficasse com alguém como eu, por que a verdade era dita, eu não valia nada. Teria que me conformar com as migalhas que ela pudesse me oferecer e me dar por satisfeito.
A minha tão clamada reputação havia se tornado o meu pior inimigo.
Era difícil aceitar esse tipo de coisa, ainda mais quando uma vozinha familiar que vinha do fundo da minha mente ficava sussurrando que eu não devia desistir, que eu precisava lutar pelo que eu queria. Por que a Sakura valia a pena.
Mas na mente era tudo mais fácil do que na prática.
Passamos as compras no caixa e saímos do supermercado até o meu carro estacionado do outro lado da rua. O clima entre a gente estava tenso e eu não a culpava por isso. Um cara de camisa havaiana nos abordou quando chegamos do outro lado, estava com as mãos cheia de panfletos.
- Olá, jovens, aqui um convite para a festa na praia essa noite – ele entregou um papel para mim e outro para a Sakura.
- Em qual parte da praia? – Perguntei, desviando meus olhos do papel colorido para o cara.
- Pô, amigo, é para área norte – e esticou o braço, apontando a direção aonde ficava a residência de Naruto.
- Hm.
- Começa lá para às 19hrs.
- Valeu.
O cara se afastou, abordando um grupo de garota mais à frente. Chegamos no meu carro e guardamos as sacolas no porta-malas ao mesmo tempo que uma ideia passou pela minha cabeça.
Entramos no carro e olhei para Sakura, me sentindo pouco animado agora.
- Olha – comecei, e ela me fitou por uns instantes enquanto colocava o cinto -, por que não vamos a essa festa na praia hoje à noite?
Sakura me fitou com mais atenção, erguendo as sobrancelhas.
- Festa na praia?
- Sim – sorri. – Como percebeu, está a galera toda da escola aqui no litoral e completamente eles devem ir a essa festa.
- E como acha que ir para a festa na praia vai resolver o problema? – Questionou, franzindo o cenho. – Quando todos verem a gente juntos vai ser pior. Vão supor coisas como aquele Kimimaru.
- Olha, pense comigo. Uma festa, eu vou estar bêbado e vai ter um monte de garotas com pouca roupa. Não vai demorar para todos notarem que nós não somos um casal.
Seus olhos apertaram para mim.
- E o que eu devo fazer? Vou ter que passar o rodo em todos os caras para deixar as coisas claras?
Franzi a testa. A imagem dela levando algum cara para um canto fez meu maxilar ficar tenso, como se eu tivesse chupado limão.
- Eu não disse isso. E você não precisa se empolgar.
Ela revirou os olhos e liguei o carro, fazendo a manobra e o colocando na pista.
- Você vai levar uma garota qualquer da festa para casa? É assim que você vai deixar as coisas claras?
Olhei para ela de relance que olhava para frente. Eu tentei, mas foi impossível segurar um pequeno sorriso abrir no canto de minha boca.
- Você está com ciúmes de mim, flor de cerejeira?
A minha frase soou como uma pólvora jogada no fogo brando, fazendo explodir. Ela me olhou rapidamente, a testa franzida, visivelmente irritada.
- Ciúmes de quem? Da imbecil que você vai dar o pé na bunda depois que a levar para cama?
Dei uma risada e voltei a olhar para frente. Se ao menos ela soubesse como aquilo era impossível. Sakura não tinha ideia de que com ela por perto o resto do mundo parecia desaparecer para mim. Eu precisava de toda a minha concentração e todo o meu foco para sempre continuar um passo a frente dela e não bancar um bobalhão. E apesar da minha proposta de ficar bêbado e pegar garotas na festa, não era isso que eu realmente queria. Eu não queria dar mais motivos para que ela pensasse o pior de mim.
E realmente a minha situação não era nada boa.
